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Saturday, June 13, 2015

Prova de Amor à Santos Populares


Hoje, dia de Santo António - que não é só o Santo casamenteiro e encontradeiro, capaz de recuperar o perdido e lembrar o esquecido, mas também o santinho com os milagres (e os castigos) mais espectaculares do calendário - começam a estar por todo o lado, conforme a zona do país, as imagens, as procissões, arraiais, marchas, balões, manjericos, etc.

Pessoalmente marchas não são tanto comigo; a tradição de que mais gosto é a das Fogueiras, com roda e mandador à moda antiga - geralmente um velhinho fanhoso e já com uns valentes copos que lá vai orientando velhos e novos numa espécie de dança de quadrilha medieval ao som de quadras como,

A apanhar o trevo,o trevo na areia/ a apanhar o trevo às escuras da candeia
Quem está bem deixa-se estar e eu não posso estar melhor/estou à beira de quem amo /não há regalo maior.

Claro que as tradições (e crendices) amorosas nesta altura do ano são tão frequentes como as noivas de Santo António (hoje assisti mesmo, sem contar, ao casório de uma...). A avó contava que as raparigas nos anos 50 atiravam alcachofras para a fogueira de S.João e se pela manhã tivessem florescido outra vez (apesar de todas chamuscadas) era sinal de amor correspondido e feliz. Não sei atestar a veracidade, mas podem experimentar porque alcachofras não faltam pelos caminhos...


 Pois a propósito disto tudo dei por mim a pensar que antes de um namoro se tornar muito sério, há outro teste excelente que se pode fazer por altura dos Santos Populares. E não tem nada de sobrenatural - basta que quem o faz deteste tanto como eu o cheirete a sardinhas. É que os danados dos peixinhos são uma delícia e têm um aroma muito apetitoso, mas Deus nos livre que fique entranhado na roupa ou no cabelo. Se vou a um arraial, passo de largo quando há grelhador à vista!

 Ora, se têm dúvidas quanto a quererem passar o resto da vida com a vossa cara metade, basta pensarem com os vossos botões  "será que eu continuava com vontade de o (a) abraçar se ele (a) viesse «perfumado (a) e enfarruscado (a)» de uma sardinhada?». 

Se a vossa resposta for "então não queria? Até lhe chamava «minha sardinhinha»" muito bem, o amor é firme. Se pensarem "blhec"...não precisam de fazer o teste da alcachofra...

(Assim como assim, "sardinhinha" sempre é uma alcunha mais decente do que "môr"; essa nem Santo António aguenta!).

Momento National Geographic #5 (Ou a frase que torna uma mulher em persona non grata)

E agora até têm revistas próprias- fujam para as barricadas!

Recordam-se de termos falado em mulheres que envergonham todas as outras?

E de como a pegada digital de cada um(a) diz praticamente tudo o que se precisa de saber sobre o carácter de alguém, caso haja dúvidas?

Perder um bocadinho nas redes sociais, a reparar nos mais remotos conhecidos-de-conhecidos-de-conhecidos que dão à costa pode revelar coisas antropologicamente fascinantes, mas deprimentes do ponto de vista humano.

 É como estudar a árvore genealógica de alguém, mas em mau: quanto mais nos afastamos no grau de parentesco, mais surpresas se descobrem. Em suma, reparam-se em tipos de homo sapiens (salvo seja) que nem sonhávamos que existiam. E com hábitos bem esquisitos. 

  É sabido que este espécime, já aqui documentado, tem um perfil bem definido: tomando uma amostra considerável de periguetes de bairro
percebe-se rapidamente que todas vestem da mesma maneira, usam os mesmos cabelos, as mesmas unhacas, os mesmos brincos grandes, frequentam os mesmos antros, gostam das mesmas danças selvagens, estão ligadas a seitas de cosméticos com frases motivadoras, usam termos brasileiros, dão erros ortográficos e quando têm filhos com o Carlão do Ginásio, mesmo que sejam orgulhosamente mães- solteiras-que-não-deixam-de-ir-à-discoteca-da-cachaça-todas-as-semanas adoram mostrar o quanto são extremosas; o que para elas se traduz em publicar intermináveis retratos dos seus rebentos, a quem tratam sem excepção- se forem meninas, logo futuras periguetes- por "princesa".

  O que eu já desconfiava, mas não queria crer, é que além das citações motivadoras dos batidos, das frases brasileiras sobre ser leoa, loba ou deusa ("beijinho no ombro!") e, para aquelas com pretensões intelectuais, deste nosso amigo, há algumas que chegam à desfaçatez de publicar isto:


É daquelas coisas que nem a brincar. Alguém que publique tal é para ser posta logo em modo damnatio memoriae. Nas brincadeiras que se toleram ou se fazem está quase sempre, ainda que em hipérbole, aquilo que se acha admissível ou normal.

Uma coisa é ser enfim, leviana, pouco culta, pouco elegante, não ter obrigação para mais; outra é ser má pessoa, gananciosa e cobiçar o alheio. Pelourinho ainda era pouco; Letra Escarlate era o mínimo. Agora calculem a quantidade de mulheres bem comportadas que será preciso criar para desfazer a má imagem feminina na sociedade. Mas pôr à margem quem diz coisas destas - se possível, fazendo-as saber porquê- já é um bom começo. 



Friday, June 12, 2015

De tirar uma mulher do sério: as férias grandes e a boa educação



Quando eu era pequena, tinha um ritual com os meus primos mal chegavam as férias grandes: ir para um sítio alto, abrir os braços e berrar "FÉEEERIAS!!!!!". 

Depois (do 5º ano em diante) antes de passarmos a gozar a liberdade como uns perfeitos índios, entretinhamo-nos a preencher o que ficara em branco da Caderneta do Aluno com todo o tipo de justificações mirabolantes para faltar às aulas, em vez de a deitar simplesmente fora. Sentíamos uma alegria perversa em escrever coisas como "não fui porque não me apeteceu", "tive nojo de ir à escola", "fiquei a brincar", "os extra-terrestres raptaram-me", etc. E claro, na nossa ingenuidade infantil, fantasiávamos com o bendito dia em que "nunca mais precisaríamos de ir à escola".

  Por muito que uma criança goste de aprender (e eu era bastante curiosa e boa aluna *quando queria*, mas nem sempre gostava dos manuais nem dos programas) rebelar-se contra o ensino formal é um privilégio, um costume, quase uma tradição da infância. Em caso de cenário apocalíptico, estilo Mad Max ou The Walking Dead, creio que só a pequenada ficaria satisfeita -ao início, pelo menos - porque não havia aulas para ninguém. 

Que atire a primeira pedra quem nunca desejou (como o Calvin ou o Filipe da Mafalda) que a escola desabasse. Quem disser o contrário está a ser fariseu.



Confesso que já dei muitas graças aos céus por não ter nascido, sei lá, Budista: detesto a ideia de reencarnação, e um dos motivos é por achar uma coisa terrível ser de novo bebé, passar pela creche, pelo infantário...e por anos e anos de escola. 

A ideia - até o nome - de FÉRIAS GRANDES encerrava, além da promessa de um tempo de brincadeira que parecia infinito, a possibilidade de uma catarse temporária. Salvava-nos a rebeldia e espírito crítico inato, que actualmente parecem querer amolecer a todo o custo.

É um paradoxo do esprit du siècle: por um lado indisciplina, infantilização nos conteúdos, uma educação totalmente piegas que faria Afonso da Maia desejar o regresso da doutrina e do latim, tolerância a toda a má criação, liberdade para ver maus programas, ritalina (que raio de nome para um remédio; parece nome de solteirona do Jorge Amado) em vez de respeito, incentivos à precocidade e atrevimento em vez de lhes salvaguardar a inocência, palmadinhas nas costas em lugar de uns açoites taludos na hora certa, uma babujice e adulação com as crianças que deixaria invejoso o menino Calígula (que apesar de ser adorado pelo povo, passou maus bocados em pequeno). 



  Por outro, uma pressão desgraçada para aprender não sei quantas línguas (menos a escrever bem a nossa) para darem em génios da informática, para serem crianças índigo palerminhas que enfardam lanches biológicos, passam o tempo livre a dizer disparates nas redes sociais, sem um "feriado" (trocado por esse horror das "aulas de substituição") e com horas intermináveis encafifados na escola, fora os TPC cada vez mais rigorosos.

E olhem que eu fui criada na velha guarda, vulgo "de pequenino se torce o pepino" e não fui propriamente uma criança escola-casa: tive ballet, o Instituto Alemão, equitação, etc, etc. Mas nada se compara à obsessão de hoje por *mal*criar super crianças.

 Ora, parece que os arautos das modernices e do politicamente correcto, super burguesinhos, super new age - e os pobres pais que alinham por essa cartilha - se lembraram de dizer que os alunos deviam ter apenas um mês de férias no Verão. Aliás, isto é apenas alargarem-se mais um bocadinho, porque todos os Verões é o mesmo dilema: pais de orçamento apertado a perguntar desesperados "onde é que eu vou deixar os meus filhos?".



Como se a escola, além de instruir, tivesse o dever de educar e de ser ama seca. 

Mas a culpa não é só da estranha cultura que se instalou. Não podemos deixar de lhes dar uma certa razão, até porque nem todos os pais se demitem de educar a sua prole: alguns simplesmente não têm alternativa, a não ser que subscrevam a cruel máxima "quem não tem recursos, não se ponha a ter filhos".

Com um cenário de mais incentivos ao aborto do que apoios à família; com as avós a trabalhar até cada vez mais tarde, sem tempo para a nobre arte de ser avó; o avô a adiar cada vez mais a reforma; a família alargada, idem (bons tempos em que havia sempre tias que ficavam em casa) e pais com salários dos mais baixos da Europa (o que obriga a uma das maiores taxas de empregabilidade feminina mas não deixa sobrar muito para pagar a amas) só uma parcela muito específica da população pode contar com uma estrutura mais à moda antiga. Ou seja, uma dinâmica familiar que permita às crianças serem crianças. 

 E depois vêem-se cenas de bradar aos céus - de miúdos stressados  a desancar e descarregar nos colegas feitos selvagens a pequenos e adolescentes para quem levantar-se no autocarro para dar lugar a uma freira ou uma velhinha é um conceito totalmente alienígena. É que a escola não pode ensinar tudo, nem se compara à figura da preceptora...




As orelhas de abano do ídolos - e dos ouvidos leves em geral.


Hoje o rapaz que foi alvo de troça na televisão por ter orelhas de abano veio mostrar aos jornalistas o seu novo visual.

Pondo de parte questões que não são para aqui chamadas - cada um sabe de si e se não se sentia bem com esse pormenor, corta-se (ou neste caso,
 costura-se) o mal pela raiz e pronto, não se fala mais nisso - eu acho que não era necessário. 

 Primeiro, porque ouvi dizer que uma operação às orelhas dói que se farta ( basta alguma vez ter adormecido a pressionar as orelhas com força contra a almofada para calcular que sim, auch!); segundo, porque num homem as orelhas não contam lá muito. O Eric Bana tem orelhas de abano (isto em português até parece um estribilho) e não deixa de ser um rapaz bem apessoado lá por causa disso. E o Mr. Spock? E o Legolas? Nunca lhes faltaram fãs à conta das orelhas em bico.

O problema é que muitos rapazitos agora querem usar o cabelo espetado, curtinho, com gel, à jogador da bola (o que para começar, não é grande ideia) sem ter orelhas para isso (e quando não têm queixo para isso pior se torna- parecem uns urubus com um ouriço na cabeça...).  Ou seja, se o  Daniel usasse o cabelo mais comprido e menos no ar ninguém tinha dado pelo detalhe.


 Volto a dizer, num homem, desde que em tudo o resto seja harmonioso e use um penteado que não realce esse pormenor, as orelhas não contam. O que é realmente mau é quando um rapaz ou um cavalheiro tem as orelhas equipadas com radar, ou acha que sim: traduzindo, quando dá ouvidos a toda e qualquer mentira que lhe contem, quando é inclinado a escutar mexericos e  todo o "espírito santo de orelha" que lhe sussurre o que ele quer ouvir, ou o que dá jeito a certas pessoas que ele ouça.


 O mal não é ter as orelhas grandes ou de abano: o mal é ter os ouvidos leves, deixar-se influenciar por tudo e todos como um fantoche, fazendo justiça à frase de Heródoto "os homens acreditam mais nos seus ouvidos do que nos seus olhos". E há senhores que são assim, mesmo tendo orelhas perfeitamente normais. Isso sim é pouco masculino e nada apelativo, porque um homem deve julgar pelos factos e segundo a sua consciência, em vez de dar ouvidos às vozes maliciosas que o vento traz, como uma alcoviteira. Em tempos idos, isso era tão mal visto que  até havia um castigo para quem tinha orelhas como o Rei Midas (não orelhas grandes, mas orelhas sensíveis à intriga): a máscara dos parvos.

 Logo, não é o formato das orelhas que conta, mas o que se faz com elas... espero que o Daniel perceba isso e de futuro deixe de dar ouvidos a palavras de burro, que nunca têm em mente o interesse do visado.

Thursday, June 11, 2015

5 técnicas para dar aquele "je ne sais quoi" ao seu visual

Há pessoas que vistam o que vestirem, têm sempre um toque especial. Mesmo que usem mais ou menos o mesmo que as outras pessoas, há algo nelas que prende a atenção e dá vontade de olhar outra vez. Será do fitting perfeito das roupas? Dos acessórios? Da "elegância não te rales" que emprestam a tudo? De algum super poder extra sartorial? Da confiança à prova de bala? Provavelmente tem a ver com uma combinação desses e de outros factores. No entanto, há algumas estratégias que todas podemos empregar com bons resultados, vide:


1 - Descubra o seu "signature look"


Todas as it girls têm um detalhe - ou um conjunto de características - que as distingue. Alexa Chung não dispensa o seu famoso cat eye, Fan Bingbing é conhecida pelos seus looks de cortar a respiração nas red carpets, Chiara Ferragni abusa da variedade, Cara Delevingne fez das sobrancelhas a sua imagem de marca, etc.  Não precisa de andar sempre de "uniforme" (embora seja prático construir um) nem de se maquilhar invariavelmente da mesma maneira, mas convém considerar os seus melhores atributos e criar um "boneco" com que se identifique. Desenvolver essa consciência ajuda nas escolhas/inspirações de guarda roupa e beleza, além de manter o seu estilo genuíno independentemente das tendências do momento.


2 - Acrescente "aquele bocadinho extra"


Nada é tão elegante como a simplicidade e ausência de ruído visual. Porém, a diferença entre "vestir qualquer coisa" e "criar um coordenado" está nos detalhes. Pode adoptar-se a famosa regra "três peças fazem um outfit" ou simplesmente pegar na combinação jeans + camisa e adicionar uma carteira diferente, uns statement shoes, um lenço de seda a fazer de cinto...ou apostar em versões mais ricas: por exemplo, uma blusa de cambraia com bordado inglês em vez de uma t-shirt comum,  adicionar uma clutch rara, uma jóia antiga...


3 - Deixe algo ligeiramente "descomposto"


Um visual polido e clean não tem de ser rígido. A ideia de "chic sem esforço"  está sempre presente nos looks mais conseguidos, por muito perfeitos que sejam. A chave está no equilíbrio: o cabelo um bocadinho solto com um vestido sofisticado; usar uma carteira ou casaco de cabedal envelhecido para quebrar um coordenado demasiado "novo"; moderar o uso do contouring e dos pós para manter o rosto fresco...


4 - Contra as inseguranças, uma rotina fiável


Sem assegurar a base, não podemos trabalhar os detalhes. É difícil deixar a criatividade fluir se andar  sempre preocupada com os seus pontos fracos ou se não tiver o seu guarda roupa ordenado e pronto a usar. Também não convém cair no mal de muita gente - que até tem bom olho para as peças, muita originalidade,  mas... falha ao escolher as que lhe assentam e não tem noção das proporções. 

Se apostar em bons básicos; for sempre organizando/ actualizando o roupeiro de acordo com o que cai bem à sua silhueta; se não ceder a comprar o que a desfavorece; tiver à mão costureira/sapateiro para garantir que tudo cai na perfeição e  mantiver uma boa rotina de beleza/exercício para assegurar que a figura/unhas/cabelo/pele estão no seu melhor, é fácil passar de um look "aceitável" para algo realmente especial. Vá dos alicerces para o pormenor e estará sempre segura de si, pronta para experimentar coisas novas e incorporar as tendências de modo sensato.


5- Corra *pequenos* riscos


Não tem de vestir o que já sabe que não a favorece só porque é tendência (ver ponto 4) sofrer de F.O.M.O cada vez que uma novidade trendy aparece nas revistas ou blogs de moda nem adoptar cada truque de styling exótico que surja nos sites de streetstyle. É desnecessário virar o seu visual do avesso para evitar o tédio, mas dentro do que lhe fica bem pode testar ideias novas: brincar com texturas ou sobreposições,  acrescentar uma nota de cor com um bâton forte ou sapatos contrastantes, contrariar um visual básico e certinho com uma peça - uma só - mais edgy, usar um statement coat sobre o vestido preto de sempre...as pequenas variações são a melhor forma de tirar partido das tendências sem gastar horrores e sem cair em grandes compromissos.





As duas faces da Honra



A frase do intelectual, filósofo e político romano, considerado um "pagão justo" (logo, uma pessoa séria) é bem verdadeira: a honra é a recompensa da virtude. Por vezes, é mesmo a sua única recompensa

É que é preciso não confundir honra (dignidade, orgulho legítimo, proceder honestamente, recusar-se a ir contra o brio e a consciência) com honras mundanas e vaidades.

  Uma coisa é a honra, outra são as honrarias; mesmo nos cenários e círculos onde a honra e a virtude deviam ser apreciadas acima de tudo o resto, há quem afrouxe nos seus princípios: para ser louvado, para manter a popularidade, para obter algo que lhe falta ou em nome da diplomacia exagerada. Cai-se então em tibieza, descendo ao raciocínio prático (embora sórdido)  "honra e proveito não cabem no mesmo saco".

 Muitas grandes personagens recusaram honrarias em nome da honra. Prescindiram do seu conforto, do seu estatuto, do amor, da felicidade ou da própria vida para não comprometerem os seus princípios, para se manterem fieis àquilo em que acreditavam: São Thomas More perdeu a cabeça (mas não o bom humor, nem a compostura) por ser um homem honradíssimo. A Princesa de Lamballe era uma mulher de honra e uma amiga fidelíssima, encontrando por isso um destino pior ainda. E em casos menos extremos, a Princesa Zinaida, que foi desprezada pela Czarina por não lhe dizer o que ela queria ouvir; ou a linda actriz Rita Hayworth, que se viu em grandes trabalhos com o ex marido por recusar vergar-se às suas infidelidades e exigências para se converter ao Islão.


S.Thomas More, Princesa De Lamballe,
Princesa Zinaida e Rita Hayworth

 Outra citação atribuída a Cícero complementa esta ideia: "habilidade sem honra é inútil" ou seja, o que é alcançado por meios menos limpos volta sempre para assombrar quem se serviu de esquemas ou truques. Veja-se o mau exemplo do nosso ex primeiro ministro...ou das mulheres que para conservar um homem se rebaixam a grandes papelões. Até poderão obter o que desejam, mas a que preço! À custa de que fantochadas, de que figuras tristes! E na maioria das vezes, com que consequências - já que acaba por se perder tudo na mesma, não conservando sequer o bom nome e a integridade.


Cícero e Tomás de Kempis
 Tomás de Kempis deixou bem claro o mais importante para quem preza, acima de tudo, olhar-se ao espelho pela manhã: "verdadeiramente grande é aquele que a seus olhos é pequeno e avalia em nada as maiores honras. De nada te serve adquirir ou acumular bens exteriores, mas muito te aproveita desprezá-los e desarraigá-los do coração. Isso não se entende somente do dinheiro e das riquezas, senão também da ambição das honras, e do desejo de vãos louvores porque tudo isso passa com o mundo".

 As recompensas devidas a cada um pelos seus méritos, se justas,  não deixarão de aparecer, embora possam tardar (porque tudo o que é bom é difícil).

Não vale a pena virar-se do avesso nem comprometer valores de base para agradar a quem tem "a faca e o queijo na não". Quem admira, estima ou ama alguém, não lhe pede a desonra em troca de honrarias. E se o faz...


Wednesday, June 10, 2015

Carolina Herrera e Jerry Seinfeld dixit: haja paciência!


Às vezes o estatuto é mesmo um posto. É preciso vir alguém com provas dadas  apontar o ridículo a que se chegou, com toda  a gente a não ver  mal  nas coisas mais escabrosas e por outro lado, a ofender-se com disparates perfeitamente inócuos.

O comediante Jerry Seinfeld veio a público dizer que perdeu a vontade de continuar a fazer o circuito das Faculdades nos seus espectáculos de stand up comedy (algo habitual para os humoristas nos Estados Unidos) porque graças à epidemia do politicamente correcto-que atingiu em cheio as mentes jovens -não se pode brincar com nada. "Só querem usar estas palavras...isto é racista. Aquilo é sexista. Isso é preconceito. Não fazem ideia daquilo que estão a falar" lamentou.

   Como alguém dizia há dias,actualmente só se pode troçar da  Religião e das pessoas conservadoras. Tudo o resto é intocável. (Basta ver as reacções  extremas da imprensa nos últimos  dias, atacando histericamente qualquer celebridade que se  atrevesse a dizer que a transformação de Bruce Jenner era algo pessoal e que não havia nada de "heróico" no assunto).




Já Carolina Herrera, que além de ter um gosto irrepreensível é uma Senhora  do melhor que  pode haver, disse (haja quem diga alguma coisa!) que não percebe onde está a graça dos já fanados naked dresses. Numa excelente entrevista ao Washington Post, a  elegante criadora criticou serena e lucidamente esta tendência, aludindo ainda ao hábito de  chamar "ícone de estilo" a celebridades passageiras (e de  gosto questionável).

"O  estilo  de Carolina  Herrera  destaca-se no nosso tempo agressivamente informal" aponta o Washington Post, realçando a elegância patrícia da sua clientela. Uma Casa de  estilo subtil e intemporal que dificilmente vergará a Kardashians e Rihannas,  portanto. 

"Não compreendo os designers [estabelecidos] que de repente querem ser hip  e cool como os novos criadores. Quem sempre  foi hip e cool,  muito bem; mas quem não  foi...é preciso  apresentar sempre coisas novas aos consumidores, mas  sem os chocar" - explicou. 

Alguns designers pensam que é tão  moderno estar despida, ou quase. Pensam que  assim vão atrair pessoas mais jovens e  chamar a atenção. Não! Na vida real, deve  haver algum mistério. Não tenho nada contra um decote profundo, mas é preciso respeitar as proporções. É  suposto estas pessoas serem ícones de moda, mas... não têm nada vestido!" afirmou, abismada.

Precisamos de pessoas com raça, old school e teimosas como Carolina Herrera e Seinfeld, para tentar chamar a sociedade à razão. Mas receio bem que graças ao desconchavo geral, sejam  meia dúzia de resistentes a atirar bons argumentos para saco roto...





Alfinetes, padeiros, elegância e bom senso


1- Dizem que na China os soldados pregam alfinetes no colarinho para se obrigarem a andar de cabeça erguida e costas direitas. Se baixarem o rosto, picam-se...
Este truque para manter uma postura bonita não faz parte do repertório que me ensinaram, mas se calhar (sem querer defender aqui torturas chinesas) dava jeito a muito boa gente. Conheci uma professora de passerelle que andava atrás dos alunos com uma agulha de bordar e quem entortasse as costas zás, uma alfinetada no derrièrre. Pela elegância vale a pena sofrer um bocadinho e os bons hábitos nem sempre "entram" a bem. Hoje é que se tornou moda esperar obter tudo "com papas e bolos" e palmadinhas nas costas, mas acredito firmemente que sem desenvolver uma certa disciplina militar ou de ballet seja  difícil alcançar algum aprumo ou trabalhar para a perfeição. Pode-se sempre visualizar o alfinete e a agulha, se não quisermos empregar a táctica literalmente.


2- Estando em voga os looks monocromáticos (em preto, branco ou nude) achei  que, já que é quase Verão, explorar os visuais pure white seria uma boa forma de brincar com as peças brancas que tenho em casa. Pois sim -ainda não fui capaz de tal porque há aqui umas vozes a insistir que de branco integral uma pessoa parece um padeiro. Com tudo isto não tenho opinião formada (nem vontade e força para ser padeira) mas fiquei a pensar que ter família evita todos os excessos. A julgar pelos preparos de certas habitués mais ou menos famosas nas semanas de moda, das duas uma: ou vivem sozinhas ou são muito cabeça dura e não dão ouvidos a ninguém...

Tuesday, June 9, 2015

Um velho ditado chinês que esclarece a causa de muitos males.


"Um tendeiro que deixa os legumes na rua durante a noite, não pode culpar a tempestade nem os ladrões de lhe arruinarem o negócio."

Tão pouco pode virar-se às laranjas, às abóboras e ao resto. Isto aplica-se a tantas coisas que para dar exemplos o post ficava muito grande, por isso 
deixo-o em modo charada.  Sábios, estes chineses...

As mulheres, os debates e Brízida Vaz.




Toda a vida ouvi "uma Senhora não desce a debates" e ainda bem que me educaram assim - a fazer mais por atalhar qualquer tendência para a "refilice", como lhe chamavam, do que a encorajá-la. "Uma pessoa para se defender não precisa de falar aos berros", "a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro", "é muito feio uma menina responder a provocações" etc, etc. Acredito que muitas de vós tenham recebido máximas semelhantes.

Viesse eu de uma família contestatária, panfletária, muito interventiva...e seria a ovelha negra, uma proscrita, porque detesto verdadeiramente debater o que quer que seja.

   O debate, sobretudo o televisivo, serve muitas vezes apenas para que cada um se agarre com mais força às suas opiniões e convicções, boas ou más, mais na ânsia de ganhar para não ceder um feijão que seja, do que no amor a aprender alguma coisa com os outros. O ego interfere sempre e na ânsia de não sair derrotado, de não fazer "má figura" cada um se desunha tanto que é impossível haver alguma troca de ideias - quanto mais o espectador tirar alguma coisa dali. Poucas pessoas têm a modéstia e a serenidade necessária para sair de um debate sãs e salvas: com a dignidade intacta, sem ter os seus princípios abalados e ao mesmo tempo, tendo trocado algum conhecimento com os companheiros de mesa. Não porque os argumentos do adversário sejam melhores, mas porque amiúde ganha quem fala mais alto, quem está disposto a fazer mais figura de urso. É muito difícil, hoje em dia, manter-se numa discussão de forma civilizada (quanto mais levar a melhor) quando todos se interrompem, se descabelam e falam aos berros. 



 Se estamos muito certos da nossa perspectiva, é inútil expô-la num cenário desses, perante quem está do contra (não consigo recordar-me qual foi o grande Santo que disse algo como "não debatas, não vás tu ser vencido e sair pior do que lá entraste").

 A não ser que de convencer alguém dependa algo vital para uma causa, ou para a nossa existência, debater é estéril. Até porque - como qualquer elementar altercação de rua - mesmo a discussão mais relevante muitas vezes termina em desacato, vulgo peixeirada. Entre a política e as sardinhas da Joaquina Peixeira, pouca diferença há...logo, o debate é mais do que tudo, um circo. Quem assiste, vê-o com a curiosidade popular de quem pasma para dois ébrios à pancada.

  Por isso, a Barca do Inferno era programa que eu, pouco amiga de televisão, nunca seguiria. O pouco a que assisti foi o que no ano passado correu as redes sociais, quando uma das intervenientes foi maltratada pelas outras (típicas mulheres que fazem gala da sua "inteligência", achando que é aos gritos que a demonstram) e hoje, com a saída em directo de Manuela Moura Guedes.



Muito já foi dito por aqui acerca da postura de muitas mulheres na política: a maioria esquece a máxima de Margaret Thatcher, sumidade na matéria, que jurava "ser poderosa é como ser uma Senhora - quem o é, não precisa de se gabar disso". Julgando que precisam de falar alto para se fazer respeitar, adoptam um "ar de comando": vozes de cana rachada, gestos exagerados, modos de Hitler, todo um aparato descomposto e chinfrim que contribui para que os homens digam "uma mulher não sabe mandar".

Serenidade, compostura, elegância, viste-as. Se os homens já fazem figuras tristes quando discutem, em mulheres parece muito pior.

Ora Manuela Moura Guedes, que é quem é e se expressa como sabemos, sempre me pareceu um anjinho ao pé do resto do painel, para não mencionar o facto de ser (corrijam-me se estou enganada) a única que não representava abertamente uma certa agenda política. 


Brízida Vaz- (imagem via)

Sendo ex-directora de informação, ex pivot de telejornal (considere-se ou não ética a forma opinativa como apresentava as notícias in illo tempore) era de esperar que moderasse o debate em vez de participar nele

Mas não. Parece que as mulheres - por culpa delas que se prestam a isso, nota bene - são tão pouco levadas a sério que não podem debater numa mesa redonda como outra qualquer. Foi preciso criar um programa em que as mulheres "debatam coisas sérias". Ou para usar um termo que eu detesto, "um programa de g*jas a falar de coisas sérias, olhem que admiração".  Melhor ainda, que para moderar uma data de mulheres a discutir qual hienas, não podia estar outra mulher. Elas serão tão incapazes de se comportar que tem de ser um homem - um humorista, ainda por cima - a impor respeito? Ou a tentar pô-las na ordem, salvo seja. Não sei se aponte o insulto, o paradoxo ou o óbvio, já que os resultados falam por si, bem alto. 

Manuela Moura Guedes saiu porque a discussão subiu de tom - boa decisão - mas nenhuma Senhora que se prezasse se sentaria de boa vontade em tal conciábulo para começar.

Parece que quanto mais independentes querem ser, mais infantis se tornam. O próprio nome, "Barca do Inferno" remete para Brízida Vaz, a alcoviteira. Ou ninguém reparou nesse "detalhezinho"?

Todo o formato parece inventado no firme propósito de confirmar um estereótipo; ou se calhar, de lembrar o responso das nossas avós: uma senhora não se baixa a discutir, nem desce a debates.








Monday, June 8, 2015

As coisas que eu ouço: na Igreja

Dolce & Gabbana S/S 2011

Numa Igreja da Baixa, aparece-me uma senhora da aldeia toda espevitada (chapeuzito de andar nas terras e chinelas - provavelmente teria terminado o seu dia junto à banca dos legumes no mercado ali perto, como percebi mais tarde) e a falar tão à vontade como se fora em casa:

- Ó menina...há aqui algum Padre que me benza este santinho? - disse alto e bom som, apontando para um volume embrulhado em papel pardo.

Respondi-lhe em voz baixa que havia um sacerdote no Confessionário; que lho pedisse quando a senhora que lá estava dentro terminasse...

- AI MENINA! - tornou a boa velhota, ainda mais alto do que antes, e depois de me perguntar se eu tinha ouvido que andavam a dizer na televisão que uma visita a determinado santuário garantia o perdão dos pecados - eu estou com tanta pressa para apanhar a carreira! Não pode perguntar se há outro Padre?

Já com vontade de rir, lá fui, a ver se ela ficava satisfeita e parava com aquele banzé. Não havia. Nem havia maneira de a senhora falar mais baixo...deve ter engraçado comigo e não se calava.

- Oh! Mas vejam só! Vão-se confessar? - insistia, com ar de espanto - uma pessoa confessa-se a Deus! "Eles" têm lá poder de perdoar os pecados!

Não me sentindo com vontade de discutir teologia nem doutrina, muito menos com alguém com o diafragma de uma prima donna, capaz de mandar um santo do altar abaixo, lá sussurrei conforme me ocorreu que todos os Católicos devem obedecer ao Papa logo é suposto confessarem-se até ordens em contrário, mesmo que visitem o santuário X ou Y, além de ser uma boa forma de desabafar sobre os problemas de cada um.

- A sério? Na Confissão podemos falar dos nossos problemas? (olhem que trabalhinho de catequista me tinha calhado pela tarde!). E atirou -me mais esta:

- Eu já não me confesso desde me casei vai p´ra quarent´anos! O meu marido faleceu há três meses (olhem que ninguém diria!)

E eu, já que ela não desistia mesmo:

- Então deve ter tido um marido muito bom, que não a fazia perder a cabeça...

- Qual! Ó menina... foi um marido muito mau! Tinha ataques "impiléticos"...

E não contente com isto....

- A menina está aqui porque o seu marido é mau? 

Salva pelo gongo - a confessada que lá estava saiu e a minha estranha companheira, perguntando se as outras pessoas se importavam que passasse à frente só por um instantinho, pediu ao Padre se lhe benzia "este Senhor de barro muito grande que custou 75 euros!".

E enfim, despediu-se de mim e foi à sua vida toda contente, deixando-me cá a pensar-lhe na lógica: se não acreditava que um Padre tem poder de perdoar os pecados, como é que se fia nos seus poderes para abençoar um Senhor que custou 75 euros e tudo?









Zen ou senso comum?


Quando um problema é posto à luz do dia, a solução tem por força de aparecer; e não é possível guardar um rio dentro de um aquário, por muito grande que ele seja, por mais boa vontade que haja.

Ocorreu-me isto a propósito de libertar espaço para arrumações, mas acho que se aplica a tudo. Na vida, como nos armários, nunca há condições ideais. Dava sempre jeito ter mais meios, mais tempo, dados mais completos, mais certezas, mais segurança, mais margem de manobra - mas só tirando a tralha (ou os factos) para fora das estantes, sem dó, piedade nem medo, é possível ver tudo com olhos de ver, enfrentar o touro e equacionar uma solução. Quem procura, acha. Ou como dizia Picasso "eu não procuro; encontro".

Depois, por pouco que apeteça, por difícil e trabalhoso que seja, é preciso aligeirar a bagagem, deitar coisas fora, livrar-se do que já não serve. Porque se guardarmos tudo - sejam jeans que não assentam ou estão fora de moda mas um dia pode ser que sim, livros que nunca lemos mas podem vir a dar jeito para consulta, engenhocas que pareciam boa ideia mas nunca usámos, bugigangas que nos ofereceram e não servem para nada ou emoções fora de prazo (receios, cicatrizes, ligações negativas, compromissos tóxicos) - nunca vai haver espaço suficiente para circular e para arrumar devidamente as coisas de sempre que nos fazem bem e as coisas novas que vamos trazendo para casa. 

Nada de zen aqui, mas o sossego que garante não está à venda em lado nenhum...


Sunday, June 7, 2015

Jim Carrey, um homem *demasiado* prevenido nos amores. Ou com razão.


Dizem que  o actor Jim Carrey (que cá entre nós eu acho bem parecido com caretas e tudo, e muito talentoso) - tem um teste para avaliar se uma potencial namorada lhe serve. Ao que parece, o actor pede no primeiro encontro que a menina leia (se não leu) Crime e Castigo, a obra imortal de Fyodor Dostoyevsky, para depois falarem sobre o tema. Se ela conseguir ter uma conversa interessante depois disso, é porque "é inteligente que chegue para acompanhar o seu raciocínio".

Ora, eu sou totalmente a favor do profiling de pretendentes. Creio que homens e mulheres o devem fazer com muito sangue frio e bastante realismo, para evitar desgostos e perdas de tempo. Afinal,  better safe than sorry

Claro que tais "provas" variam de acordo com os critérios e valores de cada pessoa. Já vos falei nas seis perguntas-chave que convém colocar aos cavalheiros. E nos testes básicos: não confiem num rapaz que tem muitas amigasreparem naquilo que ele calça; quanto a princípios e valores, atenção aos modernaços, já que é bem verdade o que dizem "os escravos do vício, não podendo libertar-se, querem rebaixar os outros ao seu próprio nível"; fiquem com a pulga atrás da orelha se um homem tem péssimo gosto - não convém que seja um vaidoso e um peralta, mas se não tiver sido criado com hábitos de elegância, provavelmente a educação dele falhará noutras coisas mais graves; notem como trata os pais, crianças, idosos, animais, superiores e quem está hierarquicamente abaixo dele; ouçam como se refere a terceiros, porque quem não vê mal em nada é péssimo, mas quem maldiz tudo e todos poderá fazer o mesmo consigo...e claro, a cultura conta. Se todas as frases dele começam por "eu", se só fala em ginásio, viagens, hotéis, praia, futebol e carros, provavelmente é frívolo.

  Poderia elaborar uma versão da lista para os cavalheiros que procuram uma namorada, mas não andará muito longe disto e do que já foi dito aqui

Voltemos a Jim Carrey: o teste que ele coloca só faz sentido para uma estrela de cinema - afinal, deve haver interesseiras a fazer fila. Qualquer outra pessoa que dissesse "se quer um segundo encontro comigo, leia este livrinho", como se de um casting se tratasse, soaria de uma arrogância disparatada. Depois, pode não ser um teste lá muito bom: qualquer mulher ambiciosa e parva se faz passar por culta se treinar bastante, de mais a mais se souber sobre que livro se debruçar. 

Logo, Jim Carrey terá de ser extra perspicaz para distinguir o trigo do joio. Ser brilhante e ter "cultura postiça" são coisas diferentes. E a cultura postiça é tão comum nas mulheres como os wonderbras e as extensões de cabelo, unhas e pestanas hoje em dia...

No entanto, não deixa de ser um bom princípio: não só porque nenhuma pessoa de espírito tem paciência para gente desmiolada, mas porque não há nada pior do que fazer "vista grossa" a coisinhas que incomodam no início de um relacionamento. Se incomodam, se causam desconforto, nunca são "coisinhas". E quanto mais intransigente se for nisto, melhor.


Dita von Teese dixit: esmero é uma forma de boa educação




"Só saio de casa sem um pouquinho de bâton encarnado numa emergência - a última vez creio que foi para levar o gato ao veterinário a meio da noite. Uso-o todos os dias porque tento manter um certo grau de elegância - é uma questão de decoro, de boas maneiras".


Numa entrevista cuja leitura se recomenda às apreciadoras de vintage, a expert na matéria, Dita Von Teese, dá várias dicas a considerar. Por exemplo, ter uma modista capaz e cuidado com os sapatos antigos: com algumas excepções (e.g: relíquias Dior ou Ferragamo)  a maioria está de facto melhor em museus, porque os materiais raramente se conservam o suficiente para assegurar o conforto e durabilidade.

 Mas creio que a máxima acima é realmente valiosa. O bâton clássico, que cai bem à maioria das mulheres, o "bâton da vitória" admirado por Sir Winston Churchill durante a II Guerra como factor de motivação da população (ou, de resto, qualquer bâton em que se confie de olhos fechados)  é mais do que um cosmético. É uma forma rápida de não estar completamente descomposta, de mostrar às pessoas com quem se interage que as consideramos importantes que chegue para fazer um esforço com a aparência.

Claro que todos os cuidados pessoais são uma forma de o dizer sem palavras, mas um bâton que se note um bocadinho (junto com uma escovadela no cabelo e uma passagem de pó ou "mata brilhos") transmite instantaneamente essa mensagem de cuidado.

 É verdade que a elegância não se prende só com o visual. Longe disso. Mas  não se sair de casa - ou mesmo não estar em casa - "de qualquer maneira e feitio", é realmente uma forma de decoro. De consideração por nós e pelos outros. De manter ou, muitas vezes, elevar padrões. Dizíamos anteontem que as mulheres fazem os costumes pelo exemplo: uma mulher que se apresenta condignamente convida ao respeito do sexo oposto e inspira as outras meninas e senhoras a fazer o mesmo. Nunca subestimemos o "efeito borboleta", porque a civilização da sociedade nunca está completa e começa em cada um(a), todos os dias.




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