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Saturday, January 17, 2015

Personal styling #1: figura ampulheta



O personal styling (e personal shopping) foi deixando de ser um exclusivo de figuras públicas e fashionistas com muitos recursos para se tornar, pouco a pouco, uma ferramenta útil para (aqui aplica-se de facto o termo) "mulheres reais".

 Afinal, não só quem precisa de se apresentar na passadeira encarnada beneficia de uma análise que facilite o seu estilo no quotidiano.

Acho fascinante como o stylist - ao empregar na cliente as metodologias da produção de moda - faz, no fundo, o trabalho de um profiler.

 A silhueta, o tipo de beleza, a coloração, o estilo de vida, hábitos de consumo, gosto pessoal, orçamento, personalidade, referências, inseguranças, pontos fortes  e necessidades de quem procura esse acompanhamento, tudo é considerado na hora de apontar as melhores opções.

A intenção não é tanto um "makeover", nem transformar alguém por um dia, mas mostrar como tirar o melhor partido dos dotes naturais, da maquilhagem e do guarda roupa com facilidade, para que se torne um processo espontâneo.

 A ajuda de um stylist pode ser necessária em situações pontuais - escolher o visual para uma ocasião diferente, por exemplo - ou mais abrangentes: mudança de peso, pós maternidade, novo emprego, renovação de roupeiro...

 Algumas amigas minhas, com diferentes perfis e idades, voluntariaram-se para uma pequena demonstração aqui no IS. Esta é a primeira e conto partilhar convosco mais algumas em breve. 

(***Aviso à navegação: a meio do processo, já ao lusco-fusco, a máquina fotográfica caiu-nos de cara no chão, por isso peço desculpa pela qualidade de algumas imagens; better luck next time!)

1 - Soraia

Antes

Idade: 22

Tipo de silhueta: ampulheta, com tendência a triângulo invertido.

Tipo de coloração/Fototipo: Clear (com olhos brilhantes/claros que se destacam no conjunto).


Objectivos: a Soraia sempre foi um pouco "Maria rapaz". Por isso - e porque está em busca de emprego na sua área de estudos - procurava alguma orientação para descobrir o que lhe cai melhor, além de dicas que simplifiquem o processo de ir às compras. O seu guarda roupa actual passa muito por ténis, botas práticas e leggings, logo a prioridade foi dar-lhe um upgrade um pouco mais sofisticado e feminino, sem descuidar o aspecto prático e casual com que se sente confortável.

  Depois
             
Dicas: Quando se tem curvas não convém camuflar completamente a linha do corpo, nomeadamente a cintura e o colo; é importante também ter em conta o material, fitting e comprimentos das peças (bainhas, calçado, mangas) para realçar os pontos fortes e alongar a silhueta.
 Este tipo de corpo foi feito para usar vestidos, especialmente se se tiver pernas elegantes. Neste caso concreto, tirou-se partido também da pele naturalmente luminosa, das maçãs do rosto altas, dos olhos avelã com sobrancelhas e pestanas acentuadas e do cabelo - mulheres muito femininas beneficiam de comprimento e volume q.b.

  Camisa: Yves Saint Laurent; Leggings: Primark; Sapatos: Helsar

Sobretudo camel oversized, vintage


Trench coat de cetim e sapatos Zara; pregadeira vintage


2- Miranda
Antes

Idade: 31

Tipo de silhueta: Ampulheta petite

 Tipo de coloração/Fototipo: Soft (pele, cabelo e olhos em tons suaves).

Depois

Objectivos: Embora tenha gostos definidos e uma das figuras mais fáceis de vestir, a Miranda procurava polir e actualizar um pouco o seu estilo, tendo em mente uma renovação de guarda roupa e novos desafios a nível pessoal e profissional. Queria também aprender mais sobre proporções, cores, padrões e tecidos, para não fazer escolhas erradas na hora de adquirir peças novas. Os tons de castanho, em particular, causavam-lhe algumas dúvidas e como tem no closet algumas peças bonitas nessa cor, quis perceber a melhor maneira de lhes dar uso.

 Dicas: Figuras de ampulheta elegantes ou petite podem usar quase tudo, especialmente se tiverem pernas esguias. A única preocupação é não abafar a silhueta com modelos demasiado amplos, rectangulares ou soltos e, quando necessário, jogar com as proporções para tornar o corpo visualmente mais alto. Vestidos de alfaiataria, calças afuniladas, cinturas subidas q.b e praticamente todas as saias (atenção apenas às demasiado volumosas e longas) são bons investimentos.
  No caso da Miranda, procurou tirar-se partido da delicadeza presente nas feições e na silhueta, realçando também o cabelo, a pele e os olhos verdes.

Carteira: Pierre Cardin; Top: Stradivarius; 
mini saia em pele e camurça: vintage (anos 70) Sapatos: Uterqüe

Vestido: Mango; Sapatos: Alberta Ferretti

Camisolão de lã com aplicações, vintage (anos 80); Calças: Zara; Carteira;
 Charles Jourdan; Sapatos: Paulo Brandão

Vestido: Mango; Sapatos encarnados em pele (fabrico português/comércio tradicional) Carteira italiana vintage (anos 50/60)




Momento "onde é que estiveste toda a minha vida"?



Uma vez por outra surgem produtos que deixam a consumidora mais parcimoniosa, difícil de impressionar, sensata e recuso-ser-uma-taradinha-canta-monos-que-vai -atrás-de-todas-as -novidades -lançadas-pelas-marcas em modo "como é que eu vivia antes de isto ser inventado?".

 E daí para entrar em estado makeup junkie, estilo "vamos lá experimentar uma versão de cada marca" ou "toca a coleccionar embalagens antes que esgote" é um pulo.

Nos últimos anos aconteceu-me esse fascínio com os BB e CC Cream, os blushes  em creme ou pó irisado, as tintas multiusos para lábios e bochechas, o eyeliner gel...

Felizmente para mim o fenómeno é raro dar-se, e quando dá a minha restrição apertada às cores garante que o desastre não é grande - só entram em casa os tons que já sei que resultam, não sou muito de fazer experiências. Elegância é recusa, embora a "recusa" neste caso seja discutível...



 Bom, o happening mais recente sucedeu graças aos lápis-bâton-bálsamo que foram lançados pela maioria das marcas. A Clinique terá sido pioneira (ou tem pelo menos a versão mais famosa) com o seu Chubby Stick Moisturizing Lip Colour Balm, mas os lápis jumbo para lábios estão um pouco por toda a parte.

 Das etiquetas luxuosas às mais acessíveis, parece que ninguém quer deixar de oferecer a sua abordagem a este must have: MACBourjois, Gosh, Kiko, Catrice ou mesmo a Basic, só para nomear algumas.

 Todas, mais coisa menos coisa, prometem o mesmo: a precisão de um lápis, o conforto de um bálsamo, o pigmento e duração de um lip tint e o ligeiro brilho de um gloss não pegajoso. Experimentei a maior deles e creio que a escolha estará mesmo na fidelidade à marca em questão, preço ou cores disponíveis, porque as texturas são muito semelhantes entre si.



 E embora seja absolutamente fiel ao bâton clássico (especialmente o mate, nos últimos tempos) não consigo largar o Lápis Jumbo várias vezes por semana. É que as vantagens são muitas:

- Dá um tom "arranjado" aos lábios sem pesar e permite controlar a intensidade da cor.

- Para quem gosta de lábios realçados e definidos, garante um efeito 3-em-1: é possível hidratar, delinear e pintar num só gesto. Não digo que dispense totalmente o uso de um hidratante de lábios específico de manhã e à noite, mas substitui lindamente as aplicações de bâton de cieiro ao longo do dia, enquanto simultaneamente se retoca a cor!

- Para quem, como eu, não dispensa alguma cor nos lábios mesmo quando cria uma makeup mais intensa nos olhos, este é o produto ideal porque dá um tom saudável e uma textura macia, livre do ar "pintado".

- É excelente também para quem prefere um look natural, mas não gosta de gloss, além de realmente durar bastante.


- Para terem uma ideia, até em casa gosto de o usar, em substituição do hidratante. É tão confortável que nos esquecemos que temos alguma coisa na pele...

O único defeito - e espero que o resolvam - é que invariavelmente, as tampas não são muito seguras, por isso convém arranjar um mini estojo para o trazer na carteira -  dentro do outro estojo, não vá ele abrir-se e sujar o resto do arsenal.

De resto, se ainda não têm um, aconselho vivamente. Embora seja coisa rara, ainda se vai inventando alguma coisa de novo que nos facilite a vida...










 

Friday, January 16, 2015

Gonçalo Fernandes Trancoso dixit: uma mulher discreta vale muito.







Já por aqui falei várias vezes de como a discrição é uma bela qualidade - e numa mulher, eu diria mesmo indispensável-  mas cada vez mais démodé. 

E ontem, ao ler o delicioso "Contos e Histórias de Provérbio e Exemplo", obra de grande sucesso do sec. XVI (assaz parecida com o Decameron) reparei em mais um elogio da discrição feminina.

Aconselho a leitura de Gonçalo Fernandes Trancoso a par com a já mencionada "Carta de Guia de Casados" de D. Francisco Manuel de Melo, um pouco mais recente mas de propósito semelhante.

Podemos então concluir que a mulher circunspecta, sensata, que "não toma brio em ver e ser vista" sempre foi digna de louvor, mas nem por isso a norma- caso contrário, não se precisaria de avisos, fábulas e exemplos.

A única diferença era que naquele tempo se podia (e devia) dizer abertamente a uma mulher faladeira, regateira e chata que falasse menos - porque ser discreta era uma qualidade a que se devia aspirar. 

Hoje nem tanto, pois confunde-se discrição com tolice, passividade, timidez, falta de espírito e não se saber afirmar. Erro crasso!

 A culpa disso é, embora não só, da cultura dominante - em que o stand up for yourself e o speak your mind estão muito na berra. Mas em boa verdade, uma mulher (ou qualquer pessoa, de resto) pode perfeitamente ser assertiva, defender-se (ou defender o seu ponto de vista) impor respeito e nem por isso deixar de ser discreta...

De igual modo, é possível ser alegre, divertida, risonha, boa companhia...sem ser espectaculosa nem espalhafatona. Discrição não significa necessariamente ser solene...nem muda como um penedo. Não creio que não dizer ai nem ui, não ter nada dentro da cabeça, fosse desejável mesmo no sec. XVI - mas abster-se de falar quando não se acrescenta nada cabe em todas as épocas.

Claro que em determinadas situações - pressa, irritação - a discrição é um desafio, mas ninguém disse que reserva e decoro são dados adquiridos. Pode-se nascer assim, ser criada assim em casa, mas nem por isso deixa de ser um exercício de disciplina diária.



 Ora, se essa disciplina afrouxa um dia por um motivo, mais tarde por outro, vai-se o auto domínio...e que exemplo haverá para dar às irmãs mais novas, primas, filhas, sobrinhas? 

Se muitas jovens são (des)educadas para falar aos guinchos, manifestar opiniões redundantes a torto e a direito, esparralhar as suas alegrias e desgostos nas redes sociais, interromper os outros - até os mais velhos - quando falam, rir como hienas, usar palavrões desnecessariamente, empregar termos brejeiros, ter atitudes imodestas e desafiantes gratuitamente, vestir de forma menos digna, etc...a causa não está só na sua geração. 

Basta ver como outras - adultas nos seus late twenties-early thirties e suas mães, produto dos anos 60/70 - pouco mais adiantam. Fazem outro tanto e não faltam as mulheres que já descrevi noutros textos, sempre ansiosas para dar a sua colherada, a sua posta de pescada, o seu parecer, invariavelmente prontas para o debate na tentativa de provar como são espertas. 

Citando de novo o autor, "o néscio calado, por sábio é contado" mas "não há néscio que saiba calar".

A modéstia, a serenidade, a gentileza, o saber aguardar a sua vez e o momento/lugar certo para se manifestar, são sinais de sabedoria e inteligência bem maiores. Só os tolos (neste caso, as tolas) contam tudo a quem quer ouvir, e até a quem não quer.

O "menos é mais" não se aplica só a modas e à maquilhagem...





Thursday, January 15, 2015

Victor Hugo dixit: guerra dos sexos? Not!


Já vos tenho dito que a poesia, para mim, é coisa criteriosa e espinhosa; entre a má poesia (ou a poesia sofrível) e nenhuma, prefiro a ausência total desse luxo. Má poesia é como uma carteira contrafeita: o ridículo percebe-se à distância. Ou como a bijutaria barata: totalmente dispensável. Materiais nobres, ou nada! 


A prosa é mais honesta; se não for sublime é pelo menos directa, desde que não se abuse de pretensões, floreados e palavrões caros na tentativa pateta de parecer "profundo" ou pior um pouco, muito culto.

Mas por vezes, os poetas - especialmente os mortos e enterrados - lá resumem ou explicam ideias de uma forma que à prosa é quase impossível. 


 Como por aqui se tem falado bastante dos papéis masculinos e femininos, lembrei-me deste poema de Victor Hugo e como nenhuma versão disponível em português me agradasse, atrevi-me a uma tradução livre.
 Acho-o um belíssimo sumário de muito do que tenho analisado (ou procurado lembrar) cá no blog: o homem força, acção, guia, protecção, Fogo (ou Yang, se preferirem) a mulher apoio, sabedoria, subtileza, astúcia, receptividade, delicadeza, Água (Ying). O que se tem procurado contrariar socialmente, de modo forçado, são apenas os  princípios elementares de fertilidade, de complementaridade.

 O feminino e masculino nunca serão opostos; complementam-se pela mais  primordial ordem das coisas. Se o homem domina formalmente pela força, a mulher subjuga pelo engenho e a meiguice; reinam ora à vez, num jogo mais velho que o tempo, em que só se vence sendo vencido, ora juntos, mas cada um à sua maneira. Tudo encaixa perfeitamente, quanto mais não seja porque o Criador os fez para os braços um do outro...


O homem é a mais elevada das criaturas
A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono e para a mulher, um altar.
O trono exalta; o altar santifica.

O homem é o cérebro
A mulher, o coração.

O cérebro produz a luz; 
o coração, o amor.

A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é forte pela razão.
A mulher é invencível pelas lágrimas.

A razão convence, as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos.
A mulher, de todos os martírios.

O heroísmo enobrece; o martírio sublima. 

O homem tem supremacia.
 A mulher, primazia.

A supremacia é força; a primazia legitima.

O homem é um génio.
A mulher, um anjo.


O génio é imensurável; o anjo indefinível. 


O homem aspira à extrema glória.
A mulher, à extrema virtude.

A glória engrandece tudo; a virtude diviniza tudo.

O homem é um código.
A mulher, um evangelho.

O código corrige, o evangelho aperfeiçoa.

O homem pensa.
 Ela sonha.

Pensar é ter uma larva no crânio; sonhar é ter um halo na fronte.


O homem é um oceano.
A mulher é um lago.


O oceano possui a pérola que adorna; o lago, poesia deslumbrante.


O homem é a águia em voo.
A mulher, o rouxinol que canta.


Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma.

O homem é um Templo;
 a mulher é o Tabernáculo.


Ante o Templo descobrimo-nos, ante o Tabernáculo ajoelhamos.


Em suma, o homem é colocado onde a Terra termina; a mulher, onde começa o céu.

Dica: 3 produtos indispensáveis (e low cost) para um brushing sem stress.




Neste blog não se fala com muita frequência de cosméticos para isto e para aquilo, por duas razões:

- Até posso experimentar muitas coisas, mas só me lembro de recomendar quando fico a saber de alguma novidade que acrescente valor, quando algo faz mesmo a diferença e/ou é tão espectacular que não quero usufruir disso sozinha;

- Sou fiel aos produtos que utilizo, e acho que uma rotina de beleza tem de ser simples de modo a dar-nos espaço para pensar noutras coisas. As futilidades devem servir para nos alegrar e facilitar a vida, não para nos encher as gavetas (e cabeças) de tralha!

  Mas há 3 fórmulas que fazem parte do meu toucador há anos, que já me ajudaram em várias situações e que seria injusto não elogiar - até porque apesar de acessíveis, põem a um canto alguns produtos profissionais que prometem o mesmo efeito.

 Gosto sempre de contribuir para o sucesso de marcas que utilizo, não vão elas lembrar-se de descontinuar algo que me faça falta (a mim e a mais consumidoras).

 Todas elas servem para conseguir aquele brushing extra liso (que eu não uso tanto, porque prefiro algum movimento natural) ou simplesmente, para obter um penteado apresentável mais rápido e com menos danos para os fios, mesmo não usando um champô específico para alisar.

1- Espuma Fructis Brushing Perfeito

Já vos contei que as espumas Fructis são uma coisa de outro mundo, mas esta uso-a mesmo há muito tempo e só vos digo que utilizada em parceria com uma boa escova (e um bocadinho de método, mas pouco) faz o efeito "saído do cabeleireiro" até em cabelos com alguma ondulação. Poker straight sem dificuldade nenhuma, e o resultado não se altera ao longo do dia, nem no segundo dia. Como o nome indica, perfeito!


2 - Óleo milagroso Hidra Liso, também Fructis


Actualmente todas as marcas têm o seu "óleo milagroso" mas este é o pai deles todos. Em tempos idos, usei a primeira versão (da colecção Hidra-Liso) que, se estão lembradas, vinha numa embalagem baixinha, verde e bojuda. Realmente alisava sem aborrecimentos nenhuns, sem deixar pontas secas (ao contrário de muitos hidratantes e protectores que por aí andam) sem pesar e surprise, nada de oleosidade. Simplesmente evaporava com o calor da escova e na maior parte das vezes, nem precisava de usar o ferro para finalizar, sérum nas pontas ou qualquer tipo de fixador.
Quando desapareceu fiquei toda triste e os "óleos milagrosos" de outras marcas que surgiram entretanto têm uma função mais de hidratação e brilho do que propriamente alisadora, pelo que nunca o substituíram realmente. Felizmente, o produto-maravilha foi relançado numa embalagem maior, com óleos de argão, camélia e fórmula protectora de calor. Posso dizer sem exagero que quando muito, melhorou.

3 - Bálsamo Nivea Straight & Gloss



Fala-se tão pouco deste produto que já por várias vezes receei que fosse descontinuado, mas felizmente ainda está para as curvas! Adoro-o porque ao contrário de outros cremes não é pegajoso. Quando foi lançado prometia um efeito liso sem necessidade de ferro, e é bem verdade - torna-o praticamente facultativo. Tem uma textura de creme-gel e basta deixá-lo um pouco no cabelo húmido para o frizz acalmar. Excelente para domar aqueles "cabelitos" maçadores, porque faz os fios "pesar" um pouco, mas com textura e corpo. Também este não torna o cabelo peganhento ou mole, nada de madeixas "coladas": desaparece com a acção do calor e desembaraça num instantinho. A protecção anti humidade é outra vantagem. O mais curioso é que dá ao cabelo uma textura super polida, espelhada - o cabelo fica solto e até parece "frio" ao toque. Não conheço nenhum que dê um resultado parecido, por isso não o dispenso. Tenho sempre uma embalagem de reserva, just in case.






"Let a woman be a woman and a man be a man", ou o complexo de herói


Diz este artigo que em cada homem há um herói ansioso por se mostrar ao mundo...ou pelo menos, que todos os cavalheiros desejam (ainda que não o saibam) ser o cavaleiro andante, o Amadis de Gaula aos olhos da cara metade,  família e círculo imediato (amigos, emprego, etc).

É por isso que desde pequeninos se entusiasmam com jogos de luta, apostas, desportos de competição e tudo o que os faça sentir que salvam o dia. Complexo inato, gravado no código genético para quem milhões de anos não representam grande coisa.

Esta é uma ideia velha como os montes, que tem sido desprezada nas ultimas décadas mas defendida aqui e ali por vários autores (e autoras) no campo dos relacionamentos.

Já abordei o tema várias vezes por cá, porque acho terrível que os sinais dos tempos tenham levado a sociedade a privar os homens do cavalheirismo (por muito que as mulheres depois se queixem que os homens não estão a ser cavalheiros). O resultado é que alguns homens já não sabem agir como homens, e as mulheres sentem tanto a falta de quem as faça sentir mulheres que se agarram a disparates como 50 Sombras de Não sei quem - ou pior, se deixam encantar por bad boys que imitam as características tipicamente masculinas mas a quem falta valor e integridade.

 Nos dias que correm, é muito delicado conseguir o equilíbrio entre ser uma mulher independente e capaz (afinal, ninguém gosta de um trambolhozinho que não dá um passo sem ajuda) e manter a feminilidade de modo a não "roubar" ao homem o seu papel ancestral. Como diz o outro, uma mulher a sério é capaz de se desembaraçar sozinha, mas um homem a sério não quer que ela faça tudo sem ajuda.

É óbvio que lhes cabe a eles exercitar a mentalidade (e mais importante, os princípios) de um cavalheiro e não deixar que o heroísmo morra, mesmo que já não seja preciso ir à guerra ou à caça para assegurar a sobrevivência. 

Mas são precisos dois para dançar o tango, e as mulheres desempenham um papel essencial na equação: o de, através do seu comportamento feminino, da forma como se apresentam em público e da maneira de estar a dois, não deixar que eles se esqueçam de quem são e daquilo que é esperado deles...


Wednesday, January 14, 2015

O respeitinho que se deve aos homens (e eles a nós, pois claro)




Um amigo americano partilhou a imagem acima no Facebook e eu fiquei curiosa, julgando que se tratava de um daqueles manuais antigos que gosto de coleccionar, sobre comportamento feminino (e de casal) de outros tempos.

Vai-se a ver melhor, e não era - é mesmo um livro recente. À primeira vista parece-me uma daquelas obras  que farão descabelar muitas cabeças modernas que morrem de medo de perder a sua independência ao adoptar uma atitude tradicionalmente feminina, mas onde as mais pragmáticas encontrarão algumas ideias interessantes. 

Não li o resto, bem entendido - estou a basear a minha opinião nos comentários da Amazon e no facto de os conselhos supracitados, ou a maior parte deles,  não serem mais do que aquilo que muitas avós ensinavam.

Um relacionamento dificilmente funciona sem papéis atribuídos - papéis esses que têm muito mais a ver com parceria e com as particularidades de homem e mulher do que com algum tipo de desigualdade.



 É claro que os itens 3, 4,5 e 12 (nunca o ignorar, nunca o fazer sentir que é substituível, não esconder que precisa dele e nunca estar demasiado ocupada para ele) poderão ser aplicados com parcimónia, a bem das velhas normas de coquetterie. Era o que a avó me diria, estou certa: nenhum homem gosta de uma mulher pegajosa, sem vida própria nem personalidade, disponível e desesperada 24 horas por dia. O mistério é sempre bonito. Mas a honestidade de sentimentos também, e ninguém gosta de estar onde é maltratado...

  Agora, quanto aos números um e dois (jamais o diminuir ou falar-lhe altaneiramente): quantas mulheres do pós feminismo moderno, criadas no mito "eles querem é mulheres francamente fortes que não precisam de ninguém" não atropelaram já estes "mandamentos" centenas de vezes? É fácil cair na tentação de falar com desprezo à cara metade, quando a cara metade se porta mal.


Mas vejamos: se o comportamento do cavalheiro é assim tão desprezível, se calhar essa mulher está ao lado de um homem que não partilha os mesmos valores e que não é digno de admiração. Mais lhe vale cortar laços e procurar alguém mais compatível do que tentar mudar o coitado, humilhando-o a torto e a direito.

Todas estas regras não são mais do que atenção, respeito, admiração e lealdade, que é o que se deve à pessoa que se tem ao lado.

E é óbvio que dos cavalheiros se espera exactamente algumas destas coisas - e outras tantas mais específicas - em relação à mulher que deviam acarinhar e defender, quesito em que muitos falham achando, ainda que inconscientemente,  que todas são "mulheres da luta" dispostas a fazer valer os seus direitos (ou a defender o seu território) aos gritos, que não precisam de quem as proteja!



Nunca diminuir a sua mulher, nem falar-lhe com desprezo, nem revelar os seus segredos (muito menos cochichando com "amigas", por amor de Deus!) não a ignorar nem fazê-la sentir-se substituível, não a embaraçar em público, pedir as coisas com jeito, não pôr outras pessoas à frente dela, parecem-me coisas do mais elementar bom senso, que andam perdidas na tradução das obrigações, revoluções, direitos, deveres e estereótipos de género.

A diferença está apenas em o papel feminino ancestral ser mais de conforto e de apoio, enquanto que o papel masculino será mais activo e protector, por uma questão meramente biológica.

 Mas no que toca ao desejo por respeito, segurança e importância aos olhos da pessoa amada, nisso somos perfeitamente iguais...









O amor de hoje e o medo de "perder tempo"


 "In such great inevitable love, often love at first sight, we catch a vision (...) as it should have been in an unfallen world. In this fallen world we have as our only guides, prudence, wisdom (rare in youth, too late in age), a clean heart, and fidelity of will....."

J.R.R. Tolkien

Actualmente é costume, perante uma relação que demora a evoluir ou a compor-se (por muito potencial que tenha) dar-se conselhos do género "se tivesse de funcionar, já tinha funcionado". É um paradoxo que hoje em dia, quando tudo está preparado para prolongar ao máximo a existência humana, as pessoas tenham muito mais medo de "perder tempo" do que  antigamente. 

São capazes de ter affairs de uma noite como se nada fosse e não consideram isso "perder tempo" mas apavoram-se perante um relacionamento mais profundo, desde que não ofereça gratificação imediata. Ser "enrolado" ou "entretido" é o terror de muita gente na era da vida longa, das redes sociais, da fast fashion, da fast food, do sucesso rápido, do "tudo para ontem". 

O sociólogo polaco  Zygmunt Bauman (cujas ideias vão dar post por aqui em breve) disse "temos relacionamentos instáveis, pois as relações humanas estão cada vez mais flexíveis".

As pessoas vivem mais tempo mas em boa verdade não sei para que o querem, pois gostam de tudo à velocidade da luz; e apesar de terem acesso a tanta informação, não aprenderam que ninguém é perfeito. Até a pessoa mais perfeita para cada um terá falhas, o que é necessário é que essas falhas sejam compatíveis ou suportáveis com/para a cara metade.

 É claro que há relacionamentos que estão condenados à partida e é suicida investir neles (se o amor não é assim tão grande ou há maus tratos, falta de respeito, preguiça, infidelidades sucessivas, etc) mas alguns dos maiores amores são postos à prova pelas circunstâncias ou pelo destino (para quem acredita em destino, claro). 



Tenho para mim nenhum dos grandes romances do passado teria acontecido se os protagonistas pensassem como hoje se pensa - a não ser talvez Romeu e Julieta, que apaixonarem-se e casarem foi um ver-se-te-avias, e mesmo assim acho que não tinham posto os pés perante o Altar. Passavam a noite juntos e na manhã seguinte acabavam tudo via facebook porque a ex amada, a Rosaline, se lembrava de que afinal o Romeu até era giro e desatava a deixar likes e comentários sugestivos na página dele, enfurecendo a Julieta!

  As coisas em que vale a pena investir levam tempo, e ultrapassam os cenários mais assustadores - obstáculos, distância física, zangas prolongadas, meses e anos sem comunicar. Talvez o equívoco seja meu, rapariga antiquada, porque a avó sempre me martelou "o que tem de ser tem muita força e não vale a pena uma mulher afligir-se, nem fugir nem correr atrás".




Dizia isto e lembrava-me que ela e o avô tinham estado dois anos zangados, sem trocar palavra (e depois foram felizes para sempre) e que o avô dela tinha ultrapassado barreiras sociais complicadíssimas para casar com a mulher que amava...após 20 anos de espera. Eu não estaria aqui a escrever isto se não houvesse um rapaz e uma rapariga que não desistiram um do outro durante duas décadas.

 Outra das minhas bisavós passou das boas com o ciúme do marido - mas ele adorava-a. Quando lhes fizemos uma festa de já-nem-me-lembro quantos anos de casados (acho que eram sessenta ou coisa assim) pareciam tão apaixonados como dois adolescentes. Naquela época era a flexibilidade, não a espera, que se levava a mal.

 E falo disto porque ontem me relembraram a história do autor de O Senhor dos Anéis e da sua mulher, a pianista Edith Bratt. O amor entre ambos foi a inspiração para Tolkien criar duas das suas personagens mais famosas: os amantes Beren e Lúthien.



 Quando se conheceram, o tutor de Tolkien e os amigos de Edith não concordaram com o namoro: ele era mais novo do que ela, estudante com aspirações a escritor, sem grande promessas de futuro; ela era Anglicana devota,  ele um Católico fervoroso. Foram impedidos de falar por três anos, mesmo por carta, até que Tolkien atingisse a maioridade. Na noite do seu 21º aniversário, o autor escreveu à amada, reafirmando-lhe os seus sentimentos - e foi por um triz, porque Edith, julgando que ele a esquecera, estava para casar com outro.
 Quando soube que ele continuava a amá-la, Edith foi ao seu encontro (debaixo de um viaduto!) rompeu o noivado com o outro rapaz, acedeu - não sem alguma luta interior - a converter-se ao Catolicismo (sendo expulsa de casa e ostracizada pelos amigos à conta disso) e casaram.


J.R.R Tolkien e sua mulher Edith em 1966

 Pelo meio, ainda tiveram de enfrentar muitas dificuldades, nomeadamente financeiras...e a I Guerra mundial. Edith mudava-se para as imediações do batalhão do marido só para estar perto enquanto ele lutava nas trincheiras, vivendo no pavor de o perder de um minuto para o outro. O autor confessaria mais tarde que a forma como tinham ficado juntos - e permaneceram unidos até à morte - fora uma aventura romântica que podia ter corrido mal.

 Tolkien era um homem virtuoso, mas não um idealista; admitia que não há relações perfeitas e que constância e fidelidade não são dados adquiridos, mas escolhas conscientes que dão muito trabalho e exigem força de vontade. E tempo, claro.


Tuesday, January 13, 2015

Quando estrearem as "50 sombras", lembrem-se destas três coisas.

Esta carinha a esforçar-se por ser sexy parece-me cómica.
Mas afinal o filme é uma comédia?

E trago o assunto à baila de novo, apesar de até me cair mal pensar nisto, porque estou descabelada de o ver a torto e a direito nos meus feeds: quer em artigos de revistas (que deviam pôr juízo na cabeça das mulheres mas vão atrás daquilo que vende) quer em posts de bloggers tontas que lhe chamam, aos pulinhos e aos guinchinhos, "o filme mais aguardado do ano!". 

 Já há kits alusivos para o Dia dos Namorados e tudo, prova provada que a piroseira e a pinderiquice têm uma extensão sem limites:




Pois antes que o filme estreie fiquem lá com três recadinhos, porque na altura posso não me lembrar:

1- A algumas feministas, a quem um filme palerma ofende tanto (porque outras tantas poderão achar libertador, sabe-se lá): recordo-vos que tanta gritaria para que os homens se tornassem mais fofinhos e sensíveis, "em contacto com as suas emoções" e para que as mulheres "agissem como homens na hora de sair e namorar"... deu nisto. 

Homens efeminados incapazes de tomar uma iniciativa, de serem assertivos e masculinos; e mulheres exaustas, inseguras, que agora suspiram por alguém que tome as rédeas da situação e seja obcecado por elas.  Como andaram sempre elas atrás dos rapazes, agora sabe-lhes bem ser conquistadas para variar, nem que seja de uma maneira distorcida de todo. Por um maluquinho doentio com cara de bebé,  algemadas e à bordoada. Estão a ver o círculo vicioso?

2 - Às mulheres patetas que compraram o livro e agora vão a correr ver o filme: deixem de confundir a cabeça da cara metade. Ou bem que são umas Samantha Jones da vida que dão sempre o primeiro passo, que são totalmente independentes e que querem um homem moderninho e armado em sensível (problema vosso) ou bem que admitem que o que querem é um marialva que rasgue as camisas de noite. Mensagens contraditórias é que não dá!

 E no entretanto, parem de ler esta e outras parvoíces. Larguem essa porcaria e vão buscar um livrinho que ensine alguma coisa: leiam Jane Austen, leiam todos os clássicos, façam umas horas extra no emprego a ver se compram aquele pacote de férias, aqueles sapatos ou se começam uma poupança, redecorem a casa de jantar, vão dar comida aos sem abrigo, limpar o armário, tirar um mestrado em física quântica, rachar lenha, o que quiserem, porque qualquer coisa será mais saudável do que isto.  Bem dizia D. Francisco Manuel de Melo, autor que tão bem aconselhava o mulherio e que todas deviam ler a bem da compostura e harmonia conjugal, que o amor aos romances de cordel é a raiz de muitos males.

3 - Aos maridos e namorados que vão todos contentes ver o filme, achando que fazem uma coisa muito romântica. Ou que não dizem ai nem ui por a vossa cara metade ir ver o filme com as amigas, com os tais guinchinhos e pulinhos: oh seus grandessíssimos bananas, que são dignos realmente de mulheres desmioladas.

Depois queixam-se que são tratados como paspalhos, que fazem de vocês gato sapato, etc. 

 Das duas uma: ou estão mesmo bem um para o outro para não ver mal nenhum numa falta de originalidade tão grande, ou não há em vossa casa um bocadinho da afamada racionalidade e objectividade  masculina para pôr as coisas nos eixos. Se a vossa mulher/namorada/companheira suspira pelo Mr. Grey, é porque algo falta, nomeadamente um homem que segure as pontas e evite descalabros.
 Aliás, ter uma atitude à Mr. Grey, de deixar a vossa respectiva sem fôlego, seria trancar a  porta e dizer "hoje quem manda aqui sou eu e nem que tenha de te algemar não vais ver essa porcaria, que eu não gosto cá de mulheres malucas".

 Já que tanto sonham com "autoridade" e algemas, ao menos que isso sirva para lhes salvar alguns neurónios.





Quando eles estão "com a Mosca". Ou pior, são a Mosca.



A Mosca é um daqueles filmes estranhos que apreciamos de forma diferente em idades diferentes. Quando eu era pequena, fazia parte dos títulos já com uma data de anos cujos vídeos eram surripiados pelos meus primos para fazermos sessões de cinema às escondidas dos adultos no rescaldo das festas de aniversário.

Sabem, o tipo de filme que já sabemos que vai ser nojento e meter medo e que entusiasma precisamente por causa disso (as aventuras de Indiana Jones, Gremlins e produções sombrias como Dark Night of the Scarecrow também entravam nas nossas brincadeiras cinéfilas; tive uma infância interessante). Sala às escuras, pipocas, refrigerantes e doces tirados da mesa e toda a gente sentada ao acaso no chão com gritos de "ewwwww, que nojo!" enquanto as raparigas trocavam impressões do que fariam no lugar da heroína.




No caso d´A Mosca, é claro que não percebíamos patavina salvo, vagamente, que era uma história de amor que corria terrivelmente mal. Éramos demasiado novas para perceber porque é que Veronica, a repórter céptica, não fugia a bom fugir assim que o namorado se começava a tornar num mutante 
repugnante e agressivo . São coisas que é preciso crescer para entender. Ou noutro ângulo se preferirem, instintos de auto preservação que se aligeiram com o crescimento, para mal dos pecados de muitas mulheres.

"Ela gostava dele" (que foi a explicação que nos deram) não esclarece porque é que continuava a gostar depois de ver o monstro que ali estava.

                              

Lá está, é um enredo com demasiadas nuances, muitas metáforas, mas é isso que permite que o apreciemos em diferentes fases da vida, com olhares distintos...e também o que o torna um clássico. A Mosca ganhou um Oscar pelos efeitos especiais, mas sinceramente - apesar de preferir a animatronics daquele tempo às maravilhas digitais de hoje - creio que é no argumento e na alegoria que realmente se destaca.

Ao revê-lo com olhos de adulta, há outras coisas que saltam à vista: o figurino de Geena Davis (com várias peças que agora estão na berra outra vez) e a compreensão da horrenda fábula de paixão condenada, a tragédia típica do love that cannot bear fruit.




Para explicar um pouco melhor, deixo uma excelente análise que encontrei quando tentava perceber se alguém tinha a mesma visão que eu. O autor identificou no argumento uma série de elementos tradicionalmente femininos (e inatos), como "estar submetida aos desejos vestigiais, ou primordiais, de ser protegida e de carregar a descendência do amado".


"The pain of being in love with a man who’s dying and/or losing his mind, and becoming ever more frightening and repulsive, instilling his survivor with feelings of guilt and shame that she’ll never shake".

É claro que na vida real não há, felizmente, relatos de homens bem parecidos e aparentemente perfeitos que se tornam num insecto gigante à moda kafkiana, mas lidar com um cavaleiro andante que revela um lado negro demasiado acentuado, isso acontece às melhores, em vários graus - e às vezes os resultados são igualmente trágicos.


 Quantos casais que pareciam lindos, uma confirmação de que a perfeição existe, não vêem a sua relação desfazer-se em mil bocados à conta de factores que ultrapassam o maior amor e boa vontade? O drama de Geena Davis no filme é muitíssimo real e retrata os casos extremos de homens que têm uma Mosca dentro de si - um monstro que destrói as suas melhores qualidade e que não conseguem controlar - e das mulheres que por mais inútil que isso seja, tentam segurar os destroços.

 Depois há os casos menos graves, mais corriqueiros, menos irremediáveis, mas bastante difíceis também: o de cavalheiros que estão com a mosca mais vezes do que seria normal (porque "moscas" todos temos, homens e mulheres, o problema está só na frequência e intensidade). 

A mosca do mau feitio, a mosca do ciúme, a mosca da desconfiança e do orgulho exacerbado, fora outras moscas que ninguém entende...

 E tal como os insectos pequenos e incómodos da vida quotidiana, estas "moscas" invisíveis sujam e estragam o melhor dos cenários e as coisas mais doces...




Monday, January 12, 2015

A nobre arte de fazer a coisa certa

Acho que toda a gente já passou por algo assim, e se não passou há-de chegar a sua vez: estar perante uma solução fácil e optar por outra coisa, sabendo que é um caminho espinhoso mas mais compensador, por causa daquela vozinha lá dentro.



Isto pode acontecer quando se recusa um emprego mais bem pago mas que 
a longo prazo, não ia contribuir para avançar na carreira desejada; quando era 
tão mais fácil namorar com o Gonçalo, que bebe os ares por si e é tão bom 
rapazinho, porque na realidade gosta é do Manel, mesmo que as coisas com o Manel não andem a resultar lá muito bem; e numa variedade de outras
situações que não me ocorrem agora.

Bem dizem na Igreja que o caminho fácil conduz ao Inferno, e que para chegar ao Céu é necessário sofrer (ou se preferirem, esforçar-se) um bocadinho.

Isso de ouvir o nosso coração é um lugar comum, mas tem muito de verdade. Se não bate certo, se parece desconfortável ou pouco ético então se calhar é 
mesmo. Há situações em que não podemos optar (ver-se na necessidade 
absoluta de aceitar um emprego menos entusiasmante para pagar as contas, 
por exemplo) mas em todas as outras, é um erro desperdiçar o nosso poder de escolha.

Quando a diferença está entre ser infeliz ou ficar apenas um bocadinho menos infeliz, mais vale escutar o instinto e suportar o sofrimento até chegar onde se deseja...por nós mesmos e pelos outros.

 O emprego maçador, bem remunerado e que só vai servir mesmo para ter mais dinheiro poderia permitir certos luxos, mas não se sabe quanto tempo duraria nem como seria a sua performance a trabalhar sem grande vontade; já aguentar mais alguns meses enquanto se monta o próprio negócio, se faz formação adequada ou se espera a oportunidade para começar a colaborar naquele projecto que vai mudar tudo é um investimento no futuro. 

 Namorar com o Gonçalo que é um querido, enquanto se suspira pelo Manel,  só para não andar sozinha...é só ficar um bocadinho menos infeliz; não é bom para si, nem para o Gonçalo (pois ninguém merece servir de pneu sobressalente) e muito menos para o Manel. Não há nada pior do que enganar outrem, ainda que emocionalmente; nem do que estar com uma pessoa desejando mais do que tudo estar ao lado de outra.
  De momento pode não saber como a situação com o Manel ficará, o futuro a Deus pertence; mas ainda que dê muitíssimo para o torto, caso escolha estar ao lado do Gonçalo perde a oportunidade de conhecer outra pessoa que faça o seu coração disparar exactamente como o Manel, numa versão mais bem comportada. Enquanto se estiver sozinha, por mais penoso que isso seja e por mais pressão social que haja, é dona das suas próprias decisões e não complica a equação.

 Falo no feminino mas isto também vale obviamente para os cavalheiros, bem entendido.

A solução fácil não passa de contentar-se com menos, e é sempre baseada no medo: medo de não ser capaz, medo da solidão, medo daquilo que os outros vão dizer, medo de um futuro que em boa verdade pode mudar completamente já amanhã. 

Quando na dúvida, aquela vozinha (quer prefiram chamar-lhe coração, intuição, Eu Superior ou instinto) sabe sempre o que é melhor. Não vale é fazer orelhas moucas e queixar-se depois...












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