Recomenda-se:

Netscope

Saturday, May 16, 2015

14 peças que uma mulher adulta deve substituir quanto antes


A maturidade de estilo não tem uma idade fixa. Por norma, os primeiros sinais surgem nos late twenties/early thirties, quando as responsabilidades "à séria" começam. Por essa altura já se fizeram as "experiências" de moda mais arriscadas e tanto os gostos como o conhecimento da própria silhueta estão (ou deveriam estar) definidos.

No entanto, por uma variedade de motivos (emocionais, de gosto pessoal, de carreira) há quem só mais tarde sinta a necessidade de um dar um upgrade ao seu guarda roupa para o tornar mais sofisticado, profissional e eficaz. 
 De todo o modo, escrevi algo sobre o assunto por aqui, mas ao ver textos como este - e sem concordar com todos os exemplos que davam -achei que seria interessante fazer uma lista das peças a substituir.


 1-Hotpants (os de ganga e os ultra curtos)



Se ainda lhe ficam bem, guarde um par ou dois para a praia/campismo/festivais de rock. Todos os outros convém que os substitua por um modelo em pele, fazenda, khaki ou tweed de cintura mais alta, que não seja demasiado curto. (Nota: se tiver retratos seus de calções de ganga + collants com contraforte à vista *acho que não terá, mas...* esses devem ser apagados jurando aos pés juntos que nunca fez tal coisa).


2 - Os "vestidinhos de sair"



Os vestidos low cost (ou com ar disso) estilo tubo, bandage ou mini saco de batatas são imperdoáveis depois do liceu. Ofereça-os à sua prima mais nova e invista em bons vestidos de cocktail de acordo com a sua silhueta (shift, sheath, rodado, linha A, envelope...) num smoking de senhora e para saídas informais, nalgumas blusas e camisas de seda (que poderá coordenar com calças cigarrette em pele ou saias lápis, por exemplo).


3 - O "fato de primeira entrevista"


Muita gente guarda no armário aquele blazer + calças/saia comprado de propósito no início da sua carreira...e que nunca assentou tão bem como isso. Nem todas as roupas "clássicas" são eternas, principalmente quando, ainda com pouco conhecimento e à pressa, se recorre à fast fashion: algumas marcas acessíveis fazem mesmo fatos com muito elastano, o que é um horror. E não esqueçamos o "corte a direito" sem graça de algumas calças.  Além de por esta altura já ser suposto ter alguns tailleurs e fatos de qualidade, há outras roupas "business friendly" que transmitem um ar responsável, mas com estilo: calças cigarrette ou outros modelos clássicos de cintura subida com uma blusa de seda, vestidos sóbrios com uns bons sapatos, etc.

4 - Tops "de sair" sortidos



Sabe aqueles tops um bocadinho vulgares (ou pelo menos, um nadinha datados) com aplicações que é comum usar com jeans nas festas de faculdade? Já aqui falámos na maneira de reciclar os mais bonitinhos (nomeadamente, se o material/marca forem sofríveis). Todos os outros, está na altura de os doar e investir antes numa blusa de material nobre e em algumas camisas de seda ou musselina (estas além de bonitas, são muito versáteis, como disse no ponto 2).


5- Sapatões e excesso de plataformas



As imitações (e exageros caricaturais) de Louboutins e outros compensados XXL tiveram o seu momento. Alguns (vulgo "salto de stripper") nunca o deviam ter tido, mas adiante. Eventualmente, um par de boa qualidade e simples (e.g: pumps pretos altíssimos Yves Saint Laurent) pode guardar-se, mas o resto deve ser descartado. Quanto às plataformas...têm as suas vantagens mas é sensato reservá-las para coordenados e situações informais. Para o futuro, é melhor considerar scarpins ou pumps elegantes e razoáveis, que vão durar muitos anos e acompanham todo o tipo de toilettes. Veja aqui os modelos à prova de erro


6 - Ténis de teenager

Ouço muitas fãs empedernidas de ténis dizer que, quando começam a ganhar maturidade, se surpreendem com a quantidade que têm no armário. Esta é a altura de passar adiante tudo o que pareça infantil e/ou tenha visto melhores dias e abastecer-se de sneakers de confiança (quer goste de os usar no dia a dia ou só quando é necessário). Descubra o género mais favorece as suas pernas e opte por um modelo simples e neutro (como os Keds) intemporal (Converse) ou algo colorido sem exageros, como certos modelos da Adidas (vide Olivia Palermo). Mais importante ainda é ter sapatos rasos elegantes (bailarinas, sandálias, oxford shoes, loafers, botas...) para não andar sempre de sneakers, caso não goste mesmo de usar saltos. A partir de certa idade isso parece um pouco estranho...

7 - Montes de bijutaria



Quer prefira peças imponentes (como cuffs ou statement necklaces) ou finas e delicadas, vintage ou contemporâneas, preciosas ou nem tanto, usar só um adorno ou, num look boémio, misturar vários...por esta altura já deve saber qual é o género com que se identifica. Assim, é tempo de se abster de comprar penduricalhos perecíveis "só porque são giros", livrar-se do excesso e investir, conforme os gostos e a bolsa, em bijutaria de boa qualidade, num bom relógio, em jóias de confiança, em recuperar peças de família ou antigas...

8 - Casaquitos que não fazem nada por si


Direita: blusão Rick Owens

Comprar imensas pequenas peças que não servem para quase nada e desleixar os básicos é um erro de juventude, mas uma mulher crescida está para além disso. Lembra-se do que a sua mãe lhe dizia acerca de andar mal agasalhada? Estava coberta de razão. Um agasalho faz um outfit e ninguém fica elegante a tiritar...assim, convém libertar-se de todos os casacos questionáveis ou sem graça, das parkas duvidosas, do sobretudo de fast fashion que usou enquanto estudava (foi um bom amigo, merece reforma) dos pequenos blusões sintéticos...e apostar num motor jacket em material nobre, em bons blazers, numa gabardina de confiança, numa parka sólida, numa canadiana e num bom sobretudo: são dos maiores investimentos, mas compensam.

9- Vestidos sem forma




Os pequenos vestidos de Verão que nunca assentam como devem, as túnicas que fingem de vestido...pouco fazem além de entupir o guarda fatos. 
Substitua-os por alguns modelos clássicos que usará sempre - por exemplo, o vestido preto da sua vida, um sundress fiável para o Verão, um sheath dress ou vestido -camiseiro para trabalhar, um shift dress ou envelope para o dia a dia...

10 - Jeans datados/ desconfortáveis/que não a favorecem




Se há coisa para a qual uma mulher adulta e ocupada não tem tempo, é  procurar umas calças de ganga decentes todas as manhãs. Urge encher-se de coragem para enfrentar a colecção de jeans que poderá ter acumulado ao longo dos anos (com cinturas impossíveis de vestir, materiais e costuras rígidas, lavagens menos polidas, etc...)  e deixar ficar só o que pode usar de olhos fechados - e/ou comprar um ou dois pares novos. Encontre a marca e o modelo certo para o seu tipo de corpo e faça a si mesma o favor de as mandar ajustar à medida. Uns boyfriend jeans relaxados q.b e uns skinny de cintura subida prometem poupar canseiras por muitos e bons anos.

11 - Leggings

Qualquer rapariga de gosto sabe que leggings não são calças (por muito que às vezes as próprias marcas insistam em chamar "leggings" a quaisquer calças sem fechos). Se pecou, guarde essas ceroulas para fazer yoga em casa e não se fala mais nisso, quem não sabe é como quem não vê.  Mas de futuro, para usar a mesma silhueta sem cair em faux pas, recorra a calças de malha espessa ou breechesOu às calças super skinny em pele ou cabedal ecológico.  O formato é o mesmo, o efeito em termos de styling é igual, mas com classe e sem revelar o que não convém ser visto. Regra de ouro: cinja-se às mais simples e de cores habituais nas calças de amazona (preto, castanho...). 


12 - "Saiazitas"

Se no liceu/faculdade prevaricou comprando mini saias de ganga, saias de viscose com folhos e outros caprichos passageiros, está na hora de as doar a qualquer instituição para adolescentes. Num guarda roupa bem delineado não é preciso haver muitas saias, desde que sejam estrategicamente escolhidas: saias lápis (aconselho uma de cada: pele, tecido e denim); uma saia ampla bonita para sair e se faz mesmo questão, uma mini saia bem acabada num bom material, que não revele demasiado e de acordo com as boas regras de styling. Este ano os modelos em camurça são tendência e poderá querer investir numa.

13 - "Partes de cima" duvidosas



A vida é demasiado curta para guardar t-shirts de manga comprida com estampados desportivos (deixe-as nos anos 90, onde pertencem) camisolas de acrílico ou com formatos que nunca assentam bem, camisas de material estranho e/ou com padrões enjoativos...fora tudo o que encolheu. Sabe, todos os tops, camisas, sweats e camisolas que ocupam espaço e não combinam com nada. Se ainda não o fez limpe tudo e passe a estar atenta às boas camisas (curtas e compridas: de algodão brancas, oxford e com padrões clássicos;  uma ou duas em seda creme e preto para sair; uma ou duas denim; se gostar, uma ou duas de lenhador em flanela) camisolas de malha nobre, e boas t-shirts simples de manga curta e comprida (brancas, pretas e azul marinho ; t-shirts de manga 3/4 com breton stripes). Se aprecia, alguns pólos e bodies básicos também são muito úteis. Verá que nota um "antes da reforma de tops" e "depois da reforma de tops" na sua vida.

14 - Carteiras que já viram melhores dias



Lembra-se dos tempos em que derretia parte do seu dinheiro em carteiras com piada, mas de pouca dura? Provavelmente ainda restarão alguns exemplares que a acompanharam em muitos bons momentos, mas entre os que estão datados, os sacos de lona de inspiração militar, os modelos demasiado adolescentes, chamativos ou desportivos, o que afinal não é a sua cara e o que enfim, não era de grande qualidade, o tempo da tentativa e erro já lá vai. A avó sempre me martelou que uma senhora também se conhece pela carteira, e estava cheia de razão! Uma "carteira de gente crescida" confere um ar polido e uma aura de confiança. Libertar-se dos "fantasmas de alças" do passado e  considerar os 10 modelos que convém ter é uma das melhores resoluções de estilo que se podem tomar.


A vã glória de mandar (e a nobre arte da obediência)



Uma senhora da minha estima, dotada de várias belas qualidades, era acometida do defeitozito de ser muito mandona. Tinha a mania de pôr e dispor, mais por vício do que por outra coisa. E quando alguém lhe fazia frente, achando ela um adversário à altura, retirava-se vencida com o invariável lamento "eu aqui não mando nada!".

Eu achava-lhe muita graça pois sempre me pareceu que grande nau, grande tormenta; grande poder, grande responsabilidade; que o poder (como a honra, a beleza e a riqueza) é leve de ter, e pesado de manter, ou como dizia o outro, se soubesses o que custa mandar, gostarias de obedecer

Esta frase tem sido muito mal interpretada, no contexto egoísta e malandro de manter a multidão quietinha como um rebanho e destituída de espírito crítico: mas já Aristóteles dizia, e penso que quase ninguém embirra com Aristóteles, que aquele que nunca aprendeu a obedecer jamais poderá ser um bom comandante. Mandar, ou mandar bem, com justiça, com seriedade, com bons resultados, é muito difícil; ninguém lá chega sem ter sido primeiro habituado a uma sólida disciplina e sim - sem ter aprendido a temida, quase blasfema coisa (aos olhos da sociedade de hoje) que é obedecer ao que é bom, justo e não viola a boa consciência sem rebeldias, sem lamúrias e sem fazer perguntas. E se lá chegou sem isso...não pode dar bom resultado.





 Imagine-se o exemplo mais simples: um batalhão está quase a ser massacrado pelo inimigo. O comandante dá as ordens necessárias para que se possam salvar (e se possível, sair dali com honra) e os soldados, em vez de fazerem cada um o que lhe compete põem-se a questionar, a filosofar, a discutir por obra de quem é que o comandante é mais que eles. Enquanto estão nisso, a perder tempo, o inimigo avança e não sobra um para contar a história. Imaginem o mesmo cenário num barco prestes a naufragar com os marinheiros a pôr em causa o que diz o capitão...

 Na vida militar, se é necessária capacidade de liderança, é preciso antes disso capacidade de obediência. Uma não existe sem a outra.  E a obediência exige muitas outras qualidades para aparecer à superfície: uma mente ordenada, capaz de saber quando falar e quando calar; humildade para considerar sempre que não se sabe o suficiente, mesmo quando já se sabe muito; serenidade para esperar a sua vez. Só quem sabe despir-se de si próprio para aquiescer quando necessário será levado a sério quando levantar a voz para dar a sua opinião. Quem se rebela constantemente, quem contraria porque sim, será tido como "do contra" mesmo se tiver algo de válido a dizer. 

Mas hoje ser autoritário, falar alto, é visto como tão grande virtude que o que mais há é gente tola que nem ao menos se deixa governar, pois está muito certa de que governa...

 Na nossa época valorizam-se, sobretudo e algo cegamente, características como a liderança, a basófia, a assertividade, a fanfarronice, a ambição, o dinamismo. O "soldado obediente" não é respeitado; a obediência deixou de estar associada à força; não vem mesmo a par com uma palavra próxima - e que está terrivelmente na moda: a resiliência. 



Ainda gostava de saber qual seria o desfecho se alguém respondesse numa entrevista de emprego, quando perguntado sobre as suas maiores qualidades "considero-me uma pessoa obediente". Das duas, três: a) era convidado a sair, confundido com um palerma incapaz de tomar iniciativas; b) era tomado por um palerma que se cala a tudo e contratado, mas apenas porque a empresa é  daquelas "jovens e dinâmicas", formada por vigaristas que tiranizam os funcionários, exímias no pecado de bradar aos céus de não pagar o salário a quem trabalha; c) era contratado pela originalidade, porque hoje em dia ninguém diz tal coisa.

Ontem foi publicada uma crónica - mais uma - a pregar como Fátima anda, desde sempre, a enganar as pessoas; e em França, fala-se em monumentos de inspiração religiosa que estão a ser considerados "ofensivos". Quando toda a criação quer ser rebelde e mandar, a primeira vítima disso é logicamente o Criador (ou a simples ideia do mesmo, para os incrédulos). É difícil crer, porque é difícil obedecer.

                                   

Nesta senda de rebeldia pueril,  à Morangos com Açúcar, levada a cabo por adultos, Deus é assim um pai tirano ou professor chato a quem convém fugir, fazer negaças, atirar giz, pregar toda a sorte de partidas. Haverá ateus, agnósticos e descrentes que sejam pessoas serenas, que não crêem mas deixam crer. Porém, conheço muito poucos. Os que tenho visto - e os que vejo mais são os que dão nas vistas pois fazem questão de maçar quem acredita - têm sempre daddy issues. Birra. 

Um complexo que tentam furiosamente negar - não querem, porque não querem, um poderoso disciplinador lá em cima, a contar todas as asneiras que fazem. "Eu sou um rebelde, um Satanás, um debochado e ERA O QUE ME FALTAVA que alguém me julgasse". Está bem, cada um na sua; e os outros com isso? Mas não. Parecem dizer, mais a si mesmos do que aos outros, que não há Deus e pronto. 

Um ateu desesperado é tão chato como uma testemunha de Jeová, com a diferença de que acredita muitíssimo no poder de não crer em nada e de se sentir na obrigação de testemunhar a sua má nova aos outros; mal por mal as testemunhas que batem às portas serão mais bem intencionadas, pois sempre se preocupam com a salvação do seu semelhante conforme a entendem. O ateu fala barato apenas quer companhia, mas nem sabe bem para quê. Lá está: medinho da obediência. Disciplina e sacrifício, nem pensar nisso é bom. 



 Mais do que em qualquer época, hoje toda a gente quer mandar alguma coisa; a vã glória de mandar está mais do que nunca acessível a todos, mas não há poder que lhes baste. Toda a gente tem um carro para dirigir a seu bel talante, e agarra-se a isso como se a sua vida dependesse de tal, tiranizando os outros no trânsito; quem está frustrado passa à frente nas filas, demora-se despoticamente no multibanco só para aborrecer quem está atrás, para ter a ilusão de que manda em alguma coisa; tenta roubar a noiva ou marido do próximo (a) só para mostrar a si mesmo que tem poder;  toda a gente tem acesso às redes sociais para dizer da sua justiça, e abusa disso; as mulheres querem mandar nos homens a todo  o custo; por sua vez os homens desesperam-se para provar que ainda são eles que mandam; ao mínimo sinal de descontentamento mesmo quem não cumpre deveres cívicos nem liga à política chama os cravos à baila, porque o povo quer sempre ordenar e trata de lembrar isso, por mais que esteja instituído fiquem descansadinhos, nós somos uma democracia; e o Governo apressa-se, o mais subtilmente que pode, a responder que quem manda é ele; todos querem ser famosos, vão ao Ídolos mas zangam-se que o júri que não sabe nada e não manda nada; o Islão quer impor-se ao ocidente; e o ocidente, bem...quer provar que é laico e mandar sendo laico.

 Todos querem mandar - mas só pelo que julgam ser as partes boas. A vaidade satisfeita, o salário fácil, a "vidinha de luxo"; vive-se na doce ilusão de que o poder não dá trabalho. Não há rebeldia gratuita sem um fundo de preguiça e de ganância.

Mas o mais estranho é que estes rebeldes, sempre do contra, sempre a desdizer tudo, sempre a vangloriar-se do seu livre pensamento, são os primeiros a acobardar-se quando o caso é justo, a recuar quando seria legítimo revoltar-se, a ir com a carneirada, a aderir aos modismos parvos, a calar-se quando deviam falar, a adoptar palavras caras que não compreendem, a consumir coisas de que até não gostam só porque é chic e cosmopolita, a ser todos Charlies sem nunca ter lido o Charlie, a linchar sem perguntar: quando se trata de modas, perdem logo o espírito crítico, vai-se a costela de Che Guevara. E se tiverem vantagens e facilidades nisso - pasme -se - até obedecem. Sem resmungar "eu aqui não mando nada".


Friday, May 15, 2015

A mulher da luta de "Sombras da Escuridão"


Apesar de ser uma grande fã de Tim Burton, nunca tinha visto Dark Shadows. E andava com vontade de ver, até porque sabia que além de Michelle Pfeiffer (que adoro neste tipo de enredos) tinha a lindíssima Eva Green a fazer *mais uma vez* de bruxa. Ela desempenha bem esse papel e quase sempre as bruxas no cinema são mulheres bonitas, com um figurino fabuloso e auto estima para dar e vender (quem não teria, com imortalidade, eterna juventude e poder ilimitado?).

 Mas como não conhecia a série dos anos 70 em que o filme se baseia, estava -passe o trocadilho - às escuras quanto à história. Fiquei por isso muito espantada quando esta semana vi o filme e a personagem de Eva Green, Angelique Bouchard, me sai uma mulher da luta de todo o tamanho. Uma mulher da luta com um guarda roupa lindo mas mesmo assim uma patética, lamentável, merecias-era- um-estalo-a ver-se-acordas mulher da luta. Precisei de me conter para não parar o filme a meio, tanto me irritou a rapariga, que é a prova provada de que embora isso seja mais raro, nem todas as mulheres da luta são feiotas: há mulheres lindas que não têm o mínimo de amor próprio nem vergonha na cara.

 Sem querer maçar quem viu e fazer spoilers a quem quer ver, a história começa no sec. XVIII quando uma riquíssima família de Liverpool decide expandir o seu império para a América. Angelique, a bruxinha, é filha de uma criada da casa e tem uma paixoneta monumental pelo filho dos patrões, Barnabas. 



 Ora, Barnabas além de dono da casa é um playboy do piorio - e mesmo assim ela não deixa de meter na cabeça que gosta dele (ainda estou para perceber quem se entusiasma unilateralmente, a ponto de se apaixonar) e de fazer todos os esforços para lhe conquistar o coração (estão a ver? O coração de um homem ou se conquista logo ou não vale a pena fazer por isso, mas mulheres destas acham sempre que água mole em pedra dura tanto dá até que fura, nem que o homem em causa seja um mulherengo que não presta).

 Achando que assim consegue alguma coisa, Angelique oferece-se a ele e começam um desses affaires típicos entre meninos da casa e pessoal doméstico desde que o mundo é mundo, deixando ele bem claro que a acha muito linda e tal, que lhe tem amizade mas não está apaixonado por ela. Nem assim!

 Quando finalmente vê que Barnabas ama outra, que faz a boa da Angelique? Vinga-se da família toda, mata-lhe a namorada e transforma-o num vampiro. E duzentos anos depois continua ora a rastejar atrás dele, ora a fazer-lhe a vida num inferno. Ou seja, passa de bruxa cool a bruxa descompensada e desesperada...e ele cada vez foge mais dela.


 Ora vamos lá ver: Angelique tinha tantos poderes que conseguiu tornar-se na mulher mais rica e importante da cidade. Porque não os usou para fazer a sua fortuna e deixar de trabalhar em casa dos outros, tendo sempre à frente um homem que não lhe correspondia? Mal número 1 das mulheres da luta: ideias fixas (e uma boa dose de masoquismo).

Segundo, porque não conjurava um apaixonado menos D. Juan com a ajuda de Mefistóles ou lá quem era? Ou mudava de cidade para conhecer gente nova, que homens há muitos? Mal número dois e três das mulheres da luta: idealizam demasiado e não gostam de perder nem a feijões.

Moral da história: onde não há amor próprio e dignidade feminina, nem por artes mágicas....

Thursday, May 14, 2015

Afinal, somos um país de brandos linchamentos


Quando preparava o post publicado esta tarde - e desculpem-me se isto hoje está muito sério e interventivo, amanhã escrevo algo leve ou não me chame Sissi -  constatei mais uma vez algo que me tem chamado a atenção: o povo português, tido como fofinho, submisso e de brandos costumes, é danado para gritar mata e esfola.

 Para saber isso, basta uma alma deter-se no convénio por excelência de toda a crueldadezinha lusa: as caixas de comentários dos jornais online, ou as páginas de social media de jornais e revistas. Um conciábulo semi anónimo, pejadinho de palavrões e erros de ortografia, mas que ainda assim (ou talvez isso piore o cenário) faria corar de vergonha Anás, Caifaz e todos os fariseus juntos.

A cada onda de indignação facebookiana, a cada notícia de um crime ou de uma celebridade que tem muito dinheiro ou nenhum, é ver destilar o veneno: é um festival de (com termos bem mais criativos, mas vou ser espartana) "bem feito", "vai trabalhar" , "bandalho", "esfolem-nos vivos", "castrem-no" e "pena de morte já". Jesus, muito pede o português a pena de morte, até para crimes que não estão sujeitos à pena de morte em praticamente lado nenhum. Nem sei como permitiram que fôssemos um dos primeiros estados europeus a aboli-la: se calhar é porque nesse tempo ainda não havia redes sociais, e o lusitano descarregava o seu ódio noutras coisas - lutas de varapau, corridas de touros e brincadeiras assim.



 O que me faz pensar...das duas, uma; ou isto é um reflexo da revolta passivo-agressiva e ressabiada, tão tipicamente nacional (bajular o "senhor doutor fulano" pela frente, chamar-lhe "ladrão" mal vira costas) e então palavras
 leva-as o vento, ou temos uma nação valente quando se trata de condenar o próximo, sempre com sede de sangue. Se assim é posso supor que em tempos idos, execuções públicas e Autos de Fé deviam ser uma verdadeira animação. Estão a imaginar se existissem selfies? Ia ser um fartar vilanagem de hashtags do estilo #estejáestabemassado e #jápartiramosossosdestefilhodap***naroda.


 Por muito que eu vá contra a moda do "não julgueis" obrigatório, há que lembrar que é errado primeiro, cair em histeria sem ponderar os factos (por causa de um episódio que dali a dias já ninguém se lembra) segundo, fazer justiça à máxima "violência gera violência" e terceiro,  seguir a multidão, porque ela vai quase sempre para o lado errado. Já os romanos, povo muito evoluído e civilizador, tinham uma mistura de medinho e nojinho da populaça volúvel, sempre pronta a passar qualquer figura de bestial a besta. Davam pão e circo para a entreter, e viu-se onde os franceses falharam quando deixou de haver pão e brioches...

O povo precisa sempre de heróis e vilões. Quem compreender isso e souber tirar partido do facto, tem as chaves do poder na mão. Mas um bocadinho de boa educação, mesmo quando se trata de atirar pedras, não ficaria nada mal no retrato...mais que violentos, são malcriados que se fartam. Já que não têm Misericórdia, tenham tento na língua...


Bullying (e outros fins do mundo)


Hoje tudo se diagnostica, tudo se classifica, tudo se etiqueta. "Bullying" é uma etiqueta que se coloca com alguma leviandade actualmente. Não creio que haja mais bullying (ou mais "violência entre miúdos", já que bullying, se correctamente empregado, terá uma conotação de comportamento continuado, assédio e perseguição) do que houve no passado. 

Simplesmente agora qualquer pessoa tem uma câmara no bolso, redes sociais para se indignar e/ou tomar mais consciência (mal ou bem) do que se passa. Para não mencionar que há outra abertura  - ou ligeireza de costumes - para tomar, sem que isso pareça grande coisa, atitudes que na minha adolescência as pessoas pensariam vinte vezes antes de admitir. 

Nos últimos dias, não se tem falado noutra coisa: das orelhas do rapaz do Ídolos à sessão de tortura levada a cabo por uma data de serigaitas que - mostram as redes sociais - se dedicam a dançar funk e twerk nas horas vagas (não vou partilhar o vídeo, ele está por todo o lado mesmo). Dignas discípulas de uma MTV que mostra cenas degradantes, a beirar a pornografia, como estas. Pelas danças e os trapos as conhecereis.

 Já aqui o disse em tempos que de ser incomodado ninguém está livre - começa no infantário e continua pela vida fora (tanto que se fala em bullying no local de trabalho). Há sempre alguém que embirra com outrem, porque lhe apetece, e se arma em valentão...porque pode. 



"Já vi pessoas maltratadas por serem gordas, magras, excepcionalmente bonitas ou feias, mais pobres que os outros, mais ricas que os outros (olha o menino mimado!) por serem uns zés ninguém, por serem famosas, pelo insucesso, pelo sucesso a mais, por terem dificuldades de aprendizagem ou serem  sobredotadas, pelos mais variados motivos. Há sempre alguma coisa por onde pegar, e quem gosta de ser mau para os outros faz sempre tentativas.  A diferença entre a vítima e a pessoa que se faz respeitar reside somente na capacidade de dar o troco. Na consciência do próprio valor, do "eu não preciso de aturar isto". No poder que cada um concede a si mesmo".

 Dar e levar pancada faz parte, infelizmente, de uma certa iniciação social. Isso já era comum no tempo de Cristo (e antes) e foi piorando numas fases da Humanidade, melhorando noutras. Por muito que a sociedade evolua, não creio que se escape a esta dinâmica um tanto darwinista. 

E sim, lembro-me da primeira bully que conheci...e que foi logo embirrar comigo. Claro que também me lembro do Fernando que me roubou o chapéu no primeiro dia de creche (que simpatia!) e do Luís que um dia, esquecendo a máxima "numa menina não se bate nem com uma flor" me deu um soco que me abriu o lábio (mais tarde enchi-o de pontapés, não tenham pena) e de muitos outros com quem tive algum tipo de contenda. Mas esses não eram bullies. Eram só parvalhões ocasionais, resolvia-se tudo à bolachada e pronto. 

A  Lili, essa, era uma bully de primeira. Muito grande, muito feia, sempre ranhosa e coitada, vinda de uma família totalmente disfuncional, ninguém lhe fazia frente: uns por medo, outros por pena. 

Eu era toda ingénua, miudinha e totó, a achar que ia para o infantário fazer amiguinhos, afinal era um colégio com freirinhas e tudo. Claro que ela foi pegar comigo. Andou um ano inteiro a perseguir-me, a psicopata. Uma vez saiu debaixo da mesa (onde eu estava a pintar com outros miúdos) ao melhor estilo O Exorcista, a olhar para mim fixamente com o nariz a pingar e a língua de fora. Tive tanto medo que fugi a correr e fui esconder-me debaixo do hábito da Irmã Lucinda. Claro que fui castigada por faltar ao respeito à boa Irmã, que não percebeu o que se estava a passar. 

 Vieram as férias e no final do Verão, eu estava aterrorizada por voltar ao colégio. Porém - abençoada sorte - o senhor pai percebeu o que me andava a moer por dentro e resumiu o remédio a uma receita muito simples, embora pouco politicamente correcta:

"Bate-lhe também". 

Em vão lhe disse que ela era maior do que eu e ia fazer-me em picadinho: o "bate-lhe também, que ela perde a vontade" foi irredutível. Explicou ele - coisas que um militar sabe melhor que ninguém -  que a valentona se baseava mais no terror psicológico do que na força. Meu dito, meu feito. 

No primeiro dia de aulas ela vem para me bater, assim com ar de quem ainda não aqueceu...puxei a mão atrás...e sem grande força, assentei-lhe um estalo. Um estalo hesitante, fraquinho; ia para lhe dar outro mas ela recuou vexada, espantada, de mão na cara. "Tu...bateste-me?". 

Pois bati. Foi a última vez que me incomodou. E rapidamente aprendi um mantra essencial à sobrevivência escolar: quem vai à guerra dá e leva. C´est la vie. 

O que me leva a várias questões, agora pondo de parte os linchamentos facebookianos clamando pelo sangue da SIC e fazendo a apologia da justiça de Fafe às quatro bullies de calções-cueca e leggings. 

Sem querer minimizar o problema, a própria ideia de bullying como coisa muito grave e muito séria está talvez a tirar aos miúdos a ideia de que sim senhora, são capazes de se defender. Se em vez de tanta sessão de esclarecimento se gastasse dinheiro numas aulas de auto defesa obrigatórias, outro galo cantaria. O que me choca mais - fora medidas que logicamente, têm de ser tomadas e não é os pais afectando a honrada, mas tardia, atitude de "entregar os filhos à polícia" que se livra a água do capote - é o rapazinho não se ter defendido por mais de dez minutos. Que eu nem vi o vídeo porque embora o que disse neste texto possa sugerir o contrário, detesto violência. 

 Estivessem que não estivessem uns matulões lá atrás a guardar as cobardezinhas, sem luta é que não ia: um soco em cada uma que ficava vingado, qual não se bate em raparigas qual cabaça, com amazonas destas só se perdem as que caem no chão, e ó pernas para que te quero.  Bem dizia Maquiavel: o mal sempre que necessário.

 Mas os valores andam de tal maneira invertidos que ó senhores, nem isto.





Wednesday, May 13, 2015

Efeito "beach hair" - na praia e fora dela


De há uns tempos a esta parte ouve-se falar muito em usar fora da praia o visual "beach hair" - aquele cabelo com alguma textura e um pouco despenteado, como se tivesse apanhado vento e água salgada. Estão mesmo muito na moda os "sprays de sal" para conseguir esse efeito.

Pessoalmente (como, suponho, muitas raparigas dotadas de cabeleiras com certa ondulação) acho isso curioso, já que beach hair é o que acontece ao meu cabelo se o deixar secar naturalmente, ou quase. Só tenho trabalho com ele se quiser um brushing perfeitinho ou caracóis bem modelados. Despentear-se de propósito é um pouco estranho.

Mas a quem tem cabelo muito liso, para obter esse aspecto, bastará usar um spray texturizador (como este) e fazer uns "totós"no cabelo húmido. Usa-se o secador, polvilha-se, solta-se e já está.

Agora o verdadeiro desafio do "efeito praia" está em consegui-lo...na praia. Isso sim é complicado - principalmente para quem tiver cabelo longo e abundante, mas não muito espesso. O sal resseca completamente as pontas. Os fios ficam presos uns nos outros e colados à cabeça, ou feitos em "ninho" no topo da dita cuja, para não falar na areia. Sempre ouvi dizer que as raparigas californianas não passam o cabelo por água doce dias a fio, mas não imagino o tormento que isso é, nem os estragos. A ideia de Pamela Anderson conseguir aquele look de sereia sem a ajuda de cabeleireiros entre cada take é um perfeito disparate!


 Dito isto, passei anos a prender o cabelo e a perder a alegria de mergulhar até dominar a técnica para um beach hair apresentável ou seja,  nada espetado nem acachapado

A primeira descrevi aqui. Esta espuma é mágica e devia ser vendida em banquinhas junto à praia, embora não tenha não seja propriamente um produto de Verão. Ignoro se é possível conseguir o mesmo com outra, porque não arrisquei ainda.

A segunda também não é complicada: basta borrifar toda a cabeleira com um spray protector solar apropriado antes de ir à praia. E levar consigo um creme hidratante capilar mais untuoso (qualquer um serve - podem usar-se aqueles que normalmente ficam a um canto porque são demasiado gordurosos para o dia a dia). Entre cada ida ao mar, mais coisa menos coisa, passa-se o cabelo por água doce, põe-se um bocadinho de creme, escova-se e enrola-se no topo. À medida que vai secando, o cabelo ganha o look beach hair perfeito. Acho que o sal compensa o excesso de hidratação do creme...não sei, mas funciona e além de tudo protege os fios contra os danos dos costume.

 Experimentem durante o Verão e depois digam-me.





 

Eu não gosto de quem não gosta de animais, MAS...


...há vantagens nessas pessoas. Primeiro, muito provavelmente não terão animais em casa. Quem diz "eu não posso com bichos" (e geralmente quem o diz é porque não teve a fantástica oportunidade de privar com essas coisas fofas e peludas) dificilmente adopta um. Ou seja, menos uma possibilidade de se ver um animal maltratado, abandonado ou negligenciado. Depois, são pessoas fáceis de entender: jogam na outra equipa. Não gostam? Temos pena, desde que se mantenham dentro da lei e da ética e não aborreçam nem os animais nem quem gosta deles,  é só não se conviver muito com elas e pronto. Ninguém é obrigado a ter empatia com bichos, embora isso abra sérias probabilidades de não ter grande empatia com pessoas. End of story.

O que é realmente mau são as pessoas que dizem gostar de animais e realmente não gostam. Ou que dizem "eu adoro cães, mas odeio gatos" o que é mutuamente exclusivo. Pessoalmente prefiro gatos como animal de estimação mas gosto dos outros e acima de tudo, sou incapaz de dizer que odeio qualquer bicho, com a honrosa excepção das centopeias.



 Voltemos aos animaizinhos que fingem gostar de animais: são o melhor exemplo daquele defeito tremendo de que falámos há dias, a tibieza. E como todas as pessoas que não são frias nem quentes, cometem as piores acções. São piores do que as que não gostam declaradamente de animais, porque essas ao menos - salvo certos sociopatas que para aí andam -  não se envolvem. Um tíbio que finge gostar de animais é a praga dos pobres bichos e o flagelo da vizinhança. São as pessoas que fazem coisas do tipo (visto com os meus olhos):

- Adoptar um animal e desprezá-lo, deixando-o andar ferido/doente/esfomeado e colocando a quem se importa um grande dilema porque não se pode deixar o animal assim mas é sempre delicado tratá-lo como se não tivesse dono;

- Arranjar gatos "para caçar ratos" e deixá-los reproduzir-se sem qualquer controlo. E quando lhe vêem perguntar ou um deles aparece ferido, dizer "não são meus".

- Adoptar um gato e esquecer-se dele. Moral da história: o bichinho vai para casa dos vizinhos que também tenham gatos, causando o que se sabe.

- Comprar "o cão da moda" sem saber se a raça é compatível com o seu estilo de vida, em termos de tamanho, comportamento e necessidades de saúde/bem estar. E quando não é...rua. Vi vários Huskies abandonados quando o Labrador passou a ser o cão do momento.

- Ter um cão sem assegurar que ele não se solta, causando danos e acidentes, com prejuízo do animal, dos animais dos vizinhos, dos vizinhos, dos automobilistas que passem na rua...

- Encontrar animaizinhos, publicar no Facebook ou Instagram "ai eu trouxe isto para casa, ajudem-me" e  feita a publicidade (à própria caridade, não aos pobres inocentes) ir deixá-los ao canil logo a seguir.

- Resgatar um animal do canil, porque é bem e fica giro dizer nas redes sociais "ai que eu sou tão caridoso e fofinho" e abandoná-lo (ou devolvê-lo à precedência) quando se vê que o bicho afinal dá maçadas e despesas como todos os seres vivos. A crueldade de dar esperanças e tirá-las é inqualificável...

Tenho encontrado todas estas situações de pessoas a quem falta a audácia para serem abertamente más. E a minha vontade é ser abertamente má com elas. Do piorio. Céus, o que eu detesto gente "morna".

Tuesday, May 12, 2015

Isso de as meninas boas irem para o céu, e as outras...


...para toda a parte, frase de Mae West que se tornou demasiado popular (ou seja, a maioria das pessoas que a usa nem sabe quem foi a autora) e desculpa todas as asneiras, tem muito que se lhe diga.

 Se a aplicarmos no sentido "paciência a mais é cobardia", estou de acordo. A dignidade feminina, uma atitude subtil de feminilidade e elegância, não pode ser confundida com a mentalidade "de tapete", porque essa forma de estar conduz precisamente ao contrário: ao desespero abjecto por agradar.

Máximas muito acertadas como "uma senhora só vê e ouve aquilo que quer" (ou seja, não se rebaixa a disputar atenções com ninguém, não entra em despiques nem em debates, não se deixa incomodar por atitudes menos dignas de outras mulheres nem por acções levianas por parte dos homens) devem ser aplicadas com o devido bom senso. Ignorar tem limites: quando esses limites são ultrapassados, só uma tola não se retira, dando à situação o mais gélido e merecido desprezo.

 Mas de resto, é muito errado que se valorize a "bad girl" - a rapariga desmiolada, leviana, barulhenta, atrevida, prá frentex, respondona, que age por impulso e vive para o momento - dando a entender que uma mulher serena, ponderada, discreta e com amor próprio não chega a lado nenhum. Isso é, em suma, ir com a moral do século, boçal e cobiçosa, que reza "não é guardando a honra que se avança na vida", ou, como diz o povo "honra e proveito não cabem no mesmo saco". 


 Ser uma boa rapariga - como de resto, ser uma pessoa honesta -  pode custar muito, é verdade. E atenção: não estou a falar de uma rapariga de bem que faz por alardear isso, vestindo como uma beata e dando sermões desagradáveis a toda a gente. Basta que a "boa rapariga" tenha princípios, palavra, juízo e não vá com as modas, as bajulações e as conveniências pouco transparentes.

Pode  custar uma promoção ou um salto na carreira, porque não se quis corresponder ao flirt de um superior ou alinhar numa batotice qualquer. Pode acabar com amizades, pois nem toda a gente gosta de franqueza (mesmo que as verdades sejam ditas de forma gentil, como convém) e rectidão: quem não adere a determinadps divertimentos, companhias ou  gostos, não achando bem, porque não acha, certas "condescendências" passa facilmente por cortes ou coca bichinhos. Pode afastar pretendentes mais modernos, que esperam que uma mulher os convide (ou pelo menos, que se faça muitíssimo convidada) como estão habituados, ou que se retraem perante uma atitude mais séria ou prudente. 


 Pode magoar porque há quem trate as mulheres todas da mesma maneira, achando que todas valem o mesmo. No limite, até cavalheiros bem educados, habituados de pequenos a valorizar uma "good girl" terão os seus momentos em que preferem...bom, outro tipo de companhia com menos classe. A boa rapariga recorda-lhes de forma demasiado evidente as suas responsabilidades, mesmo que não diga nada e nem faça por isso. E ficam tão zangados com essa ideia, lá por dentro, que são capazes de se confundir, ou de agir como se misturassem tudo.

 Nessas alturas dá vontade de pensar "Porque não nasci desmiolada? Porque não faço todos os disparates como as outras? Se a recompensa é a mesma!". Mas isso é o pior raciocínio que se pode fazer. Mesmo que não haja recompensa imediata (ou alguma) para quem exercita as suas virtudes e corrige os seus defeitos (porque a virtude é como os músculos, não é um dado adquirido), há pelo menos a benesse da consciência tranquila, da dignidade intacta e da selecção natural. Quem se afasta, é porque não era companhia que prestasse. Quem não valoriza honestidade e dignidade, se calhar carece desses atributos.

Não desprezemos nunca a força da gentileza, da discrição, da serenidade, do silêncio, da renúncia.

Obter isto ou aquilo sabendo que para tal se cedeu nos valores, se forçou um bocadinho as coisas, que se vendeu a alma ou se fez mais esforço do que seria correcto fazer, que se colocou uma etiqueta pouco elevada em si própria, não pode ser felicidade. Para aplicar a fórmula de Mae West, é preciso ter a inteligência de Mae West e ser um caso único como ela. Na maioria das vezes, seguir-lhe o exemplo é receita para o desastre.

 As meninas más podem ir para todo o lado, mas todo o lado não é necessariamente um sítio selectivo, ou dos eleitos, ou onde interesse estar.


Monday, May 11, 2015

As mulheres "Oriana" e as mulheres "Briolanja"



"Dizei antes que fui bem aventurada por Deus me dar tal Senhor"

                                                               (Romance de Amadis)


Uma das minhas paixonetas literárias de adolescência foi Amadis de Gaula, o cavaleiro perfeito da novela medieval (muito provavelmente de origem portuguesa) lindamente recontada por Afonso Lopes Vieira em Romance de Amadis. Ainda não tínhamos dado o livro na aula de Português e eu já o lera e relera, encantada com o mais perfeito de todos os amores.


"O verdadeiro amor, ao encher coração do homem,
de tal sorte o eleva e apura que o livra do peso do mundo".


Embora Amadis (que ao longo da história vai ganhando/adoptando nomes extremamente cool como Amadis Sem Tempo, Donzel do Mar ou Beltenebroso) seja apenas mais um exemplo do comportamento masculino típico do amor cortês - a idealização da amada, a dedicação absoluta, etc -sempre me pareceu um bocadinho mais realista e menos exagerado do que, por exemplo, Jaufre Rudel, que morre de amor por uma princesa que nunca tinha visto.
  
 O Romance de Amadis tem isso tudo - a fatalidade, a fidelidade inquebrável, a vassalagem à criatura amada - mas as personagens também vacilam, embora sempre dentro da honra (ou compromisso de honra). Amadis é concebido por um amor fulminante antes do casamento entre el-rei Perion e a infanta Elisena, que se amaram "dez noites seguidas" e só mais tarde puderam legitimar a sua paixão. O caso acaba por não ser grave porque naquele tempo a palavra dada valia um escrito e  quando alguém "já tinha o outro por esposo" era a sério. Predestinado, escrito na pedra, para o resto da vida. Não importava o que acontecesse. 





"Ficai, senhora, que ainda que vos defendestes de muitos,

 e ele de muitas também se defendeu, 
mandou Deus que vos não defendesseis um do outro".

Mais tarde, também Amadis vive igual situação com a sua amada, Oriana - e a breve descrição da cena causou mais burburinho na aula do que muitas Sombras de não sei quê hoje em dia. O Amor medieval não era para brincadeiras...

 Nem as donzelas medievais se portavam todas bem; até por um romance cheio de arquétipos isso se vê.

O que me leva ao que nos traz aqui hoje: Oriana e Briolanja.

Sem querer cansar-vos a relembrar tudo, Amadis apaixona-se pela princesa Oriana, "a beleza Sem Par" logo que lhe põe a vista em cima - o que seria natural, pois são os dois lindíssimos...esta identificação de corpo e alma não fenece com o tempo e torna Amadis capaz de todas as façanhas para ser digno da amada.

  E Oriana corresponde não só ao perfeito ideal do seu tempo, mas ao comportamento tradicional feminino: demonstra o seu amor, mas com subtileza; é discreta e tem uma certa aura inatingível, o que desperta no amado o desejo varonil de conquista, de superação.  

Muitas peripécias depois, Amadis - que como bom cavaleiro, quer ajudar todos e tem por obrigação defender as donzelas em perigo embora seja devotado só a uma - é chamado a acudir à linda Rainha Briolanja de Sobradisa, a quem um tio roubou o reino. O bom do Amadis lá vai, presta-lhe esse serviço...e que faz Briolanja, a atiradiça? Não contente com tão grande favor, entende que se apaixonou por Amadis, que mal conhece, e que o quer para si.


 Em vão Amadis lhe explica por A+ B que não pode, porque já está comprometido com Oriana, que seria impossível gostar de outra pessoa e que uma infidelidade está fora de questão. Achando que o vence pela insistência, como se o amor pudesse nascer do hábito, da pena ou das súplicas, Briolanja não tem mais nada: prende o desgraçado numa torre a pão e água até que ele mude de ideias e chama uma data de gente para o convencer (que valente desavergonhada!).

 O caso dá muito brado e confusão, mas na maior parte das versões o cavaleiro permanece inflexivelmente fiel*** até que Briolanja se cansa, ganha um bocadinho de noção e o deixa partir. 

Mas graças a isso Oriana quase se separa de Amadis (que aí fica mesmo às portas da morte, coitado). Como todas as apaixonadas, deixa-se assaltar pela dúvida e sendo orgulhosa, não quer ver nem pintado um homem que não está assim tão interessado nela a ponto de dar conversa a outra. Mesmo gostando tanto dele. Mai´nada

Oriana é uma rapariga ajuizada e respeitável. 

"Se não vai a bem, vai a mal" - Briolanja de Sobradisa, a Atiradiça

Já Briolanja, como devem ter percebido, é o exemplo perfeito de Mulher da Luta. Uma personagem que caberia melhor num romance light do século XXI do que num romance de cavalaria. Atira-se a um cavalheiro em vez de esperar que ele mostre interesse nela; não tem o mínimo orgulho ou dignidade; é imatura, desesperada e constrói uma paixão doentia na sua cabeça antes de saber se o caso tem pernas para andar; julga que o amor pode ser forçado por ela se mostrar tão disponível e pior ainda, não tem o mínimo de respeito pelas outras mulheres nem pelos relacionamentos alheios. 

Teve sorte com Amadis, que não se quis aproveitar dela; outro qualquer até podia entusiasmar-se com a oportunidade dada assim de bandeja mas dificilmente se apaixonaria verdadeiramente, quanto mais levá-la a sério. Easy comes, easy goes. Só se desse com um Homem Beta, preguiçoso e passivo, e mesmo assim não digo nada. 

Briolanja é patética, mas é quase seguro dizer que se tornou mais normal as mulheres serem Briolanjas do que Orianas. E é muito por culpa das Briolanjas que às vezes as mulheres são tratadas com menos respeito...


(***numa outra, que não faz grande sentido com o resto da história, Oriana 
dá-lhe autorização para ceder temporariamente a Briolanja, antes que ela o mate, numa versão medieval do "vamos dar um tempo para sair com outras pessoas").



Sunday, May 10, 2015

Sabem porque é que é importante ser boa pessoa?





Mas assim mesmo muito, muito boa pessoa? Toda bondade, virtude, fortaleza espiritual, caridade, paciência, perseverança, humildade e amor ao próximo? 

Ser a alma mais perfeita que se consiga, capaz de todos os sacrifícios, de todos os heroísmos, de dar a outra face, de perdoar os inimigos, assídua na devoção e nas obras de solidariedade, a fazer boas várias acções por dia e no mínimo, um exame de consciência todas as noites? 

Não é só porque se todos tentarmos ser assim, este mundo é um paraíso daqui a nada. 

Não é só uma questão de elegância interior, sem a qual de nada valem a beleza, a riqueza, o sucesso e as casas/roupas/carros bonitos.

Tão pouco uma questão de consciência, religião e/ou de respeitar, no mínimo, as regras de boa sociedade.

É porque, meus queridos amigos e amigas, neste mundo para bater as botas basta estar vivo; às vezes vai-se na rua e zás, é um ar que lhe dá. Num momento está-se cá, no outro vai-se para as alminhas. Ora, uma pessoa que ande por aí a fazer maldades, a provocar sofrimento aos outros, a cair em soberba, a espalhar mexericos, a cometer traições, a cobiçar os bens alheios, a apertar o pescoço a pessoas e bichos, a ser gananciosa e egoísta... enfim, má como as cobras, pode ter um badagaio de repente, sem tempo para se redimir e zás, vai direitinha para o inferno. 

 Pois o Inferno, além de Hitlers, Maos Tse-Tungs, Estalines e (isto não sei, mas é cá um palpite) pessoas chatas, há-de estar pejadinho de gente com este aspecto:


 Nem toda a gente acreditará no Inferno, mas...querem mesmo arriscar? I think not.



A mãe Kardashian - uma "momager" que veio do Inferno?


"O amor de mãe é o combustível que permite 
a um ser humano comum fazer coisas impossíveis"
                                                             
                                       Marion C. Garrety


Nos últimos dias, revistas e portais americanos largaram nas redes sociais vários artigos (creio que a propósito desta peça da New York Times Magazine) sobre a mãe do "clã" Kardashian, Kris Jenner. 


Que o New York Times perca tempo a espantar-se com detalhes tão patetas (para dizer o mínimo) como o facto de a Kardashian Mor preferir papel higiénico preto em casa, põe em causa tanto a seriedade do jornal (num suplemento ou não, o artigo não deixa de ter o selo do NY Times) como o estatuto dos nova iorquinos enquanto gente muito mundana (quem repara em rolos de papel? E quem se surpreende com papel às cores, coisa que se encontra em qualquer Continente da esquina?). Fui ver se a jornalista teria nascido nalguma toca numa remota cidadezinha do interior americano mas não, parece que nasceu em Brooklin e tem um CV bastante impressionante como freelancer. Talvez procurasse desesperadamente algo que fizesse manchete nas redes sociais, salvo seja. Talvez procurasse desesperadamente uma curiosidade num tema que não tem nada que se lhe diga. Eu tendo a reparar em pormenores ridículos quando me aborreço de morte, por isso vou dar o desconto. O jornalista que nunca tenha passado por tal, que atire a primeira pedra. Certa vez tive de escrever sobre uma abóbora gigante e juro que procurei todos os detalhes que pudesse usar para criar um texto minimamente civilizado; suponho que escrever sobre Kris Jenner não ande muito longe de o fazer sobre uma abóbora.



Iria mais longe dizendo que o  New York Times ufanar-se de um artigo acerca dos Kardashians diz tudo sobre a imprensa do nosso tempo. E é verdade: diz que é o que temos. Goste-se ou não, nunca se viu uma coisa assim - o fenómeno duradouro de uma família famosa por ser famosa, caso único mesmo no Universo dos reality shows. E os jornais noticiam sempre as coisas nunca vistas, boas ou más. Aterrassem os extra terrestres em Manhattan e os jornalistas teriam de os entrevistar: à falta de ETs há esta família toda com nomes a começar por K.

O que me faz confusão não é, pois, que se escreva sobre os Kardashian: é que se tente escrever sobre eles com uma abordagem mainstream e normal, tentando fazer com que pessoas que não aprovam os Kardashian os admirem. Que a imprensa, não sei com que objectivo, procure  aflitivamente tirar os Kardashain do seu nicho de freak show, dos tablóides cor de rosa, para os passar a instalar sem um erguer de sobrancelhas nas revistas de moda mais exclusivas, nos eventos mais selectos, de modo a que ter uma Kardashian na capa seja o mesmo que ter, digamos, uma Sophia Loren, uma Elizabeth Taylor. 



E nem toda a gente é assim tão democrática. Eu pelo menos não consigo esquecer que a) são personagens de um reality show, por amor da Santa b) Kim Kardashian saltou para a fama com uma cassete infame, tenha ou não culpa do facto, e a família inteira capitalizou isso, o que tem um nome muito feio no meu dicionário c) nenhum deles canta, dança ou representa e por muito talento para o negócio que tenham, nenhum seria famoso por ter talento para o negócio. Ponto. Isso se calhar faz de mim uma snob, faz de muita gente snob, mas 
paciência.



 Mas voltemos a Kris Jenner. Eu pouco vi de Keeping Up with the Kardashians. Passei os olhos por alguns episódios, em parte  para perceber que diabos se passava ali, em parte no contexto de um exercício  a que chamo desligar completamente os neurónios a ver se o cérebro faz reset. Não gosto de reality shows, mas tenho de admitir que este é um produto de televisão bem feito no seu género: pelo menos há ali uma linha condutora, um guião, a fotografia não é má, percebe-se o que eles dizem (ao contrário do que vemos nos formatos portugueses). Sei que houve algumas cenas escabrosas, mas por acaso não apanhei nenhuma; o pouco a que assisti mostrava mais as raparigas às voltas com as suas lojas do que outra coisa qualquer. 

 Porém, a cena mais marcante que me calhou ver foi quando Kim Kardashian estava hesitante em fazer um nu frontal para a Playboy...e a mãe a incentivou. Insistiu nisso, de tal maneira que eu lhe chamaria coacção, para não lhe chamar outra coisa.  Com aquela forma de insistir que só uma mãe tem, mas aplicada a algo *assaz* sinistro.




 Pronto, acabou-se ali qualquer tentativa de ser compreensiva,  de bem, se calhar aquilo do vídeo íntimo que vazou  foi mesmo um acidente e coitadas, fez-se limonada com os limões que a vida lhes deu

 Foi das coisas mais constrangedoras que já vi. Nesse momento fiquei com profunda pena de Kim Kardashian (que a generalidade dos média e fãs descrevem como genuinamente simpática, não é nada má rapariga nem diva, mas não muito esperta, um peão nas mãos da mãe e do novo marido). E há dias dizia-se que Kris Jenner já estará a trabalhar junto da irmã mais nova, Kylie (que ainda nem atingiu a maioridade) para fazer outro tanto. 




Diz-se que Lucrécia Bórgia foi um fantoche nas mãos do pai, mas Alexandre VI era um menino comparado com Kris Jenner.

O que nos remete para o estatuto recém cunhado de "Momager" - portmanteau de "mom" e "manager" que eleva a outro nível a ideia de stage mom. Sabem, aquelas mães que querem por força que os filhos sejam estrelas e lhes gerem a carreira a ferros.

 O artigo do New York Times elogia Kris, a sua visão de negócio que permitiu que todos os seis filhos estejam lindamente encaminhados na vida, cada um a valer não sei quantos milhões. O que diz tudo do nosso tempo de mentalidade burguesa em que não é guardando a honra que se triunfa e toda a gente acha isso normalíssimo ou até louvável. 

Há limites para o que se sacrifica pelo sucesso; quando uma mãe não  traça esses limites e ainda faz pior, bom...deixo ao vosso critério a designação que se dá a isso.

Orientar a prole é uma coisa - explorá-la é inteiramente outra, para não falar- pois neste caso nem vale a pena - na orientação moral e espiritual que compete a uma mãe.



  A única associação de ideias curiosa que se tira do texto do NY Times será notar como uma mulher com ética suficiente para ficar do lado oposto ao do então marido no julgamento de OJ Simpson (o pai de Kim foi advogado do atleta em tribunal enquanto Kris protestou em memória da mulher assassinada, de quem era muito amiga) se comporta assim com os próprios filhos. 

Ora, por ganância, nem mais. O primeiro casamento acabou por adultério da parte dela e com o novo marido falido, havia que ser criativa para manter o estilo de vida a que estava acostumada. Que a sua visão para o negócio tenha superado todas as expectativas é só um sinal dos tempos.



Mas não sejamos hipócritas:  momagers como Kris Jenner existiram desde a noite dos tempos em todas as esferas da sociedade. A mãe da famosa cortesã Verónica Franco, as mães de Judy Garland e Brooke Shields, as de Madame de Maintenon, da infeliz Lady Jane Grey ou a da socialite Consuelo Vanderbilt, só para nomear algumas, todas ficaram famosas por procurar estabelecer as filhas de forma questionável (via carreira, casamento ou manobras menos decentes).

A diferença está apenas na indiscrição com que Kris (péssima mãe, mulher de negócios inquestionável) o faz, e no aplauso. É que antigamente, estas coisas eram toleradas (ou fazia-se-lhes vista grossa)...



 Depois, quantas mães ambiciosas e desmioladas, vendo o exemplo, não tentarão fazer o mesmo? As consequências para a sociedade são de tremer.

É caso para dizer que o "amor" desta momager levou os filhos a fazer coisas impossíveis, ou pelo menos coisas que de outro modo não fariam. Mas o impossível não é sinónimo de bom.


Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...