Recomenda-se:

Netscope

Saturday, April 25, 2015

Notícia da maior importância: o passado já não existe.


 O passado já não existe.

Esta simples frase, incluída numa prece de uma edição (1951) da imortal obra atribuída a Tomás de Kempis, devia estar escrita em letras gordas no pulso, no espelho, no tecto, no screensaver de quase toda a gente, a ver se fazia efeito em modo mensagem subliminar.

Talvez se devessem mandar fazer ímanes de frigorífico a dizer que o passado já não existe, para entrar pelos olhos dentro logo pela manhã e ficar gravadinho no subconsciente. E para quem gosta de tatuagens, seria uma excelente sugestão: uma tatuagem- lembrete bem mais útil que o fanado (e incompleto) carpe diem.

Que o passado já não existe, não constitui grande novidade: só que é uma daquelas sentenças tão óbvias que já nem se repara nelas, tal como quem só dá pela existência do ar quando ele falta.

 Mas até parece que está vivo e de saúde, de tal maneira há pessoas que por bons ou maus motivos (todos eles inúteis) teimam em viver no passado, em alegrar-se com o passado, em angustiar-se com uma sede que já deixaram de sentir. Uns, agarrados às glórias de outras eras ou às rebeldias da juventude; outros, aos triunfos pessoais que já não voltam; outros ainda, tentam por força consertar um amor que já não tem arranjo, confiados na mística do início; e não esqueçamos os que tratam de destruir o amor presente, estragando o que resta e podia ser reparado com a desculpa de uma cicatriz  que ficou. Estes últimos são ajudados na tarefa por uma cara metade igualmente presa ao passado e esperançosa, porque o sofrimento raramente actua a solo.


É de notar também que a marca do tempo tudo engrandece, tornando mais belo o que teve os seus defeitos e agigantando coisas de nada. O tempo nem sempre cura tudo. Lá dizia Jorge Palma, o tempo não sabe nada, o tempo não tem razão. Ou no mínimo, baralha muito o raciocínio.

 Mas para o bem ou para o mal, não importa as boas (e imprescindíveis) bases que tenha deixado, as dores que fez padecer, os sulcos que tenha marcado no chão, a forma como redesenhou o solo, o passado não está aqui, não respira nem tem uma força viva. Não pode realmente elevar, diminuir ou magoar quem gasta o seu tempo, consome o seu presente e compromete o seu futuro a pensar no que foi feito, não foi feito ou poderia ter sido feito de forma diferente.

  Não existe, e crer nisso é fazer tudo de um bocadinho de nada. É viver como uma múmia. E quem não deseja esse destino, só tem o remédio de caminhar para a frente, nem que seja a solo, e deixar para trás quem vive do que já lá vai. Ao contrário do sofrimento, fazer o próprio destino nem sempre adora companhia.

Descalabro do dia: o diabo te leve vestida e calçada!


Enquanto fazia uma pesquisa das saias-lápis coloridas mais recentes para vos mostrar encontrei isto, que é como quem diz a prova de que já não se está seguro em lado nenhum. Olhem que é preciso criatividade (e as mãos erradas) para transformar a peça mais bem comportada e clássica numa ordinarice de bradar aos céus. 

Eu até diria "para o mal, dá o diabo habilidade" mas como no imaginário popular o príncipe das trevas costuma ser apresentado como um cavalheiro de meios e bom gosto, que usa Prada e tudo, custa-me um bocadinho lançar as culpas ao demo mais uma vez. Não, não é necessária a sofisticada astúcia do encardido para agarrar num bocado de lycra de má qualidade, costurá-la no tamanho mais diminuto e vesti-la na rapariga com pior ar e maior derrièrre disponível. Mas que isso deve dar uma estupenda ajuda a Satanás na missão de lançar o caos por esse mundo fora e perder as almas, não duvido. 

  Face a atentados destes apetece-me rogar a praga da mulher do jogador (lenda deliciosamente contada por um autor que respeito muito): o diabo me leve vestida e calçada se eu entendo estas ideias. Mas não: é mais justo dizer a propósito de quem comete tais desacatos "o diabo te leve vestida e calçada, mafarrica!" Ao menos ficava o mundo limpo...


Friday, April 24, 2015

O complexo *masculino* de disco riscado.


Digo muitas vezes que a abordagem "não julgueis" (que agora está tão na moda que é quase imposta) é bastante perniciosa. Não creio que quem tenha padrões morais e estéticos, procure conduzir-se rectamente e dar um bom exemplo a quem o rodeia deva ser isento de julgamento e da noção do certo ou do errado

 Desconfio de quem afirma aos quatro ventos não julgar ninguém: não vê mal em nada porque se tornou insensível. A exemplo hiperbólico basta recordar o povo alemão, que durante a II Guerra não via "mal nenhum" nas loucuras de Hitler.

Desde que sejamos mais rigorosos connosco do que somos com os outros - e que mantenhamos as nossas opiniões dentro das regras de boa sociedade - julgar não é necessariamente mau.

  Porém, é igualmente má política apontar os erros alheios esquecendo convenientemente os nossos. Pensemos na perspectiva da nossa cultura Católica, que está profundamente enraizada (mesmo que algumas pessoas não gostem disso): quem errou e está arrependido faz a devida contrição, confissão e penitência ficando limpo desses erros a partir daí, com a firme obrigação de se emendar e não voltar a cair no mesmo. Essa obrigação é muito séria e se não for cumprida, mais valia poupar os passos. Mas se o for, é andar para frente dali em diante, ocupando o tempo a aperfeiçoar-se, não a pensar no que lá vai.


Em toda a relação humana, aplica-se o mesmo princípio: qualquer Dr. Phil da vida, qualquer terapeuta ou guru do género dirá o mesmo. Entre casais, família ou amigos ninguém ganha nada em desenterrar uma e outra vez pecados esquecidos, em ir buscar águas passadas logo que uma discussão aflora. Isso é reviver tormentos inúteis, reabrir feridas, deitar-lhes sal e bater num cavalo morto (salvo seja) em vez de cuidar dos cavalos vivos que, esses sim, precisam de atenção aqui e agora. Fingir que se perdoou e esqueceu mas insistir ad aeternum no mesmo é enganar-se a si e aos outros. Ou pior: partir do princípio que somos perfeitos, de uma pureza inexcedível...e que qualquer melindre contra a nossa augusta pessoa é crime de lesa majestade, logo temos o direito de castigar outrem por isso quando nos dá na gana.

Bem diz o Discurso: antes de notar a partícula nos olhos alheios, há que reparar no grande cisco que há nos nossos. Muita gente, porém, esquece que aprendeu esse princípio. E que a mágoa, por legítima que seja, não justifica tudo - pelo menos, se houver afecto pela pessoa a quem se aponta o dedo e o desejo de conservar o que se tem.

Esse complexo de disco riscado dá-se tanto com homens como com mulheres, mas lamento dizer que o sexo masculino é perito nisso...

Ou seja, há cavalheiros que fazem trinta por uma linha, confiados na infinita paciência e capacidade de sacrifício que é apanágio feminino e na tradição que manda desculpar certas asneiras como "coisas de homem" ou "rapaziadas". Mas se uma mulher cai no seu desagrado, nem que seja como consequência do muito que aturou, é sermão e inferno até ao fim do mundo. De repente, 
põem-se no alto de um pedestal exigindo uma perfeição  que não podem retribuir. Só conta o cisco nos olhos delas, por mais gotas que se ponham, mas a poeirada nos deles faz de conta que não existe. Mesmo que essa poeirada não deixe ver o caminho, que é para a frente e não para trás...



Thursday, April 23, 2015

E um bocadinho de ética na imprensa feminina, não?


Hoje, com certa pena, decidi deixar de seguir a página generalista de um site  que acompanhava regularmente e cujos artigos, ora por bons ou maus motivos, já tenho linkado por aqui. Não era a primeira vez que ameaçava 
fazê-lo (tal como outros leitores, a julgar pelos comentários que me ia dando ao trabalho de ler para avaliar se só a mim me fazia impressão o abuso de certos temas e perspectivas). O portal tem interessantes textos de moda e tendências sociais, sem dúvida, mas peca quer pelo exagero de notícias desmioladas sobre Kardashian e companhia, quer pela linha editorial com uma certa agenda política muito vincada, sempre no mesmo sentido. Ou seja, ver sexismo até numa barra de sabão; um melindre constante com tudo o que seja minimamente politicamente incorrecto, mas tolerância absoluta e aplauso a todas as "novidades" mesmo que isso se traduza em comportamentos questionáveis ou opções pouco estéticas; o incessante advogar de um único tipo de mulher: muito assertiva, de mente muito aberta, com um estilo de vida alternativo (para não dizer moralmente duvidoso).

Tudo isso seria legítimo (quem não aprecia ou não concorda, vai ler outra coisa) se o site assumisse um determinado posicionamento,não se apresentando meramente como "a empresa de new media com maior crescimento dos EUA, com o objectivo de se tornar  a marca número um no seu género para mulheres inteligentes, criativas e cheias de estilo em todo o mundo".

 Julgava eu que mulheres inteligentes, criativas e cheias de estilo por este mundo fora as havia mais conservadoras e menos, com diferentes credos, diferentes gostos e orientações políticas ou morais. Mas parece que de acordo com o portal Refinery29, só há uma maneira aceitável de ser- o que é estranho, quando supostamente defendem a total liberdade de escolha para as mulheres e contam com mais de 200 empregados (que acredito, mais de metade sejam mulheres e que passem por um processo de selecção muito rigoroso a nível de ideologia ou que sejam obrigados a dizer sim senhora a tudo).

 Ou bem que somos generalistas e informativos (sabendo embora que linha editorial há sempre, pode é ser subtil) ou bem que não escondemos uma opinião vincada e o leitor sabe com o que conta. Ora, não é isso que acontece: em stories que não são publicadas enquanto artigo de opinião, a informação raramente é apresentada de forma neutra, de modo a deixar a leitora tirar as suas próprias conclusões. A doutrinação, a cassete a dizer que não fazer a depilação é "lindo e confere poder", ou destaques do estilo "esta rapariga é obesa, retrata-se todos os dias em trajes menores e isso é RADICAL E FABULOSO" são uma constante. Nenhum tema, ou quase nenhum, por delicado que seja, é tratado isenta e imparcialmente. Isso andava a fazer-me um bocadinho de confusão, porque ainda acredito que crónica é uma coisa, blog é uma coisa, notícia e "entretenimento generalista" já é outra. Mas fui deixando andar, a ver em que paravam as modas.



 Porém, desta feita publicaram isto: uma lista aparentemente "leve" (se é que se pode tratar com leveza um assunto tão sério) das abordagens positivas e negativas do aborto em filmes e séries, que (só procurando nas entrelinhas se percebe) é da responsabilidade de um guest contributor - reparem bem - o "Centro para os Direitos Reprodutivos". E não, não está assinalado nas redes sociais que o artigo vem assinado por uma representante dessa organização. É divulgado enquanto post comum, como se fosse a lista dos melhores bâtons ou os melhores looks de fulana e beltrana desde o ano 2000.

 Eu tenho uma opinião bastante definida sobre o tema, que não vou impor a a ninguém, mas custa-me a crer que qualquer mulher na plena posse das suas faculdades interrompa uma gravidez sem pensar duas vezes, como quem dá um passeio no parque (ou custava, porque vendo coisas como estas e a estatística + a leviandade dos "incentivos" à IVG em Portugal, já não digo nada). 
   No entanto, é isso mesmo que o artigo em causa sugere, com uma frieza e ligeireza que raia a irresponsabilidade. Em resumo, os filmes/séries em que, face a uma gravidez não planeada, a mãe optou por ter o filho ou se arrependia de ter abortado, são pintados como opressores e negativos; só aqueles em que a mãe escolheu interromper a gravidez  sem culpas "porque não queria ter o filho" recebem boa nota.

Segundo a autora, as clínicas de abortos são lugares acolhedores, o aborto é um procedimento super seguro e inconsequente, não há o mínimo de emoção envolvido no processo. Só falta dizer, em suma, que o aborto é uma coisa maravilhosa e que quem nunca fez um, não sabe o que está a perder. Nem vou gastar tempo a perguntar-me se realmente as pacientes em causa foram ouvidas, porque se foram estamos a falar de pessoas - a meu ver- muito desalmadas.

 Porém, o que realmente importa aqui, que o texto já vai longo, é que o artigo em análise não é caso único. Deparo-me com várias postagens tendenciosas, sobre este e outros temas, mascaradas de informação ou entretenimento, em publicações femininas. Numa tentativa cujo objectivo me escapa de moldar ou adormecer consciências em determinadas direcções. 

Se é para tentarem esculpir a nossa opinião, é preferível que o façam às claras...é menos perigoso.


Acho que os algoritmos gostam de insultar as pessoas.


Ou então andam a abusar das bebidas espirituosas. É que as redes sociais (em que por ossos do ofício tenho forçosamente de mexer mesmo que não me apeteça socializar) estão a fazer pouco de mim e quero acreditar que não é só comigo, mal seria.

Ultimamente, ou me sugerem páginas que não têm nada a ver com o meu perfil (por mais que eu edite as preferências volta não volta lá acham por bem que se calhar não vinha mal ao mundo por ir a um jantarinho todo revolucionário, a uma aula grátis de danças afro latinas ou por me tornar cliente de uma loja onde não punha os pés nem sob ameaça). Pior: insinuam que eu conheço pessoas que teria vergonha alheia (ou medo) de ver na rua, quanto mais. 

Se os algoritmos não fazem de propósito para me ofender, só há outra explicação: apesar de todas as definições de privacidade e limpezas, alguns conhecidos meus devem andar a fazer coisas bem estranhas de forma muito discreta e eu sou castigada por arrasto, em modo "diz-me com quem andas". 

Que grande rebaldaria deve rolar no reino dos algoritmos. 


Wednesday, April 22, 2015

Descoberta da semana: cuidado com os secadores "santinhos"



Quem nunca ouviu - e seguiu - a teoria os bons secadores têm pouco calor e muito "vento"?. Supostamente... quanto menos agredirmos o cabelo com temperaturas elevadas, mais saudável ele será. 

Mas nos últimos tempos comecei a desconfiar desse mito dos secadores "quanto mais mornos, melhor". 

Nem os resultados me pareciam mais impressionantes lá por usar uma temperatura média (o frizz, quando tinha de surgir, ficava igual ou pior) nem há determinação que aguente estar muito tempo a insistir para que a água evapore, torrando o cabelo na mesma e cansando tanto os braços que não sobra firmeza de pulso para fazer um penteado apresentável. 

Entretanto encontrei este artigo que confirmou que afinal não estou sozinha ao olhar de esguelha para os secadores pouco agressivos e fofinhos que não fazem mal nenhum porque não aquecem muito nem nada.
   Segundo vários cabeleireiros de renome, as melhores ferramentas de styling (não só secadores, mas modeladores e escovas) devem sim ter tecnologia iónica, um botão de ar frio, um difusor fino e turmalina, que amaciam o cabelo.

 Porém...convém que sejam usados na potência máxima. Passo a citar: "provavelmente, está a danificar o cabelo mais do que o necessário. Pode parecer contraditório, mas deve usar as ferramentas quentes na temperatura mais alta. Se preparar e proteger a cabeleira previamente (com produtos de styling adequados) isso não vai causar danos extra, a não ser que trabalhe repetidamente a mesma secção de cabelo. A razão é que o calor danifica sempre, quer estejamos a falar de 200 ou 300 graus. Uma temperatura mais alta significa que o cabelo secará mais depressa, logo, menos estragos".

 Ou seja: a exposição demorada faz pior do que a temperatura alta em si. Além de as mechas não ficarem "fritas" e húmidas por mais que se faça, não se sofre tanto no processo e perde-se menos tempo.

Conclui-se então que os "santinhos" são os piores e que quando se trata de secar o cabelo, perdida por cem, perdida por mil...




Duas irmãs, duas it girls, uma virtuosa a outra não

Dorothy, Lady Worsley,  e Jane, Lady Harrington: uma escandalosa, outra virtuosa

Hoje fiquei a saber que a actriz Natalie Dormer (a Ana Bolena de The Tudors) vai interpretar no cinema uma it girl do século XVIII que deu bastante brado na Inglaterra do seu tempo: Seymour Dorothy Fleming, Lady Worsley.

 Uma rica e bela herdeira, Dorothy ficou sem o pai muito cedo, sendo criada pela mãe que não tardou a casar com um magnata das índias Ocidentais. Talvez a perda da figura paterna, rapidamente substituída por um padrasto sexagenário (e podemos imaginar, com pouca paciência para educar raparigas) tenha influenciado as suas decisões insensatas: aos 17 anos, casou com o jovem e bem parecido Sir Richard Worsley, Baronete de Appuldurecombe House, levando consigo um dote considerável:52 mil libras.

Natalie Dormer como Dorothy, em The Lady in Red

No entanto, apesar do nascimento de duas crianças (das quais a primeira morreu na infância e a mais nova teve a paternidade posta em causa) a união do bonito casal despedaçou-se rapidamente: segundo as más línguas, Dorothy foi infiel ao pobre homem desde os primeiros tempos.
 Atribuía-se mesmo à estouvada rapariga o número impressionante de 27 amantes. Richard, furioso por se ver constantemente enganado (podemos concluir daqui que ou algo estranho se passava naquela casa, ou era um esposo invulgarmente tolerante) chegou a processar um deles, mas o cúmulo estava por vir...

Em 1781, Dorothy fugiu efectivamente com o vizinho (e melhor amigo do marido) o Capitão George M. Bisset. Seguiu-se um escandaloso processo em tribunal, com Richard a acusar o amigo da onça de "danos à sua propriedade". A lavagem de roupa suja desceu ao mais baixo nível, com testemunhos das "dúzias" de amantes da mulher, do médico desta (a atestar as doenças pouco decentes que o Marquês de Graham lhe tinha transmitido) e afirmações de que o marido, dado a caprichos e bizarrias de alcova, era conivente com a situação...

 Tudo acabou em branca nuvem, com uma separação não oficial. Dorothy, que entretanto gastara toda a sua herança, continuou a usar o nome Lady Worsley e acabaria por se tornar uma demimondaine de alta classe, pertencendo ao grupo restrito de senhoras bem nascidas mas sem meios que se dedicavam à vida galante...um fim previsível!

Sir Richard Worsley, o marido enganado de Dorothy
  Mas o mais estranho é que Dorothy tinha uma irmã mais velha, Jane, tão ou mais bonita, que era o oposto dela em tudo. Co-herdeira da colossal fortuna paterna, fez um bom casamento com o herói de guerra Charles Stanhope, 3º Conde de Harrington. Próximo dela em idade e de uma aparência agradável, Charles soube conquistar-lhe o coração: viveram sempre unidos e tiveram dez filhos. 
Jane e o marido, Charles
Jane provou ser capaz de administrar generosa e sensatamente os recursos de que dispunha. Financiou mesmo um regimento de Infantaria, partindo com este e com o marido para a Jamaica. Ao regressar a Inglaterra, um ano mais tarde, encantou a sociedade com a sua beleza e sentido de estilo, rivalizando apenas com a sua amiga, a imbatível Duquesa de Devonshire.

Lady Harrington e o marido  gozaram sempre de grande popularidade e Jane era considerada um modelo de virtudes num meio particularmente dissoluto. Talvez por isso entrasse ao serviço da Rainha Charlotte, que a  estimava muitíssimo. Segundo os amigos, ela viveu uma felicidade perfeita: "foi abençoada com paz doméstica, uma adorável descendência e todos os afectos que tornam a vida desejável".

 Mais uma prova de que mesmo quando o destino favorece muito uma mulher, a alegria ou a desgraça dependem do seu juízo e sensatez...



Tuesday, April 21, 2015

Frase do dia: enjoy the silence


"É melhor ficar em silêncio e passar por tolo (a) 
do que abrir a boca e não deixar lugar a dúvidas"


Hoje li esta frase, dita por uma avó (e já se sabe, as avós são poços de sapiência) que é uma versão mais esclarecedora do famoso dito de Madame de Maintenon : antes passar por circunspecta do que por tola. Alguém muito sábio (que estupidamente agora não me ocorre nem me aparece por mais voltas que dê...) afirmava que um néscio nunca se cala. Em relação às mulheres destemperadas, que falam por falar, reza o ditado espanhol "mulher faladeira, ruim fiandeira" (quem diz fiandeira, que já pouca gente fia, diz outra profissão qualquer); o Bom Livro lembra que até um néscio passa por sábio quando se cala e os romanos, que lá deviam saber, avisavam multis lingua nocet: nocuere silentia nulli: falar prejudica muitos; calar, a ninguém...o que é outra forma de dizer quem muito fala, pouco acerta.

É claro que duas verdades bem ditas no momento certo, um argumento bem estruturado quando é necessário, um esclarecimento, não deixar coisas importantes por dizer...tudo isso é essencial. Mas na maioria das vezes, podia reduzir-se o ruído e o disparate a metade e nem por isso o mundo deixar de girar. A quanta tolice não ficavam poupados os nossos ouvidos, quantas zangas escusavam de escalar, quantas más impressões escusadas não chegariam a acontecer...

 Infelizmente vivemos num tempo em que a maioria adora ouvir a própria voz, e parece que morre se não der a sua opinião...


O instinto básico do ciúme





O ciúme é uma emoção primordial não exclusiva do ser humano. Quem tem vários animais de estimação apercebe-se disso: cães e gatos disputam entre si (e de que maneira!) tanto a atenção de potenciais parceiros como a do dono, assim como qualquer privilégio (o primeiro ou mais apetitoso pedacinho de comida, um caixote/lugar no sofá que até há minutos não lhes interessava para nada mas passa a ser importante assim que "o outro" lá se senta, etc).



 E don´t get me started a falar nos tigres, leões (capazes de assassinar as crias de um rival para tomar o seu lugar) veados, alces, cavalos, papagaios, galos ou mesmo animais "fofinhos" como os cangurus ou os pinguins (que se enchem de bofetada uns aos outros). 



Podia continuar por aí fora, a citar a Arca de Noé inteira, mas percebem a teoria. Dos ciúmes nenhum animal está livre, nem mesmo estes sofisticados primatas que somos. E quando se trata do ciúme relativo ao amor romântico, que interfere com emoções ainda mais intensas, pior se torna, porque ameaça tanto a noção de exclusividade (sobretudo nos homens, dizem os especialistas) como a de segurança (que afecta mais as mulheres, afirmam eles).

 São instintos perfeitamente naturais e compreensíveis, que as leis da sociedade humana vieram regulamentar mais ou menos formalmente. Li há dias que a monogamia, o casamento, se inventaram principalmente para evitar a dor e infelicidade que advêm da infidelidade ou abandono do parceiro. Ainda que a ideia de "amor livre" tivesse triunfado completamente, o ser humano continuaria a aspirar a um amor só seu. A paixão pede (ou exige) posse completa. Acredito nisto plenamente, embora possa haver indivíduos que escapem à regra. A maior parte das aves parece compreender isto, acasalando para toda a vida - daí a tradição chinesa de usar símbolos como patos ou grous como talismãs para uma união feliz.


Patos Mandarins, talismãs chineses do amor feliz e da fidelidade

 O ciúme é natural, legítimo (pelo menos, quando uma relação oficial e estabelecida é de alguma forma ameaçada) e, se mantido sob controle, até lisonjeiro. 

 No entanto, sabendo nós disto tudo, não deixa de ser surpreendente como alguns seres humanos com educação, completamente civilizados em todos os aspectos, polidos por todas as regras mundanas, se deixam completamente transtornar pelo "monstro de olhos verdes". Porque uma coisa é senti-lo, outra bem diferente é permitir que ele domine até quando não há motivos. 

 Tenho visto vários cavalheiros (nas mulheres acontece também, mas no masculino torna-se uma coisa devastadora) que, face a um simples olhar ou comentário de qualquer homem presente em relação à mulher com quem se importam, perdem a cabeça. Em público, se for preciso. Não conseguem, ao menos, manifestar discretamente o que os incomoda. Se sofrerem de ciúmes agudos, irracionais, são capazes de insultar a mulher, que nem fez nada, acusando-a de "ter encorajado", de ter "provocado". 



Não pensam: a emoção, o instinto, os sentimentos levam totalmente a  melhor. Perdem a  noção do que dizem, do que fazem, da figura que fazem - passe o pleonasmo - daquilo que quem está pode pensar deles, da mulher que está com eles, da situação (porque quem vê não percebe o que realmente se passou e pode julgar imediatamente coisas muito piores) da realidade, das consequências (vide Othello), da lógica. 

E escusado será dizer, argumentar com um ciumento é tempo baldado porque uma vez desencadeada essa reacção (que pode accionar-se numa questão de segundos) eles ficam cegos, não vêem, não raciocinam. Só sentem, e o que sentem é terrível. É como se um ácido corroesse tudo o que há de bom e esclarecido lá dentro.

 Onde fica então o homem civilizado que devia ser superior a essas coisas, a esses frémitos selvagens? Onde fica nesse caso a lógica, a racionalidade, a alma? Perante o instinto básico, vai-se tudo. Se o amor é o milagre da civilização, o ciúme doentio é a prova de que a civilização está constantemente ameaçada.




Monday, April 20, 2015

7 coisas pelas quais uma mulher não tem de pedir desculpa


Esta é uma época estranha para se ser mulher. Por um lado, esperam-se de nós características pouco femininas, "vendidas" como um falso poder- ambição excessiva, ousadia, rispidez, agressividade. Por outro, é suposto sermos complacentes com coisas que nos incomodam por dentro, só porque são conforme l´air du temps. Nessa altura já cai mal ser assertiva. Então, em que ficamos?

Newsflash, meninas e senhoras: apesar de muita ideia politicamente correcta e supostamente civilizada vendida pelos media e pela ficção, há aspectos/opiniões/opções que só a nós nos dizem respeito, e não temos de pedir desculpa (nem sentir a consciência pesada) por isso. Eis alguns exemplos:


1- Ter dinheiro e/ou sucesso



Porque se desunha a trabalhar/herdou e não tem culpa que os seus antepassados fossem gente previdente/a sua família tem meios/ criou um negócio que está a dar fantásticos resultados/escreveu um best seller/lançou um disco de platina/ ganhou o euromilhões graças a um sonho em que a sua tia Capitolina que coitada, já não está entre nós, lhe disse "filha, jogue nestes números"...a verdade é que não deve explicações a não ser ao seu banco. 
 As pessoas são super tolerantes com tudo, mas o caso muda de figura quando se trata do dinheiro ou estatuto alheios. É óbvio que com a fortuna vem a obrigação implícita de ser delicada junto de quem não tem tanta sorte, evitando comportamentos de ostentação... e um certo dever moral de ser generosa com quem realmente precisa, mas parto do princípio que já faz isso. Nem a caridade deve ser alardeada...
Se não fez nada de errado para obter a sua situação confortável, não tem de se justificar pelo êxito. Por mais que o faça, não calará as más línguas nem vai aliviar o ressabiamento a quem o sente. O único remédio é afastar-se de pessoas assim. E não, também não precisa de pedir desculpa por isso. 


2 - Ficar em casa a cuidar do marido e dos filhos...ou adiar casamento e filhos em prol da carreira



Acredite, são duas opções que nunca reúnem consenso. No primeiro caso, porque não há quem entenda as feministas: é suposto uma mulher ter todas as opções, menos a de um papel mais, digamos, tradicional, se assim lhe aprouver e tiver os recursos para isso.  No segundo caso, porque as pessoas nunca estão contentes e têm sempre de dar sentenças sobre alguma coisa: se ainda não encontrou a pessoa que a faz querer ir até ao fim do mundo, havia de casar contrariada? Quer queira uma, outra, ou conciliar ambas, desde que saiba o que é melhor para si e esteja consciente de que "ter tudo" exige equilíbrio e opções, peça a essas pessoas que se dediquem à nobre arte de plantar batatas, que a agricultura biológica tem muito chic neste momento.

3 - Exigir ser tratada com cavalheirismo



Só porque há uma facilitação generalizada que propicia a descida de padrões no relacionamento com o sexo oposto, isso não significa que deva pedir desculpa ou sentir-se mal por exigir respeito. Discrição, seriedade, serenidade, feminilidade e elegância convidam automaticamente ao cavalheirismo, mas as linhas esbateram-se tanto que muitas vezes há quem se confunda. Lembre-se: a delicadeza feminina termina onde a indelicadeza masculina começa. 


4 - Não querer ser amiga do seu ex (ou não o querer ver nem pintado!)
Há ex e ex, várias motivações para continuar (ou não) em contacto e diferentes formas de lidar com essa situação constrangedora, de acordo com a moral e valores de cada um (a). Depois, é preciso distinguir uma relação cordial (ou um pacto de não agressão) de amizade. Mas parece que actualmente é de rigueur as pessoas envolverem-se num dia, zangarem-se e continuarem muito amiguinhas no outro, sem um mínimo de pudor, como se nada se tivesse passado. Se o seu ex é do tipo Godzilla, se fez trinta por uma linha - ou simplesmente se ainda tem sentimentos por si, deixando-a pouco à vontade porque não quer magoá-lo - não tem de comprar essa ideia. Tão pouco você tem culpa de ser moda certas mulheres, roídas por dentro, continuarem amigas dos seus ex namorados na esperança de os reconquistar (não há nada mais triste!). Não estamos no tempo do Flower Power nem há cá amor livre (a não ser que viva numa comunidade hippie e nesse caso é lá consigo, que eu não sei como os hippies gerem essas coisas). Tão pouco a sua vida é um episódio de Coupling, Friends ou How I met your Mother.

5 - Não querer envolver-se com um cavalheiro que continua super amigo de todas as ex. E que tem imeeensas amigas.




Se acredita na máxima "homem que tem muitas amigas, ou é gay ou não é gente séria" não se obrigue a suportar coisas que a deixam desconfortável. Até pode ser preconceito seu, mas dificilmente estaria descansada junto de alguém que acha normalíssimo ter um tipo de vida social que a deixa em parafuso. É perfeitamente legítimo dizer "é muito bom rapaz, mas prefiro relacionar-me romanticamente com alguém mais recatado/selectivo". Talvez sirva para amigo, já que é tão amiguinho de todo o mundo.

6 - Ser magra/bonita/estar em forma (ou recuperar a forma ao seu ritmo)
O ugly is the new pretty e a obsessão pela "beleza real" puseram as mulheres tradicionalmente "bonitas" a pedir desculpa por isso para não melindrar as restantes. Se uma mulher consegue, apesar do ritmo alucinante do dia a dia, andar impecável e manter a forma, é muitas vezes acusada de fútil, de ter um distúrbio alimentar ou no mínimo, de abusar do photoshop e da maquilhagem. Por outro lado, as raparigas que sentem não corresponder ao "padrão de beleza imposto" acham-se na obrigação de partilhar com o mundo imagens das suas imperfeições, dizendo que isso é que é ser uma mulher "real" para obter assim o aplauso da multidão. Ninguém deve ser ridicularizado por ter pequenas mazelas de que nem uma supermodelo está livre, mas fazer disso motivo de louvor ou pescar elogios é igualmente disparatado. Cada uma tem de cuidar do tipo de beleza que Deus lhe deu e tirar partido disso, usando o que a favorece e escondendo o que é menos bonito. De resto, haters gonna hate e  ser discreta cai bem em toda a parte.

7- Cortar com/ignorar/ter uma opinião forte sobre/ evitar pessoas que não aprecia
Ou porque lhe pregaram uma partida feia no passado, ou porque se dão a comportamentos e convívios que não lhe agradam. Temos o dever de perdoar as ofensas (ou seja, dar o desconto, seguir adiante e não guardar rancores que fazem pior a quem os sente do que ao alvo) e de respeitar todos como gostaríamos de ser respeitadas. Mas isso não implica acolher uma cobra venenosa na sua intimidade, ou ser isenta de julgamento. Se alguém lhe fez mal, é legítimo não voltar a dirigir a palavra a essa pessoa, salvo em situações profissionais em que não tenha outro remédio, e mesmo assim...
 Por outro lado, se uma pessoa até nunca lhe causou dano mas tem uma forma de estar que vai contra os seus princípios, não é obrigada a fingir que isso não lhe faz confusão só porque vivemos na época do "tudo é permitido". Seja educada, cosa consigo a sua opinião e afaste-se. A liberdade é bilateral: os outros têm a liberdade de procederem como entenderem dentro da lei, e você de pensar o que quiser sobre o assunto de si para si, bem como o de seleccionar as suas companhias.

Sorry about that! *NOT!*


















Limpeza de closet: 4 maus investimentos que devem sair da sua vida



Ao fazer as necessárias - e periódicas - limpezas de guarda roupa (como já falámos, duas por ano raramente bastam, principalmente a quem vai comprando regularmente, algo cada vez mais normal no reinado da fast fashion) há sempre reflexões interessantes.

Nada põe tanto em perspectiva os próprios hábitos de consumo - ou os alheios, se estivermos a ajudar outra pessoa a organizar-se-  como ver TODO o acervo fora do armário (e uma divisão em modo Revolução Francesa). 

 Como a Primavera já chegou e é suposto toda a gente deitar mãos à obra a bem do visual e da bolsa, há que ser implacável com o que já não tem lugar na sua vida.

 Aqui fica um pequeno perfil dos "empata armários" que podem andar a complicar a sua existência, para os identificar mais facilmente:


Livre-se:

1- Dos extremos. Sabemos que a moda é cíclica, mas raramente uma tendência regressa exactamente como se usou há X anos atrás porque a experiência ensina alguma coisa, tanto aos criadores como aos consumidores. Nos últimos anos, os casacos com ombreiras voltaram a ver-se, mas sem os exageros dos anos 80. Neste momento as cinturas descaídas estão a querer regressar (não em substituição mas como alternativa aos modelos subidos)- porém, dificilmente voltarão os desconfortáveis jeans estilo Britney Spears, que faziam meio mundo mostrar a roupa interior. Se uma peça for extravagante, quase caricatural, mas de boa qualidade ou vintage, veja se a pode modificar na costureira; caso contrário, liberte-se dela, fazendo voto de não gastar muito neste tipo de artigos a partir de agora.

2- De tudo o que pareça demasiado "adolescente". O ditado nunca voltes ao lugar onde já foste feliz devia ser uma máxima de estilo depois dos 25 anos. As calças com demasiados feitios ou aplicações, os " pequeninos tops de sair" (veja aqui uma solução para reciclar os que tem mesmo pena de mandar embora), os vestidinhos curtos, divertidos e descaradamente low cost...envelhecem o visual, fazem-no parecer mais "barato" e ocupam muito espaço. Está na altura de substituir tudo isso por peças que embora possam ser parecidas, tenham melhor qualidade e um ar mais sólido e sofisticado. Convide as suas primas teenager ou filhas de amigas para herdar o que lhe deixa boas recordações e/ou doe à Paróquia, ONG...

3- Das "experiências de laboratório": padrões, cortes e texturas que até se usaram, mas tiveram o seu momento e agora parecem datadas. As túnicas e tops-túnica demasiado longos de há 5/6 anos atrás (não se voltarão a usar tão compridos), os saltos exagerados, hiper compensados e super coloridos (actualmente vê-se um pouco de tudo, mas com um "ar" mais moderado do que há uns anos atrás) etc.

4- Das carteiras, cintos e sapatos de menor qualidade: a experiência ensina que é preferível ter menos peças, mas poder confiar nelas de olhos fechados. O bom calçado/boa marroquinaria dá sempre o "polimento" certo a um look, e vice-versa. Embora haja sapatos razoáveis em algumas lojas de fast fashion (e.g: Zara) é sempre bom fazer as contas: com o que investe em seis pares a preço de colecção, podia comprar um só, de uma marca fiável, que a a vai acompanhar muitos e bons anos. Já outras lojas, como a Mango, são óptimas a fazer calças clássicas e vestidos mas raramente acertam no calçado. 
  Livre-se daquilo que não adora e vá pensando num upgrade.

Boa limpeza!




Sunday, April 19, 2015

Mulheres imprudentes: o flagelo da própria casa



Bem reza o provérbio, "a mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata derruba-a com as próprias mãos". 

Actualmente a maioria de nós possui instrução, liberdade, independência...mas  uma mulher prudente, discreta, sensata e sábia continua a ser motivo de elogio. A Prudência é outra daquelas palavras que quanto mais necessária é, mais fora de moda se torna.

Talvez isso tenha a ver com o facto de inteligência e sabedoria serem tidas como dados adquiridos só porque se estudou um bocadinho. "Fulana é psicóloga, não pode ser parva nenhuma". "Ela é advogada...deve ser inteligente!"..."sicrana gosta de falar sobre arte...então deve ser culta". Isto nem sempre é verdade, tanto pelo facilitismo que grassa por aí como por a ambição ajudar muito. 

 Porém, a falta de prudência é uma coisa muito democrática: atinge as desmioladas, as chicas -espertas e as mulheres realmente dotadas, as cultas e menos cultas, as que vivem dos rendimentos e as que trabalham, as mais independentes ou menos, mais velhas e mais novas. É uma epidemia.

 Curiosamente, nos dias que correm a imprudência tende a surgir com mais gravidade (ou será apenas maior o contraste?) nas mulheres muito ocupadas e ambiciosas, talvez porque lhes sobra pouco tempo para se voltarem para dentro

Conheço imensas - algumas bastante espertas, com feitos académicos e/ou carreiras razoavelmente bem sucedidas -  que durante o dia se dedicam ao seu negócio, às suas investigações, ao seu emprego, à política, à cultura. Isso está muito bem. O pior é que algumas dessas mulheres também chamam a si a responsabilidade de uma família, esquecendo que ela não é uma planta que se rega uma vez por dia e já está. Compraram o mito "podemos ter tudo" esquecendo que ter tudo exige disciplina e sensatez.

 E mal saem do seu escritório/loja/empresa, ei-las sentadas nas redes sociais a debitar política, economia, injustiças sociais, ou a aderir a seitas espirituais duvidosas partilhando mensagens de paz e amor, sem reparar no que se passa dentro da própria casa. Não conheço uma única dentro deste género que não "deseduque" os filhos  assim, não se importando minimamente com as figuras que os seus rebentos fazem, quando não são totalmente negligentes. 


Estão mais preocupadas com o alinhamento dos chakras ou as gaffes do Primeiro Ministro do que em agir onde realmente podem fazer a diferença: junto dos seres humanos sob sua responsabilidade. O que não abona sequer a favor da imagem pública que pretendem criar...

 Obviamente a  educação nunca é exclusivamente responsabilidade feminina, mas haverá maior influência, particularmente junto das filhas, do que a  própria mãe? Aí entra a "contribuição" masculina: não conheço nenhuma mulher deste estilo que não seja casada com um homem fraco, que deixa a casa desgovernar-se a bel talante e a quem a mulher manda calar em público, se preciso for, desautorizando-o perante quem está.


  À falta de uma mulher sensata, ao menos que haja um homem razoável, capaz de serenar os ânimos, segurar as pontas e pôr ordem na prole. Mas é muito raro que um homem varonil se entusiasme por uma mulher assim, ou que uma mulher insensata procure quem a possa guiar pelo bom caminho. Qual! Isso seria privá-la dos gurus, da política e do resto e obrigá-las a moderar-se, coisa que para elas é kryptonite...



.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...