Recomenda-se:

Netscope

Saturday, December 12, 2015

O complexo Siegfried: porque "ela" vale a pena


Estava a ver Django Unchained (shame on me- é de Tarantino, passa-se no belo Sul, tem um enredo que me interessa...não sei como diabos ainda não me tinha debruçado sobre o filme) e reparei na cena em que o bom doutor/caçador de recompensas conta muito resumidamente ao seu novo companheiro de aventuras/escravo temporário a história de Brunilde e Siegfried.

E ainda bem que limitou o conto a duas ou três linhas,  porque isto da Mitologia Nórdica/Germânica não é certinha como a grega...tem tantas versões, (porque cada bardo a contava lá à sua maneira) todas interessantes mas com tal quantidade de detalhes, que é pior do que quando a avó desatava a tentar deslindar a parentela, e a explicar que fulano de tal ainda era nosso primo porque a tetravó dele era prima direita da minha, que casara com não sei quem no tempo da outra senhora, uffffff.

 Ora vamos ao que nos trouxe aqui. O Dr. Schultz sumariza então a história de amor de proporções literalmente Wagnerianas mais ou menos assim: a Brunilde é uma princesa prisioneira numa montanha, guardada por um dragão que cospe fogo. E Siegfried, o herói, decide salvá-la. Escala a montanha, porque não tem medo dela. Mata o dragão, porque não tem medo dele. E porque é que nada disso lhe mete medo? Porque Brunilde valia a pena.


Ora aí temos o clássico dos clássicos, o mito que resume o anseio feminino e muito natural de ser salva, de ser conquistada, e o desejo masculino de salvar o dia, arrebatar a donzela e ser recompensado por isso. Noutra versão igualmente interessante, mais ao gosto actual por mulheres "poderosas" (e não menos simbólica, pois vai dar exactamente ao mesmo) a valquíria Brunilde é uma guerreira indomável, que secretamente deseja ser vencida por um herói mais valoroso do que ela, a quem obviamente entregará o seu amor - porque uma mulher forte precisa sempre de um companheiro a condizer.


 Mas não divaguemos: o que importa aqui é a atitude de Siegfried. Que mais dragão menos dragão, com ou sem espada, com árias de Wagner como banda sonora ou não, é basicamente o arquétipo do homem verdadeiramente enamorado, mas também capaz de valorizar e apreciar  a mulher que deseja para si (porque as duas coisas às vezes não parecem andar juntas). Em alguma altura da sua vida, todas já terão visto um pretendente seu, ou de uma amiga, em modo Siegfried: é aquela história "quando se trata de amores, os rapazes perdem a vontade de comer, de dormir e são capazes de mil façanhas". 

Um homem realmente apaixonado, realmente interessado, mas sobretudo realmente homem, não se deixa abalar por nada. Manifesta o seu amor, mesmo que não seja de imediato ou (só) por palavras. Eles não são tão ardilosos nem tão tímidos como as mulheres: têm muito mais dificuldade em disfarçar o que sentem. Querem saber se um rapaz gosta de vocês ou não? Basta ver se ele vos trata como se vocês valessem a pena.

 Como se fossem dignas de pequenos ou grandes ajustes, esforços e sacrifícios. 


Quando ele não desanima à primeira, insiste dentro do razoável, se deixa entusiasmar pelo jogo da conquista em vez de se acobardar (ou seja, é másculo e cavalheiro que chegue para compreender quando uma mulher não faz logo uma festa ante os aos seus convites e declarações), se procura ser em tudo agradável e útil (tem uma dificuldade? Ele oferece ajuda. Houve uma má impressão? Ele esclarece o assunto sem mais aquelas) se mostra desejar a sua companhia acima de qualquer outra e faz tudo para que se sinta bem, então é porque se importa e tem boas intenções . 

Caso contrário, se há "mixed signals", se ele alimenta mal entendidos, se vive de indirectas...deixe-se de lado o wishful thinking ou o "ele adora-me, mas...".

Há que ser realista e objectiva: ou não está assim tão interessado, ou até está mas toma a mulher em causa por garantida, ou é um xoninhas que está longe de alguma vez vir a ser um homem a sério. Em qualquer dos casos, quem procede assim não interessa. Nenhuma mulher com sentido de dignidade pessoal deve aceitar menos do que ser tratada como "a rapariga dos sonhos dele". É claro que ninguém é perfeito e todas as relações têm esquisitices e "fases"; mas um homem que ama, e que é realmente masculino, tentará ser um Siegfried sempre que puder, nas grandes e pequenas coisas.

Se "ele" não age como Siegfried, se qualquer montanhazinha ou dragãozinho lhe mete medo...então, não.





No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...