Thursday, October 8, 2015
O conselho da avó de D. Sebastião
Quem tem uma avó tem tudo, mesmo quando se trata de um Rei.
Tendo sido a Senhora Dona Catarina de Áustria, viúva de D. João III (filha de Filipe, o Belo e de Joana, a Louca) regente de seu neto que se preparava para reinar tão novinho,
entregou-lhe, na véspera de ele tomar o governo do reino, uma tábua de prudentes conselhos, sob a forma de provérbios. Contava-se que os versos tinham sido trazidos ao avô de D. Sebastião da sepultura de um Príncipe de Chipre, e a sábia Rainha deu-os ao neto como um recado do rei morto, recomendando-lhe muito que se esforçasse por deixar, à hora da morte, um epitáfio igualmente honroso:
1- O que pude fazer por bem, nunca o fiz por mal;
(ou como diria Maquiavel, "o bem sempre que possível, o mal quando necessário")
2- O que pude alcançar na paz, nunca o tomei por guerra;
3- O que pude vencer com rogos, nunca o afugentei com ameaças;
4- O que pude remediar em segredo, nunca castiguei em público;
5- O que pude emendar com avisos, nunca o puni com açoites;
6- Nunca castiguei em público, que primeiro não avisasse;
7- Nunca consenti à minha língua que dissesse mentiras, nem aos meus ouvidos que escutassem lisonjas; (gosto particularmente desta, que convém a quem está em qualquer posição de destaque).
8- Refreei o meu coração para que se contentasse com o seu pouco;
9- Velei por conservar os meus amigos, e desvelei-me por não ter inimigos;
10- Não fui pródigo em gastar nem cobiçoso em receber;
11- Do que puni tenho pesar, e do que perdoei alegria;
12-Nasci homem entre os homens, por isso comem os bichos minhas carnes (cruzes! Mas...é importante ter a consciência de memento mori - não somos nada!).
13- Ouvi virtuoso, e vivi virtuoso com os virtuosos; portanto descansará minha alma em Deus.
Máximas perfeitas para um Rei, mas também para qualquer pessoa de bom viver...
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