Quase que se podia criar uma categoria aqui no Imperatrix chamada "aquelas frases batidas que parecem lugares comuns sem ponta por onde se lhes pegue, mas vai-se a ver e até significam qualquer coisa"***.
É que volta não volta lá me aparece uma, dessas que andam para aí nos facebooks da vida, mas que em certos momentos da dita cuja caem que nem uma luva. E esta é uma delas... como diz o povo, só se lhes dá o valor quando se vê de perto uma situação mesmo a condizer.
As acções mostram sempre porque é que as palavras não valem nada.
Quem nunca precisou de chegar a esta brilhante conclusão, pode considerar-se uma pessoa de sorte, super resolvida, que se rege pela máxima "tempo é dinheiro", logo não atura empatas nem pesos mortos.
Por vezes anda-se ali meses, anos, a nadar na maionese, a inventar desculpas para o projecto que não atrasa nem adianta, para as obras que nunca mais acabam, para a avaria que toda a gente jura não ter arranjo, para a pessoa que diz que se importa muito mas comportar-se como gente civilizada que é bom, nada, para...*inserir problema doméstico/pessoal/ profissional/amoroso arrastado ad aeternum por pessoas pouco amiguinhas de se responsabilizar pelas coisas e levá-las adiante de um raio de uma vez por todas*.
- Ao advogado que não anda com um caso para a frente..."ah, mas ele conhece a minha família/empresa há tantos anos...já está por dentro do assunto...era uma complicação mudar...";
- Ao sócio que prejudica os negócios e não faz a sua parte "mas estamos juntos nisto desde que nasceu a ideia...";
- À falsa amiga que só sabe pedir favores, mas nunca está lá quando é precisa "ela não sabe portar-se melhor...é assim desde os bancos da escola...não é defeito, é feitio..."
- À cara-metade que vai enrolando/fazendo desfeitas/cenas de ciúmes/whatever, num festival de asneira atrás de asneira: "é a pessoa mais parecida comigo que existe...aquela que me conhece melhor...tem os seus defeitos mas não é mau diabo...não faz isso por mal...tem andado a passar uma fase complicada...ao menos deste (a) gosto a sério e depois, se acabo tudo posso sempre encontrar pior...".
- Ao empreiteiro que jura aos pés juntos que não sabe como resolver aquela infiltração na casa construída por ele próprio, e que vai empatando com remendos: "ele até é honesto...é um bocado trapalhão mas já prometeu que vem dia de S. Nunca à tarde, na semana dos nove dias, com um amigo dele que é especialista para ter uma segunda opinião..." (e entretanto, o tecto vai caindo aos bocados e estragando o aparador que herdou da sua trisavó).
Etc, etc, etc...
O que demora a entender - ser paciente e tolerante tem este senão - é que, quase sempre, lá no fundo as pessoas protelam porque querem, hesitam porque querem, chafurdam na treta porque assim é que estão bem, dizem "não sei" ou "não tenho solução" porque têm preguiça de resolver o problema, não se decidem nem tomam partidos porque NÃO LHES APETECE ou não lhes dá jeito, ou simplesmente portam-se mal e abusam da paciência dos outros porque acham que podem. Tão simples como isso.
E basta mudar de ares, recorrer a outro profissional, partir para outra, seguir em frente, entrar num projecto novo, arranjar novos amigos para que o contraste fale por si.
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| Nha nha nha, nha nha nha, papagaios ao cesto e a treta continua. |
Quando depois de lidar com quem adia, arrasta, obriga a rezar responsos, a implorar, ameaçar e a andar numa ralação dia e noite por coisinhas de nada... se encontra alguém que num ápice põe tudo em pratos limpos que é um gosto, tem-se uma epifania. Fica-se maravilhado (a), a pensar "onde é que eu andei a gastar o meu rico tempo?".
Quem quer, quem se importa, quem é competente, quem está empenhado, quem é, no fundo, uma pessoa decente, AGE. Fala, resolve, faz, decide, toma lados, compromete-se e cumpre ou, como dizem os ingleses, exerce a nobre arte de put your money where your mouth is.
Aqui, por dinheiro, pode entender-se qualquer coisa: é dar o peito às balas, tratar do assunto, tomar uma decisão e levá-la adiante em tempo útil, porque falar é fácil. Até os papagaios falam e não se vê ninguém a confiar os seus assuntos a tais passarocos, por mais elaborado vocabulário que tenham...



