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Saturday, July 25, 2015

Harry Styles dixit: atiradiças, no thanks.


Harry Styles tem 21 anos. É, creio, o membro mais popular da boysband mais popular do planeta. Namorou com Taylor Swift e tem milhares de fãs histéricas aos gritos. As groupies não o largam. Ao que parece, agora namora com a nossa Sara Sampaio que - apesar de ter aborrecimentos com as tais groupies e fãs histéricas aos gritos - é uma rapariga de sorte (já lá vamos). 

E no entanto, com este perfil (muito novinho, bonitinho, delicado, cobiçado e famoso) que poderia fazer dele um estouvado, um pateta alegre...o rapaz dá lições a homens e mulheres sobre um comportamento adequado.

Quando um cantor pop para adolescentes nos transmite esperança no futuro da sociedade, então podemos ficar todos descansados!

É que o menino Harry - apesar de se identificar como feminista, o que costuma dar mau resultado - não gosta dos comportamentos femininos que normalmente dão um jeitaço aos rapazes que assim se auto proclamam.

 Ou seja, Harry Styles (talvez por estar cansado de mulheres que se atiram aos pés dele) não gosta de raparigas que lhe fazem marcação cerrada, tomam a iniciativa e põem o carro à frente do resto. Prefere as mulheres mais subtis e misteriosas, que se fazem desejar e se deixam cortejar.

"Quero uma rapariga que tenha respeito por ela própria. Se ela tem padrões elevados e eu encaixo neles, fico honrado com isso. Se ela for fácil, o que é que isso diz a meu respeito?".

Ora aí está: "padrões elevados", ao contrário do que alguns conquistadores baratos possam pensar,  não significa tanto ser exigente com o estatuto/beleza/sucesso de um potencial namorado, mas garantir que ele dá provas de ter boas intenções, de ser um cavalheiro...de ser selectivo e de merecer ser amado.

Se um homem é tão pueril, modernaço ou cheio de si que está à espera que uma mulher faça o papel que lhe compete a ele, se gosta que lhe façam a corte ...então qualquer uma lhe serve. E nenhuma rapariga com respeito próprio gosta disso.

 Quanto a eles, não há muitos actualmente que tenham a consciência de Harry Styles. 



Há poucos homens que sejam capazes deste raciocínio simples: se uma mulher perde toda a reserva natural e a noção do apropriado, não é porque eles a tenham feito perder a cabeça; é porque há algo de errado com ela.

Se ela se atira antes que ele o faça sequer, se lá por ele ser cortês julga "já arranjei namoro!"e chama a família e os amigos para dar força ao arranjinho, se o enche de mensagens, de convites ( ou se aceita todos os convites antes que ele acabe de os pronunciar, ou está sempre por perto) de "likes" a cada porcariazinha que ele publica nos social media, se diz que sim a tudo e não tem pudor algum nem prudência, se lhe dão um dedo e quer logo o braço, se  não pensa "se calhar parece mal fazer dar tanto nas vistas" enfim, se é uma facilitadora de marca maior...não lhe está a fazer um elogio

Essas raparigas não se comportam assim porque ele é tão belo, tão especial e houve ali uma química instantânea. Agem deste modo como fariam com qualquer outro. Porque toda a vida agiram de forma desesperada com tudo o que use calças, e/ou porque são infantis, carentes (vulgo chatas e umas lapas em potencial) interesseiras e/ou de costumes leves. E nenhum homem que se respeite quer relacionar-se a sério com uma mulher deste estilo. 

Sara Sampaio, a ser verdade... estime-o que este é dos bons e já não se fabricam muitos assim.









Friday, July 24, 2015

Dúvida de Sexta-feira à noite


Não é daquelas de tirar o sono nem nada, mas ocorreu-me. Que se diga "ó Abreu, dá cá o meu", "falai no Mendes, à porta o tendes" ou "é uma alegria em casa da tia Maria" ainda percebo, porque rima.

 Mas quando se diz "cava, Filipe" (para aconselhar alguém a fugir, ou descrever como se fugiu de um perigo ou susto) "vai-te Afonso" (como quem diz "livra!" ou " desampara-me a loja")  "andor, Violeta" (idem, ou "já vais tarde")  ou "julgas que isto é a casa da Joana?" (perante um comportamento descarado e abusador)...porque terão escolhido estes nomes e não outros? 

E quando alguém tem por hábito não fechar as portas atrás de si, e se usa o estribilho "pensas que isto é a casa da Maria Honrada?"... quem seria essa senhora? Não sei, mas cheira-me a coisa desonesta, porque uma pessoa honrada não deixa todo o mundo dar fé da sua vida nem qualquer um entrar portas adentro. A não ser que a Maria Honrada fosse holandesa: uma coisa que estranhei nos holandeses foi o facto de terem tantas casas sem cortinas, e vim a saber mais tarde que era costume protestante. Pretendiam com isso mostrar que eram gente simples, sem luxos a ostentar nem pecados a esconder...

Se alguém souber, agradecida.


Se parassem de efeminar os homens, isso é que era de valor.


Por estes dias li, a propósito de uma das notícias abaixo, um comentário de um leitor que, tendo o seu quê de teoria da conspiração e  (esperemos, senão estamos bem arranjados) pouca base científica, não deixava de fazer sentido:

"Isto só pode ser da poluição, que anda a baixar os níveis de testosterona!" .

Repito, antes não seja porque se for apenas uma questão cultural está na mão de cada um resolvê-la...

Porém, aquilo que se absorve todos os dias, sem pensar, pelos meios de comunicação acaba por ser quase tão nocivo como aquilo que se respira sem dar conta. É um exemplo aqui, uma ideia subtil ali, um disparate noticiado como sendo muito louvável e dali a nada, acha-se normalíssimo fazer do preto o branco, do bem o mal, do dia a noite.

Perante as agressões da Rússia à Ucrânia e a ameaça que isso representa para a Lituânia, o país quis agir no sentido de proteger-se, reimplementando o serviço militar obrigatório. Mais de 37 mil homens foram chamados: 2 terços eram voluntários, os restantes foram sorteados (como aconteceu em várias épocas e cenários) e forçados a apresentar-se. O projecto foi ironicamente chamado "lotaria" e se é um sistema algo injusto, não é pelo menos novidade...



Muitos jovens ficaram contrariados com isto (como sucedeu desde a noite da civilização a tantos rapazes sem vocação para soldados, ou que desconheciam a sua vocação até experimentar). Uns com razões válidas (são casados ou terão de abandonar um negócio enquanto cumprem o serviço militar) outros nem por isso. Até aqui, nada de anormal, principalmente numa época em que as pessoas esqueceram que ter uma pátria e os seus benefícios às vezes vem com deveres. Também ninguém fica muito contente de ir à escola, a maioria esperneia no primeiro ano mas depois, que remédio. "Ir à tropa" é que já se tornou menos habitual porque graças a Deus a paz deixou de estar constantemente ameaçada, mas nunca se pode dar isso por garantido...

 A polémica estalou quando duas mulheres, uma fotógrafa e uma celebridade de televisão, decidiram protestar nas redes sociais com um projecto a puxar *literalmente* à lágrima chamado "Eles ganharam a lotaria" que mostra os rapagões (de piercings, tatuagens- que costumavam ser coisa de soldado - e barba rija) a fazer beicinho e a chorar, com o objectivo de (já cá faltava) "demonstrar quão perigosa pode ser a expectativa associada ao género". 



Sabem, na mesma linha de pensamento que anda a tentar abolir as casas de banho separadas para homens e mulheres ou mesmo a designação masculina e feminina (vide Suécia).  Para certas agendas políticas, os mais simples e inatos comportamentos típicos de homem e mulher (eg: brincar com carrinhos ou preferir cor de rosa) são um grande mal para a Humanidade e fomentam a desigualdade entre os sexos. 

Claro que não lhes deu para protestar contra a desigualdade de as mulheres não serem mobilizadas para as forças armadas (como fazem em Israel e noutros sítios). Nessa igualdade já não dá jeito falar, claro...

Continuemos. Dizem elas, com a lamuria do costume: "é esperado de um homem que seja racional, não emocional e agressivo. É muito importante que nós, como sociedade, ensinemos os homens a expressar as suas emoções e não a forçá-los a cumprir o papel estereotipado que lhes é incutido."

Ou seja, cá temos o velho problema: querem criar rapazinhos fracos, cobardolas, mimados, sem iniciativa, incapazes de um acto varonil ou de verdadeiro cavalheirismo, autênticos homens beta muito liberais, muito fofinhos, uns ratinhos. E depois, quando os "feministos" de serviço se tornam piores do que os machistas, lamentam "já não há homens!" e vão apaixonar-se por maus rapazes, porque os que são umas pestes sempre parecem mais masculinos. Ou ler as 50 Sombras ou outra porcaria assim, porque sonham com um homem assertivo que para variar, faça alguma coisa. 





O governo não gostou, as autoras foram chamadas "traidoras à pátria" na televisão nacional e a opinião pública chamou aos rapazes envolvidos "pouco másculos e cobardes"; por cá, foi interessante ver os comentários à notícia nas redes sociais.

Mind you, coragem não é ausência de medo; medo de ir à guerra não é cobardia. Chorar quando é preciso não é pouco masculino. Mas fazer birra em público, choramingar em público e fugir às responsabilidades, sim.

A vida militar ainda é um dos últimos redutos onde se cultiva um comportamento másculo, além de se aprender honra, método e disciplina. Em princípio, ninguém gosta da guerra, mas um país precisa de defesa e caso um conflito bata à porta, não é atirando com tofu ao inimigo ou convidando-o a fazer uma tatuagem enquanto se bebem sumos detox que o problema se resolve (antes fosse!).

 É preciso combater a ideia de que um homem, para respeitar e ajudar as mulheres, tem de se tornar numa delas ou ser como elas. Não é preciso ser uma florzinha delicada para ter integridade, muito menos hombridade; assim como é disparatado achar que uma mulher, para provar que é capaz de se bastar a si mesma e de assumir responsabilidades, tem de ser agressiva e masculina.  

Acima de tudo - e vamos falar agora de romance - isso é totalmente anti sexy. Um verdadeiro turn off, por muito que se pregue por aí o contrário. Uma mulher quer alguém que, quanto mais não seja simbolicamente, possa protegê-la e impor uma sensação de segurança. Não um menino sensível e cheio de fanicos, como já se discutiu por aqui ad nauseam

E por falar em nauseam... este rapazinho nos EUA tornou-se um herói do Instagram ao apelar ( digo eu, cheio de segundas intenções) a um verdadeiro disparate: incentivar os rapazes a trazer consigo produtos de higiene feminina, não vá alguma condiscípula ser surpreendida "naqueles dias" e não ter consigo um OB ou um Evax. Pretende com isso combater o "tabu" e o preconceito em relação ao ciclo feminino. Vejam o anjinho; desmaiem de emoção, que chegou o cavaleiro andante. 

Para começar, o "cavalheiro" tem cá uns modos que fechá-lo na caserna seis meses, a ver se aprendia, ainda era pouco. Mas adiante: em teoria, a ideia não é má; se é tão bom samaritano e aluno interventivo, se as suas amigas da escola são distraídas ou pouco solidárias e não costumam trazer consigo o que lhes faz falta, não havia problema em criar um projecto para obrigar a escola a ter umas máquinas de vending nas casas de banho, ou a manter esses produtos acessíveis em caso de emergência. Também se combatia o "tabu" e ensinava-se os miúdos a não fazer troça de uma coisa perfeitamente natural, mas íntima.




Agora, ir para o Instragram declarar que se tornou o Amadis de Gaula dos Modess...isso é simultaneamente desagradável, invasivo (que rapariga quer pedir isso a um rapaz?) attention whoring (que a mão direita não saiba o tampax que a esquerda deu!) sinistro, efeminado e patético.

Ou seja, quanto querem apostar que o rapaz levou demasiado a sério isso do #heforshe e achou que, sendo muito compreensivo e sensível (e sobretudo, famoso) teria mais sorte com as raparigas? É o velho caso do falso amigo que só se quer aproveitar, mas em grande escala. 

Pior ainda, falta-lhe a compreensão do essencial e se calhar andou a expor-se para nada: as raparigas até podem achar graça a rapazes assim, ultra sensíveis, que fazem de ombro...mas para amigos. Não precisam de outra rapariga; já têm amigas que chegue para discutir essas coisas.

 A maioria mais facilmente acha graça ao fanfarrão que leva Modesses para a escola, mas para os atirar pela sala de aula fora ou colar na mochila uns dos outros (uns rapazes da minha turma uma vez andaram nisso um dia inteiro) do que ao choné que está muito em contacto com o seu lado feminino e para ali anda transformado em despenseiro. É claro que um homem a sério acudirá em qualquer emergência, até vai a correr comprar o que for preciso, mas não pensa 24 horas por dia nessas coisas.

Tem assuntos de homem para se ocupar. 

Agora reparem: com tantos exemplos destes, não é caso para ter medo? Eu tremo de ver isto, e só espero que não seja mesmo da poluição...




  




Thursday, July 23, 2015

Duas Vénus dos anos 50


A década de 1950 representa, em termos de padrões de beleza, o supra-sumo da feminilidade. Enalteceu a figura feminina que une mais consenso entre homens e mulheres, por um apelo cultural e biológico

E também a mais intemporal: busto e ancas definidos, ombros bem modelados e uma cintura estreita representaram o ideal em muitas épocas e culturas diferentes, talvez por serem simultaneamente o mais próximo do natural e uma hipérbole da silhueta da mulher.

São os famosos "três S":  a tradicional curva da beleza, a curva serpentina do mistério que provoca um efeito devastador quando uma mulher caminha. Ou o velho ditado vitoriano: "a cintura de uma mulher deve ser tão fina que caiba nas mãos do homem que ela ama".

Muitas it girls encarnaram, na época do New Look, esta imagem romântica , de lendas como Brigitte Bardot, Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe, passando por celebridades do tempo como Bettie Paige e Mamie Van Doren, sem esquecer as manequins de alta costura como Dovima e Suzie Parker

Porém, eram as pin ups que o representavam de forma mais detalhada, mais tangível: e algumas eram mesmo conhecidas não só pela beleza como um todo, não só pela figura de ampulheta da moda, mas por este ou aquele atributo: era o caso de Betty Brosmer, "a rapariga com a cintura impossível"...


 ...e Vikki Dougan, conhecida como "the back" cujas costas e derrièrre eram tão perfeitos que viriam a inspirar, nos anos 80, a curvilínea Jessica Rabbit.


Vikki desapareceu do olhar público com um rastozinho de escândalo; Betty continua lindíssima e como sempre foi uma mulher de negócios, co-fundou uma bem sucedida e pioneira revista feminina de fitness (a sua cintura era atribuída não só a genética e exercício, mas a uma grande habilidade no corset training). De qualquer modo, ficou o ideal. A curva em S que nunca passará de moda...







As coisas que eu ouço: as "escandalosas" e a Procissão





Esta história é bastante caricata, própria de uma novela baseada em Jorge Amado, mas não foi fruto da minha imaginação; foi presenciada por pessoas de família (que eram pequenas na altura) em 1960 e bolinha, na Beira Alta. 

 Sempre gostei de ouvir esses episódios em casa (já aqui vos falei brevemente da Sra. Molelas, a velha criada) porque as cidades e vilas dessa zona tinham, na época, um estilo de vida próspero  e algo particular. A pequena "boa sociedade" local era muito unida e bastante cosmopolita. As pessoas viajavam e  faziam a maior parte das compras em Espanha; as mulheres "embonecavam-se", usavam o cabelo em "colmeia" e algumas atreviam-se já a uma discreta mini saia.

 O que não se comprava fora, era fornecido em grandes bazares ou comércio especializado. Depois, quase todas as famílias tinham a sua própria produção de iguarias: legumes frescos, ovos, enchidos, as boas conservas da região, queijos e presuntos enchiam as despensas e eram partilhados entre os vizinhos. Pobreza e desigualdade havia, como sempre houve e haverá, mas sendo uma zona fértil, não se tornava tão aflitiva como noutros sítios. O que mais angustiava ricos e pobres eram ver os jovens que partiam para o Ultramar e voltavam numa caixa, cenário bastante frequente.


 Em suma, quem vinha de visita das grandes cidades do litoral ou do estrangeiro ficava surpreendido com o bem estar e mente aberta da "província". 

Mas as velhas tradições também se mantinham de pedra e cal. As freiras tinham uma parte importante na educação dos meninos e meninas e o pároco local, já idoso e muito bonzinho, era adorado pelas crianças, para quem tinha uma paciência de Job, menos quando lhes metia um medo de morte com o Inferno (o que até resultava para incrementar a disciplina) ou pior, quando prolongava a sua homilia horas a fio (ou o que parecia horas a fio) nas manhãs em que a neve chegava aos tornozelos...

Como a Igreja estava a deitar por fora e nesse tempo os mais novos davam o lugar aos adultos sem fazer perguntas, a pequenada ficava de pé, vergando sob o peso dos casacões de Inverno, a gelar e a dormitar, suspirando pelo "Ite, Missa est!". E os adultos, embora todos fossem cumpridores senão parecia mal, nem todos eram muito piedosos ou tinham espírito de sacrifício para os longuíssimos sermões: começou então a circular um estribilho algo blasfemo à saída da Igreja, dito à laia de desabafo enquanto se batiam os pés dormentes: dominus "vobisco", o teu pai é um corisco, etc (o resto da rima não me chegou, mas era maior...).



No entanto, as irreverências ficavam-se por aí... 

Mas os costumes estavam a mudar, não necessariamente (ou pelo menos, não totalmente)  para melhor. Num certo Verão, vieram de férias umas raparigas, filhas de filhos da terra, que viviam em França. O "povo" (que alguns de vós saberão, significa "aldeia" ou "povoação" para essas bandas) estava sossegado como sempre, e preparou-se uma linda procissão. Chegou o dia e estava tudo arranjadinho e ordeiro que dava gosto ver: colchas nas varandas, alecrim pelo chão, a banda a tocar, os andores enfeitados com esmero,  as pessoas mais ilustres do lugar, as senhoras muito aprumadas com elegantes véus e as santas Irmãs, ladeando os meninos da Catequese muito bem enfileirados.

Sai a Procissão, que percorria a aldeia toda...e eis que as doidivanas decidiram exercer o direito de fazer topless em sua casa, conforme os hábitos que traziam de Paris ou lá de onde era. Ninguém teria nada com as suas modernices, nem mesmo naquele tempo, se não tivessem escolhido a hora e optado pelo pátio da frente em vez do jardim das traseiras no firme propósito de trazer um pouco de St. Tropez à serra, de arreliar o pároco e escandalizar o povo - escandalizar no sentido Bíblico do termo!



 Assim, quando o piedoso cortejo passou à porta de sua casa, lá estavam as Brigitte Bardot do vilarejo nesses preparos, estendidas a apanhar sol com o maior ar de desafio. Depois levantaram-se e puseram-se aos risinhos e pulinhos, a pôr bronzeador, etc, como quem diz "não sabem o que estão a perder, seus anjinhos!". 

Medo da danação não deviam ter; os pais não deviam ser gente de as castigar; e ninguém ia parar para ralhar com elas, pois então!

De modo que a banda apressou o compasso, a assistência acertou o passo, o sacerdote não sei o que pensou mas imagino e continuou como estava, as senhoras olharam com reprovação, os homens olharam para o chão e as freiras...coitadas,  trataram de tapar a vista aos pequenos o mais discretamente que podiam. As escandalosas, essas lá ficaram, contentes com a sua mefistofélica partida que ficou nas crónicas da terra...

Muito gostava eu de as entrevistar  hoje, para ver se continuam a pensar da mesma maneira. O mais certo é jurarem que nunca fizeram tal coisa e serem umas senhoras do mais convencional que há, como costuma acontecer aos piores rebeldes assim que a vida lhes prega das suas...





Wednesday, July 22, 2015

Aquelas peças "que não têm jeito nenhum"...mas para nós têm, oras.


por aqui se falou várias vezes naquelas peças que não resistimos a comprar cada vez que aparecem à venda... porque nos ficam bem, são úteis, combinam com o resto do "enxoval" e nem sempre estão disponíveis nas lojas. Isto é muito saudável, desde que se saiba lidar estrategicamente com a táctica.

Mas dentro dessas, há uma categoria ainda mais especial de corrida: AQUELE vestido preto (de todos os vestidos pretos que temos) AQUELES sapatos (entre uma data de pares com o mesmo modelo) AQUELE casaco...percebem a ideia. Já nos acompanharam em milhares de situações sem desiludir e continuam bons como novos, que até parece bruxedo. Assentam sempre na perfeição e nunca causam desconforto.

Temos umas quantas coisas do mesmo género, mas em caso de emergência, viagem, perante uma situação em que precisamos de nos sentir seguras e confiantes, ou face ao dilema "o que é que eu levo?"...zás, lá vamos nós buscar o ai-Jesus. O mais disparatado é que entretanto até se compraram outras versões do mesmo, em alguns casos mais luxuosas e mais caras...mas não é bem a mesma coisa.

Cá em casa até arranjámos um petit nom parvo para essas peças sem nada de especial, mas indispensáveis: o "kido" (querido) casaquinho, as "kidas" sandalinhas, a "kida" carteirinha...percebem a ideia. "Oh não, lá vai ela outra vez com as kidas calcinhas"; "alguém viu os meus kidos botinzinhos?", "por favor, há que dar algum descanso ao kido vestidinho"...etc.

Isto acontece, creio, mesmo a quem não costuma repetir toilettes. Embora eu tenha um ou dois "uniformes" ou silhuetas de eleição, raramente os componho exactamente com as mesmas peças. 



 E no entanto, lá anda o kido vestidinho (um sheath dress preto que a Zara fez duas estações e não repetiu; juro que um dia mando fazer uns dez iguais, em várias cores e tecidos, porque se se estraga vou ficar muito infeliz!) as kidas botinhas matadoras (Casadei, para os dias em que é preciso sacar das big guns) as kidas calcinhas (uma edição especial da Mango estilo amazona que me assentam como nenhumas outras num tecido fabuloso, logo a Mango que nem costuma ser grande coisa em calças!) a kida clutchzinha (uma chain bag Pierre Cardin, vintage); os kidos botinzinhos e os kidos slingbackzinhos (Zara, os dois) a kida saiazinha de Verão (uma Dolce & Gabbana em sarja azul escura). 

Houve ainda um top que até ganhou nome próprio: a camisola maravilhástica. Eu e a minha prima comprámos uma cada, na Bershka. A dela lá se estragou, a minha ainda ali anda mais para memória futura do que outra coisa, mas que ficava fabulosa, isso ficava. Era um simples top preto de manga a 3/4 com um decote em V de ombro a ombro. 

E não esqueçamos uma túnica preta dos anos 70 que a mãe usou, eu usei...um dia não demos com ela. A avó, farta de tal velharia e depois de muito ameaçar, cheia de razão, atirou-a para a lareira. Calou-se bem caladinha e deixou-nos andar à procura dela  para cima e para baixo. Só mais tarde soubemos o destino da valente veterana, de quem nem nos pudemos despedir... 

E o mais sem jeito nenhum: no meio de um número disparatado de camisas de várias cores e feitios (pois acho que nenhum top substitui uma camisa; uso-as de mil maneiras diferentes e só me livro delas se encolherem ou mancharem) há duas ou três da mesma loja, sem marca conhecida, branco sujo, de um algodão acetinado normalíssimo e com leves riscas, com manga a 3/4...que me dão com quase tudo. Anónimas mas altaneiras e sempre impecáveis, não mancham, não borbotam, não encolhem, não enrugam, fazem sempre boa cara e combinam com todos os coordenados em que precise de uma camisa por dentro ou atada à cintura. Tenho-as há tanto tempo que não sei de onde vieram e sobreviveram a todas as triagens camiseiras...vá-se entender!

 Não há nada de mal nisto, pois lá diz o ditado:



Só é preciso sensatez para reconhecer quando realmente uma peça já está tão fanada que não cumpre mais a sua função. Nessa altura há que substitui-la por uma nova versão (ou mais), deitar fora a original e recordá-la como ela. O mais certo é ter sido tão retratada em diferentes momentos que jamais será esquecida. Ando a tentar convencer uma amiga a dar a paz eterna a dois pares iguais de kidas sandalinhas que - apesar de ela ter comprado uma dezena de sandálias parecidas e melhores entretanto, e de o sapateiro ter dito que nem pensar, não se mete a arranjar tal coisa outra vez, não vale a pena - ela não consegue deitar fora. Freud que explique?

Os heróis de 20 de Julho



Conde von Stauffenberg, General von Tresckow e Conde von Heinrich von Lehndorff-Steinort

Esta semana assinalou-se uma efeméride importante: o atentado para assassinar Hitler a 20 de Julho de 1944, culminar da conspiração falhada que passou à História como Operação Valquíria e visava acabar com a Guerra, derrubar o regime Nazi e fazer a paz com os Aliados .

Curiosamente, não vi nada por aí a lembrar a data, o que pode significar uma de duas coisas: ou a sociedade recorda mais os vencedores do que a coragem e nobreza que é precisa para abrir o caminho para a vitória, ou estas ideias ancestrais andam com baixa cotação...


 De qualquer modo, o que é que três oficiais mortos na Alemanha nazi há  71 anos importam para a nossa vida? 


Importa o exemplo. A II Guerra Mundial, se trouxe à superfície o pior do ser humano, terá sido igualmente um dos últimos cenários em que um grande número de pessoas agiu com verdadeiro heroísmo.  Ou porque a cultura do "eu, eu, eu" ainda vinha longe, ou porque (dirão alguns) face à barbárie não houve outro remédio. Não podemos prever como os homens e mulheres de hoje reagiriam a circunstâncias semelhantes -espero que nunca sejamos obrigados a descobrir - mas as prioridades e valores mudaram tanto que creio que gente deste quilate é muito rara. Apetece afirmar "já não se fazem homens assim!".



Busto de Stauffenberg (Museu da Resistência, Berlim)

 A conspiração foi encabeçada pelo Conde Claus Von Stauffenberg (reputado Coronel das Forças Armadas Alemãs e  pai de cinco filhos), ajudado pelo pai da célebre modelo Veruschka, o Conde Heinrich von Lehndorff-Steinort e pelo General Henning von Tresckow, nobre prussiano responsável pela Resistência Alemã e por delinear o plano, entre outros importantes oficiais.

Os três vinham de famílias da nobreza tradicional alemã; eram casados, profundamente patriotas e  Católicos; logo, como bons militares, inicialmente tinham-se deixado seduzir por tudo o que representasse uma Alemanha gloriosa. No entanto, a crueldade contra os judeus, o massacre gratuito de outros inúmeros inocentes e algumas más e descontroladas decisões estratégicas de Hitler causaram a revolta. 
Von Tresckow teria afirmado, em 1943 "não sei como é que pessoas que se proclamam Cristãs podem apoiar um tal regime".  

Lehndorff-Steinort e  Stauffenberg com os filhos

Stauffenberg, apesar de nos primeiros tempos admirar o poderio marcial de Hitler, sentia-se repugnado pela maior parte das suas ideologias e nunca se tornara membro do Partido Nazi; de resto, o tratamento dos judeus ofendia a sua consciência Católica. Durante a invasão da União Soviética, assistiu a crimes tão horrendos que decidiu juntar-se à Resistência (Widerstandque operava dentro das Forças Armadas- a única organização capaz de fazer frente às SD, Gestapo e SS. E foi já como resistente que se tornou um herói de guerra, tendo perdido um olho, a mão direita e vários dedos da esquerda na campanha do Afrika Korps.

 Também Lehndorff-Steinort foi convencido a resistir por  von Tresckow durante a Operação Barbarossa em 1941 - tarefa fácil depois de testemunhar o massacre da população judaica na Bielorrússia.





Todos sabiam que arriscavam muitíssimo, pois Alta Traição era punida com a morte: Claus Von Stauffenberg disse à família "se eu conseguir, cometerei Alta Traição, se não conseguir estou a trair a minha consciência" e comentou com um jovem conspirador, o Barão von dem Bussche, "estou a cometer Alta Traição com todos os meios ao meu dispor...de acordo com a lei natural, para defender a vida de milhões ".


 Depois de um plano falhado, o Conde von Stauffenberg decidiu matar Hitler pessoalmente. Como o resto do grupo, estava ciente de que as possibilidades de sucesso eram muito remotas e que o mais certo era a tentativa custar-lhes a vida. Mas o General von Tresckow animou-o: "mesmo que falhemos, temos de agir. É a única forma de mostrar ao mundo que a Alemanha e o nazismo não são uma e a mesma coisa".

 Após várias tentativas abortadas de atacar Hitler, Himmler e Göring no mesmo local, o atentado foi levado a cabo na Toca do Lobo, o primeiro quartel - general de Hitler na Frente Oriental. Porém, houve dificuldades para armar e colocar as duas bombas planeadas (montadas como bombas britânicas, para desviar as atenções) tanto por causa das limitações físicas de von Stauffenberg, como por questões de localização (houve mudanças de planos no local das reuniões e pessoas a entrar e a sair, que obrigaram a agir apressadamente).  A segunda bomba, escondida numa pasta sob uma mesa de carvalho, foi movida, sem querer, pelo Coronel Heinz Brandt, que não sabia do que se tratava e assim salvou a vida de Hitler...



A "Toca do Lobo" depois do atentado

Quando se deu a explosão, o Conde - que conseguiu escapar - julgou que ninguém tinha sobrevivido. Mas cedo Goebbels e logo a seguir, o próprio Hitler, anunciaram na rádio que, apesar de haver vários mortos e feridos, o golpe tinha falhado. Os conspiradores sabiam que tudo estava perdido para eles: no covil destruído, o führer pôs-se a gritar "eu sou imortal" e a planear a sua vingança.


O Conde von Stauffenberg com a sua mulher, Nina;
 com o pai e irmãos (os gémeos Berthold e Alexander); junto dos filhos, a recuperar dos ferimentos de batalha.

Stauffenberg, de 36 anos, foi fuzilado a 21 de Julho com outros companheiros e, apesar de enterrado com as suas medalhas e todas as honras militares, Hitler ordenou mais tarde que fosse exumado e cremado. Toda a família foi cruelmente perseguida: a esposa, grávida, foi presa e os filhos internados em orfanatos sob outro nome, mas o seu irmão mais velho, Berthold, de 39 anos e também envolvido, teve pior sorte: seria lentamente garrotado em Agosto desse ano (Hitler fez questão de mandar filmar a horrenda execução, para a apreciar nas horas vagas).

O Conde von Lehndorff-Steinort foi enforcado a 4 de Setembro, com apenas 35 anos de idade. A sua mulher e quatro filhas tiveram os bens confiscados e passaram o resto da guerra em campos de trabalho. Também o famoso Marechal-de-Campo Rommel, a Raposa do Deserto, foi implicado. Devido à sua popularidade como herói de guerra, Hitler quis conservar-lhe a  reputação intacta e deu-lhe a hipótese de se suicidar discretamente, aparentando morte por causas naturais. Rommel aceitou, para salvar a sua família.  Ao todo, cerca de 5000 pessoas foram presas e 200 executadas. 

Henning von Tresckow e a mulher, Erika,
 que participou na conspiração
 Quanto ao General von Tresckow, era um homem que nunca tivera medo de morrer. Durante I Guerra Mundial,  os seus superiores tinham dito profeticamente, espantados ante as suas façanhas como um dos mais jovens e brilhantes oficiais: você, Tresckow, há-de ser Chefe de Estado-Maior, ou morrer no cadafalso como rebelde! Contava também com o total apoio da família: a própria mulher era filha de militares e ajudou-o (junto da secretária, a Condessa Margarete von Oven) a dactilografar cartas com ordens incriminatórias, que depois da guerra comprovaram o seu papel central na conspiração.

 Suicidou-se a 21 de Julho, deixando as palavras: " O mundo condena-nos agora, mas sei que fizemos o que estava certo. Hitler é o arqui-inimigo não só da Alemanha, mas do mundo. Dentro de horas, estarei perante Deus a contar-lhe o que fiz; Ele prometeu que pouparia Sodoma se houvesse dez justos na cidade, por isso espero que não destrua a Alemanha. Nenhum de nós pode queixar-se de morrer, pois quem se juntasse a nós sabia que vestia a túnica de Nessus...a moral de um homem só vale quando ele está disposto a dar a vida por essas convicções". 


Tom Cruise como Stauffenberg no filme Operação Valquíria (2008)

  Há dias falávamos de como sem bússula moral, um povo fica sujeito a todos os males. E os conspiradores da Operação Valquíria sabiam disso: fossem  bem sucedidos, não só teriam salvo incontáveis vidas como poupariam à sua pátria uma derrota militar humilhante, com uma saída honrosa do conflito. Onde não há ética nem nobreza de princípios, não pode nascer nada de bom. S. João Crisóstomo disse "não é possível que a paz subsista se a virtude não prosperar". Às vezes é preciso que a virtude prospere mesmo nos terrenos mais acidentados, quando ninguém vê mal nos piores males.





Tuesday, July 21, 2015

As coisas que eu ouço: ah noiva valente!



Esta história passou-se numa certa paróquia há mais de 70 anos, e quem ma contou não mente...

Uma noiva de família muito Católica, querendo preparar-se mental e espiritualmente para receber esse Sacramento, tomou a decisão invulgar de entrar na Igreja antes do noivo - não por estar com muita pressa, mas para rezar um bocadinho antes de dar o grande passo.

Entretanto o futuro marido, que até ali nunca lhe tinha dado desilusões e parecia ser um doce de pessoa, chegou também e vendo-a ajoelhada num dos últimos bancos, sem mais aquelas
 sussurrou-lhe ao ouvido "reza, reza, que é a última vez que aqui entras".

Não sei se o que lhe terá dado tal assomo de sinceridade: teria apanhado uma forte intoxicação na despedida de solteiro e ainda estava sob o efeito dos vapores? Teria andado a fingir-se de santo durante o namoro e agora, achando-se seguro, revelava a sua verdadeira face (ou seja, daqueles que não crêem nem deixam crer) ? Ou alguma coisa mais sinistra?

O certo é que a rapariga ouviu e calou. Terminou a sua meditação, dirigiu-se ao altar e a cerimónia começou sem novidade, com a Igreja a abarrotar de ilustres convidados, até que o Padre lhe perguntou como era suposto "fulana de tal, aceita sicrano por marido, etc"?.

Resposta dela, alta e clara: Não!

O sacerdote, assarapantado, insistiu: desculpe, menina?

E a noiva tornou: disse que não caso com este cavalheiro, porque eu estava ali ajoelhada a rezar e ele disse-me  "reza, reza, que é a última vez que aqui entras".



E assim se desmanchou o casório ali mesmo,  envergonhando o fingido diante de toda a assistência. Houve escândalo, mas toda a gente louvou a sua coragem...

Admirável sangue frio! Extraordinária dignidade feminina! Senão, reparem: decerto ela gostaria do rapaz, ou não estaria para casar com ele; depois havia toda uma maçada de sonhos desfeitos, de tempo perdido, de preparativos inutilizados, para não falar nos mexericos que se hoje não seriam agradáveis, naquele tempo eram muito piores.

Quantas, mesmo agora, recuariam ao descobrir que o noivo não era a pessoa que demonstrara ser? Conheço muitas que são tão inseguras, andam tão desesperadas (e em alguns casos, são tão gananciosas) que casariam com o próprio diabo desde que o diabo as carregasse...(e se as carregasse em grande estilo, melhor ainda).

 Neste caso específico, a noiva rompeu porque ele, sabendo-a religiosa, fingira ser outro tanto, ou pelo menos respeitar as crenças dela, para afinal revelar valores totalmente opostos; pior ainda, mostrava ser um déspota, no mínimo. No entanto, há os que, com o mesmo descaramento e maior antecedência, apresentam claramente defeitos sem remédio: uns são infiéis, outros forretas, outros perdulários, estroinas, agressivos ou ciumentos patológicos...e elas, ou por amor, ou por tolice, ou por receio de ficarem para tias, vão pensando "pode ser que depois de casado não seja assim!".

 Ora, se um defeito é insuportável, irreconciliável, não se deve esperar que melhore. Se é coisa com que se possa lidar, bom (e cada uma tem o seu ponto de ruptura; o que é tolerável para uma mulher, pode ser o fim do mundo para outra); ninguém é perfeito. Se é algo mais grave...há que pensar na sábia frase de S. Tomás de Aquino: parvus error in principio magnus erit in fine.  

Um pequeno erro no princípio será um grande erro no fim...






Por favor, não usem isto na cidade.



Um conceito que se foi perdendo com a informalidade em que vivemos foi o de "roupa de cidade". É certo que o estilo de vida actual exige, na maioria dos casos, menos mudanças de roupa ao longo do dia do que antigamente.

No entanto, além de  respeitar os dress codes ser importante - e facilitar a vida a toda a gente - ter em consideração o propósito original de uma peça ou a utilidade de um tipo de tecido ajuda-nos a tirar maior partido do guarda roupa, a andar mais confortáveis, a ter um ar mais composto e a evitar certas gaffes e más compras.


 Algo que me faz confusão é ver roupas de praia usadas na cidade. 

Refiro-me a topzinhos low cost coloridos sem forma em algodão pouco consistente, quando não são sintéticos (muitos em versão cai cai, o que piora quando se tem um busto que precisa de suporte); mini macacões nos mesmos tecidos; calções de ganga minúsculos coordenados com os referidos tops baratinhos; vestidos curtos tipo saco nos mesmos materiais, etc. 

(E para não complicar, não falemos em tudo o que é demasiado revelador, nem nas as pessoas que vestem tragédias híbridas, ex: top de elastano ou viscose, minúsculo mas quentíssimo, +  jeans super duros e apertados com fantasias a vincar a pele + havaianas!).

Claro que não é impossível "dar a volta" a algumas destas peças e torná-las mais sofríveis - vestindo por cima um blazer de linho, por exemplo - mas essas receitas pouco ajudam nos dias muito quentes.


Certo, o calor é insuportável e as roupas soltas sabem bem, mas há muitas maneiras de não "assar" sem perder um ar polido. A melhor (e mais fácil) forma de evitar qualquer erro é não usar nada que ficasse mesmo bem sobre o bikini. Ou seja, se evitar os decotes cai cai ou halterneck (a atar no pescoço) e tudo o que seja demasiado fino, transparente e curto, com cara de saída de praia, está no bom caminho...

Convém lembrar que a "roupa de cidade" deve ser um pouco mais estruturada e menos informal do que aquela que se usa junto ao mar ou num qualquer festival no meio de nenhures: opções frescas e apropriadas são, por exemplo, calças soltas de linho (combinadas com camisas ou blusas), vestidos rodados ou shirt dresses de algodão espesso, saias midi, vestidos envelope, calções não exageradamente curtos (de sarja, por exemplo) de cintura subida com uma camisa branca por dentro, t-shirts brancas com calças de pinças (ou em situações casuais, boyfriend jeans em denim fino), culottes, polos, macacões leves, mas mais compridos e com um decote apropriado, etc. 

Rodarte S/S 2015: vestidos finos e soltos mas
 devidamente forrados e com cinto são frescos, mas sofisticados
Os tecidos naturais, ainda que mais consistentes, nunca aquecem tanto como o mais leve tecido sintético- as musselinas falsas, o poliéster, o acetato, a lycra, fazem transpirar e dão mau estar (e um aspecto pegajoso) por muito curta/reduzida que a peça seja. Já o algodão, a sarja, a cambraia, cetim de algodão (mais indicado para a noite) o linho, as misturas de algodão e seda ou mesmo seda pura deixam a pele respirar. As cores também são importantes: tons fechados e profundos como o preto ou o azulão (que está na moda, mas grita "barato" a metros se usado num mau tecido) são sempre mais quentes.

Nada como pensar no conforto, mas aplicar ao estilo pessoal aquela máxima do imobiliário "localização, localização, localização...".




Monday, July 20, 2015

Khongboon Swimwear: da Tailândia com estilo



Já comentei mais que uma vez por aqui que considero Raquel Prates uma das nossas figuras públicas mais elegantes. Por isso, aceitei com muito prazer o convite para conhecer um novo projecto seu: a introdução em Portugal da marca de swimwear Khongboon, que apenas está disponível fisicamente em pontos de venda muito seleccionados.


 Os bikinis e fatos de banho, de origem tailandesa, distinguem-se pelo tipo de spandex usado no seu fabrico (que segundo Raquel, é mais resistente e moldam as curvas de modo diferente das lycras habituais) pelas estampas e designs únicos e pela relação qualidade-preço. Muitos são double face, com padrões reversíveis, o que permite várias combinações.

 Agradou-me especialmente haver alguns modelos retro de cintura subida - que estão em voga e favorecem imenso, mas ainda rareiam um pouco nas lojas. No entanto a variedade de estilos é grande e inclui mesmo o corte brasileiro, já que a Khongboon foi inspirada nas praias mais icónicas do planeta...

  Para apreciar de perto, basta dar um pulinho à 39a Concept Store em Lisboa (R.Alexandre Herculano, 39 A, junto à Rua Castilho).


Jackie x Marilyn - ou como lidar com uma mulher da luta



É curioso que duas das mulheres que mais admiro pelo estilo intemporal e sem mácula (apesar de muito diferentes uma da outra) tenham sido as piores rivais.

No entanto, se Jackie foi um exemplo intemporal de elegância interior, Marilyn nem por isso. Era frágil, carente e deixava assim abafar todas as outras qualidades que possuía (até o talento, que só foi reconhecido tarde demais). Era linda, fotogénica, vestia bem...e mais nada.

 Jackie possuía outro pedigree e outra educação, o que se traduzia numa classe à prova de bala. Marilyn era uma mulher lindíssima, mas Jackie era uma linda Senhora.

Como muitas mulheres do seu meio, tinha um grande sentido de dever e Católica, casada com um homem de família Católica Romana (embora mais tarde, ao enviuvar tragicamente, chegasse a pôr a sua Fé em causa) encarava o casamento como um compromisso inquebrável. Por isso, fingia não ver as aventuras do marido mulherengo, pelo menos em público. Sabia que enquanto mulher de JFK, representava algo maior do que ela própria. Assim,  tratava o vergonhoso assunto com o merecido descaso e Marilyn foi a única que a fez sentir-se ameaçada entre os "brinquedos" do marido: não tanto pessoalmente mas por recear um escândalo, dada a grande fama e fraco auto domínio (e noção das circunstâncias) de Ms. Monroe.



  Quanto a Marilyn, coitada, não tivera mãe que lhe ensinasse (embora também haja para aí mães que ensinam precisamente o contrário daquilo que é correcto) que uma mulher só corre atrás de um homem se ele lhe tiver roubado a carteira!

Iludiu-se e tratou de fazer a Kennedy marcação cerrada: embora o Presidente tencionasse tanto divorciar-se da esposa para casar com ela como ir ao fim do mundo, lá achou que ia ser Primeira Dama e teve a desfaçatez de ligar à legítima, toda serigaita, a avisá-la "olhe que ele vai pedir-lhe o divórcio para casar comigo" - na tentativa desesperada de a fazer perder a cabeça.

 Nem ao menos percebeu que quando um homem está determinado, ele próprio trata de informar a cara metade; não precisa que a amante faça de mensageira...



 Jackie atendeu o telefone, ouviu, deixou-a falar. E depois respondeu-lhe muito calmamente: "deveras? Ele vai divorciar-se de mim para casar consigo? Muito bem, eu vou-me embora; a senhora muda-se para a Casa Branca e fica aqui a braços com todas as responsabilidades, problemas e canseiras...".

E assim troçou da rival sem descer a esgatanhar-se com ela, pondo-a no seu lugar com refinada ironia. Ignora-se como a actriz terá reagido a esta subtil resposta torta, ela para quem ser Primeira Dama devia representar apenas estatuto social, usar uns vestidos todos bonitos e dizer adeus às pessoas. Mas claro, todos sabemos como a história acabou. Nunca houve nenhuma Primeira Dama chamada Marilyn Monroe. 

  Porém, caso o Presidente fosse louco para pôr tudo em risco e casar com Marilyn, acredito que Jackie o tivesse deixado à vontade - e a braços com o remorso, a consciência de homem Católico em grandes apuros, a carreira política de pantanas e uma mulher que não tinha nascido para o papel a espatifar a Casa Branca...

Onde há mulheres da luta, mulheres dignas não têm interesse em estar. Aliás, mulheres de brio não têm concorrência: face a um ameaço, geralmente aplicam a fórmula de Eça de Queiroz: mandar o traidor à atiradiça, com um bilhetinho a dizer "guarde-o". Ou antes, "ature-o".





Sunday, July 19, 2015

A "mulher num pedestal", homens Alfa e homens Beta

Dois Homens Beta: um é lingrinhas, o outro parece Alfa.
Daquelas comédias românticas para comer pipocas: uma mulher bonita, vistosa e de sucesso começa a namorar com alguém que tem todas as características físicas e psicológicas do Homem Beta: pouco atlético, pouco vigoroso (um lingrinhas, vá) sem carreira que se veja, passivo e (apesar de bondoso e razoavelmente inteligente) com zero auto confiança, que se deixa pisar pela parentela, pela ex namorada, pelo novo namorado da ex... enfim, o bombo da festa de toda a gente. 

Como é um filme (e vá lá, já tenho visto coisas mais improváveis na vida real) apesar de todos os contras o parzinho aparentemente mal arranjado lá se entende; mas antes disso - face aos contínuos complexos de inferioridade do rapaz- ela acaba por confessar que inicialmente se interessou por ele por o saber "inofensivo". Ou seja, como é menos atraente do que ela, dificilmente teria capacidade para a magoar. Um exemplo da velha dinâmica de poder do "elo mais forte" numa relação: supostamente, dizem os entendidos na matéria, na maioria dos casos há um elemento que se importa mais, que tem mais medo de perder o outro.



E é um facto que muitas mulheres, com medo de saírem magoadas, caem no erro de se relacionar com um homem de quem não gostam assim muito e/ou que lhes parece de alguma maneira menos bonito e/ou socialmente poderoso, por uma questão de segurança emocional. Acham - não raro, de forma inconsciente - que um namorado que se sinta sortudo por elas olharem sequer para ele fará tudo para manter o que conseguiu. Claro que isso quase sempre corre mal: porque é difícil respeitar quem não se admira, porque ninguém gosta de um capacho e em última análise, porque às vezes as pessoas mais inofensivas e coitadinhas são as piores (veja-se um caso típico).

  Mas o que interessa para aqui é o motivo que levou a heroína a isso: é que o ex namorado  - alto, bem parecido, confiante a beirar o egocêntrico, super bem sucedido e aparentemente um Homem Alfa - era igualmente inseguro. Colocava-a num pedestal e esperava uma perfeição que ela dificilmente conseguiria cumprir (pois "perfeita" aos olhos dele ou não, era uma mulher como as outras); sentia-se constantemente ameaçado e como que para compensar isso, acabou por a trair com outra, num reflexo "vou ser infiel antes que tu o faças".



 Embora qualquer mulher sonhe ser adorada, um pedestal é um lugar exagerado e ingrato; conheço poucas que estando nessa posição sejam muito felizes, porque num ídolo colocam-se expectativas irrealistas misturadas ao constante receio da perda, do engano ou da desilusão. Mesmo quando o homem em causa parece ter todos os sinais do Alfa (estatura, beleza, posição) e que não lhe seja dada causa para insegurança, se houver dentro dele algum traço de fraqueza, essas desconfianças podem surgir. Dizem os especialistas que essa é a  causa de alguns cavalheiros bem parecidos preferirem mulheres mais apagadas, enquanto outros, fracas figuras, se ufanam de passear mulheres troféu...

 É preciso uma hombridade de ferro para adorar alguém que se admira muito, saber ser amado de volta e lidar com isso sem desconfianças, hiper vigilância e paranóia. Prova provada de que a auto confiança é muitas vezes a chave de todos os mistérios...

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