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Wednesday, December 23, 2015

Abby Sciuto dixit: o melhor discurso de Natal dos últimos anos


"You know what's infectious during the holidays? Optimism. Optimism is infectious. Optimism and... joy... joy and... Kindness. Courtesy. And charity. Generosity. And gratitude. Selflessness. Compassion. Forgiveness. Forgiveness is huge.  And faith...faith is infectious. Life isn't always perfect, you know? But sometimes things work out for the best if you just have faith".


Não vejo NCIS: Investigação Criminal com aquela frequência, mas já vou acompanhando a série com agrado há alguns anos (com muita pena minha, não consigo mesmo achar graça à versão Los Angeles, em que entra a nossa simpática compatriota...). Textos muito bem escritos e personagens interessantes, entre as quais a adorável cientista forense Abby Sciuto, a única capaz de derreter o carrancudo-mas-coração-de-manteiga chefe Gibbs.

 Aliás, as personagens femininas brilhantes e fortes, mas delicadas e sem estereótipos, como a ex-agente da Mossad Ziva David e Abby, são uma razão de peso para ver a série. E a menina Abigail, cheia de contradições (é gótica, mas esfusiantemente alegre; genial, mas não chica-esperta; excêntrica, mas social e emocionalmente funcional; de mente analítica, mas Católica devota; bicho-do-mato, mas sempre preocupada com os outros) é -  a par com a Penelope Garcia de Mentes Criminosas -  uma das minhas personagens de TV preferidas. Acho-a muito divertida e um óptimo modelo de comportamento para as raparigas.

Ora ontem, antes de jantar e às voltas com uns aperitivos de camembert que decidiram  pregar-me partidas, reparei neste discurso que a menina dos puxinhos, irritada com o pessimismo de um colega de trabalho, disse de rajada, comparando o espírito de Natal a uma forma boa de doença contagiosa. E como muitas coisas atiradas da boca para fora ( que é quando frequentemente saem as citações mais inspiradas), disse belas verdades sem pegajozices nem xaropices. 


 Tudo o que ela mencionou é verdade e não se aplica só nas Festas. O entusiasmo, a alegria e o optimismo são contagiosos, tal como o desânimo é um hábito que se entranha e acaba por infectar quem está à volta. A bondade, a gentileza, cortesia e generosidade também: ver  bondade e delicadeza nos outros eleva os sentimentos de quem está por perto. São coisas que pegam muito pelo exemplo e por imitação. Tal como o altruísmo, compaixão e a capacidade de perdoar, que é poderosíssima. 

Já a gratidão, essa é como os músculos: tem de ser exercitada...e nesta altura do ano, apesar de a maioria ter mais a agradecer do que a lamentar, é fácil cair na murmuração típica dos tempos que atravessamos. Basta olhar para as notícias do estilo "portugueses apertam cordões à bolsa e compram menos presentes". Mas lá diz o cliché, Natal não é dar presentes; é estar presente. Cada quadra junto das pessoas queridas, ainda que no maior caos natalício, é uma dádiva. Ver um novo Ano é uma dádiva. 

E depois há a Fé. A Fé que é um dom não garantido a todos, que é preciso procurar e treinar. Não é por acaso que os Católicos pedem nas suas orações "dai-me fé, esperança e caridade"- as três virtudes teologais, as mais importantes e tão raras que se crê que é precisa a Graça divina para as obter. Ou seja, explicando num sentido mais geral, são uma espécie de magia. Ora, a Fé, mesmo uma semente de fé pequenininha estilo grão de mostarda, tem mesmo poderes mágicos, daqueles de mover montanhas. 

Tanto a Fé religiosa como a fé de todos os dias, a fé que colocamos nas grandes e pequenas coisas e que permite ter abertura às soluções em vez de ver tudo negro, que deixa vislumbrar além dos monstros e obstáculos que assombram cada dia, que dá a certeza de que há algo maior e melhor à espera, que dá a força para realizar feitos aparentemente muito complicados. Também essa fé é contagiosa - basta olhar para as multidões em Fátima ou, falando de outro tipo de fé mais prática e terrena, para a a euforia dos adeptos num estádio. Fé no bom em vez de fé no pior, fé na solução em vez de fé no omnipresente problema, fé na luz em vez de fé nas trevas. Tudo isso se apanha como a gripe...resta escolher a que contágio se quer estar exposto.






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