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Saturday, May 2, 2015

Esforçar-se muito...ou ser gentil consigo mesmo (a)?

O anúncio da polémica e alguns dos protestos *disparatados* que se lhe seguiram

A capacidade de sacrifício, de trabalho, o empenho ao assumir uma causa ou objectivo e lutar por ele com unhas e dentes são, segundo os gurus da matéria - de diferentes credos e correntes de pensamento - a única receita certa para chegar onde se deseja. Nada é grátis; no pain, no gain. Uma vez definida uma meta há que ir onde for necessário para a alcançar, prescindir do que está em desacordo com ela, unir-se de corpo e alma à imagem daquilo que se quer, em suma: aguentar o calor ou sair da cozinha. Sem sacrifício não há amor, nem beleza, nem glória. Sem um pouco de sofrimento não só não se vai a parte nenhuma como as vitórias perdem um pouco do seu sabor. Se não estivermos dispostos a prescindir de certas diversões efémeras, a aguentar algumas noites mal dormidas, algum stress, umas quantas dores na alma e no corpo, a provar o pó das derrotas temporárias, etc...é porque esse objectivo não é importante que chegue.

 Há dias um anúncio de produtos dietéticos que perguntava "tem um corpo de praia?" foi muito criticado, crucificado quase, por muitas mulheres que, achando-se fora de forma, reclamavam que "qualquer corpo com um bikini vestido é um corpo de praia". Não deixavam de ter a sua razão (embora não haja desculpa nem para a inveja, nem para o vandalismo): qualquer corpo de bikini é um bikini body. Pode é não ser a melhor versão do dito cujo, porque a melhor versão exige...trabalhinho, mesmo a quem foi geneticamente abençoada. Ora, se estas mulheres preferiram exibir-se de bikini lá com o seu corpo pouco "pronto" para reclamar junto aos mupis do produto, é porque estar na sua melhor forma não é assim muito importante para elas. Têm esse direito, mas cai-lhes mal atacar quem prefere sacrificar-se um pouco para chegar onde deseja, para ter uma imagem mais cuidada. Sem sacrifício, não há "bikini body" estilo manequim. Quem não aguenta o calor, sai da cozinha e dedica-se a outra coisa onde o calor não faça confusão.



 Conclui-se então que é preciso conhecer a nossa "verdadeira vontade", aquilo por que estaríamos determinados o suficiente para entrar em modo "quem corre por gosto não cansa". Se calhar, as pessoas de sucesso não são mais trabalhadoras ou geniais do que as outras: simplesmente descobriram mais cedo aquilo em que não só são eficientes, como aquilo que as apaixona e as faz vibrar.

 Porém, há outra abordagem a ter em consideração - muito defendida em várias fés e em disciplinas como o Yoga - e que sem dúvida, será igualmente posta em prática por muita gente bem sucedida: ser gentil consigo mesma (o). Isto não implica a ausência de esforço, de empenho, de iniciativa, mas sim fazer uma gestão eficaz da pressão que colocamos em nós próprios. Há momentos no processo que exigem estar muito alerta, puxar os limites, ser proactivo (a). Há outros em que é permitido relaxar, baixar a guarda e deixar os acontecimentos fluir ao seu ritmo, ou - para quem crê nisso - de acordo com o destino. A persistência cega pode ser um erro e ao teimar furiosamente na táctica "insiste, insiste, bate a todas as portas, mexe-te só porque sim" podemos estar a colocar pressão onde ela não é necessária, a criar uma série de inseguranças ou a perder o entusiasmo e a alegria, que são essenciais. Bruce Lee lá dizia: sê como a água!

Talvez essa intuição, essa capacidade de saber quando usar força e repetição ou quando relaxar e deixar que Deus ajude seja o verdadeiro segredo...

Friday, May 1, 2015

A melhor dica para saber o que deitar fora ou não (segundo uma especialista)


A japonesa Marie Kondo é uma "organizadora de casas profissional" tão capaz que vendeu mais de dois milhões de livros e foi considerada pela Revista Time uma das personalidades mais influentes este ano. Nunca subestimemos o poder da organização na era do consumo fácil! 

 Pelo que já li sobre ela, concordo com muitas das suas ideias para aquisições conscientes e um guarda roupa (ou um espaço de forma geral) mais ordenado: ao arrumar, começar sem medos, porque quanto mais cedo melhor, sem se acobardar com o tempo que vai demorar; encarar sem receios toda a "tralha" que se juntou em casa (ou como eu costumo dizer, tudo para fora das estantes, gavetas e cabides até não restar pedra sobre pedra!);  ter uma consciência exacta do que queremos antes de fazer qualquer compra; saber exactamente qual vai ser a utilidade do produto na nossa vida em vez de comprar só porque "tem piada"; não trazer para casa nada que não sintamos uma necessidade ou vontade  IMPERIOSA de ter...

Porém, há uma máxima desta guru da arrumação que eu considero absolutamente genial ...e fácil de aplicar, tanto na hora de ponderar compras como ao limpar a casa. É pegar nos objectos e pensar: "isto transmite-me alegria?"




Já temos falado nisto por aqui, aliás, e aplica-se particularmente a roupas e sapatos. 

 Ou por remorso ("dei não sei quanto dinheiro por isto e nunca vesti") ou por culpa ("é horrível, mas foi a minha avozinha que me ofereceu") tendemos a agarrar-nos a objectos que não nos fazem felizes. Segundo Marie Kondo, e eu subscrevo, o nosso espaço pessoal só devia ter coisas que transmitissem alegria: o vestido que temos sempre vontade de usar, o livro raro que adoramos reler, a antiguidade que andámos anos para encontrar, os sapatos que estamos mortinhas por levar à rua.



Não o vestido que se usou naquele jantar "romântico" que afinal só trouxe aborrecimentos, a bugiganga oferecida pelo ex-que-veio-do-inferno nem as sandálias que se usaram para lhe dar o merecido pontapé de saída; ou o casaco que se costumava levar para o antigo escritório, de que até não se gosta assim muito e que agora causa um certo constrangimento interior porque remete para aquele emprego para esquecer onde se foi super infeliz. Tudo o que canse a alma, tudo o que seja vagamente deprimente ou sem graça, deve ser deitado fora ou - se estiver em boas condições- ser encaminhado para outro destino. Talvez faça alguém feliz!

 Conserve-se apenas o que provoca entusiasmo, que enche os olhos, que acrescenta beleza, que evoca boas recordações ou achamos que "deu sorte"  (se não for um item velho, estragado e cansativo de ver, que começa a causar um certo "incómodo" cá por dentro).

Menos é mais - no mínimo, mais espaço para circular, mais repouso para os olhos, mais arrumação, mais harmonia, mais facilidade para encontrar o que é preciso sem perder tempo, mais consciência daquilo que é importante, mais área livre para preencher com as coisas (físicas ou intangíveis) que realmente têm significado. Fácil, não?

Afinal, quem veste as calças e quem usa os saltos?



Esse parece ser o problema, a confusão, o busílis entre os sexos na nossa época de igualdade mal aplicada: os homens esquecem-se de que lhes cabe usar as calças. As mulheres, de se porem nos devidos saltos altos

Isto é como quem diz, já que se para eles o uso de calças continua a ser mais ou menos obrigatório - fora calções, kilts e outras fatiotas típicas de certas culturas -  no que toca às mulheres não é preciso usar saltos todos os dias. Mas em sentido figurado, falando em termos de atitude, nunca as mulheres deviam descer dos seus saltos, nem os homens prescindir das calças.

Decerto esta metáfora não cairá bem a algumas mentes mais abertas, mas sejamos pragmáticos...

Recentemente uma conhecida intelectual dissidente do movimento feminista dizia que assistimos a uma "crise masculina", no sentido de os homens, a quem foi retirado o seu papel tradicional, já não saberem quem são. A autora relacionava mesmo a "epidemia do jihadismo" com esse "chamado da masculinidade": "é uma ideia de que os homens ali podem ser homens e ter aventuras como os homens costumavam ter".  Afirmava também que as mulheres prescindem do seu verdadeiro poder ao encararem o sexo oposto como absolutamente igual- ou como *erradamente acham* que gostariam que ele fosse - em vez de lhe dar maternalmente o devido desconto, como as nossas avós faziam.



Esta pressão da sociedade e dos média, sugerindo que a única forma de um homem ajudar as mulheres é pensar como elas, efeminizando-se (muitos pensando que agindo assim terão mais sucesso nas conquistas) e que uma mulher, para ser bem sucedida, tem de prescindir da sua feminilidade, delicadeza e de uma certa inacessibilidade que foi o seu maior trunfo por séculos, não ajuda ninguém.

Temos homens frustrados porque já não podem expressar a sua natureza de heróis, de conquistadores (até as Princesas Disney já dispensam um cavaleiro que as salve) e mulheres exaustas porque, cansadas do seu papel independente ao fim de um dia de trabalho, gostariam de encontrar um homem em casa que as resgatasse, para variar: não alguém passivo, manhoso, com tantas delicadezas como elas, à espera que a mulher tome a iniciativa, carregue o mundo nos ombros. Muitas dão vazão a esse anseio envolvendo-se com maus rapazes ou lendo disparates do estilo as 50 Sombras, caricaturas do homem Alfa poderoso e dominador.

 Como dizia o Prince, let a woman be a woman and a man be a man! Deixem um homem pensar como um homem, com a típica síntese, e uma mulher pensar como uma mulher, com as suas subtilezas. Fazer o contrário só nos torna em imitações, em versões incompletas. Por muito que o neguem, graças a tanta lavagem mental, um homem a sério quer conquistar e uma mulher a sério, ser conquistada



Quando um homem veste de facto as calças não é um rapazinho: sabe fazer-se respeitar quer pela integridade do seu carácter, quer pela firmeza; na dinâmica de casal toma as iniciativas que competem ao seu género; é fiel, recto, de palavra e de confiança; explica-se clara e sucintamente; é cavalheiro em todas as circunstâncias e impõe racionalidade à relação, sendo um apoio seguro sem no entanto encorajar caprichos e fanicos.

A mulher que se mantém nos seus saltos altos é temperada, prudente, serena e segura de si; sabe encorajar a pessoa de quem gosta sem ser demasiado óbvia, sem se vulgarizar; não "exige" respeito, antes transmite uma aura respeitável pela forma como se expressa, se apresenta em público e traça limites firmes que a distinguem das demais. Ser feminina e intuitiva são todas as "iniciativas" que toma. Não se entrega ao wishful thinking, arranjando desculpas para um cavalheiro que não está assim tão interessado; não idealiza, não se entusiasma por um homem antes que ele manifeste sentimentos por ela. Tem tanto de sexy como de bom senso, discrição e discernimento - pois o eterno "mistério feminino" é feito de tudo isso...

Não há nada de apelativo num homem que rejeita as calças, nem numa mulher que desce do seu pequenino degrau...





Wednesday, April 29, 2015

8 dicas contra maus momentos



De fases menos boas ninguém está livre - um mau momento profissional, uma crise grave num relacionamento, uma injustiça...são ocasiões tristes que sucedem aos melhores. Há que procurar a consolação pensando que nada é estanque na existência e que pelas próprias leis da natureza, a Roda da Fortuna gira constantemente. E quando possível, rir da situação - às vezes quanto mais desgraçada a circunstância, mais cómica se torna. Mas enquanto os ventos não mudam, há pequenos "remédios" que estão na mão de cada um...

1 - Atire-se ao exercício: pode parecer um cliché, com toda aquela história das endorfinas e bla bla bla, mas três coisas são inegáveis: primeiro, como diria o Dr. House, a melhor forma de atenuar uma dor é sentindo outra: enquanto aguenta as dores nos músculos das pernas, braços, etc, esquece-se das dores de alma. Segundo, já que tem problemas, ao menos que lhes faça frente com um corpo bonito; e terceiro, no final estará tão exausta (o) que não lhe sobrará energia para pensar no que a (o) atormenta.

2- Evite a "murmuração": esta palavra é cada vez menos usada no sentido bíblico  - ou seja queixume, lamúria, desanimar-se a si mesmo (a) e aos outros com reclamações amargas. Desabafar é   saudável e justo, mas enterrar-se num rosário de queixas constante, estilo velha rezingona, é cansativo e não produz nada. Isto inclui reclamar nas redes sociais - dificilmente alguém virá em seu auxílio por causa disso, mas as pessoas maldosas ficarão contentíssimas por saber do mexerico.  A vida é cheia de contrariedades, já se sabe: está na mão de cada um  enfrentá-las com sangue frio, serenidade e elegância. 

3- Arme-se de paciência (e tampões para os ouvidos) : a verdade é que família e amigos, com a maior boa vontade, vão fazer tudo para ajudar a resolver o problema. Se gostarem mesmo de si, não descansarão até o assunto estar ultrapassado o que por sua vez, também é um factor de stress para eles...e para si! O pior é que na ânsia de socorrer podem entrar em modo pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira, perguntando constantemente se já fez assim, se já tentou assado, insinuando, com a melhor das intenções, que às tantas ainda não explorou todas as possibilidades (quando estão fartos de saber que já se virou do avesso) ou que fazer cozido é que era boa ideia, mesmo que essas sugestões lhe agradem tanto como atirar-se a um poço ou sejam um perfeito disparate. 

Uns acharão que da discussão nasce a luz e que um brainstorming diário é o caminho para encontrar a solução mágica - mas você sabe que massacrar mais o seu pobre cérebro vai fazer mais mal do que bem - para não falar de quem acha que o que lhe está a fazer falta é um abanão psicológico ou ouvir umas verdades a ver se acorda. Faz tudo parte do processo. Relativize.

4 - Faça alguma coisa simpática por outra pessoa (ou pelos animaizinhos, of course): há sempre um amigo, conhecido ou perfeito estranho em piores circunstâncias. Desviar-se um bocadinho do seu caminho para ajudar não só a (o) vai distrair dos seus próprios problemas como lhe devolve a noção de que tem algo de valioso a oferecer aos outros e algum poder para modificar ou aliviar a realidade, por pouco que seja. E claro, para quem acredita nisso, é sempre melhor acumular uma bagagem de boas acções. What goes around comes around.

5 - Cuidado com mudanças drásticas: cuidar da imagem e/ou mudar de cenário é o melhor que se pode fazer face a um desgosto ou contrariedade, mas faça-o suavemente. Mudar de casa/país sem que isso seja realmente necessário, aderir a uma "seita" ou terapia exótica ( "milagres" fáceis são sempre de desconfiar) pintar a sala de roxo, começar um relacionamento porque sim, fazer uma tatuagem, cortar radicalmente o cabelo ou agir de forma totalmente oposta aos seus hábitos e valores não só pode acrescentar mais problemas como, quando tudo voltar à normalidade, a (o) fará pensar "onde é que eu tinha a cabeça'"? Quando tudo está confuso, cuidado com as "novidades".

6 - Se puder faça compras...mas cuidado. Oscar Wilde disse "as mulheres sem graça choram, as mulheres bonitas vão às compras". Uma pequena consolação material pode ajudar a ultrapassar um dia difícil, embora seja mais um penso rápido do que um remédio. Não compre por impulso, no entanto: fique-se por pequenas coisas ou, se quiser e tiver possibilidade oferecer um presente mais significativo a si própria (o) invista em algo que possa pagar de uma assentada, que esteja na sua lista de desejos há muito tempo e/ou que lhe dê jeito a longo prazo. Um curso, uns sapatos de confiança, um bom casaco, etc.

7 - Limpe o seu  quarto e o armário: e comece pelas peças que lhe trazem más recordações. O vestido de que até já nem gosta e que usou "naquele" encontro com o malvado do seu ex, o fato que vestiu naquela apresentação desastrosa no seu antigo emprego (e que até não era tão confortável como isso) etc. Continue com o processo normal de pôr de parte o que já não lhe fica a matar (venda, ofereça, doe) e o que nunca usou e para lá ficouConsidere também desfazer-se de livros, postais, contratos, retratos e bugigangas que lhe recordem pecados esquecidos. Muitos sistemas de crenças defendem que é preciso criar espaço físico em casa para que coisas novas e positivas surjam para preencher o vazio. Não posso jurar, mas no mínimo é libertador e ficará com a casa muito mais arrumada; além disso, não andar sempre a tropeçar em tralha que já não usa é um tremendo alívio. Até pode estar em baixo, mas de desorganizada (o) ninguém a (o) pode acusar!

8 - Obviamente, peça ajuda: terapeutas certificados, sacerdotes, advogados (consoante o caso) mentores e amigos sinceros existem para essas coisas. Carregar o peso do mundo nos ombros sem necessidade não é heroísmo, é teimosia.



Frase do dia: coisa que um homem prudente não faz


"Alguns ha tão pouco advertidos, que requebrão suas mulheres à mesa diante de seus criados, agora com as palavras, agora com os mencos, e de todos os modos indignissimo; porque igualmente offende a modestia dos homens, e a honestidade das mulheres". 

D. Francisco Manuel de Melo, in


Que a leitura deste sábio autor português não esteja na moda, diz muito sobre a mentalidade actual. A sua obra devia ser o livro de cabeceira de muitos casais e de muita gente que pretende ocupar determinados lugares na sociedade. Os aborrecimentos que se poupavam!

 Pois bem, por aqui tem-se falado no feio vício que as meninas do nosso tempo ganharam: o de, julgando que isso as faz parecer muito "modernas", muito despachadas, diminuir os homens em público, contradizê-los diante de quem está, interrompê-los bruscamente ou falar mal deles às amigas. Poucas coisas são tão destrutivas para um relacionamento já que os cavalheiros, ainda que de forma inconsciente, levam muito a peito o respeito e admiração que a cara metade lhes deve.

  Mas igual dose de respeito se espera dos homens: e muitos há - ou por destempero, ou porque se sentem zangados, ou com um ataque de ciúmes, ou porque são autoritários ou tomam ao pé da letra uma postura tradicional (esquecendo que essa obriga ao cavalheirismo), abusando da boa vontade e paciência de quem gosta deles - que fazem gala de repreender quem está com eles diante de quem está, passe o trocadilho. Parece que ficam mais confortáveis, ou com mais coragem de dizer da sua justiça, se for diante dos amigos, de estranhos ou do pobre homem que vem tranquilamente com a sua bandeja servir o almoço ou o chá...


 Sentem-se assim mais apoiados, porque contam com a boa educação da mulher, que se calará para evitar piorar a cena; acham que a castigam ou se vingam melhor de algo que ela lhes tenha feito; e arvoram, julgam eles, figura de galo da casa, que tem a mulher na mão. Imaginam que os compinchas dirão que grande homem! Com aquele não se pisa o risco! Ele mostrou-lhe quem manda...e "conversas de caserna" deste estilo. Se calhar não é bem assim...

Já no sec. XVII tais atitudes eram mal vistas...um homem deve ser sempre senhor de si, antes de pretender ser senhor dos outros. Ao vexar a mulher diante de pessoas, pondo em causa a sua capacidade ou mesmo a sua honestidade, diz mais de si próprio do que dela, levantando até suposições injustas sobre si mesmo e sobre questões privadas lá dos dois. Não só passa por indiscreto e descontrolado, perdendo o respeito alheio, como faz com que a menina ou senhora visada lhe perca também o respeito; que não confie nele e esfrie, se for sensata, quaisquer sentimentos que nutra por tal bruto.

 Se às mulheres convém serem temperadas, aos homens convém que sejam "advertidos", mas num sentido mais arcaico do termo: ajuizados, prudentes e a guardar para o momento certo aquilo que não lhes convém que o mundo ouça.




Tuesday, April 28, 2015

Dois daqueles lampejos que fazem a vida valer a pena



1- Uma das melhores definições que já encontrei sobre o amor, lida aqui:

"O amor produz um fenómeno que os filósofos da Idade Média chamavam êxtase. Este toma, por assim dizer, o coração da pessoa que ama e coloca-o no lugar da pessoa amada (...) . As grandes dores brotam do coração; provêm de um coração dilacerado. Então somos atingidos no mais íntimo de nós mesmos. Se alguma ajuda fortíssima não vem em nosso socorro esse amor, que nos tinha levado ao paraíso dos sonhos, precipita-nos no túmulo. O amor dilacerado mata-nos".

Mas não estará nessa fragilidade tão dolorosa - ou na ameaça dessa fragilidade - a beleza, a essência dos sentimentos que valem a pena?  Bem se diz que "a Cruz é o trono dos verdadeiros amantes". 



 2- Ouvido neste programa do Canal História: um rapazinho de nove anos foi levado com a mãe para Auschwitz. Apesar de terem sido separados, de vez em quando a pobre senhora conseguia  avistar-se com o filho através do muro farpado e quando tinha essa sorte, chorava, como seria de esperar. O pequeno, de natureza espevitada, rebelde como são todas as crianças e forçado a endurecer antes do tempo, respondia-lhe com aspereza (talvez para se defender lá por dentro): "porque está para aí a chorar, mãe? Chore que não chore vamos morrer na mesma".

 Entretanto o rapaz foi levado para uma fábrica dentro do campo, um lugar tão brutal como todos os outros naquela amostra do Inferno. Porém, um soldado alemão chamou-o de parte (aqui confesso que me encolhi, já a imaginar a violência que segundo relatos, costumava seguir-se a essas situações) e afastou-o dali para fora, dizendo-lhe:

"Estou-me  nas tintas para o que fazes ou deixas de fazer, mas eu cá não gosto de ver meninos a apanhar pancada..." e assim o salvou daquele destino. A partir daí o jovem passou a acreditar na bondade. Salvou-se, reuniu-se à mãe no fim da guerra e construiu uma vida nos E.U.A, mas ao contrário de tantos outros que tiveram a mesma sorte, não ficou destruído por dentro. Ter visto um acto de compaixão no mais improvável dos locais (onde até os infelizes prisioneiros se voltavam uns contra os outros na ânsia de sobreviver) vindo da última pessoa de quem se esperava uma centelha de humanidade, impediu a sua alma de congelar por completo.

Isto dá que pensar - se um nazi doutrinado, com carta branca para cometer todas as infâmias com a desculpa do "dever"  (e muito provavelmente, cheio de medo das consequências que um gesto como este lhe traria) pôde ter um momento de gentileza que salvou a vida e o coração de um rapaz, mudando a sua forma de estar para sempre, imaginem os actos de bondade que nós, com outra liberdade de acção e outra mentalidade, não deixaremos escapar todos os dias. Talvez as nossas boas acções não tenham consequências tão bonitinhas nem tão espectaculares, mas não subestimemos o impacto que podem ter para quem os recebe, nem o efeito borboleta...


O melhor calçado para raparigas "petite"


A elegância está nas proporções e no que se faz com elas - tanto Hollywood como a industria de moda estão cheias de beldades e it girls que o atestam:  Mae West (1,55) Veronica Lake (1,50), Vivien Leigh (1,60)  Elizabeth Taylor (1,60) Jessica Chastain  (1,63) Miroslava Duma (1,55) Sara Jessica Parker (1,60) Rooney Mara (1,60) as irmãs Olsen (1,52 e 55) Mila Kunis (1,62) Natalie Portman (1,60) Nicole Richie (1,55)  Emma Roberts (1,60) e Scarlett Johanson (1,60), só para nomear algumas.

Uma figura esguia e longa não depende tanto da altura, mas da estrutura física de cada uma. Depois é claro que uma postura correcta, bom styling e bom fitting são tudo.

  Mas quando se trata de calçado, há muito mais na equação do que o remédio óbvio: saltos altos e plataformas. Nem sempre isso resolve tudo, e às vezes é pior a emenda do que o soneto (já lá vamos). Para não falar de que em certas situações é impossível e até ridículo calçar saltos. Como dar a volta à situação sem descer (salvo seja) das suas tamanquinhas? Conhecendo os modelos certos, of course.

Questões gerais para 
qualquer tipo de calçado:

a)- Antes de mais é preciso notar que quanto maior a qualidade do sapato, melhor o seu molde e construção, logo a postura será outra mesmo que calce  designs menos democráticos.


Nota: o styling deste look seria melhor
ainda com um cm a mais de bainha

b)- De preferência opte pelos modelos mais decotados no pé, principalmente para usar com saias ou vestidos. Os designs fechados (e.g: estilo "T") salvo raras excepções, devem ser reservados para calças afuniladas ou skinny. Se calças e sapatos forem da mesma cor, melhor ainda.



c)- Nem sempre é possível evitar as fivelas no tornozelo (certos modelos não se seguram de outra maneira) e ao contrário do que reza o mito urbano, algumas são bastante lisonjeiras: escolha-as finas e a assentar logo abaixo da zona mais esguia, numa cor discreta (nude, de preferência). Pode também reservar estes modelos para usar com bainhas mais curtas ou calças, escondendo a  fivela: ficam fantásticos principalmente se forem cavados no pé.
Imagem via.

d)- As biqueiras afiladas alongam mais do que as muito redondas, especialmente em modelos baixos. 

e)- Se tem pernas fortes evite modelos excessivamente finos e delicados, porque vai fazer um contraste muito grande.



1- Botins

Estão muito na moda, mas dependendo se são bem ou mal escolhidos podem alongar ou atarracar a figura e as pernas - mesmo numa mulher alta. Um botim cavado, que deixe ver a parte mais esguia do tornozelo, é a escolha segura. Se quiser usar um modelo justo ao tornozelo e fechado, opte por conjugá-lo com calças skinny completamente coberto pelas bainhas, de modo a criar uma linha única, que não "corte" a figura. Isto é válido não importa o tamanho (ou ausência) do salto.



 2 - Sapatos e sandálias de salto alto

- Não abuse de stilettos e tacões altíssimos: guarde-os para ocasiões especiais.  Saltos exagerados vão chamar ainda mais a atenção para o que tenta disfarçar, especialmente se tiver uma estrutura física muito "miudinha" (ou pelo contrário, pernas a tender para o "forte", porque a obrigarão a andar em esforço, aumentando visualmente os gémeos e tornozelos - lembra-se das "Litas"?). 

Se os calçar todos os santos dias, como se não pudesse passar sem eles, eventualmente passará a impressão de não viver bem com a sua altura. Estudei com uma rapariga assim e juro que o facto de ela andar dia sim, dia sim, com uns sapatões que contrastavam demasiado com a sua figura só fazia com que ela parecesse mais pequena (e sempre desconfortável).
   Um bom sapato não precisa de ser muito alto para alongar a silhueta- já um de má qualidade pode atarracá-la, por muito alto que seja.




- Quando na dúvida, para o dia a dia... um salto quadrado, médio e estável (estilo Ferragamo ou um bocadinho maior) favorece toda a gente.

- Pumps, scarpins, peep toes, modelos d´orsay ou sandálias "invisíveis" (com tiras que não tapam demasiado o pé), de preferência em tom nude, são os seus melhores amigos para quando usa saias sem meias, ou com meias translúcidas. No calçado de festa, prateado ou dourado são uma excelente opção: escolha sempre o tom mais próximo da sua pele (cor de bronze ou cobre se é muito morena, por exemplo). Procure ter os mesmos modelos em preto, para calças e/ou toilettes escuras.

- Em mules ou slingbacks, opte pelos modelos mais abertos.


3 - Plataformas e compensados

Sobre isso muito já foi dito por aqui: oferecem comodidade em pisos regulares e prestam-se a um look mais informal, juvenil e descontraído. Como são sapatos volumosos, criam a ilusão de pernas mais longas e finas. A questão está mesmo em não abusar dos modelos muito extravagantes.

Este ano cunhas e plataformas vão estar em voga para combinar com as calças boca de sino ou flare, que fazem um grande regresso (e são excelentes para "esticar" a silhueta!).  As flatforms (plataformas "a direito") preferidas das adolescentes, dão altura q.b e "limpam" o ar demasiado sexy de saias curtas e calções; porém, para mulheres adultas é mais elegante escolhê-las sob a forma de ténis de lona pretos/brancos muito simples ou loafers pretos de cabedal, sem fantasias.

 Para usar com saias ou vestidos, há as plataformas  com uma ligeira inclinação e menos compensadas junto aos dedos. Já as altas e compactas combinam bem com calças, mas por todos os motivos as versões mais sóbrias são preferíveis: numa mulher pequena, um sapatão vistoso "corta" demasiado a figura. Outra opção elegante do género para todas as mulheres são as graciosas espadrilles.


4- Botas e galochas

Quando se trata de botas ou galochas, o que causa mais efeito não é tanto a altura do salto, mas o tamanho do cano. A pior coisa que pode fazer pela sua figura é usar umas botas justas pelo meio da perna, ou um pouco acima do tornozelo. Botas compridas devem bater exactamente abaixo, sobre ou ligeiramente acima do joelho - principalmente se forem rasas - no melhor estilo amazona. Caso tenha uma figura esguia faça das cuissardes suas aliadas, respeitando as devidas normas de styling. Mas se não resiste a uma bota curta, opte pelos modelos largos e soltos na perna, com volumes ou franjas laterais que a vão fazer parecer mais magra e mais alta em comparação.


5- Ténis e flats em geral

Comecemos pelos ténis e botas de caminhada- o eterno desafio para as raparigas-não-exactamente-grandes. Mesmo quem não gosta muito deles precisa inevitavelmente de ter um par ou mais, e não só para fazer desporto: há sempre um evento de trabalho ou passeio em que não se pode de todo calçar outra coisa. 

Para garantir que a favorecem, existe uma regra de ouro (que não se aplica só a mulheres pequeninas): se tem uma silhueta ampulheta ou pêra, com ancas femininas, escolha modelos mais largos, volumosos e com uma sola espessa (e.g: Nike Shox) que equilibram essa zona visualmente (além de darem um nadinha mais de altura e suportarem melhor as costas, o que é sempre bem vindo). Fuja de tudo o que torne os pés demasiado pequenos em relação ao resto, portanto. Mesmo as marcas peritas nos elegantes ténis e alpergatas de lona, como a Keds, oferecem algumas opções de sola reforçada. Se tem uma silhueta "arrapazada", faça o contrário- use e abuse dos Converse e dos designs mais delicados.

Nos loafers, oxford shoes e mocassins, siga-se a mesma ideia. Bailarinas ou sabrinas são sempre elegantes, mas o mais seguro é escolher modelos mais pontiagudos, eventualmente com uma ligeiríssima compensação atrás. Isto vale também para mules ou slingbacks rasos.

 Por fim, as sandálias de gladiador: são uma das opções mais graciosas para o Verão, mas convém contornar o facto de serem totalmente planas escolhendo-as num tom próximo da pele e sem tiras excessivas, que cubram demasiado os pés e tornozelos.

Monday, April 27, 2015

Listas: remédio contra bichos de sete cabeças.


Sou uma grande crente no poder das listas- para grandes e pequenas coisas. Listas de tarefas, de compromissos, de presentes, de objectivos, de bagagem, de supermercado, de desejos, de outfits e até de obstáculos que é necessário ultrapassar. Uma lista é a forma mais rápida de organizar o raciocínio, de encarar as tarefas de frente, de pôr os neurónios (e para quem acredita no "pensamento positivo", o poderoso subconsciente) a trabalhar, de limpar o excesso de informação, de desconstruir um bicho de sete cabeças. Listas simplificam, enumeram, põem os factos preto no branco.

Descomplicam o exercício de pensar, porque reduzem  ao mínimo o barulho do quando, como, porquê e do pormenor.

Preciso de fazer isto. Preciso de conseguir aquilo. A lista não exige que se escreva como, nem por que meios, nem de onde virão: simplesmente diz é preciso fazer isto ou alcançar este objectivo. Nada mais concreto, mais directo, mais espartano. Os recursos, os processos,  as voltas que é preciso dar hão-de surgir (ou são acrescentados à frente, com setinhas, conforme as ideias luminosas aparecerem). 

Antes de complicar com o como, há que ser capaz de resumir o quê. E a dificuldade em expressar o quê é o mal de muita gente, que compromete a sua eficiência por não ser capaz de pensar a direito, de resumir aquilo que quer ou aquilo que é preciso levar a cabo. Isso é primordial: quando a lista está feita, 50% da batalha está ganha.

A sua lista não pode ser pior que a de Hércules.

 Basta ver que Moisés não recebeu um manual detalhado com os Dez Mandamentos: as directrizes vinham, claras e concisas, em tópicos.  

 E tenho para mim que Hércules se ia baratinar completamente se não tivesse os seus doze trabalhinhos resumidos numa lista. O herói sabia que tinha de dar conta do leão de Nemeia e da Hidra, das Amazonas e do resto: pois que remédio, lá foi fazendo uma tarefa de cada vez com as ajudas e os quebra-galhos que foram aparecendo pelo caminho.

 Se não fosse assim, era bem capaz de começar a disparatar: ai, como é que eu faço com as nove cabeças do bicho? Como é que eu chego ao Inferno para ir buscar o cão, se o meu carro (salvo seja) está mesmo a dar o triste pio e preciso de um novo? E os estábulos do Áugias, ai aquele pardieiro fedorento...até me arrepio todo só de pensar!

Era uma baralhada. Assim não. Foi riscando um tópico de cada vez, tal como nós hoje em dia. A cada tarefa cumprida, sai-nos um peso de cima e aumenta a confiança. Por muito grande e assustadora que uma lista seja, nunca mete tanto medo como sentir as tarefas todas a pairar dentro da nossa cabeça, sem fio condutor; e nada bate a alegria de pôr um "visto" por cima de cada item. E completar uma lista importante, daquelas hercúleas? Ah, sensação de alívio de proporções mitológicas...

Ode às pessoas que precisam de arranjar uma vida




Todos somos sujeitos ao amor e ao desamor. À simpatia e ao desafecto. À amizade e à aversão. À admiração e à embirração. E ao ocasional odiozinho de estimação - temporário, que se formos pessoas equilibradas não passa de raiva, mal entendido ou de estar muito, muito zangado (a) com uma razão justa. Somos capazes de sentir estas emoções ou impressões, em maior ou menor dose, e de ser alvo de tudo isto. Faz parte da condição humana. É mesmo uma exigência sine qua non para viver em sociedade.

 Na era dos social media, mais vívidos se tornam esses sentimentos, porque por enganador que o mundo virtual seja, as pessoas estão sempre presentes - e acessíveis -  ainda que não em forma física; podemos perceber muito mais delas do que antigamente (quando nos limitávamos às impressões face to face e à reputação de cada um para formar um parecer). Penas que se vêem sentem-se com maior intensidade. Admirações ou amores, ainda que unilaterais, também.

  Mas tudo isto é diferente de fixação. 

Isso já é difícil de entender - pelo menos para mim, que sou a pessoa menos curiosa à face da terra. Se alguém não me inspira simpatia ou deixou de fazer parte do meu círculo (imediato ou alargado) por uma forte razão, quero saber o mínimo possível dessa pessoa: não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe. A não ser que precise de evitar a persona non grata em causa ou que haja alguma informação vital para o meu bem estar, não podia importar-me menos o que ela faz, onde está, etc. Vou ao extremo de deixar de ir a certo sítio pelo tempo que for preciso, em modo esta cidade é pequena demais. Segundo me dizem, sou um bocado extraterrestre nessas coisas. Sempre ouvi que o ódio é como o amor, pensa-se no alvo 24 horas por dia e sinceramente, creio que isso é uma coisa um bocadinho triste para alguém fazer a si próprio (a). Uma forma de masoquismo íntimo e extremo. Se uma coisa é desagradável e não podemos mudar isso, se uma informação não é útil a não ser para nos aborrecer, ignoremo-la. 

Logo, custa-me a perceber quem espia as pessoas que fizeram parte da sua vida, a não ser pontualmente por curiosidade natural, sem qualquer emoção forte. E mesmo assim, mais que fazer...

 Depois, há a outra face da moeda - seres ainda mais estranhos. Vêem alguém uma vez (e muitas das vezes, vêem essa pessoa acompanhada) e criam uma fixação esquisita. Fazem gala de pasmar para a criatura em causa sempre que a encontram (no café, em eventos de amigos em comum ou virtualmente ) e lá na sua cabeça, essa pessoa ganha destaque, pensamentos, fantasias, espaço na sua vida. Se abordam o objecto da sua *muita e disforme* atenção nas redes sociais, fazem-no por dias seguidos, às vezes meses, mesmo que não obtenham resposta. E se são colocados no seu lugar zangam-se horrivelmente, com uma raiva que só visto, e dedicam-se a incomodar das formas que puderem ora virtualmente, ora movendo mexericos. Creepy.

Não percebo a relevância que estas almas atribuem a quem não se interessa por elas; a quem não lhes faz bem (nem mal, se estivermos a falar de quem simplesmente ignora) a quem nunca fez parte dos seus dias (ou fez, arrependeu-se e decidiu que já não queria tal coisa). 24 horas por dia é tão pouco tempo para acudir a tudo o que precisa de ser feito... e caso sobre tempo, há sempre tarefas que foram adiadas, tanta miséria a socorrer, tanto voluntariado a precisar de braços e cérebros. 

 Then again, não podemos pensar pela cabeça de quem raciocina assim...seria quase impossível, e um péssimo exercício para gastar o tempo. Que é precioso. 





 


Sunday, April 26, 2015

Educar um rapaz deve ser muito difícil.


Eu nem imagino - se criar raparigas discretas e equilibradas no mundo de hoje tem os seus desafios, fazer de um rapaz um homem decente, íntegro e superior aos caprichos naturais no sexo masculino é complicado para as mães desde que o mundo é mundo. É esculpir um diamante em bruto, lidar com um bebé tigre.
 Tenho sempre dificuldade, quando as mulheres se queixam de que a cara metade se mostra incorrigível, em concordar com quem diz que a mãe não o educou, que o mimou em demasia e lhe fez todas as vontades. Se ele se porta menos bem...antes é verdade que muito fez ela, na maior parte dos casos, e que bastante deve ter sofrido com o tesouro que tinha em casa. Se isso era verdade no tempo em que a disciplina se impunha com palmatória (pese embora que os açoites pouco resolvem) que não fará hoje. As mulheres que falam assim bem podiam antes pedir um mapa à senhora que melhor os conhece, em vez de falar de cor, e irem-se preparando porque nunca sabem o pequeno Calígula que a cegonha lhes pode trazer. Better safe than sorry.

27 cenários que só uma aficionada de moda compreende.

Até a mais discreta e sensata das mulheres pode passar por dilemas se gostar muito de moda. É quase um estilo de vida alternativo: afinal, toda a gente apoia se o Fernando da contabilidade sai mais cedo para ir ver o jogo do Benfica, mas não espere que sejam tão compreensivos consigo se está deprimida por ter danificado o salto dos sapatos de sonho que acabou de estrear. C´est la vie: anime-se pensando que não é a única!



 1- As redes sociais servem-lhe mais para seguir todos os sites, revistas e blogs da especialidade do que para contactar com os seus amigos. Depois os ditos indignam-se porque você não soube da extraordinária novidade que deram a todo o mundo via Facebook, porque os feeds da indústria entopem tudo. Que diabo, usem telefones ou mensagens privadas para dar as novas directamente. E em sua defesa, você também segue jornais e revistas de ciência, de actualidade, de história e da sua área profissional, certo? Se por acaso trabalha em moda, ainda mais me ajuda.



 2- Mesmo que seja doutorada em física núclear, está sempre sujeita a ser confundida com uma cabeça de vento.  E as pessoas ficam com cara de parvas quando se apercebem da quantidade de livros "a sério" que você já leu. Dizem os entendidos que é sempre vantajoso não mostrar o quão inteligente se é...



 3 - Se tem irmãos rapazes, à mesa não pode abrir a boca sobre o assunto sem ouvir logo um "lá está ela com os trapos!". De modo que arranjou uma lista de temas em comum, a bem da harmonia doméstica.



 4- Começa a ter problemas de identidade, na tentativa de equilibrar o seu lado "sério e do mundo real" com o outro. Estilo Clark Kent de saias.



  5- Por falar nisso, se alguém está ressabiado consigo, o primeiro nome feio que lhe chamam é fútil - mesmo que dedique os seus fins de semana a ajudar os carenciados e seja a alma mais espiritual que há. Bom, podia ser pior...


 6- Os seus amigos já tremem de medo quando a convidam para alguma viagem: aceitam-se apostas para o tamanho do "baú" que vai trazer. Alguns já tiveram de o carregar, ficaram mal das costas e mandaram-lhe a conta do quiroprático...



7 -  No entanto, em caso de imprevisto consegue enumerar mentalmente quais são as peças mais importantes da sua colecção, e as que levaria consigo caso fosse viver para outro país de um dia para o outro.



8- Começa a medir o grau de simpatia dos povos pelo à vontade que têm em dizer a uma desconhecida na rua "adoro os seus sapatos!" ou pela medida em que elogiar espontaneamente a roupa de alguém serve para quebrar o gelo.


 9- Se está à procura de casa, só pensa onde pode construir ou encaixar armários. E que quarto é que pode ser transformado em quarto de vestir. A ideia de "walk in closet" de um empreiteiro é uma anedota para si, e acha que a maior parte dos arquitectos não percebe minimamente as necessidades de quem tem de guardar coisas.


10 - Já ouviu várias vezes que o seu quarto parece uma loja, com muitas estantezinhas, cabides, gavetinhas e provavelmente um manequim ou dois (aqui entre nós, nos dias de remodelação parece a Bershka em época de saldos mas sem a música aos berros, só que isso ninguém vê).



 11- Quando foram as partilhas daquela sua parente muito elegante, ninguém percebeu porque estava tão contente de herdar uma data de roupas e acessórios "velhos". 

12- As suas amigas têm medo de baratas; a menina tem medo de traças, porque elas partilham o seu gosto pela caxemira.



13 - A primeira coisa que pergunta quando a convidam para uma festa é "qual é o dress code?". E como os dress codes andam pelas ruas da amargura, já deu por si a ligar para a RP a azucriná-la com pormenores.



 14- Ouvir a frase "esta metade do armário é minha" é motivo válido para divórcio por diferenças irreconciliáveis. Há coisas que nem na intimidade se partilham and that´s final. E se estiver disposta a partilhar...parabéns, case-se quanto antes, está perdida de amores. Só pode.



 15 - A propósito, encontrar o par perfeito é um desafio, a não ser que queira um metrosexual e os metrosexuais têm quase sempre um gosto péssimo. Tem de ser um cavalheiro bem vestido e que perceba minimamente do assunto - o suficiente para a deixar em paz - e que não destoe de si porque andar por aí com um relaxado, não dá.


16 - Consegue apanhar um comboio, fazer check in num hotel, mudar de roupa, maquilhar-se, arranjar o cabelo e estar pronta para um evento formal como se nada fosse. Com um tempo ridículo de aviso.



17 - Se não fizer limpezas periódicas ao guarda roupa, o caos instala-se. Acontece com toda a gente, mas consigo é um bocadinho pior.



 18 - As suas amigas, as lojas à consignação e as instituições de solidariedade gostam muito de a ver chegar com um saco. Viva a reciclagem!



19 - Todas as boas lojas da cidade têm o seu contacto e o carteiro, mesmo que seja novo na rua, já sabe onde entregar encomendas que tenham cara de ser roupa e afins.



20 - Mandou instalar um sistema anti incêndio na sua casa; antes de sair verifica trinta vezes se deixou o ferro (do cabelo ou o outro) desligado, no terror de perder os seus tesouros. Já ponderou fazer um seguro específico, mas tem dúvidas se haverá apólices que protejam a carteira Hermès que herdou, o casaco Chanel que lhe saiu quase de borla em Munique ou o vestido da Zara que não vale um chavo, mas que é insubstituível.



 21 - Por mais que abomine a ostentação, quem não percebe do assunto imagina automaticamente que você é rica  porque "tem muita roupa" ou anda sempre "tão bem". Não há como lhes explicar que uma entendida na matéria sabe comprar por isso não precisa de gastar fortunas, e que o bom styling faz com que tudo tenha um ar muito mais dispendioso. Assim como assim, quem se explica diminui-se.



22- Também há quem assuma que passa o dia em frente ao espelho ou que demora uma eternidade a fazer compras, quando na verdade não tem a  mínima pachorra para isso. Fazê-los entender que é uma questão de disciplina e hábito e que por acaso é bastante despachada é quase impossível.



 23- A não ser que trabalhe numa revista ou marca de moda, pode acontecer que embora faça por se integrar no dress code da empresa e vista mais ou menos o mesmo do que os outros, pareça sempre mais "composta" do que a maior parte da equipa. E fica num dilema porque chega a horas como todos os outros, dá o litro mas não vai desleixar-se na aparência só para ser levada a sério...

24-...por falar nisso, já lhe pode ter acontecido ser preterida numa promoção em prol de alguém com um currículo quase igual ao seu, mas com um ar mais deslavado e um fato comprado à pressa. Lá se vai a teoria de que a boa apresentação conta - ela tem ar de quem só pensa em trabalho e não pára um segundo nem para pôr bâton de cieiro. Quem pode competir com um Exterminador Implacável em versão mal enjorcada?



25- Passou a assinar as versões online das revistas preferidas, porque era um dó quando tinha de as deitar fora. E ainda guarda suplementos do início da década, porque foram "icónicos", fora as antiguidades.



26- Volta e meia, usa chapéus, sapatos ou carteiras para decorar as estantes - mas apenas para se lembrar de os usar. Espaço para bibelots? Só se forem coisas muito especiais.



27- O sapateiro, a costureira e as senhoras da lavandaria ficam muito contentes ou muito desesperados quando a vêem, dependendo da quantidade de trabalho que têm em mãos.

                  Sounds familiar?


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