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Saturday, January 31, 2015

Alegoria do amor e das Feiras da Ladra



A uma amiga que se queixava da sua vida amorosa estagnada porque todos os pretendentes que aparece têm defeitos, vulgo "só me saem duques e cenas tristes" lembra-se a minha pessoa de dizer:

"Não te dê isso cuidado: encontrar a pessoa certa é como procurar tesouros na Feira da Ladra; é preciso tropeçar em tralha inútil para encontrar alguma coisa de jeito!"

Disparates que ocorrem assim por dizer, mas vendo bem não deixa de ser verdade: quem gosta de antiguidades, bons descontos ou preciosidades vintage, quem frequenta leilões, vendas de garagem, feiras de antiguidades, de angariação de fundos, de velharias, de tarecos em segunda mão, lojas vintage e gasta algum tempo no eBay ou no OLX à procura de coisas bonitas para a sua colecção sabe como funciona.

É necessário caminhar, cansar os olhos, observar muita coisa que não interessa ao Menino Jesus e estar consciente de que o lixo de uns é o tesouro dos outros.

 Vendo as coisas de uma forma crua e objectiva, o homem perfeito para uma rapariga pode ser a velharia de outra, arrumada para ali num canto do sótão, tristinho, a ocupar memórias e espaço e a ganhar pó.

No fundo, como diz a canção de Sérgio Godinho, começar uma relação nova não é mais que uma ida à Feira da Ladra onde se tudo correr bem, se trocam as amarguras, ilusões, trapos e cacos e contradições do passado pelas alegrias do futuro. 

É terça-feira 
e a feira da ladra 
abre hoje às cinco 
de madrugada

E a rapariga 
desce a escada quatro a quatro 
vai vender mágoas 
ao desbarato 
vai vender 
juras falsas 
amargura ilusões 
trapos e cacos e contradições

(Sérgio Godinho)

Conselho de estilo do sec. XVII (mas tão actual como a última it bag)

Grace Kelly

"Guarda-te cuidadosamente das vaidades e afectações, das curiosidades e das modas levianas. Observa as regras da simplicidade e modéstia, que são indubitavelmente o mais precioso ornamento da beleza e a melhor escusa da fealdade".
São Francisco de Sales

A sensatez e o bom senso são sempre os melhores guias de estilo. Não quer dizer que não se corram riscos *calculados* uma vez por outra, mas uma base simples, os tons neutros, as silhuetas intemporais oferecem um bom ponto de partida para não errar.

Excesso de maquilhagem, uma adesão cega às tendências sem olhar se convêm ao seu tipo de corpo e de beleza, demasiadas aplicações e brilhos, muitas fantasias na roupa e acessórios, mostrar demasiada pele...oferecem mais possibilidades de cometer faux pas, porque ficar bem com tudo isso é mera sorte.

Numa rapariga bonita que tenha silhueta de modelo, há o risco de se vulgarizar. Numa mulher menos favorecida pela natureza, o resultado é quase sempre desastroso.

 O conselho de S. Francisco de Sales, apesar de ser dado do ponto de vista da Fé - e de um homem do século XVII - aplica-se na perfeição à  fashionista mais empedernida dos nossos dias. 

A vaidade é um instrumento a usar com conta, peso e medida; quando razoável incita-nos a ter a melhor apresentação, a manter um guarda roupa organizado, a olhar para nós com olhos de ver. Quando em demasia, torna-se garridice e é o caminho para o ridículo. Já a afectação conduz a que a elegância do espírito se perca e a que uma pessoa faça escolhas que não têm a ver consigo, perdendo-se o factor "estilo sem esforço".
 Audrey Hepburn, Grace Kelly e Jackie Kennedy, três das mulheres mais elegantes de todos os tempos, possuíam verdadeira elegância interior, que é o acessório mais importante. Nenhuma delas era afectada.

A curiosidade (de experimentar uma nova tendência, uma nova forma de styling, uma silhueta diferente) não pode ser exagerada. Se experimentarmos tudo, corremos o risco de sair à rua com o que não nos convém - seja porque fica mal ou porque passa uma imagem errada. Se desperta dúvidas, é melhor não tentar, pelo menos antes de uma ocasião importante. Deve ouvir-se o espelho, o orçamento e o bom senso antes de ceder à curiosidade.

As modas levianas - tudo o que é excessivo, vulgar, ordinário, ostensivo e claramente passageiro - têm de ser abordadas com um grande grão de sal. O respeito por si mesma, pelos outros e pelos seus valores/objectivos de vida tem de entrar na equação. Antes de considerar a compra ou o uso de uma peça extravagante ou demasiado sexy, há que considerar não só se lhe cai minimamente bem, mas também o que é que as pessoas que são importantes na sua vida, ou que admira, pensariam de tal trajo. O seu chefe (ou a empresa em que gostaria de trabalhar) a sua cara metade, as mulheres que são ou foram para si uma referência de estilo e um exemplo de vida...aprovariam ou usariam?

Se não, é melhor pôr de parte a ideia e caso goste realmente do género/padrão/tecido, usá-lo de forma mais discreta - num acessório, por exemplo.

 É preferível não variar tanto e sentir-se bonita, confiante e dar nas vistas só pelas melhores razões, a ser apontada por maus motivos em nome do protagonismo e do último grito da moda.

Friday, January 30, 2015

Eu cá sempre desconfiei de casórios espectaculosos.


E quem diz casórios diz manifestações peganhentas, grandes declarações de amor em público ou nas redes sociais a dizer aquilo que se deve guardar para a intimidade. 

É certo que quem ama, não esconde - porque não consegue. Homem ou mulher, se está apaixonado sente orgulho no outro e vontade de o gritar aos quatro ventos.

Não pequemos por wishful thinking: se alguém diz que ama mas não o assume ou faz por ocultá-lo -  seja pessoalmente, ante os amigos /família ou nas redes sociais -  então anda debaixo de sofisma, a não querer perder o que está lá fora, a evitar comprometer-se ou a tramar alguma.


Mas o extremo oposto é igualmente mau. Uma coisa é não esconder, assumir o óbvio com dignidade, transparência e orgulho de enamorado, outra é a ostentação barata que só traduz uma necessidade igualmente barata de afirmação.  Desconfio sempre quando vejo casalinhos de qualquer idade a declarar amor eterno, principalmente quando a relação é recente, e pior um pouco quando vêm com discursos "apesar dos altos e baixos, és o amor da minha vida". Para quê, senhores? Uma imagem - discreta - vale mais que mil palavras, não é preciso embaraçar-se a si, à cara metade e aos outros. Ou pior ainda, dar a terceiros, não necessariamente interessados ou bem intencionados, demasiada informação sobre a sua vidinha.

O mesmo vale então para o que me trouxe aqui, para os casamentos espectaculosos, temáticos, aberrantes, gigantescos, de bridezilla. Não só são geralmente de mau gosto e demasiado trabalhosos - um casamento é a união eterna entre duas pessoas, não um circo - como me dá sempre a ideia que os noivos estão mais interessados no inglês ver, em dar uma bofetada aos ex, em fazer inveja às amigas, do que propriamente um no outro.

O casório de George Clooney não foi de mau gosto em termos de conteúdo - mas foi-o na ostentação. Três dias  de viagens, de almocinhos, de jantares, de cobertura noticiosa, de barquinhos, não sei quantas mudanças de vestido, os convidados (coitados!) de Herodes para Pilatos numa agitação desgraçada, o meu feed não podia já com o casamento apesar de eu simpatizar com a noiva.

 E quatro meses volvidos, diz que já andam de candeias às avessas. Quando se abre a porta para que o bom se saiba, também se escancara a janela para que o mau seja gritado em praça pública.

Para mim há certas coisas que não devem passar do vestíbulo, e olhem lá.

Voar para o tecto, como "Santa" Cristina


Nunca vos apeteceu, face à maldade/parvalheira/doidice alheia, flutuar sobre tudo aquilo, isolar, voar dali para fora?

Pois na Idade Média existiu uma mulher que fazia isso mesmo: chamaram-lhe  Christina Mirabilis, também conhecida pelo curioso nome Cristina, a Espantosa ou (não oficialmente, já que não chegou de facto a ser beatificada ou canonizada) Santa Cristina, a Incrível.

Cristina nasceu na Bélgica por volta de 1150, era muito piedosa e toda a vida sofreu de ataques e convulsões. Por volta dos 20 anos de idade teve uma crise tão forte que toda a gente a achou clinicamente morta. Preparou-se o enterro e estava a vizinhança em peso no velório quando do nada Cristina, sã como se nada tivesse acontecido, salta tranquilamente do caixão.


 O povo assarapantou-se, e mais espantado ficou quando a jovem desatou a subir, a subir até ao tecto, dizendo que o fedor dos pecados daquela gente toda a incomodava horrivelmente, por isso não podia descer. Só voltou para o chão a instâncias do Padre, explicando então que enquanto estivera morta tinha visto o Inferno, o Purgatório e o Céu, e que lhe fora dado à escolha permanecer no Paraíso ou regressar à Terra para sofrer e fazer penitência pela conversão dos pecadores.


 O relato das suas visões impressionou vivamente a assistência, mas a partir daí Cristina começou a isolar-se de toda a gente, passando muito tempo escondida em buracos ou em cima das árvores, e a fazer sacrifícios ainda mais espantosos. Milagres segundo uns, verdadeiras habilidades de faquir (salvo seja) segundo outros, mas em todo o caso, proezas das quais saía incólume: atirava-se para dentro de fornos incandescentes, dava brados de arrepiar e saía de lá sem um cabelo chamuscado; mergulhava no rio gelado em pleno Inverno e deixava-se estar em oração horas, dias e semanas a fio, sem nunca adoecer; agarrava-se aos moinhos de água, lá ficava às voltas e apesar dos gritos de quem via: "a Cristina vai partir todos os ossos do corpo!" a verdade é que escapava sem uma beliscadura...



 Por qualquer motivo os cães não simpatizavam com ela; costumavam 
persegui-la e mordê-la, mas as feridas saravam instantaneamente.

Por causa de tudo isto, as opiniões dividiam-se; havia quem a  considerasse santa e quem achasse simplesmente que sofria de problemas do foro mental. Esteve internada duas vezes e acabou os seus dias num Mosteiro Dominicano onde, segundo a Prioresa, se portava com grande humildade e obediência apesar do seu comportamento invulgar.


Ainda hoje a vida de Christina Mirabilis é objecto de estudo para os especialistas em espiritualidade das mulheres medievais e vista como uma padroeira dos "lunáticos", sobretudo na sua terra natal.

Se os Santos costumam ser exemplos de nobreza, coragem, honra e abnegação - sejam os seus feitos espectaculares ou mais discretos - Cristina, a espantosa, continua pelo menos a intrigar. E a oferecer uma espectacular metáfora para os dias em que o Inferno são os outros.


Thursday, January 29, 2015

O povo transmontano dixit: contra desculpas esfarrapadas

Fatiota de Carnaval que vai ser um sucesso

"O que protege do frio, protege do calor"

Sempre tive em grande apreço as tradições e mitologia transmontana. Trás- os-Montes, com os seus ecos celtas e a divisa "para lá do Marão, mandam os que lá estão" parece-me um dos últimos redutos da galhardia portuguesa, que se foi quase toda com as caravelas ou pereceu em Alcácer-Quibir.

Esta estima aumentou quando uma pessoa da família lá viveu durante uns anos, trazendo amiúde bons petiscos (como as castanhas em calda!) e boas histórias para casa.

 Ora, a grande verdade acima citada devia andar aí afixada em cartazes perto de escolas, centros comerciais e discotecas, a ver se acabamos com a "regra" de os ursos polares, os pinguins e as serigaitas não sentirem frio.


Os ursos e os pinguins andam todo o ano agasalhados, compostos e decentes, as pessoas desmioladas não. 

Quanto ao calor, é a desculpa mais mal enjorcada para se andar...mal enjorcada.

Estava cá a pensar nisto e a procurar uma imagem para ilustrar a ideia, quando me deparo esta fatiota carnavalesca de urso polar - ó ironia. Como o Entrudo está à porta, esta e a de boneco de neve, agora que o Frozen está na moda, aposto convosco que vão fazer sucesso, e pior-  que não vão ser tanto modelos a usá-las, mas "ursas" mais para o redondinho, estilo Kim Kardashian de feira...

É uma sorte não se lembrarem de fazer fantasias de "Careto Sexy", senão nem as vetustas tradições transmontanas escapavam. Tipo isto, mas só pompons e muito pouco pano:





Já são cinco ou seis num ano que ainda mal começou.



Mulheres assassinadas pelos maridos ou ex companheiros no nosso país, parte delas em casos de homicídio-suicídio.

Não quero entrar aqui em complexidades que não dão da minha área nem brincar com coisas sérias mas se alguém está tão ciumento, tão descontrolado, tão fora de si que a única saída que vê é atentar contra a própria existência, porque é que, se tem mesmo de dar cabo de si próprio, não o faz ANTES de matar a pobrezita da mulher? A desgraça era menor, mas parece que não sabem fazer nada sozinhos.

Ao menos seria morrer como um homem. Nem disso são capazes.

Wednesday, January 28, 2015

8 coisas que as pessoas *realmente * gostariam de dizer aos ex



Hoje passou-me pelas mão este artigo  com "21 coisas que as pessoas gostariam de dizer aos seus ex" mas não dizem por orgulho, ou por outra razão qualquer.

As respostas foram dadas pelos seguidores do site e variam entre o mais lamechas, do estilo "nunca te perdoarei teres-me partido o coração" aos raposa-que -não-foi-às -uvas "se não me partisses o coração eu não seria a pessoa maravilhosa que sou hoje" passando pelas patetices new age "perdoo-te por nunca admitires a tua necessidade de ser perdoado" (say what?).

A meu ver este tipo de desabafo é um bocadinho patético, porque há quatro tipos principais de ex nesta vida: 

a) aqueles com quem se termina de comum acordo ou pacificamente porque a relação morreu na praia e aí está tudo dito, não vale a pena bater no ceguinho; 

b)aqueles de quem ainda se gosta e correspondem a esse gostar, logo só vale a pena dizer alguma coisa se for para a criatura deixar de ser ex e pronto;

c) aqueles que terminaram com a pessoa porque já não gostavam dela e aí a única coisa digna a fazer é estar calado.

d) o (a) ex que veio do inferno, que provou ser uma pessoa reles e desonesta, que fez todo o tipo de patifarias, que mesmo depois do fim da relação continuou a espalhar o caos - enfim, os maluquinhos de serviço. Ora a esses, se ainda não se disse tudo e mais alguma coisa até à exaustão (porque tais espécimes tendem a provocar discussões em que se diz cobras, lagartos e anacondas) só há  meia dúzia de argumentos sinceros para atirar.
 Desculpem lá pessoas fofinhas e politicamente correctas, paladinos do pensamento positivo e do bom karma, mas não creio que face a uma situação dessas, não vos apetecesse dizer...

- Get a life.

- Eu só podia estar com os copos.

- Que tal um bungee jumping sem cordas da ponte abaixo? Um saltozinho em queda livre?

- Burn in hell!

- Esta cidade é demasiado pequena para nós os dois *com voz à Clint Eastwood*.

- É uma lástima o alcatrão e penas terem passado de moda.

- Por favor, apanha uma overdose de chá de sumiço.

- Contratei um segurança israelita com problemas de controlo da raiva. 


É o que me ocorre assim de repente, porque acredito naquela máxima de algum filósofo da internet "se o passado telefonar não atenda - ele não tem nada de novo para lhe dizer".

E arranjarem um hobbie para não pensarem em falar com defuntos, hein?


Jeans de cintura subida - como escolher?

Saint Laurent

Há anos que sou uma fã empedernida de calças de cintura alta e fui fazendo uma colecção apreciável.

Embora os modelos descidos tenham o seu encanto - pelo menos para quem tem uma cinturinha definida - penso que nunca deveriam ser a norma.

Calças de cintura subida q.b (para os dias normais) e mais alta, que fique dois ou três centímetros acima do umbigo (como statement jeans) são uma opção clássica, mais confortável (já lá vamos)  e mais prática.

Se escolhidas como se deve são uma opção muito versátil, porque podem ser usadas com uma variedade de opções - crop tops, camisolas curtas, bodies, camisas por dentro...além de fazerem uma figura longa e esbelta.

Porém, vejo muitas mulheres que ainda têm certo receio de as usar e no outro dia, ao fazer pesquisa nas lojas para uma cliente, percebi porquê: há muitos modelos de má qualidade por aí, que parecem lindos só no manequim.

Aqui fica a explicação e algumas dicas para encontrar o par perfeito para todas.


Primeiro, uma ressalva óbvia: calças de cintura subida são confortáveis porque acomodam tudo muito melhor e não saem do lugar. Porém, os modelos skinny ou muito justos exigem uma figura algo esguia  (mesmo que tenha curvas) e sobretudo, com pouca ou nenhuma barriga para darem o efeito certo. Quem é  mais cheiinha pode optar pelos modelos afunilados na perna e subidos na cintura, mas não completamente justos. São um pouco mais difíceis de encontrar, por isso poderá optar por umas skinny num tamanho acima do seu e mandar apertá-las na costureira, ou procurar um modelo vintage boot cut de cintura alta e mandar igualmente afunilá-lo onde for preciso.

Saint Laurent


Segundo, veja bem os detalhes: skinny jeans high rise (ou quaisquer jeans de cintura subida) de boa qualidade distinguem-se pela linha perfeita que dão à zona das ancas e coxas. Ou seja, dependendo da sua silhueta natural formarão uma cintura fina que desce numa linha quase recta e elegante (se for uma rapariga de ancas estreitas) ou, caso tenha formas mais femininas, vão acentuar a cintura e arredondar ligeiramente sobre os ossos da anca, descendo a direito a partir  daí. Vejamos dois exemplos disso, com calças Saint Laurent:


Nos glúteos, não devem "achatar" mas também não são feitas para dar volume ao derrièrre. A ideia é obter uma forma curvilínea (em "S") mas esguia, por isso se lhe parecer que essa zona ganha demasiado "protagonismo", que as coxas ficam salientes ou que há "altos" de qualquer tipo, esse não é o modelo certo. Ficará vulgar ou no mínimo, vai achar que a engordam onde não devem.
 Igualmente, atenção à "banha da cobra"- muitas marcas (principalmente entre as acessíveis mas não só) chamam "high rise" a um cós que vai terminar sobre os ossos da bacia. 

Fuja desses modelos, porque só vão provocar dores e fazer com que ande sempre desfraldada, além de provavelmente "engordarem" a figura. A cintura subida deve acertar dois centímetros abaixo, sobre ou cerca de três centímetros acima do umbigo, para não incomodar e dar o efeito certo. Nem tudo o que parece é!

Escusado será dizer, as lavagens simples sem aplicações assentam sempre melhor, principalmente se forem escuras.

 Terceiro, atenção à marca e ao tecido: se quiser investir num modelo que vai fazê-a elegante durante anos, os jeans de griffe ou de marcas especializadas em denim são a opção mais segura. Para dar o efeito descrito acima não só convém que o corte seja impecável: o tecido tem de ser super macio e maleável, mas consistente, sem brilho e com apenas a elasticidade necessária.
Trussardi, Saint Laurent, Armani, Versace, Burberry, Mustang e Levi´s são algumas pistas a ter em atenção, tanto nos modelos actuais como em achados vintage.

 Mas para todos os dias, nada a impede de encontrar um par perfeitamente  funcional nas marcas de fast fashion. 

Primark
Como foi dito aqui no nosso mini guia das lojas acessíveis, a Primark (que aposta nas lavagens clássicas de cores escuras, o que dá às calças um ar muito mais dispendioso)  Pull & Bear, H&M ou Zara fazem modelos com o corte certo e apenas 1% de elastano. Infelizmente, a Zara não voltou a disponibilizar um modelo fantástico que apareceu no ano passado, mas há opções decentes em todas as outras - seja para adquirir mais um par para espatifar por aí à vontade ou para dar uma chance ao modelo a ver como se sente, antes de investir numa versão mais luxuosa.










Tuesday, January 27, 2015

Uma Rainha em Auschwitz, 70 anos depois.


"O lugar onde nos encontramos é um lugar da memória, é o lugar do Shoah. O passado nunca é apenas passado. Ele refere-se a nós e indica-nos os caminhos que devem e não devem ser percorridos."

Papa Emérito Bento XVI



Recordo-me de ter lido, há uns tempos, o relato de uma sobrevivente de Auschwitz em que ela recordava que nada crescia naquele inferno - não se vislumbrava uma flor, uma ave, uma borboleta. Era como se a própria natureza mirrasse instintivamente para lá do arame farpado. No dia em que finalmente viu uma mariposa incauta a esvoaçar pelo campo, a rapariga soube que escaparia - e assim foi.

A cerimónia de hoje em Auschwitz

 Muito por culpa dos volumes sobre a II Guerra que havia lá em casa - família de militares dá nisto - ganhei muito cedo o fascínio pelo tema. Até tínhamos uma colecção sobre as grandes batalhas em banda desenhada que um dia partilho aqui, e daí a interessar-me pelo Holocausto (e a ler alguns livros que me deram pesadelos durante meses) foi um passo. Para piorar tudo, acharam por bem que eu estudasse num instituto alemão, e volta não volta lá vinha o assunto à baila: os professores contavam como na sua pátria, quase não havia refeição familiar em que a guerra não viesse a propósito.

À conta de tudo isto, andei muito tempo sem poder ouvir um comboio. Os próprios nomes das localidades onde os campos de concentração ou de extermínio se situavam eram aterradores para qualquer pessoa com sensibilidade - Auschwitz, Dachau, Sobibor, Buchenwald, Treblinka! Sempre me perguntei se era coincidência ou mais um requinte de crueldade, mas eu que não tenho grande memória para nomes nunca mais esqueci Treblinka, porque alguém disse à mesa que Treblinka ainda era pior.

Em boa verdade só li o diário de Anne Frank depois de ter devorado tudo o que havia na biblioteca de mais cru sobre o assunto. Por essa altura, num ano em que a efeméride da libertação dos campos foi assinalada com grande ênfase nas escolas, foi fácil contagiar as colegas de carteira. Fizeram-se as exposições e os debates do costume e dali a nada, havia um grupinho que entendeu que queria ir a Auschwitz...mas a visita de estudo nunca passou das intenções.

S. Maximiliano Kolbe, que deu a vida em Auschwitz
para salvar outro prisioneiro.

 E foi sendo adiada até hoje, nem sei porquê. As minhas andanças levaram-me à casa de Anne Frank (quando lá fui tinha precisamente a idade dela quando morreu, e fiquei tão indisposta que nunca mais lá voltei) mas acabei por nunca ter nada que fazer na Polónia ou arredores e como (sou-vos franca) não havia outro interesse de maior em visitar o país, nunca me senti bem em ir a Auschwitz de propósito, em passeio, como turista. 

 Hoje, durante as cerimónias in loco, alguém disse que aquele não é um lugar onde ir buscar força - é apenas o memorial de um Holocausto; de um sacrifício ou expiação  que ainda ninguém conseguiu explicar nem parcialmente, a não ser que se recorra a qualquer ideia bíblica de profecia como o episódio das Filhas de Jerusalém- conceitos que por sua vez foram distorcidos como desculpa por muitos dos responsáveis pela morte de milhões de pessoas, incluindo a de Católicos como o heróico S. Maximiliano Kolbe.

Hoje também foi dito que todos os Europeus deviam ir a Auschwitz pelo menos uma vez. Há-de chegar o contexto certo, mas a cerimónia de hoje (que pode ser vista na íntegra aqui) teve um imenso poder simbólico. Há cada vez menos sobreviventes para dar o seu testemunho - há dez anos, no 60º aniversário, eram cerca de 1500, hoje foram 300 e os mais jovens estão na casa dos setenta - mas ouviram-se suficientes relatos de dignidade, e orações cristãs e judaicas numa tenda montada bem à frente da sinistra entrada de caminho de ferro. 

À falta de borboletas, houve a presença da graciosa Rainha Máxima dos Países Baixos, a provar que é possível voltar a haver beleza e esperança no mais sórdido dos lugares. 

Não consigo imaginar maior bofetada de luva branca - nem uma prova de fracasso tão redonda - a quem se lembrou de inventar Auschwitz.






SAG Awards, ou de como Hollywood precisa de costureiras urgentemente.


Digo muitas vezes - mas não se fiem só na minha opinião - que uma boa costureira é uma das melhores amigas de uma mulher: nem o melhor personal stylist ou personal shopper pode fazer milagres sem ajuda da alfaiataria. Se disser o contrário, mente ou é daqueles que se importam mais com as tendências do que com a silhueta da cliente (o que infelizmente é bastante comum).

Ainda que trabalhe com uma grande variedade das peças mais luxuosas à disposição,  nada disso é garantido - e não só no prêt - à -porter, porque o próprio significado de Haute Couture já não vale o que valia em tempos, nem significa necessariamente que um vestido foi provado e ajustado milimetricamente  ao corpo de quem o usa. Se o vestido for emprestado, pior um pouco!


O melhor vestido pode parecer barato se o styling ou o fitting forem deficientes.


Os visuais desta edição dos Screen Actors Guid Awards (SAG) parecem, como os Globos de Ouro há algumas semanas, provar que esta noção anda a ser um bocadinho desprezada em Hollywood, o que é uma pena. Não faltam vestidos bonitos escolhidos para a pessoa errada, vestidos péssimos a desfear mulheres lindas (em ambos os casos, falha redonda de styling) ou toilettes que ficariam impecáveis  se ao menos fossem ajustadas à medida.


E como sempre, todas as mulheres podem  aprender com os bons e maus exemplos destes eventos. Sigam o link para ver melhor estes erros de fitting:






Depois houve aquelas que fizeram simplesmente más escolhas, como Jennifer Aniston num Galliano "vintage" (sendo que não é suposto chamar "vintage" a roupa com menos de duas décadas ). Nada contra o "shop your own closet" e ir buscar um vestido que temos há anos, mas é preciso ter atenção para que não pareça datado. Jennifer foi criticada não só pelo decote excessivo que não fez nada pelo seu busto, mas pelo styling e acessórios que pareciam saídos dos tempos áureos da actriz em Friends. Além disso os anos 90 não foram a melhor época para tecidos e embora o efeito brocado seja lindo, deixava ver a roupa interior. (Ver em detalhe aqui).


Por fim, as boas escolhas: não apareceu nenhuma toilette de pasmar mas como já tenho dito,  um vestido de gala requer mais método do que criatividade. É preferível um modelo intemporal adequado ao tipo de corpo, num tecido rico e simples, com uma bonita cor, a muitos detalhes e novidades cujo efeito não é garantido. (Imagens em tamanho maior, aqui).




Monday, January 26, 2015

A prova provada que as ceroulas são do demo.


 Eu tinha prometido não trazer este tema à baila novamente, mas acho isto o fim. 

Uma blogger americana foi fortemente atacada nas redes sociais e na imprensa online por ter escrito um post a anunciar que deixou de usar as ceroulas do demo em público, ou que pelo menos "vai passar a cobri-las com uma túnica ou camisola comprida". Isto porque Veronica Partridge, assim se chama a autora, é Protestante e não quer melindrar o marido, além de ter chegado à brilhante conclusão de que usar peças coladas ao corpo sem nada por cima provoca "pensamentos libidinosos" nos brutos que passam.

Zás, caiu o Carmo e a Trindade, com as adeptas das não calças e seus admiradores a acusá-la de slut shaming com o arrepiante argumento "o que é bom é para se ver" e que "as mulheres podem vestir o que quiserem, eles é que têm de se controlar, não temos nada que facilitar a vida aos homens" (eu diria que andar seminua por aí é facilitar-lhes bastante a vida, mas se calhar temos noções diferentes do que isso significa). 

Ainda bem que essas pessoas não passam aqui pelo Imperatrix: com o que já apedrejei o assunto havia de ser bonito...

Mas vamos por partes: primeiro, usar algo por cima de leggings ou calças demasiado justas e finas - ou evitar outras roupas vulgares- não tem nada a ver com religião (embora a Fé de cada uma seja um barómetro de estilo tão bom como qualquer outro) com submissão ou com uma postura mais antiquada. É uma questão de simples bom gosto, elegância e bom senso. Não é preciso vir um anjo cá abaixo dizer que se estamos sem calças, porque leggings não são calças, tem de se tapar essa zona e ponto final.

Logo, Veronica andava um bocadinho desorientada para anunciar isto ao mundo como grande novidade.

  Segundo - e aqui é que está o problema - é extraordinário que ninguém diga nada às meninas que se colocam em trajes menores em público, mas que mal uma voz se levanta a defender uma postura mais recatada - nem que seja para dizer "eu não uso tal coisa mas falo por mim" - parece que está a cometer um crime. É como se agora houvesse uma ditadura da pouca roupa, e todos tenham obrigação de defender o direito a seguir, como se diz em Itália, "la moda de la p***na" (se calhar o conceito de slut shaming ainda não chegou lá, terei de perguntar).

 Liberdade é só para a desinibição, está visto; quem é discreta já está a atacar a "liberdade" e não tem o direito de pensar, vestir e escrever como bem entende.

Só posso concluir que as ceroulas são mesmo do demo, e que ele arranjou uma legião de diabinhos para vir em sua defesa. Vade retro. Que outra explicação há para tanto barulho por nada?

D. João V, o namorado ingrato



É do conhecimento de todos que o nosso Senhor D. João V passou à História como grande namoradeiro - tendo assumido paixões como a famosa Madre Paula ou a galante Flor da Murta num país sem grandes tradições de maîtresses-en-titre, fora outras aventuras como a cigana Margarida do Monte.

 E como as paixões começam cedo, El-Rei, aos dezassete anos, já teria desencaminhado uma das damas do Paço, D. Filipa de Noronha (irmã ou filha do Marquês de Cascais, conforme as fontes) a quem iludiu com mil juras de amor e promessas. Entretanto cansou-se dos afagos da primeira namorada, 
afastando-a -chorosa e alvo da desaprovação de toda a gente - para o Convento de Santa Cruz.


De lá, a infeliz, ferida no coração e no brio, terá escrito várias cartas apelando à consciência do Monarca e aos sentimentos que professara por ela, ao mesmo tempo que rejeitava, com nobre orgulho, as "compensações" com que o Rei procurava pagar a sua honra perdida.


 Na sua colecção de biografias (1959) Américo Faria reproduz uma destas cartas - segundo D. Filipa, a derradeira. Considero-a uma belíssima missiva, cheia de dignidade feminina apesar da situação humilhante em que a autora se encontrava por ingenuidade sua, como se vê por este excerto:

" Senhor - estas letras (...) sei que hoje lhe deverão dar mais impaciência do que gosto; porém, como hão-de ser as últimas que porei aos seus reais pés, na fé desta promessa, sofra-me Vossa Majestade desafogar neste papel a justa dor que padece o meu coração, nas experiências do seu esquecimento.
 Quem diria, senhor, que um príncipe tão grande havia de ser ingrato a uma mulher do meu nascimento! Aonde estão aqueles afectos, que passaram a adorações! Recorde Vossa Majestade as finezas que me deve (...).


 Este meu engano não teve menos autoridade que a fé devida a um príncipe; e como em Portugal não era eu a primeira a quem um rei desse a mão para subir tão alto, foi fácil ao amor persuadir-se do exemplo. Presumi que fosse o esplendor da minha Casa, e fiquei sendo o escândalo de toda ela. E para que fosse sem igual a minha desventura, o mesmo Príncipe que me julgava digna da sua Coroa, pleiteia satisfazer-me com o despacho de um título...

 Ordene Vossa Majestade a quem quer que entregue todas as jóias que me ofereceu o seu amor ou (dizendo melhor) a sua grandeza, pois não quero comigo coisa que recorde a sua ingratidão ou a minha afronta. O que peço a Vossa Majestade é só licença para professar no Convento em que morreu Santa Teresa de Jesus [Espanha], que assim como o amor (...)me desterrou do Paço, quero que a sua ingratidão me extermine do Reino. Nenhum outro favor pretendo (...)que aproveitar a sua tirania para o acerto do meu engano".

Moral da história: mesmo quando uma mulher erra por se deixar levar pelas emoções, ou por fazer fé nas palavras de quem não merece suspeita, convém que não se esqueça de si mesma ou dos seus princípios...prémios de consolação, não obrigadinha.

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