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Saturday, April 4, 2015

Uma boa mulher


"Fui um imbecil por ter dado atenção às pedrinhas vulgares, 
quando tinha em casa tão gloriosa jade"

 (Chi-Men a Madame Lua, em Jing-Ping-Mei)


Recentemente, conversava -se sobre a tristeza que são aqueles homens que, tendo a seu lado uma mulher bonita e dedicada, "deitam tudo a perder por uma maluca qualquer". 

Tenho visto casos sem conta... e raros são aqueles que não se arrependem amargamente desse mau passo, na maioria sem remédio. Ora porque tentam voltar atrás e encontram a porta fechada, ora porque dão por si presos a uma pessoa de moral duvidosa, cujas qualidades raramente igualam as da antecessora. Passado o primeiro entusiasmo da bajulação, do secretismo e da novidade, a femme fatale (que nos exemplos que me foi dado ver, nem sequer costuma ser uma beleza como nos filmes - por vezes, o seu único atractivo é a vulgaridade e o facto de estar tão disponível) 

revela-se quase sempre um simples ser humano, com defeitos como qualquer mulher e mais alguns...

Afinal, raramente uma pessoa pode ser cheia de ética e integridade num dia, e andar por aí deliberadamente a destruir lares (quem diz lares, diz compromissos e noivados alheios) no outro. Quem o faz sofre, no mínimo, de uma certa fragilidade, de um egoísmo infantil, de baixa auto estima, e/ou move-se por interesse - tudo características que dificilmente contribuem para a felicidade conjugal a longo prazo. Alguns caem no laço de uma interesseira bonitinha (ou grosseirota, mas provocante). Porém, até isso - pela natureza preguiçosa deste tipo de mulheres - tende a desaparecer logo que se acham minimamente estabelecidas e pensam que já não precisam de agradar. 

 O encantamento dura pouco, e é então que muitos lamentam terem desprezado a boa mulher que tinham, na sua leviandade de eternos rapazes. Claro são sempre precisos dois para dançar o tango e que qualquer relação é sujeita a problemas, mas se uma namorada, noiva ou esposa não se desleixou na sua aparência, foi atenciosa e tolerante, cumpriu os seus deveres - a que mais se pode atribuir tão imperdoável falha, se não à cabeça leve?




 Pois volto a dizer - bem se lamentam eles, com argumentos que parecem, sem tirar nem pôr, saídos de uma cantiguinha do Bruno Mars: boas mulheres não nascem por aí nas árvores, nem caem do céu aos trambolhões; quem as tem, que as estime.

Qualquer mulher, quanto mais não seja porque a palavra se banalizou, sabe jurar que ama quando um cavalheiro é carinhoso e lhe demonstra adoração: difícil é continuar a dizê-lo (e mais importante, senti-lo e agir de acordo) quando ele mostra a parte menos bela da sua personalidade.  Sofrer-lhe as impaciências, tolerar-lhe os caprichos, ser paciente e apesar desse cansativo teste que dura anos, desse trabalho que é gostar verdadeiramente de alguém, a devoção não esmorecer.


É simples elogiar quando tudo parece lindo: afinal, todos eles se portam bem nas primeiras fases. Aparecem sempre no seu melhor. Cobrem "o alvo" de atenções. Continuar a achá-lo o homem mais atraente à face da terra mesmo quando ele está doente/embirrento/fora de forma, isso já é tarefa para o amor verdadeiro de uma boa mulher.

                                                   


 É fácil parecer razoavelmente atraente na primeira juventude, ou quando se sai vestida para matar, com o barulho das luzes: mas a verdadeira beleza física depende mais de traços finos do que de muita pele exposta; requer boa genética e acima de tudo, muita disciplina. Uma boa mulher é sempre disciplinada, capaz de manter a sua figura e encanto apesar dos anos, das tarefas, dos filhos e das arrelias quotidianas. 


 Não custa nada vestir como uma ave vistosa, nem produzir-se para sair uma vez por outra, principalmente na fase de Lua de Mel; mais ainda, quando um homem é generoso na ânsia de fazer boa figura e a rapariga tonta, no seu deslumbramento, age como a Julia Roberts em Pretty Woman. 


Mas a elegância de uma boa mulher não depende tanto dos meios, não está sequer refém do amor da cara metade. Uma boa mulher não é frívola nem garrida, por muito que aprecie roupas requintadas e de qualidade. É capaz de fazer filhoses de água, de compor um belo guarda roupa, de cuidar de si própria sozinha e de estar sempre impecável ainda que não disponha de um grande orçamento. Certos homens pasmam com as contas de cabeleireiros, manicuras, personal trainers, etc das senhoras que se seguem, tão imaculadas pareciam as primeiras sem precisar de tal entourage.


É fácil demonstrar boa disposição e encher de carinhos um homem quando ele se desfaz em mimos, jantares à luz das velas e presentes luxuosos - complicado é continuar a agir assim, a admirá-lo e a respeitá-lo,  quando o dinheiro acaba,quando o glamour se vai, quando o status social se desmorona, quando se deixa de ser a "mulher do Sr. Fulano de Tal" para ser a mulher daquele a quem tudo correu mal. Manter a fé nele, dar-lhe encorajamento, ser o ombro e o abrigo e ainda prestar atenção ao resto da família sem soçobrar, manter a serenidade quando todos entram em parafuso, sofrer sem amargura - ser fiel e corajosa, em suma - é um traço da boa mulher.

 Uma boa mulher não é perfeita, mas é forte por dentro, de uma força discreta. Não está livre de falhar, nem de reagir erradamente aos erros da pessoa a seu lado, mas procura ser superior a eles. Não se rege pelas ruins paixões do ego, da vaidade, do orgulho ou da ira.  Mais do que inteligente ou culta, é sensata e sábia, porque a sabedoria vem da virtude e a virtude não é um dado adquirido: procura-se todos os dias. 


 Mais raros do que os homens que têm a sorte bíblica de encontrar uma mulher virtuosa, só os que possuem as simples qualidades precisas para a conservar...





O meu irmão dixit #2: seitas de cosméticos


O meu querido irmão daria um blogger muito melhor do que eu. Além de escrever muito bem, entre os rasgos de bom senso e as tiradas acutilantes... é cada pérola!

Mas como se recusa terminantemente a tal coisa (mesmo a escrevinhar um "guest post" aqui no Imperatrix)  tenho de me contentar em reproduzir uma por outra. É pena porque ele seria uma bela contraparte minha, mas a falar de coisas como muscle cars. Imaginem uma versão masculina deste blog, atrevendo-se a bradar não contra as Bimbies, mas contra carrinhos de família super fashion (e ecológicos! e com mudanças automáticas!) do estilo Porsche Cayenne, esse sacrilégio que não faz sentido nenhum.

 Ou a dizer que o futebol, o desporto rei, é uma coisa com a mesma dignidade de compra e venda de gladiadores (já aqui vos falei das nossas intermináveis discussões sobre romanos, que desaguam em comparações dessas...). Tenho um Jeremy Clarckson em casa, em versão um bocadinho mais discreta.

  Se sei estas coisas dos snobismos de quatro rodas, que me deram muitíssimo jeito recentemente durante uma apresentação de carros de luxo onde devo ter sido das poucas marketeers de saias a saber de antemão quase tudo o que ia ser dito, a ele o devo, embora eu não torcesse o nariz a um Porsche Cayenne (é fácil de conduzir e alto o suficiente para eu ver o que se passa e estar fisicamente acima dos brutos que fazem ultrapassagens perigosas; o dandismo automóvel que se dane).

 Ora, está-se mesmo a ver que vendas agressivas, tipo seita dos colchões e dos batidos, são coisa que lhe fazem ferver o sangue tanto como a mim. 

E, maçadíssimo por ver tanta gente que até aqui era razoavelmente normal aderir a uma dessas marcas de cosméticos de venda directa hiper motivadoras, que põem os seus fiéis a bombardear incessantes frases de auto ajuda no Facebook acompanhadas das recompensas supremas para os que seguem e espalham a sua palavra, tudo feito com uma eloquência e devoção de deixar a um canto o mais agitado Pastor da América Profunda, sai-se com esta:


 «É que estes, em vez de investirem em publicidade e pontos de venda...investem em melgas! E depois fazem-lhes uma lavagem ao cérebro com frases do estilo "desistir é para os fracos!". Pois..."consegue o que tu queres"...a vender bâtons. »

Nem digo mais nada...


Friday, April 3, 2015

Inspiração feminina para este fim de semana



Jackie Kennedy
Nesta época que convida ao recolhimento, pensemos em feminilidade, discrição, sobriedade, graciosidade. Podemos ir buscar inspiração aos retratos de família e ver como as nossas avós viviam a quadra, tentando reproduzir a mesma ideia com um toque actual. Usar algo  especial e apropriado faz-nos sentir que não estamos num lugar qualquer, nem num dia qualquer. Obriga-nos a olhar para dentro, a resgatar a beleza da simplicidade,  a uma concentração serena... e confere dignidade à ocasião. Tirem-se do armário os bonitos vestidos, os elegantes tailleurs, as peças clássicas, os acessórios que nunca passarão de moda, as pérolas discretas. A Festa evoca a família, a tradição e a renovação interior...revisitemos pois o intemporal, para começar de novo. Votos de Páscoa Feliz a todas vós, queridas amigas.

A Princesa Grace e a sua neta e nora, Princesas Charlotte e Charlene

Eva Longoria
Jackie Kennedy e a sua irmã, Princesa Lee Radziwill

Vivien Leigh
Máxima dos Países Baixos e Letizia de Espanha (enquanto Princesas)

Madeleine Carroll


Thy will be done, e a nobre arte da Mea Culpa



É impressionante como a nossa época é agressiva, assertiva, do-it-yourself, egocêntrica. Basta reparar nos títulos de livros e revistas, dar uma olhadela aos social media ou estar atento às conversas na rua.

  Há um foco permanente no eu, não só por uma perspectiva de falso merecimento ou entitlement, mas num sentido de constante ambição (eu faço, eu posso, eu tenho, eu consigo, desistir é para os fracos, etc).

 Parece que as pessoas nunca descansam. 

Conquiste-o, rezam as revistas femininas...como se o amor fosse assim coisa que se fabricasse. Mude o comportamento dele! - Como se as pessoas fossem de plasticina ou pudessem ser manipuladas a transformar-se por amor a quem na realidade não amam lá muito (porque quem ama faz por agradar naturalmente, embora não haja pessoas perfeitas). 

Consiga o que merece! - sem convidar muitas vezes à auto-análise.

 É certo que nada se alcança sem esforço e sacrifício, e que se somos obrigados a viver em sociedade há que trabalhar a nossa forma de comunicar, a diplomacia - a arte de lidar com o nosso semelhante, em suma.

É claro que há muitos aspectos que dependem exclusivamente de nós - pelo trabalho e empenho, pelo jogo de cintura, pela nobre arte de sujar a camisola quando a causa é válida. É muito feio culpar o mundo pela nossa infelicidade quando se cometem os mesmos erros uma e outra vez.

E também é verdade que devemos procurar aperfeiçoar-nos diariamente, ser gentis connosco e condescendentes com os outros. Não há mal nenhum em dar a si mesmo um auto elogio, em dizer com os seus botões "eu sou capaz de fazer isto" e em aspirar à evolução. Nem em desejar "se ao menos X...corrigisse esse defeito, a nossa relação seria impecável".

  Mas parece-me que as pessoas são demasiado indulgentes consigo mesmas: acham-se todas o máximo, acham que merecem o melhor, acham que conseguem mudar tudo, inclusive os outros.

 Quando fazem a análise no sentido de "evoluir" é quase proibido pensar "ai que quantidade absurda de asneiras que fiz! O que para aqui vai! Fui arrogante, rancoroso, mauzinho, de cabeça leve...se calhar fui demasiado duro com fulano ou beltrano...às tantas a culpa também foi minha!". Tudo isso vai contra as correntes super optimistas e auto centradas do pensamento actual, que quase sufocam a voz da consciência.

 Por vezes, a nobre Arte da Mea Culpa é muito útil, já que os acontecimentos nunca partem de um lado só. E para isso não é preciso humilhar-se nem deprimir-se: basta dizer, até de forma bem humorada, "acho que estive mal; francamente, fui um bocadinho urso nessa situação". Quem diz urso, diz ursa, claro. Assumir que não se é perfeito é apanágio dos grandes; é sinal de honra e dignidade; nunca houve uma personagem importante que não cometesse um disparate ou mais.

 Depois, há a Nobre Arte do Thy Will be Done - porque nem tudo depende da nossa vontade. Às vezes não estamos no lugar certo, ou com a pessoa certa, ou no momento certo, ou ainda precisamos de comer muito sal para sermos dignos daquilo que achamos merecer, e há que ser humilde para encarar essa possibilidade. 

Volto a Maquiavel: há a virtude, que é aproveitar os ventos da Fortuna, e a  Fortuna, que não obedece a ninguém. Por vezes temos de aceitar e fazer o que podemos com o que nos é dado. Também isto anda fora de moda no zeitgeist do antropocentrismo exacerbado, porque exige capacidade de obediência (conotada hoje com fraqueza) e de resignação (muitas vezes confundida com indolência, porque agora a rebeldia, mesmo a rebeldia inútil, é que está na moda).

 Um belo "faço o que posso, conheço as minhas forças e fraquezas, e de resto seja o que Deus quiser" (ou a Sorte, para quem não acredita em outra coisa), uma mentalidade alea jacta est no que se refere a nós e de desculpar 70 vezes 7 em relação aos outros, não esperando demasiado deles, poupava muitas angústias, muitos ódios de estimação, muito ressentimento invejoso e muito sentimento de inadequação por aí. Um Mea culpazinho uma vez por outra, não custa nada...




Thursday, April 2, 2015

O que usar na Páscoa?

Vestidos Boss/ Karen Millen e coordenado, tudo no El Corte Inglés

Hoje, Quinta -Feira Santa e quase no fim da Quaresma, é de esperar que todas tenhamos planos feitos para a Páscoa. Mas como nem sempre é possível organizar a rotina como gostaríamos, haverá quem ainda não tenha decidido como se ataviar para um dia que, embora não tenha para muita gente a dimensão espiritual de outros tempos, continua pelo menos a representar uma certa formalidade em termos sociais.

 Mesmo quem não observa rigorosamente os preceitos da época poderá ver-se incluída em reuniões de família e é sempre de bom tom apresentar-se de forma adequada - mais ou menos festiva conforme o ambiente do evento em causa, mas de modo a não ofender a tia devota, a avozinha que tanto empenho põe em preparar a Visita Pascal, etc...

Convém igualmente dar um exemplo apropriado a familiares mais novas que estejam presentes, porque os bons hábitos adquirem-se mais por observação do que outra coisa.

Vestidos Purificación Garcia

 Afinal, há momentos para tudo e a Páscoa, embora seja uma ocasião alegre, pede o devido decoro. Sem querer entrar em detalhes que não são da minha especialidade (fontes de informação fiáveis não faltam, basta procurar) vejamos algumas sugestões que não custam nada a cumprir, para manter a devida elegância:


Slingbacks -  discretos  e confortáveis

- Antes da Páscoa e do Sábado Santo, a Sexta Feira de Paixão é um momento de reflexão profunda, por isso evite-se tudo o que seja extravagante ou garrido. Mesmo que se assista a uma Via Sacra na qualidade de turista, há que respeitar uma certa sobriedade. Se durante a Semana Santa vai acompanhar qualquer Procissão, ainda que o percurso seja curto, evitem-se os saltos muito altos ou instáveis: loafers, bailarinas ou slingbacks delicados com um pequeno tacão (não muito fino, porque os paralelos fazem das suas...) são sempre boas opções, até porque começa a fazer algum calor. Além de não ser bonito usar "sapatos para discoteca" em tais ocasiões, é muito desagradável 
magoar-se, atrasar os outros ou pior, cair para cima de uma pobre velhinha!


Vestidos H&M

- No Domingo de Páscoa já são bem vindos tons mais coloridos. As cerimónias religiosas, embora não haja uma regra explícita, são a ocasião perfeita para escolher saias e vestidos - até porque se conjugam com o bonito uso do véu em sinal de discrição e respeito, que começa lentamente a voltar a ver-se em algumas meninas e senhoras mais tradicionais. Em todo o caso, quem preferir calças, convém deixar de parte skinnies ou mesmo jeans:  um modelo folgado ou devidamente coberto por uma túnica, camiseiro ou blazer mais comprido, um fato bem cortado ou qualquer modelo clássico cairá bem sem dar nas vistas. 


Sheath dresses Karen Millen

- Mas nem todos os vestidos são apropriados: a melhor escolha serão modelos pouco decotados, com alguma estrutura (que são sempre um bocadinho mais formais) de comprimento 3/4 (o que não é tão fácil de encontrar como parece, já que terá de continuar a cobrir os joelhos quando se senta e ajoelha) e de preferência, com mangas até ao cotovelo. Se as mangas forem cavas ou curtas, poderá optar por usar um cardigan delicado ou blazer por cima enquanto estiver dentro da Igreja. Uma boa alternativa são as saias e blusas, tailleurs ou saia ampla e camisa ao estilo Carolina Herrera.

- Os modelos românticos e discretos  são sempre apropriados a esta solenidade Primaveril: é uma boa altura para pensar em saias rodadas ou linha A, estilo anos 50 ou New Look, padrões florais e alguma renda ou bordado inglês (de cores claras para o dia) mas uma saia lápis, se não revelar demasiado as formas (esqueça os modelos bandage!) poderá igualmente funcionar. Há muito quem opte por vestidos ou saias compridas, mas atenção: pessoalmente, acho que alguns têm um aspecto descontraído demais. Não convém usar na Igreja o mesmo que levaria para um festival de música...

   Feliz Páscoa e doces q.b!



As pessoas-maracujá, esses seres complicados


Aqui vos aviso, nunca se apaixonem por uma pessoa-maracujá - ou pior um pouco, por uma pessoa-tamarilho. Nem isso, nem contar grandemente com a amizade de uma alma de maracujá ou de tamarilho.

E perguntais vós, mesmo a ver que já aí vem outra associação que não  lembra ao tinhoso, o que vem a ser uma pessoa maracujá ou uma pessoa tamarilho?

Bom, são assim entes muito complicados e sensíveis: únicos e maravilhosos, mas com exigências que ninguém entende (como os maracujás) e picuinhas que se fartam (como os tamarilhos) obrigando os outros a andar em bicos de pés ou a desdobrarem-se para lhes agradar.

Não é que façam de propósito. Não é que sejam conscientemente egocêntricos e julguem que o mundo gira à sua volta (bom, talvez um bocadinho). É que não sabem sentir, pensar e funcionar de outra maneira, mas acham que todo o mundo tem obrigação de os entender...e de lhes antecipar os caprichos.

Ora isso complica tudo, mesmo que tenham a sorte de encontrar alguém que adora maracujás e toda a vida viveu com tamarilhos, logo compreende as suas particularidades melhor do que a restante população e reage instintivamente à sua maneira de ser. 

Ao início tudo corre bem e é um encantamento. A pessoa que adora maracujás pensa "finalmente, maracujá todos os dias. Um ser que condiz com a minha forma invulgar de estar na vida, com o meu coração sonhador e artístico" e o maracujá ou tamarilho diz " que maravilha! Alguém que me vê como sou, que me compreende e que não se enfurece comigo!".



 Mas a médio- longo prazo, como acontece em qualquer ligação humana, as coisas azedam um bocadinho:  um maracujá, achando-se tão especial, espera muitíssimo daqueles que ama e fica extremamente surpreendido e magoado quando alguém, sei lá, não repara que as suas folhas estão um milímetro mais expostas ao sol do que deviam. Ou pior, se a pessoa, farta das suas doideiras, dá uma volta pelo jardim para arejar a cabeça e conversa com um medronheiro, um chuchu ou um physalis, que apesar de também terem defeitos não passam a vida a fazer birras. 

Sente-se magoadíssimo e desata numa fúria, a largar as folhas, a fingir que morre, a atirar fruta, a dizer impropérios. E quando lhe ralham que isso não se faz/diz, estranha muito e ainda se ofende mais, bradando que os outros não são dignos dele, que só prestam para lidar com pereiras, macieiras e outras árvores vulgares, ou para plantar batatas.

Se uma pessoa-maracujá/ tamarilho faz um disparate que é óbvio para qualquer outra criatura pensante ou ultrapassa limites inultrapassáveis para qualquer outro mortal, espera que ninguém a leve a sério. Ou que lhe dêem o desconto pela milésima vez. Claro que se fosse ao contrário, a pessoa-maracujá nunca desculparia tais abusos. E mesmo que lhe provem por A+ B  que não teve uma atitude decente, fica assim a olhar, como se lhe tivessem dado grande novidade. Não percebe mesmo o que fez de mal, não porque não sinta empatia (que até sente) mas porque acha que é diferente, especial: eu sou um  maracujá, coitadinho de mim, eu posso, tu não, tens é de aprender a lidar comigo e cara alegre.

 Pessoas-maracujá são assim, ainda que possuam belas qualidades como a meiguice, a dedicação e a inteligência...e não há grande coisa a fazer a não ser demonstrar-lhe que maracujás até há muitos, mas pessoas com tolerância para os aturar não são assim tão comuns...






Wednesday, April 1, 2015

Malcriados com obrigação para mais - a explicação em forma de conto.


Há pessoas que são malcriadas porque enfim, coitadas, basta olhar para quem as educou para terem direito a desconto. Dessas não se espera muito, a não ser distância.

 Depois, existe a outra classe de malcriadões (e ressalvo - todos nós somos capazes de proceder assim uma vez por outra, mas há limites). Meninos e meninas que tiveram a mais esmerada educação mas escolhem não lhe dar ouvidos, abusando da velha regra "quem é super bem criado pode dar-se ao luxo de ignorar as regras de vez em quando". Sou toda pela ausência de afectação, sinceridade e modos desempenados, mas lá dizia Confúcio: franqueza sem delicadeza é grosseria...

 Quando encontro casos desses, só me lembra uma pergunta retórica - será que este ser foi mesmo educado em sua casa?

Mas é melhor ilustrar a ideia com uma parabolazinha.

 Em pequenas estas pessoas já eram reguilas que se fartavam, e um dia fintaram a vigilância dos adultos e fugiram para a carrinha do peixeiro que estava por perto. O homenzinho, que andava honestamente a tratar da sua vida, não deu por nada e lá os levou, entre as espinhas de peixe e as conchas de moluscos, para o Mercado da Ribeira ou do Bolhão (conforme a proveniência da criança malcriada, vá). 

 Lá chegados, o peixeiro largou as cestas sem reparar no "brinde"que deixava e abalou. Só mais tarde, quando as senhoras peixeiras iam tirar a mercadoria, é que viram o (a) infeliz e desataram num berreiro "ai que linda criancinha!", apesar de a criancinha não cheirar exactamente a água de colónia...



E no meio do rebuliço, ninguém se lembrou de indagar de onde tinha vindo tal anjinho: ainda apareceu um polícia mas o espalhafato era tanto que não percebeu patavina e o caso passou em branca nuvem.

 A criança foi adoptada, salvo seja porque ninguém tratou dos papéis, pela senhora Aninhas Peixeira, crescendo alegremente entre as escamas e tripas de faneca e aprendendo os modos que o ofício da sua mãe de criação exigia. Entretanto a família verdadeira procurava-a desesperada, temendo que tivesse caído a um poço ou coisa pior -  mas claro, nunca lhe ocorreria que tivesse ido parar a um local tão improvável. O tempo foi passando e quando a criança já sabia ler, amanhar peixe e dar trocos às freguesas que dava gosto, e estava rechonchudinha de tanto enfardar proteínas e Omega 3, eis que a cozinheira lá de casa foi às compras e deu com o mistério.

Houve muita gritaria porque a Aninhas Peixeira bradava "acudam que me querem levar o meu anjinho, ai esta ordinária!", acompanhando os uivos com lançamento de carapaus, e a Sra. Juliana, respeitável matrona que servira nas melhores casas e não gostava de desaforos, se defendia à chapelada. Quanto ao falso enjeitadinho...esse pôs-se no alto da banca a dizer palavrões de fazer corar um carroceiro na sua engraçada voz infantil.


 Chamaram-se as autoridades, veio a família, comprovou-se a real identidade da criança peixeira, recompensou-se largamente a boa Aninhas que ficou inconsolável mesmo assim... e só havia que levar o "tesouro" para casa, dar-lhe um banho enorme e prepará-lo para a sua verdadeira missão na vida, que não era exactamente fazer cataplanas de comer e chorar por mais.

 Uma vez reeducada como se pôde, porque não há milagres, rapidamente esqueceu as receitas de caldeirada e de feijoada de chocos, actualmente nem sonha como se amanha um peixe (não há nada de mal nisso, não se pode ser bom em tudo) mas o hábito de dizer disparates e barbaridades lá ficou, bem como a mania de levar tudo à bruta...

 Fica tudo esclarecido e é dar-se o desconto, como aos mais.


Ad kalendas græcas - ou o que se pensa ao organizar álbuns.


Sabem aquela promessa "vou organizar os álbuns lá de casa por ordem cronológica, deitar fora o que não é digno de nota e emoldurar alguns retratos mais especiais" que se vai adiando, adiando?

Pois, essa. Parece que no meio de outras tarefas mais urgentes, vai-se deixando para as calendas gregas dar um ar civilizado aos tesourinhos que foram caindo de exemplares mais antigos, ou que nunca chegaram a sair do envelope, sem contar com as imagens de antepassados que as nossas tias nos vão dando e que prometemos colocar em lugar de honra não vá o diabo tecê-las (mas que ficam guardadinhos a fiar-se na Virgem).

 Depois vai-se instalando o medo e o remorso - além do caos. E se uma pessoa, cruzes canhoto, lhe dá o badagaio e ninguém com sensibilidade se ocupa disso, tendo como consequência deixar para a posteridade aquele testemunho menos abonatório da infância (mudança de dentes, cara suja de gelado) ou, pelo contrário, perder-se aquela photographia da irmã da nossa trisavó, tão gira ("ofereço este retrato com muita amizade à minha querida prima, Maio de 1900 e bolinha") que os descendentes hão-de descartar sem fazer caso da senhora, que até tocava tão bem piano e fazia umas filhoses do outro mundo?

 Como do outro mundo ainda ninguém voltou para contar nada, não sei qual será a probabilidade de vir esbofetear descendentes tão ingratos, logo, nunca fiando.

  Quando, aqui e ali estilo obras de Sta. Engrácia, se vão separando estas memórias, o que ocorre dizer é dar graças pela fotografia digital. 

Certo, as imagens hoje têm menos impacto: não ocorrerá a ninguém oferecer um retrato ao mais que tudo como sinal de compromisso sério. Nem andar com tipo passes na carteira - até as avozinhas trazem as caras dos netos no telemóvel, afinal um cartão de memória tem esse nome por algum motivo: dá para trazer o Luís, o Manel e a Sofia em todos os ângulos, mais os sobrinhos e as imagens do casamento em 1955, devidamente digitalizadas (ou captadas a esmo com o dito telemóvel; ao menos salva-se alguma coisa).

 Ninguém espera hoje receber uma carta com fotografias - mesmo as antigas partilham-se via redes sociais, para que até os primos de Itália ou dos Estados Unidos lhes tenham acesso imediato, em vez de enviar uma missiva a cada um. 

Também há menos perigo de, perdendo-se o original, perder-se tudo, a não ser que se seja mesmo descuidado...

  Mas entre a banalização e a salvação dos retratos, há uma grande vantagem no digital: a de escolher e editar imediatamente o que não interessa. Os rolos não só eram caros e ocupavam muito, como deixavam atrás de si um nunca acabar de imagens desfocadas, indecifráveis ou em que alguém fechava os olhos/fazia uma careta/olhava para o lado. E na preguiça/falta de tempo de escolher manualmente logo que se revelavam, para ali ficam disparates com 20 anos, da ponta da capa do Pedrinho vestido de ninja, da cauda do Tareco a subir à cortina, da tia Felicidade com os olhos tortos e a tentar tirar da objectiva a fatia de bolo (ou o copo espirituoso) com que a apanharam desprevenida...

 Isto para não falar dos ângulos ou pormenores que é preferível limar, porque às vezes um detalhe estraga,literalmente, a fotografia.

 Ainda há quem fale mal do photoshop e companhia. Pouco amiga que sou de modernices, acho que tudo isso veio poupar muitos embaraços às gerações futuras...





Tuesday, March 31, 2015

Beleza interior... e homens de pouca fé.


Em muitas orações do imaginário popular destinadas a esposas aflitas que invocam a protecção divina para lidar com os caprichos da cara metade, é comum o estribilho:

"Que ele não se fixe na beleza do meu corpo, sem se deter na beleza da minha alma".

E esta velha preocupação tem razão de ser: vejo imensos casos de mulheres consideradas belas pelos seus namorados/maridos que, em consequência disso, encontram nos homens que amam uma certa barreira - ora de desconfiança e ciúme (pela fanada e falsa crença de que não há descanso ao lado de uma mulher assim) ora de cegueira para as suas outras qualidades.

 Nem falo tanto da inteligência - creio mesmo que as ideias, tão na moda, "uma mulher bonita tem de provar desesperadamente que é esperta" ou "as mulheres inteligentes afastam os homens" -não podem ser mais disparatadas. A verdade é que poucos toleram uma chica-esperta, seja bonita ou feia...

 Um homem pode perfeitamente apaixonar-se por uma mulher inicialmente pela sua aparência, orgulhar-se de a ter ao seu lado e respeitar-lhe igualmente o intelecto. Afinal, nenhuma relação a longo prazo resiste apenas baseada na atracção física.  Todas as prendas superficiais de corpo e de espírito são decorativas e bem vindas. A formosura, o bom gosto, a discrição, o saber estar, a capacidade de gerir uma casa, de manter uma conversa em público, o próprio sucesso profissional que ela tenha - contribuem, afinal, para o êxito dele. O mal não está, portanto, aí.

 São as qualidades mais intangíveis que podem passar injustamente despercebidas a um homem, ou causar-lhe dúvidas.

Características invisíveis mas essenciais -  como a sinceridade, a profundidade de sentimentos, a fiabilidade, a bondade, a extensão do seu poder de sacrifício, a paciência, a delicadeza de princípios, a devoção, o sentido do dever e de família, a nobreza do coração e em última análise, a intensidade da adoração que ela tenha por ele. 

Sem esses dons do espírito nenhuma mulher, por bonita e capaz que seja, parece atraente durante muito tempo. Mas nem essa confirmação basta a alguns: por vezes um homem  foca-se de tal maneira no aspecto exterior da pessoa ao seu lado, para o bem e para o mal, que se esquece de olhar para o mais importante na sua ânsia de caracterizar, de desconfiar ou de confirmar uma desconfiança para não ser apanhado desprevenido.

 Eis a razão do sofrimento injusto de muitos belos casais que tenho conhecido: é preciso que os aspectos mundanos não tirem a vista ao quilate da alma. 

 Bem dizia Stuart Chase, "for those who believe, no proof is necessary. For those who don´t believe, no proof is possible"...


O complexo Carol -ou mulher com "M"


Não é novidade que sou uma fã acérrima de The Walking Dead, uma das poucas coisas que me levam a ligar a caixinha mágica. Apesar dos momentos que deixam os espectadores algo impacientes, a série está muitíssimo bem orquestrada e dá sempre que pensar.

E, final da 5ª temporada volvido, concluo que neste momento Carol Peletier é a minha personagem preferida. O programa é riquíssimo em exemplos (bons e maus) de comportamento, e no que toca a personagens femininas tem mostrado de tudo: da adúltera e fraca Laurie à típica mulher que dá mau nome às líderes de saias, Dawn, passando pela aparentemente forte mas tola Andrea e pela valente e ponderada Michonne.

 Pois Carol é, apesar dos momentos extremos (compreensíveis num cenário daqueles) o arquétipo da mulher que descobriu a sua força mas não deixou de lado a sabedoria. É o tipo de senhora com quem, apesar dos seus defeitos, gostaríamos de contar e a chefe que saberíamos respeitar no local de trabalho.

 No início, era apenas uma boa dona de casa e mãe extremosa vítima de violência doméstica - fraca mais valia num ambiente de apocalipse, portanto. Mas a perda do marido e da filha mostraram uma resiliência que ela não sonhava que tinha. Em última análise, uma mulher que vivia aterrorizada na própria casa, a  pisar ovos, acabou por não achar um mundo pejado de mortos vivos tão assustador como isso. Ao contrário de outras personagens que perderam um pouco o juízo com tanta brutalidade, ela conseguiu manter alguma cabeça fria. E ultrapassados os primeiros obstáculos - nomeadamente, habituar-se a usar uma arma -  depressa desabrochou de mera figura maternal do grupo para uma aliada valiosa, que salvou o dia mais do que uma vez.

  Mas o que mais aprecio nela é que não faz alarde da sua força, não se deslumbrou com o recém adquirido estatuto de "mulher guerreira e poderosa" nem tomou uma posição autoritária. 


É sensata e inteligente que chegue para não mostrar abertamente as suas capacidades a não ser no momento necessário (valeu-se mesmo do seu aspecto de "dona de casa indefesa, excelente cozinheira" quando não sabia se podia confiar no novo grupo que acolheu o seu) e para deixar a liderança a Rick Grimes. Carol é forte que chegue para não se sentir amesquinhada por um chefe masculino: age como a melhor conselheira, a voz política da razão que faz o que tem de ser feito mesmo que não seja agradável sem nunca perder o auto domínio - uma Lívia Drusilla do universo zombie, portanto.

 Numa altura em que tanto se fala de mulheres fortes e poderosas, é sempre bom lembrar que o poder feminino tem muito mais impacto quando é exercido com calma, auto disciplina e discrição. Voltando a citar a tia Margaret Thatcher, ser poderosa é como ser uma Senhora: quem o é, não precisa de o afirmar...




Monday, March 30, 2015

Sabem aquele momento extraordinário...


... em que se perde a noção do razoável e se deita as culpas ao "caos criativo"? Aconteceu-me esta semana e é muito bem feito, porque não há caminho mais certo para o aperfeiçoamento do que uma boa dose de disparate prévio...

Testam-se os limites, arma-se uma confusão do outro mundo, mas como somos pessoas muito compostas e blasé dizemos a nós próprios que atirar hipóteses a esmo, sem grande ideia do que estamos para ali a fazer nem do que vai sair daquela trapalhada toda, é um estupendo "método de trabalho" e que está tudo controladíssimo.

Não sei se o termo auto basófia já foi cunhado por algum guru da motivação, mas que dá imenso jeito, isso dá. Cuidem-se, guias espirituais do facebook, que ainda acabo a encher o Pavilhão Atlântico com pérolas de auto ajuda destas e a fazer-vos concorrência.

Pequeno tratado do dia: o feio defeito da "garridice"

Ilustração de "As Preciosas Ridículas" de Molière

Garridice

s.f. Qualidade do que é garrido; apuro excessivo no vestuário.

Sinónimo de garridice: coquetismo, faceirice e louçania 


Os velhos compêndios de educação ( e os guardiães dos respectivos princípios ou seja, pais e avós mais tradicionais) reprovavam veementemente a garridice. Confundida muitas vezes com vaidade feminina - ou conotada erradamente com o amor à elegância - a garridice está associada à pretensão, afectação de maneiras, brejeirice, tafularia (ou ostentação) e à coquetterie demasiado evidente.

Quem recebeu esse tipo de princípios lembrar-se-á decerto de ouvir em casa coisas como "uma rapariga não deve ser coquette" ou pior, "levantada", que é um superlativo insultuoso de "estouvada". Tudo falhas de carácter que têm consequências desagradáveis, logo convém a pais e educadores limar desde cedo...

A garridice é um pouco disso tudo, e tem uma particularidade:

Nunca um defeito esteve tanto na moda e ao mesmo tempo, tão fora de moda.

É que a garridice está por todo o lado, mas ninguém fala nela. Ou pelo menos, ninguém a trata pelo nome. O termo caiu em desuso, mas poucas vezes terá sido tão necessário empregá-lo.

 Nos nossos dias a garridice será mais brutalmente classificada como "attention whoring" e é um mal que afecta tanto pré adolescentes como mulheres feitas. O extremo da garridice actual manifesta-se no exagero de selfies e trajes demasiado reveladores ou poses pouco dignas, em conversas namoradeiras ou provocantes em público (chega a ser chocante ver como algumas meninas que mal saíram da infância falam sem que ninguém as corrija) ou na ostentação do "vejam o que comprei".


 Porém, não é preciso fazer coisas tão óbvias e de gosto duvidoso para "escorregar" da elegância para a garridice: é fácil a qualquer mulher que se orgulhe da sua aparência e faça por andar bem e à moda, mesmo moderadamente, cair na tentação de "dar nas vistas" ou de "ofuscar" fulana e sicrana por algum motivo. Mais subtil ainda, não basta preferir roupas discretas e de bom gosto para evitar a garridice, porque ela também se manifesta nas palavras, actos e pensamentos...e pode surgir por capricho, insegurança ou distracção. Como sem elegância interior não pode haver elegância alguma, a vigilância deve ser constante. 

 Então como se foge a tal armadilha na época do "eu, eu, eu", das mulheres super poderosas e super confiantes? Como sempre, procurando o equilíbrio, chamando a si mesma toneladas de bom senso e fazendo diariamente um exame de consciência e de aparência. O maior erro é apontar os defeitos nas outras sem olhar seriamente para si e pensar que se sabe tudo.


  Na aparência:  tão ou mais importante do que ter um personal stylist, boas fontes de inspiração (de revistas e sites fiáveis) e/ou muito sentido de estilo, é ouvir a nossa consciência, mas jamais achar que só a nossa opinião vale. Se uma toilette nos desperta dúvidas - por ser reveladora, ostensiva ou literalmente garrida demais - por algum motivo é. Em vez de despir a roupa em público (o que muita gente faz, salvo seja) uma mulher deve despir-se do conceito demasiado alto de si mesma.
 Não custa nada descer do pedestal e pedir a opinião a pais e avós (ou outras pessoas sensatas) e ao pai/cara metade/irmão, pondo de parte a ideia de que tal parecer será automaticamente "careta" e "antiquado". 

Pessoas mais velhas possuem geralmente uma noção melhor da elegância clássica os homens têm uma visão concreta do certo e do errado onde as mulheres podem errar por ingenuidade.

 Escusado será dizer ainda que a fórmula mais segura será procurar a correcção e harmonia no vestuário, privilegiando a qualidade em detrimento da vontade de ser notada. Abandone-se o instinto de competição, que é o pior inimigo das mulheres. É certo que situações de tensão acontecem e usar algo que transmita confiança é um grande remédio, mas há formas razoáveis de o fazer sem cair no  ridículo. O que é digno de nota destaca-se sem esforço e pelos melhores motivos...

Há que encontrar fórmulas de styling, cabelo e maquilhagem que resultem para que estar apresentável surja facilmente e não seja uma fonte de obsessão constante. 


Nas atitudes: um dos principais (e mais esquecidos) requisitos da elegância é colocar-se em último lugar. Se não pensarmos demasiado bem de nós, dificilmente seremos beliscadas pelas tolices dos outros. Procure-se então ser prestimosa, amável, serena e indulgente com as falhas alheias. Numa festa, ocupemo-nos de ver se a convidada idosa precisa de alguma coisa, se a recém chegada tímida se sente à vontade, etc...e automaticamente deixaremos de nos ralar com a nossa aparência, com a reacção de quem olha ou de cair em comparações com sicrana. A garridice nasce do desejo de importância e da ansiedade em ser notada; procuremos ajudar ou pelo menos, não ser pesadas a quem está, em vez de criar mau ambiente com picardias ou ressentimentos passados. Desculpemos as patetices alheias para sermos nós desculpadas, em vez de encarar cada "desconsideração" como crime de lesa majestade...
 Quem se ofende muito ou procura impor-se a todo o custo desdobra-se por agradar ou ofuscar, e é pior a emenda que o soneto. A discrição cabe em toda a parte, já o espavento pode cair mal.

  Perante irmãs, primas e sobrinhas mais novas, esforcemo-nos por ser naturais, despretensiosas, com um discurso articulado e livres de quaisquer comportamentos brejeiros, de modo a dar um bom exemplo.

Por cada revista de moda que lermos, ou qualquer leitura leve, façamos por contrabalançar com o estudo de um assunto complexo ou elevado, de modo a exercitar tanto a fantasia como o raciocínio - sem no entanto fazer alarde da grande inteligência e cultura, o que pode ser outra forma de garridice e dar uma imagem ainda mais pateta.

 E naturalmente, refreemos a tentação da gabarolice ou de começar toda e qualquer frase com um "eu isto, eu aquilo...".

Pondo em prática a capacidade de observação, torna-se mais fácil dominar essa desagradável inclinação feminina de que quase ninguém está livre...








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