Recomenda-se:

Netscope

Sunday, November 29, 2015

Para os meninos Eça e Bruce, uma salva de palmas...




Esta semana comemoraram-se os aniversários de dois dos meus gurus (salvo seja) e duas pessoas amplamente citadas por aqui: Eça de Queiroz (25 de Novembro) e Bruce Lee (dia 27).

A sabedoria - e estilo, assinale-se - de ambos é uma eterna inspiração para mim, e uma constante referência. 

De Eça (além de apreciar uma prosa inigualável, cheia de detalhes, na qual se descobre sempre algo de novo e imune ao tempo) pode aprender-se que o humor, uma pitada de cinismo e colocar elegância em tudo o que se faz e se passa, até nos aborrecimentos da vida, é meio caminho para fazer a travessia por este mundo com um mínimo de sanidade.


 Quando (nos "Contos" e A Cidade e as Serras) o Jacinto extenuado, desgostoso de perder a bagagem onde levava todo um estilo de vida, apavorado ante a perspectiva de uma longa estadia no meio de nenhures, descobre os rústicos prazeres do campo, se maravilha ante o caldo de galinha com fígado e moela, que "enternecia e rescendia", o simples arroz de favas a acompanhar um frango louro no espeto e "o vinho caindo de alto, da grossa caneca verde, um vinho gostoso, penetrante, vivo, quente, que tinha em si mais alma que muito poema ou livro santo!" isso encerra a lição de sentir a vida, de apreciá-la, de colocar civilização até no cenário mais desanimador. 

Os pais de Eça de Queiroz

E o que dizer das suas respostas certeiras, que encerram uma contenda com mais destreza que qualquer bofetada de luva branca, das suas opiniões sobre as mulheres, algumas infelizmente ainda válidas, do seu gosto apuradíssimo, dos seus conselhos e filosofias de toilette , até no vestir feminino? É um nunca mais acabar de máximas para bem viver. E se me quero rir, basta recordar algumas passagens das Minas de Salomão, do Crime do Padre Amaro ("qual Cristo, qual cabaça!") de A Relíquia, d´O primo Basílio ou do Damasozinho...

O grande romancista (que curiosamente nasceu e morreu em duas paragens associadas à elegância do seu tempo: Póvoa de Varzim e Paris) deixou-nos com apenas 54 primaveras, há 170 anos. Mas se fosse imortal, que não diria dos usos e manias do nosso tempo!


Já com o Pequeno Dragão - artista marcial, filósofo, actor, professor e argumentista - há mais do que pasmar para a sua destreza nas artes de combate, embora muita gente concorde comigo que nunca houve outro como Bruce Lee, nem haverá. Muito jovem - morreu com 32 anos, faria 75 se estivesse entre nós - bem parecido, carismático, não se limitava a ser uma estrela de cinema. 

Pegava nas técnicas que considerava mais eficazes, espremia-lhes o sumo e combinava-as para seu proveito. Excluía tudo o que era supérfluo ou acessório. Acreditava no velho princípio oriental que reza que nenhum homem está derrotado até a sua confiança cair por terra. Em sentir, em vez de pensar demasiado, e agir de acordo com o adversário ou a circunstância. No esforço posto em cada objectivo e em rezar para ultrapassar os obstáculos, em vez de esperar uma vida fácil. Em ser como a água, fluindo e adaptando-se ao invés de choramingar quando as coisas não são como gostaríamos que fossem.

Partiram cedo porque ensinaram muitíssimo em pouquíssimo tempo. Obrigada, cavalheiros. Sem vós, nada seria o mesmo.




No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...