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Monday, November 30, 2015

Ch-ch-chaaaanges, lá dizia o David Bowie.


O mundo pula e avança e é feito de mudança, etc, lá diziam as cantigas. Quem não muda, fica mono. Não evolui, não cresce, vive preso aos sonhos do passado, aos objectivos que já caducaram, e não há nada mais deprimente. É certo que nem toda a mudança é boa. Digo-o de todo o coração, eu que sou careta e avessa tanto à surpresa como à mudança. O mundo vai mal muito por culpa de quem acha que para corrigir o que está errado, basta agir de maneira exactamente oposta e deitar abaixo tudo o que sempre lá esteve para trocar por muito pior. Há muita tradição, costume, valor e hábito que importa conservar. Não raro, convém que a mudança seja subtil; que tudo mude para que tudo fique igual, como cantava Sérgio Godinho.

Depois, há as mudanças realmente estúpidas- é o caso das mulheres que tanto quiseram que os homens fossem como elas (sensíveis, fofinhos e a pôr tudo em causa) que agora dizem que não há homens como Deus manda. Ou o caso daqueles homens que se apaixonam por uma mulher forte, vibrante, cheia de garra, que os desafiava...mas depois, na sua possessividade e insegurança, não descansam enquanto não a transformam num ser frágil, inseguro, que podem manipular a bel-talante. E nessa altura deixam de lhe achar tanta graça, ou de a tomar a sério.

 Mas muitas mudanças são simplesmente inevitáveis. Não se decide fazê-las porque estava na hora, por capricho, porque se quis mudar, porque se proporcionou ou foi preciso fazer esse esforço. Mesmo quando parecem súbitas, radicais, inesperadas ou totalmente fora do estilo de quem as sofre ou as leva a cabo, algumas dessas alterações que têm o efeito de um terramoto, que parecem impossíveis, deram-se porque não houve outro remédio. O destino depois lá trata de conjugar outros factores, a que qualquer pessoa sensata responde em modo Virtú e Fortuna. E em casos assim, não se escolhem os dados. É mesmo alea jacta est e tratar de seguir a corrente. O mundo não entrou em guerra por apetite, mas porque Hitler não deixou escolha. Não havia que reclamar com os Aliados.

E no entanto, muita gente, face à mudança alheia, reclama com os "Aliados"...em vez de se queixar do "Hitler". Em modo "pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira". A amiga que decide separar-se do marido abusivo, o filho que mudou de curso porque se sentia infeliz, a prima que decide ir fazer voluntariado para África... aos olhos de quem não aguenta que nada mude, todos perderam o juízo ou estão a  desperdiçar a sua vida.

Quem é assim deseja tanto viver no mundo perfeito que criou lá na sua imaginação que ataca quem mudou, em vez de deitar as culpas aos factores que convidaram à mudança. Faz birrinha contra o que mudou e que não está na sua mão fazer voltar ao que era. Esquecendo que qualquer mudança, para ser levada a cabo com bom senso e dar resultados benéficos, precisa de tempo, de calma, de espaço, de respirar, como os bons vinhos.

Há que sair da frente e deixar a vida passar. Nem que seja sob protesto, mas protesto silencioso. Até o Velho do Restelo falou uma vez mas lá se calou para deixar andar as caravelas...



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