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Wednesday, December 2, 2015

Ven. Fulton Sheen dixit (2): How deep is your love?


Uma mulher poderá dizer ao homem que a corteja: "dizes que me amas, mas como saberei se é verdade, quando há outras 458.623 jovens nesta cidade para escolher?"


Se ele souber responder, dirá:

"Pelo simples fato de te amar, eu rejeito-as. O mesmo amor que me fez escolher-te, faz-me desprezá-las".

                         
                                       Ven. Fulton Sheen



Recomendo muito as obras - ou pelo menos, as citações- do Venerável Fulton Sheen (1895-1979) aos que procuram injectar uma dose de bom senso na sua interacção com os outros.

Bispo, Arcebispo, professor universitário, autor mas também uma popular personalidade de rádio e televisão, o muito reverendo Fulton Sheen (que está a caminho da Beatificação) era um homem da Igreja que sabia estar e comunicar no mundo, com um acentuado sentido de humor e a capacidade de  falar directamente aos problemas dos homens e mulheres comuns. É  conhecida uma peripécia que contava, com grande humildade e fazendo pouco caso de si mesmo: certa vez, indo dar uma conferência em Filadélfia, perguntou a uns rapazitos que andavam a brincar na rua se lhe podiam indicar o caminho para a Câmara Municipal.

Um mais atrevido aproximou-se e perguntou o que ia lá fazer.

- "Vou dar uma conferência sobre como ir para o Céu. Queres assistir?"

E o pequenito, sem cerimónia, respondeu:

- "Se não sabe o caminho para a Câmara Municipal, como pode saber como se vai para o Céu?".

Mas a sua sabedoria estendia-se a um bom número de ideias válidas sobre o amor conjugal, o namoro e o casamento. É certo que muita gente acha que homens de batina não têm voto em tal matéria, mas volto a dizer: os médicos também usam bata, e nunca se ouviu dizer que, por exemplo, um médico não possa ser obstetra só porque sendo homem, não compreende os sintomas das senhoras. Acredito que com os médicos da alma acontece exactamente a mesma coisa.

 E o texto acima citado é mais uma das pérolas deste bem-amado autor.



"Pelo simples fato de te amar, eu rejeito-as. O mesmo amor que me fez escolher-te, faz-me desprezá-las".

 Muitas mulheres toleram, às vezes meses e anos a fio, disparates a homens que não sabem o que querem. A homens que têm muitas "amizades" femininas, ou simplesmente amizades que os levam pelo mau caminho, a homens que não sabem escolher, que não crescem, que não têm prioridades ou que - embora não façam nada de "grave", não as fazem sentir como um bom namorado ou noivo deveria.

 Não as colocam em primeiro lugar, como é suposto. Não as tratam com a devida consideração. Não as defendem, como cabe à cara metade fazer. Não eliminam coisas insignificantes que as incomodam nem dão a devida distância a pessoas metediças que tentam causar estragos. Não concedem à mulher de quem dizem gostar o lugar que merece. Em menor ou maior grau, dizem que gostam delas, até o demonstram lá a seu modo, mas fazem-nas interrogar-se a toda a hora, andar angustiadas por causa deles, esforçar-se por causa de coisas mesquinhas, sofrer por causas desnecessárias.


São, em suma, o tipo de homem que leva uma mulher a desabafar constantemente com as amigas a seu respeito, com as famosas frases do género "sei que ele me ama, mas..." e "se ao menos ele...". 


Ora, Fulton Sheen sabia o óbvio - como qualquer pessoa sensata sabe, desde que não tenha as talas do amor à frente dos olhos.

Se um homem dá demasiado trabalho, se é motivo para lágrimas a a torto e a direito, se obriga uma mulher a analisá-lo muito, a tomar chás de camomila e pior por sua causa, a rezar demasiado para que ele "tome juízo" (se é religiosa)  ou (se é dada a misticismos) a consultar uma cartomante ou o facebook (se gosta de armar em detective) para ver o que se passa, enfim, se essa pessoa provoca ralações cada dia que Deus deita ao mundo, não é a pessoa certa. E muito dificilmente mudará para se transformar em tal.

Um homem a sério, um homem sério que ama a sério (e convém ter esses três requisitos de seriedade para valer a pena) não hesita em desprezar tudo o resto, todas as outras, tudo aquilo que possa ser um impeditivo para estar com a pessoa que ama. Isso é pura e simplesmente automático. Se não é, não ama o suficiente. Ou até pode amar, porque há almas com formas de gostar e amar muito esquisitas e distorcidas, em modo "com amigos destes, quem precisa de inimigos?". Mas às vezes o "amor" não basta. 

 E se é "amor" desse, aplica-se a velha frase que dizia o outro: "o teu amor não presta. Não preciso dele".



1 comment:

Carla Santos Alves said...

O amor tem que ser amado! ;)

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