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Saturday, June 27, 2015

Rapazes e senhores: eis algo para colar no frigorífico.



Ou no espelho para absorver logo pela manhã, enquanto a mente está impressionável. 

E meninas: aqui ficam com alguns argumentos contra certas "amnésias" e criancices...é que eles às vezes são distraídos!

Claro que a questão do cavalheirismo, da importância de ser varonil, dessa coisa da hombridade, tem que se lhe diga.

 Há quem procure exercitar tais qualidades de forma consciente e quem sempre tenha sido assim pelos valores que recebeu de pequeno. Há quem não faça a mínima ideia do que isso é e tenha raiva de quem sabe. Temos também os poseurs, que pretendem ser grandes cavalheiros - quando nasceram uns brutos e hão-de ser sempre brutos - porque lá na sua cabeça isso lhes confere um certo status social que ambicionam. Não esqueçamos ainda os que adoptam atitudes postiças de cavalheirismo (vulgo salamaleques) que viram nos filmes, mas apenas quando querem impressionar uma rapariga. E por fim, existem alguns que tendo recebido os valores, a educação e os meios de um gentleman, se esquecem ocasionalmente de  que ser um senhor é caminho com mais sacrifícios e deveres do que alegrias e facilidades.

 Este texto de Joseph Duhr (1953) diz tudo; reparem!


1- Sobre os músculos:



 "Todo o exercício físico deve estar sujeito ao espírito, senão já não é digno de um homem. Ser um`carácter´é desenvolver a força dos braços não para esmagar os outros, mas para defender e proteger as vítimas. É glorioso - diz Shakespeare - possuir a força dum gigante, mas não é honroso utilizá-la como um".


2 - Sobre a mentalidade REALMENTE masculina:



"Ser um homem é resistir ao mal e caminhar direito sem se deixar desviar pelo exemplo ou desprezo dos outros. Ser viril não é embriagar-se por uma espécie de heroísmo exterior, muitas vezes manchado de tanta cobardia, mas sim sustentar a própria palavra; é lutar contra o egoísmo e os baixos instintos, calcar aos pés o «respeito humano***» esse sentimento aviltante que despreza o bem e respeita o mal.  A virilidade autêntica nunca se deixará abater nem levar pelo medo. Nunca procurará justificar-se à custa dos outros; tem muito amor próprio para se defender ou proteger por uma mentira!"


3 - Da verdadeira virilidade...e do amor




"Ser viril é ser desinteressado; é adquirir, sobretudo no moral, a fortaleza, negando-se toda a falsa piedade por si próprio; é ser firme, conservar a dignidade e a calma, mesmo perante a calúnia e a injúria. Ser um homem é livrar-se de toda a impaciência infantil: em lugar de perguntar, como a criança, que vou eu receber? Como se comportam os outros comigo? Como sou amado? O verdadeiro homem preocupa-se em saber o que vai dar, qual é o seu dever, como pode manifestar o seu amor. A  modéstia, o tranquilo domínio próprio, exigem uma força muito mais poderosa do que a cólera ou a vingança".


4- Do cavalheirismo junto das mulheres...e nos divertimentos



"Ser homem é, enfim, mostrar-se cavalheiresco com a mulher e a rapariga: respeitá-las, vir em sua ajuda, ceder-lhes o lugar. Até na forma de dançar é possível discernir aquele que é viril daquele que não o é porque afável, previdente, calmo, digno e firme, protege a mulher contra ela própria;
 serve-lhe de sustentáculo, guardando as distâncias impostas pela sua própria dignidade e pela da mulher. Há danças, observa Foerster, que um verdadeiro homem não consentirá nunca em dançar".



(***Respeito humano: expressão usada por S. João Maria Vianney para designar a obsessão por agradar a todos, por andar com as modas e o pensamento do rebanho)





Bondade é (e deve ser) elegância


Sobre a ideia, já debatida por aqui, de a bondade estar fora de moda e não ser muito apelativa: 

"Não esqueçamos o advérbio de S. Boaventura quando diz que o bem se deve fazer elegantemente (...). S. Francisco, na sua pobreza, permanece sempre um gentil-homem. O bem, na sua excelência intrínseca, nem por isso despreza a veste exterior digna. E contudo, por não sabermos envolver em capa atraente as obras boas, a dedicação ao semelhante, a seriedade da nossa conduta, acontece o bem ser pouco apreciado, menos prezado e até evitado como uma pedantice insuportável, enquanto o mal, vestindo-se de elegância tecida de seduções refinadas, quase hipnotiza"

         Maria Sticco (professora da Universidade Católica de Milão) ,1943

É verdade que por vezes, à conta de a verdadeira força ser discreta, se cai um pouco no mito "evil is cool". Isto é amplamente repetido na cultura pop, em que quase sempre o vilão é mais sedutor do que o herói e a menina boazinha é uma chata de galochas, pelo menos se comparada com a má da fita que se apresenta com sofisticada elegância.

 Mas na vida real, detestaríamos conviver com tais personagens - podíamos admirar a sua confiança à prova de bala, as suas tiradas espirituosas, a estratégia mefistofélica e as belas toilettes, mas ao fim de algum tempo íamos ter vontade de os trancar num sítio recôndito e deitar fora a chave. Quanto mais não seja, os maus, quando não são inventados pela pena cuidadosa de um autor, revestem-se quase sempre de uma certa dose de estupidez...e de baixeza. A maldade acaba por desfear e ridicularizar. Isto para não falar na tibieza, já que pouca gente tem a coragem de ser abertamente cruel e cai numa mistura híbrida, dissimulada, que ainda é pior...

É muito difícil ser-se mau e permanecer elegante. Há sempre algo que falha. 

 Por outro lado, para se cultivar a bondade não é preciso perder o espírito acutilante, a beleza no porte e no traje (ainda que isto se faça na maior simplicidade) ter uma vida trágica, transformar-se numa caricatura nem ser um perfeito palerma, pronto a deixar-se fazer de parvo por toda a gente. 

Importa mostrar exemplos de bondade e nobreza que sejam apelativos aos olhos. Deixar de relativizar a maldade, porque ela existe mesmo.  E fazer perder a ideia de que só o mal triunfa, porque "o mundo é dos espertos". Até pode ganhar uma batalha por outra na sua ambição desmedida, mas nunca ou raramente possuirá elegância. Ou nobreza interior. E sem isso, aplica-se invariavelmente o adágio "podemos tirar a pessoa da barraca, mas jamais a barraca da pessoa"...

Friday, June 26, 2015

Os "ai Jesus" do armário - boa ou má ideia?





Ontem li um artigo (que, confesso a minha frustração, não encontro para colocar aqui o link) sobre os básicos que algumas celebridades não dispensam - aquelas peças que compram repetidamente. Jessica Alba, por exemplo, não resiste a botins e arranja sempre uma desculpa para trazer mais uns, porque lhes dá imenso uso. 

E acho que todas as mulheres sofrem um pouco desse complexo: há sempre um determinado artigo - ou mais -  que procuramos sem querer quando entramos numa loja (mesmo que lá vamos para comprar outra coisa) e que está invariavelmente na lista das nossas prioridades.

Tenho amigas que coleccionam casacos de couro (pessoalmente, os que tenho bastam-me a não ser que apareça um achado espectacular). Outras, sapatos - gostam tanto que os trazem nem que não lhes sirvam (uma vez ouvi uma senhora dizer "não os calço, mas adoro olhar para eles"; acho isso um desperdício , mas cada uma sabe de si). E há quem se perca por carteiras, lenços, jóias...

 Pessoalmente, consigo citar os meus ai -Jesus de olhos fechados, mas são quase todos básicos: saias lápis e calças cigarrette. Skinny jeans (de preferência vintage) azuis escuros ou pretos. Sheath dresses. Gabardinas boas. Sobretudos de qualidade. Tops brancos, pretos e com breton stripes. Camisolas de caxemira. Pumps ou scarpins em preto e nude. Botas compridas de pele preta. Camisas brancas de todos os feitios.

Há mais, mas estes são o top dos tops e caem no tipo de peças que costumo recomendar "compre quando há e pode, não quando precisa". Afinal, nunca estão à venda quando necessitamos mesmo deles. Um exemplar a mais dá sempre jeito. Há sempre algum que está para lavar, para passar, para arranjar. São o "esqueleto" do guarda roupa, a partir do qual se desenvolvem os coordenados de todos os dias. Sabemos que funcionam quando temos pressa.

 Mas como garantir que este hábito trabalha a nosso favor e não se torna um vício de estilo, que consome espaço e recursos? Principalmente agora,  com os saldos à porta e as tentações a luzir para as consumidoras!

1- Certificando-nos de que estamos a comprar essas peças porque nos ficam realmente bem, e não por medo de vestir outra coisa. Há muitas senhoras que acumulam túnicas, por exemplo, porque acham que "disfarçam a barriga" sem pensar que há alternativas e por vezes, sem olhar à qualidade das mesmas. Na dúvida, informar-se ou consultar um stylist capaz.

2- Assegurando que estamos a comprar versões boas das peças que apreciamos; um vestido de um tecido fraco nunca cai decentemente, nem que tenha o formato certo; mais vale comprar dois razoáveis do que ter uma data deles que não resultam como devem; nem sempre se acerta à primeira e descobrir as lojas especializadas nos nossos básicos pode levar o seu tempo!

3- Há que garantir que (sempre que possível) TODAS as peças estão lavadas, passadas, operacionais (botões, bainhas...) e prontas a utilizar porque senão, não servem para nada.

4 - De tempos a tempos, dar uma olhadela às dezenas de t-shirts, calças, etc...do mesmo modelo que tem em casa, para ficar com uma noção daquilo que não precisa de comprar, do que já viu melhores dias, do que precisa de intervenção ou do que foi uma má aquisição (e.g: aqueles skinny jeans de ganga desconfortável que evita sempre vestir, os botins que eram do modelo certo mas são instáveis, etc).

5 - Fazer o esforço de, dentro do estilo que aprecia, introduzir uma variante às peças preferidas com algo fresco e diferente: ex., se já tem várias saias lápis pretas que servem na perfeição, talvez deva investir numa de pele, ou numa saia com alguma roda para variar.

  Agindo assim, estará a fazer investimentos inteligentes, que são úteis a longo prazo, e não a "comprar por comprar" com o inevitável sentimento de culpa, vulgo "ai, outros sapatos iguais!", evitando também julgamentos "o quê, outro vestido preto?" lá em casa, etc, etc, etc...


Thursday, June 25, 2015

Os estágios curriculares que a vida nos dá


Um estágio curricular, como sabem, é - supostamente - uma experiência de trabalho levada a cabo no intuito de aprender, ao concluir um grau académico ou quando se procura uma mudança de carreira. 

Geralmente esse trabalho não é pago, ou recebe-se um valor simbólico por ele. Com sorte, quem estagia em certas empresas - de moda, de restauração, etc - pode receber algumas ofertas ou ter acesso a descontos. Com mais sorte, pode ser convidado a ficar. Mas à partida não se espera muito desse esforço árduo, a não ser um treino capaz para coisas maiores e desafios mais aliciantes.

 A vida também obriga a muitos períodos de estágio em diferentes aspectos, em diferentes idades. O problema é que por vezes as pessoas não se apercebem disso. Esperam demasiado daquele momento, não compreendendo que estão a estagiar. A treinar. A ser testadas. Que aquilo que lhes está a acontecer não passa de um ensaio.



 Vejamos exemplos: quem está a tentar evoluir na carreira, a montar o seu próprio negócio ou anda numa fase menos boa a nível financeiro, espera todos os dias que as coisas mudem para melhor. E enquanto essa mudança não se dá, enquanto a grande oportunidade não aparece, lamentam-se (o que é perfeitamente natural). 

 Mas há que pensar que isso é um estágio: quem não consegue gerir pequenas quantias, fazer filhoses de água, procurar soluções e fazer nascer boas oportunidades de uma terra estéril, dificilmente fará uma boa gestão da abundância quando ela chegar. Grande nau, grande tormenta. Quem não é capaz de dar conta de um pequeno negócio, ficará perdido num grande. Um cantor pode sentir-se frustrado por a fama não lhe bater à porta, mas cantar para uma plateia diminuta é bem mais difícil do que arrebatar uma sala cheia de gente que veio de propósito para o ouvir. Quem domina as pequenas dificuldades, não receia as maiores.



E no amor? Há quem se chore por ainda não ter encontrado "aquela" pessoa. Mas se não aproveitar enquanto está sozinho para o aperfeiçoamento, para lidar com as próprias falhas, será muito mais difícil consegui esse equilíbrio uma vez a dois. Quem não sabe lidar consigo mesmo, tem muito pouco a dar a outrem.
 Existem ainda os casos dos apaixonados que já encontraram o (ou a) "tal"...mas a relação oferece desafios ou encontra dificuldades, parecendo mais um purgatório do que o paraíso... ora, se se conhece bem o suficiente a cara metade para saber que é digna desses sacrifícios, tanto melhor. O amor pode ser o céu, mas tem uma cruz atrás. Amor indolor não existe. Logo é melhor preparar-se durante essa fase de estágio, limar as arestas antes, porque numa vida de casal - se a ideia é que seja "para sempre"- as cedências, as renúncias, a fé, o perdão e a paciência terão de ser bem maiores. Sem fundo, nem limites. Quem se lamenta agora, das duas uma: ou não está ao lado da pessoa certa, ou não está preparado para as verdadeiras responsabilidades.



Depois há quem - sobretudo mulheres ainda jovens e bonitas - se aflija por ainda não ter filhos. Ou porque as circunstâncias ainda não se proporcionaram (e há o receio de que jamais se proporcionem) ou porque esteve ao lado da pessoa errada e neste momento se encontra só. Essas mães em potencial querem de tal maneira sê-lo que isso as faz sofrer, lhes provoca um grande vazio, em vez de as encher de esperanças e expectativa. Deveriam pensar que estão não sozinhas, mas livres para encontrar o companheiro ideal; porque a seguir a lei da natureza, tudo o que está só ou vazio tende a ser preenchido e completo. Deviam considerar também que na sua infelicidade e ansiedade, estão realmente a estagiar para o papel de mães. Afinal, que mãe não abdica de si própria, não se aflige pelos filhos constantemente, não sai de si mesma para se dar aos outros, não sofre? Quem tem filhos tem cadilhos - antes habituar-se agora aos "cadilhos", para que não pareçam tão pesados mais tarde!

 Na vida, como nos estágios, não há recompensas imediatas - e muito menos garantidas. É preciso let go and let God, como dizem os americanos: apreciar o caminho, fazer o que se pode... e entregar o resto ao Céu, ao destino ou à sorte, consoante as crenças de cada um. Mas uma coisa é certa: se os prémios chegarem antes do tempo, quando não se está preparado e treinado para os apreciar, ter e manter, servem de muito pouco...



A indispensável elegância nos elogios.


Mudam-se os tempos e muda-se o linguajar. Claro que para algumas pessoas e em certos círculos, continua a aplicar-se a máxima "não deixem morrer as palavras", mantendo-se o uso não só de determinadas expressões e pronúncias, mas da sua conotação antiga...o que tem como consequência um vocabulário mais rico, mas que pode soar exótico ou original a quem não está acostumado.

   A nossa época é marcada por uma grande informalidade, por vezes excessiva. Dizem os ingleses "a familiaridade gera a falta de respeito". Talvez não seja sempre assim, mas o "à vontade" que se instalou por toda a parte pode por vezes confundir certas pessoas quanto à "confiança" que lhes é permitida.

Em tempos idos, quando os códigos - de conduta, de linguagem, de vestuário - eram mais rígidos, toda a gente sabia como proceder. Hoje há uma certa indefinição, que obriga a uma delicadeza extra para adequar o discurso ao interlocutor - ou obrigaria, se todos fossem bem educados. 



 Não é que muita gente que falha nisso o faça por mal; simplesmente, não foi alertada para as nuances e as subtilezas, ou pensa que isso já não é importante. Afinal, é "uma coisa que toda a gente diz"; são modos e palavras que aparecem na televisão, que vêem nos jornais, que correm as redes sociais. Por exemplo, dizer "esta gaja", já não é propriamente um insulto. Quero dizer, para mim é. Até dito entre amigas acho feio. Para mais gente é. Mas para outras pessoas não será. E alguém pode dizê-lo insensivelmente, achando que não está a ser maldoso. Mas quem ouve e não gosta, é capaz de se sentir no direito de lhe recordar categoricamente que não andaram juntos na escola. Zás, mau estar.

 Isto também é verdade no campo dos elogios. Os elogios e os galanteios são assim uma coisa que vai mudando com os tempos e as modas. Sempre houve bons e maus elogios. Nos anos 50, a avó e as amigas sabiam que um rapaz que tentasse cativar uma menina bonita chamando-lhe uma coisa relacionada com pêssegos, era caso para nunca mais lhe olhar para a cara. Mas se lhe chamassem "boneca" estava tudo bem. Encantadora, bela, etc...eram a norma. Nos anos 70,  o "boneca" continuava entre os favoritos;  "jóia" ou era aceitável, mas "borracho" já não tanto. 


E agora? Alguns dos ditos atrás e outros vá que não vá. Mas convencionou-se, por exemplo, um rapaz cortejar a uma rapariga que mal conhece dizendo (blhec) "és muito sensual". E isto, entre os menos maus. Mas é feio, é baboso e só lembra aquela cantiga pimba. Sensual é um adjectivo que só faz sentido na descrição do estilo de escrita de um autor, na descrição de uma produção de moda, cinema ou televisão (por exemplo: "não queremos um ar andrógino; façam-na parecer sensual") ou entre duas pessoas que se conhecem muito bem, dito lá na sua privacidade.


Dirigido a quem se conhece mal, é um horror. É a premissa: o princípio é terrível. Os elogios de antigamente louvavam o superficial, o que estava à vista, mas como quem diz "a menina é tão linda por fora, gostaria de conhecer a sua personalidade". Até podia ser totalmente mentira, mas o propósito soava bem. Parecia honesto. O ideal era bom e já se sabe, o ideal estabelece os padrões de comportamento.

Mas com um "és tão sensual" (Credo) está tudo dito; a intenção está logo apresentada, e já se sabe que não é boa. "És tão sensual" poderá ser bem recebido por uma stripper - porque se ela não for sensual, suponho que não esteja a fazer um bom trabalho. Mas não por uma rapariga bem comportada, vestida com compostura, sem nada que se lhe aponte e a quem se pretende de facto conhecer melhor.

Por isso, se a interlocutora não parece fazer um certo género, não lho digam; não ganharão nada com isso e vão parecer mal educados. E se a querem de facto conhecer melhor, se acham que a jovem ou senhora em causa tem potencial para um relacionamento sério, evitem-no de todo, porque passarão pelo que não são...

Ir ao dicionário é sempre uma boa ideia, mas um elogio simples, sincero e respeitoso cai mil vezes melhor.

Wednesday, June 24, 2015

Soror Juana Inés de la Cruz dixit: quando eles se queixam por sua própria culpa


Este poema lúcido e bem humorado de Soror Juana Inés de la Cruz é uma boa conclusão (ou resposta) para o post desta manhã

Que se saiba, a religiosa e intelectual mexicana do século XVII (que era uma leitora voraz, devorou todos os clássicos, aprendeu português e latim sozinha, levantou grande poeirada ao analisar um sermão de Padre António Vieira, coleccionava instrumentos científicos e deixou vasta obra literária, de versos a peças de teatro) nunca se terá apaixonado por homem algum antes de se tornar monja.   De facto, até foi autora de uma comédia chamada "O amor é mais confusão". 



 Mas tal como para conhecer os efeitos do vinho não é preciso prová-lo (bastando para ficar informada observar os borrachos que passam na rua) suponho que a Irmãzinha se baseasse no que via as outras mulheres sofrer para formar o seu juízo.

  Os versos podem adaptar-se a vários comportamentos masculinos disparatados. Porém, caem como uma luva aos cavalheiros que, esquecendo-se de que o são e da hombridade que se espera deles, se dão ao luxo de proceder com leviandade. Ou seja, acham-se no direito de fazer pouco caso da pessoa que lhes importa para gastarem tempo precioso com companhias indignas, "porque podem", por tradição, agir como galos na capoeira...

E em seguida, quando daí advêm algumas consequências menos felizes, lá se lembram dos "direitos" que não souberam cuidar, sentindo-se muito ofendidos,  com autoridade e moral para desfiar um rosário de acusações.

 Acho que a maioria julga que as mulheres são adivinhas e tem uma confiança infinita em si próprios, ou na tendência feminina para o heroísmo (que é bom e louvável, mas não inesgotável).






Fidelidade masculina como deve ser (e o conceito terrível de "farfalhar")


Uma senhora muito culta e muito sábia avisava todos os jovens que conhecia que nos amores,  o "farfalho" é um mal a evitar a todo o custo. E o que é farfalhar, perguntam os que não sabem (como eu, até ela mo dizer) o que vem a ser isso? É uma prática terrível, que urge denunciar. Muita gente foi se calhar vítima de tentativas disso sem o sonhar! 

"Farfalho" (acto ou efeito de farfalhar como as folhas das árvores) pode ter duas conotações, e ambas más.

 A primeira, é a boa e velha desvergonha, relações inconsequentes, malandrice.

 A segunda (que vamos tratar aqui hoje)  não deixa de estar relacionada: farfalhar é quando uma pessoa promete mundos e fundos, jura um grande amor, faz mil protestos de devoção...mas só de entusiasmo, da boca para fora e tencionando tanto cumpri-los como ir ao fim do mundo.

Hoje, num livro engraçadíssimo (Joaquim Azpiázu, 1946) encontrei algumas frases que me fizeram lembrar disto...sobretudo no lado masculino da barricada.


"O verdadeiro amor não é o que se manifesta por palavras, mas o que se afirma por obras. O calado é o melhor- costuma dizer o povo". E já por aqui se falou na veracidade disto. Quem muito e rapidamente promete...quase sempre é farfalho e nada sério.  Quem ama mais expressa-o por actos, não necessariamente pelos "amo-tes" que frequentemente são jurados para agradar ou enganar...

 Ora, quase sempre quem farfalha não é fiel. E mesmo quem se considera fiel porque "não faz nada de grave" pode entrar em "farfalho ligeiro" ou "infidelidade leve" por fraqueza, desejo de atenção, ego ou simples desconhecimento das regras básicas - quando bastava pôr em prática o velho e simples "não faças o que não gostavas que te fizessem a ti".

Isto dá-se com ambos os sexos, embora as mulheres possam pecar mais por excesso de delicadeza (e.g: não saber pôr no sítio um galanteador atrevido e melindrar a cara metade por causa disso) ingenuidade ou retaliação do orgulho/amor ferido ou, nos casos piores, por vaidade, frivolidade e fraqueza perante elogios baratos. 

  Já os homens erram sobretudo por egoísmo ("sou homem, nada parece mal") e pelo ego- para provar a si mesmo e aos outros um falso estatuto de Alfa. Muitos não vêem mesmo pecado nenhum numa infidelidade leve - por exemplo, em fazer confidências a uma amiga que só está interessada em causar atritos ao casal. 


 Ora, uma relação só pode crescer saudável na exclusividade, na privacidade, no santuário formado por duas pessoas. Logo, importa estabelecer as devidas e cordiais - mas implacáveis - distâncias porque há sempre quem esteja disposto a estragar a felicidade alheia com intrigas por simples inveja ou conveniência, além dos "amigos do alheio", já que a amizade desinteressada e fraternal entre pessoas do sexo oposto é bastante mais rara do que nos querem fazer crer. É muito comum uma das partes entender a confiança como um convite a outras intimidades. Se eu tivesse cinco euros por cada relação que tenho visto estragada por influência de "amigas" ou por excessiva proximidade nas redes sociais, podia reformar-me em grande estilo.

Logo, quem gosta verdadeiramente de alguém, terá de escolher e pronto: abrir mão de certas "liberdades", de certas "confianças", de determinadas companhias e proximidades. Essa é a essência do compromisso, que não custa nada a cumprir quando se está apaixonado e "não se tem olhos para mais ninguém". 



Sobre isso, diz então Joaquim Azpiázu: 

«Agora todas, sem excepção, passam a ser meninas que hás-de tratar com relativa indiferença e por igual. Já nem sequer há, como podia haver dantes, prima inter pares; agora todas passam pela craveira de simples conhecidas e, por isso mesmo, amigas DELA. 

Não as deves frequentar senão na companhia DELA e tratando-se delas, não deves ir senão onde ELA vá também. Nesse assunto impõe-se a austeridade, desde o primeiro momento. Depressa chegarão aos teus ouvidos  as primeiras tentações sob a forma de sentidas queixas: "o quê? Mas já estás casado? Por fulana te conquistar, já não somos ninguém? ".

 Sereias tentadoras! Que mais deseja o amor próprio senão saborear o prazer, um instante que seja, de reinar em território conquistado? Essa fugaz vitória deixá-las-ia compensadas da derrota total. Precisas de fugir - estar com ELA, junto de quem essas vozes  não se fazem ouvir. A caridade, a amizade, a sociedade, impõem-te a obrigação de amar a todos e a todas, conservando cada um no seu lugar. Tu impões-lhe esse dever a  ELA- pois com igual direito to imponho a ti. Assim deve ser, para garantia da tua felicidade...».

 E um rapaz para quem isto não pareça natural deve - se é um cavalheiro e uma pessoa de bem - esforçar-se por ser assim rigoroso. Afinal, ele também não gostaria que a sua eleita permitisse excessivas liberdades a amigos ou admiradores, ou que os tratasse quase da mesma maneira que o trata a ele. Se um homem diz amar uma, mas quer proceder como se continuasse solteiro ou de coração livre...então meus amigos, não é amor; é farfalho puro e descarado. E não vale mentir à própria consciência...

Tuesday, June 23, 2015

Eu embirro com...a letra dos "Óculos de sol"


A canção é engraçadinha, marcou uma época, quando a ouço até imagino aqueles bikinis muito giros dos anos 1960...( "Óculos de Sol" fez sucesso em 1968 e tanto quanto sei foi uma one hit wonder...) mas a letra, a letra é que eu não aguento. E como o Verão já chegou, receio bem que vá ter de a ouvir outra vez por aí...

Senão, reparem: a história até começa muito bem. A menina Natércia Barreto (que não sei se compôs a cantiga ou só lhe deu voz, esclareçam-me por favor se estiveram mais informados) está a preparar-se para ir à praia. Já tem o kit de maquilhagem, o bikini encarnado e "um creme muito bom para se bronzear" (na altura ainda não se falava muito nos malefícios do sol e só no final da década apareceram os primeiros protectores solares, mas espero que o da cantiga já fosse desses, porque a cantora era branquinha e lourinha). 

 Também leva o rádio portátil, porque em 1968 não existiam androids e IPhones para distrair as pessoas de todo o contacto humano. Só não se percebe se vai sozinha - onde estão as amigas da Natércia? Principalmente considerando que a pobre coitada vai fazer o disparate de ir à mesma praia onde o ex se pavoneia com a nova serigaita que arranjou. 




Pimba, primeira dúvida: a Natércia não tem amigas, afastou-as todas durante o namoro com o malandro e agora não lhe resta nenhuma (má ideia - isso nunca se faz) ou as amigas da Naná (para não escrever de novo Natércia) são tão tontas como ela e não a impedem de fazer uma asneira tão grande? Pior ainda, se tem amigas, são tão más e egoístas que não prescindem de ir à praia para afastar a coitadinha de tal mau encontro?

 Qualquer amiga verdadeira e sensata diria "não, Naná, não vamos à praia para não nos cruzarmos com o estúpido do Gustavo, que deve lá estar com a pindérica da Ritinha. Vamos antes às lojas, à piscina daquele hotel novo  ou para casa da avó da Filipa na aldeia, que tem rio e tudo". 




Tentaria distraí-la com outra coisa. Não. As insensíveis, se é que existem, desafiam-na a ir ao mar e cara alegre. O que me leva à dúvida número dois: a praia é assim tão pequena? É que isto parece-me uma desculpa esfarrapada, ou um cenário à Morangos com Açúcar versão anos do ié-ié, que os moranguitos arranjavam sempre maneira de todo o elenco ir de férias em simultâneo para o mesmo sítio. Certo, há praias na Linha, na Caparica e outras (como as de Buarcos e algumas algarvias) na cidade que são um pouco apertadas, mas...de qualquer modo com tantos quilómetros de costa neste país há sempre outras praias livres de defuntos e coisas ruins.

E a infeliz  da Naná, com espírito de mártir ou de mulher da luta, lá vai contemplar tão triste espectáculo. Dúvida número três: ela bem se desculpa "já pensei não sair/ mas para onde hei-de ir/com este calor?".

 Mas atenção-  quando uma mulher não se quer cruzar com o ex, não sai e não sai mesmo, ou até arranja um itinerário dos lugares a evitar, mesmo que desista de assistir àquela festa ou de se refrescar no areal. Antes deitar-se na relva com os aspersores ligados! Antes, à falta de piscina privada (ou de um tanque, para quem mora em quintas) abrir a mangueira no máximo e fazer uma triste mas refrescante figura. Ao menos não se sujeitava a isso.

 Agora óculos de sol! Uma rapariga saca dessa arma secreta caso vá tranquila da sua vidinha, no lugar mais improvável para tropeçar na alma penada e, zás: lá aparece o anticristo. 

Que fazer? É pôr os óculos de sol, fingir que não viu e andor, violeta. Já ficar numa praia deitada a ver a cena do pateta aos afagos à flausina, com óculos de sol ou sem eles, exige masoquismo. E um bocadinho de falta de dignidade feminina. Sem esquecer uma mistura entre pateticidade e auto domínio sobre humano.

 Mais sinistro ainda, será que a intenção seria uma tentativa ridícula de comover o ex ("olha para mim tão triste, a chorar por ti") ou de lhe mostrar o que estava a perder para o reconquistar? Ou ainda, de estragar a tarde de praia à outra? De qualquer modo é infinitamente mau. Imaginem o ego do rapaz- deve ter ficado nos píncaros. Em vez de o mandar passear categoricamente, porque os homens mulherengos não merecem ser conservados, quanto mais disputados, põe-se a chorar com uns óculos de sol na cara! Fosse minha amiga ou irmã, que correctivo ia apanhar!

  Uma mulher só se presta a isso se:

a) estiver para lá de Bagdad e não se importar de todo;
 b) tiver uma companhia melhor para apresentar na praia, para ao menos salvar as aparências e devolver a arrelia. Nem que seja a fingir.

 Com cantiguinhas destas a encher as cabeças femininas de tolices como quem não quer a coisa desde os anos 60, não admira que se veja por aí tanto descalabro...

Bocage dixit: a estroinice é má conselheira. E a Natureza, às vezes, também.


O nosso poeta, famoso pela existência boémia e desvairada, "desordenada nos costumes" (de que os seus escritos nos deixaram uma ideia, e que lhe trouxe bastantes complicações) aprendeu - à sua custa, como é habitual - que isso de viver segundo os apetites e os impulsos tem o seu preço. 

Isso de viver à lei da natureza, que resultava tão bem em teoria e poesia, a rebeldia contra a "corrupção da sociedade" traduziu-se - como acontece quase sempre -  numa corrupção pior. A da saúde, a da alma, a dos relacionamentos verdadeiros. Afinal, se praticar o hedonismo fosse saudável e possível, há muito que a civilização o teria adoptado. Nem tudo o que sabe bem regradamente, dá bom resultado em excesso.

 Mas cada homem (ou cada mulher) que escolhe viver assim, muito livre, muito moderno, achando-se imortal, não considerando o amanhã...julga sempre que nunca ninguém o fez antes! Esquece que já está tudo inventado e que se foram criadas regras e tradições, por algum motivo foi; nem o novo é sempre novo, nem- quando o é realmente - se prova necessariamente melhor do que os usos testados e aprovados por séculos de tentativa e erro...


  Pessoas como o Bocage defendem o amor livre, o amor natural - fingindo ignorar que o ciúme e o desejo de segurança são igualmente naturais e instintivos, e que a sociedade, a Lei, a Religião, instituíram a monogamia precisamente a contar com isso. Outros revoltam-se contra o pudor, a moral, a ordem, a Fé, defendendo em tudo o vício, como que a desculpar a sua própria fraqueza...fazendo por ignorar que deste mundo nada se leva e que o ser humano, sendo dotado de alma, aspira a mais do que às alegrias imediatas e efémeras.

 E assim há tantos que desperdiçam os seus talentos, que deitam a perder o património de família, que trocam um grande amor pela ilusão de uma série de rostos que não deixam marca alguma, que fazem sofrer as pessoas que verdadeiramente os amam em benefício de outras indignas de lhes descalçar as sandálias- e que só ficam por perto nos bons momentos, claro.

Bocage, façamos-lhe justiça, era tão talentoso como azarado; muitas das suas aventuras foram uma reacção aos desgostos e desgraças que lhe sucederam sem culpa sua. E no fim da vida - cansado, desiludido, solitário, consumido por tantos excessos - o poeta procurou a redenção, como todos os rebeldes. A sua conclusão? Não soubera viver, e era tarde demais. Como tantos homens que acham "natural" proceder à moda dos bons selvagens pela vida fora...


Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.










Monday, June 22, 2015

Gliss Serum Deep Repair: tratamento intensivo antes do sol



Já temos dito que por muito cuidado que haja, é um bocadinho complicado não danificar o cabelo hoje em dia: um secador ou modelador que não faz tão bem o seu trabalho, o uso continuado - e trapalhão, quando há pressa - de rolos quentes ou ferros de frisar/alisar (por muita turmalina que tenham, continuam a ser "ferros" como os de antigamente) coloração, vento, sol, etc...

E de longe em longe, zás: o cabelo passa "uma fase" - nome simpático para pontas quebradiças, frizz, menos volume e brilho e zonas ásperas (isto eu não suporto, que gosto de sentir as madeixas macias como a seda). Ou seja, entra em modo "não se faz nada dele", deixa de obedecer à rotina habitual e já não reage aos cosméticos do costume.

 Para contornar o problema  - além da boa alimentação, do uso de produtos protectores e da inevitável "aparadela" agendada às pontas - há que fazer um tratamento mais intensivo de tempos a tempos. E antes de ir à praia, mais aconselhável se torna.

 Por isso fiquei encantada por a minha marca indispensável de cuidados para o cabelo, a Gliss, me convidar a testar a nova gama Serum Deep Repair.


Com uma fórmula que penetra nas camadas mais profundas do cabelo até ao seu interior, esta nova "poção" da Gliss ajuda a reconstruir o cabelo muito agredido em apenas uma semana.

Para garantir que o procedimento era seguido a rigor, de modo a tirar dele os benefícios prometidos, o kit (composto de champô, condicionador, máscara e sérum) chegou acompanhado de um caderninho com um guia de utilização. Como o meu cabelo andava prestes a entrar "numa fase" rebelde, optei por seguir as sugestões para fios muito agredidos: 7 lavagens, 4 com aplicações de máscara (2 delas acompanhadas de sérum no final) e 3 com condicionador + sérum. 

(**Note-se que em casos extremos, a máscara pode ser também usada como um "tratamento de choque" e ficar a actuar durante toda a noite - não testei este método, mas imagino que deixe o cabelo maravilhosamente suave!).


Vamos então às minhas impressões e resultados: tenho acompanhado a reacção de algumas consumidoras e vi que houve quem apontasse o facto de a fórmula deixar o cabelo um pouco "pesado", principalmente em cabeleiras menos volumosas. A textura dos produtos é de facto espessa, mas é preciso notar que se trata de um "remédio" intensivo, não tanto de um produto diário.

As imagens acima foram captadas ao fim  de um dia quentíssimo - mas apesar disso, creio que o efeito dos rolos que tinha usado de manhã se manteve bastante mais facilmente com a ajuda do sérum.
 
 O meu conselho é que se enxague muito bem, de preferência com água quase fria... e em cabelos finos, só aplicar o sérum quando as madeixas estiverem quase secas. Costumo usar todos os séruns em creme no cabelo molhado (porque assim se fundem mais facilmente) mas no segundo dia, percebi que com este se controlaria melhor aplicando-o no comprimento com as madeixas ligeiramente húmidas. Pode também 
empregar-se em seco, para retocar fios rebeldes.


Fazendo isto, o resultado é muito bonito, mesmo nos primeiros dias; o cabelo fica mais "aveludado" e com corpo do que sedoso e escorregadio (que é o habitual nas fórmulas Gliss). Aliás, esse foi o efeito que achei mais curioso: parece-se com o resultado da fórmula de preenchimento e volume. Ao ser reparado, o cabelo expande-se e fica mais "fofo".

 As meninas de cabelo frisado, que precisem de simultaneamente reparar e controlar o aspecto "esvoaçante", vão com certeza adorar. Pessoalmente, vou adoptá-lo para alternar com a gama oil nutritive, que uso com mais frequência. Além desse "efeito corpo" que eu não esperava, no quesito reparação acho que a serum deep repair cumpre perfeitamente a promessa. Se bem usado, é uma óptima arma secreta contra cabelos em fase "ressentida" - ideal para quem quer deixar crescer o cabelo sem lhe aparar mais do que o mínimo necessário. Fiel ao lema de sempre "antes de cortar, experimente Gliss".





Quando Christian Dior escrevia para as portuguesas: 14 conselhos de elegância



Modas e Bordados - Vida Feminina 14 de Março de 1954 (nº 2201)

1954 - No auge da fama ( alcançada desde que em 1947 apresentara o seu "New Look" à imprensa) Christian Dior, "o maior costureiro do mundo!" lançou o seu "Pequeno Dicionário de Moda" originalmente sob o título " The Little Dictionary of Fashion: A Guide to Dress Sense for Every Woman". Antes de reunir as suas dicas em livro, o lendário couturier tivera-as publicadas por fascículos na revista britânica Women´s Illustrated.

Por cá, a Modas & Bordados adoptou um formato semelhante entrando em acordo com M. Dior que acedeu a escrever para a revista, num exclusivo para Portugal. O glossário e conselhos eram publicados todas as semanas com as ilustrações de Pierre Simon e imagens do fotógrafo parisiense Leo Bulzkin.





Isto diz-nos algo dos hábitos de consumo e aspirações das nossas elegantes naquele tempo - e da relevância que a imprensa lusa tinha então. Assinale-se também o espírito cosmopolita e ambicioso da directora da revista (à época, Etelvina Lopes de Almeida) e da sua equipa. Apontar ao topo, em vez de se ficarem pelas recomendações (válidas sem dúvida, mas menos icónicas) de qualquer boa modista lisboeta...

   Passo a reproduzir excertos de um dos números que tive a sorte de agarrar - e que, com a sua prosa encantadora, são um belo complemento do livro original (disponível na Amazon).

 1- A não ser um perito no assunto, ninguém deve misturar numa toilette mais do que duas cores.

 2- Os vestidos bem cortados têm o menor número possível de "cortes".

3- Não compre muito, mas compre sempre bom.

4- A escolha errada de um tecido pode estragar o efeito do modelo mais interessante.

5- Aprecio a pureza das linhas...e acredite, se a linha de um vestido não for boa, nenhum adorno consegue disfarçá-la!

6- Nenhuma mulher verdadeiramente elegante segue a moda como uma escrava. Não existe uma única «linha» de novidade em cada estação - existem sempre várias!




7- Desde Eva que um decote foi sempre o melhor meio de tornar uma mulher atraente.

8- O vestido elegante é o vestido que assenta bem. Detesto as mulheres que dão a sensação de andarem enfiadas num saco!

9- O comprimento da saia depende da mulher que a usa e acima de tudo, das suas pernas. Têm-se escrito muitas tolices sobre o assunto...

10- Saltos demasiado altos dão um aspecto vulgar e são de péssimo gosto.

11- Em costura a arte "du camuflage" - do disfarce - é muito importante, porque a perfeição é rara neste mundo...

12- A simplicidade, a naturalidade e o bom gosto são os segredos da arte de bem vestir.

13- Uma linda roupa interior é a base da elegância da "toilette".

14 - Uma blusa de jersey preto, de lã muito macia, é a peça mais útil para o vestuário de qualquer mulher...


Conselhos sensatos, intemporais, de uma época em que o luxo andava de mãos dadas com elegância, simplicidade cirúrgica, equilíbrio, rigor e feminilidade. Christian Dior ficaria bem desgostoso se visse os "vestidos saco", o "attention whoring" nas semanas de moda, os "saltos de stripper" e muitas peças mal acabadas dos nossos dias. 

É certo que sem inovação, sem criatividade e alguma adaptação ao esprit du siècle, a moda é uma sensaboria e nenhuma marca sobrevive. Porém, tanto designers como consumidoras perdem por vezes de vista os princípios básicos. A extravagância, o colorido e o impacto visual nunca poderão substituir a elegância das linhas e a exigência nas proporções. 




Sunday, June 21, 2015

Directamente de 1962: um sábio conselho de syling (e atitude)


Sobre o uso correcto das saias curtas:

"Saiba ver os seus defeitos dando provas do mesmo espírito de observação que a faz, com tanta frequência, criticar as suas amigas. Certas mulheres, certamente preocupadas em seguir a moda, usam a saia acima do joelho. Para as raparigas muito jovens ainda passa, mas para as outras? Os joelhos, vistos desta maneira, estão longe de ser graciosos! Se em fato de banho, na praia, uma perna é bonita porque é mostrada na sua continuidade, cortada a meia altura não é a mesma coisa..."

Já Coco Chanel dizia que os joelhos são a parte mais "arriscada" do corpo feminino, logo há que expô-los com cuidado.
 E é preciso ter em conta que Mary Quant, responsável por popularizar a mini saia dois anos depois do texto acima citado se regia pelo lema " bom gosto é morte, vulgaridade é vida" (Credo!). Por isso, um grande grão de sal, sempre!  Também nunca é demais lembrar  que a altura de saia que fica bem na sua amiga pode ficar péssima em si, apesar de vestirem o mesmo tamanho: quem faz questão de usar mini saia, vestido ou calções deve antes de mais nada preocupar-se com as proporções certas para a sua silhueta, garantindo que o que usa não vai achatá-la nem desfavorecê-la.

 E acima de tudo, há realmente que aplicar na escolha das próprias toilettes o dobro do espírito crítico que se usa ao comentar as alheias...ser exigente com as outras e complacente consigo mesma torna uma mulher deselegante por fora, mas pior ainda, por dentro...





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