Recomenda-se:

Netscope

Saturday, July 4, 2015

6 "Pecadilhos" pouco levados a sério (mas que são um atraso de vida)


A mentira, as cordilhices, mexericos, intrigazinhas, desconfianças e derivados são, como todos sabemos, coisas desagradáveis - e por vezes, com consequências graves - em qualquer época. Mesmo nos tempos de grande ligeireza de costumes e elasticidade moral que atravessamos, em que tudo se relativiza - e em que tão feias acções ocorrem mais por via virtual (e bem mais rápida) do que nos salões ou junto à fonte da aldeia, a queixa mais frequente que se ouve por aí, quando alguém se lamenta das acções de outrem, é "fulana é uma falsa!".

 A Doutrina foi um bocadinho mais longe ao detalhar as infracções ao 8º Mandamento: "não levantarás falso testemunho", com esclarecimentos que são puro bom senso ou seja, úteis a quem é espiritual, mas também a quem se preocupa apenas em ser uma pessoa decente. Ora vejam (ou recordem, caso tenham feito gazeta e pregado toda a sorte de partidas à vossa catequista que era boa pessoa, mas super rabugenta) este pequeno glossário de patifarias:



1- Detracção ou murmuração- manifestar, sem justo motivo, os pecados ou defeitos alheios. Vulgo, chegar à mesa do café e queixar-se gratuitamente do marido, da prima ou pior, contar os pecados íntimos da Mariana ou do Alberto, que não dizem respeito a nenhum dos presentes.




2- Calúnia- esta é fácil: atribuir ao próximo culpas e defeitos que não tem. Pode ser uma calúnia grave, daquelas que custam carreiras, negócios e casamentos (e que muitas vezes vão parar ao tribunal) ou apenas dizer a terceiros, de cabeça quente e sem ser verdade, "a minha namorada é a pior pessoa do mundo! Fez isto, fez aquilo, etc". Muitos casais (e amigos ou familiares) caem neste terrível hábito e depois, quando voltam a estar bem, é  complicado reabilitar a imagem do visado aos olhos de quem ouviu, graças a parvoíces ditas quando se está zangado. No mínimo, perde-se a seriedade...na dúvida, guardar tudo para si até prova de contrário!




3- Adulação - a.k.a. graxa. Esta acho que não é só pecado, é repugnante. Consiste em enganar uma pessoa dizendo-lhe falsamente bem dela ou de outra, com o fim de tirar daí algum proveito



4- Mentira jocosa: é aquela pela qual se mente por gracejo e sem prejuízo para ninguém. Pode não prejudicar, mas quem o faz constantemente torna-se cansativo para os demais. Sabem as criaturas que brincam, alfinetam, contam patranhas só para arreliar, macaqueiam o tempo todo e com quem nunca se consegue ter uma conversa direita ou uma discussão em termos, nem quando o assunto é grave? Ufff!




5- Mentira oficiosa: é a afirmação de uma falsidade para proveito próprio, sem prejuízo de ninguém. Vulgo mentira piedosa, mas para ganhar alguma coisa com isso. 

6 -Mentira danosa: é a afirmação de uma falsidade, com prejuízo do próximo. Estas são as piores (e "pecado mortal se o dano em causa é grave", valha-nos isso!) mesmo quando parecem pequenas. No entanto, há quem as conte todos os dias como quem diz "pão". Das contadas para prejudicar deliberadamente terceiros às ditas para enganar o próximo (ex: eu? Eu nunca mandei mensagens à Catarina!! Juro que mal a conheço!") o catálogo é grande.


E conclui-se a explicação dizendo, claro, que nunca é lícito mentir, porque a mentira é coisa má por si mesma; no entanto, o silêncio pode ser a melhor defesa já que não é necessário dizer tudo conforme se pensa, especialmente quando quem pergunta não tem o direito de saber o que pergunta.

 Com seis maneiras diferentes de fazer asneiras contra o 8º Mandamento, há muito por onde escolher...e para quem não quer perder a face nem a reputação e seguir bons princípios (mesmo que não acredite em Mandamentos) muito a vigiar...porque é tão fácil (por desabafo, por nervos, por patetice pura) escorregar para uma mentirinha ou duas...a discrição cabe em todo o lado, e o calado vence tudo!



Por trás de um grande livro, há sempre uma grande mulher.



Ainda que não inspire de todo o enredo - pelo menos de forma óbvia. O famoso escritor americano Nathaniel Hawthorne era muito amigo da mulher, Sophia. Tinham um casamento perfeito, pois além de se amarem muito partilhavam a mesma forma sossegada de estar, vivendo quase um para o outro, muito retirados. Nathaniel dizia dela "é a minha pomba...a minha companhia, e não preciso de outra". Sophia, que se dedicava à ilustração, era também uma mulher bastante espiritual. Curiosamente, toda a vida sofrera de enxaquecas, que só haviam desaparecido após conhecer o marido...um dos casos em que o amor cura tudo!

 Ora, sucedeu que em 1848, Nathaniel perdeu - devido a politiquices - o seu emprego na alfândega de Boston, voltando a casa desesperado, angustiado, a barafustar...como seria normal e compreensível.

 A serena reacção da esposa surpreendeu-o. "E então? Agora já pode escrever o seu livro"....disse simplesmente, referindo-se à ideia para um novo romance que tinham discutido tantas vezes. "Fiz algumas economias e podemos bem suportar este pequeno sacrifício".

 Animado pela previdência e tranquilo optimismo da mulher, Nathaniel assim fez e em 1850 publicou A Letra Escarlate - um best seller imediato, que lhe rendeu uma soma apreciável logo no ano em que saiu para as livrarias e que é considerado uma das maiores obras da literatura norte americana, senão um dos grandes romances da Humanidade...



 Sophia fez bem justiça à ideia bíblica de que nada vale tanto como uma mulher ajuizada e sensata. Se ela não demonstrasse tanta fé no marido (e se não fosse uma hábil gestora) talvez A Letra Escarlate nunca tivesse visto a luz do dia. 

 Por outro lado, se Nathaniel não tivesse igualmente confiança no juízo da esposa, se o desconsiderasse dizendo "ora, tolices de mulheres! Vou lá agora parar um ano a escrever um livro?" se calhar tínhamos sido privados de uma belíssima obra, amplamente traduzida, analisada e dramatizada até hoje...

Não há nada como um casal que trabalha em equipa - nada como um homem e uma mulher que confiam inteiramente um no outro.

Friday, July 3, 2015

E a capacidade masculina de embirrar por hoooooooras?


É inegável que há diferenças físicas entre homens e mulheres: eles têm mais força, músculos mais vigorosos, um cérebro ligeiramente maior (o que nada tem a ver com qualidade, que isso da burrice é democraticamente unissexo) e...pulmões grandes, que lhes permitem refilar com enorme resistência. As mulheres podem ser rezingonas, podem ser acusadas - com certa justiça, algumas - de murmuração, de ralhar e ralhar non stop e de ir buscar coisas do tempo da arca de Noé a cada discussão, mas eles não ficam atrás.

Às vezes os homens chegam a cair em estereótipos femininos, por muito másculos que sejam, e a comportar-se como autênticos bebés. Se um bebé está incomodado com qualquer coisa que não sabe ou não quer explicar, vai peguilhar por tudo. Berra, chora, atira o biberon, a taça da papinha, os ursos, esperneia....e só ao fim de um longo bocado a mãe (ou a ama) atina com o que se passa: é um dente a romper, calor, sono ou dor de barriga. Resolvido o problema, já quer o urso, já come a papa e dorme a sesta satisfeito. 


Assim são eles, quando algo os mói lá por dentro e não querem admitir ou não conseguem precisar muito bem o que os perturba: cansaço, desconfiança, uma má recordação, um dia difícil no trabalho, uma insegurança qualquer...e zás, a culpa é toda da mulher (ou da mãe, namorada, irmã...). E como são demasiado crescidos para chorar aos guinchos, refilam, em modo disco riscado.  É que bem podiam chegar e dizer, como adultos "estou aborrecido porque fizeste assim, disseste assado ou não procedeste frito e cozido como eu queria" ou ainda "estou frustrado cá com as minhas arrelias, não é nada contigo mas não me maces muito". Isso é que era bom!

 A maioria faz como aquele camponês do conto popular, que arranjava todas as desculpas para quezilar com a companheira: 



   Vão inventar pretextos do arco da velha, dizem os piores disparates, colocam defeito em tudo, evocam coisas que já lá vão e não são para ali chamadas...e isto horas! 

Depois de descarregada a nuvem negra acalmam, como se não fosse nada com eles. E só ao fim de não sei quanto tempo a pensar "que raio foi isto?" é que uma mulher, tal como uma mãe ou uma ama, dá com a causa...

 Bem diziam as avós que se tem de saber ser maternal com eles, 


dar-lhes o desconto, ou nada feito...

Thursday, July 2, 2015

Será este um blog simpático para as mulheres?


Ponho esta questão hoje não porque alguém mo tenha dito - mas porque a semana passada estive a analisar algumas discussões tidas em (e sobre) outros blogs e plataformas. 

E são sempre as mesmas: certas mulheres nunca estão satisfeitas. O mínimo uso da liberdade de expressão, a mais remota e inócua brincadeira que sugira que uma mulher "lave a louça" é logo um princípio de machismo, o mesmo princípio que leva a que as mulheres sejam lapidadas em paragens menos (olha o politicamente incorrecto a saltar-me dos dedos) civilizadas. Depois, qualquer patetice é louvada, por frívola que seja, desde que tenha um ar panfletário e ponha umas brejeirices e más criações lá no meio.

 Mas se o mesmo site publica um texto sobre moda ou qualquer outro assunto "de mulherio" aí gritam que perdeu a seriedade, que se transformou numa revista feminina igual às outras. E acabam sempre à batatada à volta do mesmo: eu é que sou radical e feminista, tu és menos feminista do que eu, umas feministas cor de rosa outras feministas da velha guarda que dizem que não era isto que se pretendia no tempo delas,  fora as outras que vêm dizer que feminismo não é nada disso, é só defender os direitos das mulheres (nesse caso "machismo" será defender os direitos dos homens?). E não se tiram disto.

Passo. A essas senhoras todas, digo mais uma vez duas palavrinhas: Margaret Thatcher. Que estava demasiado ocupada no poder para debater patetices sobre o poder, e nunca precisou de se descabelar no parlamento para provar nada. Nem tinha medo de lavar a louça. Ou de usar bâton e saias. 

É que quem não deve não teme. E nenhuma mulher de sucesso, satisfeita com a sua vidinha (seja ela modelo, cientista, autora, dona de casa, esposa, mãe ou uma combinação de várias) tem tempo para se ofender com tolices, ou medo de lavar um par de meias.

Mas fiquei cá a pensar comigo "Céus - as leitoras e autoras destas páginas, que ficam furiosas com qualquer coisinha que lhes cheire a sexismo devem detestar o que faço, caso passem por cá". Não que eu deseje debater com essas senhoras - nem elas comigo, espero, porque creio que não sairia grande luz dali: cada uma ficaria na sua em modo je suis Charlie, com sorte. Os debates cansam-me. Mas pronto, constato que sou realmente extraterrestre. Não a única por aí, mas bastante extraterrestre para o modelo vigente.

O Imperatrix é lido maioritariamente por quem se identifica ou acha graça a estes princípios (até porque quem que nunca deixou de acreditar em certos valores começa a  perder o receio de soar "antiquado" ou exótico ao afirmá-lo) e por pessoas que não concordando, respeitam. Tenho também o cuidado de não ferir ou melindrar, pelo menos deliberadamente. Interrogo-me, ponho em causa, comparo modelos de comportamento, questiono se as mulheres do meu tempo estarão  a equilibrar saudavelmente as liberdades que conquistaram com aquilo que convém à sua felicidade - e à felicidade das gerações futuras. 

Já me têm perguntado se não receio a controvérsia. Não penso nisso, pois a mesmice faz-me mais confusão... tão pouco tenho pretensões a outra coisa que não seja reflectir cá comigo e convosco, como numa roda de amigos.

É que reparem, estas publicações abertamente "para mulheres, mas que não são a publicação feminina normal" em vez de enaltecerem com naturalidade os feitos de mulheres - na ciência, na política, na diplomacia, na literatura - e de alertarem para os problemas realmente graves, com seriedade e compostura, dedicam-se a debater miudezas. Se uma mulher deve maquilhar-se, ou se é errado fazê-lo porque " isso é uma forma de procurar a validação masculina". Se são justos os padrões de beleza. Se uma mulher tem direito a andar por aí por depilar, toda descabelada, com trapos que a fazem parecer uma bruxa...e ainda assim ser considerada linda. E eu pergunto...isto interessa a alguém?

Isto é tão redutor como pensar apenas em modas e arranjos domésticos.

 A postura de Hillary Clinton, esperando que votem nela "para ser a primeira mulher Presidente" (um boneco a mais, portanto) é mais um exemplo desta confusão. Andam desde 1900, pelo menos, a "lutar" (detesto a palavra, mas seja) para serem vistas como iguais na vida pública. E em vez de quererem conquistar votos pela simples competência, por serem eventualmente o melhor candidato...aí já lhes dá jeito a diferença. Aí já vemos o jeitinho feminino a aflorar: "votem em mim- primeiro as senhoras". Não digo que está certo ou está errado, mas note-se a hipocrisia.



 Perante tal cenário, é  preciso estar consciente de que qualquer perspectiva mais "tradicional" (ou realista, se quiserem) do comportamento, papel ou poder feminino será bastante alienígena no mar da blogosfera e de outras plataformas virtuais "para mulheres". 

Atenção, não me estou a queixar - até ver ninguém foi antipático comigo, antes pelo contrário, embora suspeite que algumas ideias aqui expostas não me vão trazer grandes louvores. 

Seria muito mais fácil conformar-me com o guião que se tornou obrigatório apesar do discurso enfadonho e constante sobre a *suposta liberdade* feminina: ou seja, dizer "dispam-se em público, digam palavrões, percam toda a compostura sempre que tentam expor um ponto de vista, sejam promiscuas, porque isso é que é ser mulher no sec. XXI e juro que a vida vos vai correr lindamente". Quem promete tal, fá-lo na perspectiva das audiências. Afinal, é muito mais simples dizer o que as mulheres "modernas", como maioria estereotipada, querem ouvir - por muito pouco que isso ajude alguém, por muito patetas que esses conteúdos sejam.

Mas tenho para mim que há por aí muita publicação em crise precisamente porque muitas leitoras estão cansadas do mesmo disco riscado...

 Em 1945, Pio XII (um Papa, que tal esta? Perdida por um, perdida por mil) dizia às mulheres que tinha chegado a hora delas. "A vida pública precisa de vós". E longe de recear o alargamento da vida feminina,  chamava a esta mudança na sociedade "uma disposição da Divina Providência" ou seja, que se estava a acontecer, por algum motivo era. Mas também, com grande sensatez, alertava que era difícil conservar o espírito de independência nos limites razoáveis.

 Ao ver mulheres formadas a defender disparates irrelevantes como se fossem coisas muito sérias, penso se não se ultrapassou há muito esse limite...

 Quando as mulheres deitam a perder os seus pontos fortes - o bom senso, a elegância, a sensibilidade, a beleza, a perspectiva maternal do mundo, o mistério, a delicadeza, a força discreta,  a subtileza - para dizerem tolices e tomarem as dores de causas disparatadas, quando berram ao quatro ventos "alto lá que sou mulher, mas só quando me dá jeito" acho muito difícil que nos levem a sério. Mas isso sou eu que acho, no uso daquela "liberdade feminina" que existe para cada uma fazer dela o que entender.
 










Wednesday, July 1, 2015

A peneira da consciência (não confundir com "peneiras")


Jean-Dominique Ingres, Raphael e La Fornarina ("padeirinha")

Há dias, uma amiga contou-me que deu a outra pessoa que lhe dizia injustamente "tu és tão bonita por fora, mas foste intransigente comigo" uma resposta bem torta e merecida:

" Pois olha...cada vez gosto mais de mim, e não é por causa do aspecto exterior; é que quanto mais vejo a podridão que por aí vai, mais bonita me sinto-não por fora, mas por dentro!".

 E recentemente, saiu-me um desabafo semelhante, ao saber das vilanias de uma conhecida "não quero pecar, mas há pessoas tão más que nos fazem sentir uns autênticos santos!".

Sempre me avisaram para ter cuidado com estes pensamentos, porque podem roçar a soberba e da soberba à tolice ou ao descuido de si mesma, vai um passo.

Além disso, não há maneira de corrigir os nossos defeitos - nem de ter tolerância com as falhas alheias-  senão achando-nos a mais imperfeita das criaturas. Todavia, é sempre bom observar os outros: não para lhes cortar na casaca, mas para ter presente aquilo que não queremos de todo ter por perto, quanto mais ser ou fazer.

 Há que peneirar muito bem o que se vê e ouve por aí, com uma peneira fina...mas passar por ela, com igual rigor, aquilo que fazemos, usamos, pensamos e dizemos. E se acharmos que a nossa "farinha" não tem impurezas, óptimo! Mas não nos descuidemos sendo indulgentes connosco, tapando o sol com a peneira, achando "já peneirei tudo ontem, não preciso de o fazer hoje". A peneira da consciência, da análise rigorosa, da imparcialidade e do rigor devia andar sempre connosco...mesmo que isso se possa traduzir, para alguns, em intransigência ou até "peneiras". 

Os melhores vestidos de fast fashion (em saldos) para cada silhueta



 Os saldos são óptimos para nos abastecermos de básicos - incluindo vestidos! Porém, ante a panóplia de exemplares (alguns sem grande forma) com descontos apelativos, é fácil cair na tentação de trazer para casa "monos" que não assentam e nunca servirão para nada. Para evitar tais desperdícios, é sempre bom ter em mente o seu tipo de silhueta - que independentemente do número que veste, ajudará a ter presente as proporções correctas de modo a escolher modelos favorecedores. Eis algumas pistas com preços bem simpáticos:


Rectângulo e maçã

Se tem pernas e braços elegantes mas pouco busto e cintura pouco vincada (e/ou alguma "barriguinha") os vestidos soltos são feitos para si.

Bershka - €15, 99




                  Triângulo invertido

Se tem a vantagem de um busto bonito, mas pouca anca e pernas esguias, pode  experimentar um vestido tubo justo e curto q.b para uma saída especial. Assegure que não está demasiado apertado na zona da cintura.

Bershka - €15, 99

Pêra

Braços elegantes, busto pequeno ou médio, cintura estreita mas ancas, glúteos e pernas voluptuosos? Aposte num vestido com alguma roda, para equilibrar a figura e realçar os seus pontos fortes.  Os ombros delicados permitem-lhe usar alças finas (que não caem na perfeição à maioria) mas o decote amplo dá a ilusão de maior harmonia relativamente à parte inferior do corpo.

H&M - €19, 90


Ampulheta

Ancas, ombros e busto delineados, sensivelmente da mesma medida, e cintura vincada? Nada como um vestido cingido ao corpo, estruturado, de um tecido não coleante e com um ligeiro decote, que não esconda a sua linha.

Zara - €25, 99

Laurence Xu: quem tem medo do estereótipo?


Blake Lively com um vestido Laurence Xu

Na época super informal que atravessamos, em que mesmo a Alta Costura já não é muitas vezes o que era, é difícil encontrar o rigor, perfeição e impacto de outros tempos -mesmo quando se trata de vestidos de noite, gala, ou baile. Os eventos de passadeira encarnada que temos visto (até Cannes) são a melhor prova disso; é cada vez mais raro uma pessoa surpreender-se com a beleza de uma toilette. Mesmo as melhores Casas de moda jogam amiúde pelo seguro, fazendo mais do mesmo ou, au contraire, ousam onde não deviam ousar, descuidando o mais importante: o fitting e a própria alfaiataria!


Laurence Xu

 Embora possamos ainda contar com griffes que mantém a sua essência e erram pouco (como Dolce & Gabbana ou Vivienne Westwood) é cada vez mais  raro ver-se um vestido digno de um Christian Dior ou Lanvin nos anos 50, de um Charles James, Jacques Fath, ou da antiga House of Worth - porque a versão renovada desta nada tem a ver...

 Surpreendentemente (ou talvez não) a brisa de ar fresco tem vindo de paragens exóticas e longínquas, de países com rica tradição nas cores, nos bordados, nos tecidos sumptuosos, e cujos representantes não sofrem da obsessão de se modernizar exageradamente ou do medo de brincar com o imaginário da sua terra - não tendo medo do estereótipo, são capazes de criar, com liberdade, verdadeiros designs de sonho, que mostram tudo o que um vestido especial devia ser.


Laurence Xu

 Aliás, basta dar "uma volta" por páginas como o Lookbook ou o Chictopia para tomar o pulso à criatividade dos fashionistas de países do Leste da Europa, da  ex- União Soviética e do Extremo Oriente. E este espírito está bem evidente nos seus designers, como Ulyana Sergeenko (Cazaquistão) e vários criadores chineses - Christopher Bu, Yang Li, Guo Pei ou...Laurence Xu.


Laurence Xu

Assumindo-se como um embaixador das tradições chinesas, desde que fez o seu debute em Paris há cerca de dois anos, Laurence tem conquistado o ocidente com as suas criações perfeitas, assentes nas laboriosas técnicas ancestrais. E é de admirar? A velha Europa, mesmo os EUA, estão cansados de que o minimalismo - tão fanado, por vezes, e mal compreendido -  seja uma desculpa para vestidos mal acabados e pouco pensados. 


Laurence Xu

As mulheres têm necessidade de design impecável - e por vezes, o mais impecável design tem muito poucos enfeites, atenção-  de corpetes, de engenharia na silhueta, de decotes feitos para lhes enaltecer o busto e não colocados por mero capricho a desfavorecê-lo, de saias que equilibrem a curva das ancas em vez de a desfear, de caudas, de tecidos ricos, de glamour e de impacto. Sentem falta de criadores que desenhem para mulheres, e não para a sua própria vaidade.

Laurence Xu é mestre nisso. Mas os criadores portugueses (que já tenho dito, se falham noutros quesitos, são muito competentes a criar vestidos para noites especiais) bem podiam pôr os olhos no posicionamento, para se imporem internacionalmente de uma vez. Tivemos um Império, bem podemos brincar com o exótico. Watch and learn!


















Tuesday, June 30, 2015

Embalagens e convites made in England...com selo português



Numa época em que tudo é descartável, os detalhes personalizados são um pequeno luxo. Pessoalmente (embora seja pouco dada a prendas de mãos, confesso) aprecio oferecer presentes empacotados de forma um pouco mais artística. 


E às vezes é necessário comprar embalagens feitas ou mandar fazer- já que nem sempre as lojas têm opções muito bonitas, para não falar em lembranças, como antiguidades, raridades encontradas online ou objectos curiosos trazidos de viagem para oferecer, que não vêm embrulhados. 



Também certos convites, por muito que o hábito do digital impere,não dispensam um toque artesanal.


  Uma amiga portuguesa que vive em Londres decidiu aplicar a sua paixão pelas miniaturas, maquetes e casas de bonecas à criação de vários objectos amorosos com os mais variados materiais e técnicas. Fiquei encantada com os seus postais, convites, envelopes e caixas para oferta. A página Catita Craft vale bem uma visita e, com uma pequena antecedência, é possível encomendar o toque final perfeito para uma lembrança ou dia especial. Have a look!

Maria Sticco: se todas tivéssemos tão boa professora!



Esta semana citei Maria Sticco, autora italiana que escreveu um livro fascinante: "O Dever e o Sonho" . Encontrei uma edição de 1943 e fiquei agradavelmente surpreendida ao perceber que se pode obter uma versão recente na Fnac. Como ainda não lhe tive acesso, duvido que a tradução seja tão perfeita como a antiga, pelo que recomendo uma voltinha por alfarrabistas ou mesmo por alguns pontos de venda online.

E porquê? Porque à luz da espiritualidade - mas também de Maquiavel, Catulo, Keats, Safo, Dante e outros poetas e pensadores - esta professora universitária de Milão oferece simultaneamente uma prosa divinal e conselhos de enorme bom senso para lidar com todos os desafios.

 E desenganem-se se pensam que são ideias que já não se aplicam...qualquer pessoa sensata (e as mulheres em particular) poderá beneficiar com a sua abordagem ao sofrimento, à harmonia conjugal, às idas e vindas em sociedade, aos deveres e à forma de estar na vida. 




Numa época em que tanta gente se deleita a ler ideias de auto ajuda de gurus suspeitos que "sofreram muito na vida" (esta ouvi ontem, a propósito de um português com grande aceitação nas redes sociais) ou porque escrevem frases picantes - e  sórdidas - para partilhar em facebooks e afins, mais do que nunca faz falta a pluma de uma verdadeira Senhora (e de uma senhora que realmente sabe escrever) para ensinar alguma coisa de válido.

 Aqui entre nós, acho que os conselhos cairiam em saco roto para muito mulherio, já que estão mais na moda os livros, revistas e sites que dizem o que as mulheres querem ouvir, e não o que lhes faz falta aprender . Hoje ninguém gosta muito de falar em "deveres"...mas sem o devido equilíbrio entre o sonho e o dever, é impossível ter uma alma saudável. Ou uma vida feliz. É preciso, para realizar os sonhos de forma benéfica, "fazer com que o sonho se transforme em dever, e dar ao dever o encanto do sonho".

 O livro é tão cativante que para o citar com justiça o post ficaria enorme, mas deixo alguns excertos curiosos.

Sobre o "profiling" dos habitantes através do aspecto da sua casa:



Receita para conservar a "chama" do amor no casal:


A diferença entre a paixão que destrói e o "amor que salva"



Maria Sticco (1891-1981) nasceu em Corciano, Umbria, filha de um médico do exército e de uma condessa. Escritora e professora na Università Cattolica del Sacro Cuore de Milão (onde ensinou Língua e Literatura Italiana durante 40 anos) deixou vários trabalhos inspirados no ideal Franciscano (incluindo uma famosa biografia de S. Francisco de Assis) e na sua terra natal. Porém, também se debruçou sobre Maquiavel (“Lettura del Machiavelli”) e foi co-directora de uma sofisticada e influente revista feminina, "Fiamma Viva". 

 O papel da mulher era, como é fácil de imaginar, uma preocupação sua; a harmonia entre a forma tradicional de estar e a independência, o comportamento senhoril das jovens, a intimidade, o papel das esposas e das mulheres que desejavam uma carreira, a vida doméstica, familiar e espiritual, a vaidade e a beleza, todos esses aspectos são amplamente analisados, e com que lucidez, que mistura de ânimo varonil - que nada tem a ver com masculinizar-se - e graça feminina!

 Se o livro é assim, imagino o privilégio que não terá sido assistir às suas aulas. Como fazem falta professoras destas!







Monday, June 29, 2015

As coisas que eu ouço: mais lhe valia estar calado.



Embora as mulheres se queixem muito - e com razão! - das mentiras e omissões masculinas, é verdade que por vezes eles são um pouco trapalhões. Alguns não sabem o que é bom para eles e descaem-se com coisas que enfim...não lhes convêm e eram escusadas.

 É sabido que jamais um homem ganha alguma coisa em ser sincero perante perguntas armadilhadas, do estilo "estas calças fazem-me assim ou assado?". Uma mulher sensata nunca lhes perguntará tal coisa, mas caso se apaixonem por uma rapariga adorável mas pouco sensata e a queiram conservar, digam que não fazem ideia nenhuma, pela vossa rica saúde...

 E depois há outras circunstâncias em que mais vale ser discreto, para não dar má imagem de si próprio.

 A avó contava esta estória passada com uma amiga dela nos anos 50. A menina, muito prendada e bem comportada, tinha-se separado do namorado que adorava (e que se andava a portar mal, armado em James Dean). 
Achou-se, portanto, livre para conversar com outros admiradores.

  Pela velha lei que reza "o pretendente seguinte sai sempre melhor que a encomenda" apareceu-lhe um belo rapaz, bem colocado e muito simpático que lhe fez a corte. Embora na realidade gostasse era do outro, decidiu dar-lhe uma oportunidade, a ver o que saía dali...

 Andaram nisto umas semanas, conversa vem, conversa vai, e ela começava a achar-lhe graça quando ele - fanfarrão como todos os rapazes, e brutamontes como alguns sabem ser - se sai com esta:

"Hoje tive cá um dia mais cansativo...andei com os meus irmãos a arranjar o carro de alto a baixo...a dar-lhe uma pintura e mudar os pneus...mas depois bebemos cinco litros de «vinhaça»!".

Horrorizada com tais hábitos e pior linguagem, a rapariga não quis mais saber do bebedolas e como o ex não lhe largava a porta, furioso e desgostoso (e morriam um pelo outro) voltou para ele, em modo é melhor o diabo que se conhece do que o diabo que não se conhece.

 O pior é que esse também gostava dos copos...de modo que embora não se tivesse arrependido, comentava muitas vezes "vejam só! Não quis casar com o outro porque bebia cinco litros de «vinhaça», e casei com este que bebe cinco litros de «vinhão»".

 Até podia beber, mas tinha a decência de "vícios privados, públicas virtudes"!

Moral da história: a sinceridade masculina é bem vinda, mas às vezes é bom ter um "cala-te boca" porque a palavra dita não volta atrás e há impressões muito difíceis de desfazer...

Bovarismo: um achaque que as mulheres têm de combater


O "bovarismo" - termo introduzido em finais do século XIX por Jules de Gaultier - refere-se a uma certa condição psicológica semelhante à mitomania, que faz as pessoas comportarem-se como a tonta personagem de Flaubert. Não necessariamente enganando a cara metade, atenção, mas sendo ocas e megalómanas como ela.

Eu gostei de Madame Bovary - o livro é tão bom, tão bom que me deu vontade de bater na protagonista. Quando Eça de Queiroz escreveu O primo Basílio
diz-se que foi influenciado por Flaubert; mas sempre achei que a maior se influência limitou à ideia da mulher tonta, ociosa e adúltera que é castigada no fim. Senti que as personagens sofrem do mesmo mal, mas são duas mulheres totalmente diferentes e que embora tendo o mesmo mote, ambos os romances têm um ambiente muito diverso. 
 Primeiro, porque o retrato social em O primo Basílio é muito mais amplo e completo, quase com vários núcleos de personagens; poder-se-iam fazer spin offs com a Juliana, o Visconde Reinaldo ou a Tia Vitória e ter pano para mangas; segundo, porque é um romance muito mais vivo e com uma série de comic reliefs (a meu ver, superior para não dizer mais agradável de ler, mas deixo isso para os especialistas). E terceiro...porque se a Luizinha não é um prodígio de sensatez (além de ingénua, tem mau feitio e é um bocado malcriada; sempre me fez confusão que nem "não, obrigada" dizia às pobres criadas; era não e pronto, fora o resto) Emma é um verdadeiro cepo.



Aqui há tempos, como vos disse, sentei-me a reler Madame Bovary mesmo a sério e senhoras, que raiva! Que mulher estúpida, frívola, egoísta, sem dignidade, cheia de si! Luiza tem ao menos a desculpa de estar sossegada em casa e vir Basílio, um antigo namorado, desinquietá-la; a má influência de Leopoldina também não ajuda. Não tem ainda filhos que a ocupem; estima o marido e apesar de sonhar com uma vida mais glamourosa, não está de todo descontente nem é uma má gestora do lar. O adultério acaba por acontecer em modo a ocasião faz o ladrão, por uma certa ingenuidade.

Já Emma tem uma maldadezinha mais consciente; não casa obrigada, mas detesta injustamente o pobre marido que lhe faz todas as vontades (ele também merecia chicote por ser um verdadeiro palerma, assinale-se); 
considera-se superior a ele em tudo; não tendo grandes predicados que a recomendem, acha-se merecedora das maiores glórias e prestígio social; não precisa que os amantes a requestem, ela própria trata disso e procede como uma verdadeira mulher da luta. 


 É mãe, mas não quer saber da criança para nada; endivida-se não só por vaidade, mas numa tentativa histérica e desesperada de conservar os homens com quem se envolve; e até quando é convidada para um baile de boa sociedade - vida a que se acha com direito por puro sense of entitlement - faz uma triste figura. É incapaz de se comportar de acordo e ainda acha muito injusto não voltar a ser convidada. Em resumo, Madame Bovary precisava de uma vassoura na mão de manhã à noite (já que não sabia fazer mais nada) e de um homem capaz de lhe pôr juízo. À falta de uma coisa e de outra, desgraça-se.

  Porém, desenganemo-nos: o bovarismo não ficou no sec. XIX, soterrado pelas ocupações da mulher moderna, independente, com uma vida fora das portas de casa: em pleno sec. XXI muitas jovens e senhoras sofrem da "ilusão da experiência", como dizia Joseph Duhr, "julgando-se por isso superiores às das gerações passadas". "Ilusão de solidez e de força, de experiência e prudência, são o alimento de uma presunção à qual a natureza, mesmo bem guiada, é excessivamente impelida. O espírito romântico compraz-se no sentimento, na emoção; um bovarismo sem consistência toma o lugar da prática das virtudes".

 Se pensarmos nas mulheres que conhecemos - mesmo com carreiras, com ambições intelectuais (e às vezes, essas são as piores) e/ou casadas e mães - quantas não sofrem de bovarismo? De um bovarismo suportado pelos próprios homens, pela sociedade e pelos média, atenção. 


A Bovary dos nossos dias é pior do que a original, mesmo quando não comete adultério, porque desenvolve o bovarismo mesmo tendo, ao contrário de Luiza e Emma, mais que fazer. A sua educação, diferente de uma Luiza de Brito ou de uma Emma Bovary, não se ficou pela música, pelos bordados, pelas línguas - mas preparando-a para o mundo lá fora (que não mudou tanto como parece)  descuidou completamente o equilíbrio interior. Resultado: esta Bovary é pior porque se julga mais esperta, mais preparada, imune a tudo e mais capaz de se defender. É tão arrogante e ingénua como a outra, mas achando-se "poderosa" e "lutadora".

 Para começar nega, com a ilusão da total igualdade psicológica, a existência de características femininas como a sensibilidade e o pudor. Julga-se (ou sente-se na obrigação de ser) tão desinibida como uma cortesã só porque devorou todos os complicados conselhos de alcova das revistas. E às vezes a realidade é bem diferente, quanto mais não seja porque não se pode grande coisa contra a inerente reserva feminina (seja ela cultural ou biológica) que necessita de certas condições para se deixar cair e porque os próprios homens, esperando que a mulher seja totalmente desembaraçada, não sabem como se comportar nem são capazes de guiar a dança. Muitas tratam o marido com mais desprezo que Emma Bovary, se possível...achando que elas é que sabem tudo e dispõem de tudo. Idealizam qualquer relação antes do seu começo. Depois, ai Jesus - é divãs de especialistas, queixas de íntimas incompatibilidades, quando os casamentos não falham mesmo por não corresponderem ao ideal.



Outras, julgando-se muito modernas, querem ter casos de uma noite, ligações casuais e fugazes - mas ficam frustradíssimas no seu romantismo e vaidade quando são tratadas de acordo com esse estatuto na manhã seguinte. Poucas serão as que não sonham que as achem tão lindas, tão irresistíveis que as peçam em casamento logo ao pequeno almoço. E depois choram, coroa máxima da sua tolice!


 Não esqueçamos as que - tão espertas, tão cultas - perdem imediatamente a cabeça mal estranhos lhes dirigem elogios baratos ou frases xaropentas românticas nas redes sociais. Ou que, assim que terminam um relacionamento (ou casamento, mesmo) se banalizam em "girls nights" bastante vulgares, com comportamentos impróprios para a sua idade e estatuto, com medo de ficar sozinhas ou para - vulgaridade das vulgaridades - "mostrar ao ex o que ele está a perder".

 E já que falámos de leituras, que dizer dos livros? Nem Luiza nem Emma se divertiam a ler romances light cheios de palavrões, nem coisas do estilo As 50 Sombras como muitas psicólogas, advogadas e jornalistas que se ufanam muito da sua instrução, cultura e independência! E quando a isso se mistura a vaidade intelectual, pior se torna...


Tudo isto sem mencionar as que de facto se "portam mal" como a Bovary e a Luiza...

 O bovarismo não afecta só as mulheres, atenção - transcende sexo, época, idade e estatuto social. Mas não deixa de ser um mal muito feminino. Ou que ataca muito no feminino, já que "vaidade, teu nome é mulher". 

O grande problema é que apesar de tudo, no século XIX as mulheres tinham mais atenuantes para a tonteria e horizontes menos largos que as de hoje. Actualmente, algumas parecem ter varrido para debaixo do tapete a ideia "com o poder, vem a responsabilidade". E esquecido que a temperança, a dignidade e a classe são o único santo remédio contra isso, além de caberem em toda a parte.






Sunday, June 28, 2015

Talitha Getty: os excessos da hippie mais chic


Quando se pensa em hippie chic - uma tendência que voltou intensamente este Verão, com calças boca de sino, vestidos longos, saias (e outras peças) de camurça e acessórios com franjas- o nome de Talitha Getty vem imediatamente à ideia de qualquer fashionista que conheça bem as suas referências.

Georgia May Jagger abrindo o desfile Marchesa (S/S 2015)
com um look hippie chic

De origem holandesa, Talitha nasceu em Java numa família de artistas (a avó, Dorelia,  foi também uma it girl boémia nos loucos anos 20) e - depois de ter passado a infância num campo de prisioneiros japonês durante a II Guerra-  mudou-se com a mãe para Inglaterra, onde estudou arte dramática.

 Porém, não trabalhou muito como actriz (pouco ficou para a memória além de uma breve participação em Barbarella): considerada uma beldade, os homens não lhe resistiam. Rudolfo Nureyev adorava-a e tentou casar com ela. Porém, teve tão pouca sorte que não pôde comparecer a um jantar onde ficariam sentados juntos...e o anfitrião convidou Paul Getty, o magnata do petróleo, para o seu lugar. Resultado? Paul e Talitha apaixonaram-se, casaram e tornaram-se um dos casais mais emblemáticos dos swinging sixties em Londres.

Talitha e Paul no seu casamento, em 1966

 Ficaram famosas as suas temporadas em Marrocos, com outros ícones da época, como Mick Jagger e a namorada, Marianne Faithfull.

 Porém, os excessos sucediam-se; as reuniões boémias eram coloridas pelas mais belas roupas...e por quantidades impressionantes de ópio. Yves Saint Laurent - que criaria o inesquecível perfume Opium em 1977 - comparou o casal ao romance de Scott Fitzgerald: "belo e amaldiçoado". Com boas razões...

Este retrato do famoso fotógrafo Patrick Anson (Conde de Lichfield) para a Vogue americana, definiria o estilo hippie chic para o futuro-apesar da vida relativamente discreta de Talitha e Paul à época

Apesar de idolatrada pelo marido e de se ter tornado mãe, Talitha teve um caso com um jovem aristocrata francês - e conhecido dealer dos famosos- o Conde Jean de Breteuil. Esse belo rapaz, descrito por Marianne Faifull (que fugiria com ele depois de romper com Mick Jagger) como alguém tão sombrio "que parecia ter rastejado de uma gruta" gabar-se-ia mais tarde de ter fornecido a heroína que matou Jim Morrisson. 

Jean de Breteuil

 A elegante Talitha finar-se-ia em Roma, de causa idêntica, menos de duas semanas depois da morte do Rei Lagarto. Contava apenas 30 anos. E Jean...teve igual destino no mesmo ano, 1971.

 Após a morte da mulher que amava, o marido Paul deixou a vida hedonista, descuidou completamente os negócios e passou a estar num tal isolamento que lhe chamavam "o milionário eremita". Demorou muitos anos a recuperar, e mais de uma década depois os sinais do seu sofrimento ainda eram visíveis. "A dor simplesmente não se evapora" comentava, destroçado.


Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...