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Saturday, July 18, 2015

Mas deu o vírus da criancice nas pessoas, ou quê?


É que ultimamente dá vontade de distribuir palmadas por aí.

 Uns vão para sunsets dirigidos a um público alvo de 15-20 anos quando têm idade para ter juízo (e divulgam as imagens em mais abundância e com mais entusiasmo do que os próprios miúdos); outros parece que acreditam no Pai Natal e divertem-se a partilhar por aí joguinhos e previsões sem fundamento nenhum (que alguém espreite essas coisas por carolice é como o outro, que goste de o mostrar é que é pior). Depois há as que se vestem como se tivessem agora quinze anos e falam como se tivessem treze ("miga, somos tão poderosas...é o show das poderosas, beijinho no ombro das invejosas!") e os que se dirigem a pessoas que mal conhecem com uma linguagem de garotos do ensino básico ("então linda, ´tás boa? Bjinho fofinhu" - blhec). 

Isto sem falar nos que não querem responsabilidades mas exigem privilégios e ainda fazem birras se não lhes são concedidos, nem naqueles que se fazem passar por muito profissionais mas são incapazes de cumprir o mais elementar horário ou compromisso, porque afinal à última hora manda-se uma mensagem escrita ou via redes sociais a adiar ou alterar planos (quando se dão ao trabalho...) e tudo resolvido. 

Pior ainda, parece que este andaço de Peter Pan, ou complexo Gugu-dadá, é transversal: atinge ricos e pobres, homens e mulheres,  com mais e menos estudos, dos 25 anos em diante sem limite máximo, de todos backgrounds sociais e profissionais, de executivos a médicos e bombeiros passando por empreiteiros, contabilistas, socialites e senhoras da limpeza -  tenho visto de tudo nos últimos meses.

Parece que há por aí um pavor de envelhecer (pior, de crescer) e quem sofre dele não vê como isso fica ridículo.

Alguém disse que nada envelhece tanto como agarrar-se desesperadamente à primeira juventude... por todos os santinhos, os dezoitos e os vinte já lá vão (se tenho leitores mais novos, ignorem, não é nada convosco) tudo tem o seu tempo nesta vida e bem cantava o Rui Veloso, nunca voltes ao lugar onde já foste feliz.  Manter o espírito jovem - e um ar jovem - não implica ser bué da fixe e bué da jovem. Nem fazer parvoíces e figuras que depois dos 23 anos ficam datadas e um bocadinho patéticas.

Mas estará tudo parvo ou as creches e os ATLs para adultos são o negócio do futuro e ninguém me avisou?


De Mad Max e Plutão




Isto de ter irmãos e primos faz com que uma rapariga vá por arrasto nos gostos deles, por isso tive uma infância bastante completa: ballet, dar cabo dos cosméticos lá de casa (a avó benzia-se porque eu lhe gastava tudo na tentativa de inventar o novo "super creme para as mãos") muitas bonecas, mas também muita brincadeira com carros, comboios, armas de brincar, miniaturas de batalhas famosas, action men, GI Joes, Street Fighter...e filmes de tiros e bombas e socos nas trombas



 Ora, entre os filmes que eu via com os rapazes doidos por carros havia os do Mad Max, que já tinham uns bons anos na época e eles reviam em bloco vezes sem conta. A rapaziada delirava com aquelas máquinas e eu achava graça ao argumento, arrepiava-me com o Humungus e já na altura, pasmava para o styling punk-apocalíptico daquele universo. O punk em si mesmo nunca me disse nada - não gosto do cabelo nem de anarquia - mas tem alguns elementos interessantes e sempre notei (comecei cedo) como os figurinistas de Mad Max tinham feito um excelente trabalho quer a criar fatos novos com ar de velhos, quer a incorporar peças a cair de podres de uma forma que resultava (viva a reciclagem) para parecer que todas as lojas tinham acabado e as pessoas tinham de se desembaraçar com as velharias que sobrassem e mesmo assim não perderem o estilo.



 Um pouco o que agora se passa em The Walking Dead, que me parece que foi aí beber alguma inspiração...

 Pois bem, um dos rapazes cá de casa já foi ver o novo Mad Max e não ficou desiludido (eu estou com alguma curiosidade, por ser protagonizado por Tom Hardy, um dos actores mais promissores e bem parecidos dos últimos tempos, com uma voz incrível). De modo que como os anteriores têm passado na televisão, se sentou a rever o primeiro e eu fiz companhia...



 Como de todos esse era o que eu conheço pior, diverti-me (claro) a reparar no styling de Mel Gibson e seus companheiros. E no primeiro filme o mundo (ou a civilização) ainda não acabou propriamente, embora não ande muito longe, por isso toda a gente mantém um ar minimamente apresentável. 



Ainda há polícia e a polícia tem uns uniformes de couro fabulosos (na verdade, como o orçamento do primeiro filme era limitado, só o do Goose era pele; todos os outros foram feitos em vinil) com umas botas impecáveis (ando há imenso tempo para arranjar as biker boots perfeitas). Por curiosidade, as do filme eram fabricadas por esta marca australiana, mas creio que já não fazem o mesmo modelo.

Em suma, como o couro tem estado por toda a parte ultimamente (dos perfectos a saias e vestidos) não me surpreendia que começássemos a ver por aí certos visuais inspirados em Mad Max. Talvez eu própria me divirta a criar um, só por carolice (e como não adoro propriamente de conduzir, se pegar no volante de uma carripana velha para fazer pendant ainda lanço realmente o terror no asfalto...).


Se me arranjarem este side car, desafio aceite.
    Haja imaginação nos mais ínfimos momentos da vida...até porque há que prever todos os cenários, e ter criatividade ajuda: há dias disseram nas notícias que muita gente enviou o seu nome para ser deixado em Plutão (que acho uma indecência e uma falta de respeito agora ser chamado "planeta anão", mas os cientistas lá sabem). Quando ouvi isso pensei inicialmente "olha que pena não ter sabido". Mas depois reflecti melhor e não me pareceu assim tão boa ideia. Não se sabe quem poderá encontrar aquilo, nem que meios terá (uma qualquer rede social extraterrestre que permite saber tudo sobre toda a gente só pelo nome) para nos vir bater à porta, estilo, "já que cá deixou o nome, deve querer que a visitemos". No pior dos cenários éramos invadidos a começar pela própria casa; no melhor, podem ser ETs que não sabem, lá no planeta deles, a velha regra "os hóspedes ao terceiro dia aborrecem" e "mais vale ser desejado do que aborrecido". Se nem os terráqueos a cumprem às vezes...não, obrigada. Passo. Mas caso haja mesmo um fim do mundo, já tenho cá umas ideias para o que vou usar...







Thursday, July 16, 2015

As pessoas "venha a nós"



Por aqui já se falou muito em direitos e deveres. Costumo dizer com frequência que se toda a gente pensasse mais nos seus deveres para com os outros e menos nos seus direitos, este mundo era uma alegria, porque somos sempre "os outros" de alguém. 

Os homens pensavam nos seus deveres para com as mulheres; as mulheres, ocupavam-se, por sua vez, a cumprir os seus deveres; os filhos 
preocupavam-se com as suas obrigações para com os pais e os pais, com os seus deveres junto dos filhos; os empregadores, com a sua responsabilidade junto dos empregados e vice versa...punha-se os outros primeiro, e tudo funcionaria às mil maravilhas...

 Mas claro, quem tem deveres, canseiras e obrigações ganha (ou devia ganhar...) automaticamente direitos. Uma coisa pressupõe a outra. 

No entanto, para muita gente as coisas não funcionam bem assim.

 Não faltam casos de pessoas que acham que os outros devem ter todas as canseiras e desvelos para consigo (seja num emprego, projecto, amizade ou relacionamento) mas o acordo não é bilateral: é em modo venha a nós. Fazem as coisas tacitamente, implicitamente, sem ficar preto no branco, e as proximidades, as responsabilidades e exigências vão-se avolumando - sempre para a outra parte -  sem nunca terem correspondência. O que é muito prático e cómodo, pois na hora de dar o peito às balas, assumir responsabilidades, devolver gentilezas, corresponder a cuidados, escolher lados ou proceder correctamente é convenientíssimo dizer "não assinámos nenhum contrato", "não me lembro de nada disso", "não devo explicações", "não quero cá cobranças", etc.



Pessoas assim tornam o mundo mais desconfiado, mais calculista e menos espontâneo. Como passam a vida a fazer jogos, obrigam os outros a 
antecipar-se por sua vez. E esquecem-se do óbvio: embora qualquer interacção com elas se baseie na uniteralidade... a falta de certezas, a instabilidade e a liberdade são bilaterais. Nada é seguro. Um trabalhador freelance dedicadíssimo, mas que não vê perspectivas de ser integrado na empresa, saltará fora à primeira oferta em condições que lhe façam. Não há lealdade se não funcionar de parte a parte. A segurança de quem procede assim é ilusória; baseia-se apenas no ascendente, aura e domínio emocional que julga ter. Mas isso é como bolas de sabão. Frágil. A qualquer momento, ao outro pode dar-lhe para pensar exactamente nos mesmos termos, concluir que as condições não lhe convêm, decidir que não quer as obrigações sem ter os benefícios, pensar em si -  pôr-se, por sua vez, em modo venha a nós. Mas com razão...




Beleza: bênção ou maldição?



É um lugar comum dizer-se que a beleza abre muitas portas. No entanto, pelo que tenho visto suceder a várias mulheres consideradas realmente bonitas (também acontecerá com homens, mas o caso feminino é muito particular)  acho que dizer isso é uma leviandade. A beleza, tão procurada por toda a gente, devia ser alvo de mais estudos enquanto fenómeno e atributo social. 

A verdade é que muitas vezes, a beleza pode atrapalhar...e até fechar umas quantas portinhas, portões e janelinhas. 

 Lembro-me sempre de uma canção que a avó cantava,

"Ela tem o destino da lua 
Que a todos encanta
E não é de ninguém".

Isto é um extremo, claro. Mas já vi acontecer. Há situações em que dar nas vistas pelo bom aspecto estraga mais do que ajuda e que, não sendo impossíveis de contornar, causam bastantes dissabores.


Maldição 1 (ou maldição básica): Pessoas bonitas (tal como as pessoas ricas, famosas ou poderosas) atraem automaticamente dois tipos de reacção incómoda: ressentimento ou cobiça. Pode ser mais difícil reunir simpatias. Uma mulher sem grande graça que seja tímida é considerada acanhada, coitada; uma beldade que seja igualmente tímida passa por ser antipática ou cheia de si. Se uma rapariga banal se veste com alguma elegância, isso pode não ser notado pela negativa; mas se outra mais atraente faz o mesmo (ainda que de forma discreta) já é espampanante.  E claro, os desgostos e problemas comuns a todos os mortais merecem menos empatia ou solidariedade quando se tem um palminho de cara: as reacções variam entre "ah, ela vai ficar bem", "deprimida, uma rapariga tão gira? Tretas!", etc.
  Depois, é a velha história: pessoas que se aproximam com segundas intenções. Vulgo o que aconteceu há dias "Ronaldo não teria convidado a dona do telemóvel para jantar se ela não fosse bonita", ou alguém parar para acudir na estrada a um pneu furado só porque a condutora é engraçada. O que não causa dano algum em situações superficiais destas, mas noutras pode ser complicado, já lá vamos.




Maldição 2 (não ser levada a sério...ou coisa pior!): apesar de muitos empregadores apontarem a "boa apresentação" como uma mais valia, existe o batido estereótipo "beleza e miolos/competência não caminham juntos". Isto  não é problemático uma vez a pessoa em causa estando inserida numa equipa ou organização. Como qualquer característica superficial, deixa de ser importante uma vez dando-se a conhecer. O mal é ao início! Não raro uma mulher atraente e feminina quase sempre precisa de se esforçar o dobro para provar o que vale e, se gostar de andar bem apresentada, para mostrar que não é uma tonta que só pensa em trapos e cosméticos. Ou seja, ao ser avaliada para um cargo pode encontrar muito mais entraves do que a concorrente apagadita com óculos de fundo de garrafa. 
   Mas a situação ainda consegue piorar: não a quererem contratar por falsos juízos de valor, vulgo "esta vai distrair toda a gente ou arranjar romances no local de trabalho. Próxima!".

 E o piorio do piorio? As almas aproveitadoras que acham que podem juntar o útil ao agradável. Se uma mulher normalíssima ou para o desengraçado propõe um projecto, uma parceria ou se candidata a uma função, tudo bem; o caso é avaliado profissionalmente e mais nada. Se for agradável aos olhos...a aceitação da ideia pode vir acompanhada de um convite para jantar ou proposta de namoro como quem não quer a coisa, e isto no cenário menos mauzinho. Claro que se a mulher for gente séria e de brio e recordar, ainda que mais educadamente do que o parvalhão merecia, que estão ali para falar de trabalho, o malandro fica magoadinho como se tivesse sido rejeitado num encontro amoroso (a lata!) e adeus, minhas encomendas. Ser bonita *e* virtuosa fecha mais portas do que abre. Se tivesse um euro por cada mulher atraente que vi ser preterida em termos profissionais por defender a sua dignidade feminina, já me tinha reformado. Triste, mas acontece muito.




Maldição 3 (insegurança masculina): muitos homens ciumentos fariam melhor em propor a si próprios "não me vou relacionar senão com camafeus" porque acreditam na falsa ideia de que uma mulher bonita é uma dor de cabeça, como vimos em detalhe aqui. 

Por mais discreta que ela seja, por muito que ela se vista com sóbria elegância e não dê qualquer troco a galanteios, nunca estão descansados. Nem ao menos percebem que ser bem comportada ou não vai da personalidade e valores de cada uma: há raparigas bonitas levianas e raparigas feiotas muito piores e vice-versa, etc. 

   Na maior parte dos casos que tenho visto, as mais bonitas até são mais exigentes, seguras de si e menos permeáveis à lisonja. Como toda a vida ouviram elogios e tiveram pessoas a tentar aproximar-se, ganham uma natural reserva. Nunca lhes faltaram pretendentes nem atenção, por isso não precisam de facilitar ou incentivar namoricos. Em suma (salvo em casos de personalidades muito frágeis e carentes, que se detectam com facilidade nos primeiros contactos pela forma como uma rapariga fala, veste e se comporta) quando uma mulher que facilmente encontrava outra pessoa está com o Manel ou o Joaquim, é porque escolheu estar com o Manel ou o Joaquim e não por falta de opções, logo isso devia ser um motivo de descanso e não o contrário...
 Quem não aceita isso porque simplesmente não suporta os olhares que a pessoa não fez por provocar ou as imaginações lá da sua cabeça, mais lhe vale crer na máxima "à falta de virtude, a fealdade é meio caminho andado". Mas lá dizia o outro, se uma mulher bonita é um perigo, uma mulher feia é um perigo e uma desgraça...ou seja, de ser enganado ninguém está livre e não é lá pela boniteza.

Moral da história: cada um com os seus problemas, e ninguém pode dizer que é completamente feliz neste mundo...




Wednesday, July 15, 2015

As coisas que eu ouço: o pudor, um reflexo instintivo?




Lia eu há dias, numa das revistas antigas da minha colecção, a frase "o pudor é um reflexo feminino instintivo". E fiquei cá com as minha dúvidas...talvez o seja mais numas do que noutras, e mais acentuado em algumas épocas.

 A frase veio entretanto a propósito numa conversa em que se falou de como algumas mulheres fazem questão de se menear quando entram num local mais frequentado por elementos do sexo oposto - seja certos ginásios, uma oficina, um prédio em obras ou um quartel. 

  Isso pareceu-me assaz estranho, pois acho que a reacção natural será, ao aproximar-se de tais sítios, ainda que não se conte com nenhuma atitude menos respeitosa, vestir o casaco (mesmo que não se traga vestido nada que dê nas vistas) não estabelecer grande contacto visual... em suma, fazer o que é normal quando uma pessoa se sente observada!



 Mas ao que parece há quem adore esse tipo de atenção. Lembrei-me então dessa cândida ideia (escrita nos anos 1960) de o pudor ser um reflexo instintivo de qualquer mulher. O certo é que não é nem era na altura, e tenho provas...

 Uma pessoa minha conhecida tinha, nessa época, uma bela e reluzente oficina de automóveis novinha em folha. Era um homem muito bem parecido e vaidoso, além de bom profissional...

Pois começou logo a ver-se grande sururu de senhoras a acorrer ao estabelecimento, sem fazer caso do óleo de motor que lhes pudesse sujar as toilettes, nem deixar aos maridos tão maçadora incumbência...embonecadas, bamboleantes, dengosas, todas pintadas, com os seus bonitos cabelos armados com laca, era uma alegria.

 A brincadeira só parou quando a vizinhança foi avisar a legítima..."olhe que o seu marido está na conversa horas a fio com a clientela...e quando o empregado lhe diz que vem lá uma senhora, vai a correr buscar o pentezinho para se ajeitar antes de a atender...".

A época que atravessamos pode legitimar, relativizar ou fazer com que certos desconchavos passem despercebidos, mas o descaramento (ou falta dele) sempre existiu. Variava era de acordo com os princípios, natureza e educação de cada uma...

10 pormenores que podem estar datar o seu visual


A moda passa, o estilo permanece. Mais do que seguir as tendências, um look deve ter um carácter de intemporalidade. A maior parte dos outfits de ícones como Jane Birkin, Marilyn Monroe ou Jackie Kennedy podia perfeitamente 

vestir-se agora. Além disso, nunca houve tanta liberdade: já não há uma só silhueta nem uma tendência dominante. É muito difícil apontar hoje um visual como "fora de moda".

  Mesmo assim, é importante ir fazendo pequenas actualizações. Só porque algo é um clássico - ou voltou a estar na moda - não quer dizer que se use exactamente como há dez anos atrás. 

E às vezes não são as peças mais marcantes, mas os pequenos detalhes que podem dar um aspecto "estranho" ou algo datado a um coordenado que de outro modo, até seria elegante.

Ora pensemos: de certeza que já viu pessoas assim na rua e notou algo que não batia certo...


1- Sapatos demasiado redondos


Não é que estejam completamente ultrapassados - a variedade é tal que actualmente não existem modelos "proibidos". No entanto, as biqueiras muito redondas tiveram tanto protagonismo ao longo dos últimos anos que se tornaram um pouco cansativas...além de não fazerem um trabalho tão eficaz quando se trata de alongar a figura

Se realmente adora este tipo de calçado mas quer dar-lhe um update, pode fazer duas coisas: limitar-se às versões mais altas e elegantes para sair (um bonito pump compensado, nude, com um vestido sobre o joelho fica sempre bem) ou, se não prescinde deles no dia a dia, coordená-los com peças minimalistas (estilo Audrey Helpurn). Acrescente um acessório trendy (um perfecto de cabedal com um detalhe fora do vulgar, uma clutch grande...). Assim o conjunto parecerá mais pensado. Evite simplesmente calçar uns sapatos redondos com jeans: muito 2012.

 Alternativa: se ainda não se atreveu, está na altura de experimentar um scarpin clássico, ligeiramente pontiagudo. Quanto mais simples o material e o modelo, mais chic.


2- Cabelo "passado a ferro"



É verdade que nos últimos dez anos não houve mudanças radicais nos penteados (embora se veja um pouco de tudo, o que é óptimo). No entanto, se olharmos com atenção para imagens de 2005, notaremos que o brushing extra liso (acompanhado de madeixas) era quase obrigatório. 
  A placa de alisar tornou-se a melhor amiga de muita gente. Mas além de o lisérrimo ser um penteado difícil de manter (e que causa danos), o look actual pede mais movimento e textura; polido, mas natural. A não ser que se chame Gwyneth Paltrow ou os seus genes a tenham dotado de cabelos de gueixa, é escusado esticá-los a todo o custo até às pontas... até porque, além de um pouco datado, pode endurecer as feições ou até dar um certo ar duvidoso se combinado com a roupa errada.

Alternativa: um brushing pouco rígido - insistindo mais na franja e zonas que costumam frisar ao longo do dia - finalizado usando rolos XXL de velcro enquanto acaba de se vestir e maquilhar (colocados mais ou menos perto das raízes, conforme quiser, ou não, volume). Estes rolos vão ajudar a acabar o alisamento mas não forçam a fibra capilar. Depois, sem criar ondas ou caracóis, dão às pontas o necessário movimento.

3 - Jeans de cintura muito descaída



É verdade que as cinturas descidas estão a voltar e são uma variante aos modelos subidos ou intermédios. Muita gente também acha que esse é um look mais jovem. Nem sempre nem nunca: é bom ter o melhor dos dois mundos. Mas atenção: as tendências voltam... com ligeiras diferenças; logo, continuar a vestir os jeans super descidos dos tempos de faculdade pode não ser boa ideia. 
Muitos desses exemplares antigos são desconfortáveis, não acomodam a bacia e vincam ou apertam onde não devem; eram desenhados a pensar em mulheres de cintura larga e ancas estreitas (pouco apropriados para a maioria das mulheres portuguesas, portanto). Traduzindo e recordando, faziam-se calças de ganga  com todo o tipo de fantasias disparatadas: de costuras directamente sobre os glúteos a cortes e bolsos frontais em cima das ancas, o que raramente dá uma linha bonita ao corpo (e faz "saltar" gordurinhas indesejáveis, o temido "muffin top").
 Tenho visto muitas mulheres a andar assim na rua, rematando com um top de ar festivo e umas chinelinhas de salto alto...zás, parecem saídas de uma máquina do tempo, prontas para se abanarem ao som de Britney Spears.

Alternativa: cintura descida, mas nuns jeans relaxed fit ou boyfriend. Tente também os jeans de cintura alta, que dão uma bonita silhueta em "S".


4- Camisas nem dentro, nem fora, nem curtas, nem compridas



Isto parece aquele conto da filha do pescador...uma camisa é um item clássico. Nunca passa de moda, mas a forma como a usamos sim. Lembra-se daquelas camisas preppy, simples, sobre umas calças chino ou saia? Se calhar está na altura de optar: ou usá-las por dentro, com uma cintura subida (pode aproveitar para isso os modelos curtos, ou as que encolheram um pouco) ou então, versões mais compridas sobre calças justas. O styling "nem carne, em peixe" num visual muito básico pode parecer isso mesmo, básico.

Alternativa: para usar as camisas assim, opte por combiná-las com uma saia statement, ou outro visual marcante (ex: culottes + umas nude sandals de salto muito alto e fino). Outra ideia é escolher as camisas curtas de manga cap e ombros tufados com fraldas arredondadas, tipo empregada de mesa dos anos 50 - essas combinam com quase tudo.

5 - Calças "clássicas" sem grande forma



Uma coisa aparentemente inofensiva mas que coloca um visual lá nos anos 90 são as calças "a direito" que acabam por não ser realmente a direito, e com uma cintura demasiado baixa. Isto ainda se vê bastante por aí, até porque certas marcas de pronto a vestir nem sempre arriscam afunilar muito os modelos de fazenda (talvez com medo que não sirvam em certos pés?). Outras vezes, isso sucede porque umas calças supostamente cigarrette alargam com o uso. Nada data tão depressa um coordenado como calças de mau corte. Flare, a direito, cigarrette, estilo amazona ou amplas, importa que o modelo seja bem definido e favoreça. De preferência, há que ajustá-las à medida por prevenção.

Alternativa: com tantas opções em voga, do slim ao wide leg, pode dar-se ao luxo de experimentar até acertar. Mas se tem em casa exemplares de qualidade, porém sem graça, é sempre válido entregá-las à costureira: ajustadas abaixo do joelho e com uma bainha feita pelo tornozelo, ficam umas calças "cropped" novas! 

6 - Peplum

Parece incrível, mas continua a ver-se nas ruas. Em primeiro lugar, é uma tendência que foi batida à exaustão. Depois, dificilmente resulta em peças muito baratas: para funcionar, o peplum deve ser estrategicamente colocado sobre a zona que se pretende disfarçar (por estranho que pareça, é um bom truque para equilibrar ancas largas), em vez de esvoaçar de modo estranho à volta da cintura. Depois, assenta melhor em vestidos e casacos do que em tops (que foram a opção da maioria). De qualquer modo, vimos demasiados horrores com peplum nos últimos anos, por isso quem o usa - principalmente de forma espampanante- fica imediatamente com um aspecto muito 2010. Algumas peças só têm mesmo graça ao início, quando a tendência ainda está a começar e não anda toda a gente assim. Quanto mais depois de ter passado de moda...

Alternativa: uma bonita saia de balão.

7- Neon

Além de serem cores muito sujeitas ao gosto pessoal (por mim limitavam-se a peças de desporto ou reflectores para fazer caminhadas à noite, pois
 lembram-me de imediato os brincos da Matutano!) são tons da moda ou seja, só aceitáveis enquanto tendência. Pior um pouco, facilmente ganham um ar barato e apenas têm graça nas adolescentes.

Alternativa: os tons frios e suaves da estação, como tangerina, água marinha ou azul clássico.

8- Abusar dos mini tank tops



Lembra-se dos tops de alcinhas ou cavas que faziam as suas delícias há uns anitos? É sempre bom ter uns quantos pretos e brancos de algodão (principalmente se os seus ombros e braços são bem modelados). Ficam  chic com umas calças clássicas de bom corte ou uma saia num tecido exótico, porque quebram o ar demasiado composto. Mas nos últimos anos tem-se dado (e com boas razões) preferência a "partes de cima" com mais substância: camisas, blusas... por isso, guarde alguns mas evite coordená-los com jeans (nesse caso, uma t-shirt branca, simples, tem muito mais cachet). Quanto aos coloridos, limite-os ao ginásio.

 Alternativa: se tem uma cintura bonita, um crop top (a usar sempre com cinturas subidas). Uma blusa de cambraia com ar boémio também dá sempre graça ao coordenado mais básico (ex: blusa + boyfriend jeans + mules).

9 - Gloss e sombras irisadas



Usar lipgloss como se fosse bâton foi um hábito que tardou, mas - graças aos Céus -passou. Não obstante, muita gente ainda tem medo de uma corzinha nos lábios e continua com ar de Beyoncé antes de sair da banda. O mesmo vale para o lipgloss com cor, que agora é utilizado sobretudo como complemento (a não ser que se trate de uma versão muito pigmentada e sem nacarados). As sombras irisadas, especialmente durante o dia e por toda a pálpebra móvel também são uma má ideia...

Alternativa: quem não gosta do efeito bold lip pode experimentar um tom nude, que não precisa de ser mate. Para os olhos, um look muito bonito, actual e fácil de conseguir é feito com sombra bege mate + um ligeiro cat eye, com eyeliner ou sombra preta muito pigmentada (esfumada em baixo, junto às pestanas) e duas camadas de máscara.

10- Sandálias "Foxy" e afins



A versão de Verão das Litas, a sandália Foxy, ainda continua por aí em muitos pés. Compreende-se que seja pena não tirar partido de um investimento (e houve quem, no entusiasmo do momento, comprasse mais do que um par Jeffrey Campbell) mas na verdade, o modelo não favorece lá muito as pernas (apesar de ser altíssimo) e como virou praga, é quase impossível escapar incólume com isso. 
 A boa notícia é que as calças flare e boca de sino estão muito na berra e pedem saltos desse género (e por baixo das bainhas, que se querem longas para resultar, as Foxy não se vêem). Com saias ou quaisquer outras calças, é melhor prescindir delas até nova ordem.

Alternativa: a variedade de plataformas e compensados à disposição é tão grande (mesmo Jeffrey Campbell tem criado montes de coisas novas) que não vale a pena chorar sobre leite derramado...

Tuesday, July 14, 2015

Afinal, a Leninha sempre tem complexos.



Lembram-se de falarmos, no ano passado, das palavras da saudosa Joan Rivers acerca de Lena Dunham?

A comentadora não teve medo de contrariar a converseta politicamente correcta e graxista que uma certa imprensa tentava fazer o público engolir acerca da actriz pseudo intelectual - ou seja, de que Dunham é "linda" (apesar de fazer questão de se apresentar com um aspecto mal enjorcado, de saco de batatas, quando não roça o propositadamente repugnante) e muito superior às vaidades femininas.

Claro que qualquer pessoa com um pingo de inteligência percebia que isso era tudo treta, pois Lena ficou contentíssima de aparecer toda embonecada na Vogue, admitiu que fazer capa da mítica revista era um sonho de menina e ainda se zangou muito quando alguém se divertiu a vazar as imagens sem photoshop da sessão. 

Com uma autoridade que só a idade confere, Ms. Rivers, God rest her soul, não esteve para ouvir tais disparates e pôs tudo em pratos limpos: disse categoricamente que todas as mulheres se importam com o seu aspecto por mais que tentem demonstrar o contrário e que o ar desleixado de Lena era um péssimo exemplo para as jovens.


 E claro, tinha razão. Entretanto a Leninha deu grande brado com um livro cheio de balelas nauseantes, que fizeram o público gostar menos dela (ou perceber que algo não vai bem naquela cabeça) e começou a ser amiga de Taylor Swift (ou a desencaminhar uma rapariga que, fora o extenso currículo amoroso, até era do mais normalzinho que por aí andava).



 Participou no vídeo Bad Blood e em consequência disso, ao ser convidada para aparecer em palco com Taylor e as amigas super modelos durante a digressão, admitiu que não gostou nada de se ver, baixinha e gorducha (só faltou o "dentuça") e sem maquilhagem ao lado das beldades de serviço. "Não volto a meter-me em tais assados!" confessou. 

 Bom, vamos por partes: primeiro, um ponto pela sinceridade, apesar dos palavrões e parvoíces na entrevista. Mais vale tarde do que nunca. Depois, não é preciso ser atarracadita e sem graça como a Lena para que estar num palco ao lado de anjos da Victoria´s Secret super produzidas seja um desafio. Todas as mulheres, mesmo as mais bonitas, têm as suas inseguranças.


  Claro que, sei lá, Scarlett Johansson ou Eva Mendes poderiam não achar muita graça ao ser colocadas junto de mulheres que de saltos de 12 cm maiores parecem, mas o contraste seria só no tamanho. Porém, uma coisa é aquilo que não se pode modificar - a não ser através de truques cinematográficos - outra é o que está na mão de cada uma.

Que diabo, é difícil Lena Dunham parecer alta e com cara de boneca como uma modelo, mas não custava nada passar um pouco de maquilhagem pelo rosto, pôr uma roupinha mais gira e calçar uns saltos.  No videoclip de Taylor Swift ela estava bem engraçadinha. Com um estilo andrógino, lesbian chic, certo, mas com piada. Se apareceu desleixada porque acha que isso a faz parecer muito profunda e transcendente, é bem feito que não gostasse de se ver.


Pode ser que assim abra os olhinhos sem pestanas (ou ponha um pouco de máscara nas ditas, a ver se fica com pestanas para abrir) contrate um personal stylist que lhe resolva os complexos e a vontade de se auto punir (porque os psicólogos em que admite andar desde pequena pouco adiantaram) e deixe de dar maus exemplos, que relaxaria já há que chegue.

Joan Rivers deve estar a fartar-se de rir no outro mundo...




Decreto- Lei do Farrapo

Para dar maior seriedade a isto, temos aqui a fashionista e mulher de leis Amal Clooney.

Uma vez que aqui o blog se chama Imperatriz Sissi e já tem uns anitos, quase dá para tratá-lo como uma mini organização com regras próprias. Um reino, um país, um império, precisam de leis - mesmo que se trate uma pequena nação virtual. Nunca elaborei os estatutos do Imperatrix, mas com tantos posts que andam para aqui, bem podia.

Ora, ao escrever o último texto sobre organização e arrumação, ocorreu-me criar o primeiro Decreto -Lei cá do sítio. Se calhar não fica bem feito porque Direito não é a minha especialidade, mas é o que temos (then again, tenho conhecido tantas advogadas com um parafuso solto, sem ofensa a todas as outras, que mais vale assim). Este primeiro Decreto -Lei, como outros que se seguirão, é útil cá para os meus botões, mas creio que poderá dar jeito em vossas casas também...



Decreto - Lei nº 1/2015, de 14 de Julho

Ministério do guarda roupa

O Decreto - Lei nº 1/2015, de 14 de Julho, que estabelece o regime aplicável à tralha inútil que qualquer apreciadora de moda acaba por acumular, visa criar normas para agilizar a limpeza e organização dos armários das leitoras e amigas do Imperatrix. Assim, considerando que a responsabilidade originária pela confusão é da falta de atenção das consumidoras, prevê-se que estas zelem sartorialmente pelo cumprimento do disposto neste diploma.

Artigo 1º

Objecto

O presente diploma procede à alteração do estado confuso dos armários, seja no quesito de roupas, sapatos, acessórios ou outras bugigangas.

Artigo 2º

Responsabilidade das proprietárias

De modo a cumprir-se o estabelecido no artigo anterior, é necessário que cada proprietária se responsabilize pelo conteúdo do seu closet, independentemente do seu tamanho ou condições mais ou menos ideais de arrumação, sem deitar a culpa aos saldos que estavam tão baratinhos, ao facto de ter engordado ou emagrecido, à ilusão "um dia ainda vou vestir isto", à falta de gavetas, cabides, varões ou a qualquer outro pretexto.

Artigo 3º

Cabe à pessoa responsável - eventualmente com a ajuda de um stylist ou outra entidade habilitada para o efeito - discernir, sem demora e de forma esclarecida, aquilo que utiliza e não utiliza, favorece e desfavorece, foi ou não um bom investimento, precisa de arranjo ou não tem utilidade, logo deve ser encaminhado para quem lhe possa dar uso.

Artigo 4º 

Norma complementar

Para efeitos do disposto no artigos 2º e 3º, a proprietária deve experimentar, uma por uma e sem se escusar com a preguiça ou a falta de tempo, rigorosamente todas as peças antes de tomar uma decisão, de modo a evitar guardar peças bonitas que afinal não cabem, estão grandes ou precisam de ajustes, limitando assim o número de artigos em pousio no armário. Esta norma aplica-se com maior rigor a tops, jeans, calças, saias, vestidos e calçado. Os acessórios deverão ser sujeitos a um exame rigoroso para determinar a sua qualidade, intemporalidade, utilidade e estado de conservação.

Artigo 5º 

Contraordenações e coimas

Constitui uma contraordenação grave qualquer falta ou atropelo aos passos anteriores,  com a aplicação de coimas que vão de ter o quarto constantemente desarrumado a não saber o que vestir pela manhã apesar de o armário rebentar pelas costuras, passando por não saber quantos tops pretos tem e sair à rua mal enjorcada porque não encontrava umas calças capazes ou com uns sapatos que afinal torturam os pés, etc.

Entrada em vigor e disposições finais

 1- O presente diploma anti farrapos entra em vigor imediatamente após a sua publicação.
 2 - É fortemente desaconselhado comprar mais coisas até ter cumprido o disposto nos artigos anteriores.

Ministério do Guarda- Roupa, 14 de Julho de 2015



Monday, July 13, 2015

Em defesa do direito a condenar o mau gosto


Ontem encontrei uma belíssima crónica, a levantar (ou ressuscitar) um ponto de vista inestimável e que vai ao encontro do que discutimos aqui há dias: o velho, quase extinto hábito de temer o mau gosto. Ou antes, de evitar certas coisas apenas por ser de mau gosto fazê-las, mostrá-las, dizê-las ou usá-las.

Vou explicar um bocadinho melhor, que o conceito é subtil e muito velho: antigamente, se muitas pessoas não se abstinham de proceder mal, de cometer excessos ou de magoar os outros por bondade, medo, integridade, amor à saúde, moral ou decência, abstinham-se porque fazer tais coisas era de mau gosto e podia ser danoso para a sua reputação.

 E as que não prescindiam dos seus pecadilhos...procuravam pelo menos prevaricar discretamente. Era o velho "ao menos estão salvas as aparências!" que poupava muitos desgostos, aborrecimentos e maus exemplos mas actualmente é descartado como hipocrisia.

 Noutros tempos, para que se fugisse de cometer certos actos, não era preciso serem ilegais ou simplesmente pouco éticos: bastava serem de mau gosto para se pensar duas vezes. A autora exemplifica mencionando o romance A idade da inocência, que se desenrola na boa sociedade nova iorquina de 1870, no seio da qual o bom gosto era um bem maior. 



 Os actos eram julgados mais severamente por serem reles do que pelas suas consequências.

Ora, nem a cronista nem eu defendemos que as aparências salvem tudo, ou que contem mais do que a verdadeira conduta. Quem bem prega mas cai em baixezas é um veneno, sobretudo para si próprio. 

 No entanto, não devemos desconsiderar o peso do mau gosto, nem de o apontar como razão válida para descartar o que for preciso.


Um acto pode não ser errado, ilegal ou criminoso, mas ser reles. Uma pessoa pode estar no seu direito de o cometer (o velho "não devo explicações a ninguém"), mas não deixa por isso de ser deselegante. Pode ser moral ou eticamente difícil de definir ( já que os costumes andam de tal maneira pelas ruas da amargura que há quem trate o certo e o errado como mera questão de opinião) mas inquestionavelmente chinfrim. Constituir, em suma, algo de feio e desagradável.



A fronteira do bom gosto, daquilo que ultrapassa o razoável e não choca os demais, é um bocadinho mais acessível do que a Lei, a Moral, a Ética ou a Obrigação porque fala directamente à consciência e à dignidade pessoal de cada um. 

Se por vezes se pensasse "o que é que fazer isto diz de mim? Será que estou a proceder com honra e dignidade, ou estarei a ser reles? Estarei a fazer uma coisa feia, deselegante, baixa?" evitavam-se muitos aborrecimentos e até questões graves...

 Por outro lado, não saiu nenhuma lei que impeça cada um de condenar em boa consciência o que é de mau gosto com base apenas nesse argumento, ou que obrigue à conivência com o vulgar...é uma liberdade como qualquer outra na época de todas as liberdades.


Domenico Dolce dixit: raízes profundas


‘’This is your DNA… every root is beautiful. To cancel the root is a big mistake. Ten years ago people thought globalisation was the most important thing… but your identity is more important. If you lose your identity, you lose your personality, you lose yourself.”

Numa belíssima entrevista a Suzy Menkes para a Vogue, a dupla de designers responsável por uma das minhas griffes preferidas falou do passado, do futuro e da Alta Sartoria - alfaiataria individualizada num atelier de ambiente "quase religioso", um regresso às origens que Domenico sonhava há anos.

Sinto por Dolce & Gabbana um respeito e afecto que acho quase tolice ter por uma marca. Por muito envolvimento emocional que gerem, marcas acabam por ser coisas. Mas Dolce & Gabbana é muito particular. Sendo uma Casa recente (1985) construiu e manteve uma mística, uma identidade, que muitas mais antigas têm vindo a perder. 

Talvez esta minha ligação emocional venha de partilhar com Domenico Dolce as raízes em Palermo e o facto de a marca ter desde o início orientado as suas criações à volta do imaginário siciliano - algo que manteve orgulhosamente mesmo quando os seus fatos de riscas foram classificados como "mafiosi!". Talvez seja por Domenico ter começado por ser um alfaiate -  poucas artes me merecem tanta admiração como a alfaiataria - e alimentar cuidadosamente essa noção italiana de "famiglia" que me é tão cara, contra ventos, marés e polémicas. Tradição, rigor, família, alfaiataria...tudo conceitos que me dizem muito.

 E não menos importante, porque Stefano e Domenico desenham para a mulher italiana, ou para a imagem perfeita da mulher italiana: com figura de ampulheta e lábios cheios, cabelos ao vento, vestidos de luto, véus, apaixonada e fatal. Sophia Loren, Monica Bellucci! Dizia Mario Puzo: na Sicília, as mulheres são mais perigosas do que as armas



Nunca tentaram conformar-se com arrivismos, modernices e androginias. 
Tão pouco com o politicamente correcto: sendo ambos gay, levantaram grande poeirada quando há dias defenderam em público o conceito de família tradicional

Sabemos o que esperar de Dolce & Gabbana. Riqueza de detalhes, perfeição no corte e invariavelmente, sheath dresses pretos que favorecem mulheres de todas as idades.

 Respeitei-os mais ainda quando reconheceram que a linha D&G era um disparate que os desprestigiava e se voltaram para o que sabiam fazer melhor. Eu acredito que nunca estamos bem quando nos afastamos do nosso centro, das nossas raízes.

Escrevi há dias que muitas Casas de moda - até Balmain, até Givenchy - tentam agora agradar a todos. Aos novos consumidores, aos jovens consumidores, às novas estrelas de social media. Pessoalmente não acredito que o luxo possa ser levado a sério se se desvirtuar constantemente, nem que uma marca possa manter o carácter se se afastar demasiado do seu posicionamento original, do ADN que lhe deu o carácter e o nome.

No fundo, as marcas não são tão diferentes das pessoas: se tentam agradar a todos, conformar-se com as visões do momento, perdem a individualidade. Na ânsia de brilhar temporariamente, de ir com as modas e as conveniências, tornam-se medíocres. Podemos não estar sempre em paz com as nossas raízes, mas elas falam-nos ao íntimo, ao instinto. Carregamo-las constantemente. Estão presentes em todos os nossos actos e pensamentos e não podemos fugir delas sem cair no artifício. O sucesso duradouro de Dolce & Gabbana parece provar que quando na dúvida, be true to yourself. É sempre a melhor receita.




Sunday, July 12, 2015

Príncipe Bertrand de Orleans e Bragança dixit: a causa de o mundo andar como anda.



"A crise no Brasil e no mundo é muito mais moral e religiosa do que outra coisa.

Não é só escola. Olha esse pessoal do lava jato, mensalão, dólar na cueca….

Todo esse pessoal é escolarizado. Tem formação universitária.

Não é questão de alfabetização. Sem se restaurar a moral, não há solução".



Encontrei por mero acaso esta entrevista ao Príncipe Imperial do Brasil, que se ocupa de várias questões preocupantes no País- irmão, e pensei para comigo que o Senhor D. Bertrand está certíssimo ao aplicar o termo "no Brasil e no mundo". Por cá, mais coisa menos coisa, passa-se sensivelmente o mesmo fenómeno.

Se há sabedoria e verdade na frase de Victor Hugo "quem abre uma escola fecha uma prisão", também é certo que essa ideia - aplicada com entusiasmo a cada viragem de regime -  tem sido a mãe de muitas ilusões: infelizmente, uma sociedade formalmente instruída não é necessariamente uma sociedade bem formada. Instrução sem verdadeira educação, sem civismo, sem o apelo à bondade, ao altruísmo e à boa consciência, sem cultivar os princípios da honra e da elegância interior, sem um fundo sólido de amor à dignidade (a própria e a dos outros) de pouco vale. 

A instrução, sozinha, fomentada superficialmente, poderá fomentar a ambição, o pretensiosismo, e com sorte, o espírito crítico. Pode despertar grandes mentes que se perderiam, mas também, nos casos piores, um sentimento de chico espertismo, de falsa sabedoria, de falsa segurança. Instrução não traz cultura como brinde. Nem boa educação. Diplomas têm o seu mérito... desde que não se limitem a ser vaidades inúteis.

 A igualdade de oportunidades é inquestionável - mas enganou-se quem pensava que, por si própria, ia resolver todos os males da sociedade, tornar as pessoas melhores.

 O povo português nunca foi tão instruído...e no entanto, as mais elementares regras de cortesia, postas em prática até pelas camadas mais humildes da população em tempos idos, perderam-se completamente, ou quase. Quando ando de autocarro e me levanto para dar o lugar a uma idosa, ninguém me secunda, ou muito raramente; mesmo que haja cinco avozinhas de pé e cinco adolescentes comodamente sentadas. E ainda ficam a olhar para mim com cara de espanto. 


Os casos de bullying que têm transpirado para os média, e indignado tanto as redes sociais, são perpetrados por adolescentes com um nível de ensino que a maioria dos seus avós nunca sonharia atingir. 

 Vejamos na área do entretenimento, que diz muito: pega-se numa revista feminina antiga, mesmo daquelas consideradas no seu tempo "revistas de sopeiras"...e os artigos eram difíceis! Eram sobre História, sobre ópera, sobre teatro, sobre romances de grandes autores. Conclusão? As criadas de servir de outras épocas, pouco instruídas, eram mais cultas do que muitas mulheres com formação universitária, que se arvoram em cultas mas dão erros de palmatória e não possuem conhecimentos a não ser na área em que trabalham...

Falemos de universitárias: é um desgosto (para mim então, que sou de Coimbra) ver a forma como se apresentam e se comportam, e não só na Queima das Fitas. Não há o menor brio em representar condignamente uma instituição antiga com tradição antiga. De berrar palavrões em público a transformar o traje em mini saia quando não vão para exames como quem vai para uma discoteca, fora o resto que se sabe, é deprimente. Se a instrução não corrige os mais elementares vícios de linguagem...por aqui me fico.

 E os políticos? Se a corrupção nos lançou numa crise terrível que não há meio de deixar Portugal em paz, se são tomadas decisões que ficam bem no retrato mas não consideram o bem estar das pessoas, não se pode, como antigamente, deitar as culpas a uma certa elite intelectual e social, já que há no Parlamento pessoas dos mais variados backgrounds, na sua esmagadora maioria com formação superior. A instrução não fez de muitos dos que têm andado nos jornais homens (e mulheres) de honra. Não lhes fomentou a honestidade nem a solidariedade, está visto.

 Então, o que falta? A instrução é insuficiente se não colmata as carências de civilidade, de bondade, de gentileza, de ética, de altruísmo, de saber estar. Dar conhecimentos - muitas vezes a martelo - sem despertar em quem os recebe uma sólida moral, uma base de honradez e de bons princípios, é pedir que esses conhecimentos sejam mal utilizados, que a inteligência se transforme num instrumento ao serviço do proveito próprio a qualquer preço, do vale tudo; que a cultura seja apenas um enfeite, por vezes falsificado. Instrução sem nobreza de princípios, sem capacidade de sacrifício ("poderei não subir tão alto, mas jamais farei algo que me envergonhe") sem um sentimento arreigado de pundonor e de genuína preocupação pelo bem comum, concorre para uma sociedade de atrevimento, de ganância, que fica bonita na estatística...mas dificilmente para uma sociedade justa e evoluída. Just my two cents here...


Príncipe Bertrand de Orleans e Bragança dixit: a causa de o mundo andar como anda.




"A crise no Brasil e no mundo é muito mais moral e religiosa do que outra coisa.

Não é só escola. Olha esse pessoal do lava jato, mensalão, dólar na cueca….

Todo esse pessoal é escolarizado. Tem formação universitária.

Não é questão de alfabetização. Sem se restaurar a moral, não há solução".


Encontrei por mero acaso esta entrevista ao Príncipe Imperial do Brasil, que se ocupa de várias questões preocupantes no País- irmão, e pensei para comigo que o Senhor D. Bertrand está certíssimo ao aplicar o termo "no Brasil e no mundo". Por cá, mais coisa menos coisa, passa-se sensivelmente o mesmo fenómeno.

Se há sabedoria e verdade na frase de Victor Hugo "quem abre uma escola fecha uma prisão", também é certo que essa ideia - aplicada com entusiasmo a cada viragem de regime -  tem sido a mãe de muitas ilusões: infelizmente, uma sociedade formalmente instruída não é necessariamente uma sociedade bem formada. Instrução sem verdadeira educação, sem civismo, sem o apelo à bondade, ao altruísmo e à boa consciência, sem cultivar os princípios da honra e da elegância interior, sem um fundo sólido de amor à dignidade (a própria e a dos outros) de pouco vale. 

A instrução, sozinha, fomentada superficialmente, poderá fomentar a ambição, o pretensiosismo, e com sorte, o espírito crítico. Pode despertar grandes mentes que se perderiam, mas também, nos casos piores, um sentimento de chico espertismo, de falsa sabedoria, de falsa segurança. Instrução não traz cultura como brinde. Nem boa educação. Diplomas têm o seu mérito... desde que não se limitem a ser vaidades inúteis.

 A igualdade de oportunidades é inquestionável - mas enganou-se quem pensava que, por si própria, ia resolver todos os males da sociedade, tornar as pessoas melhores.

 O povo português nunca foi tão instruído...e no entanto, as mais elementares regras de cortesia, postas em prática até pelas camadas mais humildes da população em tempos idos, perderam-se completamente, ou quase. Quando ando de autocarro e me levanto para dar o lugar a uma idosa, ninguém me secunda, ou muito raramente; mesmo que haja cinco avozinhas de pé e cinco adolescentes comodamente sentadas. E ainda ficam a olhar para mim com cara de espanto. 


Os casos de bullying que têm transpirado para os média, e indignado tanto as redes sociais, são perpetrados por adolescentes com um nível de ensino que a maioria dos seus avós nunca sonharia atingir. 

 Vejamos na área do entretenimento, que diz muito: pega-se numa revista feminina antiga, mesmo daquelas consideradas no seu tempo "revistas de sopeiras"...e os artigos eram difíceis! Eram sobre História, sobre ópera, sobre teatro, sobre romances de grandes autores. Conclusão? As criadas de servir de outras épocas, pouco instruídas, eram mais cultas do que muitas mulheres com formação universitária, que se arvoram em cultas mas dão erros de palmatória e não possuem conhecimentos a não ser na área em que trabalham...

Falemos de universitárias: é um desgosto (para mim então, que sou de Coimbra) ver a forma como se apresentam e se comportam, e não só na Queima das Fitas. Não há o menor brio em representar condignamente uma instituição antiga com tradição antiga. De berrar palavrões em público a transformar o traje em mini saia quando não vão para exames como quem vai para uma discoteca, fora o resto que se sabe, é deprimente. Se a instrução não corrige os mais elementares vícios de linguagem...por aqui me fico.

 E os políticos? Se a corrupção nos lançou numa crise terrível que não há meio de deixar Portugal em paz, se são tomadas decisões que ficam bem no retrato mas não consideram o bem estar das pessoas, não se pode, como antigamente, deitar as culpas a uma certa elite intelectual e social, já que há no Parlamento pessoas dos mais variados backgrounds, na sua esmagadora maioria com formação superior. A instrução não fez de muitos dos que têm andado nos jornais homens (e mulheres) de honra. Não lhes fomentou a honestidade nem a solidariedade, está visto.

 Então, o que falta? A instrução é insuficiente se não colmata as carências de civilidade, de bondade, de gentileza, de ética, de altruísmo, de saber estar. Dar conhecimentos - muitas vezes a martelo - sem despertar em quem os recebe uma sólida moral, uma base de honradez e de bons princípios, é pedir que esses conhecimentos sejam mal utilizados, que a inteligência se transforme num instrumento ao serviço do proveito próprio a qualquer preço, do vale tudo; que a cultura seja apenas um enfeite, por vezes falsificado. Instrução sem nobreza de princípios, sem capacidade de sacrifício ("poderei não subir tão alto, mas jamais farei algo que me envergonhe") sem um sentimento arreigado de pundonor e de genuína preocupação pelo bem comum, concorre para uma sociedade de atrevimento, de ganância, que fica bonita na estatística...mas dificilmente para uma sociedade justa e evoluída. Just my two cents here...






Dicas realmente boas para dar volume ao cabelo!


Os artigos sobre cabelos ou maquilhagem costumam ser um pouco repetitivos, mas de vez em quando lá aparece um que tem "aqueles conselhos que lemos uma vez e adoptamos para sempre". Quando encontro um assim gosto de partilhar convosco, acrescentando as minhas anotações.

É o caso deste na Vogue Brasil

O que eu não sabia: 

1 - Espuma de volume e spray de volume podem e devem ser usados juntos. Primeiro a espuma, das raízes para as pontas; depois o spray no mesmo sentido. 

Costumo utilizar um ou outro (dependendo das ferramentas de styling que quero empregar e do tipo de penteado que vou fazer) até para não sobrecarregar os fios com demasiados produtos. Mas pelos vistos têm funções diferentes: a espuma dá volume às raízes e o spray aumenta a densidade dos fios. É capaz de fazer sentido...(e ajudar a acabar de gastar alguns frascos que ficam na gaveta imenso tempo).

2- Os ions negativos do secador não devem ser usados na primeira secagem para tirar a humidade (ou seja, antes de começar a usar a escova) porque diminuem o frisado e os cabelitos "arrepiados" mas dão cabo do volume. Por isso, apertar o botão "ion" só durante o brushing...
 Nesta parte, quando o cabelo já está praticamente seco e só precisa de moldar, pode diminuir-se o calor (porque aparentemente, uma temperatura mais alta o tempo todo é melhor para alisar bem e depressa sem estragar, mas... achata o volume).


O que é sempre bom confirmar:

1- Quando há tempo, depois de moldar cada madeixa convém fixá-la num rolo grande (daqueles de velcro que se compram em qualquer bazar da esquina). Isso prolonga o volume.

Esta é uma dica que às vezes se esquece, mas resulta e faz uma ENORME diferença. Ao arrefecer, a cabeleira ganha a forma dos rolos em vez de se desmanchar enquanto uma pessoa se veste, maquilha etc.
 É preciso ver que no cabeleireiro - além de sermos penteadas por profissionais - estamos tão quietinhas que há tempo para o penteado assentar. Em casa, nem tanto. Mas com este gesto, mesmo que não tenha feito um brushing tão perfeito como isso, se esticar bem o cabelo contra o rolo, ele acaba por ganhar outro ar, sem danos (se quiser alguns caracóis naturais, use uns quantos rolos mais pequenos). O penteado fica muito mais polido, bem acabado...e o efeito dura mais. 

 Também gosto de empregar rolos quentes para isso (uso uns 4 ou 5 grandes se me quiser despachar e/ou se pretender apenas volume e enrolar as pontas, em vez de caracóis). Levantam as raízes, expandem o cabelo, não cansam tanto o braço e causam menos danos do que finalizar o brushing  com um ferro de enrolar (cada vez mais deixo esses para quando tenho muita pressa, para retoques ou para penteados específicos) .

2 - Para "refrescar" o volume ao longo do dia (e evitar a desagradável humidade nas raízes) convém virar a cabeça para baixo e aplicar laca ou um spray texturizador. Eu gosto sempre de trazer umas miniaturas, à venda na Clarel.



Outras dicas: 

- Ripar o cabelo nunca desilude (e é excelente para apanhados) mas em vez de pente, gosto de usar a escova apropriada para o efeito, à venda na Primark, que tem também uma ponta fantástica para dividir o risco e as madeixas 
(encontra-se também na Claire´s, mas é mais cara e rigorosamente igual). 

- Agora há ferros específicos para criar volume nas raízes, em vez de ripar...mas sinceramente, acho que mais vale usar a placa de "tostas" no mesmo sítio, em vez de comprar *outra* engenhoca. No entanto, parece-me desaconselhável abusar de tanto calor junto ao couro cabeludo. Algum cabeleireiro que me esclareça.

- Se não tiverem rolos de velcro à mão mas quiserem o efeito de rolos grandes nas raízes, experimentem este truque engraçado:


E pronto, v-va vooom. 

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