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Wednesday, October 28, 2015

Who´s that girl?


Na controversa sequela de E Tudo o Vento Levou, "Scarlett", de Alexandra Ripley (como continuação terá os seus defeitos, como romance gostei bastante)  há uma espécie de Consultora de Imagem, contratada para tornar a irrequieta americana uma sensação na boa sociedade irlandesa, que lhe diz algo do género "pode ser original; seda e perdiz num dia, batatas cozidas e meias às riscas no outro. Tudo isso só fará parte da sua lenda".

Scarlett aprimora a sua beleza e sofistica-se sob a direcção desta mulher, que soube ver directamente o que ela era. Afinal, a inesquecível personagem imortalizada por Vivien Leigh tinha dois lados distintos, que toda a vida tinham entrado em conflito: por um, a sua aristocrática ascendência francesa e a suave influência da mãe, uma perfeita Senhora; por outro, o impetuoso sangue irlandês. Só depois dos 30 Scarlett consegue equilibrar ambos, tornando-se uma mulher plena. Sendo igual a si própria, não há mal nenhum em ter - usemos um exemplo mais nosso -  caviar num dia e sardinhas no outro!


Scarlett entende finalmente que pode ter o melhor dos dois mundos - o campo e os salões, a maternidade e o espírito de aventura, a delicadeza e a coragem, o domínio de si própria mas também a entrega de um amor verdadeiro ao lado do único homem que, sendo feito da mesma massa que ela, podia - ao fim ou apesar de muita zaragata - compreendê-la verdadeiramente.

Sempre achei a bela O´Hara a heroína ideal (ou pelo menos, aquela com quem mais me identificava, talvez por ser uma irish lass) e parece-me que muitas de nós enfrentam esse tipo de dúvida, principalmente quando chega a hora de assumir as responsabilidades da vida adulta. Ocorreu-me este pensamento precisamente num bar irlandês, com o rufar da percussão a falar à alma e ao espírito dos avoengos. Uma mulher complexa nunca é feita de uma faceta só. Tem infinitas nuances e pode ser diferentes coisas, em diferentes momentos, desde que nunca perca a noção de si mesma, dos seus valores, e saiba adequar-se. E é preciso entender que embora sendo complicado por vezes, podemos gerir a ocasião de ser impetuosas e o momento de guardar silêncio, a elegância e a voz do coração, que não pode ser abafada. Momentos "tenho de ser eu própria, se não rebento" assistem a todas. 

Mais subtil é saber realmente "quem sou eu?" e aceitar que essa mulher pode não ser uma rapariga só, ou que pode ser mulher às vezes, e uma eterna rapariga noutras...




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