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Thursday, December 17, 2015

Cinderela e o Ano da Misericórdia


“What is a bowl of milk? Nothing, but kindness is everything"


Finalmente consegui deitar a pestana à Cinderela em live action, com realização de Kenneth Branagh, actrizes do Downton Abbey e dos Borgias, além de duas das minhas senhoras preferidas: a belíssima Cate Blanchett a fazer uma fantástica madrasta e a maravilhosa Helena Bonham Carter de fada madrinha.

Ainda não acabei de ver (o tempo é realmente um luxo) mas de facto, as meninas deste mundo precisam de contos à moda antiga (sem modernices relativistas nem princesas serigaitas) que lhes lembrem quanto poder há na bondade. 

Já tenho dito várias vezes que a bondade anda muito fora de moda, que deixou de ser uma qualidade a que se deva aspirar. Particularmente no caso das mulheres: é desejável que sejam bonitas, bem sucedidas, poderosas, realizadas em todos os campos, intelectualmente capazes...mas bondosas, nem por isso.

 Ser bondosa, gentil, caridosa, é quase o mesmo que ser uma valente palerma, uma ingénua que se deixa enganar por toda a gente, que não se sabe defender e nunca chegará a lado nenhum. Confunde-se bondade com fraqueza, esquecendo a velha máxima ''nada é tão forte como a gentileza e nada é tão suave como a verdadeira força". Bondade e gentileza traduzem-se sempre em nobreza, em verdadeira elegância, na capacidade de enfrentar com classe e dignidade até as piores afrontas.

Mesmo nos dias ultra materialistas e arrivistas de hoje, do "salve-se quem puder" a magnanimidade, a caridade (que por vezes passa por simples delicadezas como "dar o desconto" aos outros) e um coração generoso podem muito e cabem em todo o lado. A História está cheia de exemplos de boas pessoas que singraram na vida e de batoteiros que receberam a justa recompensa. Como diz o povo, o mundo não é dos chicos espertos: um espertalhão até pode almoçar, mas não janta.

Apesar da crença popular ter mais fé no poder da esperteza do que no da bondade, há que recordar uma ideia enraizada na nossa cultura essencialmente Católica, mas que anda às vezes esquecida: Deus nunca permitiria o mal no mundo se não fosse poderoso o suficiente para tirar o bem do mal.

Logo, não há que ter pena ou medo de *tentar* ser bondosa (a) e gentil sempre que possível, nem de transmitir às novas gerações esses valores.

O Papa Francisco proclamou um "jubileu extraordinário" centrado na Misericórdia, que começou no passado dia 8, solenidade da Imaculada Conceição, e que percorrerá todo o ano de 2016. Esta mensagem é importante mesmo para quem não é religioso. Afinal, o mundo não pode precisar mais de misericórdia e das obras da dita: não só as mais tangíveis como visitar os doentes e socorrer os necessitados, mas aquelas que qualquer um pode aplicar sem grande esforço no dia a dia. Sofrer com paciência os defeitos dos demais (como gostaríamos que nos aturassem) perdoar as injúrias, consolar os tristes, corrigir os que erram, ensinar os ignorantes (em vez de troçar da ignorância ou mau gosto alheio, por exemplo) dar bom conselho a quem precisa, e assim por diante... são sinal de poder, de auto domínio. 

Quanto mais não seja, de que se é forte o suficiente para não se deixar contagiar pela maldade que está na moda. Esta versão da Cinderela é assumidamente antiquada, fiel à versão original da história e aos tempos em que as princesas de conto ainda não eram todas guerreiras, mas tinham de ser bondosas e femininas. E ainda bem...



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