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Saturday, February 21, 2015

A hipocrisia do "Beauty Shaming"


Há dias a internet explodiu em elogios à eterna top model Cindy Crawford, por causa de uma péssima imagem que vazou de um editorial que fez para a Marie Claire. Imagem "inspiradora!", corpo "real!" foram os louvores provocados pelo gesto de mau gosto da jornalista que divulgou o instantâneo no Twitter.

Já vi muitos backhanded compliments (insultos disfarçados de elogio) mas este leva a palma; bravo. 

É que, ora histórias: é preciso ser muito ingénuo para não ler ali a vingançazinha de todas as mulheres que desejavam ser como Cindy Crawford e nunca lhe chegaram aos calcanhares: agora és uma de nós, ora toma, dizem as feiotas ou as complexadas. Cindy Crawford pode fingir-se feliz pelo apoio, mas não creio que mulher alguma ficasse confortável ao ver um retrato em que está horrível a  circular por aí. Não me contem tretas.

O mais ridículo é que Cindy Crawford continua a ser lindíssima: as imperfeições que terá,como todas as mulheres belas mesmo no auge da juventude- se não foram aumentadas por um photoshop invertido -  são fruto da má luz, capaz de criar celulite e estrias num poste. Tenho dito mil vezes que o photoshop serve apenas para corrigir os defeitos que a câmara inventa (os tais "5 kg acrescentados pelas lentes"). Mas é muito mais reconfortante imaginar o contrário. Porém, basta ver a imagem que o marido publicou quase em simultâneo para perceber que a realidade está muito longe daquilo que o público tanto aplaudiu.

(Update: entretanto soube-se que as imagens foram mesmo manipuladas para parecerem piores, e a própria Cindy se queixou...)

A imagem da Marie Claire que se tornou viral e Cindy retratada pelo marido dias depois

Não estou a cunhar a hashtag #beautyshaming, mas quase. De um momento para o outro parece que hashtags e opiniões cada um tem as suas, mas esta ainda se utilizou pouco - se falar-se em skinny shaming aqui há tempos foi um assomo de coragem numa época em que é politicamente correcto reclamar-se contra o "fat shaming" e o "slut shaming", que será alguém dizer, actualmente, que a beleza tem o seu lugar. Se é fundamental não sei - dependerá de cada um - mas é necessária. Reflecte a harmonia do Universo e recorda-nos da perfeição divina.

  Na época "pró beleza real" em que se convencionou que a gordura exagerada - tão grave como a anorexia - também tem por força de ser formosura, o beauty shaming é uma realidade.  A beleza passou de ser uma obsessão a algo que é preciso desmistificar a todo o custo. Ou algo por que as pessoas quase precisam, hipocritamente, de pedir desculpa.

 É como se a inveja feminina tivesse, de repente, carta branca.

 Entre as feminazis que defendem o "direito" a engordar desmesuradamente, a não se maquilharem ou  depilarem e a exigir ser consideradas lindas, assumindo uma atitude "ugly is the new pretty" (não vai acontecer, esperemos) as que se esfalfam por encaixar nos padrões de beleza mas não conseguem e por isso criticam encapotadamente qualquer beldade  e as que, sem remédio, dizem "ao menos sou inteligente", a única coisa que deixou de ser considerada feia é o ressabiamento.

 Só lhes falta dizer, como a "Tia" de Joaquim Monchique, "eu detesto gente mais bonita do que eu". Seria mais honesto.

 Que me desculpem as que, nunca tendo sido elogiadas pela formosura, se consolam agora a ler odes indecentes às mulheres inteligentes. Não ser bonita não é sinónimo de miolos.

Que me perdoem as que não possuem a graciosidade de admirar - sendo que a beleza é muitas vezes, relativa - as mulheres que são mais bonitas do que elas.

 Maravilhar-se para a beleza de uma modelo ou actriz na capa de uma revista, ser capaz de apreciar a beleza alheia, é uma forma de beleza interior. Não é menos nobre do que apreciar a bondade, a inteligência, o bom trabalho ou o sucesso dos outros.

O resto, desculpem descobrir-lhes a careca, é invejinha: o mais feio dos defeitos femininos, bem pior que a celulite.





Pierre Balmain dixit: o estilo das Portuguesas no Estoril dos anos 50

Pierre Balmain, devidamente fantasiado para o baile de máscaras (Getty)


No Carnaval do Estoril de 1959 (festa luzida que se realizou com a presença das mais distintas personalidades internacionais e uma girafa de Salvador Dali num carro alegórico) o icónico designer Pierre Balmain (cuja Casa de Moda voltou à ribalta em 2005, continuando a fazer sonhar mulheres por este mundo fora) foi um dos convidados de honra. 

Bons tempos aqueles; agora são as estrelas de telenovelas e reality shows a animar os corsos...

Cartaz do evento, via
Hospedado no Hotel Palácio, enquanto se preparava para o que viria a ser um dos célebres bailes desse Entrudo memorável, explicou à imprensa portuguesa que a moda é meramente "o resultado da civilização", que os costureiros não são mais do que "os transmissores das correntes que a inspiram" e partilhou algumas palavras sábias sobre o estilo das elegantes lusas.

"As mulheres portuguesas são das mais desejosas de seguir a moda e um factor importantíssimo permite-lhes seguir esse desejo: têm, normalmente, boa figura. Como as francesas, as italianas e as espanholas, têm um sentido mais apurado da elegância do que as anglo- saxónicas e como perfeccionistas que são, sabem 
segui-la com gosto sem no entanto exagerarem, porque são discretas por natureza (...) .

Tenho reparado que a maioria das minhas clientes vossas compatriotas tem um belo ranchinho de filhos o que de resto, me encanta. Porém, verifico com alegria que todas elas têm conservado a sua esbelteza de raparigas (...) o que me leva a crer que será um privilégio da raça ou talvez uma graça do Criador.
 Uma faceta engraçada da mulher portuguesa face à moda é a sua economia equilibrada. Não estou a chamar-lhe avarenta, note. Mas o cuidado que põe naquilo que escolhe comparando-o com aquilo que gasta (...) é mais uma prova da sua tendência para a perfeição (...)".

Acho esta análise interessantíssima - não só pelo espírito cavalheiresco demonstrado pelo couturier na entrevista, mas pela sua visão da mulher portuguesa desse tempo.

 É certo que a clientela de Pierre Balmain pertencia a um círculo específico, mas não esqueçamos que era esse meio que ditava aquilo a que o resto da população devia aspirar. Balmain via as mulheres portuguesas como esbeltas, ponderadas, disciplinadas - tanto nos gastos, como na figura - discretas e naturalmente, boas mães.

Imagem de um dos bailes (Getty)
 É verdade que uma parcela razoável das portuguesas continuará a ser assim, pelos valores que recebeu - embora o genius seculi não facilite, mesmo com recursos, ter "um ranchinho de filhos".

 Porém, ao que vejo a maioria não tem referências tão elevadas, nem se baseia em princípios como discrição, a perfeição ou a disciplina. Quantas, sem um "ranchinho" de pequenos, mas apenas um ou dois, se deixam engordar numa época em que há todos os meios à disposição para manter a figura!

 Outras, com menos recursos do que teriam as consumidoras de Balmain nos anos cinquenta, espatifam o orçamento nas últimas modas de gosto duvidoso, usando precisamente o que lhes fica mal, porque é mais apetecível dar nas vistas, ser considerada muito sexy, do que elogiada por ser discreta.

 As boas qualidades, o potencial, lá continuam: mas eu diria que se as espanholas e italianas mantiveram uma certa raça, as portuguesas perderam muito do glamour que tinham...assim como os bailes, que já não são o que eram.

Friday, February 20, 2015

Sinais dos tempos: coisas que *não* mudaram desde 1960

Coleccionar livros e revistas do tempo da outra senhora, como a Modas & Bordados ou a Crónica Feminina (e lê-las com olhos de ver) dá muito que pensar. Vêem-se modelos e conselhos intemporais, outros que só se mantêm para as pessoas mais conservadoras e ainda aspectos que nos fazem sorrir, tais foram os saltos e trambolhões que a sociedade deu desde então.

 Se eu me benzo com certas "modernices" que pipocam por aí, que não farão as senhoras que escreviam ou dirigiam estas publicações e que ainda se encontrem entre nós! Espero que tenham sentido de humor e sejam pouco afectas a fanicos...


Vejamos então dois exemplos, de 1959 e 1960 (nota bene a riqueza da prosa, comparada com muito do que se lê agora).


O que não mudou nem um bocadinho


"Quando nos chegam os ecos de Paris- a capital do bom gosto - fazemos imediatamente certas comparações de ordem prática e chegamos à conclusão de que não nos seria fácil (...) encarnar a verdadeira parisiense (...). Temos à nossa frente um belo catálogo do último grito em sapataria e podemos verificar que todos os modelos (...) têm, com que maravilhoso aprumo, um saltinho de 7 ou mais centímetros  que termina em  «bico de alfinete». Este chão arcaico, que já viu cair (...) a era pombalina, arranca sem dó nem piedade as capas, os forros, os saltos, tudo, numa voragem assustadora. Os passos das elegantes são, portanto, hesitantes, receosos, desconfiados..."



in Crónica Feminina, Março de 1959

Calçada - e pior, paralelos - terríveis para os pés e para os saltos? Check; ainda continuam aí para as curvas, a arrasar a nossa delicada colecção de calçado. As vetustas ruas de Lisboa já me destruíram um par de botas de que gostava bastante (salto de madeira, ardeu!) e obrigam-me a ter muito cuidado com a forma como ponho os pés em dias de festa, principalmente se alguém tem a  bela ideia de sair do Chiado e dar uma voltinha ao Bairro Alto. A bonita alta de Coimbra...nem pensar nisso é bom, há uma rua do Quebra Costas por algum motivo. Mas essas enfim, são ruas velhas, agora até era mau mudar-se o chão. O mais cómico é que zonas renovadas, como a do Estádio de Coimbra, foram todas forradinhas a paralelos. A fase da minha vida em que morei nessas bandas foi a que mais me fez sofrer - a mim, à pedicura e ao sapateiro. Bem, eles lucravam...mas ainda a semana passada dei cabo de umas cuissardes italianas ao passar por lá (teve remédio, valha-me S. Sapateiro, mas arrepio-me toda quando tenho de contornar o edifício!).


               O que mudou da água para o vinho

(Resposta à carta de uma "apaixonada desiludida" de 16 anos , numa edição de Novembro de 1960 da mesma revista):

"Não deve tornar a escrever a esse rapaz e aconselhamo-la até a fazer o possível por esquecê-lo. Fez muito mal realmente em ter-lhe dado a sua fotografia, pois só quando um namoro inspira confiança e se têm uns laços fortes de amizade, tal se deve fazer (...)".


Primeiro, note-se o tom sensato e querido da resposta. Depois...é cómico reparar como oferecer um retrato a um rapaz era sinal de grande compromisso e intimidade. Hoje, se pensarmos não só na exposição pública de imagens que deviam ser privadas (ou de gosto questionável) nas redes sociais mas nas coisas piores que por aí se passam com rapariguinhas dessa idade -  sexting, "estrelas do facebook" e o diabo a sete - ficamos de cabeça a andar à roda com este admirável mundo novo.

  Isto para não falar nas mulheres feitas que têm idade para ter juízo e se portam mil vezes pior...soubessem as boas senhoras dos anos 60, tão bem intencionadas e decorosas, o que por aí vinha...não teriam sido tão severas com a pobre menina!

Casal do dia: Henrique I de França e Ana de Kiev


A vida conjugal do Rei dos Francos parecia ser tão cheia de obstáculos como o Trono (1031- 1060) do seu reino ainda frágil. Enquanto monarca, vira-se desde a juventude a braços com a conquista e perda de territórios, com disputas e batalhas contra os próprios pais, tensões com o irmão e diversas cedências que teve de fazer em relação a regiões como a Borgonha e a Lorena, que lhe valeriam passar à história com uma reputação menos brilhante.

 Em relação ao casamento, viu falhar as negociações para desposar a filha do Duque de Aquitânia; ficou noivo da jovem Matilda da Germânia, mas ela morreu antes de se pensar em realizar as núpcias; casou-se então, no mesmo ano, com Matilde da Frísia...que se finou, com a filhita que tivera de Henrique, no ano seguinte.

 Cansado de tanta pouca sorte - e de se debater com constantes questões de parentela- Henrique teve então uma ideia tão ambiciosa como romântica: ir buscar uma noiva o mais longe possível, aos confins da Europa. Uma noiva com quem não poderia, nem por sombras, partilhar laços de sangue. A sua escolha recaiu sobre Ana Yaroslavna, filha de Yaroslav I, o Sábio, Grão- Príncipe de Kiev. Os ecos da sua delicada beleza e da sua cultura, invulgar para uma mulher da época, tinham chegado até França, conquistando o coração do Rei. Tratava-se, além do mais, de uma aliança excelente - a despeito da fé Ortodoxa da mulher que, caso tudo corresse pelo melhor, seria sua noiva, .


O projecto tinha que se lhe dissesse: não só obrigaria os enviados reais a atravessar a Lorena, a Baviera, a Morávia e a Polónia para atingir o longínquo Principado, como havia o risco de voltar de mãos vazias: Yaroslav era um dos maiores príncipes da Europa. Os seus pais tinham sido o próprio S. Vladimir, o Grande, que convertera o território à Fé Cristã, e a irmã do Imperador Bizantino. A corte de Kiev era riquíssima e sofisticada - chamava-se à cidade  uma "segunda Constantinopla" pelo seu esplendor oriental.

Em comparação, a França era ao tempo um reino pouco impressionante. Temia-se que Yaroslav almejasse a melhor partido para a sua linda filha... de quem, de resto, lhe custava muito separar-se.

Mas ou porque o Bispo de Chalon, encarregado de expor a pretensão de Henrique, o fez de forma habilidosa, ou porque a princesa se enamorou à distância, ou por algum motivo estratégico, o futuro sogro aceitou a proposta imediatamente.

 Ao verem-se pessoalmente, nenhum dos noivos ficou desapontado:apaixonaram-se e viveram nove anos de felicidade, até que a morte os separou. Depois de chorar amargamente o homem que tanto fizera para a conquistar, Ana - apesar de nunca se ter tornado fluente em francês -  actuou como regente em nome do filho, Filipe (assim chamado porque Ana descendia do pai de Alexandre, O Grande). Foi a primeira Rainha consorte de França a ter tal papel.

E assim provou o Rei Henrique que frequentemente, à terceira é de vez...







  
Ele tinha 43 anos, ela 25.

Thursday, February 19, 2015

Mas porque é que os homens fazem isto?



"It is a distance to travel- from a woman's mouth to the man's ears"


Ouço muitas mulheres lamentarem "o meu namorado/noivo/marido é uma jóia de pessoa; é perfeito em tudo - se ao menos escolhesse melhor as companhias!".

O fenómeno é tão banal que quase se poderia dizer ser uma característica dos homens de bom coração, que são óptimos maridos, perfeitos em tudo...menos na escolha das amizades. Não falo dos mulherengos, mas dos que se deixam influenciar para o mal por amigos da onça ou pessoas com quem convivem apenas profissional ou socialmente - e às quais permitem excessiva familiaridade.


Pelos vastos exemplos que me tem sido dado ver, cavalheiros assim (mesmo quando têm personalidade forte e pulso firme noutras coisas) pecam por excesso de generosidade, gostam de agradar ao vulgo, de ser populares, de ajudar...e têm uma dificuldade danada em estabelecer limites, em tomar partidos e em dizer não. Mais facilmente prejudicam as pessoas muito chegadas - a namorada/mulher, os filhos - e os próprios negócios do que ofendem um amigalhaço ou um conhecido. Mesmo que esteja na cara que esse amigo ou conhecido metediço (ou um grupo de metediços; geralmente eles andam em quadrilha) é um interesseiro de marca maior.


Claro que tal como o mel atrai as moscas, um homem bem sucedido - pior ainda se for bom serás com tendência a bon vivant e um bocadinho machista, achando que sabe tudo - é magnético para gente assim, em busca de jeitos, de favores, de posição social ou simplesmente de festas, almoços e jantares à borla.

 Essas pessoas importunas causam diversos problemas: influenciar o homem em causa a desleixar os seus deveres familiares, a gastar o que tem e não tem;  aparecer sem convite estragando momentos em família; convencê-lo a fazer criancices (como frequentar lugares inapropriados às suas responsabilidades); intrometer-se em assuntos privados ou dar conselhos que ninguém pediu, fazendo-se muito íntimos e indispensáveis; e mesmo causar intrigas ou zaragatas entre o casal. Isto porque geralmente a cara metade vê perfeitamente as más intenções e não lhes mostra muito boa vontade, tornando-se um alvo a abater.

                          

 Há sempre um amigo farrista que não gosta que lhe estraguem a festa, um outro que acha que o líder da entourage era mas era bom para a sua irmã solteirona e uma amiga intrometida que vem por arrasto e tem uma paixoneta de infância por ele. E começam os argumentos, a puxar-lhe pelos brios: "mas tu deixas que a tua mulher mande em ti e diga onde vais ou não vais?", "a tua namorada é uma antipática", etc, etc.

Claro que nenhuma mulher pode competir com bajuladores - são eles a cobri-lo de elogios, a dar-lhe graxa, a dizer que sim a tudo e ela a barafustar, a ralhar e a dizer que não pode ser...eis um caso em que só há dois remédios: mandá-lo à fava ou...se esse é o único defeito que ele tem, ser diplomática e deixar que ele aprenda à sua própria custa.

 Na minha família houve um caso assim, nos anos 1950. Era um casal lindíssimo, casado há pouco tempo e com dois filhos pequenos. Ele tinha uma carreira em ascenção, era um marido impecável e só pecava mesmo por ter amigos estarolas. Como era o mais bem sucedido do grupo e tinha um belo carrão, os malandros não lhe largavam a porta. Resultado, o amigo levava a seita do Mau Mau a passear e a esposa e os pequenos ficavam em casa. Depois, não havia paz com A, B ou C a aparecer a toda a hora para o arrastar à estroinice e a dar bitaites. A mulher, sabendo que refilar não valia de nada pois ficava ela no papel de má da fita, ia rezando para se livrar daquelas carraças.


  Não sei que santo a terá ouvido, mas o caso teve um desfecho trágico-cómico: numa das noites de estúrdia, o bólide despistou-se por uma ladeira abaixo. Os malucos - como que a confirmar que o Céu protege os tolos - não sofreram quase nada, mas o carro foi para a sucata e o condutor ficou bastante maltratado. Um mês em repouso absoluto e dos "amigos", nem sinal! Nem um apareceu para saber se ele precisava de alguma coisa.

 Agora que já não havia boleias nem festa de graça, o grande amigo já não lhes convinha...e o marido teve de dar razão à mulher.

Claro que assim que ele recuperou - e comprou um carro novo - os penduras apareceram como que por magia. Mas aí, humilhado com a atitude da comandita, era o próprio que dizia à esposa  "vai lá livrar-te deles por mim!". 














Os 7 pecados da Fast Fashion



É inegável que a explosão das cadeias de fast fashion trouxe benefícios - variedade a preços acessíveis e um acompanhamento em tempo real das tendências (que permite usar ou testar a "novidade do momento" sem gastar muito). Além disso, como temos visto, algumas marcas evoluíram em termos de qualidade.

Comprar certos básicos ou fantasias nas cadeias high street não só é divertido como  tem vantagens até para quem prefere e pode investir em peças de designer: desconstrói um look demasiado certinho, nouveau riche ou previsível e contribui para o tão cobiçado "effortless style" das Kates e Caras deste mundo.

E por fim, como já foi dito, há certas coisas simples ou passageiras em que não vale mesmo a pena esbanjar. A chave está no equilíbrio e no smart shopping.

   Porém, para tirar partido das Zaras e H&M da vida, há que fugir de 7 transgressões:

1- Tentação
  É normal (principalmente em época de saldos) entrar numa Zara (à procura do vestidinho que estava no lookbook) ou na Primark (para comprar aqueles tops básicos 100% algodão ou calças de Yoga ao preço da chuva) e ficar tentada com as peças coloridas e baratíssimas no expositor ao lado. Afinal, que mal tem gastar uns trocos insignificantes?
 O remédio é respirar fundo e ver a composição na etiqueta. Se o material for fraco, faz mal sim senhor: essa peça nunca vai ter o ar certo e lá porque foi barata, não tem de o gritar aos quatro ventos, além de ocupar espaço precioso no guarda roupa. Se for razoável, experimente - pode tratar-se de um achado. Mas pense que quando dá por si gastou cem euros. Se visitar três lojas e fizer o mesmo, aí tem o preço de uns sapatos de qualidade. 

2- Edições especiais

Ainda guardo com muito carinho algumas peças das primeiras edições de designer convidado da H&M: eram lindas, bem executadas e tínhamos a sensação de estar a comprar um pouco de magia por meia dúzia de tostões. Depois o fenómeno banalizou-se; não deixou de ser interessante mas os preços subiram e a qualidade desceu. Duzentos euros por uma peça de fast fashion não é carne nem é peixe, não importa a assinatura: o material e a execução não se comparam. Por pouco mais, nem que seja em outlet ou saldo, pode comprar algo realmente luxuoso, de qualidade superior... com a vantagem de não ver trinta pessoas com a mesma peça e de não passar pela tortura das filas e empurrões, que são a antítese do luxo. Se é fast fashion é para ser baratinho, ponto final.

3 - Calçado e marroquinaria

Este é sempre o aspecto 
que geralmente compensa um investimento maior e o calcanhar de Aquiles nestas marcas. Mind you, há coisas compensadoras em pele na Zara a nível de sapatos (para não falar nas lojas mais mid-range da Inditex, Uterqüe e Massimo Dutti) e calçado de festa em cetim aceitável em sítios como a Parfois ou a Mary Paz (sejamos honestas: sapatos de cetim são sempre frágeis. De Zara a Prada, desde que o molde seja estável, não há uma diferença abismal dos mais exclusivos para os mais modestos). Mas também há muitos sapatos pesados, mal desenhados ou de material inferior em algumas cadeias, para não falar nas carteiras. Modere-se o entusiasmo (faça as contas ao que poderia comprar se investe com muita frequência em pares a cinquenta euros) e não aceite nada que pareça duvidoso só porque é engraçadinho.


4- Vigilância
Acompanhar a par e passo (e fazer wishlists...e partilhá-las no blog ou redes sociais...) cada novidade dos lookbooks destas marcas pode ser mau para a ansiedade, para o guarda roupa e para a carteira. Primeiro, porque o barato sai caro: como foi dito atrás, os meios empregues em frequentes compras "acessíveis" ao preço de colecção podiam ser canalizados para aquisições que vai usar para sempre. A partir de certa altura da vida, convém ter algumas coisas de melhor qualidade no armário. É um sinal de maturidade de estilo, além de saber bem usar algo mais exclusivo uma vez por outra. Segundo, porque é impossível (e desnecessário) acompanhar o ritmo dos constantes lançamentos. Vai haver sempre alguma coisa que lhe parece mais interessante do que aquelas que já comprou. Para contornar isso, é bom prestar atenção apenas ao tipo de peças que colecciona (pessoalmente não resisto a um sheath dress bonito, seja de que marca for) ou de que realmente precisa. Outra dica é, se algo lhe interessar, experimentar logo: por vezes é uma desilusão.

5 - Casacos
Não quero dizer que não apareçam bons agasalhos destas marcas - um dos meus anoraks preferidos é um da Zara, encarnado, que para ali anda desde o liceu  fartinho de ser usado mas tão impecável como no primeiro dia em que o trouxe e não fica a dever nada a outros colegas com mais pedigree. Mas foi uma sorte: muitas vezes, não compensa comprá-los antes dos saldos. Atenção também ao corte (alguns só parecem bem no manequim) ao material exterior (muitos tendem a ganhar borboto) e ao forro (se um casaco está barato e é de lã, pode ser boa ideia mandar-lhe trocar o forro sintético por um natural e mais durável). Em todo o caso, um sobretudo é um investimento sério e mais vale ter um bom do que três medianos, por isso pense bem.

6 - Costuras
Isto já é mais raro acontecer, mas por vezes há desgostos - especialmente em certos vestidos. Claro que não se espera uma qualidade de griffe, mas ninguém quer andar na rua com a saia descosida de alto a baixo ou com botões a saltar!
 Verifique bem estes aspectos antes de sair da loja - principalmente em outlets. 

7 -Destempero

Em tudo é preciso equilíbrio: ponderar se as compras periódicas nestas lojas estão a acrescentar algo de bom ao seu visual ou pelo contrário, se ter demasiada quantidade lhe está a atrapalhar o estilo e a arrumação. Se não se sente culpada quando sai do centro comercial, óptimo: está a usar a fast fashion a seu favor. Caso contrário, pode estar a cair num vício de estilo. Para o remediar, uma boa técnica é pensar nas peças de que realmente necessita (uma carteira boa, uma gabardina clássica) ou em compras mais luxuosas que gostaria de fazer, e elaborar uma lista. Mantenha-a presente e passe a poupar para esses artigos - ou a procurar uma forma de os adquirir com um bom desconto.











Wednesday, February 18, 2015

Ave Sissi Petrónia, a Censora.




O meu caro irmão faz a devida honra à sua costela da Terra da Bota: se o assunto dos Borgias ou relacionado aparece à mesa é um desatino para mudarmos de tema e consegue superar-me na paixão pela Roma Antiga. Por vontade dele vivia na Cidade Eterna num dolce far niente. Mas também é das pessoas que melhor me analisa (e um conselheiro infalível no quesito decoro no traje feminino, como já vos contei).

De modo que esta semana fica a olhar para mim muito sério e depois de dizer, como de costume, que sou uma valente coca bichinhos e uma chata - fraternité oblige - atira-me que posto isso, o cargo que estava mesmo a calhar para mim, vivesse eu na Roma Antiga (e fosse homem, mas sabe-se lá) era o de Censor.


O posto de Censor Romano era o mais elevado a que  se podia aspirar (nada mau!): uma mistura entre arbiter elegantiarium como o grande Gaius Petronius, e responsável pela moral pública/bons costumes da terra. Mas um Censor fazia mais do que zelar pelo bom ar, elegância e modéstia da população (trabalhinho facilitado porque não havia leggings nem lycras):  tinha tarefas  pesadas, como o recenseamento dos cidadãos com base na sua riqueza e a orientação das construções públicas (ou seja, ordenava que se demolissem as baiucas e proibia a edificação de mamarrachos, algo que me agradaria bastante). 

Vendo bem, já tive empregos piores e incumbências mais maçadoras. É uma pena que actualmente quem governa se esteja perfeitamente nas tintas para tudo o que se relaciona com costumes, modas e elegâncias, logo não precisa de árbitros para nada disso. 

Não sei como se acederia a tal tachinho, mas Ave Sissi Censora, salvo seja, soa-me sofrível...

Por outro lado, o stress do poder e o perigo constante de morrer intrigada, envenenada ou convidada a abrir as próprias veias, que invejosos não faltavam em casos desses, era capaz de me deixar com os nervos em franja. Lá dizia Shakespeare, a cabeça que traz a coroa (nem que seja de louros) nunca está segura.






Madame Alix André dixit: falsa felicidade


"- Mas...eu sou feliz!
- Não. Tens uma vida sossegada, o que é diferente; mas mesmo isso pode um dia modificar-se..."

A estabilidade, a segurança, a tranquilidade e a paz doméstica são grandes bens e um  contributo importante para a felicidade. A nossa geração, se almeja a uma estabilidade material e familiar cada vez mais difícil de obter - pelo menos no nosso País, infelizmente - tem, por outro lado, relações cada vez mais flutuantes e superficiais.

No entanto a segurança, o sossego, não podem ser o objectivo supremo. Vejo muita gente que (muitas vezes, depois de um percurso acidentado) procura a todo o custo e à pressa estabelecer-se, assentar. É verdade que crescer significa - e deve significar- tudo isso. Mas estabilidade não é garantia de felicidade automática. Se a estabilidade não vier acompanhada da paixão e do entusiasmo que nos fazem vibrar por dentro e dar graças a cada dia, não passa de uma gaiola que nem dourada é...

 As mulheres muito modernas, os rapazes namoradeiros, lembram-se de um momento para o outro que não querem estar sozinhos e que os pais pedem netos- e começam a procurar com quem juntar os trapos com a mesma pressa e a mesma irreflexão que pouco antes, dedicavam às suas colecções de conquistas. O colega, a ex namorada de há não sei quantos anos, tudo quanto esteja à mão serve para uma ilusão de "amor". Há imensos que se contentam então com relacionamentos desprovidos de chama e de verdadeira atracção, quanto mais de comunhão profunda de almas e partilha de valores...depois tornam-se maçadores e correm o risco de ter filhos assim, o que é deprimente...

 Outros, querendo responsabilizar-se à força, deixam-se ficar numa carreira que odeiam, envelhecendo prematuramente, finando-se na flor da idade. Seria ridículo se toda a gente persistisse no sonho adolescente de ser uma estrela de rock ou um atleta famoso, mas não é necessário matar tudo o que nos apaixona, perder a última faísca de espírito, de rebeldia.

 Neste mundo nada é garantido -a estabilidade forçada custa tanto a obter como a verdadeira felicidade e é igualmente frágil. De um momento para o outro tudo pode desmoronar-se. Não sabemos sequer quem cá estará amanhã. E se é para lutar por alguma coisa, que seja por aquilo que nos faz sentir vivos, 




Tuesday, February 17, 2015

Amanhã começa a Quaresma, e...


...é curioso que calhe ter de fazer algo mortalmente aborrecido, daquelas coisas que não apetecem nem um bocadinho, em suma, uma pequena Penitência. Enfim, se na Quarta Feira de Cinzas sucedesse algo muito divertido seria no mínimo inapropriado...

 Isto de contar cada maçada que nos sucede como purificação dos nossos disparates ajuda muito a levar o dia a dia com outro humor. Se nos acharmos com direito a tudo tendemos a vitimizar-nos; cada pequena contrariedade é um rosário de lamúrias... ai que mal fiz eu, que injustiça, ai, isto só a mim, tanta gente má por este mundo fora e a mim, coitadinha (o) de mim é que me acontecem dissabores destes. Mas se pelo contrário, nos mentalizarmos de que não somos assim tão especiais, tão boas pessoas, tão santinhos como isso, que podemos e devemos aperfeiçoar-nos; se pensarmos, face às frustrações e fretes do quotidiano "olha! Mais uma provaçãozita que é para me livrar da poluição do passado!"...sempre há outro sentido para os momentos "só a mim, só a mim, só a mim".

 O "eu quero, mereço, posso e mando" tão popular nos livros baratos de auto ajuda que por aí andam, não explica nada disto.


O cúmulo do Carnaval (maldade foliona do dia)


O cúmulo é termos hoje uma ventania de tal ordem que, dizia há pouco o noticiário, está a levar os bonecos e enfeites dos carros alegóricos pelos ares.

Não se pode parar em lado nenhum e já começo a pôr em causa se me mascaro ou não daqui a bocado.

A continuar assim quem se vestiu de fada, anjinho, diabinho, passaroco, super homem ou qualquer coisa com asas ou capas ainda acaba por dar-lhes uso e vai ser um rebuliço com gigantones tontos a levar tudo à frente, cabeçudos a chocar uns contra os outros, caretos a chocalhar por ali fora, as meninas das escolas de samba com todas aquelas plumas a levantar voo como papagaios depenados, o povo todo a fugir como se estivera o céu a desabar e um cair  de máscaras literal e generalizado. Não me levem a mal, que eu adoro o Carnaval e até sou bastante foliona, mas acho divertidíssimo que o clima seja sempre o maior folião de todos.

Vou deixar-vos uma musiquinha inspiradora pelo sim pelo não, ponho é as minhas dúvidas se este Mardi Gras vai sair coisa que se veja...


Monday, February 16, 2015

Dica de 1960: não espicaçar o amado com ciúmes

Imagem da mesma revista (Verão de 1960)

 "É frequente que uma mulher (...) longe do marido ou do noivo [seja] alvo das atenções dos outros homens. Ora, isso pode não passar de um sucesso inocente que é necessário saber apreciar mas que não deve subir à cabeça de ninguém. Se um homem, numa reunião de amigos, tiver feito a corte a uma rapariga, nunca ela se deverá gabar do facto junto daquele que ama porque o ciúme que poderá provocar está longe de ser um processo para se fazer amar com mais intensidade. A ternura e a confiança serão muito mais apreciadas".

In Crónica Feminina, 1960


O monstro de olhos verdes, quando exagerado, é sempre mau, e no masculino pior um pouco.

 Já em doses moderadas, o ciúme deles é bem vindo... um cavalheiro que não é zeloso, das duas três: ou não está apaixonado, ou lhe falta brio (leia-se - é um paspalho) ou sofre de alguma esquisitice que não seria decente explicar.

É o triste caso de muitos rapazes e homens que não se importam de passear as namoradas ou mulheres em semi- trajes que chamam a atenção pelos piores motivos; talvez por se sentirem muito modernos, parecem mesmo achar graça (ou acobardar-se, nem sei) perante as investidas e a troça alheia. Só quando os maus resultados batem à porta é que se lamentam. Exemplos desses levantariam muitas questões já analisadas por aqui, mas chamemos-lhe apenas falta de respeito próprio e pela cara metade, de parte a parte - e encerremos a questão concluindo que casais assim se merecem.



  Agora, em todos os outros casos: uma mulher sensata deve usar ou não a arma do ciúme para espicaçar a paixão da cara metade? Eu diria que o ciúme saudável, normal, nasce espontaneamente, como consequência dos factos. Se uma mulher é atraente e faz por se manter bonita, se veste com feminilidade e bom gosto, se sabe estar, se tem uma rotina ocupada e um mínimo de vida social... é natural que os olhares masculinos se voltem para ela onde quer que esteja e que receba atenções.

 É mais difícil, portanto, que o noivo ou marido se dê ao luxo de andar "distraído". Os elogios que a mulher atrai, se se reflectem bem nele, também lhe acicatam o sentido territorial. 

Eça de Queiroz dizia, n´Os Maias, que o amor se mantém vivo mais facilmente na vida buliçosa da cidade, onde um casal bonito pode entreter-se com mil distracções e despertar a admiração de terceiros, do que escondido na quietude do campo onde não se vê vivalma...



Porém, há que ter atenção ao sensível orgulho masculino e à confiança conjugal, que deve ser à prova de bala. Uma coisa é a admiração automática que uma mulher, mesmo discreta, atrai sendo bonita, e as homenagens sociais que vêm com isso. Outra é a resposta que se lhe dá; e nisso muitas, mesmo as que não se deixam levar pelo defeito da vaidade ou da leviandade, podem pecar por distracção, ingenuidade ou timidez. Ou por não detectar de imediato a malícia onde ela existe, ou por ficar sem jeito, ou por julgar que actualmente uma mulher sabe muito bem defender-se sozinha, logo é capaz de colocar no lugar quem toma excessivas liberdades sem ter sido encorajado a tal - e não faltam pessoas aparentemente respeitáveis que não precisam de encorajamento

 Ora, essas atenções não só lesam a dignidade de quem as recebe como podem ferir os sentimentos da cara metade- tanto na sua confiança, como no ego. E se o "pretendente" fizer parte do mesmo círculo social e ousar cortejar a mulher em causa nas barbas do parceiro, pior se torna. Para uma menina ou senhora pode não parecer grave, para um cavalheiro é fazer dele parvo. 

Logo, há que rechaçar tais "cortesias" e não as esconder do companheiro, mas tão pouco gabar-se disso...fazer-lhe queixa ainda é a saída mais honesta. Fica salva a sua sinceridade, e o ciúme...esse é inevitável, para o bem e para o mal.









Sunday, February 15, 2015

But that's not the shape of my heart


Sempre adorei esta canção de Sting (mesmo na versão das Sugababes, que tinha um vídeo lindíssimo, e na adaptação de Craig David, que a cantou com o próprio Sting). Embora a letra seja algo enigmática, é mais ou menos consensual que fala de um homem (ou alguém) que apesar de sentir intensamente, tem dificuldade em expressar as suas emoções - ou que simplesmente, escolhe uma forma mais subtil de estar. 

Nos dias que correm - em que é suposto expor relações, sentimentos, fraquezas, lágrimas, defeitos, ódios de estimação, lamúrias, necessidades, fracassos - é normal que as pessoas mais discretas, tradicionais ou introspectivas sintam vontade de dizer ao mundo, espantadas e contrariadas "mas eu não sou assim! that's not the shape of my heart!". 

 E o mesmo sucede a quem não encara os relacionamentos como algo flexível e descartável, que se propõe a todos os heroísmos por um amor à moda antiga; a quem é altivo (o que nada tem a ver com arrogância) e não gosta de ser óbvio; a quem chama a si mais deveres do que direitos e espera o mesmo dos outros; ou em suma, a quem não abre mão dos seus valores e princípios em nome de ser "open minded" como manda o figurino. Num mundo em que a rebeldia, a lamechice e a transgressão se tornaram obrigatórias, o cinismo de um Oscar Wilde continua a ser um remédio surpreendentemente actual; e quase se pode dizer que a verdadeira rebeldia está em ser-se conservador, em fazer tudo ao contrário (nem que isso seja uma morte social) para conservar um bocadinho de si mesmo e da educação que lhe deram.

 Ninguém se devia envergonhar de não ir com as modas e as conveniências, ainda que estas apareçam hipocritamente baptizadas com nomes fofinhos como a falsa tolerância ou uma mente aberta (onde cabe tudo o que lhe queiram pôr). Se essa não é a forma do nosso coração, seria uma tortura limá-lo, cortar-lhe as arestas e amachucá-lo para que ele caiba no formato que está na berra. Como dizia Chesterton, "right is right even if nobody does it". Ou citando a minha  professora da primária, "se os outros se atirarem a um poço, também te atiras?".






Dicas para um visual mais luxuoso...sem gastar uma fortuna (parte II)

 Aimée de Heeren
Tal como prometido, aqui fica a continuação da parte I das nossas dicas para ficar janotíssima sem muito esforço nem gastos astronómicos:


5 - Postura impecável
Uma postura perfeita e um andar gracioso são meio caminho andado para uma figura agradável, independentemente do tamanho que se veste. A única mulher que consegue corcovar e ser considerada elegante, que me lembre, é Anna Dello Russo, mas ela é uma original. Quanto a balançar as ancas e 
bambolear-se, nem pensar nisso é bom: vulgariza até a mulher mais bem parecida. As velhas regras de manter os abdominais contraídos, costas direitas, ombros relaxados, a cabeça erguida como se tentasse equilibrar um livro (quer tenha usado ou não esse truque em pequena, é sempre bom treinar) ancas para a frente e apoiar os pés primeiro no calcanhar (e não nos dedos) enquanto caminha jamais passarão de moda. Isto é um exercício diário, e convém que o seja de modo a sair naturalmente - mas vejo muitas mulheres que só se lembram de o pôr em prática em dias especiais. Erro crasso, até porque a prática ajuda a caminhar correctamente de saltos altos.

6- A elegância da figura

A elegância não depende tanto de ser mais gorda ou mais magra, porque afinal vem de dentro; mal estaríamos se uma mulher perdesse a elegância quando engorda temporariamente por motivos de doença ou gravidez, por exemplo. Pode ser-se bonita, chic e cativante em vários tamanhos desde que se saiba tirar partido da própria silhueta. Porém, se for realmente demasiado rechonchuda terá mais dificuldades não só para comprar e usar as toilettes que lhe agradam mas também para ter a postura ideal mencionada acima. Mesmo que goste de se ver mais cheiinha, algo que agora até está na moda, não convém ter gordurinhas e altos a sobrar sob a roupa (nisto, a roupa interior adequada ajuda muito). O truque está na força de vontade e em descobrir a alimentação e o tipo de exercício que funcionam para si, porque não há duas pessoas iguais. No entanto, são mais aconselháveis as actividades físicas tradicionalmente recomendadas para mulheres - que esculpem, adelgaçam e trabalham tanto os abdominais como as costas, o que ajuda a um andar perfeito.

7 - Simplicity is key

Peças de linhas simples e clássicas, cores básicas e padrões simples parecem sempre mais dispendiosas. Quando são baratas, porque disfarçam melhor qualquer erro no fabrico ou um material inferior; quando de facto são caras, melhor parecem pela intemporalidade. Se faz mesmo questão de acrescentar alguma fantasia ao look, é melhor consegui-lo através de uma carteira de tecido colorida, um bâton vibrante, um lenço garrido ou uma t-shirt engraçada.

8 - Bon Chic Bon Genre


Esta velha expressão, que se referia à boa estirpe de dinheiro velho, também se pode aplicar à roupa, acessórios e calçado. Sobre isso já muito foi dito por aqui: mesmo nas marcas de fast fashion é possível encontrar tecidos e materiais com alguma qualidade.  Os melhores são naturais e consistentes, sem o inestético brilho e viscosidade característicos das coisas "baratas". É uma questão de conhecimento e de exercitar a sensibilidade, porque mesmo a roupa mais bem executada não funcionará num mau tecido. A qualidade do corte e da modelagem é igualmente importante. Não é preciso ser especialista na matéria: se blusa ou vinca onde não deve, se é desconfortável e parece estranho, dificilmente terá remédio. 
 De qualquer modo, um vestido de algodão modesto pode fazer boa figura, mas dificilmente se dirá o mesmo de uma carteira de PCV ou uns sapatos de PU - principalmente se forem extravagantes. Calçado e marroquinaria são compras em que se deve investir com mais critério. Se se apaixonou por uns sapatos/carteira baratinhos ou o seu orçamento obriga a fazer uma compra mais económica, fique-se pelos modelos simples em tecido (cetim, veludo, pele de pêssego a imitar camurça). Aplicações malfeitas e pele falsa notam-se a milhas...

9 - Muito barato, muito caro

Peças de griffe têm, por obrigação, outro acabamento e são feitas de forma primorosa com os melhores materiais. Quem está acostumada a vestir roupa de designer dificilmente se entusiasma tanto com as constantes novidades high street. Dito isto, também é verdade que uma etiqueta com muitos zeros, por si mesma,  não garante nada: o que não falta por aí são milionárias mal vestidas. Em alguns casos, usar "só marcas de luxo" pode tornar-se um vício de estilo limitativo, parecer forçado ou pior: cair na ostentação, que é sempre deselegante. Por outro lado, se um guarda roupa tem mais quantidade que qualidade, pode realmente ficar com um ar duvidoso. Os extremos são sempre de evitar e pessoas de gosto (que sabem distinguir uma peça aceitável de uma péssima) encontram tesouros nas mais variadas fontes. Quem não dispõe de recursos ilimitados mas procura dar um upgrade mais dispendioso ao seu roupeiro tem de pensar como uma smart shopper e dominar a arte do hi-lo fashion. Actualmente qualquer fashionista com orçamento controlado tem à disposição recursos como o e-commerce de luxo (que muitas vezes tem saldos fantásticos) os outlets, as sample sales, o Ebay e as lojas vintage para as suas pequenas extravagâncias. 

10 - No Inverno, um bom casaco

Muita gente não se apercebe da importância do outerwear, mas um bom agasalho pode fazer um visual - e um mau, arruiná-lo. Vejo imensas mulheres bonitas, bem vestidas, maquilhadas e penteadas...e com um casaquito de adolescente que estraga tudo. Tal como os sapatos e a carteira, o sobretudo, canadiana e/ou gabardina está no top dos investimentos mais importantes. Se um Max Mara clássico ou afins não está ao alcance de momento, poderá
 pensar-se, por exemplo, num bonito modelo vintage em pele, de preferência forrado. Por vezes encontram-se baratíssimos e devidamente adaptados, ficam uma elegância (além de durarem para sempre). Mas qualquer casaco 100% lã bem modelado poderá funcionar razoavelmente, desde que favoreça a silhueta.

11 - A tríade do Poder

Roupa que não se adapta ao corpo de quem veste pode parecer barata, por mais cara que seja; sapatos maltratados (ou com tiras descaídas e outros defeitos de fabrico) comprometem o look mais bonito; e peças enrugadas, desbotadas ou com borbotos nunca terão bom aspecto. Torne a costureira, o sapateiro e a senhora da lavandaria os seus melhores amigos. Eles - e a sua máquina a vapor para todas as eventualidades - devem ser tão importantes como o ginásio.


12 - Cuidado com as imitações...e a vulgaridade

Tudo o que é espampanante, demasiado curto/ justo/sexy/ vistoso/desleixado nunca poderá ser elegante, porque remete de imediato para cenários menos...sofisticados ou seguros. Se desperta dúvidas, é porque é duvidoso. O mesmo vale, escusado será dizer, para peças contrafeitas: nada "embaratece" tão rapidamente uma toilette. É preferível uma carteira invulgar de cabedal envelhecido, sem marca, a uma falsificação. Por muito bem feita que pareça, não terá a mesma qualidade e ainda que ninguém mais note, quem a usa sabe que está a cometer uma impostura...o que compromete sempre a confiança!



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