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Saturday, January 24, 2015

20 essenciais femininos- post resposta

 


A Flor convidou as meninas e senhoras a enunciar vinte dos seus essenciais/indispensáveis, da maquilhagem aos acessórios, passando pela roupa e mezinhas de todos os dias. Já tenho mencionado a maioria dos meus artigos de moda e cosmética de primeira necessidade, mas aqui fica o top dos tops, as coisinhas sem as quais não se faz nada, o kit de sobrevivência, you name it.


1- Pó compacto/ 2- Trench Coat/ 3- Chain bag4- Calças cigarrette clássicas/
 5 -Sheath dress/ 6- Clip para fazer totós sem esforço/ 7- CC Cream/ 8- Camisa branca/ 9 - Bâton encarnado/ 10 - Ferros e escovas quentes de cabelo/ 11- Tónico adstringente/  12- Escova anti frizz, Primark13 - Botas longas14- Uma canadiana clássica/ 15 - Pumps  pretos e nude/  16- Um bom set de sombras/  17 - A máscara de pestanas certa/ 18- Tops básicos de manga comprida ou 3/4  19 - Saia lápis  20-Produtos anti frizz e para protecção do calor.

 Resta lançar o desafio para o vosso top 20 dos básicos sine qua non.



20 diferenças entre flausinas e mulheres

A Baronesa Thatcher não temia arregaçar as mangas- no lar e no poder.


flau·si·na 
(origem obscura)
substantivo feminino
[Informal, Depreciativo]  Rapariga ou mulher presumidavaidosa. = PENEIRENTASIRIGAITA

(Dicionário Priberam)


Como prometido no post de ontem, porque aqui acredita-se na diferença mas há imparcialidade e igualdade de direitos (e sobretudo, de deveres) cá fica a lista para separar flausinas de mulheres. Tal como a hombridade não é um dado adquirido do Cromossoma Y, a dignidade feminina não vem necessariamente incluída com os dois Cromossomas X - é uma questão de educação, carácter, meio e sensibilidade.


1- Uma flausina quer o cavalheirismo para o que lhe convém, e o feminismo quando lhe dá jeito. Uma mulher impõe respeito, mas não esquece as suas obrigações; age, veste e fala com feminilidade e discrição, o que convida automaticamente ao cavalheirismo.

2- Uma flausina sofre pelo bad boy e eventualmente, fica com o rapaz bonzinho e sem graça à falta de melhor, porque pode mandar nele. Uma mulher não tolera bad boys mas também não dá chances a homens fracos e manipuláveis. Mantém os seus padrões elevados e não aceita menos do que um homem varonil e íntegro, que a trate bem mas seja decidido e capaz de se fazer respeitar.

3- Uma flausina não sabe estar sozinha, não consegue tomar uma decisão pela sua cabeça (nem que seja escolher uma simples camisola) e precisa da validação alheia para tudo. Prefere ter as piores amigas do mundo a dispensar quem a trata mal...para não estar em casa num Sábado à noite. Se um relacionamento termina, rasteja atrás do ex, arranja um amigo colorido ou passa ao namorado seguinte, só para não andar desacompanhada. Uma mulher gosta da sua própria companhia e não se incomoda por estar entregue a si mesma. Acima de tudo, é uma Senhora em todas as situações - incluindo quando começa um novo relacionamento.

4- Uma flausina é gabarolas e adora a ostentação; ainda a procissão vai na ponte e já se está a vangloriar das suas conquistas e alegrias. Depois, se as coisas não acontecem como esperado, é uma vergonha e caso corra tudo bem, chama "invejoso (a)"a quem não aplaudiu aquele circo. Uma mulher é discreta nas alegrias e nas tristezas.

5- Uma flausina partilha a sua vida com tutti quanti - nomeadamente, nas redes sociais para os milhares de "amigos". Expõe para quem quer ver as suas fraquezas, desgraças, alegrias, defeitos, hábitos de consumo, inseguranças, retratos privados e relacionamentos. E depois lamenta que as pessoas são falsas. Uma mulher sabe que as amizades verdadeiras são raras e dão trabalho, portanto não se ganha nada em dar aos "conhecidos" mais que uma confiança muito superficial.

6 - Uma flausina parte a louça toda quando sai à noite, mas não sabe estar à vontade num ambiente mais formal; por outro lado, se for à aldeia, é capaz de desdenhar do que lhe servem com ar de nojo e lamentar que a lama lhe estraga os saltos. Uma mulher sabe estar em todas as situações, adequar-se a qualquer sítio e proceder de acordo, sem dar nas vistas nem exigir tratamento especial.

7- Uma flausina é competitiva porque sim: compete com as outras mulheres pela atenção de um homem (mesmo que ele não valha um caracol e seja o único vencedor na situação) ou por protagonismo (no casamento da melhor amiga, é capaz de pensar na toilette mais espaventosa só para ofuscar a noiva; se canta num coro, berra mais alto que as outras, dando cabo da harmonia da música). Compete gratuita e deslealmente  no emprego, ainda que prejudique a equipa. Também adora debater com os homens, para provar que é muito inteligente. Uma mulher é segura de si que chegue para desprezar competições baratas: primeiro, porque os homens que valem a pena não se deixam disputar; segundo, porque às vezes é preciso saber deixar o protagonismo aos outros e terceiro, porque há situações em que é legítimo ofuscar a concorrência, mas na maioria dos casos isso nem é necessário. Quem está certa do seu lugar no mundo não precisa de o provar constantemente, nem de abafar quem quer que seja.


8- Uma flausina adora diminuir quem está abaixo dela, assim que dá um passinho em frente na vida, e bajular quem está acima. Uma mulher trata toda a gente com respeito, seja a camareira do hotel, o chefe, uma figura de Estado ou a senhora da banca dos legumes.


9- Uma flausina tem imenso medo de ser "dominada" por um homem - por isso é capaz de troçar dos avisos do irmão, desafiar o pai a torto e a direito e responder torto ao marido em público, para mostrar que quem usa as calças é ela. No entanto, a rebeldia passa-lhe se encontrar um bad boy inútil e mulherengo que lhe diga coisas melosas num dia, mas a trate miseravelmente no outro. No fundo, só respeita quem é exactamente como ela.
 Uma mulher tem segurança interior suficiente para apreciar a racionalidade dos conselhos masculinos e possui sabedoria para se deixar proteger (ou deixá-los liderar) quando é necessário. Sabe que não perde nada com isso porque a sua personalidade não é "abafada" por tão pouco.


10 - Uma flausina alimenta todos os admiradores que conseguir arranjar, não vá o diabo tecê-las; uma mulher não dá atenção a quem não lhe interessa, nem se diverte a iludir ninguém.


11 - Uma flausina é prisioneira da vaidade, por dentro e por fora - mesmo que seja feia como os trovões. Consegue-se qualquer coisa de uma flausina 

dizendo-lhe que ela é bonita, mesmo que isso não seja verdade ou soe a falso (os casos de vigaristas que enganaram mulheres solitárias estão aí para o provar). Uma flausina é tão sedenta de elogios que é incapaz, por exemplo, de se vestir mais discretamente para deixar brilhar a amiga que teve um desgosto, e com quem saiu "a ver se a animava". As flausinas não têm auto domínio que chegue para desenvolver qualquer solidariedade feminina.
 Uma flausina faz o tipo que se rebaixa a andar atrás de um homem comprometido - e se ele ceder ela julga que não é por ele ser um fraco e um mulherengo que cederia a qualquer uma, mas porque ela é tão linda/inteligente/especial. É o tipo de rapariga que deu origem à frase "a forma mais rápida de fazer uma mulher tirar a roupa é apontar-lhe uma máquina fotográfica". Uma mulher a sério é realista e modesta - mesmo que seja lindíssima e receba constantemente elogios (ou talvez por isso mesmo).

12- Ainda no quesito vaidade, uma flausina raramente tem bom gosto, escusado será dizer: as suas preferências costumam inclinar-se para o mais provocante, mais espampanante e mais vistoso. Isto tem a ver com o meio e referências pessoais, em parte, mas também com uma certa mentalidade infantil: as crianças acham piada a tudo o que brilha. De qualquer modo, uma flausina veste-se para chamar a atenção de todos os homens (mesmo que com isso afaste os pretendentes que valem a pena e só atraia aqueles que não interessam) e para cativar a admiração das amigas. Uma mulher prefere a qualidade, a subtileza e veste-se para si própria, para o ambiente em que está e eventualmente, para duas ou três pessoas importantes na sua vida - incluindo a cara metade.


13- Uma flausina  acha que o mundo lhe deve tudo; uma mulher não considera que tem todos os direitos, mas é muito ciente dos seus deveres.

14- Uma flausina é preguiçosa e indisciplinada- em todos os aspectos. O que é compreensível se enfim, vier de uma família com muitos recursos e tiver sido habituada a não fazer nenhum desde pequena, mas indesculpável se não tiver onde cair morta, porque isso significa que toda a vida sobrecarregou quem vivia com ela (a mãe, os irmãos, etc). Acha normal sair toda maquilhada e arranjada e ter o quarto numa desarrumação. Já ouvi mesmo falar de flausinas que adoravam maquilhar-se mas detestavam tomar banho, o que é no mínimo esquisito. Uma mulher é disciplinada, dinâmica e não fica à espera que os outros façam as coisas por ela. Por mais mimada que tenha sido, não lhe caem os parentes na lama por arregaçar as mangas. Pode não ser perfeita em tudo e todos os dias da semana, mas dá um jeito. Se tiver quem a ajude, fantástico; caso contrário. não é grave.


15 - Uma flausina sonha casar com um futebolista ou encontrar um homem rico que a carregue, e também é capaz de ser interesseira em muitas outras situações. Caso conheça um, trata de agir assim. Uma mulher não se deixa deslumbrar pela riqueza, fama, popularidade, poder ou estatuto - sabe que num relacionamento, isso são apenas detalhes. Não age de forma diferente perante um homem poderoso, não lhe dá tratamento especial (a não ser que ele seja realmente digno disso em todos os aspectos) e acima de tudo, não se sente bem em simplesmente aproveitar os recursos alheios sem dar nada em troca. Caso una o seu destino ao de um homem que de facto possua esses atributos, mantém os próprios interesses e ainda que se dedique à família, terá sempre uma forma de ser auto suficiente.


16 - Uma flausina tolera comportamentos de falta de respeito num relacionamento (desconsideração, infidelidade, situações de "amizade colorida", falta de compromisso, violência psicológica) se isso lhe for conveniente. Uma mulher põe a sua dignidade à frente de tudo e não permite tais coisas, por mais voltas que isso a obrigue a dar.


17 - Uma flausina dá o primeiro passo numa relação, facilita tudo, manda mensagens "a  ver se ele se lembra dela", trata de "conquistar o Pedro antes que ele escolha a Catarina". Uma mulher não precisa disso, nem se preocupa com a concorrência: escolhe, em vez de ser escolhida; sabe deixar-se conquistar e encorajar um cavalheiro com subtileza, porque não quer estar ao pé de um homem que não a vê como primeira e única opção.

18 - Uma flausina defende-se com birras, cenas e trocas de "mimos". Cede facilmente a provocações e mais facilmente "desce do salto". Uma mulher sabe colocar as pessoas no seu lugar discretamente e na maioria das vezes, limita-se a cortar o convívio ou a conversa com o mais gélido e categórico desprezo. Uma senhora só vê e ouve aquilo que quer!

19 - Uma flausina coloca a culpa nos outros e não assume a responsabilidade pelas consequências dos seus actos. Quer ser muito moderna, mas na manhã seguinte chora porque "ele não telefonou"e diz que os homens são todos uns anormais. Uma mulher vê o mundo como ele é e não como gostaria que fosse.  Se não deseja um relacionamento casual, não se comporta como se fosse o caso. Sabe jogar de acordo com as regras sociais, em vez de se lamentar porque estão erradas.


20 - Uma flausina não assume os seus erros; mesmo que peça desculpa, continua a agir exactamente na mesma; e se foi ela a ofendida, capitaliza a culpa alheia anos a fio, atirando águas passadas à cara das amigas, da família ou do parceiro à mais pequena discussão. Uma mulher sabe desculpar-se com dignidade, reconhecer quando não tem razão, aprender com os erros e perdoar sem reservas. A vida é demasiado curta, e o orgulho tem limites.

Friday, January 23, 2015

As coisas que eu ouço: vinte vezes "menino"


Há pouco, na fila da caixa da mercearia do Tio Belmiro, uma pequena dos seus vinte e poucos falava ao telefone logo atrás de mim, muito baixinho mas com tal insistência que acabei por ouvir a conversa mesmo sem me apetecer.

  Pelo sotaque, pelo aspecto (tinha uma dessas fisionomias de doce aldeã que parecem saídas de um livro: baixinha, loura, carita redonda, nariz arrebitado e faces rosadas) e pelo teor do que dizia, pareceu-me ser uma daquelas jovens que vêm estudar para Coimbra e ficam a trabalhar em casa de alguém para poupar no alojamento e ganhar algum dinheiro.

Ao que percebi, seria ama de algum pequerrucho - e tinha ficado de o ir buscar, mas dera-se uma qualquer mudança de planos, e a mãe da criança estaria a ligar para saber o que se passava.

  A conversa começou por "peço desculpa por não ter ouvido o telefone" e continuou, durante uns bons cinco minutos, com "não se preocupe que eu já vou buscar O MENINO". 

Esta última sentença repetiu-se à vontade vinte vezes, no mesmo tom educado e meigo, mas sempre com O MENINO para a frente e para trás, sem um sinónimo, sem que ela dissesse vou buscar o Menino Manuel, o Menino Alexandre ou o Menino José. Era o menino, pronto. 

Eu já conseguia prever a cadência exacta do discurso, e em que micro segundo ia cair mais um "menino"; bem me tentava distrair, mas encolhia-me instintivamente antes de cada repetição e...zás! "O MENINO"!

Não fosse a rapariga inspirar-me certa simpatia e teria ficado irritada, eu que  embirro com as pessoas que dizem "vai buscar o menino/a menina"; acho uma "bengala" mesmo feia. Para mim, menino ou menina só como forma de tratamento ("a menina não se importa? o menino não me aborreça"!, etc) e pouco mais (ex: "aquele menino é mesmo malcriado!").

 No meio daquilo acabei por ficar curiosa por saber qual seria, afinal, o nome da criança. Mas a fila andou, chegou a minha vez e ela lá continuou naquela ladainha...



20 diferenças entre homens e rapazes


hom·bri·da·de 
(espanhol hombridadqualidade de homem)
substantivo feminino
1. Aspecto varonil.
2. Dignidadenobreza de carácter.
3. Altivez louvável.
4. Desejo de ombrear.


"hombridade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [

A hombridade não vem automaticamente com o cromossoma Y, tão pouco é garantida pelo aspecto (ou pela imitação de comportamentos) associados ao Macho Alfa. Um cavalheiro distingue-se de um rapazola não tanto pela roupa ou pela fanfarronice (por incrível que pareça, há homens Beta super moderninhos e pé-de-salsa que tentam passar por "cavalheiros" à moda antiga) mas pelo comportamento varonil.
 Essa forma masculina de estar é muito influenciada pela educação que se recebeu em casa e pelo meio em que se circula, como é óbvio, mas isso não é garantia: o carácter e o auto domínio ditam o resto. Aqui ficam 20 pistas para distinguir um do outro (e para ser justa, está prometida a lista equivalente para distinguir flausinas de mulheres).

1- Um homem dá a sua palavra; raramente jura porque quando o faz, equivale a um escrito. Um rapaz faz promessas vãs, garante mundos e fundos...o que não custa nada, porque falar é grátis e assim como assim não tenciona cumprir aquilo que diz.

2- Um homem tem um círculo restrito de amigos, porque a amizade dá trabalho e sabe que não é inteligente dar a demasiadas pessoas acesso à sua vida; um rapaz tem milhares de amigos e amigas (conforme lhe dá jeito e sem ser de facto amigo de nenhum, entenda-se).

3- Um homem tem ideias firmes; um rapaz tem ouvidos leves.

4-Um rapaz tem medo de ser dominado por uma mulher; um homem não receia ceder, porque sabe que ser "dominado" é impossível.

5 - Um  homem faz planos ; um rapaz, logo se vê.

6 - Um homem pede desculpa - quando é realmente importante desculpar-se, pelo menos; um rapaz tenta uma saída à francesa.

7 - Um homem emenda-se quando erra; um rapaz pede desculpa e continua exactamente na mesma.

8 - Um homem respeita todas as mulheres como é sua obrigação de cavalheiro, mas distingue o trigo do joio; um rapaz trata todas as mulheres por igual, sejam respeitáveis ou não...porque no fim de contas, para ele todas valem o mesmo e não respeita nenhuma.

9 - Um homem é corajoso e encara os factos de frente; um rapaz procura sempre "safar-se" e não se responsabiliza pelos seus actos. Mesmo quando o erro foi dele, tenta invariavelmente que a outra parte faça meio caminho.


10 - Um homem sabe o que quer, diz o que quer e não deixa lugar a dúvidas; um rapaz procura que o digam por ele e no máximo, dá indirectas para não se responsabilizar- seja quando se trata de tomar uma iniciativa, formalizar uma situação ou chamar coisas pelos nomes num projecto ou relacionamento amoroso.

11- Um homem protege quem está ao seu lado, ou a seu cargo; não tem medo do confronto se estiver em causa defender os seus valores, o seu nome ou as pessoas de quem gosta. Um rapaz não se rala desde que nada o afecte pessoalmente; não quer estar mal com ninguém; é sempre neutro como a Suiça. Acobarda-se, esquiva-se e procura apenas tirar proveito de todas as situações em que se encontra.

12- Um homem toma as suas próprias decisões. Eventualmente apoia-se nos pais ou pessoas de maior confiança, mas a escolha final é sempre dele. Um rapaz é influenciado pelos amigos, pelos primos em terceiro grau, pelas "amigas" e ainda se envaidece com isso, achando que lhe estão a dar muita atenção quando na realidade não passa de um fantoche.

13- Um homem sabe reconhecer aquilo que tem valor - seja uma oportunidade profissional, um negócio ou a mulher certa - e não o deixar fugir, não vá aparecer alguém mais decidido; um rapaz fica sempre à espreita, à espera do que está lá fora, e nunca se dedica realmente a nada.

14 - Um homem restringe as coisas e pessoas a que dá atenção; um rapaz 
dispersa-se e nunca conclui coisa nenhuma.

15 - Um homem não receia situações definitivas, seja terminar uma amizade que não interessa, começar um relacionamento a sério, pôr termo a um comportamento problemático ou dar uma parceria por terminada - e trata disso limpa e honradamente, por muito que lhe custe. Um rapaz deixa que os enredos se arrastem, por mais nocivos que sejam, porque pensa que isso lhe pode vir a dar jeito.

16 - Um homem tem valores firmes; um rapaz tem moral de elástico e é vira casacas.

17- Um homem é ciumento, ou antes, zeloso; um rapaz é paranóico. Não confia em ninguém porque sabe que ele próprio não é de confiança.

18 - Um homem é ponderado e só age depois de avaliar o que é justo, mesmo que esteja muito zangado; um rapaz actua ao sabor dos caprichos.

19 - Um homem encara os assuntos de frente (principalmente se foi ele que os começou) não hesita em fazer sacrifícios e pensa nos seus deveres antes de se preocupar com direitos e privilégios. Um rapaz usufrui do lado agradável das situações, mas foge das obrigações como o Diabo da Cruz.

20 - Um homem despreza a vulgaridade - seja em gostos, mulheres, companhias ou comportamentos. É ético e íntegro em todas as situações. Um rapaz diverte-se com isso e aproveita os benefícios que possa tirar daí (seja bajulação, excessos ou lucro).



Não é preciso ser bruxa, pois não?












Thursday, January 22, 2015

O intolerável modismo do gin.


Eu nada tenho contra ou a favor do gin - é uma bebida branca como qualquer outra, já a tomei ocasionalmente nesta ou naquela festa, não gosto nem desgosto, mas é mais frequente receber olhares curiosos por pedir uma água tónica com gelo e limão, sem gin.

 Porém, começa a entrar-me nos nervos... não o gin (mal seria!) mas a mania do gin. 

O gin - tal como em tempos idos (mas recentes) os maccarons, os cupcakes, o sushi, os sumos detox, as papas de sementes, a Bimby e outros modismos muito trendy que atacam fortemente a fatia mainstream da população quero-ser-urbana-e-não-me-conformo-com-ter-nascido-nas-saias-da-cidade, super wannabe cosmopolita -  tornou-se, de repente, de rigueur



Qual sake qual carapuça: o cúmulo é sushi com gin. Se ainda não inventaram outra entretanto.

É como se de um momento para o outro fosse obrigatório não só desatar a beber gin, ir aos restaurantes e bares especializados no dito cujo, ser um entendido em gin, mas jurar aos pés juntos que toda a vida - toda a vida, senhores - se bebeu tal.

Queiram desculpar os que toda a vida o beberam mesmo e agora se limitam a ter mais sítios onde apreciar um gin tónico.

A todos os outros, tenho de dizer que não há propriamente mal em aderir à moda, se realmente se gosta da bebida, ou em começar a apreciá-la se nunca se tinha reparado nela antes. Mas é escusada essa afectação ridícula, essa adoração bacoca, esse desejo de mostrar que o gin sempre fez parte da sua existência. É que até parece mal.

"Ai, eu sempre gostei muito de gin, nunca bebi outra coisa" dizem os que aprenderam a gostar, ou fingem que gostam, aos amigos de sempre. 

E os amigos, coitados, lá têm de fingir também, por cortesia, que não se lembram dos tempos em que a bebida de eleição era a caipirinha, o licor beirão, o vodka laranja, o whisky cola, os shots de tequilla, os mojitos, o bacardi com não sei quê e outras que agora não me ocorrem (ia jurar que alguns enfardavam cocktails enjoativos com Blue Curaçao ou Pisang Ambon, mas como sou uma nódoa na matéria, não posso).

 Desculpem lá mas quem faz isso está insultar, na cara, os seus amigos de bêbedos: vulgo este (a) entornava-se de tal maneira que já não se vai lembrar que eu nem sabia o que era o gin.



Detalhe de "Gin Lane", gravura de William Hogarth (1751)
Quem os ouvisse, com tais ares de connoisseurs, diria que já bebiam gin no sec. XVIII, quando ele deu grandes problemas de saúde pública em Inglaterra e era -nota bene, meninas e meninos muito trendy - não uma bebida para inglês ver, mas a zurrapa das classes mais desfavorecidas. O ópio do povo, um afogar de mágoas barato que garantia uma bebedeira rápida e eficaz. Até foi criada uma legislação especial para lidar com o flagelo.

 Pois é, andava tudo atordoado com o gin tal como hoje, mas de uma maneira menos fashion...será que estas pessoas se lembram disso quando se ufanam de pedir gin?

E ponto, agora já não consigo olhar para quem o faz sem me sentir transportada para as vielas malcheirosas de Londres de 1700 e bolinha. Thanks a lot.






Eça de Queiroz dixit: amigas amigas, cuidados à parte



“(...)o que nas nossas raparigas mais impressiona é a fraqueza moral que 
revelam os modos e os hábitos.” 

Eça de Queiroz


Por estes dias, reparou-se cá em casa nas imagens que uma conhecida minha da faculdade publicou nas redes sociais. A pessoa em causa é aquilo que se costuma designar, vagamente, por "boa rapariga". Um pouco superficial, mas divertida e simpática. Conheço-a, embora mal, há anos, e é daquelas pessoas com quem não se perde totalmente o contacto, o que me indica que terá a sua dose de lealdade. Nada tenho que lhe apontar, a não ser coisas que não me dizem respeito: ou seja, as suas opções no que toca a companhias e à apresentação. Isto só seriam contas do meu rosário caso decidisse estreitar laços de amizade com ela ("diz-me com quem andas....").

E, por mais injusto que isso possa soar, é a razão por que não me sentiria confortável ao fazê-lo.



Às vezes podemos ter pontos em comum com algumas pessoas, até 
reconhecer-lhes virtudes, mas se o seu barómetro moral (ou tolerância moral) for muito diferente do nosso, é complicado dar-se com elas. Ou seja, se uma pessoa não vê mal nenhum em nada (ou por falta de formação, ou por ingenuidade) a proximidade é mais difícil, ou desaconselhável...ainda que pretendamos ser um bom exemplo para a amiga em causa.

 Aqui há tempos, falei nas amizades a evitar. Esta não será se calhar uma delas, mas é uma amizade a levar com ponderação.

 Como dizia D. Francisco Manuel de Melo, uma mulher que está segura da sua integridade pode achar que não há dano em ser amiga de mulheres que sejam, ou pareçam, menos bem comportadas. Porém, quem vê não distingue e toma tudo por igual.

 Eça de Queiroz foi mais longe ao retratar essa situação em O Primo Basílio, através da amizade entre Luísa e Leopoldina: a preocupação de Jorge, marido de Luísa, que berrava "tudo, menos a Leopoldina!" não se prendia apenas com a reputação da esposa, mas com o receio de que Leopoldina a influenciasse negativamente.


Luísa e Leopoldina na série brasileira "O Primo Basílio" (1988)

 Com a sua visão libertina do mundo, as suas paixões romanescas e as toilettes coleantes, Leopoldina, glamourosa, rebelde e "a mulher mais bem feita de Lisboa" parecia à amiga, que vivia uma vida pouco estimulante entre quatro paredes, entretendo-se com novelas, uma figura desses romances. E embora Luísa tendesse a desculpar as atitudes de Leopoldina  por ter um casamento infeliz "ia atrás da paixão, coitada!" aos poucos ia-se deixando contagiar pelas suas ideias. Começava a não ver mal em certas coisas e a relativizar conceitos morais básicos, como a gravidade do adultério. 

Podemos quase pensar em Luísa e Leopoldina como a Samantha Jones e  a Charlotte York do século XIX - uma abertamente escandalosa, outra aparentemente púdica mas sempre pronta a ouvir as aventuras da companheira. Tal como Leopoldina, Samantha é uma boa amiga à sua maneira: espirituosa, sincera, leal e constante, sempre disposta a ajudar. Tem também a qualidade de assumir as suas acções e as respectivas consequências (a má reputação e estigma social que afecta as duas personagens são uma constante tanto em O Primo Basílio como em O Sexo e a Cidade). Só não será a influência mais aconselhável...



 Obviamente, nem Eça de Queiroz apresenta Leopoldina como única causa da tragédia de Luísa - que é caracterizada ao logo de todo o romance como ociosa e de cabeça leve, cheia de "deixar-se ir" - nem podemos tomar o autor ao pé da letra.

 Luísa e Leopoldina são caricaturas das mulheres daquele tempo e daquele meio, que Eça procurava hiperbolizar para exemplo, mostrando-as sem auto domínio (Leopoldina) ou incapazes de pensar pela própria cabeça (Luísa).

 Esse aspecto fica claro quando Jorge pede ao melhor amigo, Sebastião, que impeça as visitas de Leopoldina na sua ausência:

"Por isso, Sebastião, enquanto eu estiver fora, se te constar que a Leopoldina vem por cá, avisa a Luísa! Porque ela é assim, esquece-se, não reflexiona. É necessário alguém que a advirta, que lhe diga: "Alto lá, isso não pode ser!" Que então cai logo em si, e é a primeira!... Vens por aí, fazes-lhe companhia, fazes-lhe música, e se vires que a Leopoldina aparece ao largo, tu logo: "Minha rica senhora, cuidado, olhe que isso não!" Que ela, sentindo-se apoiada, tem decisão. Se não, acanha-se, deixa-a vir. Sofre com isso, mas não tem coragem de lhe dizer: "Não te quero ver, vai-te!" Não tem coragem para nada; começam as mãos a tremer-lhe, a secar-se-lhe a boca... É mulher, é muito mulher... ".

Tão pouco, em Sexo e a Cidade, Samantha tem culpa ou influência directa nos tropeços de Charlotte e das restantes - mas não digo que, através dos relatos das suas conquistas, não puxem umas pelas outras, nem sempre com bons resultados.

E é claro que as mulheres de hoje serão mais ocupadas (na sua maioria) e menos cabeças de vento (algumas, vá) do que na Lisboa da Belle Époque, e que a vida real não é exactamente O Sexo e a Cidade. Porém, muitas continuam a encher a mente de romances de cordel bem piores que os daquele tempo e o que é mais grave, a tomá-los a sério.

Será que as mentalidades mudaram assim tanto?

Parece-me que qualquer mulher que zele pela sua reputação - e pela firmeza das suas ideias, por muito sensata que seja - deve tomar estas amizades com um grão de sal.

 Em última análise, vícios privados, públicas virtudes: se uma boa amiga tem, digamos, uma cabeça mais aberta, pode dar-se-lhe o desconto, ensinar pelo exemplo, mas o mínimo que se lhe pede é seja discreta e caso isso seja impossível, há que limitar educadamente o convívio.

Parafraseando Eça de Queiroz, "ao menos estão salvas as aparências!".


Wednesday, January 21, 2015

Isto é um grande elogio, ou uma desculpa super esfarrapada?




Decidam vocês. Em todo o caso, para o bem e para o mal é verdade; e sempre houve grandes mulheres que faziam o que era preciso fazer, eram respeitadas pela sua sabedoria e ficaram para a História quer sob os holofotes quer movendo os cordelinhos nos bastidores, para não falar nas que ficaram anónimas mas viviam satisfeitas exercendo a fórmula de Bernard Shaw: sendo bonitas e inteligentes, deixavam os homens governar porque elas tratavam de governar os homens discretamente.

Noutro tempo  eles bem diziam "cá em casa manda ela, mas nela mando eu"...mas lá se iam referindo à cara metade como "a Patroa", não fosse o Diabo tecê-las.

Sempre tive para mim que se as mulheres se limitassem a fazer barulho  quando isso é estritamente necessário e aplicassem realmente o poder que a Natureza lhes deu - com subtileza, astúcia e temperança - certos assuntos nem estavam em discussão, tão pouco haveria tal quantidade de mulheres nervosinhas e amargas...

O terrível complexo de groupie



Há dias li algures que a repórter encarregada de entrevistar o actor do filme-disparatado-do-momento se achou cheia de sorte pela honra: as amigas encheram-lhe o telefone com mensagens do tipo "You lucky b***!".

 Não consigo reprimir um abanar de cabeça quando vejo mulheres a agir assim - aos pulinhos e guinchinhos mal se vêem na possibilidade de privar com qualquer ser de calças rico, bonito ou famoso. Por mais inteligentes que sejam reduzem-se rapidamente ao estatuto de groupies, escravas ansiosas por agradar, descabelando-se a si mesmas (e umas às outras, caso haja concorrência) pela graça de um olhar do "bom partido" em causa - que tanto quanto sabem, pode ser um palerma de marca maior.

Talvez o defeito seja de quem foi educado para a nonchalance - a acreditar que o deslumbramento e o servilismo são tão feios como a arrogância e que há que saber dominar o entusiasmo; estar confortável em qualquer parte, sem subserviência nem desafio; sem se deixar intimidar, mas sem tomar excessivas familiaridades. Um pouco de fleuma nunca fez mal a ninguém. Talvez seja um defeito do hábito: só quem viu muito pouco na vida cai na ilusão de idolatrar seja quem for.

 Claro que isso, como dito aqui, causa algumas dificuldades de comunicação nos tempos que correm: a sociedade  actual, que venera a demonstração gratuita de fragilidades e emoções, não está pensada para a dignidade. Confunde contenção com frieza, serenidade e racionalidade com indiferença.



  Os sinais de alegria tornaram-se tão obrigatoriamente evidentes que mesmo o cavalheiro mais habituado às coisas boas da vida, educado à moda antiga, cansadinho da bajulação das groupies, que acha mais encanto numa rapariga misteriosa que não cede imediatamente ao seu charme nem se deslumbra com as suas atenções, pode ficar um pouco confuso (ou até magoado) se a mulher que procura cortejar não saltitar de contentamento perante cada gesto seu.

Onde está, então, o equilíbrio? Creio que reside em saber distinguir as situações: se algo é maravilhoso, pode-se dizê-lo francamente, sem histerias; se alguém - especialmente um cavalheiro bem intencionado- faz um grande esforço  para agradar, o gesto deve ser recebido com a honra que merece. O sorriso, o brilho nos olhos, um carinho dizem tudo.

O coração, para falar, não precisa de o fazer aos berros.





Tuesday, January 20, 2015

Fashionistas, giras e....devotas.

Para a blogger Adi Heyman, Judia Ortodoxa e fashionista famosa,
 a sua Fé serve de linha de orientação na hora de escolher todos os looks. Quem diria?

Embora o apego exagerado à moda - como a todas as coisas mundanas -  possa ser frívolo, não há nada de superficial na moda como fenómeno social e mais importante, nas escolhas que fazemos todos os dias.

Primeiro, porque para realmente compreender a moda é preciso, como já disse várias vezes, cultura. Referências históricas, literárias, artísticas, sociais, estéticas. Sem isso, moda é trapos. Qualquer desmiolada gosta de comprar trapos e maquilhagem, mas o verdadeiro estilo requer exercitar o espírito; sem elegância interior, nada feito. A Moda nunca está só à flor da pele. É um reflexo do que vai lá dentro.


Após anos de afirmação da sexualidade feminina através de roupas provocantes,
o estilo de actrizes como Audrey tem regressado às ruas, editoriais de moda e passerelles.

Segundo, porque se a moda - tal como quaisquer usos e costumes - fosse frívola, não teria sido sujeita a leis sumptuárias em diferentes épocas, não teria na Bíblia o relevo que sabemos, não teria sido alvo da atenção de vários Papas, não continuariam a existir dress codes inquebráveis para situações formais ou profissionais.

  É importante na Política, na Diplomacia, no meio empresarial; episódios como as tendências "anti moda"  e o estilo "directoire" nos finais da Revolução Francesa, o declínio do espartilho na Primeira Grande Guerra, as "modas patrióticas" durante a II Guerra Mundial  e as terríveis restrições a vestimentas em vários regimes comunistas provam que a Moda nunca caminha sozinha. É sempre uma consequência de factores mais profundos, ou uma afirmação que traduz/conduz a mudanças na sociedade.


O estilo "directoire", ideal de moda simples no rescaldo da Revolução Francesa

O que vestimos projecta ao Mundo quem somos, quem gostaríamos de ser, o que pensamos ou admiramos - e como é dito frequentemente por aqui, o carácter faz a roupa; convém que pensemos em nós próprios como marcas, logo... que não atribuamos à nossa "marca" o posicionamento errado.

 Já falámos amplamente no regresso da indústria de moda a uma certa modéstia e feminilidade, que é atraente sem ser vulgar - porque vulgaridade e elegância nunca caminharão juntas. Dir-se-ia que a sociedade (e em particular, a ala feminina) se cansou dos excessos dos últimos vinte anos. E se há quem procure este regresso a uma beleza discreta por motivos meramente estéticos, há quem o aplauda também por estar em conformidade com os seus princípios morais, familiares e/ou religiosos - sem culpa. 


Adi Heyman

 Este mês, a Vogue americana publicou um artigo realmente diferente: o testemunho de uma mulher que faz suas escolhas de moda em função da sua Fé, neste caso o Judaísmo Ortodoxo - e como ter essa linha de orientação a ajudou a definir um sentido de estilo. 

A título de exemplo a autora aponta a blogger Adi Heyman, favorita dos fotógrafos de streetstyle, que segue os mesmos princípios. Olhando para Adi, é quase impossível notar qualquer motivação religiosa: parece apenas uma mulher vestida com classe.
 Também a Elle deu destaque a uma colecção de retratos sobre a contemplação da modéstia pelas mulheres desta comunidade, "Daughter of the King". O decoro é visto como um sinal de respeito, e de como a mulher é preciosa.

Com particularidades ainda maiores aos olhos ocidentais, também as fashionistas muçulmanas têm ganho voz na blogosfera.


Daughter of the King
E do lado que nos é mais familiar, particularmente das mulheres Católicas? A Revista Regina Magazine passou a ter uma editora de moda e estilo.

De acordo com a editora chefe da Regina (uma mulher, nota bene), isto é importante porque apesar de se ter convencionado que os Católicos têm uma aparência "comum" (uma vez que Igreja ditou mais ou menos informalmente os costumes na Europa durante séculos) foi necessário dar o exemplo face ao panorama mais recente.

"Durante 50 anos foi dito às mulheres que para serem «libertadas» deviam expor-se da maneira mais sórdida e vulgar (...) esta sexualidade agressiva mascarada de libertação funcionou lindamente para os magnatas dos média (...) e qualquer tentativa por parte da Igreja para contrariar isto era classificada de "opressora" ou "de ódio às mulheres" - perguntem a qualquer Sacerdote que tentasse instalar algum decoro no trajar para a Missa...".

 Também pela blogosfera e redes sociais abundam páginas de moda criadas por fashionistas Católicas que incitam a um regresso à Tradição (nomeadamente ao bonito hábito do uso do véu) e outras tantas que procuram esclarecer e equilibrar os preceitos Cristãos com a vontade de seguir as tendências. Estar no mundo sem fazer parte dele e vestir de forma atraente sem dar escândalo são os objectivos de quem procura ser algo conservadora, mas actual e elegante.

 A espiritualidade de cada uma - ou os seus valores morais, familiares e sociais - é uma prioridade tão boa como qualquer outra quando se trata de orientação estética. 

Em todo o caso, a moderação, discrição, simplicidade e a busca pelo que é de qualidade e intemporal são sempre sinónimos de elegância, e atraem sempre o respeito de quem vê.  Independentemente da motivação.











Monday, January 19, 2015

Dia mais triste do ano? Poupem-me.



Diz que hoje passámos a Blue Monday, supostamente o dia mais triste do ano - cálculo obtido considerando o facto de ser Segunda Feira, as festas que já passaram (com as consequentes contas e balanças desequilibradas graças aos gastos e comezainas durante o período Natalício) o reentrar na realidade após o Ano Novo, as resoluções de Passagem de Ano que custam a cumprir, o frio e ainda a aproximação do Dia dos Namorados (que se tornou quase de depressão obrigatória para quem está solteiro).


  Pois isso - além de me parecer muito difícil de provar cientificamente - soa-me a grandessíssima vontade de se entristecer de propósito, por motivos que nem existem. Haverá razões válidas para se andar desconsolado, mas estas são um bocado tolas.

O que se comeu e comprou durante o Natal já ninguém nos tira; há é que levantar as mãos para o céu e assumir a responsabilidade por eventuais consequências. As resoluções de Ano Novo são apenas linhas de orientação e o Ano ainda é uma criança; se querem tudo para ontem nunca estarão contentes.  Já o frio é excelente para usar agasalhos elegantes, botas, luvas e chapéus; ainda hoje fui inesperadamente à neve e usei uma ushanka de pele que me soube às mil maravilhas.

 Quanto ao Dia dos Namorados, é apenas uma forma de pressão para mostrar ao mundo como a relação é linda, mesmo que nada ande mais longe da verdade. Um pouco como os casais que anunciam amor eterno nos social media para dali a pouco ser o que todos sabemos. Sempre achei que era data para assinalar em privado, o mais longe possível de restaurantes pindéricos decorados com corações de papel e velas baratas a servir menus inflaccionados a casalinhos melosos. Ideia xaropenta que não pode, essa sim, ser mais deprimente.

  Se as pessoas pusessem a si próprias metas mais razoáveis e se preocupassem menos com o inglês ver andariam bem mais satisfeitas, creio eu. I don´t like Mondays (como dizia a canção) mas não exagerem.

Amizades com o sexo oposto, verdade ou mito?




Recentemente, as redes sociais deram voz a uma série de "correntes de pensamento" politicamente incorrectas que tentam rumar contra a maré no que respeita aos papéis sociais de género, dizendo (de forma hiperbólica, bem humorada, para tomar com o devido grão de sal e bom senso) verdades que nem toda a gente quer ouvir, porque vão completamente contra o status quo idealista e pseudo fofinho que grassa por aí. 

Coisas do tipo que eu disse ontem, que as avós diziam, vá, e que pessoas chegadas me costumam dizer cá entre nós; coisas que nem sempre fica bem uma pessoa atrever-se a declarar em público actualmente...mas que, vai-se a ver, são mesmo verdade.

 Uma dessas ideias, que me custou em bocadinho a absorver e que só percebi quando vi caso atrás de caso com os meus olhos, é a raridade da amizade - verdadeira, fraternal e desinteressada - entre homem e mulher. Ou como "eles" dizem por aí nos facebooks da vida, "amizade entre homem e mulher só existe se ela for feia ou ele for gay".

Atenção, eu não concordo na totalidade com a afirmação atrás; camaradagem pode existir entre colegas ou pessoas do sexo oposto, mas é de facto rara. Como mencionei aqui, cuidado com isso!


 Pessoalmente nunca gostei de cavalheiros que se gabam de ter muitas "amigas" - se as ditas tiverem um ar duvidoso, pior um pouco -  nem aconselharia para um rapaz da minha família uma mulher que fizesse questão de manter muitos "amigos" . 

Primeiro, porque é um sinal de complexo de Manuel (ou Maria) dos Plásticos; segundo porque lá dizia Séneca, "quanto mais numerosas as pessoas com quem convivemos, maior é o perigo". Ou citando o Cardeal Mazarin, é pelas companhias (e pelo seu número) que se conhecem as pessoas.

 Por cada amizade sincera e fraternal, há não sei quantas pessoas que fariam o que fosse preciso para transformar a amizade noutra coisa, ou que a confundem com um convite para a intimidade: Nietzsche afirmava que para a amizade entre os sexos durar é preciso que haja uma aversão física. Porém, essa falta de atracção é quase sempre unilateral -  mesmo o amigo desengonçado ou a amiga insignificante podem encher-se de ilusões e fazer de ombro interesseiro, o que  causa muitos problemas.



 Há imensas mulheres da luta sem auto estima (admiradoras disfarçadas de amigas, ex namoradas, etc) que se contentam com o papel de "compincha" tentando que isso leve a algo mais num momento de fraqueza do rapaz em causa. 

Porém, no caso dos "amigos" homens relativamente às mulheres esse fenómeno é mais acentuado ainda.

 Custa admitir isto e dar razão a irmãos super protectores, pais rígidos e parceiros possessivos que acham que uma rapariga "saber muito bem conduzir-se e falar com qualquer pessoa à vontade" não basta, mas a verdade é que nós, mulheres, às vezes somos ingénuas ou distraídas. 
Não falo das que gostam de se envaidecer com elogios baratos, mas das que não vêem maldade em nada e alimentam, sem querer, amizades ou conhecimentos cordiais com "cavalheiros" que nunca pretenderam só amizade. Uns porque se deixam entusiasmar pelo convívio ou tomam simpatia por flirt, outros por falta de noção,  ou ainda porque, lá no fundo, vêem as mulheres como objectos - desde que as achem bonitas, claro.



Poucas coisas são tão desapontantes - ou uma traição tão feia - como uma mulher descobrir que fez confidências a um homem que julgava seu amigo, que lhe mostrou o seu lado mais vulnerável, apenas para descobrir que ele a olhava maliciosamente o tempo todo, com segundas intenções. Para não falar que quando isso acontece, muitas vezes o "amigo", sentindo-se rejeitado, vinga-se.

Tolkien disse, a respeito desse tema, que a amizade entre homem e mulher é praticamente impossível (...) a não ser entre santos ou pessoas mais velhas, e que não convém contar com ela;  quase sempre uma das partes falha, desapontando a outra ao "apaixonar-se" . Segundo o autor, em geral nenhum homem quer amizade, mesmo que diga o contrário

Também James Joyce e Oscar Wilde descriam de tais amizades: Joyce achava que a atracção complicava sempre tudo, Wilde declarava-as impossíveis: paixão ou inimizade de morte sim, até idolatria, mas amizade não.

 Visto isto recomendam-se algumas cautelas - principalmente a quem tem um compromisso ou simplesmente, zela pela sua honestidade e quer cercar-se apenas de pessoas sinceras. 







Sunday, January 18, 2015

Duas notas do dia: tristezas e nem tanto


1- Entristeceu-me esta notícia sobre um rapaz bem parecido, alto, distinto e inteligente, herdeiro de uma família bem de Nova Iorque, com tudo para ser feliz, que assassinou o próprio pai num momento de loucura.
 Aparentemente, Thomas Gilbert Jr. apresentava de há uns tempos a esta parte sinais de instabilidade, mas ninguém compreende o que o terá levado a uma atitude tão extrema. Situações destas são sempre trágicas, mas quando acontecem a pessoas tão bonitas, em cenários tão perfeitos, em comunidades que podiam fazer algo de bom pelo planeta, é ainda mais doloroso de ver. 




2- Sobre a notícia que não interessa nem ao Menino Jesus mas que anda na boca do povo como se importasse à Humanidade: nem vem ao caso se a culpada foi a D. Dolores e companhia. Não compro o mito da sogra-bruxa (há por aí sogras extraordinárias) e ninguém é mais leal à família do que eu. 

Todavia, se a questão da família Ronalda é proteger/controlar o património que não construiu nem herdou e o menino aprova...é acabrunhante de ver, são cupidezes típicas de dinheiro novo -  lá se avenham.

 Agora queiram desculpar a ausência de patriotismo e que eu acuda pela russa "fria e antipática" que em cinco anos muito aturou, mas quer-me parecer que quem fica a perder é o jogador, que andava bem mais civilizado e polidinho desde o início do namoro. Mal ou bem, sempre aprendia alguma coisa: Irina Shayk é linda, independente e famosa, tem alguma coisa dentro da cabeça, é uma rapariga culta com o mundo a seus pés. Não me surpreende que se sentisse desconfortável naquela casa e mais não digo.
 Tão pouco me espanta que se tenha libertado  - pode facilmente arranjar casório com alguém mais compatível: um oligarca russo ou um baronete inglês e havia de ser uma lotaria se lhe complicassem tanto a vida como a família do ex...duvido. Já Ronaldo acredito que vá voltar às rapariguinhas de ar duvidoso do costume, "humildes como a gente" (sic). 

Moral da história, uma jovem não se deve apaixonar por ninguém com um background que a deixe pouco à vontade, nem tentar mudar um homem cujo pé foge para o chinelo...porque se um homem se degrada ao unir-se a uma mulher vulgar, uma mulher que case com um bruto acaba mesmo brutinha de todo. Run!


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