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Saturday, November 14, 2015

A cura para os males do passado: não fazer como Orfeu


A cura para os males do passado- sejam os traumas, os ciúmes do que lá vai (e que se ressucitaram por abrir a Caixa de Pandora) as más memórias, os maus reflexos que impedem cada um de avançar e evoluir- é só uma.

 E bem simples: trata-se de ter paciência, aceitar que o que passou (seja grave ou menos relevante, mas incómodo) não pode ser mudado. Porém, a boa notícia é que pode ser substituído: basta ir criando memórias novas

Cada alegria apaga uma tristeza; cada instante de realização e segurança destrói uma má recordação; a cada êxito, desaparecem os reflexos do fracasso; cada momento em que um casal se aproxima e cimenta a sua relação passa uma borracha sobre os erros idos, ou sobre os fantasmas que todos carregam. 

Sobre este aspecto, há que reconhecer que infelizmente, por muito jeito que isso desse, não se pode exilar toda a gente que passou pela vida de cada um para a divertida, deserta, remota e incomunicável "ilha dos ex-amores" - perdida algures no Triângulo das Bermudas - onde os "defuntos" se poderiam infernizar alegremente entre si, lá todos juntos sem aborrecer os vivos... logo há que lidar com isso como adultos. E deixar de olhar para trás, porque isso já na  Antiguidade Clássica dava problemas.

Camões não cantou a ilha dos ex amores, mas lá que era útil...

Nos mitos gregos, o genial poeta Orfeu quis descer ao Inferno para ressuscitar a sua amada Eurídice. Hades, Senhor do Outro Mundo, concedeu-lhe a mercê de levar a mulher consigo para a terra dos vivos, com a condição de nunca olhar para trás. Mas Orfeu, tentado e duvidando da sua boa sorte, no último momento não resistiu...deu uma espreitadela fatal - "because when we are in love it´s our hearts that guide us, and betray us everytime".

E zás, Eurídice ficou para sempre no Submundo (podem recordar a história aqui:). 




Não se pode fazer como ele: seja para reconstruir alicerces, para devolver as coisas ao seu lugar de direito ou para erguer algo de inteiramente novo e maravilhoso, o caminho é para diante, sempre para diante, fechando os olhos e correndo mais depressa em direcção à luz se for preciso...




E por estranho que pareça,  as coisas encantadoras que se vão encontrando a cada légua começam a ocupar, aos poucos, cada vez mais espaço - tanto, que a dada altura não há lugar para mais nada. Nada de mau. Nada que não esteja vivo e pulsante, a ter utilidade e função real na existência de quem caminha. Como um balde de água suja que é lentamente purificado à medida que se goteja água límpida lá para dentro, até que toda seja pura e transparente. Practice makes perfect. Nem que ao início seja em modo "fake it ´till you make it" - não vão os espectros e as almas penadas deitar a mão e arrastar os Orfeus e as Eurídices para o abismo...

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