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Saturday, February 7, 2015

Verdade do dia: Valente, mas pouco.


"Os homens são corajosos quando se trata de matar bichos, perseguir ladrões e milhares de outras coisas, mas essas valentes almas podem perder os nervos de aço quando se trata de mulheres".
 Daylle Deanna Schwartz

É que lá no fundo, por mais que lhes inculquem o sermão lamechas de "estar em contacto com os seus sentimentos", eles detestam sentir-se vulneráveis; e às vezes, por contraditório que pareça, quanto mais gostam de uma rapariga, pior se portam com ela.

O único remédio? É uma mulher ser muito serena - ter, por sua vez, nervos de aço; e um homem ser muito seguro de si, um traço varonil que é cada vez mais raro, composto por 25% de educação, 25% de maturidade e 50% de carácter.
 Uma equação difícil de encontrar e que explicará- nesta época de relações tão flexíveis - o baixo número de casais modelo...

Friday, February 6, 2015

Alerta tendências: that 70´s show


Se alguma característica vai marcar visualmente esta década, será a liberdade no styling e o revivalismo: um verdadeiro "vale tudo" muito bem vindo que permite exercitar a criatividade e reciclar relíquias de tempos idos, sem que isso pareça estranho. 

 Nos últimos anos assistiu-se a "viagens" às decadas de 50 e 60 (com as silhuetas "ladylike", as saias lápis ou balão, os casacos oversized ou em "ovo", as cinturas altas e vincadas, o bâton encarnado, o cat eye, sapatos clássicos,  cuissardes..)  aos anos 80, para o bem e para o mal ( blazers, bodies, leggings, jeans de cintura subida) e aos anos 90 (o grunge, calções de ganga, o normcore, os vestidos-lingerie, as camisas de lenhador).

 Mas ao contrário do que se viu no passado, uma tendência não substitui outra; junta-se às opções já em vigor. Pode usar-se saia lápis e scarpins num dia e na manhã seguinte boyfriend jeans e Doc Martens sem dar nas vistas.

 Bom gosto/senso e noção das proporções são as únicas regras a cumprir!

 Desta feita, e porque a moda é sempre cíclica, regressamos aos anos 70. A década tem alguma má reputação graças ao abuso de poliéster e outros exageros, mas não esqueçamos a parte boa, de que Ali McGraw (Love Story) é o exemplo icónico.




Embora alguns elementos típicos da década (como os jumpsuits) andem por aí há anos, os aspectos mais óbvios dessa tendência serão as calças flare ou mais vincadamente boca de sino, e todas as peças (saias curtas ou midi, casacos, botas, peças franjadas) em camurça.


As calças


Não nos enganemos: as calças flare ou boca de sino nunca saíram totalmente de cena em certos circuitos, apesar do reinado das skinny jeans. Eu não as pus de parte, principalmente durante Primavera:


Jeans flare e boca de sino Lois, Lacroix e Krizia

Mas só este ano podemos esperar vê-las em força nas ruas. Não para substituir as skinny ou boyfriend jeans, mas como alternativa. 



As melhores serão de cintura subida q.b, para acomodarem camisas, tops e t-shirts; acompanham-se de saltos chunky ou plataformas, embora possam ocasionalmente combinar-se com saltos finos e biqueiras pontiagudas. 




A vantagem? Alongam a figura. As raparigas muito "redondinhas" poderão ter alguma dificuldade em encontrar o par certo, mas como equilibram ancas largas vale a pena procurar: ficam fantásticas também com túnicas ou um casaco ligeiramente volumoso.


  A camurça


Casacos, botas e carteiras em camurça e/ou com franjas têm sido uma presença forte em colecções recentes, mas de agora em diante a tendência vai ser mais vincada, aparecendo mesmo em vestidos ou calças, como as de Ralph Lauren (abaixo).
 Acredito que, tal como acontece comigo, muitas de vocês terão várias peças de camurça (algumas "herdadas" das mães e tias) lá por casa, por isso é uma questão de lhes dar protagonismo.

 O ai Jesus absoluto? Calças flare em camurça, como umas Dior vintage que andam à espera de fazer a sua estreia.

Thursday, February 5, 2015

O significado disto?


Imaginem um pesadelo. Não o vosso pior pesadelo com monstros, mortos, feridos e coisas assim, mas um sonho mau que mostra uma coisa que, caso sucedesse, seria a maior maçada possível,  um desgosto dos grandes. E agora imaginem que esse pesadelo é tão vívido que parece mesmo verdade e que a vossa reacção no sonho é irritarem-se muito mas do que alguma vez se irritaram na vida real. 

Que é como quem diz mandarem a fleuma à tábua, a dignidade às urtigas, o "que é que vão pensar de mim?" para o diabo e chorarem, atacarem ao estalo o causador da má nova, fazerem uma birra monumental, uma cena do fim do mundo, enfim, portarem-se vergonhosamente. 

No meio disso - porque como dizia um amigo meu que era um grande filósofo, há cada sonho mais marado - ainda arranjam tempo, sem parar de mandar vir, para insultar uma alma que nem sequer existe e que não fazem ideia de onde saiu, abrindo-lhe as malas, espalhando o seu conteúdo por ali fora, e gritando "por amor da Santa, esta criatura? Isto é tudo reles! Desande já daqui para fora." E para ofender outras personagens que vieram ver que barulho era aquele. Sobrou para todos, um folclore.

 E no fim, pasmem: acaba tudo bem precisamente porque vocês se portaram mal, desabafaram, deitaram cá para fora o que sentiam. A personagem que levou o estalo fica orgulhosíssima de ver que causou tal manifestação de emoções e saem dali muito amiguinhos.

Se alguma vez tiveram tais loucuras oníricas, acho que é o vosso inconsciente a dizer que foram demasiado bem educados, demasiado polidos e demasiado contidos ultimamente... ou a vida toda.

 Caso isto signifique que certos problemas só se resolvem à força de birra, há que começar a treinar. Em adultos tende-se a esquecer a técnica...


Wednesday, February 4, 2015

Alívio de consciência: o guarda roupa de Lucrécia Bórgia


Da próxima vez que o vosso irmão, pai, marido ou amigas disserem que vocês têm sapatos/roupa/acessórios a mais, pensem com os vossos botões que isso não é novidade nenhuma; vocês, queridas amigas, estão apenas a seguir a ordem natural da vaidade feminina desde que o mundo é mundo.

E se vos pedirem exemplos, lembrem-se do enxoval da lendária Lucrécia Bórgia quando casou (1502) com o seu último marido, Afonso d´Este, filho do Duque de Ferrara. Naquele tempo não havia "princesas" vestidas na Mango como agora, era tudo a rigor, e a jovem duquesa de 22 anos (divorciada do primeiro marido e viúva do segundo) entrou triunfalmente na cidade com uma bagagem tão impressionante como a sua entourage.


Entre outras peças (e sem considerar uma fortuna em jóias, tecidos luxuosos e peles) o guarda roupa de Lucrécia contava 200 camisas, "algumas delas no valor de 100 ducados", 84 vestidos, 20 mantos/casacos, 22 toucados, 13 cintos, 33 chinelas, 55 pares de sapatos e não sei quantos pares de mangas amovíveis (a ideia de "vestido" completo, conforme o conhecemos, é relativamente recente; em várias épocas era hábito trocarem-se as mangas, golas, debruados, saiotes ou até corpetes dos vestidos, conseguindo vários looks diferentes; um hábito que se mantém ainda hoje, aliás, na reciclagem de trajes de época para produções históricas de TV e cinema) .

Os números da roupa de Lucrécia não serão tão impressionantes se os compararmos superficialmente com - não vamos mais longe - alguns armários que nós bem conhecemos (cof cof), sem contar com o guarda roupa de it girls, profissionais de moda ou celebridades e se tivermos em conta que hoje as nossas necessidades são diferentes: temos vários tipos de casacos e usamos calças e botas, por exemplo.

Mas se considerarmos que primeiro, este era apenas o enxoval que Lucrécia levou para a sua nova casa (não imagino o que terá deixado em Roma) e que na época era tudo feito à mão, sem qualquer tipo de produção em série - algo de que mesmo quem veste exclusivamente roupa griffèe não se pode gabar hoje,  a não ser que se cinja à haute couture -  a beldade tratava-se realmente bem. 


O sogro (que era um homem bastante austero) se ficou surpreendido ou desagradado, não o demonstrou. Deu apenas ordens para que o cortejo com os baús fosse devidamente acomodado.

 No entanto, com o passar dos anos Lucrécia acostumou-se à vida simples em Ferrara, deixando para trás muitos excessos do passado. Entregou-se ao seu papel de Duquesa e às numerosas obras de caridade; o povo adorava-a. Nunca li registos de como se vestia nessa (última) fase da  vida, mas acredito que tenha atingido a sua maturidade de estilo, trajando de modo menos ostensivo, provavelmente reciclando boa parte dos tecidos que trouxera consigo inicialmente...o que só a deve ter tornado ainda mais elegante.

Ter muito e de boa qualidade é óptimo, desde que se faça bom uso disso e se evite o exagero...




5 coisas que os homens fazem que tiram as mulheres do sério


Passou-me este artigo pelas mãos - uma lista de 17 coisas aborrecidas que eles se lembram de fazer - mas achei que muitas entravam no campo do imperdoável. Como por exemplo, um cavalheiro comentar maliciosamente, à vossa frente, os atributos de uma rapariga que passa, ou flirtar com uma flausina qualquer na cara da respectiva. Isso, a meu ver, não são "coisitas que nos tiram do sério": são faltas de respeito (e de decência) que valem um bilhetinho gratuito só de ida para a desolada e inóspita Terra dos Ex... bon voyage!

Por isso, decidi reduzir a lista a cinco coisas incómodas, mas que se aturam...embora deixem as mulheres em modo "que diabos vem a ser isto?".

1 - Trazer os amigos para o que devia ser uma saída a dois



Não é que você se  importe de sair em grupo. É uma pessoa sociável e civilizada e lisonjeia-a que ele queira que os amigos se dêem consigo. Numa ocasião ou noutra, até alinha e - porque é mesmo amável, se for preciso encomenda os snacks e arranja a sala para que eles vejam o jogo/joguem playstation/poker/discutam estratégia militar medieval ou aquilo que lhes apeteça fazer. Mas quando isso acontece inesperadamente, sem aviso, numa situação em que se contava ter um qui pro quo bem necessário, ou que era suposto ser um momento romântico, ou ainda quando sucede a torto e a direito, começa-se a pensar que algo muito errado se passa. Especialmente se ele deixar uma rapariga a fazer sala e andar pelos cantos, aos cochichos, com o Zé ou o Manel, que até mora lado e com quem já passa imenso tempo. What the hell?

O que nos passa pela cabeça: ele está a esconder-se e a evitar falar comigo a sós para fugir a um sermão (hipótese mais provável); esta gente está a tentar sabotar-me, só pode (igualmente possível, embora possa ser só falta de noção das circunstâncias); oh não, estão a falar de mim; aposto que o João ou a maria rapaz da Juliana estão a dizer-lhe cobras e lagartos a meu respeito (nunca fiando) se calhar o Manel quer empurrá-lo para a irmã encalhada dele (mais comum do que se pensa); oh meu Deus, assim de repente o Zé tem uma vibração gay. Não o larga e olha para ele com olhos de carneirinho mal morto...oh não, ia jurar que estão a flirtar. Credo, agora estão aos calduços um ao outro. Parece que não conseguem estar afastados dois minutos. Lá estão eles aos risinhos. Oh não, será que ele joga na equipa errada? Vou pôr-me a andar daqui para fora! (nos dias que correm, nada é de espantar. Especialmente se o Zé se cola aos calcanhares dele a cada segundo que ele fala consigo. Then again, pode ser apenas um amigo carente ou obsessivo, mas porque é que ele o atura? Ná. Aqui há gato).

2- Mas depois, ter ciúmes dos amigos



Apesar de esperar da sua parte um acolhimento perfeito aos amigos dele, surpreendentemente nenhum se torna muito próximo de si... a não ser talvez o irmão ou a prima. É que da última vez que um foi mais simpático consigo ou  tentou "amigá-la" nas redes sociais quase foi julgado por traição, excomungado e assado na fogueira.
  E o pior sobrou para si, que teve de ouvir "que o encorajou" - era suposto ficar muda quando lhe perguntaram as horas e ele estava no canto oposto da sala a contar anedotas ao Roberto e ao Jaime, querem ver? Pois. É que lá por estar do outro lado da sala, não quer dizer que não exerça controlo remoto. Se ele for do estilo paranóico, isso até pode ser um teste:vá-se entender...

O que nos passa pela cabeça: Este tipo é doido e ninguém o entende. O grupinho dele detesta-me, nenhum quer ser meu amigo. O que é que eu fiz de errado?  Não, eu não fiz olhinhos ao Jorge e o meu vestido era perfeitamente discreto . Não sei como os amigos o aguentam e não sei se eu o aguento. GRRRRR.


3 - Levar-vos a um evento de família...
 e desaparecer do mapa

Mais querido do que desejar que você conviva com os amigos, só querer que seja próxima da família. Mas a querideza deixa de o ser se a deixar plantada para ir, horas a fio, ver a colecção da tia, os vinhos do tio, o desafio desportivo com o primo.... Mesmo que você seja a pessoa mais confiante à face da Terra e que a família dele seja um amor, há sempre a hipótese de se ficar sem assunto ou pior, de sentir que é forçada a arranjar assunto para não parecer antipática. Depois, é claro que está na condição de novidade de circo, por isso pode acontecer o contrário: ou seja, a prima enchê-la de perguntas ou contar as desgraças amorosas dela a ver se você se descai com algum pormenor vosso, a tia avó, que é íntima da mãe dele, entrar no interrogatório que é o equivalente feminino ao "quais são as suas intenções?" ou ainda a prima afastada por casamento que decide mover-lhe uma subtil perseguição porque tem uma amiga solteirona a quem convinha mesmo o arranjinho com ele.

 E ele? 

Viste-o. Está a assistir ao jogo com o primo, claro. Resta-lhe perguntar se alguém precisa de ajuda com os canapés, mostrar as suas habilidades se houver sarau, ping pong ou karaoke, o que é sempre arriscado porque pode parecer attention whoring ou - a tábua de salvação - elogiar o bebé da prima em terceiro grau. Com um bocadinho de sorte acaba a festa a fazer de baby sitter, que ao menos os pequenos de colo nunca perguntam nada e nunca cai muito mal (a não ser que ele tenha primas mesmo maldosas, que usem isso para a acusar de lhe querer pregar com uma criança nos braços antes de um Credo). Vendo bem, a melhor salvação é o animal de estimação mais próximo, mas também podem achar que você é hippie ou uma maluquinha dos gatos. E no meio disto tudo você acaba por fazer inevitavelmente cara de tacho e vão dizer ao rapaz que rapariga mais enjoada que ele se lembrou de trazer.

O que nos passa pela cabeça: como é que ele me atira aos tubarões desta maneira? Mas eu sou algum acessório que se deixa no bengaleiro? Tenho cara de jarrão? Não perde pela demora, a vingança vai ser terrível. Vou arrastá-lo para a reunião de família com os meus duzentos primos e deixá-lo entregue aos lobos, com todos eles a perguntar-lhe "quais são as suas intenções?". E se isso o fizer fugir para todo o sempre, tanto melhor!

4- Só dizer o que tem a  dizer por mensagem...ou em público, como quem não quer a coisa



Isto acontece muito com cavalheiros tímidos na fase de flirt, mas pode 
continuar quando - e se! -  a relação já estiver estabelecida. Tem a sua piada ao início, mas ao fim de um tempo torna-se exasperante. Falo do tipo de homem/rapaz que faz uma corte cerrada, que vos vai envolvendo lentamente sem nunca se explicar muito bem e que é capaz de mandar por escrito coisas do estilo "you drive me crazy!" ou abraçar-vos do nada, de forma quase possessiva, no meio de um concerto onde foram com os amigos dele, que uma pessoa até fica envergonhada. E vocês pensam que quando estiverem sozinhos tudo ficará esclarecido. Só que quando realmente estão a dois ele entra em pânico e não diz coisa com coisa ou fica em modo ouriço cacheiro e não chega a haver uma aproximação que se veja. Numa relação sólida, se isto continuar, é o tipo de namoro/casamento em que arrancar-lhe um gesto romântico e normal é milagre. Ou antes, volta e meia lá cai uma manifestação ultra romântica num momento em que isso não faz grande sentido. Pessoas assim estabelecem a sua forma de comunicar numa relação e não há muito a fazer- ou se tolera a maluqueira e se aprecia o esforço, ou se parte para outra.

O que nos passa pela cabeça: Afinal, gosta ou não gosta de mim? WHAT IS WRONG WITH YOU? Estou a imaginar coisas, ou ele anda aqui a fazer pouco de mim. Palhacito.

5 - Arreliar-vos à frente de outras pessoas

Esta  é uma forma infantil de se meter consigo (o bom e velho "ela fica tão adorável quando se zanga")  mas também pode ser uma estratégia imatura - e muito errada - de lidar com qualquer problema não superado na relação. 
 Se ele acha graça contar - ou fazer que vai contar - um episódio cómico ou embaraçoso vosso (ou seu) perante outras pessoas, tem um mau sentido de humor e ralhar-lhe não vai servir de nada. Quanto mais o avisa, pior ele faz. Logo, ou procura uma companhia menos arreliadora ou paga na mesma moeda, contando uma asneira totalmente escabrosa que ele tenha feito . Talvez assim aprenda. 
 Porém, também pode dar-se o caso de ele trazer à baila, como se fosse na brincadeira, uma mágoa do passado ou um assunto desagradável: falar naquele seu ex que ele detesta, por exemplo. Assim pode desabafar sem retaliação, porque sabe que você é demasiado educada para partir a louça à frente de quem está. No fundo, sente que entre íntimos ninguém o leva a sério, quando na verdade constrange toda a gente. Cobardolas e malandro!

O que nos passa pela cabeça: Dizer "desculpem, ele já bebeu demais" (mesmo que seja de manhã). 
"Vou -me embora ou esborracho-lhe uma tarte na cara e fica o show completo? Decisions, decisions."


   Santa Paciência, rogai por nós.

Tuesday, February 3, 2015

Momento Twilight: o armário de carteiras de Kate Moss



Desde a adolescência que tenho a maior style crush por Kate Moss. O que eu não conhecia era a sua colecção privada de carteiras, partilhada agora pela Vogue UK.

  Não sou de bisbilhotices, mas achei graça não só porque (se a imagem mostra o acervo completo) é mais espartana do que eu imaginava, mas também - momento Twilight - por o armário ser parecidíssimo, em formato e organização, com um dos meus (uma relíquia dos anos 70 com gavetas para acessórios e prateleiras onde ficam clutches de dia, clutches de sair, minaudières e sapatos de noite; as restantes são arrumadas noutros dois espaços). Até as empilhamos da mesma forma um pouco não-te-rales e por uma ordem parecida. A minha colecção será decerto menos impressionante que a sua em género, embora não me queixe dos meus tesourinhos...

Ora, se isto significa que estou a arrumar bem, menos mal.

A responsabilidade das mulheres






"Um povo não pode elevar-se mais do que a moral das suas mulheres"

                                                         

O provérbio africano acima foi partilhado hoje nas redes sociais por um amigo afro americano, inserido neste texto que dá que pensar.

 Se ao longo dos tempos os homens detinham a liderança oficial no rumo dos acontecimentos, às mulheres cabia gerir os bastidores, e é nos bastidores que a magia acontece. 

As mulheres eram - e continuam a ser, goste-se disso ou não - a espinha moral da sociedade.

 Quer pelo seu papel na educação das gerações futuras, quer pela forma como o seu comportamento molda - ou inspira - as atitudes masculinas. Ou como li recentemente, "uma cultura de mulheres imodestas será necessariamente uma cultura de homens sem compromisso".

 Lembro-me sempre daquela anedota sobre os espartanos: quando uma visitante ateniense perguntou à Rainha Gorgo, mulher do famoso Leónidas, porque é que as mulheres espartanas "mandavam" nos homens, ela respondeu: "porque só as mulheres espartanas dão à luz homens a sério! Os homens de Esparta provam o seu valor pela espada e pela lança - não temem ser emasculados por ouvir os conselhos das mulheres".

Os espartanos faziam-se respeitar pela masculinidade, as suas mulheres
 faziam-se respeitar pela sensatez.

 Não competiam entre si; nem elas tinham medo de ser submetidas por eles, nem eles medo de ser diminuídos por elas. Dizia-se que a cidade não tinha muralhas pois "não havia o que temer"...e o mesmo acontecia relativamente aos papéis de género. Nem eles nem elas receavam cumprir o seu. Quem está certo do seu lugar, da sua função, do seu estatuto, não tem uma constante necessidade de afirmação.

 Se é verdade que um povo é rebaixado ou elevado consoante a fibra moral das suas mulheres, então há que reflectir no estado actual da sociedade. A mulher hipersexualizada, desejosa de protagonismo, fútil e tola apesar de instruída, com moral de elástico e relacionamentos inconsequentes, que idolatra Beyoncé e companhia, que apregoa não precisar dos homens para nada (mas depois se queixa que não há homens decentes) excessivamente competitiva e agressiva, com uma forma predadora de estar... que mensagem passa aos homens? Pior ainda, que exemplo dá às suas filhas ou irmãs mais novas e se tiver filhos rapazes, que homens fracos estará a criar?

O sentimento de responsabilidade devia ser motivo de orgulho para todas as mulheres. Se mais meninas e senhoras tivessem consciência do poder do exemplo, se percebessem que elevar a sociedade - começando pelo círculo mediato - cabe a todas nós todos os dias, se levassem esta missão mais a sério, haveria menos razões de queixa de parte a parte...

Monday, February 2, 2015

O complexo Catarina de Aragão


Por aqui, defendo muitas vezes aquilo que me foi pintado como modelo de mulher ideal: educada, culta, discreta, bonita,  feminina mas com ânimo varonil para as adversidades, paciente, modesta, com classe mesmo nas situações mais dolorosas...

Porém, neste mundo nada é grátis e mesmo hoje, uma mulher que assim seja corre vários riscos. E um deles - um preço elevado em cima do esforço que comporta portar-se bem - é vir a sofrer do complexo Catarina de Aragão, a sábia, piedosa e tolerante primeira mulher de Henrique VIII.

Não confundamos uma mulher que sofre do complexo Catarina de Aragão com uma mulher-tapete. Não é a mesma coisa.

Uma mulher com complexo Catarina de Aragão é aquela de quem um homem se orgulha, que pode levar a toda a parte, que apresenta aos pais, em quem tem a maior confiança porque sabe que ela estará impecável, que zelará pela imagem de ambos, que terá sempre à mão o remédio para tudo - o itinerário, as aspirinas, you name it - que sabe receber, conversar, que impressionará favoravelmente os superiores dele, que nunca desce do salto, que lida habilmente com provocações ou situações embaraçosas sem fazer barulho, que tem sempre paciência para as suas tolices, que dá a outra face ou faz vista grossa, que jamais o censurará ou contrariará em público ainda que lhe apeteça deitar a casa abaixo. É uma Jackie (mesmo que em privado possa ser uma Marilyn) uma Bree das Donas de Casa Desesperadas, uma mulher de Stepford com um bocadinho mais de espírito que sabe exactamente quando se manifestar e quando entrar em modo sit there and look pretty. Se se irritar - ou antes, se manifestar a sua irritação - só ele o saberá. 

É o tipo de mulher que parece delicada mas tem uma força de aço - Catarina de Aragão fez valer os seus direitos perante o sogro em condições deploráveis e mais tarde, defendeu a sua causa valentemente. Mas foi aí que se estragou tudo. Uma Catarina é a mulher de quem um homem diz "é uma santa, não sei como me atura"...depois de contabilizar os inúmeros disparates que tem feito. Quando e se puser a mão na consciência.

Afinal, uma Catarina de Aragão é do mais conveniente que pode haver - perfeita! O protótipo da grande mulher que costuma estar por trás de um grande homem - e se calhar, com o fardo das suas próprias conquistas para carregar também, não se enganem. Mas sofre bastante.

Primeiro, porque tudo lhe é exigido. Das outras não se espera muito e às outras tudo se tolera- um comportamento menos recomendável, uma toilette menos adequada -mas ela, não. Ela tem de ser imaculada.

Depois, se ela cede à sua humanidade e por acaso recorda a um homem que pisou o risco, que ela é uma mulher, não uma santa de altar, o cavalheiro fica surpreendido, chocado mesmo. É que está tão acostumado a vê-la imperturbável, disciplinada, calmíssima, que não suporta ver o quadro estragado.

Moral da história- As Catherines Howards são um péssimo modelo e as Anas Bolenas deste mundo ficam sem a cabeça -  mas as Catarinas de Aragão têm uma cruz pesada a carregar. 



Pele frágil? Cuide bem dela!


Ter uma pele delicada é uma faca de dois gumes: por um lado, dá às suas possuidoras um aspecto jovem, luminoso, patrício. Mulheres como Gwyneth Paltrow, Julianne Moore ou Kate Beckinsale não precisam de muito trabalho para ter um ar sofisticado; uma pele fina e clara, principalmente se a mulher em causa tiver uma estrutura física elegante, remete-nos  inconscientemente para os velhos padrões de beleza associados a "boa estirpe". Por outro lado, uma cútis frágil precisa de mais cuidados para se manter bonita e livre de vermelhidões, marcas do tempo, manchas e defeitos semelhantes.

E atenção - embora as peles pálidas tenham mais tendência a ser sensíveis e reactivas, peles ambarinas ou douradas, desde que finas, precisam igualmente de cautelas.

Nestes casos nada substitui as recomendações de um bom dermatologista com ajuda de uma profissional de estética competente, mas a pedido de algumas frequentadoras aqui do IS, deixo uma compilação de conselhos tried and true. O lema mais importante, porém, é "antes prevenir que remediar!".


 1- Protecção contra os elementos

Já aqui falei nos cuidados a ter com o frio. Quanto à protecção solar... é obrigatória todo o ano, e convém que vá aumentando mal o sol começa a espreitar todos os dias. Usar ou não maquilhagem é uma escolha individual, mas pessoalmente acho que não só disfarça qualquer reacção a agressões externas (calor, vento) como oferece uma defesa extra - em especial se optar por base ou creme colorido com protecção UV.
 No entanto, deixo a recomendação da minha avozinha: evitar toda a exposição supérflua ao sol e ao vento! Portanto há que não desprezar os chapéus, óculos de sol, carapuços amplos...



2 - Cremes, esse grande desafio

 Um dos senãos de ter "pele de boneca" é não poder experimentar à vontade todas as novidades de dermocosmética que aparecem no mercado.

O creme hidratante, que penetra mais profundamente nos poros do que qualquer outro produto, deve ser a principal preocupação .

 Um creme caríssimo de perfumaria que faz maravilhas por uma pele normal pode provocar irritação, descamação, secura, oleosidade (porque às vezes a pele reage, compensado desta forma) ou mesmo acne numa pele sensível que habitualmente não sofre de nada disso, ao fim de uma ou duas semanas de uso. 

Para piorar um pouco, nem todas as marcas ou gamas para pele "sensível" são garantidas (tenho pena, mas nunca suportei a maior parte dos produtos da Avene - o que surpreendeu muito o dermatologista - e a linha da Diadermine para peles sensíveis, que parecia uma boa novidade, foi dinamite). 

Pela minha experiência, marcas como a Clinique, Uriage, La Roche Posay (que também oferecem fórmulas excelentes contra a rosácea) Vichy e Roc são as mais inócuas. Também tenho tido bons resultados com alguns produtos de marcas como Shiseido, Estée Lauder , Clarins ou Erborian, mas é preciso ver caso a caso. 
 Os BB e CC Cream são uma boa aposta, porque como as fórmulas originais foram criadas para pessoas que tinham sido sujeitas a peelings químicos, normalmente são gentis com a pele: aconselho os da Erborian, Garnier, L´Oreal, Maybelline, Sleek e Bourjois.


3 - Maquilhagem aprovada

 Fond de teint, correctores, pós e companhia são apenas um pouco menos "perigosos" do que os cremes quando se trata de provocar reacções indesejadas, já que estão todo o dia em contacto com os poros. A boa notícia é que a maior parte das marcas, mesmo as de supermercado, já oferece opções muito menos agressivas. Há alguns anos atrás era certo apanhar uma alergia se não escolhesse Shiseido, Sephora, Clinique, Make up Forever e assim por diante (durante anos também fui fiel a uma base compacta da Bourjois que infelizmente foi descontinuada); actualmente é raro ter más surpresas. Não só houve uma evolução acentuada nas fórmulas e variedade de tons disponíveis, como surgiram alternativas como a Kiko e mesmo marcas acessíveis oriundas de países onde as peles delicadas abundam (Polónia, Alemanha...). Essence, Basic, Gosh e Catrice oferecem, por incrível que pareça, uma utilização segura. Mas o melhor é "ouvir" a pele. Se repuxa, faz comichão ou se nota os poros entupidos ao fim do dia, livre-se do produto, porque não há duas peles iguais. Better safe than sorry.


4- Cuidados específicos e outros truques


Quem tem pele sensível não pode ser mandriona. A limpeza rigorosa  é essencial todos os dias, porque ao acumular impurezas facilmente perde a preciosa luminosidade e se tiver de recorrer a tratamentos mais invasivos para remediar o mal feito, os eventuais efeitos secundários serão muito piores do que numa pele normal.
 Um bom tónico é indispensável para fechar os poros e estimular a produção de colagéneo. Outro auxílio a não esquecer é a exfoliação - no entanto, são preferíveis os peelings ácidos suaves a tudo o que "esfregue" a pele com frequência.

Água termal e água de rosas são grandes aliadas para finalizar a desmaquilhagem ou acalmar a pele irritada. Prefiro a água termal para os dias em que a pele parece seca e a água de rosas para os dias de calor em que há mais tendência a brilhos indesejados.

 Outro passo útil é a máscara hidratante ou purificante feita regularmente (ou pelo menos, se sentir que a pele precisa de repor hidratação). Estas, vendidas nas ervanárias e supermercados, servem perfeitamente o propósito, mas também recomendo uma máscara/exfoliante de mel que se faz em dois tempos durante o duche!
 E embora alguns profissionais nos façam crer o contrário, o creme de olhos é imprescindível. Essa área tão vulnerável precisa mesmo de cuidados especiais. Recomendo usar o creme de olhos e a seguir, um bocadinho de vaselina por toda a pálpebra (com cuidado para que não ultrapasse essa zona, porque pode entupir os poros) para selar a hidratação e proteger. Retira-se o excesso com um lenço de papel.

 Por fim, a alimentação - muito cálcio (couves, leite, iogurtes), silício, presente, por exemplo, nas cápsulas ou chás de cavalinha (para fixar o cálcio e dar firmeza), colagéneo e vitamina B, ovos, óleo de fígado de bacalhau...tudo "receitas" que as avós recomendavam, mas que realmente funcionam. E beber muita água - quando as modelos falam disso, não é só conversa. Resulta!



Em resumo, tudo o que é delicado dá trabalho...mas quando se trata da sua pele, lembre-se: ninguém lhe dá outra, não é?

Sunday, February 1, 2015

A maior praga que já se inventou para a roupa feminina...



...são os malfadados zippers "invisíveis". É especialmente mau quando decidem colocá-los em tecidos espessos, como a fazenda de lã ou o brocado, mas já os vi encravar em materiais finos. E para provar que a asneira é uma coisa muito democrática, aqui vos juro que tanto faz ser Zara como Dolce & Gabbana ou Valentino, num vestido feito em série como numas calças super bem cortadas, numa peça justa ou folgada.

Basta um mau jeito, ou abrir o vestido sem ajuda, para encravar ou "morder" o pano e com um bocadinho de pouca sorte, ainda descosem la prenda por ali abaixo ou  fazem um rasgãozinho super difícil de disfarçar.

Perdi a conta às vezes que já me aconteceu isso, e olhem que sou cuidadosa - com vestidinhos modestos da Mango, com um vestido de tecido vintage ajustado à medida por uma modista excelente (que nota bene, tinha posto um fecho novo; escangalhou-se antes de uma festa e se não tivesse outra roupa na mala, ia ser uma vergonhaça) com vestidos de griffe, you name it

Volta não volta, ainda não estreei a toilette e já estou a mandar trocar o zipper vidrinho, sensível, mariquinhas, de porcelana por outro que não me faça andar em aflições.

Se inventaram a geringonça no final do século XIX, bem podiam ter evoluído um bocadinho desde então. Ou podiam as marcas, acessíveis e exclusivas, conformar-se com a ideia de que nem todas as peças suportam bem um zipper fininho.

Moral da história: se já vos apeteceu correr um fecho éclair na boca de uma pessoa linguaruda, fiquem sabendo que o remédio seria sol de pouca dura...


Acho que Henry Ford me enganou, ou a lei do "desenrasca"





"Let me remind you that I have a row of electric buttons in my office. All I have to do is press one of them to call the person who can answer any question on any subject I wish to know, relative to the business at hand. I take care of the business, they take care of the questions. Now would you be so good as to explain why, just to answer you questions, I should have a brain stuffed with general culture, when I am surrounded by employees who can supply any information I might want to know? "

Henry Ford


Manuais de gestão, compêndios de faculdade, professores e familiares 

venderam-me por anos a ideia - lógica e sensata - de Henry Ford: qualquer coisa como "não é preciso saber tudo sobre tudo. É preciso ser bom na sua área e rodear-se de pessoas que percebam do resto". 

O saber não ocupa lugar, mas há uma linha que separa a versatilidade do diletantismo.

Porém, face ao estado das coisas - quer da Nação, quer do próprio zeitgeist - começo, com pena, a questionar a utilidade de tal filosofia: cada vez mais é preciso perceber *bastante`de tudo um pouco. Ora porque o mercado de trabalho (nacional, pelo menos) exige galinha gorda por pouco dinheiro, ora porque às vezes não se encontra mesmo quem faça em condições o que é preciso e entra-se em modo se queres ver as coisas bem feitas, trata disso tu mesma.

Pessoalmente sempre tive um leque alargado de interesses e o meu campo de trabalho/estudos assim o requeria. Porém, acho que um bom escritor, copywriter, RP ou marketeer não tem necessariamente de ser um bom designer e perceber imenso de photoshop, assim como um jornalista competente não é obrigado a ser um bom escritor de ficção (a paciência para escavar informação e a criatividade ou agilidade na prosa não caminham necessariamente juntas; há muitos exemplos que o provam).

 Do mesmo modo, um jornalista de economia poderá desembaraçar-se a escrever sobre moda ou desporto para um órgão generalista ou em caso de baixa de um colega, mas o nível de qualidade não será bem igual; um repórter ou pivot capaz não é forçosamente dotado em edição de imagem ou paginação, coisas que são quase uma arte em si mesmas; um stylist não tem de ser um designer de moda e - sinais dos tempos - nem sempre um criador de moda é um grande costureiro ( sempre achei que um designer de moda tem de ter ao menos boas bases de costura como antigamente, mas é inegável que há excelentes costureiras que não são um prodígio de criatividade); um músico genial não é automaticamente um bom produtor e por fim. uma blogger não precisará de ser uma webmaster, fotógrafa profissional, designer ou realizadora. 

Todos estes campos específicos se relacionam e quem trabalha nestas áreas tem de 
saber desembaraçar-se, perceber um bocadinho de tudo. Outra coisa não seria admissível na era dos telefones que transformam qualquer um num Spielberg do Youtube.

 Mas sejamos realistas: é impossível, a não ser que se seja um da Vinci (e Leonardo, que era o Leonardo, dispersava-se bastante e deixou muito trabalho inacabado) ser um especialista em TODAS as especificidades do seu campo de acção.

É como só poder pagar a uma doméstica para todo o serviço e esperar uma chef de cozinha digna de não sei quantas estrelas Michelin.

Talvez Henry Ford falasse por si, que tinha os recursos à mão; talvez seja defeito de educação de quem foi criado no hábito de se especializar. De acreditar que o alfaiate (ou a marca) que faz bons casacos não garante ser espectacular a criar calças. Vive-se uma época de acentuado desenrascanço, e não só para os nossos lados: vê-se pelas grandes casas de Moda que querem fazer tudo, de pijamas a perfumes passando por relógios. Pessoalmente (como outras pessoas sensatas) nunca vi grande utilidade em gastar horrores num relógio de costureiro, por exemplo.


Há delicadezas e particularidades que levam anos a dominar.


Um selo de qualidade nem sempre é universal.


Pode ser preciso uma pessoa adaptar-se a isto porque em terra de bom viver faz como vires fazer e que remédio, mas vai-me cheirar sempre ao mesmo: sovinice, dar um jeitinho, desenrascanço. A verdadeira especialização, como o verdadeiro luxo, é uma raridade cada vez maior.



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