E como vimos, não há nada que mais depressa conquiste o coração de uma mulher que ouvir dizer "eu trato disso!".
Mas que o espírito prático masculino se estenda a coisas muito nossas, como a organização do closet ou do toucador em que as mais metódicas e analíticas de nós (eu! eu! eu!) se orgulham de ser exímias por mais tralha que tenham, isso já toca outro patamar.
Falei-vos várias vezes no meu toucador, que apesar de ser um móvel dos anos 70 muito giro, com três espelhos giratórios e uma data de gavetas, anda a precisar de uma intervenção em termos de iluminação e logística.
Embora desse voltas à cabeça, estava a ser complicado ter as coisas organizadas para funcionarem como um relógio, exactamente como eu gosto. Aborrece-me separar tudo cuidadosamente mas, por melhor que faça, de manhã andar à procura daquela base, daquele pincel biselado, de determinada sombra, and so on. E recomeçar o processo de cada vez, a recolocar tudo em caixas e caixinhas.
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| Um arquivador igual a este resolveu todos os meus problemas! |
Estava nisto, e eis que um engenhocas cavalheiro lá de casa me pergunta - como se fosse a coisa mais natural do mundo - porque é que eu não punha as coisas num arquivador. Daqueles de escritório, fininhos, de plástico, com gavetinhas estreitas . Fiquei a olhar para a mesa de maquilhagem, assim com aquela cara que o Dr. House fazia quando decifrava um enigma médico, e lembrei-me de um arquivador que estava arrumado na livraria quase sem nada, a guardar envelopes e papel de carta.
Fui lá buscá-lo, ainda desconfiada, achando que as gavetas eram demasiado baixas, que ia ser bom para os pincéis mas não havia de caber lá mais nada, etc.
Comecei de facto pelos pincéis e- oh, maravilha - ficam perfeitamente alinhados, muito melhor do que guardá-los num estojo ou num copo apropriado.
Mas o melhorio do melhorzinho é que tudo o resto - bâtons, pós, sombras, até bases- coube na perfeição. Ocupa um espaço só, comparado com as caixas espalhadas por toda a superfície, podemos arrumar por categorias; no fim é só voltar a guardar nas gavetas, fechar et voilà, fica tudo arrumadinho. Sem falar que quando é preciso limpar o pó basta levantar o arquivador todo junto e pronto.
Moral da história: vou comprar mais uns quantos arquivadores, para algumas coisas que ainda não usei, ou que não uso tantas vezes. Não é que a sabedoria do "outro lado" às vezes é mesmo útil? Quem disse que uma mulher precisa tanto de um homem como um peixe de uma bicicleta devia estar com os copos, de certeza.

