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Saturday, April 18, 2015

4 tipos de pessoas que testam a paciência a um Santo


A máxima "esforça-te por suportar com paciência os defeitos e fraquezas alheias; também os outros terão muito que suportar de ti" é muito sensata. Qualquer pessoa que deseje aperfeiçoar-se deve tentar exercitá-la diariamente.
   Porém, há almas tão complicadas que se tornam um verdadeiro desafio, quanto mais não seja por serem muito numerosas e aparecerem com frequência. Haverá outras bem piores, mas se conseguirmos lidar diplomaticamente com estes quatro tipos, quer-me parecer que já se alcançou algum mérito. Há que ter paciência, porque nunca se sabe se elas surgem com o único propósito de nos purificar dos pecados (ou se preferirem, de nos fazer pagar karmas). 

1- As que não entendem que NÃO é NÃO, 
obrigando-nos a ser desagradáveis. A persistência pode levar a muita coisa na vida, mas não é pressionando os outros (principalmente quando não se conhecem de parte nenhuma) que se dá uma boa imagem de si próprio. Se as pessoas já recusaram de vários modos a proposta fabulosa de mudança de tarifário/convite para aderir a uma causa/pedido de amizade nas redes sociais/galanteio/ whatever, é altura de partir para outra. Há uma linha que separa o persistente do sinistro.



2- As que NUNCA atendem o telefone quando lhes ligamos...apenas para nos telefonarem dali a pouco, quando temos outra chamada em linha ou as mãos ocupadas. E isto sempre -parece que fizeram um voto ou coisa assim. Nessa altura insistem até à exaustão, obrigando-nos a desligar a outra chamada que por acaso é prioritária/largar tudo o que estamos a fazer. Pior ainda, às vezes quando finalmente podemos pegar no telefone a chamada já se desligou e o processo repete-se.



3- Os conselheiros de serviço: geralmente são interesseiros de qualquer ordem que chegam a um grupo de amigos, projecto, banda de música ou o que seja e, sem que se lhes tenha dado aval ou confiança para isso, começam a tomar intimidades e ares de autoridade. Eles é que sabem o que é melhor para fulano, para o grupo, para a causa. Daí a "dividirem para reinar" é um pulo: cheios de peçonha e mel, começam a semear a discórdia, a separar casais, a arranjar intrigas, a sabotar tarefas, a ser desagradáveis para as pessoas que já lá estavam antes e que a) estão no seu caminho para o topo b)não se deixam enganar pelas suas falsas simpatias. Creepy.


4- "Amigos" invejosos: quem nunca tropeçou num destes, pode dar-se por feliz. Por qualquer razão, todos costumam ter um trauma em comum: o sentimento de entitlement. Acham que tudo lhes é devido e odeiam o mundo por não terem nascido com um pai rico, dezenas de pretendentes aos pés e tudo dado de bandeja, por isso qualquer coisinha que os outros tenham já lhes faz confusão - como se a vida alheia fosse perfeita. Eles são sempre as grandes vítimas mas pouco fazem para sair do sítio, porque lá no fundo ADORAM queixar-se e divertem-se com o drama, que é a única coisa emocionante na sua existência. A início podem aproveitar as vantagens desta ou daquela amizade: ou porque fulana tem contactos, ou beltrano tem recursos, ou sicrano tem acesso a bilhetes gratuitos, descontos e convites, etc. Mas com o tempo, assistir àquilo que acham ser a "boa fortuna" dos amigos torna-se demasiado para suportar, o ressabiamento dá de si e desatam a ser maus, rancorosos e agressivos. Resumindo: ou uma pessoa perde a paciência com eles, ou os invejosos tratam de arranjar um pretexto para se zangarem. Nunca acaba bem.


 Resumindo: Haja tolerância, que é um dever de humanidade, mas firmeza também...

Friday, April 17, 2015

5 personalidades que teriam blogs a não perder #1


O fenómeno da blogosfera permitiu que escritores talentosos saíssem do anonimato, que as celebridades ficassem mais perto dos seus fãs e que numerosas it girls e gurus de estilo ganhassem protagonismo. Sabendo que muitas figuras da política, sociedade e literatura deixaram trabalho escrito (e decerto, algum por publicar) podemos imaginar que, vivessem hoje, não deixariam de ter uma forte presença virtual. Afinal, quem escreve sabe que o que às vezes fica numa gaveta como rascunho para um livro ou conto, pode dar excelentes posts na linguagem mais breve (e possível de editar ou actualizar a qualquer momento) de um blog.

Sem dúvida estas personalidades teriam muitos seguidores, eu incluída. Haverá muitos mais, em várias categorias (a blogger escandalosa, o blogger rock star, o blogger de política...) mas comecemos pelos primeiros 5 que me ocorreram: 

1 - Beau Brummel, o guru de estilo masculino

Considerado o cúmulo da elegância no período da Regência em Inglaterra, Beau Brummel, o dandi dos dandis, foi tão influente que algumas das suas ideias quanto ao vestuário masculino ainda perduram. Os homens devem-lhe muito do traço do fato actual, revolucionado (e simplificado) por este ícone de moda no movimento que passou à história como "A Grande Renúncia Masculina". Hoje, continuaria a dar cartas e ia decerto incendiar o Lookbook. Brummel também tinha mau feitio, e sem dúvida as suas picardias com outros famosos alimentariam muito sururu nas redes sociais: embora tivesse origens modestas e andasse constantemente aflito de dinheiro graças ao seu estilo de vida luxuoso, era tão arrogante que teve o topete de insultar o Príncipe Regente, chamando-lhe "gordo" na cara. Que seria na era do Twitter!


2 - Lina Cavalieri, a it girl e beauty blogger

Considerada a "mulher mais deslumbrante do mundo" (com justiça, eu acho) a vendedeira de flores que foi actriz, cantora lírica, it girl e princesa dedicou-se, no fim da sua carreira, a uma coluna de beleza nos jornais. Até escreveu um livro sobre o assunto, que ainda hoje é um sucesso de vendas. Entre  dicas de maquilhagem e partilhas no Instagram das suas toilettes,  presença em festas e maridos célebres e os milhões de visualizações dos seus tutoriais no Youtube, podemos facilmente imaginar o triunfo...


3 - Lord Byron, o blogger de viagens

Figura incontornável do Romantismo, o belo Lord Byron teve uma vida tumultuosa, assombrada pelas maldições e esquisitices da sua família. Amantes, excessos, corações partidos, drogas e escândalos contribuíram para o mito de poeta genial, mas atormentado. Para lidar com os seus demónios interiores Byron viajava incansavelmente, escrevendo aos seus amigos com descrições ora encantadoras, ora sarcásticas daquilo que via pelo caminho. De Lisboa e Sintra, que adorou, disse "estou muito feliz aqui, pois adoro laranjas" e relatou como aprendia os palavrões dos fidalgos do tempo. Blogs de viagens não me dizem muito, mas o de Lord Byron seria soberbo, decerto.


4 - Sãozinha da Abrigada, a blogger Católica

O relato da vida desta virtuosa menina de boa sociedade que morreu de tifo aos 17 anos e deixou o legado de várias obras solidárias deu um curioso livro escrito pela sua mãe, testemunho do estilo de vida no Portugal dos anos 30 que não só relata as impressões íntimas da família como as festas, modas e hábitos do tempo. Sempre achei muita graça, por exemplo, ao facto de a considerarem "santinha" e "antiquada" por, ao contrário das raparigas da sua idade, ter vergonha de usar "fato de malha" (fato de banho) na praia, o que lhe valeu fazerem-lhe o estribilho: lá vai a São/embrulhada no roupão. Actualmente em processo de beatificação, no seu tempo de vida Sãozinha mostrava uma sensibilidade fora do comum e uma maneira singular de pensar e escrever. Como mantinha livrinhos de notas, não seria estranho que escrevesse um blog de virtudes femininas onde registasse as suas impressões, do estilo "os meus paizinhos, julgando dar-me grande presente levaram-me ao Casino do Estoril. Se lá fui com pouca vontade, com muito menos fiquei de lá voltar...".

5 - Eça de Queiroz, o blogger de sociedade

É quase escusado explicar esta: não só o genial romancista deixou para trás trabalho inacabado e rascunhos que casavam lindamente com o formato de um blog, como as suas crónicas de costumes e a forma acutilante como retratava um Conselheiro Acácio, um Dâmaso, uma Luizinha deixam entrever viciantes posts a alfinetar tudo e todos, sempre no propósito de edificar e polir os portugueses, nem que fosse "à bordoada". Provavelmente escreveria sob o pseudónimo João da Ega e o blog chamar-se-ia As Memórias de um Átomo ou a Corneta do Diabo. Também consigo imaginar que muitas mulheres não apreciariam o modo como ele as ia criticar: da forma de caminhar ao carácter, passando pelas toilettes "aburguesadas, pouco frescas e honestas" haveria decerto quem o tratasse de machista para baixo, ao que ele responderia, só para as arreliar, "que o dever de uma mulher era cozinhar bem, amar bem, ser bela e ser estúpida". Só as Marias Eduardas da vida iam escapar. Memórias de um Átomo ia gerar um buzz incrível...e ser chic a valer, de certeza.

Sexismo ou senso comum?


Michael Bublé (cuja carreira não acompanho mas reconheço, canta deliciosamente bem) tem sido duramente criticado nas redes sociais (e pelos média melindrosos da praxe). Em causa está ter publicado no Instagram, com um comentário jocoso, um retrato que a esposa lhe tirou num restaurante de fast-food qualquer e no qual aparece ao fundo, estilo adereço, a mulher semi vestida que estava à sua frente na fila.

Apesar de a jovem (?) em causa estar de costas e não se identificar, as pessoas ficaram muito zangadas. 

Talvez porque não se espera tal coisa de Michael Bublé (que tem cultivado, parece-me, uma imagem de cavalheiro) ou porque as pessoas andam cada vez mais tolerantes com todas as subversões mas pouco tolerantes quando se trata de lhes  apontarem as figuras que fazem, os internautas arvoraram de imediato as bandeiras do costume: sexismo, objectificação, slut shaming. Aqui d´El Rei, que a rapariga não deu o seu consentimento para aparecer nesses preparos no Instagram de uma celebridade! Nenhuma mulher merece isso, nem que ande despida em público! É uma forma de agressão, etc.

 Eu não digo que seja ético - ou de bom gosto, de resto - fotografar os outros à socapa só porque estão vestidos de forma pouco apropriada (e sim, gostem ou não ela está vestida de forma pouco apropriada para qualquer sítio que não seja a própria casa, a praia, o palco, a piscina ou no limite, o ginásio). Quando tenho a pouca sorte de ver coisas menos correctas a minha vontade não é 
eternizá-las ou partilhá-las. Em muitos casos sinto o meu sentido estético agredido e tenho pena que as mulheres usem a liberdade de que dispõem para se apresentarem ao mundo de uma forma que não as dignifica, chamando a atenção grosseira de estranhos.

  No mínimo, quem vai assim para a rua não pretende ser notada por outra coisa que não as suas formas, nem passar incógnita. Poderá não o fazer "por mal" ou apenas porque "gosta da roupa" mas SABE que vai dar nas vistas. A partir do momento em que algo é exposto em público, sujeita-se ao bom e ao mau julgamento (embora eu não veja o que possa haver de "bom "em receber piropos desagradáveis, mas cada uma sabe de si). E, como qualquer assunto/pessoa/coisa que esteja em evidência, arrisca-se a ser alvo de ditos, raciocínios, piadas e brincadeiras, não necessariamente de teor justo ou correcto.

Não se pode controlar as reacções dos outros; apenas temos poder sobre as nossas escolhas, que por sua vez vão orientar a maior parte das reacções alheias (ressalve-se que há sempre loucos e gente maldosa e quanto a esses, ninguém está seguro).

Se nos mascararmos no Carnaval e ninguém notar que estamos fantasiados, falhámos o objectivo; mas se nos vestirmos de palhaço num dia normal, temos o direito de nos ofender porque dizem na rua "olhe mãe, um palhaço?" Ou porque nos fotografam pelas costas para publicar no Facebook com a legenda "cada palhacito que me aparece?". Quem aponta pode não estar a ser muito bem educado, mas fala verdade...

O problema é que para algumas mulheres, a vida é um Carnaval. Se passar um dia que ninguém dê por elas ou em que sejam elogiadas "só" por terem uma cara engraçada, ou por serem competentes no seu trabalho/boas pessoas/etc, a sua auto estima vai pelo cano abaixo.

 Por isso, parece-me que no máximo o cantor poderá ser acusado de uma brincadeira tola, mas sexismo? Se um homem for ao McDonald´s sem calças, será notado de certeza. 

Sexismo será se uma mulher veste discretamente, está quieta no seu canto, não corresponde a qualquer tipo de flirt e mesmo assim é incomodada. Tudo o resto, como qualquer liberdade, exige senso comum.

  



Thursday, April 16, 2015

Não há "amor indolor"



"Quem quer amar verdadeiramente não pode fazer o juramento de não sofrer. Se pararmos para pensar, as pessoas que realmente nos amam são aquelas que sofreram por nós".


A frase acima poderia servir de update ao velhinho dito do povo "quem se aventura a amar, aventura-se a sofrer".

Actualmente vendem-nos muito a ideia bem intencionada e new age de que o verdadeiro amor, o amor "saudável" (seja o amor "da alma gémea" ou outros afectos) é isento de sofrimento; que é fácil, simples, flui naturalmente e tudo é um mar de rosas.

E até certo ponto, isso não deixa de ser verdade: quem ama, quer o bem do outro. Não manipula, não entra em "jogos" desnecessários, não faz a pessoa de quem gosta infeliz deliberada e prolongadamente, sabe perdoar, reconsidera, cede. 

 Mas somos humanos, sujeitos a mil erros. E muitas vezes, mesmo amando de todo o coração, os humanos têm o feio hábito de desgostar as pessoas que são importantes para eles. Até o amor entre pais e filhos, que deve ser incondicional, está sujeito à falha humana - por isso se diz que as mães são as maiores sofredoras. Que não serão então os outros amores!

O amor, pela sua própria natureza, é fonte de ansiedades. Se não há ansiedade, não há amor.

 A partir do primeiro instante em que se deixam cair as defesas e começa a sina de "importar-se com", nascem os pequenos sofrimentos, o tal contentamento descontente, a dorzinha que desatina sem doer ou, como dizia Octave Mirbeau, o sofrimento que também é voluptuosidade: a insegurança, o receio, o ciúme, etc.


 Se a pessoa em causa não desperta a mínima comoção...os amores mornos, de papelão, não fazem sofrer, mas também não provocam sensação alguma.

 A partir do instante em que gostamos de alguém ou de alguma coisa, há o receio da perda. É a fragilidade da nossa condição e a vulnerabilidade do próprio amor que o torna relevante.

 Para amar bem, é preciso sofrer bem...ou pelo menos, estar preparado (a) para tal. Quem diz "eu nunca te farei sofrer", quem promete uma vida sem sobressaltos, conta uma mentira piedosa. Mais vale dizer "eu espero nunca te fazer sofrer".

Depois, há outro aspecto incontornável: o amor é uma canseira em si mesmo, uma missão, que para além de ser obrigado a resistir aos impactos da personalidade de cada um ainda enfrenta obstáculos externos pelo caminho. Interferências humanas, de saúde, económicas...

Não se sabe se aquela pessoa tão bonita que parece irreal vai ser sempre bonita. Nem se as circunstâncias vão ser sempre confortáveis ou, em última análise, quanto tempo há para estar com ela neste mundo.

A maior parte dos grandes amores não nasceu perfeita. Deu muito trabalho, e grandes voltas. É essa resistência - e um caminho que não é sempre fácil, new age, natural e espontâneo - que os distingue. 

  Quem não vai preparado para padecer um bocadinho, quem diz "eu quero estar contigo, mas recuso-me a sofrer" então ama muito pouco, ama mal... ou tem demasiado amor a si mesmo, o que impossibilita querer realmente a outrem.

  O amor, porque magoa e assusta, pede coragem e espírito de sacrifício. E vem com a cláusula  de consentimento "sei bem ao que me sujeito, mas quero mesmo assim".


 




Contorno dos olhos - resguardar a todo o custo!


Juntamente com as mãos e o pescoço, o frágil contorno dos olhos é uma das áreas mais desprezadas em termos de cuidados de beleza - e, contradição estranha, uma das que as mulheres mais se esforçam para remediar depois do mal feito. Já sabemos que não se pode evitar tudo, mas poucas coisas são tão inestéticas como a pálpebras manchadas, com papos ou pior - com pés de galinha, que custam imenso a tratar e disfarçar.

 Se aparecerem antes do tempo, maior a lástima...e infelizmente, vejo muitas meninas na casa dos 20 com rugas prematuras nessa zona, algumas com vincos de expressão até às têmporas, que ficam tão feios quando se sorri...

É claro que a tendência para ganhar rugas nesta ou naquela área depende também da estrutura do rosto, da genética e das características da pele, mas uma coisa é certa: o desleixo sai caro.

Dizia eu ontem que quando toca às rotinas de beleza, é bom não criar necessidades escusadas: quanto mais rápido se mimar a delicada pele à volta dos olhos, menos necessidade haverá de tratamentos invasivos, dispendiosos e que em muitos casos dão um ar pouco natural.

Vejamos então algumas dicas que não custam nada a integrar na rotina diária e que previnem/poupam/tratam muitos dissabores:


1-Limpeza, sempre: já discutimos aqui como uma limpeza profunda todos os dias faz a diferença. Muitos males da pele, incluindo o envelhecimento prematuro, vêem do facto de a cara parecer limpa quando na realidade não está.

2- Desmaquilhantes com/em óleo: a maquilhagem é mais resistente do que parece...e as novas texturas de certos produtos, como o eyeliner gel,
 facilitam-nos a vida mas custam muito a remover. Se usar lentes de contacto, poderá notar também que a solução salina destas "solidifica" a máscara de pestanas, complicando ainda mais a situação. Uma textura untuosa ajuda sempre, mas alguns desmaquilhantes em creme só servem para o rosto, porque são demasiado espessos. Resultado: há a tentação de "esfregar" essa zona na tentativa de se desmaquilhar mais depressa, arrancando cílios e maltratando a pele delicada em torno dos olhos. O mesmo acontece com certas toalhitas desmaquilhantes. A melhor solução são os removedores de maquilhagem bifásicos (o da Essence é super eficaz e baratíssimo) ou os óleos de beleza (de amêndoas doces, camélia, rosa mosqueta...). Há mesmo quem defenda que os óleos eliminam pés de galinha. Não jurarei, mas que previnem é certo.

Pode finalizar-se com água micelar, água de rosas e água termal. Dissolvem a maquilhagem em segundos e ainda hidratam. Em caso de pressa há toalhitas com óleo de amêndoas, como as da MyLabel.



3- Toda a hidratação é pouca: Aqui há tempos achei cómico quando ouvi dizer na rádio que "é um mito" precisar de creme de olhos. Por muito bom que seja o creme de rosto, um produto específico para esta área mais frágil é necessário sim senhora: não só para hidratar, mas para activar a circulação e evitar olheiras. Não tenho um favorito, mas como cá em casa estamos sempre fornecidas de vários exemplares não vá o diabo tecê-las, há dias encontrei  este da Avon (creme + bálsamo nocturno) e fiquei viciada nele. Tem uma textura de primer que lembra mel, e é tão agradável que apetece andar sempre a aplicá-lo.
 Outra dica que pode ser controversa para alguns é o uso de vaselina para finalizar/selar a hidratação, e antes de aplicar a maquilhagem. Haverá quem seja contra, mas muitos mitos de Hollywood atestavam a sua eficácia e eu subscrevo. Desde que não se atinjam áreas com poros abertos e haja o cuidado de absorver o excesso com um lencinho, é uma maravilha e assegura que correctores, primers e bases para sombra não vão ressecar e agredir.



4 - Protecção solar: sempre, todos os dias, em todas as estações do ano. Com tantos cosméticos que incluem SPF na composição, não há mesmo desculpa.


5- Óculos de sol, até debaixo de água: bom, tanto também não...mas quase. A sensibilidade ao sol pode obrigar-nos a franzir o sobrolho ou a "apertar os olhos" para ver melhor, de forma quase inconsciente, até quando o tempo parece enevoado. Contra isso, nada como um par de óculos de boa qualidade, estilo Amália Rodrigues, que proteja toda essa área. Não precisam de ser muito escuros, mas convém que sejam abrangentes. Dão um ar de estrela de cinema, salvam as manhãs em que saiu à rua com má cara, livram-na de encarar aquela persona non grata sem parecer malcriada e ainda asseguram uma pele bonita por longos e bons anos.

Até tu, Kate Moss?
6 - Evitar caretas: é que as nossas avós tinham mesmo razão. Não é tão fácil como parece; às vezes nem notamos que as fazemos, mas...haja cuidado, porque vincam. Logo, cultive-se a  serenidade. Podemos ser expressivas sem esses exageros. 



7 - Contra as olheiras, um remédio de passerelle: as modelos juram pela pomada anti pisaduras (e.g: Trombocid e afins) aplicada antes ou após o creme de olhos, para acabar com círculos escuros e olhos inchados. Funciona mesmo para eliminar essas "nódoas negras". Mas dormir o melhor possível e de vez em quando, tirar os olhos do computador ou do smartphone também são passos importantes.



8 -Começar pelo interior: quaisquer marcas têm mais dificuldade em  instalar-se se houver uma boa alimentação e/ou suplementação (com indicação médica, of course).  Elementos como o cálcio, sílica, colagénio...e muita água são essenciais para pele e cabelos bonitos.





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Wednesday, April 15, 2015

Na beleza, como em tudo, "não cries necessidades"


Esta semana reparei numa frase de alguém muito sábio: "não cries necessidades". Ou seja, de quanto menos precisarmos, melhor. Menos complicada será a nossa vida, maior a nossa paz e mais leve a rotina. 

 Isto aplica-se a tudo- tanto às questões materiais como emocionais.

No amor, seremos mais felizes quanto menos necessitarmos do outro: necessitar no sentido de desespero, entenda-se. Precisamos de ser autonomamente felizes e capazes de viver sozinhos, se queremos realmente doar-nos a outrem. Por muito sedutora que seja a vulnerabilidade e muito românticas as expansões de "não posso viver sem ti!" amor não é carência, nem pressão, nem manipulação. Nada disso é apelativo, nem gera respeito.

 Nas questões sociais, mundanas, são as pessoas menos "necessitadas", mais seguras de si (o que nada tem a ver com não ser caloroso) que atraem amizades -no entanto, não dependem delas, nem fazem depender disso a sua noção de valor. Quem é desapegado é desinteressado, genuíno, verdadeiro consigo mesmo e com os outros. Não precisa de adular, nem perde o sono pela aprovação alheia.

 Nos aspectos materiais, já se sabe - o marketing não cria necessidades, mas é exímio em descobri-las e realçá-las. Somos constantemente despertados para "precisões" que nem sonhávamos que tínhamos! Como a moda costuma ser uma das primeiras "vítimas" disso, o resultado de ceder cegamente às novidades é ter recursos desperdiçados e guarda roupas demasiado cheios que só atrapalham.

 Mas a beleza feminina é talvez o aspecto que mais sofre com este "inventar de necessidades". Na ânsia ora de ser "perfeita" - coisa que não existe, e não convém a todas porque às vezes a beleza também ganha com as pequenas irregularidades - ou de ceder a modas duvidosas, muitas mulheres procuram afastar-se demasiado da sua beleza natural. Isto prejudica a serenidade, a auto estima, o bolso e a elegância. 

 Já por aqui se disse que quanto mais próximo do seu tipo uma mulher estiver, polindo só as arestas, mais elegante será e mais "dispendioso" vai parecer o seu visual.

Chega a ser irónico: o look que parece mais "caro" é o que custa menos a manter...

 Mas muitas não pensam nisso: as que têm cabelo escuro querem por força ser louras, ou alisar  os caracóis dos seus antepassados, o que para sair bem exige recursos...e se não os houver, já se sabe o resultado "mal acabado".



  Outras procuram alterar o seu tipo de uma forma mais definitiva, recorrendo à cirurgia estética: nada tenho contra pequenas mudanças, principalmente se forem feitas de forma não invasiva. Se um pormenor mínimo do rosto deixa a pessoa pouco à vontade, atrofiando a sua confiança...podendo alterá-lo e não pensar mais nisso, porque não? Se aquele bocadinho de celulite que não desaparece apesar da ginástica incomoda, há remédios menos drásticos, como a lipo-aspiração a laser. Mas que seja feito uma vez e pronto; o resto dependerá da disciplina. 

O constante mudar disto, acrescentar aquilo, fazer não sei quantas massagens e injecções por mês, etc...é um permanente criar de necessidades. Como ficariam se, por qualquer razão, se vissem privadas desses "cuidados indispensáveis"?

 Podemos ainda falar das que não saem de casa sem aplicar todas as regras do contouring: uma maquilhagem leve já não lhes basta, e Deus nos livre que a cara metade as surpreendesse "de cara lavada"...

Os cuidados são imprescindíveis, certo; é sabido que nenhuma beldade famosa acorda maquilhada, photoshopada, com um brushing perfeito- os artigos invejositos à volta do #iwokeuplikethis encarregam-se, constantemente, de nos lembrar disso.

  Mas essas rotinas devem ser leves de manter: fáceis de cumprir todas as manhãs. Quanto menos necessidades de beleza uma mulher tem, mais bela é.



Um professor dixit: gastar *literalmente* Latim


No liceu tive um professor de Latim daqueles à moda antiga que esperava - como é justo, aliás- uma grande dedicação a tão nobre disciplina. Baixinho, careca, sorridente, com ar de Sacristão, nunca se zangava - parecia mesmo crer piamente na bondade e empenho dos alunos.

 Porém, rapidamente me arrependi de ter escolhido Latim (pois fora uma opção inteiramente minha): não porque não apreciasse aprender (continuo a achar importantíssimo) mas porque creio que não é algo que se estude naquelas condições, com poucas horas de aula e a pressão da avaliação a outras cadeiras...dito isto, era fácil perder o fio à meada. 

Juntemos a isso a tonteria própria daquelas idades, e volta não volta havia murmúrios ou distracção na aula. Pois o bom do professor, coitado, se nos via nesses preparos, nunca nos ralhava: dava três pancadinhas ritmadas na nossa mesa e quando levantávamos a cabeça para olhar para ele, dizia na mesma cadência, pondo as duas mãos em concha atrás das orelhas (o que lhe dava um patusco ar de Dumbo) : Menina (o)...*pausa e redução do volume da voz* ESCUTA ACTIVA!



 Claro que o estribilho pegou e alguns rapazes faziam como ele no intervalos: mãos atrás das orelhas, e... "MENINA...ESCUTA ACTIVA!".

 Se me lembro disto, é porque o magister tinha carradas de razão. Andava afinal a gastar o seu Latim connosco, apenas para entrar por um ouvido e sair por outro. Quando uma pessoa chega a adulta e vê o mesmo acontecer-lhe (avisar vezes sem conta só para encontrar ouvidos moucos e tudo exactamente na mesma) às vezes  junto das pessoas mais chegadas, é que vê o que isso custa... era bom que um "ESCUTA ACTIVA!" se traduzisse na compreensão imediata do bom e velho "eu só gosto de falar uma vez"...


Tuesday, April 14, 2015

As coisas que eu ouço: ciúmes desgovernados dão nisto.

"Quando eu gosto de uma mulher exijo fidelidade
absoluta - mesmo que ela nem sonhe que eu gosto dela!"

Recentemente, num jantar, rimo-nos bastante ao recordar um episódio que se passou nos anos 1970 mas que podia perfeitamente acontecer hoje (salvo algumas diferenças, pois o politicamente correcto tornou as pessoas muito mais sensíveis).

Um amigo da família, que aqui para nós se chamará Manel, andava a 
preparar-se para estudar Medicina num dos primeiros liceus a ter turmas mistas. Numa escola com poucas raparigas - e em ciências, onde as alunas ainda eram mais raras -  qualquer recém chegada fazia muito sucesso.

 Ora, o Manel calhava ser vizinho de uma das condiscípulas, chamemos-lhe Mimi, com quem se dava bem. Para não fazer o caminho sozinha, já que iam para o mesmo lado, ela costumava pedir-lhe que a acompanhasse. E ele lá ia, sem nenhum interesse especial na rapariga.

  Mas havia um jovem na mesma turma, o "Bolachas", que estava perdidamente apaixonado pela Mimi e entendeu que apesar de nunca se lhe ter declarado (ou porque era tímido, ou porque não sabia o que queria da vida) ninguém se podia aproximar dela. Um verdadeiro ciumento indeciso, dos que não se descosem nem dão nome às coisas mas se acham traídos mal outro ser de calças se aproxima.




Por isso tomou de ponta o Manel, que via como rival... e todos os dias lá andava atrás dele, acusando-o de lhe roubar a namorada.

 - Tu não te atrevas a aproximar-te da minha miúda que eu parto-te a cara! -ameaçava ele.

Em vão o nosso herói lhe explicou, vezes sem conta, que não estava interessado na Mimi nem tinha nada com ela.

- Se gostas dela, vai falar com ela. Acompanha-a tu a casa, que eu não me ralo nada - e larga-me da mão.

Pois sim. O ciumento nem dizia palavra à Mimi, que não sonhava as intenções dele, nem largava o outro, seguindo-o como um cão de fila. Isto andou assim umas semanas, com o primeiro a fazer figura de urso e o segundo a encher o saco.

 Até que um belo dia o apaixonado paranóico emboscou o "rival" na casa de banho do ginásio, continuando com a mesma lenga-lenga. 

- Tu gostas da Mimi! Eu não permito que chegues perto da Mimi! A Mimi é minha, etc.

E o outro : ó Bolachas  tu deixa-me, cala-te, desaparece-me da frente! - porque já estava mesmo farto e porque tinha um teste de Matemática a seguir.

 Mas o Bolachas não desistia, cada vez gritava mais, e o Manel, que era um rapaz atlético e desempenado, ficou "cego", como se costuma dizer. 

Perdeu as estribeiras, puxou o braço atrás, tomou balanço e assentou-lhe um soco tal que o Bolachas voou, varou a porta da retrete e foi aterrar, ensanguentado, em cima da dita cuja. Depois o Manel foi chamar quem lhe acudisse e regressou à sala para fazer o tal teste de matemática.

Parece uma cena de filme, mas aconteceu mesmo...

 O resultado desta história foi o Bolachas ter de pôr dois dentes postiços. O Manel escapou com uma reprimenda porque era bom aluno e tinha sido provocado (além de naquele tempo ninguém se ocupar de rapaziadas, quanto mais de duelos por ciúmes). A Mimi, ao que parece, continuou a leste do paraíso, sem saber que o infeliz enamorado tinha perdido dois dentes da frente por amor dela...

 Os tempos são outros mas ciumentos como o Bolachas continuam a existir, mesmo quando já passaram há muito a idade do liceu: em vez de dizerem da sua justiça põem-se a controlar rivais que nem têm razão de ser e a fazer cenas de ciúmes disparatadas (e sem direito) às Mimis das suas vidas...

Hão-de ganhar muito com isso, hão-de.












José Rodrigues Miguéis dixit: tenho cá um feeling...


       "Não resta dúvida, uma coisa anda no
                      ar e não são só as andorinhas"

                                                         in O Milagre segundo Salomé


Sabem aquela sensação de que algo se está a cozinhar embora ninguém vos diga nada? Ora porque quem de direito está a decidir isto ou aquilo sem dar palavra às partes interessadas (às vezes acontece, em questões de trabalho, de Estado e noutras e que remédio senão esperar para ver) ora porque as coisas ainda não aconteceram mas começam a tomar forma com estranhos solavancos cósmicos, ou porque simplesmente se sente que os ventos estão a mudar. 

E nem sequer é preciso ser uma pessoa dada a premonições nem muito atenta para dar por isso.

 Nenhum fenómeno natural acontece sem que antes se note qualquer coisa no ar, no comportamento dos animais, no próprio estado de espírito de quem passa. Por vezes, consegue-se "adivinhar" uma tempestade. Com as revoluções é o mesmo - há sempre murmúrios. Há sempre "alguma coisa", um ambiente, uma atmosfera pesada ou eléctrica, um feeling, que dá a entender uma mudança.

 Shakespeare definiu isto com duas frases famosas "algo está podre no Reino da Dinamarca" e "something wicked this way comes" (lagarto, lagarto) - mas a versão de José Rodrigues Miguéis é mais abrangente, porque essa sensação ou pressentimento não se aplica só -felizmente - a desatinos. 

É igualmente verdadeira para acontecimentos desagradáveis e para novidades auspiciosas, para coisas pequenas e grandes, públicas e íntimas . Sente-se, pronto. 

E até se saber exactamente o que é... há aquela sensação inquietante como se a novidade estivesse escondida atrás de um reposteiro, à espera do momento certo para pregar um susto a alguém. Óptimo para quem gosta de surpresas, não tanto para quem prefere saber com o que conta e nem no aniversário gosta de ser surpreendido, embora já imagine que isso possa acontecer mais minuto, menos minuto.

Monday, April 13, 2015

Palavra do dia: descoco, que é como quem diz descaramento.



Ao debruçar-me sobre um velho compêndio de comportamento, encontrei esta engraçada expressão caída em desuso:

Descoco.
des·co·co |ô|
substantivo masculino
1. [Informal] Desplante; pouca-vergonha, ousadia.
2. Destempero; disparate

E podíamos acrescentar mais uns sinónimos: lata, descaramento, desfaçatez, chutzpah, sem noção, desvergonha, impudência, insolência, topete,  atrevimento, cara-de-gato, audácia, cara de pau, inconveniência, desaforo, impertinência, procacidade, merufo (esta não conhecia, vá; apareceu-me e é de Trás-os-Montes) descaro, despudor, petulância e provavelmente mais umas quantas que agora não me ocorrem.

Ora aqui está outra uma palavra fora de moda mas que não podia ser mais actual: parece-me mesmo que quanto mais necessária uma expressão é nos dias que correm, mais obsoleta fica, como se alguém a varresse para debaixo do tapete para não trazer à baila pecados esquecidos. Deve ser a ver se ninguém se lembra de dar nome às coisas...

 Alguém que comete o feio acto de se descocar a dizer ou fazer alguma coisa (ou seja, de se atrever a fazer ou dizer algo inapropriado) é uma pessoa descaradona e malcriada.

Não faço ideia se a etimologia terá algo a ver com cocos, no sentido de regular mal do dito cujo...descocado =desmiolado?

  Mas podemos pensar em mil formas de descoco: das pessoas que acham que tudo lhes é devido às que cobiçam o alheio, passando pelas que tomam excessivas familiaridades (e ainda acusam de "peneiras" a quem fica surpreendido pelos seus modos de alpinista) sem esquecer os que dirigem galanteios à cara metade do (a) próximo (a) nas barbas deste (ou nas saias desta), os que agem na casa dos outros como se estivessem na sua, os que sem ter intimidade para tal se arvoram em conselheiros dos outros...enfim, almas abusadoras.

Gente a quem (ou de quem) apetece dizer, em suma "esta criatura tem cá um descoco!". Não sei quanto a vós, mas acho que vou adoptar a palavra. E desatar a classificar como descocado ou descocada quem assim procede...

A Nobre Arte da prudência e temperança femininas

"Olha a princesa destemperada,
Que logo que entra mal fala.
E eu há sete anos que aqui estou
É a primeira fala que dou".
                                                  
  (Popular português)


Sempre gostei muito do estribilho acima, retirado de um conto de fadas que nos ensina algo sobre a beleza da prudência feminina.

A heroína da história, linda e cheia de virtudes como eram as protagonistas dos contos de fadas de antigamente é, primeiro, vítima da inveja da irmã: desejosa de a pôr fora de casa, a malvada convence a irmã ingénua a ir "socorrer uma família necessitada" que morava na vizinhança. Como não tinha malícia, ela foi; mas na verdade, quem vivia nessa casa era um rapaz muito valdevinos, com fama de perder as donzelas dos arredores. Mal a rapariga virou costas, a irmã invejosa foi a correr fazer queixa ao pai, dizendo imaginam o quê. O pai foi ao encontro dela e julgando que ela tinha envergonhado a família, mandou abandoná-la no meio do mato, algo recorrente nestes contos. Vendo-se tão aflita, a menina prometeu que se escapasse não diria uma palavra durante 7 anos (tipo de promessa que surge muito nestas histórias, como já vimos). E ela cumpre, até quando um príncipe a resgata e se apaixona por ela. Fica a viver no palácio, mas mesmo prestes a perder o príncipe para uma rival por ser muda, só abre a boca sucintamente ao fim de sete anos -por acaso, mesmo a tempo de calar a princesa serigaita que ao contrário dela, é "destemperada".

Ora, não consigo imaginar nem uma Princesa Disney actual (até a Pequena Sereia, que era mais old school, não consegue estar calada mais do que três dias) quanto mais uma mulher do nosso tempo, a ser tão discreta e misteriosa. Este conto, embora hiperbólico, mostra qual era o comportamento ideal noutras épocas.

Hoje não se valoriza *tão* oficialmente a discrição, mas ela é mais precisa do que nunca.

Às mulheres são, por tradição, atribuídos certos defeitos ou vícios como a tagarelice, a curiosidade, a bisbilhotice, a frivolidade, o desejo de competição gratuita, a indiscrição e a maledicência. 

Isto nem sempre é justo, já que há muitos homens que se dão a tais "passatempos" com mais veemência do que elas, o que neles ainda parece pior. Mas uma vez que se estereotiparam tais ideias... uma mulher só ganha em fugir ao cliché, evitando como a peste esses comportamentos.

Contra os defeitos "femininos" tentemos empregar o santo remédio de outro substantivo feminino, a virtude da Temperança: actuar comedidamente, fugir dos exageros, saber quando renunciar (ao protagonismo, a ter razão, à ganância, a ganhar uma discussão, a um objectivo ou a uma pessoa) domar os impulsos, agir com sobriedade, desapego, auto domínio e equilíbrio.



 Tudo isso sempre foi difícil pela própria natureza humana, muito mais inclinada a seguir os apetites do que a fazer o que está correcto, mas hoje é-o mais complicado ainda. Afinal, vivemos num tempo em que qualquer anónimo pode disparatar no Facebook ou no Twitter, comentar as notícias dos jornais online, ser um "opinion maker de bancada" e em que as mulheres são encorajadas a ter uma postura agressivamente opinativa.

Mas se pensarmos bem, a Temperança e a Prudência cabem em todo o lado e ajudam a resolver muitos problemas. São panaceias para a paz interior e a elegância do espírito: 

1- Uma mulher bem sucedida é demasiado ocupada para se inteirar de mexericos; a sua curiosidade é voltada para aprender o que lhe faz falta saber, o seu tempo é votado a tratar dos seus próprios assuntos. Se mesmo não ligando à vida alheia for vítima de uma bisbilhotice invejosa que a  prejudique... procurará resolver o caso serenamente, sem lhe dar demasiada importância nem se rebaixar a "deitar achas para a fogueira". Quem não deve não teme e é preciso dar o desconto a almas pouco iluminadas - bem como não pensar tão bem de si própria que qualquer beliscadela seja o fim do mundo...

2- Perante provocações, o desprezo gélido é mais eloquente (e fere mais) do que entrar em argumentações com quem não merece. Há dois adágios muito úteis: "com os malucos não se discute" e "nunca entres em disputas com pessoas feias, que elas não têm nada a perder". Essa fealdade pode ser externa ou interna (má educação, maus instintos) mas quem padece dela dirá as piores coisas para obrigar a outra parte a fazer a mesma figura. Virar as costas e não lhes dar esse prazer, não responder a comentários, nunca cairá mal; já as argumentações podem deixar lugar a dúvidas, ou pôr quem vê a pensar "que grande peixeirada!". O que nos leva à máxima "são precisos dois para fazer uma peixeirada". Poupemo-nos.

3 - A mulher mais inteligente e culta pode passar por estúpida (ou arranjar conflitos escusados) se procurar, a cada momento, demonstrar o que sabe e entrar em todos os debates (e se não desistir até vencer os outros pelo cansaço, pior se torna). Ninguém gosta de uma chica-esperta que dá sentenças sobre tudo. É sempre bom ter a humildade de pensar que a nossa opinião, por fundamentada que seja, não é um maná caído dos céus. Se nos pedirem pareceres, muito bem; caso contrário...

4 -As raparigas têm fama de serem más umas para as outras e de competir porque sim. Pois nada rebaixa tanto duas mulheres como esgatanharem-se por qualquer coisa: seja um namoro, um lugar, uma promoção ou uma camisola nos saldos. Se um homem obriga duas mulheres a competir pela sua atenção, não gosta de nenhuma delas; está apenas a divertir-se à sua custa.  No caso de um triunfo profissional, ele conquista-se pelo afinco, não por derrotar o "inimigo" a quem não cabe, afinal, tomar decisão alguma.
 Portanto há que morder a língua e se for preciso, afectar uma calma que não se possui.

A vontade de responder, dar o troco, desabafar, não deixar a coisa por menos, raramente eleva alguém. Quando é mesmo importante e justo "dizer duas coisas certeiras" a ocasião não deixará de se apresentar; mas quase sempre a  temperança das prudentes e o destempero das serigaitas diz tudo o que precisa de ser dito...




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Sunday, April 12, 2015

M.I.A. (Desaparecidos em combate)




Não detestam a sensação de perder *estupidamente* objectos dentro de casa/no carro/etc?

Este fenómeno, capaz de desorientar a alma mais atinada e de pôr o maior céptico a crer em duendes ou trasgos, acontece-me com especial frequência nas fases em que viajo mais (com a rotina faz bagagem-desfaz bagagem é raro um objecto pequeno ou outro não ficar perdido, para reaparecer meses depois como se não fosse nada com ele) ou em etapas mais ocupadas, quando tento despachar várias tarefas de uma vez.

Até já fiz uma lista das coisas que faltam, e que bastante falta me fazem: são pelo menos cinco desaparecidos que devem estar num canto pateticamente óbvio a  rir-se de mim enquanto eu ando escada acima, escada abaixo a virar a casa do avesso e literalmente a rezar-lhes o responso.

 Acho que se escondem deliberadamente, no firme propósito de pôr uma pessoa a pensar "é desta que estou a  ficar choné".

Meninas: Oscar Wilde é que sabe.


Vejo muitas mulheres  a citar Oscar Wilde nas redes sociais só porque as frases são bonitas. Mas se aplicassem o que Oscar Wilde dizia talvez não tivessem razões para o citar, porque a vida lhes correria melhor...

Ora, numa das suas frases mais famosas, o autor resumiu algo que as mulheres acham lindo mas não tomam a sério e que os homens de hoje têm medo de admitir em público: as mulheres são para ser amadas, não compreendidas. É um ímpeto  de franqueza que só podia sair do coração de um irlandês.

 A queixa "o meu namorado/noivo/marido não me compreende" é quase um lamento automático, algo que as mulheres dizem porque é suposto dizer, sem que a maioria se debruce sobre o que vem a ser essa compreensão que supostamente lhe faz tanta falta.

  É que (salvo as especificidades do carácter de cada um) a natureza masculina, voltada para um entendimento geral, universal das coisas, falha por vezes em perceber o particular. Ou antes:  o particular, o esmiuçar, o cuidado, o detalhe, são domínio nosso. Como podiam eles entender todas as miríades, nuances e subtilezas femininas, se são esses mesmos mistérios que os mantêm interessados desde a noite dos tempos?  É o desejo de domar, ainda que por um breve instante, a arisca natureza da mulher, que os apaixona. No momento em que tudo se tornar completamente previsível, uma mulher tem razões para chorar porque o mistério do amor foi-se.


 Se eles nos compreendessem na totalidade, como quem domina uma equação ou uma teoria, realizava-se outro receio de Oscar Wilde: "como pode uma mulher esperar ser feliz com um homem que a trata como um ser humano perfeitamente normal?". Para quem está apaixonado, a outra parte nunca é "normal", "real" nem comum. Há sempre algo de sobrenatural, de pouco palpável, que se receia que fuja da vista, como um sonho. É por isso que se diz que os apaixonados não conseguem deixar de olhar um para o outro, ou
 largar-se quando estão fisicamente próximos. Ama-se o ideal, o irreal, o reflexo do divino. O normal, compreensível e palpável, é uma coisa que para ali está.

  Outro lamento banal é que "eles" não amam como nos romances e nos filmes. Ou seja, poucas vezes dizem aquelas frases (ou fazem aqueles gestos arrebatados) de um herói da ópera (ou de telenovela); não têm constantemente mil expansões românticas nem expressam o seu amor numa linguagem poética.

 Mas lembrem-se, essa linguagem costuma ser escrita ou por mulheres, ou a pensar naquilo que as mulheres gostam de ouvir... porque isso vende.

 Conheço muitas raparigas que desprezarão um rapaz que ama franca e sinceramente, mas caem mais que uma vez no conto do vigário de qualquer espertalhão que lhes diga, às primeiras, que elas são lindas e pouco depois, que as ama perdidamente. Falar é grátis! Se um homem vos fala assim sem mais nem menos,desconfiem: o mais certo é não ser muito masculino, se fala como as mulheres; ou dizê-lo a todas e mudar de ideias logo a  seguir.


Podemos sentir como na Ópera (e muitos homens sentem)  mas pouca gente fala como se estivesse no palco. Pelo menos assim, todos os dias...

  No fundo os homens amam como são: de forma abrangente, varonil, prática, um pouco brusca. Bem diz Sérgio Godinho, "quase sempre o amor me ofusca/de uma forma doce e brusca/assim eu amar soubera..." .

 Assim todos eles soubessem! Programados geneticamente para a caça e a guerra, queriam que se detivessem em pieguices a toda a hora? O seu amor, quando é real e intenso, manifesta-se na protecção e na preocupação com o bem estar da mulher que amam e do lar que criaram ou pretendem formar; a meiguice encanta-os, mas para os momentos de "trégua". Quando estão com pressa ou nervosos, as suas "declarações de amor" mais sentidas podem vir na forma de coisas tão "encantadoras" como "esta despistada, que se esqueceu de verificar o ar dos pneus! Ainda se mata para aí!".

Compreender-nos totalmente é o papel da amizade ou dos laços de sangue, nunca o de um homem. Compreender cada anseio nosso eles podem não saber, esses brutamontes, mas amar eles sabem. Com firmeza, constância e preocupações másculas, modos viris, à maneira deles.

 De resto, quando duas almas são muito semelhantes, feitas uma para a outra, não precisam de miudezas para se entender: o universal, o básico, o geral bastam (e nisso eles são realmente bons). A atracção e a química que unem duas pessoas tratam do resto.

  Se "ele" vos amar como um homem ama, e jamais como uma mulher, 
dêem-se por muito felizes. 








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