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Monday, December 7, 2015

O calendário Pirelli que levanta muitas questões: quem mandou a Amy despir-se??


Quando se pensa em "Calendário Pirelli", o que acorre imediatamente à ideia? As beldades mais célebres à face da terra - Sophia Loren, Claudia Schiffer, Kate Moss, Helena Christensen, Laetitia Casta, Julianne Moore e assim por diante, sem falar de alguns homens que embelezaram as páginas em certas edições. Em poses reveladoras, certo, mas retratadas nos mais exóticos cenários pelos melhores fotógrafos do mundo (Herb Ritts, Karl Lagerfeld, Patrick Demarchelier, Mario Sorrenti, Steven Meisel e tantos outros). 


Como Afrodite: Helena Christensen retratada por Herb Ritts
 para a página de Julho de 1994 do calendário Pirelli

O calendário Pirelli é uma instituição, é arte, é quase um mito (como é que um calendário de pneus, daqueles soft core que se colocam em garagens abrutalhadas, alcança tal aura de sofisticação foi coisa que me escapou sempre, e é mesmo objecto de análise; then again, também às primeiras, não se percebe o que têm pneus Michelin a ver com restaurantes) e isso atenua muita coisa. Os maiores profissionais de moda, de stylists a fotógrafos sem esquecer as modelos pagas a peso de ouro e tratadas como rainhas,  chamam-lhe mesmo "o melhor trabalho do mundo" e ser convidado a fotografá-lo equivale, para muitos, a ser "ordenado Cavaleiro".


Julianne Moore como a deusa Hera,
 retratada por Karl Lagerfeld em 2011

Muita honra para um conteúdo que - embora, é justo recordar, nem sempre envolve nudez -é imediatamente associado à sensualidade feminina (e fantasia masculina, claro).

Desta feita - e depois de no ano passado ter apresentado a primeira modelo plus size- a edição para 2016, a cargo da lendária Annie Leibovitz (que na edição de 2000 já tinha feito um trabalho fabuloso, basta lembrar esta imagem de Laetitia Casta) centrou-se não tanto na beleza física ou no erotismo, mas em ícones; mulheres marcantes e de sucesso: atletas, filantropas, bloggers, cantoras, artistas...

Quebra a tradição, sem dúvida. Sexy não será. Não sei se é muito requintado, se capta a essência do calendário Pirelli, mas não deixa de ser interessante pois beleza é mais do que aquilo que está à vista. A alma também conta. Logo, percebe-se a ideia...


A actriz e embaixadora da ONU Yao Chen e a cantora Patti Smith na edição de 2016




Mas como no melhor pano cai a nódoa, Annie Leibovitz lembrou-se de incluir a comediante Amy Schumer, de quem já falámos aqui. A tal que tem alguns momentos engraçados mas não consegue lidar com a própria imagem corporal e cultiva a persona de feminista confusa, que faz por ser ser toda modernaça, farrista, comilona, desleixada e galdéria sem no entanto querer que a tratem como tal. E segundo a própria Annie, "Amy não recebeu o recado de que não era preciso despir-se". Aliás, ainda ninguém lhe tinha pedido nada disso, já Amy atirava com um "está a brincar?adoro o meu corpo!" e zás, vai de ficar em calcinhas e desconstruir a imagem da pin up. 

Porque ninguém entende estas mulheres liberais: se uma modelo ou actriz lindíssima se despe é objectificação da mulher e abaixo o patriarcado opressor, mas se ninguém as quiser despir a elas, mulheres "reais" e "comuns" já é uma ofensa. De modo que só ela e a tenista Serena Williams posaram em trajes menores...



O retrato não saiu mau, atenção. É a interpretação menos glamourosa e mais natural, em modo viva-a -beleza-real-ter-umas-gordurinhas-não-mata-ninguém,  que agora está na moda e a que se espera de uma comediante; Amy podia estar apenas a brincar com o assunto à sua maneira. Parece que não ultrapassa o facto de, não sendo feia, ter cara de bolacha e barriguinha (ei, cada uma é como cada qual) e há muito mulherio que se identifica com essa postura complexada, um nadinha passivo-agressiva.  Mas eu cá preferia que, já que despir as protagonistas não fazia parte do guião, que Amy mantivesse a roupa no lugar. Dava outra seriedade à coisa, mesmo tratando-se de quem faz comédia. A credibilidade cabe em todo o lado e se é para alguém se descascar, prefiro que as modelos o façam- ou que mesmo mulheres "normais" sejam retratadas de forma menos crua. Se é para se constiparem, se é para perder a vergonha, tentem ao menos embonecar-se o mais possível para um dia mostrar aos netinhos "vejam como a avó era gira!". E isto vale para beldades perfeitas ou mulheres "comuns", whatever that means.








1 comment:

Susana said...

De hoje em diante cada vez q ouvir falar do calendário pirelli a 1a imagem q me vai ocorrer é a foto da Amy... Caiu por terra 1 mito

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