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Monday, November 30, 2015

O momento que se segue pode destruir a vossa infância. Não me responsabilizo.


É escusado perguntar "lembram-se da Heidi?" porque TODA a gente sabe quem era a bonequinha de faces rosadas e cabelo preto que cantava à moda tirolesa, sem cerimónia, "avozinho diz-me tu..." (o velhote não devia ser tão ranzinza como isso, se permitia familiaridades dessas aos mais novos...).


Nunca cheguei a ver a série porque passou em Portugal ainda eu não era nada, mas a febre da Heidi e do Marco contagiou de tal maneira miúdos e graúdos que na minha infância ainda se falava em ambas - existia merchandising da Heidi em casa dos meus primos mais velhos e até em casa dos meus bisavós havia umas canecas da Heidi, que invariavelmente me calhavam quando me queriam obrigar a beber café com leite (daquele que potencialmente tinha nata, um drama que a pequenada de hoje desconhece pois os fervedores de leite estão praticamente extintos). 

Além disso, nos anos 1960, muito antes de existir o anime, a mãe adorara o livro e insistiu que eu havia de ler esse tesouro da sua infância. Heidi, a menina dos Alpes, de Johanna Spyri, foi (a par com Pinocchio) um dos primeiros livros "à séria" que li. No romance ela não tinha o cabelo tão curto e liso, mas apesar de tudo a imagem que me ficou foi a dos desenhos animados.

Pois bem, agora pensem lá na "vossa" Heidi, que era assim....


E nas bonecas da Heidi, que eram assim, tiradas a papel químico da série (havia uma ainda mais fofa em casa da madrinha, hei-de perguntar-lhe se lá continua)...


Pronto, acabaram-se os paninhos quentes. É que um iluminado, desses que acham que as crianças de hoje não têm imaginação e que tudo - o Noddi, os filmes da Disney e até o Avô Cantigas - tem de ser feito a 3D,  estilo jogo manhoso de computador, entendeu que havia de trazer a pobre Heidi para o digital. E o resultado foi este...


Nem se canta o tirolês, nem avozinho diga lá, e na versão brinquedo a "nova" Heidi, a Heidi para a geração milénio, tem cabelo castanho, um carão comprido, um ar inexpressivo e parece que abusou dos bons petiscos dos Alpes - ou que continuou a apreciá-los mas senta-se a trocar likes com o Pedro e a Clarinha no facebook em vez de andar aos pulinhos pelos montes- pois engordou. Ora vejam:



Se calhar é mais um esforço para tornar as bonecas "reais" (que é um eufemismo para feiinhas) . Já não bastava a Anita agora ser Martine e a sem vergonhice que por aí vai no maravilhoso mundo dos brinquedos, nem a Heidi nos deixam....


3 comments:

Carla Santos Alves said...

Que post fantástico.
A começar pela nata do leite! E o que eu odiava a nata do leite, que a minha avó retirava calmamente com a colher :)

Pois que para nós a Anita continua a ser a Anita. E a Heidi...deixem-nos please a nossa Heidi na nossa memória...a de agora vai ser apenas mais uma boneca, ou aspirante a...

C.N. Gil said...

Por acaso já vi um episódio da nova "Heidi"! Muito mau...
...tal como a Abelha Maia!

Eu, por acaso, ainda sou do tempo em que a Heidi não dizia "Avozinho diz-me tu..." (isto já foram modernices), mas sim "Abuelito dime tu" isto para veres o quanto eu tou ve... arcaico...

:)

barcelence said...

Eu e a minha irmã éramos viciadas na Heidi: a cassete áudio ouvida até à exaustão e a mantinha de bebé com as personagens todas ( incluindo as cabrinhas ), amuleto da minha irmã, muito para lá da "bebesice" ;) As imagens, tanto da cassete, como da banda, eram as tais do animé. Mas a imagem da Heidi que recordo com mais força, é a da atriz Katia Polletin ( segundo o IMDB ) que desempenhou o papel de Heidi numa série ( alemã/ austríaca/ suíça ??? ) dos anos 70 e que passou na TV portuguesa aí pelos 80s-90s. Aí, sim, comparando animé e mesmo outras produções de anos 60 até 90, acho que acertaram na mouche, no tipo de menina que melhor encarna a personagem. É aliás a série que preferia ver renascida e mostrada à pequenada.
Beijinhos e bom trabalho no blog.

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