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Friday, December 18, 2015

O complexo "não sou o único a olhar o céu"




Embora respeite o percurso dos Xutos & Pontapés, esta canção nunca foi muito o meu cup of tea (talvez porque era uma das poucas que toda a gente sabia arranhar na guitarra, logo calhava invariavelmente em qualquer visita de estudo, dando-se a síndroma de karaoke).

 Mas a letra tem que se lhe diga: há muita gente que vive a ver os sonhos partirem à espera que algo aconteça, a desejar o que não teve e agarrado ao que não tem, a ouvir os conselhos dos outros e a cair nos buracos. E que não sabe que excepcionalmente, desistir é uma virtude; que há batalhas que não merecem o esforço; em suma, almas casmurras que desconhecem os benefícios de passar a outra coisa, do para a frente que atrás vem gente, de um belo siga a marinha, moving on, ou siga para bingo!

Mas enfim, isso é lá com cada um- se querem acreditar que quando as nuvens partirem o céu azul ficará e quando as trevas se abrirem o sol brilhará, fantástico. Ter uma mente positiva é meio caminho andado para chegar a qualquer objectivo. E há quem seja feliz assim. 

O pior é quando as pessoas que "olham o céu" se fincam em ideias que não são boas, ou exequíveis, ou que mesmo que corressem pelo melhor se calhar não eram tão convenientes como elas acham que são...e não se tiram daí, por mais que sofram e que arreliem quem está à volta com isso. Nem tudo o que se quer é necessariamente bom...




Viver desejando o que não se tem, agarrado àquilo que não é seu, já é mau que chegue: mas quando se está mesmo a ver que, ainda que se venha a ter essa coisa/relacionamento/desejo realizado... o resultado não vai ser famoso; ou quando no processo de alcançar esse desejo, só se atrai o piorio...alto. 

Há muito quem pareça comprazer-se em situações que geram permanente confusão, conflito e auto-destruição. Mas mesmo assim teimam, achando que vai valer a pena o esforço...ficando cada vez mais frustradas e infelizes, incapazes de explorar outras possibilidades, sem ver que por vezes, na vida, temos de ser como a água e fuir, fazer limonada com os limões que aparecem, tentar outras avenidas ao invés de controlar tudo e dizer "é assim!". E frequentemente parece que o Céu zomba dessas pessoas, dando-lhes exactamente o oposto como castigo pela sua teimosia.

Porém, ainda há uma categoria mais aborrecida das "pessoas que olham o céu": são as que tentam impor as suas fixações a quem as rodeia. Se uma ideia pareceu boa há cinco anos mas não tem dado em nada - só em disparate - há que continuar a empurrar quem está a jeito ou sob o seu comando (sejam os funcionários da empresa, os filhos, os membros de uma banda) sempre na mesma direcção, mais um esforçozinho que está quase, concordem que não concordem. Este tipo de pessoas que "olham o céu" não só cai nos buracos, como quer obrigar toda a gente a ser como elas: a andar de nariz no ar e sem ter os pés no chão, a viver agarrado ao que não tem, a ouvir os conselhos dos outros e a atirar-se para os ditos buracos. É como um cego a querer guiar à força quem até pode ser míope, mas ao menos tem o bom senso de usar óculos...


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