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Saturday, February 14, 2015

Frase para o dia de hoje: tudo ou nada


"O Amor não quer um coração dividido: quer tudo ou nada!"
(Santa Teresa Margarida)


Numa época em que se relativiza, banaliza e aligeira tudo, em que muita gente crê que nada é definitivo, escrito na pedra, preto ou branco, certo ou errado; em que a palavra de honra está ameaçada de extinção e as relações são cada vez mais desgraçadamente flexíveis, importa recordar isto: é que por muito "moderno(a)" que cada um se gabe de ser, quem está apaixonado não quer áreas cinzentas. Pode não o admitir em voz alta, mas lá consigo sofre com isso.

 Noutras épocas - basta falar com pessoas mais velhas e ler uns quantos livros escritos ou passados em tempos idos - punha-se a dignidade à frente da fraqueza de sentimentos, porque amor unilateral, ou amor fraco, não é amor - mesmo que duas pessoas estejam física e oficialmente juntas. Ninguém queria ser o mono (ou seja, gostar muito de uma pessoa e ficar com ela, sabendo que ela gostava de outra, só porque convinha) o passatempo, o entretém, o remedeio. Claro que acontecia; gente frágil e insegura sempre houve e sempre haverá - mas não era bem visto, nem bem vindo.

 No romance Memórias de uma Gueixa, há uma personagem que diz tudo, quando se afasta de vez da mulher que adora, mas que sabe que o verá sempre como um amigo "sou um homem muito fácil de compreender: não gosto de ver as coisas que não posso ter a passear à minha frente ".

 Hoje quase não existem pessoas com esta capacidade de abnegação; e é um mal tão masculino como feminino. Dos homens que vivem na permanente "friendzone" à espera de uma chance de, quanto mais não seja, se aproveitarem de um momento de solidão da rapariga por quem têm um fraquinho não correspondido às tristes mulheres da luta que dão todos os passos e suportam todas as humilhações para estar ao lado de quem não sente paixão por elas, a doença generalizou-se.



 E nesta data, os casos de "amores" forçados, assim assim, suplentes, sofrem de crises agudas. Há até o mito urbano de certos engatatões que atacam em força nesta altura do ano, esperando conquistar mulheres fragilizadas.

Porém, as regras do Amor, do amor que vale a pena, são bem claras: tudo ou nada. Ou é ou não é.

Se um homem propõe ou insinua uma conveniente situação de "amizade colorida" isso não serve para nenhuma mulher com amor próprio (e conheço tantos casos!). Não é amor, nem nunca será. Quem o aceita na esperança de que venha a pegar, está mal enganada. Se um (a) parceiro (a), ou ex,  tenta uma reconciliação mas recusa chamar as coisas pelos nomes ou corrigir de vez os comportamentos que levaram à ruptura, isso não é amor... porque o amor ou é ou não é. E pior - quem (e há muito quem) entra numa relação, ou tenta entrar, sabendo que o outro morre de amores por uma terceira pessoa, na esperança patética de lhe conquistar o coração...isso nem vale a pena falar. O amor nunca poderá viver num coração dividido.

 Qualquer situação que tenha como premissa um "vai-se a ver", um "vamos ver no que dá"...não é amor, porque o amor ou é ou não é. Claro que será irrealista prometer mundos e fundos ou determinar o futuro - porém,  o mínimo que se pede é a certeza de intenções. Lá dizia a cantiga "podemos planear um lindo piquenique mas não podemos prever o tempo que vai fazer". 

Mas ao menos que se tenha o piquenique organizado de boa fé, rezando para que não chova. Sem uma cesta de intenções boas e firmes, qualquer relação é um teatrinho de fantoches para uma plateia desesperada...




 




Friday, February 13, 2015

O Karma é mesmo torcidinho.


E tem um sentido de humor a tender para o ácido - mesmo quando a pessoa em causa não tem um karmazão, mas um karmazito de nada. Às vezes parece que a Lei do Retorno, ou a Justiça Divina, ou o que queiram chamar-lhe, se delicia a brincar com as teimosias, manias e embirrações de cada um... o que me faz pensar que assistir de perto à justiça poética que espera as pessoas mesmo malvadas deve ser caso para arranjar um banquinho e levar pipocas.

 O meu bisavô A. era um homem singular: tinha espírito de dandy, ou de diletante se preferirem; era louco pela mulher, mas foi uma história de amor um pouco trágica (e cá entre nós, eu sempre acudi um bocadinho por ele) sabia música, sabia escultura, não se separava por dinheiro nenhum de um velho e enorme rádio da Segunda Guerra e...se dependesse dele, era um perfeito eremita apesar de - olha o paradoxo - ADORAR conversar.


Já idoso, ainda era um homem bem parecido, muito alto, magro, de ar altivo, perfil aquilino e faiscantes olhos azuis.


Mas era tão anti social, tão anti social que quando herdou a quinta do pai mandou voltar as portas para dentro, estilo villa romana, para que quem passava na estrada não o incomodasse. Chegou ao extremo de, em plena escassez da guerra, recusar contratar gente para trabalhar as terras só para não ver vivalma. Só gostava de uma pessoa ou de outra que lá lhe caía em graça (o primeiro genro foi uma dessas pessoas, e avisou categoricamente a filha, quando quase acabou o namoro, que se preferisse casar com outro pretendente que lá andava a fazer olhinhos: "o que é mau traz para casa e o que é bom manda embora? Ponha-se na rua mais ele!").


Era assim o avô, ou gostava ou não e não havia nada a fazer, e como é de imaginar não morria de amores por crianças - apesar de ter sido, ele próprio, um verdadeiro terrorista em pequeno. Nos primórdios da aviação, influenciado pelas notícias, decidiu construir um avião de palha e "pilotá-lo" de uma oliveira gigante abaixo. A proeza custou-lhe um braço amassado. E como é preciso um para conhecer outro, todos os miúdos eram "canalha" para ele. Nós, bisnetos, lá merecíamos um bocadinho mais de consideração, mas não muita; o respeito do avô ganhava-se.


Talvez por eu ser boa ouvinte e aceder aos pedidos da avó para "ir fazer um bocadinho de companhia ao avô", o que significava escutar-lhe os monólogos sem dizer ai nem ui, talvez porque eu partia do princípio que todos os avós gostam dos netos e pronto, logo nunca me mostrava intimidada nem lhe fazia a fria cerimónia a que estava acostumado como homem do seu tempo, ele era sempre simpático comigo. Invariavelmente perguntava se eu sabia a dança do "Chico Chico" que até hoje estou para saber o que era.


Mas se a "canalha" do mesmo sangue se tolerava, o mesmo não acontecia com a garotada da vizinhança; o avô fazia justiça ao velho ditado "com a canalha, nem o diabo quis nada" e tinha aos pequenitos que por lá aparecessem a fazer barulho ou a roubar a fruta a mesma aversão que algumas pessoas têm a certa bicharada. Ou o Gigante Egoísta de Oscar Wilde. Gritava-lhes "canalha!" com um vibrato assustador e refundia-se para os seus domínios a rogar pragas.


 Podem então imaginar o seu pesadelo, a tragédia, o horror que foi, quando - oh justiça irónica, cega, poética, dura lex sed lex - a Câmara ou a Junta ou o diabo a sete entendeu que havia de construir a escola primária da aldeia num dos extremos da sua quinta.


 O pobrezito do avô protestou, barafustou, teve um tremendo desgosto, mas não houve nada a fazer. Deram-lhe um ror de dinheiro pelo terreno, mas acho que ele teria pago o dobro de boa vontade para construírem a escola noutro sítio qualquer, bem longe!


 O seu único consolo terá sido que nós, os netos e bisnetos, nos vingámos da "expropriação" fazendo grandes diabruras no recreio dessa escola onde de resto, nem andávamos. Mas isso já é outra história...







Dicas para um visual mais luxuoso...sem gastar uma fortuna (parte I)

Gloria Guinness e CZ Guest

aqui se falou em tempos que o visual de uma pessoa é pior que a mulher de César: mais do que ser dispendioso, importa que o pareça...porque há quem tenha um ar janota com qualquer trapinho e quem nunca perca um aspecto mal acabado por muito dinheiro que gaste. Claro que há pessoas que são naturalmente sofisticadas e outras precisam de esforço, mas a disciplina conta muito!

E ainda que nem toda a gente tenha por objectivo uma elegância clássica, mesmo quem prefere um estilo casual ou alternativo só tem a ganhar em "polir" o look. 


 Isso consegue-se tendo atenção a pequenos detalhes...

1- Jóias boas, ou nada
As arm parties, os anéis de polegar, imensos colares, brincos, etc...poucas mulheres conseguem escapar com isso de forma elegante. Coco Chanel dizia que se deve retirar sempre um acessório antes de sair de casa, e de qualquer modo são preferíveis os materiais nobres. A bijutaria não está fora de questão - tanto Coco como Jackie Kennedy popularizaram as pérolas falsas- mas há boa e má bijutaria. Um statement necklace de swaroski ou bom strass é aceitável, tal como uma linda cuff  que lhe trouxeram do Cairo, mas prefira a qualidade à quantidade.

2 - Na beleza, simplifique
Não só o cabelo, a maquilhagem e a manicura clean dão um aspecto repousado e luminoso - comum a todas as "primeiras elegantes" -  como são fáceis de manter. Não serve de nada encher-se de madeixas se o seu cabelo é escuro e não dispõe de meios para uma manutenção impecável. Além disso, muitos artifícios poluem o visual e tornam quase sempre o aspecto algo "popularucho". As mulheres mais chic de todas as épocas usavam um penteado próximo do natural - até Maria Antonieta mantinha os postiços dentro do seu louro! 

Uma rapariga de cabelo e pele claros pode ficar refinada com um louro platinado, mas é difícil uma morena conseguir o mesmo efeito: um castanho rico será um upgrade muito mais sensato.  Se não pode ser uma Grace, seja uma Jackie! As ruivas que queiram realçar a cor devem evitar os tons acajou ou muito encarnados - a não ser que tenham nascido assim. Há cabelos que se portam melhor compridos, outros são mais fáceis de tratar estando curtos; esticar à força o que é encaracolado ou vice versa também não funciona, porque qualquer falta ao salão se notará. Em suma, não se afaste demasiado do seu tipo e será mais fácil andar sempre impecável. Nas unhas e na maquilhagem há que prescindir de tudo o que seja muito vistoso: se descobriu uma manicura super habilidosa mas demasiado "criativa" ignore as sugestões espampanantes da menina, dê-lhe uma gorjeta extra se tiver de ser e resista à vontade de fazer macacadas nas unhas. Ela vai ficar tristinha por não poder acrescentar mais uma obra prima ao seu portfólio, mas paciência.

3 - Bronzeado, sim ou não?
Em tempos idos uma pele branca era sinal de boa estirpe, mais tarde ostentar um bronzeado passou a significar uma vida de viagens e lazer só acessível à gente bem e entretanto, com o conhecimento dos danos do sol, caiu-se numa certa indefinição. Tal como com os cabelos, vai tudo da cara com que se nasceu. Uma mulher morena pode ficar macilenta no Inverno, logo ganhará em acrescentar bronzer à sua maquilhagem ou se - com os devidos cuidados - ceder ao bronzeamento artificial. Quem tem pele de porcelana, por seu turno, terá mais a ganhar em assumi-la com orgulho. O que importa é que esteja sempre tratada, uniforme e luminosa, sem brilhos inestéticos nem excesso de maquilhagem.

4 - E o blush?

Poucas coisas fazem tão "boa cara" em segundos, mas não há meio termo. Ou o resultado é soberbo ou muito mau. Encontrar o tipo de rouge ideal para si é uma ciência, tal como descobrir o bâton nude e o bold lip ideal (outro básico para um ar cuidado!). Até encontrar o blush da sua vida, é mais sensato passar sem ele - principalmente durante o dia e se tiver uma pele muito clara.


(To be continued...clique aqui para a parte II !)


Thursday, February 12, 2015

A família é sagrada ( ou pessoas que não podem ser boas pessoas).



Costumo dizer amiúde a velha frase blood runs thicker than waterA ideia urbana, moderninha, amplamente divulgada, de "a família somos nós que a escolhemos" pode ter a sua parte de verdade, mas uma coisa não substitui a outra. A família, a de sangue, está acima de tudo e com a bênção de uma família vem a obrigação de lhe dar o desconto, de saber perdoar, de olhar para a floresta e não para as árvores. 

Porque a vida é demasiado curta para nos ressentirmos contra o próprio sangue e há quem só o compreenda depois de ter vivido e aprendido - geralmente, tarde demais. 

Podemos não morrer de amores por certos parentes, mas não deixar de os amar por causa disso. Tenho para mim que a noção "eu amo-te, mas não gosto nada de ti" falta a muito boa gente que diz, cheia das suas razões, que há dez anos não fala com o pai, a avó ou o irmão. Se raciocinassem "eu amo esta pessoa como família, embora não goste do seu feitio ou das suas atitudes" talvez não levassem tudo tão a peito.



É óbvio que em certos casos, se torna necessário impor limites a familiares que entram em modo "pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira". E não sejamos idealistas: há alguns com quem só é possível manter uma relação civilizada a uma certa distância. Mas perder a cordialidade, dizer que se detesta alguém com quem se partilha o ADN ou falar mal da família a quem passa é um bocadinho forte.

É claro que há quem tenha sido alvo de situações extremas - abandonos e maus tratos que nos arrepiamos ao ler no jornal. Essas pessoas (e talvez só essas) são as que têm de facto motivos para querer, para seu bem, ignorar laços biológicos.


 Quando não é assim, há o dever de relativizar e ter paciência, porque erros todos cometemos e às vezes os pais e os avós fizeram o melhor que podiam e sabiam. Não é pagando o mal com o mal que se demonstra bom carácter. Pode não se ser unha com carne se o caso o justifica, mas há que ter a nobreza da cortesia e em caso de emergência, pôr as embirrações de lado.


Isto tudo para dizer que desconfio quase sempre de quem diz "eu não falo com a minha avó entrevadinha ou o meu pai tirano por isto ou aquilo porque não sou hipócrita" julgando-se o máximo. É que não é só a falta de caridade que há nisso (com uma avó entrevadinha fala-se sempre, por favor!). Se aos vinte e tal, trinta anos e mais além não se ultrapassaram os traumazinhos e rancores da infância, então o fruto não caiu mesmo longe da árvore. Quase sempre, quem o afirma é mais parecido com a família do que gosta de admitir. Critica a forma de estar dos pais ou parentes, afasta-se deles por causa disso, mas a educação lá fica e acaba por agir da mesmíssima maneira...

 Só se abre mão do clã, das raízes, se não houver outro remédio. Há que tomar cuidado com quem, por opção sua, se orgulha disso.

Wednesday, February 11, 2015

As paixões avassaladoras...e as de papelão.


Esta época do ano é muito dedicada a um romantismo forçado, postiço. De xaropice e pegajosice obrigatória, de inglês ver, de presentes comprados à pressa, de restaurantes apinhados ("dê aqui um jeitinho para caber o casal do lado!") com velinhas baratas e coraçõezinhos de papel que o dono do lugar obrigou os pobres empregados a recortar noite dentro e menus inflaccionados que às vezes sabem a comida da cantina com títulos gourmet.

  Sempre achei que quem ama verdadeiramente poderá não deixar de festejar a data (afinal, convencionou-se) mas é melhor fazê-lo em privado, não profanando o seu amor ao roçar cotovelos com os "amores" banais. O amor profundo, elevado, e a paixão viva, visceral, não se escondem, mas também não se banalizam. Nascem, queimam e sentem-se, como dizia Eça de Queiroz, envoltos num pudor supersticioso:

"Isto, porém, não era «uma aventura». Ao seu amor misturava-se alguma coisa de religioso; e, como os verdadeiros devotos, repugnava-lhe conversar sobre a sua fé".

  Perdoem o cinismo, mas nenhum homem conheceu realmente o amor se a mulher que traz pelo braço, nessa noite ou noutras, não for aquela mulher, a que teve para ele o impacto de um raio e se ela não lhe corresponder na mesma medida; e nenhuma mulher pode dizer que foi amada - ou que é amada na verdadeira acepção do termo - se não for aquela mulher para o homem que ela adora assim.

 Tudo o resto são tristes remedeios, remendos da felicidade, discretas tragédias da vida, relações chinfrim, pequenas alegrias a condizer com os coraçõezitos de papel recortados para a ocasião. Será frieza dizê-lo, mas há as paixões avassaladoras, requintadas... e há o resto, pobres imitações. De papelão.


Tuesday, February 10, 2015

Tem imensa roupa... e anda sempre com o mesmo? Acabe com isso!


Esse é um "drama" muito comum que acontece por falta de organização do armário e resulta no pior de dois mundos: espaço atafulhado e nada para vestir.

 Caso isso lhe esteja a acontecer e vá para a rua sempre na mesma, como as personagens de certas bandas desenhadas, o remédio é encarar a realidade: ou bem que se é espartana, poupando  dinheiro e espaço (nada contra o belo "uniforme")  ou então tem muita roupa, acessórios e sapatos, mas tira partido dessa variedade! 

Se apesar de comprar muito não se aventura na arca das trapalhadas em que o seu guarda roupa se tornou, a única solução é tirar um dia (ou vários) para encarar o problema de frente. 

 Mas como este pode ser um processo confuso (afinal de contas, a acumulação não aconteceu de um dia para o outro) vamos por partes:

1 - Dê um prazo a si própria para decidir: ou passa a vestir regularmente tudo o que tem em casa, ou doa/vende o excesso e fica só com as coisas que de facto utiliza. Sem meios termos!

 2 - A única forma de enfrentar o "papão" é mesmo atirar para cima da cama, cadeiras e charriots TUDO o que está no guarda roupa. De preferência, tudo de uma vez - esvazie prateleiras, gavetas e varões, caixas e caixinhas e espalhe o mais que puder, para ficar tudo bem visível. Vai parecer que passou a revolução francesa nos seus aposentos, mas se cair na mentira piedosa "vou primeiro limpar esta estante e depois passo aos cabides" o mais certo é adiar para o dia seguinte e depois ter preguiça ou surgir algo mais urgente. Se não tiver como circular na divisão, não terá outro remédio senão acabar a tarefa. Além disso, vendo as coisas desdobradas e expostas fica com outra consciência do que existe e do que lhe falta.

3 - Aqui entra o procedimento que todas conhecemos: separar aquilo que ainda quer do que já não serve/precisa de arranjo/ nunca usou/está velho/não é o seu estilo. O mais certo é, nesta fase, reparar que tem vários skinny jeans pretos todos iguais - ou outros básicos que compra em série - alguns ainda com etiqueta, mais um vestido fantástico que até comprou para o casamento da sua prima Mariazinha mas os noivos zangaram-se à própria da hora e lá ficou mais um mono guardado, etc, etc.

4 - Depois de pôr de parte o que está pronto a usar e de colocar em sacos ou caixotes a roupa que espera que volte a servir (para arquivar na cave) e a roupa que vai fazer outras pessoas felizes, vem a etapa dolorosa: experimentar aquelas dezenas de casaquinhos, blazers, calças e vestidos mistério que nunca usou ou usou uma vez há não sei quanto tempo e que hesita sempre em vestir porque não faz ideia se ficam bem ou mal. O que servir, fantástico! O que não está a 100%, mande alterar. No final, terá realmente um guarda roupa novo...ou no mínimo, um bom começo.

 5 -  Finalmente, se depois de avaliar o que sobrou continua a achar que tem de facto motivos para escolher sempre as mesmas peças, reflicta: estará a sofrer de um complexo "muitas guloseimas e poucos nutrientes" em termos de traje? Sem básicos fiáveis, nada se faz. Ou pelo contrário, se abusa dos básicos (vestidinhos pretos, jeans, t-shirts) e o que tem é de boa qualidade, talvez seja altura de parar de os comprar com tanta frequência e eventualmente, investir em algumas peças para actualização ou em acessórios um pouco mais luxuosos que dêem o upgrade necessário ao seu visual.

6 - Resta voltar a arrumar tudo com critério - tendo o cuidado de guardar à frente as peças usou menos. Não precisa de abandonar o seu "guarda roupa cápsula" com o querido casaquinho, as calças favoritas e as botas que adora, mas dê-lhes o merecido descanso e aproveite a ocasião para criar outros coordenados.

Parece ridículo, mas olhem que é verdade.

A afirmação acima pode soar fútil ou interesseira - afinal, um designer que faz sapatos tão lindos como Brian Atwood tem todo o empenho em mostrar que pessoas que calçam mal não são de confiança. Mas por experiência, posso dizer que pelos sapatos (tal como pelo sotaque, o vocabulário, certos detalhes da roupa e outros aspectos aparentemente superficiais) se conhece muito das pessoas.

Não é indicador infalível - mal seria - mas ajuda a traçar um perfil preliminar de quem temos diante de nós.

 É claro que um sapato, para ser bonito ou apropriado, não tem de ser griffée. Há muito calçado elegante e de qualidade sem ser Ferragamo, Brian Atwood, Jimmy Choo e assim por diante. A elegância não está, graças aos céus, dependente dos recursos de cada um (a), embora isso possa dar uma ajuda. Tal como a bondade ou a confiança, não se compra nas lojas.

  Porém, quem tem mau gosto e/ou ausência de noção daquilo que é adequado quando se trata do que põe nos pés um dia inteiro (muitas vezes, quando está a tentar causar boa impressão) também sofrerá de falta de consciência, de educação e de discrição noutros aspectos. Em muitos casos, pessoas assim acham que tudo lhes é permitido; não têm respeito pelos outros, pelas precedências, circunstâncias, limites nem pela sensibilidade alheia.




  As mulheres mais detestáveis com quem já tive a infelicidade de me cruzar, todas calçavam pessimamente: a professora destrambelhada que adorava torturar os alunos e dar pancadas monumentais na mesa como uma pata choca, aos berros (um mulherão de sobrancelhas depiladas à pedoada, camisolas com borbotos e pumps demasiado pequenos que a faziam parecer gordíssima e lhe apertavam os joanetes) ; outra professora, esta de Matemática e completamente pírulas, que seguia os alunos que tinham fugido da turma dela ( olhos esbugalhados, cabelo com quilos de gel e invariavelmente, ténis reles) uma vizinha doida que queria roubar terreno aos outros (gorda como uma bola de unto, com "sapatos de velha" a rebentar pelas costuras) catatuas metediças (roupas de poliéster coloridas e sapatões altíssimos coloridos também, mesmo em dia de piquenique) outra vizinha chata que fazia do prédio um manicómio (mocassins de camurça falsa) uma relações públicas tão malcriada como interesseira e namoradeira, para usar um termo educado (tailleur de viscose a marcar os glúteos rechonchudos e a brilhar ao sol, botas de camurça a esborrachar-lhe os tornozelos anafadinhos e saltos a enterrarem-se na relva; para se segurar tinha de saltitar como um cordeiro); groupie perseguidora (botas de verniz verde mosca varejeira); uma goldigger sociopata que vestia como um travesti e ora calçava sapatos de plástico encarnados de verniz, ora se estava nas tintas e punha um vestido provocante com sapatos coçados para bailar mais à vontade); uma intriguista doida (botas de camurça cambadas em noite de cerimónia) e uma fã de Chagas Freitas desesperada e feia de doer que tinha a mania de se atirar a todos os homens bonitos que lhe dissessem olá, especialmente se fossem comprometidos (também ela de ténis apertados e baratuchos que lhe faziam umas ancas enormes).

Para provar que isto não é um exclusivo feminino, também conheci um chefe impossível que calçava invariavelmente  ténis e sapatos com logótipos e brilhinhos, quanto mais berrantes melhor.

A contar vagamente pelos dedos, são à volta de uma dezena . Dez indivíduos não são uma amostra muito significativa numa vida inteira; then again, eu não ando por aí a comprar guerras e a implicar gratuitamente, por isso posso ter deixado passar alguns. Mas é o suficiente para ter certo medo quando os sapatos de alguém chamam a atenção pela negativa...

Lá dizia o outro, o diabo está nos detalhes. 

Monday, February 9, 2015

Pessoas que dão arrepios: get a life!


Stalkers há muitos, de vários tipos diferentes - do admirador louco à rapariga insegura que decide copiar tudo o que a amiga/conhecida faz, estilo Jovem procura Companheira.

 Mas o pior género será aquele que, uma vez fora da vida de alguém, ressabiado (a) e depois de esgotados os ataques directos, faz da existência do ex amigo, ex colega ou ex namorada (o) o foco da sua. Ou seja, muda - do dia para a noite e da água para o vinho - de gostos, de amizades, a forma de vestir e os locais que frequenta, os interesses e hobbies, credos religiosos ou políticos se preciso for, tudo para impressionar/tropeçar em/isolar o alvo da sua obsessão.

Vulgo, estás a ver? Eu também consigo ter amigos como os teus. Eu também sou aceite por A, B, ou C. Já me respeitas agora? Ou vou invadir o teu espaço e assim conseguirei a tua admiração, vais ver com quem te meteste. Vais ser obrigado (a) a cruzar-te comigo nem que não queiras e a engolir a tua soberba. E se nada disso funcionar, terás de deixar de ir a  esses sítios/dar-te com essas pessoas só para me evitar, e ficarei com tudo aquilo que era teu. Genial!




Na sua cabeça, sente-se assim um pouco menos miserável, um pouco menos ferido (a) no seu ego, na sua vaidade, na sua megalomania. E o pior é que até pode resultar...apenas e só no quesito de fazer o alvo evitar boa parte dos espaços onde até poderia dar um ar da sua graça se os tentáculos do stalker não estivessem por toda a parte. Enfim, há outros locais onde ir, é o que vale!

  Mas a parte mais triste é a a esterilidade disto tudo: tanto esforço para perseguir/copiar a vida de alguém só levam a uma canseira mútua; do stalker para atingir a presa, da outra parte para evitar perseguições. De resto, o resultado é nulo - quem se dá a tantos trabalhos para fotocopiar a vida de outrem, nunca passará de uma imitação barata, tão frágil e sem qualidade como uma carteira "de luxo" Made in China e vendida em série nas bancas de qualquer feira semanal. Ao fim do dia, tem de viver com a realidade de ser uma cópia reles sem vida própria. 

 Quanto ao alvo, tem alguns trabalhos extra mas não muda de ideias por causa disso, por mais makeovers e doideiras que o outro leve a cabo. E embora digam que a imitação é a melhor forma de elogio, passava-se bem sem tais lisonjas...




Chuck Norris dixit: 3 qualidades que separam os homens dos meninos


Nunca pensei grande coisa dos filmes de Chuck Norris (isso era mais com o meu irmão e primos em pequenos, confesso) mas ele era amigo de Bruce Lee, e alguma coisa deve ter aprendido com tão grande filósofo.




 A frase acima tem um duplo sentido na língua de Shakespeare ("temper" tanto pode ser têmpera como temperamento..), mas ganha um significado ainda mais amplo quando traduzida para a língua de Camões.


1- Se um homem perde a cabeça ("loses his temper"), se se descontrola com qualquer coisa, se fica histérico, se exagera e desata aos gritos como uma rapariguinha aflita...isso não é lá muito masculino. De um cavalheiro espera-se racionalidade. E nervos de aço!

2 - Se um homem não tem carácter de aço, se lhe falta autoridade, se é maleável - tanto na moral e nos princípios, como no ouvido - se permite que a prima, o colega ou a vizinhança influenciem as suas opiniões e decisões, se ouve murmúrios e mexericos e age de acordo, então carece da vontade firme que é apanágio de um cavalheiro. Até se pode fingir muito autoritário (quanto mais bravata, pior) mas na realidade é um banana, um fantoche, um joguete. E toda a gente sabe disso, por mais que finja dar-lhe primazia para lhe agradar. Há muitos falsos líderes assim na política e no mundo empresarial, que chegaram onde chegaram apenas porque a sua "moleza" convinha a quem realmente mexe os cordelinhos.

3 - Um homem sem têmpera de aço - que se intimida, que bajula ou se deixa bajular, que é demasiado diplomático e não toma partidos para não se maçar, que faz vénias ou vira casacas, que não está muito certo de nada - perde todo o seu valor. Não impõe respeito a ninguém e a longo prazo, deixará de merecer a admiração de quem o rodeia, mesmo que tenha outras qualidades.




Em suma, um carácter de plasticina pode parecer conveniente - para meninos. A plasticina é esborrachada, moldada, partida em mil bocadinhos, misturada com outras cores até ficar uma massa informe e cinzentona. Estão a ver a analogia?

Sunday, February 8, 2015

Sexy ou vulgar? Catwoman explica.


Em certas situações, a fronteira entre o que é apelativo e feminino e o too much pode não ser tão evidente como isso. É claro que qualquer rapariga de bom senso sabe que o que é demasiado curto, descoberto, coleante e chamativo deve ser evitado a bem da elegância (e de não atrair atenção indesejada!) mas por vezes há nuances mais subtis. Uns centímetros, um botão, um acessório, um pequeno excesso na maquilhagem ou na atitude ditam a diferença entre o irresistível e o vulgar, que é sempre ridículo.

Como o Entrudo está quase aí, lembrei-me de exemplificar isso com um exemplo sexy por excelência, que é útil (de forma hiperbólica) para o dia a dia, ou caso estejam a pensar em mascarar-se: a nossa amiga Catwoman.

 Todas as super heroínas são necessariamente sexy - para começar, por qualquer razão desenham-nas sempre com uma espécie de fato de ginástica, ninja ou ballet (creio que a desculpa é a necessidade de trajes que não comprometam os movimentos) além de que uma super heroína (ou super vilã) tem de estar sempre em forma e ser bonita, senão era um disparate. Depois, os super poderes deixam-nas em super contacto com a sua deusa interior e blá blá blá, pelo que a rapariga tímida ou desajeitada, uma vez vestindo (literalmente) a capa do seu alter ego se transforma numa mulher assertiva e confiante.

 Mas a Mulher-Gato junta a hiper feminilidade aos movimentos e atitudes felinas. Os gatos fazem o que bem lhes apetece, têm uma manha irresistível e movem-se com uma sensualidade natural, por isso todo o cuidado é pouco.

Vejamos então as três catwomen mais recentes. 


Michelle Pfeiffer foi uma mulher gato perfeita. Eu era pequena quando vi o filme e fiquei fascinada por ela. Esguia, lânguida mas sem se bambolear demais, com olhos realmente felinos, um pouco perturbada e com a maquilhagem sempre algo "desfeita", comme il faut. E o fato -além de parecer dispendioso apesar de ter sido feito em casa a partir de uma gabardine velha, ó rapariga prendada - era de gola alta, manga comprida e luvas!


Faz sentido: se uma roupa é justa, brilhante, com costuras à vista, o mínimo que se pede é que seja tapadinha e tenha uma silhueta simples.

Depois, não por ordem cronológica, temos Anne Hathaway. 



A menina Anne tem sempre classe e na maioria das cenas em que aparece, é mais graciosa do que provocante, uma ladra de casaca (ou antes, de saias):


Para catwoman, ela até se movimenta de uma forma bastante contida. Bravo! Os saltos altos dão todo o "requebro" extra que uma mulher precisa de ter, e ser Mulher Gato não é desculpa para caminhar dengosamente.


A Catwoman de Anne é mais compostinha que a de Michelle Pfeiffer: pouca maquilhagem, menos doideira e a toilette também cobre quase tudo - embora justa, os materiais são mais espessos. Blusão de cabedal, luvas e cuissardes mas tudo muito simples, com um ar quentinho e próprio para proteger a pele em caso de queda.  Lição número um: quando se usa botas longas, o resto deve ser discreto!


Ou tão discreto quanto é possível em modo super vilã, vá. 

 E por fim Halle Berry, que foi bastante criticada pela sua versão de Catwoman.


 Só vi o filme recentemente e...não admira que tenha sido um flop. A ênfase nos temas "do sagrado feminino" e das inseguranças das mulheres com a beleza e a juventude até podia ter tido a sua piada embora fosse um cliché, mas Credo, Halle Berry e seus figurinistas deram cabo de tudo.

Caretas ordinárias, estilo sou tão sexy que não aguento? Check! Luvas com buracos para mostrar a nail art que é simultaneamente uma arma letal, capaz de matar só pela pinderiquice? Check!



Super traje estilo stripper que parecia comprado na sex shop da esquina - ele era decote, ele era crop top decotadíssimo, ele era cintura descaída a mostrar mais do que ficaria bem (mesmo nela) e rasgões estratégicos no "respectivo", enfim, bom para se esfarrapar toda logo que caísse de um prédio abaixo? Sem esquecer o sapatuxo aberto para dar cabo das unhas dos pés na primeira corrida? Check!


E last but not the least, uma make up exageradíssima (como se uma super anti-heroína tivesse tempo para se retocar entre takes) e...reparem neste caminhar bamboleado, de Super Serigaita. Classy. Toda a vida tive gatas em casa e nunca nenhuma se abanou assim. Bem se diz na minha terra, é muito feio uma mulher balançar as ancas quando caminha. Mesmo uma mulher gata!



Em resumo, até no Carnaval se leva a mal caso a fantasia não seja de Super Heroína, mas de Super Flausina...a dignidade cabe em toda a parte, pois claro.

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