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Saturday, June 6, 2015

Ouçam a sabedoria da experiência, meninas.


Hoje li dois bons conselhos de senhoras conhecidas do público, que achei por bem partilhar para nosso governo:

1-  "Quando não tinha dinheiro para pagar uma empregada e tinha de aspirar a casa, pensava ‘ombros direitos, barriga para dentro, faz de conta que estás no ginásio e aspira'".

(Lili Caneças numa entrevista antiga, afiançando que "nunca perdeu o glamour" mesmo quando ficou "apertada com as contas"). 


 Eu presto pouca atenção à imprensa del corazon, como vos tenho dito, mas acho sempre certa graça quando Lili Caneças conta as suas histórias de outro tempo. Além da joie de vivre, tem uma forma bastante romântica e expressiva de relatar pequenos episódios da sua vida e do círculo em que se movia. Fala como uma mulher de uma época que já não volta, de uma forma de estar que rareia cada vez mais. 
 O exemplo acima é mais um do modo elegante como meninas e senhoras se conduziam, mesmo quando tinham conhecido melhores dias e eram obrigadas a fazer "filhoses de água". Toda a vida ouvi - e digo-o muitas vezes - que a elegância não depende dos meios; depende da educação que se teve e da forma como se encaram os factos. Exige imaginação, sentido de humor, costas largas, resistência interior e espírito de sacrifício. Manter a classe e o bom aspecto quando se vive rodeada de coisas bonitas e facilidades não é grande proeza. Consegui-lo quando isso se vai já tem que se lhe diga...mas é uma questão de prática e está ao alcance de todas.


2 - "Os comportamentos de risco de certas mulheres são como atravessar a rua com o sinal fechado: se um condutor vos atropelar... o erro é dele, mas quem acaba num hospital são vocês".

                                     Dra. Ruth Westheimer

Lembram-se da simpática sexóloga com ar de avozinha, que às vezes aparecia na imprensa e em quem Herman José se inspirou para criar a "Dra. Ruth Remédios"?

 Por estes dias a Dra. Ruth, a verdadeira, de 87 anos, incendiou as redes sociais (sim, ela usa o Twitter!) escandalizando os politicamente correctos de serviço, ao afirmar que é perigoso as mulheres envolverem-se muito intimamente num encontro se não pretendem levá-lo às últimas consequências, porque acredita que mais vale não passar mensagens erradas já que nem todos sabem ser cavalheiros e respeitar quando uma mulher diz "não" ou "mudei de ideias". O que ela foi dizer! 

Nos melindrosos dias que correm, é preciso coragem para encarar os factos com realismo. Para prevenir em vez de remediar. Para evitar as consequências em vez de doutrinar à doida tentando mudar as causas.  Mas como a idade é um posto, a veterana dos conselhos de alcova e romance não se ficou, reiterando "sim, sou quadrada e antiquada; não acredito em casos de uma noite, porque no fundo toda a gente deseja uma relação". Grande tareia no wishful thinking obrigatório!


Friday, June 5, 2015

O Rei S. Luís de França...e as duas mulheres da sua vida


Tenho uma grande admiração pelo Rei S. Luís de França (Luís IX). Foi um soberano, pai, filho e marido modelo, mecenas, rei cristianíssimo, exemplo de justiça, nobreza e bondade. Inimigo do vício, amigo dos pobres e da justiça, o seu reinado fortaleceu França de tal modo que o sec. XIII é chamado "o século de ouro de S. Luís". As imagens que existem dele, mais ou menos romanceadas, também sugerem que teria uma figura bonita, gentil mas majestosa. Em suma, é a imagem perfeita de um Rei medieval, com todas as qualidades a que um homem deve aspirar.

Mas no seu percurso, contou com o precioso auxílio - e lamento dizê-lo, as arrelias - das duas grandes e virtuosas mulheres da sua vida: a mãe, a piedosa mas obstinada Branca de Castela, e a sua amada e intrépida esposa, Margarida de Provença. Se por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher, talvez ter duas nos bastidores fosse simultaneamente uma bênção e provação tão grande que contribuísse para o tornar Santo.

 Luís começou a reinar muito novo -com apenas 12 anos - após a morte inesperada de seu pai, Luís, o Leão, actuando a sua mãe como regente. Mulher de carácter, Branca orgulhava-se de ser filha, sobrinha, esposa, irmã e tia de reis. 

                    
Branca de Castela

Herdara o  espírito da avó materna, Leonor de Aquitânia, que aliás tinha decidido o seu casamento por achar que a têmpera de Branca se adequava mais ao trono de França do que a primeira escolha, a irmã Urraca (que casaria entretanto com Afonso II de Portugal).

Profundamente religiosa, Branca  guiou o filho no sentido da virtude, dizendo muitas vezes "que preferia vê-lo morto a vê-lo cometer um pecado mortal". Esperava fazer dele um digno sucessor do pai, que unia a bravura ao zelo pela Fé.  Mais tarde Luís seguir-lhe-ia ao exemplo tendo uma relação informal e de grande proximidade com a sua prole, sobretudo no que respeitava ao acompanhamento da sua formação espiritual.

 Fazer valer os direitos do jovem Luís não foi fácil: Branca teve de lidar com as pressões de Inglaterra, com conflitos internos e a Cruzada dos Albigenses (a que ajudou a pôr termo, continuando assim a obra do marido).

 É natural que lhe fosse difícil afrouxar a sua amorosa protecção e o seu sentido político, mesmo depois de Luís atingir a maioridade aos 20 anos. Passou então a ter uma posição oficialmente mais discreta, embora continuasse a actuar nos bastidores como conselheira.

  E foi nesse papel que o orientou na escolha da noiva: a linda  Margarida, filha de Beatriz de Sabóia e Raimundo Berengário da Provença. Jovem culta, uma de quatro irmãs que eram consideradas as maiores beldades do tempo e tão religiosa como Luís - depois de casados, tinham o hábito de rezar juntos - pareceu a Branca a nora perfeita: doce, ingénua e obediente. 


Margarida de Provença

Com efeito, a união revelou-se feliz: Margarida era carinhosa e alegre, cobrindo o marido de cuidados. O bonito casal entendia-se na perfeição e os filhos sucediam-se: foram 11 ao todo. Apaixonada e corajosa, chegou mais tarde a  acompanhar o esposo em Cruzada, enquanto a sogra ficava em França, novamente com os destinos do reino a seu cargo.

 Quando o Rei foi feito refém, as hábeis negociações da mulher (levadas a cabo quase no termo de uma gravidez!) salvaram-lhe a vida, e a de vários cavaleiros.

 E assim - com a mãe no Trono, e a cara metade a seu lado - estava Luís IX cercado das mais amorosas guardiãs.


 Porém, este ânimo varonil de Margarida não foi do agrado da sogra, principalmente nos primeiros anos. Branca de Castela enganara-se se esperava uma nora submissa, que se deixasse guiar e ensinar.  Margarida, a despeito das suas grandes qualidades, revelava-se ambiciosa. Essa era, aliás, uma das poucas diferenças em relação ao marido: quando S. Luís, a despeito dos seus nobres títulos, insistia em assinar apenas "Luís de Poissy" e em trajar com simplicidade, Margarida recordava-lhe que devia vestir-se como quem era...ao ele respondia, sem fazer caso, "que vestiria como ela quisesse se ela se vestisse como ele gostava". 


 Branca considerava Margarida demasiado jovem e impetuosa e impedia-a de participar nas jogadas políticas - talvez por a nora ter fama de usar a intriga para conseguir os seus fins; por seu turno, Margarida queixava-se da interferência de Branca, que acompanhava o casal para toda a parte. Enfim, rezavam as más línguas que as duas rainhas andavam numa constante partida de xadrez, disputando a influência sobre o Rei. 

Se Branca pecava por excesso de zelo, não deixando muito espaço ao casal, também Margarida errava ao não aproveitar a orientação de tão boa professora. Podemos imaginar que se a família conseguiu um reinado tão proveitoso com as duas mulheres agastadas uma com a outra, onde não teria chegado se se entendessem! Não há maior tesouro que uma sogra sábia, nem achado melhor que uma nora receptiva e sensata...

 S. Luís, porém, tinha demasiadas conquistas, demasiadas obras, demasiadas misérias a socorrer para deixar que murmurações femininas o perturbassem: respeitoso até ao fim para com a mãe (cuja partida deste mundo em 1252 o obrigou a regressar a França) sempre paciente com a esposa, soube tirar o melhor partido do bem que ambas lhe queriam e da ajuda que lhe prestaram. 

   Margarida sobreviveu mais de duas décadas ao marido -  mas não ficou na Terra os dois anos que faltavam para presenciar fisicamente a sua Canonização pelo Papa Bonifácio VIII, em 1297. Por essa altura, já o casal dormia eternamente na Basílica de Saint - Denis...



Pensamento do dia: vejam que responsabilidade, meninas e senhoras.


"A mulher pode ser exemplo ou escândalo; anjo ou demónio; pérola ou tição; amor ou ódio; consolação ou desespero; paraíso ou inferno; auxílio ou ruína; árvore de fruto ou urtiga...os homens fazem as leis, as mulheres, os costumes".

Está certo que a frase é antiga, e que as mulheres também já vão fazendo e assinando leis; mas não deixam por isso de ditar os costumes! E isto tanto nas coisas pequenas e privadas, como nas grandes. Senão, reparem..vejamos exemplos simples. (*Sem querer repetir-me mas já repetindo, que do modo como as coisas andam nunca é demais repetir*).


  No local de trabalho: os homens procedem como sempre procederam (ou como os convidarem a proceder...) para bem e para mal. Se as funcionárias não forem profissionais, agindo como se estivessem a falar com as amigas num salão de manicura, dando-se às intrigas, picardias e mexericos umas com as outras; não respeitando as regras de apresentação, vestindo-se como quem vai para uma discoteca; ou pior ainda, alimentando esquemas e namoricos (não sejamos hipócritas, toda a gente ouve histórias destas) como querem ser respeitadas ou contribuir para um ambiente elevado, de confiança e centrado naquilo que realmente importa?

O mesmo se pode dizer da blogosfera: se descem a guerrinhas e alfinetadas, daqui me perguntaram, daqui me responderam, deixando-se contagiar por certas brejeirices, instala-se um clima muito pouco próprio, que não abona a favor de ninguém, mas que se espalha em modo "se todas escrevem assim, vou fazer o mesmo". Quem tem obrigação para mais, que ignore os melindres e se remeta a um silêncio senhoril!

 Na vida social: o dress code para um homem não costuma ter grande coisa que se lhe diga. Se pede fato escuro, basta um cavalheiro apresentar-se assim e está feito; pode ser um fato melhor ou pior, mais elegante ou menos mas é difícil passar uma vergonha com isso. E o arm candy que o acompanha? Se se mostra em público com uma flausina vulgar, semi vestida, espaventosa...ou pelo contrário, com um saco de batatas sem graça nenhuma...aí fica apresentado, coberto de ridículo ou de pena.

De resto, em quaisquer eventos - oficiais, familiares, informais, religiosos, solenes - basta uma mulher proceder como deve, apresentar-se como deve, para que outras se inspirem; mas se muitas procedem mal, descem os padrões e é o que sabemos.

Em casa: se a mulher não dá bom exemplo às filhas nem lhes censura as modas (e os modos)  inconvenientes ou que caem no ridículo, não há grande coisa que o pai possa fazer - por muito consciente que seja - sem ser considerado "o mau polícia".

 Nos média, na política: se não houver serenidade na escolha, tratamento e apresentação dos conteúdos, dos argumentos, das propostas, não há só o risco de as mulheres não serem tomadas a sério. Existe o perigo muito maior de influenciar para o mal milhares de mulheres, milhares de raparigas e pior ainda: não se esqueçam que os homens agem de acordo. Voltados para o exterior, por tradição e por genética, esperam inconscientemente medir a sua moral e têmpera por aquilo que a nossa aprova e permite.

 Bem dizia Oscar de la Renta, "uma mulher deve conduzir-se como se tivesse sempre três homens a observá-la". Nem é tanto por nós, é por eles também...


Thursday, June 4, 2015

Maria Madalena, por Amália Rodrigues



Já por aqui tenho dito que acho uma pena não ver mais Amália Rodrigues nos  blogs de moda nacionais. 

Aliás, existe muito pouco material online que se foque nos looks da mais "nossa" das nossas it girls, o que me dá vontade de mergulhar nas minhas revistas antigas e partilhar algumas imagens. 

  Amália teve, na associação musica/moda, uma presença muito semelhante à de Maria Callas. Se Maria Callas pôs a ópera na moda e a moda na ópera (como li algures há muitos anos) Amália pôs o Fado na moda e a moda no Fado (embora não só o Fado, já que cantava outras coisas). De certo modo, glamourizou a canção portuguesa. Fosse Amália uma jovem cantadeira hoje, estou a vê-la perfeitamente a vestir Dolce & Gabbana e Alexander McQueen. Juntamente com Carmen Miranda, foi a maior estrela portuguesa. Ambas com uma imagem marcante, de forma muito diversa.

 Ter um "boneco" é sinal de que se alcançou um estilo próprio. Se virmos uma mulher de sheath dress preto, grandes óculos de sol, bâton encarnado, cabelo escuro e eventualmente, uma flor escarlate no cabelo, zás: pensamos imediatamente em Amália. 

Talvez haja na imagem da fadista algo de siciliano que me agrada (com todo aquele preto, aquele cat eye e aquelas rendas). Adoro a segurança do seu look de assinatura. Era elegante, era clean, era rico e uma pessoa sabia o que esperar dela.



Quanto à sua obra, eu percebo pouco de Fado; as minhas avós gostavam, em casa às vezes recebíamos amigos que cantavam Fado de Coimbra ao luar no jardim; aprecio um bocadinho do outro fado aqui e ali (cheguei a escrever, por carolice, um que até foi muito aplaudido mas dizia precisamente "não canto o Fado!") e o pouco que conheço melhor é Teresa de Noronha e Amália... duas mulheres praticamente opostas, na voz, no background e na forma de estar, mas ambas fascinantes, a viver numa época que em termos de sociedade e cultura nacional, seria bem mais interessante do que a nossa...

 Ocorreu-me isto porque nas minhas arrumações, dei com um disco que era da avó, de Frei Hermano da Câmara, "O Nazareno". Lembro-me de o ver lá por casa em pequena, mas não me recordava nadinha do conteúdo, nem de que era um musical. Fiquei curiosa ao reparar que Amália fazia de Maria Madalena.



 E embora unidos pela música, não é de estranhar que para o autor, profundamente religioso e tradicional, Amália (divorciada, livre e movendo-se em círculos boémios) parecesse o modelo perfeito de uma elegante "mulher pecadora". Uma Madalena do século XX. Mas isto já sou eu a fazer associações de ideias. 
  
 De qualquer modo, a canção é belíssima. Mereceria talvez um arranjo diferente, uma produção nova que a tornasse mais intemporal e realçasse a profundidade da letra, mas as palavras são intensas e eternas. Falam ao coração de todas as mulheres que sentem, tenham ou não arrependimentos. Há um pouco de Maria Madalena em todas, quanto mais não seja nas que encontraram a pessoa que faz cumprir aquela "profecia" virtual muito batida nas redes sociais: "um dia encontrarás alguém que te vai mostrar porque nada tinha feito sentido até então".



E trago-vos bálsamos, trago-vos rosas

E trago mil beijos de límpida unção...
Deixai que estas lágrimas tão dolorosas
Vos verta nos pés que iluminam o chão,
Que me enchem de santa e fremente paixão,
Quero o eterno amor, quero o eterno amor, um amor sem vergonha,
Sem trave e sem fim, sem trave e sem fim...




Para os mulherengos: a alegoria das favas


Vou contar-vos um segredo: para chamar as coisas pelos nomes, "sempre me meteu cá um nojo" ouvir desculpar a libertinagem de certos homens femeeiros (ora aí está outra palavra fora de moda!) com o estribilho: coitado! Gosta muito de mulheres!  estribilho a que às vezes se segue "oh! mas é um perfeito cavalheiro!"

Assim como quem diz: gosta muito de queijos, gosta muito de vinhos... ou como que a justificar "não se controla, à maneira dos bêbedos...".

Pior do que isso, só um mulherengo empedernido a dizê-lo de si próprio, com ar baboso: ah! Eu cá adoro mulheres! Como quem se orgulha de ser um fraco e um devasso.

Um ponto pela sinceridade, vá, mas quem o diz não adora mulheres, porque não gosta realmente de nenhuma; adora mulheres como quem adora coleccionar selos, ou como a Imelda Marcos gostava de sapatos... e ainda por cima, tem-se geralmente em grande conta (mesmo que já não vá para novo e nunca tenha sido nenhum Sean Connery) achando que todas as mulheres o apreciam também...presunção e água benta, cada qual toma a que quer. Tão pouco quem afirma isto pode ser um cavalheiro, quanto mais um perfeito cavalheiro, porque carece do auto domínio que é apanágio do cavalheirismo. E se há coisa que me tira do sério é gente sem auto domínio. 

Claro que isto só é realmente uma coisa grave quando quem diz adorar mulheres e procede deste modo, se acha no direito de ter AINDA uma namorada/esposa legítima a quem engana descaradamente; e/ ou  se cobiça as mulheres do próximo.

De resto, há apenas que notar o ridículo da personagem e, caso se caia no radar de tais pessoas, rechaçá-las sem dó nem piedade.

  Gente dessa lembra-me aquele conto de Fadas muito antigo, de um jovem fidalgo que agarrou uma grande "paixão" pela Rainha. Acentuado D.Juan, sem um pingo de vergonha (nem de medo) andava pela corte a dizer que não descansava enquanto não juntasse a consorte do Rei ao seu rol de conquistas, e que dava tudo para passar uma noite com ela.



O dito de mau gosto foi ter aos ouvidos do monarca que, fiado na honestidade da esposa e sem vontade de sujar as mãos de sangue, decidiu dar-lhe uma lição mais civilizada.

Convidou o estouvado para uma ceia e ele claro, foi, julgando que o Rei, que ele planeava fazer de paspalho, lhe estava a dar uma grande honra...

 Sentaram-se e comeram, tudo muito bem servido e acompanhado dos vinhos mais raros, mas...todos os pratos eram à base de favas. Sopa de favas, favas cozidas, favas estufadas, guisado de caça com favas...e assim por diante. Ao início o mariola lançou-se às iguarias com apetite, mas passado um bocado começou a fartar-se.

E o Rei perguntou-lhe, a fazer-se de novas:

- Então, não comeis mais? Os pratos não são do vosso agrado?

- Majestade, está tudo uma delícia...mas espanta-me que não haja senão favas.

- Pois bem, é para vos servir de lição: que eu nunca mais vos ouça dizer que quereis dormir com a Rainha. Ficai sabendo que favas, todas são favas; e mulheres, todas são mulheres...







Wednesday, June 3, 2015

Frase do dia: o amor, esse saco sem fundo




Encontrei hoje este trecho num livro de 1968 e achei-o cheio de verdade, muito a condizer com o que temos visto aqui sobre amor, capacidade de entrega, devoção e confiança. Não se gosta verdadeiramente se não houver um plafond infinito de fé e paciência. Se esse saco sem fundo é incondicional ou se no mínimo depende do amor-com-amor-se-paga já é outra história...

"Não há processo de amar sem precisar de superar-se, de perdoar,de ser fiel, de sentir-se desiludido e ser fiel apesar disso, de acreditar além das aparências, de acreditar apesar das aparências, de por vezes dar crédito contra toda a esperança, de recomeçar por vezes dolorosamente a tudo esperar, a tudo aguardar. Quando nos damos, deixamos de nos pertencer. Quando o amor dura, torna-se doloroso. Porquê? A nossa individualidade é o resíduo da nossa incapacidade de dom.
Amar é renunciar a esse resíduo, a este núcleo de segurança
".

                                                Louis Evely


Quando for grande quero ser polícia de choque


Neste país não se pode,  sem arranjar logo uma onda de indignação nas redes sociais, brincar aos pobrezinhos, nem aos riquinhos. E pelos vistos...também não se pode brincar aos polícias, a julgar pelo sentimento de ultraje causado por uma simples demonstração da Polícia em Portalegre, no Dia da Criança.

 A afronta? A Polícia quis mostrar aos mais pequenos como procede em caso de motim - estratégias que dá sempre jeito que as Forças de Segurança saibam caso, sei lá, haja um motim a acontecer nos bairros destas pessoas que se indignaram muito.

 Quando era pequena também fui a demonstrações da Polícia e do Exército (e se a memória não me falha, dos Bombeiros). Por acaso não me explicaram como conter uma multidão furiosa (eu teria adorado, com certeza) mas ensinaram-me outras coisas; nomeadamente experimentei uma amostra do treino dado aos Pára-quedistas. Como havia tradição militar na família, também me fartei de brincar em tanques de guerra  e canhões -  pasmem lá com essa, ó indignados. Aprendi equitação numa escola *fantástica* da GNR, onde me ensinavam habilidades de circo: agora sem mãos! Agora gira na sela! Agora de joelhos! Morri? Não morri. Tornei-me uma pessoa violenta? De todo. Ainda pensei seguir uma carreira militar, mas foi tudo.


 Perante acusações que li por aí - de aprenderem a ser violentos a aprenderem a reprimir os outros - só tenho a perguntar a estes pais e aos indignadinhos do costume: preferiam que o Dia da Criança fosse passado a brincar à anarquia? Isso é que era mau. Que mal aprenderam num cenário de "violência" simulada, num exercício que, na sua versão adulta, serve para CONTER a violência? Porque parece que querem que as crianças vivam numa utopia tipo Imagine, que são os adultos a viver num faz-de-conta onde a hipótese de violência, de motim, não é uma realidade. 

 Sim, a Polícia, as Forças Armadas... são péssimas companhias para os pequenos. Aposto convosco que muitos pais não diriam palavra se a notícia fosse "Meninos passam o Dia da Criança a dançar funk" ou "Crianças fazem book artístico de gosto questionável" ou ainda "Crianças vão a estúdio de televisão entrevistar vedetas da Casa dos Segredos". (Não estou a hiperbolizar: a julgar pela imagem abaixo, um concorrente do dito reality show marcou mesmo presença numa escola no Dia do Livro, e não vi ninguém indignado).


Voltemos a Portalegre: que mal aprende a pequenada numa simulação que lhes pode ser útil para se moverem de modo a escapar, digamos, caso se percam num sitio apertado com muita gente? Num daqueles concertos impróprios para a idade deles onde muitos pais insistem em levá-los, por exemplo?

Que mal aprendem com a Polícia, o exército? Violência? Pancadaria? Não, senhores, o jeito para nos sovarmos uns aos outros é inato, convém é ser civilizado e contido; o que não acontece se fingirmos que não existe. Para não dizer que umas noções de auto defesa e a familiarização com quem nos protege não caem mal a ninguém, nem lembrar que nunca podemos estar 100% certos - lagarto, lagarto-de que a paz e a ordem são dados adquiridos.

 Logo, não convém agir como se as forças de segurança e o exército fossem assim uma coisa ultrapassada, repressora, do tempo da outra senhora, que é bonito desprezar e achincalhar.

Se calhar os pequenos aprendem coisas muito más na companhia de militares e de polícias. Deus nos defenda de expor a tais horrores as florinhas de estufa: aprendem, por exemplo, a ser aprumados, que é uma coisa estranhíssima para quem manda as filhas para a escola de leggings e os rapazes com as calças a chegar aos joelhos e bonés ao contrario sem pensar duas vezes. Se calhar aprendem a caminhar como homens e mulheres, com porte e dignidade, em vez de terem "swag" e fazerem "twerk". Se calhar aprendem noções de honra, disciplina, respeito, integridade, espírito de equipa e amor à pátria, em vez de andarem à bolachada uns aos outros, a fazer bullying aos coleguinhas e a 
pôr-se em poses perigosas nas redes sociais

Com um bocadinho de azar, os meninos (ou meninas) vão chegar a casa e dizer "mãeeee, quando for grande quero entrar no GOE, que é uma das melhores forças especiais do mundo!". Deserdado, logo!

E às tantas - que horror, que medo- deixam de achar tanta graça ao Ronaldo (que fez da rua retrete em Saint Tropez, confirmando de vez aos franceses que os lusitanos são uns rústicos) e à casa dos segredos, estragando os serões de família em frente ao plasma.

Porque a "paz e o amor", a infantilização combinada com o "que mal tem isso?" (menos aquilo que é realmente mau) o "criar florinhas de estufa" faz com que o diabo os leve por outro caminho e a violência extravase na mesma, mas descontrolada.  

A sério, o desrespeito gratuito pela autoridade neste país, a par com o politicamente correcto febril é das poucas coisas que me arreliam profundamente. Para o próximo Dia da Criança, já sabem: façam um mini Big Brother. Os indignados serão muito menos.


Tuesday, June 2, 2015

Antonio Banderas dixit: no amor, como na dança


Bom, não foi exactamente o Banderas, foi a personagem que ele interpretava num filme que estava a dar no outro dia... mas como gosto muito do actor espanhol, seja. Em boa verdade, deixei-me olhar para o enredo só porque adoro vê-lo dançar e ouvi-lo (e porque a história, apesar da tradução lamechas do título em português, falava sobre danças respeitáveis e era cheia de bons princípios de antiga elegância; se começassem cá com soneros latinos calientes para trás e para a frente, não havia paciência).

Mas o que me chamou a atenção foi terem realçado que o que acontece na dança (se não quisermos pisar os pés ao partenaire) segue exactamente o ritmo tradicional da dinâmica homem-mulher. O ritmo da Natureza desde que o mundo é mundo.

Explicava o professor de danças de salão "o homem guia; a função da mulher é seguir". E responde a aluna - com uma dúvida comum, que impede muitas mulheres hoje em dia de dançar bem e/ou amar bem: "mas se o homem liderar, vai pensar que ele é que manda!"


- "Não é assim - replica o Banderas, com aquela voz do Gato das Botas - sabe, o homem propõe o passo. A mulher ESCOLHE segui-lo. E seguir exige tanta força como liderar. O homem poderia usar toda a sua força, mas escolhe levar a mulher numa viagem em vez de a dominar. Se e como aceita a viagem, depende dela. Se a mulher PERMITE ao homem guiar, ela está a confiar nele. Mas mais do que isso, está a confiar nela mesma".


É preciso ter força para se dar ao luxo de ser vulnerável. E a vulnerabilidade feminina tem um poder enorme - é uma das nossas maiores forças, principalmente no solo privado.


Afinal, o Criador "pôs as coisas frágeis na Terra para conquistar as fortes". A mulher que está sempre na defensiva, que precisa constantemente de provar que é igual ao homem em tudo, que é indomável, que não abre mão da autoridade simbólica (mas depois se queixa, com razão, que não encontra "um homem a sério", ou se deixa enganar por bad boys fanfarrões)... ou não confia o suficiente em si mesma, ou não está ao lado da pessoa certa. Tal como apenas um homem muito seguro da sua masculinidade não receia dar ouvidos à sua mulher, só uma mulher poderosa não receia ser doce, feminina, perder o medo e fazer a escolha - porque É uma escolha - de entregar a dança nas mãos de outrem. Não há maior prova de autodeterminação do que essa: só quem tem poder pode cedê-lo. Como dizia Santo Inácio de Loyola, não é difícil seguir, quando se ama a quem se segue.

E o mal da dança - e do resto - parece ser já ninguém saber qual é o papel que lhe compete, e cada um puxar para seu lado. Não admira que os bailes à moda antiga estejam quase extintos...


O diabo adora que falem nele. E nós, feitos parvos, falamos.



Temos Instagram, Twitter, Facebook...e adoramos audiência!

A minha querida avó era uma senhora muito piedosa. Também tinha um grande sentido de humor e deixava-nos fazer trinta por uma linha, mas havia uma fronteira que não podíamos ultrapassar: era proibido dizer "diabo" lá em casa. Bem como a maior parte dos "sinónimos": demónio, Satanás, Belezebu,etc. De todo. Nem como força de expressão. Ficava logo incomodada e já se sabia que,  caso viesse à baila, o  fio do diálogo era interrompido com uma lenga lenga de "Credo, não falem nisso, Santo Nome", etc.

 Claro que alguns dos netos e sobrinhos aproveitavam para trazer o Príncipe das Trevas à conversa de vez em quando, só para a ver repetir a deixa do costume - que às vezes acabava com o desabafo "ele que se suma para as profundezas do Inferno!".

 Mais medo do Inimigo do que a avó, só o meu tio C., que se arrepiava todo à simples menção de tal nome e volta não volta tinha pesadelos em que o Pai da Mentira queria tentá-lo ou arrastá-lo para os seus domínios. Como o tio C. era uma das pessoas mais angelicais que já conheci, a seguir à avó, concluí que só quem era realmente muito bom tinha medo de quem arquitectava todo o mal desde o início dos tempos.



Uma vez começou uma série para crianças, sobre gatos, que se chamava "Os Mafarricos", coisa que eu não sabia o que era. Ela viu, ficou horrorizada e foi uma complicação, que a televisão não havia de passar tal coisa, etc. Lição aprendida; fiquei logo instruída que "mafarrico" não era uma palavra boa- embora se aplicasse lindamente ao nosso comportamento quando nos juntávamos em pandilha, eu acho.

 Certa vez fez mesmo o sacrifício de nos sentar, com ar solene, e explicar que não se devia falar no "coisa ruim" em circunstância alguma, porque isso o chamava logo. Nem para dizer mal dele? - perguntámos, espantados com uma entidade tão pouco ocupada, que acorria logo à menção do nome ou alcunha. Nesse caso, as Missas Negras que se viam nos filmes e nos livros para o invocar eram uma enorme perda de tempo e desperdício de velas pretas, donzelas sacrificadas e orações em latim às avessas. "Se disserem mal dele ele ainda fica mais contente! Quer é ver maldades e adora que falem nele! Está sempre à espreita a ver se o chamam!". Um verdadeiro Manel dos Plásticos, portanto, servido por legiões de diabretes sempre prontas a marcar presença.



 Não me fiei muito nisso, nem fiquei com medo porque a ideia de anjos caídos era fascinante, havia imensos contos populares que eu adorava sobre o assunto e além disso o meu bisavô barafustava sempre que com a canalha nem o diabo quis nada, logo estávamos a salvo; mas achei curioso. 

  Por estes dias a existência literal e a relevância do Demo tem estado na ordem do dia e sido abordada por representantes da Igreja através dos média, a propósito (mas não só) do jogo "Charlie Charlie" que correu a internet (e que se veio a saber, não sem antes gerar casos de histeria em massa, que é uma manobra publicitária para um filme qualquer). Moral da história: não convém chamar o que não se conhece, mesmo a brincar...

Ou mesmo para dizer mal!

 Espíritos e diabruras à parte, há muito de verdade nisto. Não convém dar atenção a attention whores, a quem vive do "falem mal, mas falem de mim!". 




 Numa época em que todas as queixas, mesmo as lamurias mais ridículas, são legitimadas em nome do politicamente correcto e em que qualquer um tem acesso às redes sociais para levantar as discussões mais disparatadas, ganhando assim buzz e audiências, parece que a premissa diabólica se realizou mesmo. E lamento dizê-lo, sem a elegância mefistofélica que sempre se atribuiu ao Príncipe deste Mundo... 




 Das estrelas de reality shows e sub celebridades deste mundo às acusações de discriminação impossíveis de engolir, passando pelas mulheres que advogam o "direito" de se exibir de forma ridícula em modo auto-pena sem que ninguém diga ai ou ui, pelos movimentos anti champô, anti depilação ou qualquer forma de disparate que gere discussões, tudo serve aos modernos mafarricos para o bom e velho "ser falado" e "ficar famoso". 

  E tal como com o Inimigo, mais vale estar de guarda, mas dar o desprezo, a fazer muito barulho escusado com benzeduras e esconjuros. O pior é que ao partilhar, comentar ou simplesmente falar contra na tentativa de dizer "esperem lá, mas isto agora é normal, está tudo louco?", estamos a fazer exactamente o que os "diabos" querem. Vade retro, Satana.



Monday, June 1, 2015

O Givenchy da Kim (dar a mão à palmatória, ma non troppo)


Gostar de Givenchy não tem nada de estranho nem de novo: a mítica Casa tem sabido, pela mão de Ricardo Tisci, manter as linhas aristocráticas e luxo misterioso que a tornaram célebre. Cada colecção é um bálsamo para os olhos, sem deixar de lado um certo pragmatismo e simplicidade que tornam as criações "usáveis". 

Claro que - sinais dos tempos, marketing oblige mesmo que os apreciadores de sempre não concordem - há a "amizade" entre a griffe e novas celebridades como Kim Kardashian. Malhas que os social media tecem, necessidade de agradar a novos públicos e de manter a marca actual...enfim!


Falando do estilo de Kim per se (algo que acaba por ser, de certo modo, inevitável) não podemos negar que o marido que escolheu gosta muito de roupa bonita. Aliás, gosta tanto de roupa bonita e luxuosa que cai um pouco no complexo de fashion victim... com consequências não tanto para ele, mas para a sua musa. Já aqui se disse que embora o guarda roupa da estrela de reality shows se tenha sofisticado graças à intervenção da cara metade (com peças que qualquer conhecedora mataria para ter em casa) não a favorece necessariamente mais do que o que costumava vestir, antes pelo contrário. Kanye West quer por força que Kim Kardashian, com as formas que tem, faça funcionar toilettes criadas para modelos esquálidas. E se os casacos, certas saias lápis e looks monocromáticos resultam nela, não se pode dizer o mesmo do resto...




 Vale lembrar que apreciar coisas boas e ter olho para as proporções são duas qualidades que nem sempre caminham juntas! Ou que os melhores clientes são por vezes os que mais precisam de um stylist capaz para ajudar a fazer as combinações correctas.

 Dito isto, uma montra é uma montra - e a menina Kardashian não deixa de o ser. Uma montra com um poder insuperável nas redes sociais. Logo, era impossível não notar o eco dado pelas revistas da especialidade a alguns dos ensembles que usou...incluindo Givenchy. Uma jornalista da Elle aceitou mesmo o desafio de vestir-se como ela durante uma semana e como tem boa figura, os resultados são soberbos. Especialmente com o outfit Givenchy (body + calças de jersey + cuissardes abertas). 

O look resulta algo vulgar em Kim Kardashian, mas podia ser pior: a autora confirma que as calças seguram tudo no lugar - o que não admira, dado o corte fabuloso que têm e a espessura do tecido (também foi feita uma versão em pele, igualmente linda).


Acrescente-se que o top é mais fechado do que parece - há um debruado bege junto às argolas do decote que dá a ilusão de uma abertura mais pronunciada. Em suma, alfaiataria-engenharia de excelência; um look que, devidamente acessorizado, resultaria bem em qualquer mulher que tivesse curvas pronunciadas, mas um pouco mais discretas do que Kim. Não é preciso ter uma silhueta arrapazada para o vestir sem cair no exagero, mas convém no mínimo uma figura de ampulheta  mais esguia para que o visual não resulte provocante. E de preferência, com um casaco - em vez de blusão- para circular por aí!

E pronto: lá tive de admitir que gostei de um look da Mrs. Kardashian-West. Andam bem negros os tempos, como as roupas da Givenchy...




O complexo Taylor Swift (ou os 12 maiores erros amorosos que as mulheres cometem)


Românticas ou realistas, mais expansivas ou tímidas, tradicionais ou "de mente aberta", ingénuas ou mestras no assunto ao estilo Samantha Jones, todas as mulheres terão cometido, ao longo da sua vida, um ou mais destes erros -até em "romances" que se ficaram pelo platónico.

 A forma como se age nos relacionamentos nunca vem isoladamente; é sempre um reflexo da personalidade e educação, logo é natural que se tenda, no aspecto amoroso da vida, ao mesmo tipo de  disparates que se fazem nas amizades ou na carreira.

 O que importa é não cair num complexo Taylor Swift ou seja, num padrão, repetindo o mesmo enredo: dizem as más línguas que a cantora é useira e vezeira em entusiasmar-se demasiado nos namoros e quando o caso corre mal, vingar-se a escrever canções (de grande sucesso) caricaturando os ex nas letras e videoclips (o que deve ser uma forma divertida de curar o desgosto, embora nada saudável).

A velha máxima "é com os erros que se aprende" não é só um cliché, até porque a maioria das raparigas, ao contrário da Taylor Swift, não ganha royalties ao replicar ad nauseam as mesmas gaffes. 

1 - Arranjar desculpas para um mau rapaz

Ou para um rapaz preguiçoso que não tem pressa de ser independente, logo nunca vai levar o relacionamento ao próximo nível. Ou para um rapaz que até gosta de si, mas não age como é suposto. Ou ainda para aquele que deixa que as circunstâncias, as pessoas, a carreira dele, whatever, causem entraves à relação. E para...enfim. Se as suas amigas a avisam, a família a avisa, a sua consciência a avisa e dá por si a justificar-se com frases que começam por "ele adora-me, mas..." entre em modo "vê lá a tua vida, que isto anda muito fora dos eixos".

2 - Perder tempo, sabendo que no fundo não gosta muito dele.




O tempo é precioso. Não pode ser devolvido uma vez gasto; não se pode comprar mais. Logo, só deve ser "perdido" (salvo seja) por alguém que vale mesmo a pena. Ninguém merece ser amado "assim assim" (até porque isso não existe, ou se ama ou não) nem ser um mero hábito na vida de alguém. É preciso distinguir a acalmia natural que acontece nos maiores amores, passado o período de enamoramento (e o facto de qualquer relação dar trabalho) de estar ao lado de uma pessoa por hábito, medo do desconhecido ou rotina. O amor verdadeiro não se esgota. Se não é o caso, se vê que a situação não vai passar dali, que a paixão arrefeceu e que sem isso, não há mais nada que vos ligue, pode estar a enganar-se a si e ao outro julgando que está a ser leal. Uma coisa é ter palavra é ser fiel, outra é fazer de alguém um mono na sua vida. Se não ganhar coragem e sinceridade para desfazer os laços enquanto é tempo, isso pode vir a acontecer inevitavelmente - geralmente, em circunstâncias bem mais dramáticas e desagradáveis, ou quando for demasiado tarde.

3- Andar atrás dele



Sobre isso, já foi escrito um testamento por aqui. Há quem goste dessa atitude mais "moderna", mas um relacionamento já tem tantos desafios que não é preciso acrescentar-lhe ainda a desvantagem (e as inseguranças) de não se sentir como "a rapariga dos sonhos dele" para começar.


4 - Não lhe demonstrar que gosta dele.



Uma coisa é ser subtil, misteriosa e deixar a iniciativa aos cavalheiros... outra  é enviar sinais confusos. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Por muito cavalheiresco, directo e decidido que um homem seja, isso não faz dele bruxo. Todos os apaixonados se deixam assaltar pela dúvida, por isso se disser que não a tudo, se não encorajar minimamente o pobre coitado, se não demonstrar um bocadinho de meiguice...arrisca-se a que ele desista, pensando que não se importa com ele. Encontrar um meio termo pode ser complicado para quem é tímida e não há uma receita certa, mas inspire-se nas andaluzas, peritas na arte de "dar um empurrãozinho sem perder a face"... e siga o seu instinto. Mistério e dignidade feminina não significam ausência de sinceridade e comunicação.

5 - Confundir atracção com amor



Havia uma boa e sensata razão para os namorados de antigamente se chamarem "conversados", para os namoros à janela e para os paus-de-cabeleira...e não, não se prendia só com questões de honra e pudor.

 As mulheres, mesmo as mais sensatas, tendem a idealizar: se lhes aparece um pretendente que corresponda ao retrato-robot do namorado ideal, que fisicamente lhes agrade e com quem tenham gostos em comum, há a tentação de não lhe analisar a fundo a personalidade. "Coisinhas" subtis como um carácter frívolo e superficial, o egoísmo, a falta de integridade e os maus hábitos podem precisar de bastante tempo, observação e conversa para vir à superfície, sobretudo quando um homem tenta mostrar o melhor de si para agradar. E se avançarem muito rápido para um envolvimento, a atracção física vai dourar a pílula, adoçando até o mais negro dos quadros.  Em tempos idos - além de a família fazer uma investigação prévia ao background e pedigree do rapaz, nomeadamente para ver se tinha procedido mal com alguma "ex conversada" - o facto de os namorados não fazerem nada senão falar dava tempo para realmente saberem se eram compatíveis. Caso vissem que algo não batia certo, graças à distância física o envolvimento emocional era consideravelmente menor. Não digo que se namore à janela, mas...convém não "deixar passar" certos sinais de alarme em nome de uma cara bonita. Nem confundir atracção (que compromete a visão imparcial) com amor.


6 - Comprometer-se com um...gostando de outro

Ou seja, aquelas situações em que se acreditou que "um amor cura o outro" (mas o amor não nasce por aí nas árvores, por isso o mais certo é enganar-se). Ou quando, após uma data de desencontros com o Manel, que se porta pessimamente, decide dar uma chance ao Joaquim que é um amor e uma estampa de rapaz, mas afinal mais valia ter ficado na mesma porque o Manel é um fantasma na sua vida. 

Lembra-se de Carrie, Aidan e Mr. Big? Estabilidade e segurança são importantes, mas não dão felicidade per se. Na melhor das hipóteses, vai ficar infeliz, a viver uma relação a meio gás ou pior, a achar que o Joaquim não chega aos calcanhares do Manel - e se ele se aperceber disso vai ressentir-se, com razão. Na segunda hipótese, o Joaquim vai sair melhor que a encomenda e a menina fica pior do que já estava. E no piorio das hipóteses, pela lógica das relações complicadas, o Manel vai voltar do Além, o ciúme fala mais alto, acabam os dois zangados por sua causa...e isso NUNCA é tão romântico como nos livros. Dá sempre confusão, jamais acabou bem e a mulher é que paga as favas. Primeiro, o Joaquim merece melhor sorte. Segundo, se o Manel é mesmo o amor da sua vida, das duas uma: ou fazem por se entender ou vai cada um para seu lado e faz um retiro para se curar de vez dessa ruim paixão antes de envolver uma terceira pessoa na baralhada. Diziam os antigos que uma mulher que já deu o coração não o tem consigo, logo não serve para levar para casa. Até ter o coração de volta, livre e como novo, nada feito.

7 - Entrar em picardias com outras mulheres (por um parvalhão que só gosta dele próprio)



Ora aí está uma que nenhuma senhora faz (e se o faz, é porque se esqueceu do que lhe ensinaram; a cegueira de amor tem destas coisas). Acerca disto já se falou por aqui, mas recordemos as regras de ouro: quem quer mesmo estar consigo não dá troco a mais ninguém; um homem que tem demasiadas amigas, ou é gay ou não é gente séria; e aquilo que é muito cobiçado não merece ser disputado. Deixe-se a patética competição feminina para mulheres com problemas de auto estima.


8 - Manter-se ao lado de alguém que não admira

A bondade, a constância, a fidelidade e a química são qualidades essenciais para uma relação funcionar. Porém, não são tudo: um relacionamento não vive só de carinho e estabilidade, nem da boa dinâmica de casal. Se um homem proporciona segurança emocional mas não pode confiar-lhe tarefa alguma nem contar com ele para a ajudar em nada (vulgo, você a fazer horas extraordinárias e ele não telefona sequer para saber se está tudo bem; a sua avó foi para o hospital e ele não a vai visitar porque "tem medo de hospitais"); se ele é irresponsável com as finanças ou socialmente inadequado (e.g: é um amor de rapaz, mas não o pode levar à festa da empresa porque no armário dele só há ténis e calças rasgadas)...pense muito bem. Nenhuma relação é perfeita mas a cara -metade tem de ser uma força na sua vida, não um peso a carregar. Sem entreajuda e admiração mútua, é fácil perder-se o respeito. E sem respeito...


9 - Confundir amor com "entusiasmo por comparação"



Ou seja, sai de uma relação com um ex-que-veio-do-inferno, ou com alguém que tinha hábitos que a deixavam em parafuso...e a pessoa que conheceu entretanto parece-lhe maravilhosa só porque não tem as mesmas manias, ou porque não é assim tão má como a anterior. Por outras palavras, torna-se uma versão falsa e melhorada do seu ex - ou pior, se ele for fisicamente parecido, pode haver uma transferência de sentimentos. Pessoas não são projectos, nem bonecos, e quando der por si pode perceber que  andou a perder tempo com alguém de quem, afinal, não gosta muito (ver ponto 6). Sem esquecer que o senhor que se segue pode ter esquisitices piores!


10 - Precipitar-se, achando que nunca encontrará o que deseja.



É certo que a perfeição não existe. Porém, a vida é rica e por vezes reserva-nos mais e melhor do que alguma vez nos atrevemos a imaginar. 

 É um erro sufocar as justas aspirações da alma quando se trata de algo tão grave como escolher a pessoa com quem se partilhará tudo. Logo, há que evitar atropelar os seus princípios mais arreigados ignorando defeitos que realmente a incomodam, só porque um pretendente preenche boa parte dos requisitos que idealizou - embora falhe noutros tantos aspectos que para si são cruciais. Se algo lhe causa desconforto, pode ser um aviso muito sério: lembre-se de que há remédio para quase tudo quando o amor existe, menos para valores de base muito díspares ou para uma personalidade corrompida e viciosa. Em última análise, mais adiante pode encontrar mesmo o amor da sua vida e arrepender-se, por estar presa a alguém que aparentava ser o que não era. E isso nem sempre tem conserto...logo, não quer dizer que não se dê uma oportunidade às pessoas para provar o que valem, mas sem pressas nem em modo Pigmalião, julgando que consegue polir vincos profundos. O wishful thinking nunca dá bom resultado.

11 - Enrola o melão, desenrola a melancia...



Lei imutável da Natureza: os homens (ou a maioria, vá) são seres muito comodistas, razoáveis negociantes...e sabem muito bem o que lhes convém. Ou seja, não se esforçarão por algo que podem obter com menos canseiras, menos maçadas e menos cedências. Se tem os incómodos de um namoro (mas continua no papel de "amiga colorida") ou as responsabilidades de um marido (mas continua a apanhar bouquets) sem os benefícios (e se não é isso que quer- se é, sem problema!) lembre-se de tudo o que a sua avozinha lhe ensinou, deixe de se esfalfar para agradar achando que algum dia terá a justa recompensa e comece a valorizar-se como merece. É uma realidade um bocadinho dura, mas quando um homem a sério gosta a sério de uma mulher...não a deixa tão solta, como na canção do Caetano Veloso. Se não deseja um Ken que não serve para nada na sua vida, não faça de Barbie, nem de bibelot, e muitos menos de governanta.


12 - Ser demasiado orgulhosa



Na vida há saber perdoar...e saber ser perdoada. Muitos grandes amores acabaram porque uma mulher não foi capaz de deitar para trás das costas um erro pelo qual a outra parte já se penitenciou e fez por corrigir. Por outro lado, quando uma rapariga erra tem de saber, por sua vez, corrigir-se e perdoar a si mesma. Mas igualmente importante é não esperar um perdão perfeito de um dia para o outro, ou desistir porque o passado ainda não sarou e volta à berlinda de vez em quando. As feridas levam o seu tempo a curar - mas há reconciliações tão maravilhosas que valem a pena o esforço, a humildade e a espera.









Sunday, May 31, 2015

Dr. House dixit: pelo calçado se conhece um homem


"The eyes can mislead, a smile can lie, 
but the shoes always tell the truth"


O Dr. House (como o Sherlock Holmes, em quem foi inspirado) é perito na nobre arte de desmascarar as pessoas num relance, pelos pequenos detalhes que parecem superficiais (que são geralmente onde  o diabo se esconde). 

Já eu, tenho igualmente uma grande fé nos golpes de vista: contei-vos há tempos, a propósito da frase similar de Brian Atwood "nunca confies numa mulher com sapatos medonhos" como esse aspecto (obviamente associado a mais alguns, e às sirenes do instinto) nunca me engana. Bem diz o povo que uma senhora se conhece pelo calçado (o que não tem necessariamente a ver com o preço do mesmo, mas muito a ver com o tipo e o design).

 Por exemplo, jamais se fiem numa "santinha" moralista e armada em clássica com sapatos a contrastar - berrantes, altos e cheios de brilhinhos. É que jamais: exemplo fácil e óbvio, porém óptimo para começarem a treinar se ainda não são versados nesta técnica tão útil.

 Mas tal como uma senhora se conhece não só pelos sapatos, mas pelas mãos, a cútis e a carteira, um cavalheiro também se conhece pelo calçado (e pela ausência de gel visível no cabelo; gel à farta nunca engana, além de ser bastante parolo).

 Por exemplo, um homem que usa oxford shoes muito formais com jeans, há-de ser no mínimo um despistado e um bocado ingénuo; se pretender fazer-se muito sofisticado, desconfiem! O mesmo também vale para os tipos artísticos ou criativos, que fazem o inverso e adoram usar calçado informal com roupa muito elegante: pouca gente se sai sofrivelmente com tais manobras de styling e em geral, quem faz gala disso esconde alguma coisa. 

Se a marca dos sapatos está visível (como um certo senhor que vi de loafers com uma grande fivela a dizer "Prada") estamos obviamente perante alguém que tenta afirmar-se; mau para as amizades, bom se estiverem a tentar vender-lhe uma casa ou coisa que se pareça; um homem feito que anda sempre de ténis, especialmente se estiverem algo estafados ou forem demasiado juvenis, não prima pela maturidade e provavelmente é preguiçoso; caso abuse das chelsea boots e de sandálias, ou é um hipster, ou não tem noção das circunstâncias.

 Um homem que não se rale minimamente com o que calça, das duas uma: ou é um eremita, com pouca capacidade para se dedicar a alguém, ou então é um wannabe, um pseudo intelectual ou alguém com ideias políticas muito vincadas que quer passar uma certa imagem; pouco genuíno e pouco recomendável, de qualquer maneira. Quem gosta de sapatos de vela, não é dado a grandes disparates (a não ser que se recuse terminantemente a usar outra coisa, por mais que o dress code assim exija). Por fim, se o cavalheiro em causa tem sempre o calçado apropriado e de qualidade para a ocasião e fatiota, é de confiança a não ser que se preocupe DEMASIADO com isso. Se exagerar, já se sabe: provavelmente é um peralta.

Mas não fui eu que disse, eu só atesto a veracidade da afirmação do Dr. House.

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