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Saturday, August 1, 2015

A nobre arte de... cortar os Nós Górdios (vulgo atrasos de vida)


Contava a lenda que quem desatasse o Nó Górdio - uma embrulhada dificílima de desfazer mesmo por uma data de escuteiros empenhados, que ficava lá para as bandas da Turquia actual - se tornaria senhor de toda a Ásia Menor.

Alexandre, o Grande (um dos meus fraquinhos históricos) não era homem de meias tintas; não gostava de perder tempo nem apreciava puzzles. Ouviu a fábula, foi ao local, olhou para aquilo e em modo não sabendo que era impossível, foi lá e fez, não esteve com meias medidas: com uma espadeirada cortou o nó e problema resolvido. Em segundos desfez um imbróglio que ninguém conseguira deslindar por 500 anos e lenda ou não, o certo é que a profecia se cumpriu. 


 "Cortar o Nó Górdio" tornou-se um sinónimo de pensar outside the box, como agora se diz. Mas sem pretender comparações com Megas Alexandros (ainda que tivesse nascido nessa época e contexto, havia de faltar-me a paciência para andar anos a fio por montes e vales a conquistar terra atrás de terra) penso que me ocorreria a mesmíssima coisa. Para quê perder tempo com voltas e voltinhas quando bastava cortar o raio do nó e passar a outra coisa?  E não serei a única, creio...

Acho mesmo que o mundo se divide entre as pessoas que gostam de complicar a cadeira e as pessoas que preferem descomplicar. As pessoas que adoram alimentar mistérios prolongados e as que acreditam que os enigmas até podem ter a sua graça mas existem para serem resolvidos a seu tempo, de modo a passar rapidamente ao próximo nível.


Entre as que conjecturam sobre o ovo e a galinha e as que decidem o que fazer com os ovos. Entre as que adoram séries como Lost e cubos mágicos e as que se cingem aos factos que são úteis e aos argumentos com pés e cabeça. Entre as que se divertem a analisar o problema e as que se voltam para as soluções, portanto.

 Um e outro tipo existem quer entre os homens, quer entre as mulheres. No entanto  - e voltando ao nó - a julgar por certos estudos, seria de pensar que uma mulher, mais detalhista, talvez estudasse uma forma inteligente de desatar a corda em vez de partir logo para uma solução radical. E que um homem pensasse, como Alexandre, "não estou para lacinhos e cordinhas, que mariquice!"

Alexandre e Roxana, sua mulher

Mas quer-me parecer que há cada vez menos Alexandres Magnos entre a população masculina; que o pensamento racional, despachado e decidido tem vindo a ser substituído por uma mentalidade que é mais de criar nós do que de os desatar...mercê da vida sedentária ou de uma hipotética maleita que para aí anda, não sabemos.

A verdade é que é uma surpresa ver um cavalheiro que pensa como Alexandre! E que por outro lado, quando uma mulher com o seu quê de Alexandra (ou de Roxana, vá) encontra um nó górdio e tenta durante muito tempo resolver o enigma, acaba por ser movida pela razão. E não sei por que graça, não sei por que inspiração, trata de o separar com uma lâmina e pronto.

Morre o nó, acaba-se o mistério. Não se fica senhora da Ásia Menor mas fica-se senhora de si mesma, o que já não é mau...






Friday, July 31, 2015

As coisas que eu ouço: o sentido de humor é como o vinho do Porto


Ouvido hoje num café: um velhinho que chamá-lo velhinho é pouco, bastante corcovado e apoiado em duas muletas, mas com um sorriso de orelha a orelha, na brincadeira com o empregado e os clientes que lá estavam:

- Cuidado com os coxos, cuidado com os coxos...

-...que eles andam armados!? - atalhou alguém.

-....não - respondeu o idoso - que eles caem e já não se levantam!


Não esperava por aquela tirada! Fez-me rir e deu-me que pensar no que conheço para aí de gente nova, com perfeito uso das duas pernas e do resto mas sempre com cara de quem comeu e não gostou. Troçar dos desaires e de si próprio, ter um certo humor negro ou chapliniano, não perder a ironia é das características que mais admiro. Quem leva tudo demasiado a sério corre o risco de não ser tomado a sério porque anda sempre inseguro e tem menos chances de chegar a velho.

De certeza que aquele senhor, na sua juventude, conquistava muitos corações, que isso de as mulheres gostarem dos homens que as fazem rir não é mito nenhum. Um homem razoavelmente atraente que seja expressivo e invente private jokes é um perigo, porque nada baixa tanto as defesas femininas nem une tanto as pessoas como partilhar gracinhas. Deve ser o terror lá no centro de dia...



Respondendo a 5 frases (deles) sobre as mulheres- de Byron a Cervantes


Há muita utilidade em entender a forma masculina de pensar sobre as mulheres - uma arte que as nossas avós (e as publicações que eram escritas para elas) dominavam, mas que tristemente, anda bastante esquecida.

É óbvio que as senhoras tiram valiosas lições da experiência umas das outras, e não só no que toca a modas & elegâncias. Porém, tanto homens como mulheres só têm a ganhar em compreender como o outro lado sente e raciocina a seu respeito.

Acredite-se na "guerra dos sexos" ou na saudável cooperação, apliquemos Sun Tzu: quem conhece o "inimigo" e a si mesmo (a), não tem de temer o resultado de cem batalhas

Ora vejamos cinco frases sobre nós: umas elogiosas, outras que no mínimo dão que pensar. Mas lembrem-se: da basófia masculina, há que acreditar em metade para não nos descabelarmos...


1- Montesquieu: "Não se fala o suficiente nas mulheres virtuosas, mas fala-se demasiado nas que não o são".

O nobre filósofo mal sonhava que em pleno sec. XXI, isto seria verdade como nunca. Já por aqui se criticou a velha falácia "as meninas boas vão para o céu, as más para toda a parte" que tão desagradáveis resultados dá...



2 - Lord Byron: "Vi a fúria das mulheres e a das ondas e lamento mais os maridos que os marinheiros".

O autor de D.Juan teve dois casamentos profundamente infelizes, inúmeros affairs e viveu pelo menos um grande amor (com uma mulher casada) que durou até à morte - o que nos permite supor que terá testemunhado a ira justa de mais de uma mulher. É claro que as há rezingonas, tagarelas, destemperadas e inseguras, de fazer perder a paciência a um santo, que peguilham por tudo, não sabem quando refrear a língua e dão má fama a todas as outras. Mas no caso de Byron (bonito e genial, mas instável) só uma santa para viver com ele. Ou um tapete.


3- Do Talmud: "Dez medidas de palavras desceram ao mundo: as mulheres ficaram com nove e os homens com uma".

Algumas vozes da ciência sustentam que os homens são mais visuais e focados numa só tarefa de cada vez, enquanto as mulheres são mais verbais e capazes de se concentrar em várias coisas em simultâneo. Acredito que isto seja até certo ponto verdade, embora não haja duas pessoas iguais. No entanto, permitam-me discordar da máxima rabínica: há homens mais dados à cordilhice e mexeriquice do que várias mulheres juntas, especialmente quando são ciumentos e querem marcar território. Aí perdem toda a discrição e racionalidade masculina, perdem a cabeça e tornam-se do mais indiscreto que há, mandando às urtigas a regra "a gentleman won´t tell". Se for preciso, exageram e inventam só para pôr um rival a andar. E não falemos das gabarolices de alguns uns com os outros  sobre as raparigas com quem não se importam (ou que os deixaram de coração partido; também acontece).  Acham que era à toa que as avozinhas avisavam "portem-se bem, que é muito fácil uma rapariga ganhar má fama"? De certeza que não eram os passarinhos a espalhar boatos...


4 - Cervantes: "Deus criou o Homem e a Mulher a seguir. Primeiro fazem-se as torres, depois os cataventos". 

Não vamos aqui dissertar sobre a nobre utilidade dos cataventos, nem sobre a obsessão do autor de D. Quixote com moinhos de vento, cataventos e tudo o que era empurrado pelo dito. Then again, é inegável que há muitas mulheres catavento, ou cabeça de vento, que dão às restantes a reputação de desmioladas. Mas creia-se ou não nas máximas "o homem é a cabeça, a mulher é o coração" ou "os homens governam o mundo, mas as mulheres governam o coração dos homens" (há quem ache isto romântico, há quem fique furiosa só de pensar em tais ideias) a verdade é que Cervantes parecia detestar mulheres levianas, mas valorizava as sensatas e virtuosas. Ou seja, não media todas pela mesma bitola. Reconhecia a raridade de uma mulher serena e discreta, pois disse "nenhuma jóia sobre a terra se pode comparar à mulher de honra e virtude".



5 - Nietzsche: "A influência de uma mulher diminui na medida em que aumentam os seus direitos e pretensões".

Não querendo pôr os meus sapatinhos em seara alheia, tenho para mim que Nietzsche deu ao mundo algumas ideias geniais ("o abismo atrai o abismo") mas outras francamente assustadoras e que se toda a gente lhe desse ouvidos, que seria. Acabou louco, por isso há que tomar o que diz com o devido grão de sal. Esta frase é daquelas que dá realmente que pensar. É verdade que muitos pontos fortes tradicionalmente atribuídos ao feminino - a astúcia, a subtileza, a  delicada capacidade de mover os acontecimentos nos bastidores - terão sido aguçados pelo papel não oficial que desempenhavam na vida pública. Não possuindo, em determinadas épocas, poder de facto (embora tal não as impedisse de levar a água ao seu moinho ou de serem levadas a sério quando era caso disso) valiam-se do poder psicológico, faziam da fragilidade força, usando a ideia Bíblica "Deus pôs no mundo as coisas delicadas para vencer as fortes". E para o bem e para o mal, essa é uma forma de poder que fica esquecida, ou que deixa de ter tanto efeito, num cenário de absoluta igualdade entre os sexos. 
 No entanto, há outro aspecto: quanto mais barulhenta e reivindicativa uma mulher é, menos probabilidades há de ser levada a sério, até pelas outras mulheres, ainda que defenda pontos de vista justos. O comportamento senhoril e sereno é bem vindo em toda a parte. Por isso, nesta Nietzsche tem uma certa razão, faltou-lhe foi diplomacia...









Thursday, July 30, 2015

Lição de 1905: beleza sem isto é perigosa.

 


Esta semana veio ter-me às mãos outra remessa cuidadosamente seleccionada dos livros que mais me agradam e que ando sempre a caçar - velhinhos e cheios de conteúdo, do tempo em que era seguro entrar numa livraria sem sair de lá com uns neurónios a menos, com ideias quaestionáveis e muitas dúvidas de gramática, estilo e ortografia. 

Alguém se há-de ter desfeito da vasta biblioteca do avô ou tio, um tal Sr. Azevedo que possuía volumes e mais volumes sobre religião, ciência, história e costumes em pelo menos quatro línguas e comprados entre 1930 (embora alguns fossem mais antigos; as dedicatórias lá estavam) e 1970 e pouco. Trouxe uma caixotada deles, pensando com amizade no desconhecido Sr. Azevedo, essa alma irmã cujos herdeiros não teriam grande apreço pela sua cuidadosa escolha de leituras...coisa assaz estranha. Desde pequena adorava virar do avesso os livros que o avô, que não conheci, deixara lá em casa, e ainda guardo a maior parte. Com muita pena minha, perdi a edição de Jane Eyre que a avó adorava e que me recomendou. Foi a minha primeira introdução às irmãs Brontë.

Por respeito ao Sr. Azevedo, esperemos que as suas netas e sobrinhas não se regalem a ler asneiras! Mas não apostava...

Adiante; entre os que trouxe comigo, estava um encantador livrinho de contos italiano, pretendendo ser um estudo da psique da mulher: Psicologia Feminina -A proletária- A burguesa- A aristocrata, de Paolo Mantegazza, Florença, 1905.


Depois de introduzir a obra com o aviso "às mulheres de hoje, para que nos preparem a mulher do futuro" de dissertar deliciosamente sobre a mulher do seu tempo e de tecer algumas considerações proféticas sobre a opinião que os leitores de épocas vindouras teriam sobre o seu livro-documento (voltarei a isso noutro post, com certeza), o autor lança-se então na análise  de mulheres de todos os cantos da sociedade.


 Achei particular graça a este trecho de uma das estórias, sobre uma rapariga lindíssima:

"A nossa rapariga lia no rosto dos homens todos esses desejos, dos quais media a força, descobria a direcção e interpretava a origem. E sem o ter aprendido com pessoa nenhuma, a não ser com Eva dos tempos remotos, sabia, com o olhar e com o sorriso, sem palavras, aquecer os desejos muito frios e friar os muito ardentes (...) aquecendo e regelando, mas espalhando sempre pelos sulcos das almas as sementes subtis e infinitas da esperança. Nesta arte as mulheres muito belas, que devem quase sempre e necessariamente ser loureiras** empregam uma diplomacia de tal ordem que bastaria para imortalizar muitos estadistas."

 E atrevo-me a dizer, fazendo a vontade ao autor que muito curioso estava sobre a opinião das mulheres do futuro: ai da mulher, bonita ou feia (mas se for bela, pior ainda) que não possua esse dom instintivo, de auto domínio e de controle sobre as emoções que provoca nos outros. Sem o golpe de vista, carecendo da capacidade de ler os rostos alheios e de gerir estrategicamente as reacções que causa, a mulher torna-se uma presa fácil, uma vítima dessa "primeira divindade" que é a formosura...


**NB- loureira: Sedutora; que faz por agradar.



Mulheres que têm a carapuça, vestem a carapuça, mas depois não lhes dá jeito a carapuça.


Amy Schumer é uma dessas comediantes americanas todas modernaças e descaradonas que fazem humor com problemas femininos, às vezes com certa piada (achei muita graça a este vídeo a satirizar a moda pantomineira do #iwokeuplikethis) outras a puxar  para o desagradável ou no mínimo, a exagerar os próprios pontos fracos.

Amy Schumer é uma Bridget Jones da vida, ou pelo menos, pinta-se como tal em muitos dos seus "números" de stand up comedy ou sketches: uma mulher nos seus late thirties, solteira, independente e razoavelmente atraente mas que não encaixa a 100% nos padrões de beleza e troça da própria aparência; um tanto trapalhona e desleixada, sem escrúpulos em sair para beber, arranjar inúmeros casos de uma noite e voltar para casa num bonito estado.

Em suma, a cómica veste a pele de uma ganda maluca e usa isso no seu trabalho em embaraçoso detalhe, relatando para a audiência como dormiu com este e aquele de forma bastante (autobio)gráfica. E agora utilizou a mesma ideia para o seu último filme, Trainwreck ("descarrilamento" ou "fora dos eixos") em que a sua personagem, também chamada Amy, leva exactamente esse estilo de vida.


Façamos aqui um parêntesis: cada uma vive a sua vida como entende. Se não for discreta acerca do assunto, quem vê julga como entender - o que não dá a ninguém o direito de desrespeitar outrem, atenção. Pessoalmente, esse comportamento a virar o mundo de patas ao ar só me aborrece porque depois todas as mulheres são medidas pela mesma bitola, o que causa a quem não se comporta assim alguns trabalhos para se fazer respeitar e não ser tratada como doidivanas. Posso não querer grandes amizades com raparigas desse género porque temos pontos de vista demasiado diferentes e não ia funcionar, but to each its own.  

Agora, se uma mulher quer ser um D. Juan de saias, toda escandalosa, ter imensas one-night-stands, praticar o amor livre, enfim, imitar um comportamento que nem num homem cai muito bem, ser uma Samantha Jones da vida real, é preciso uma coisa que em português não tem grande tradução: own it. O termo mais parecido na nossa língua seria, acho,  assumir-se como tal. Ou ter poder de encaixe.

 Ou seja, não temer ser chamada galdéria, desvairada e coisas assim (ou bem que se tem auto confiança, ou bem que não) e mais importante, fazê-lo como a Samantha, que não esperava continuar a aturar as suas conquistas na manhã seguinte. Agora armar-se em perigosa como na cantiga, anda com este- anda com aquele e depois choramingar que se entenderam tão bem e ele nunca mais telefonou, que não arranja uma relação estável, não dá, minhas senhoras.


 Mas foi exactamente isso que Amy Schumer fez: interpretou num filme, cujo guião escreveu, uma valente e sempre bêbeda galdéria (baseada no seu percurso quando era mais nova, segundo a própria). E depois, vá-se lá entender, ofendeu-se toda porque um locutor de rádio, ao entrevistá-la, lhe perguntou "a sua personagem é uma grande perdida, não é?". 

Ora, decidam-se: se são realmente assanhadas, atiradiças, atrevidas, todas moderninhas e desinibidas e ainda por cima fazem questão de o mostrar, não se podem ofender com a mais lógica das associações de ideias, sacar do slut shaming nem da lamúria quando confrontadas com a realidade. 

Das duas, três: ou bem que se é virtuosa à moda antiga, ou bem que se faz trinta por uma linha mas em modo vícios privados, públicas virtudes ou então, bem que se parte a louça toda e se assume o facto, se usa orgulhosamente a carapuça, a Letra Escarlate como rebelde de serviço e campeã de todas as igualdades, mesmo das piores. Querer sol na eira e chuva no nabal é que é impossível. Mas há paciência para estas "poderosas" choramingas?





Wednesday, July 29, 2015

Sissi entrevista #1: Anton Moonen, o árbitro das elegâncias.


Hoje inaugura-se aqui no salão uma rubrica que tinha vontade de criar há bastante tempo. Afinal, ser abençoada com amigos elegantes e originais num mundo que anda como anda é uma alegria grande demais para não ser partilhada. E assim, senhoras e senhores, a partir de agora teremos periodicamente alguns very special guests para nos falarem de aspectos como elegância, cultura, arte, sociedade, beleza e bom senso.

 Para começar, convidei - o prometido é devido - Anton Moonen (célebre jornalista, trend watcher, ensaísta e autor de diversas obras sobre os bons e maus snobismos ), digno herdeiro da tradição de Oscar Wilde, Baudelaire ou Eça de Queiroz: viver com elegância, ter horror à vulgaridade, usar de um refinado sentido de humor e dizer que se pensa mandando às malvas o politicamente correcto. 

E claro, perguntei, porque a dúvida me queimava os dedos, o que pensa o arbiter elegantiae acerca das infames ceroulas do demoTinha de ser.



S: Na sua opinião, qual é a forma elegante [ou snobemente aprovada] de comportamento feminino? Como deve uma rapariga conduzir-se em termos de relacionamento ou dinâmica homem-mulher?

A.M: O meu conselho: seja uma Senhora em todas as circunstâncias. Não se incomode com a opinião pública. Diz-se que as mulheres são mais sensíveis ao "apelo snob" do que os homens. Os homens procuram uma donzela sexy, com faces rosadas e um corpo bonito. Pensam em sexo e na saúde da sua descendência. As mulheres podem 
apaixonar-se por homens mais velhos, especialmente se tiverem uma posição, um título, fortuna ou um uniforme. Creio que as mulheres vêem mais além (talvez instintivamente) o que as torna, portanto, mais inteligentes.
  
S: Como aconselharia uma rapariga a ultrapassar um desgosto ou ruptura amorosa, à maneira snob?


A.M: Uma overdose de caviar e uma grande ressaca de Krug Millésime.

S: Num primeiro encontro: que sinais de alarme gritam "este homem não é um cavalheiro; fuja!"?


A.M: Os cavalheiros estão a tornar-se extremamente raros. A vulgaridade e os maus hábitos são universais! Mas como disse, acredito na superioridade da intuição feminina. O tédio seria uma excelente razão para fugir...



Uma das *imperdíveis* obras de Anton Moonen,
 em tradução portuguesa

S: E numa mulher? Que características considera inaceitáveis e deselegantes?
A.M: Apatia, ennui, ser enfadonha, tornam uma mulher intolerável. Uma Senhora deveria surpreender-me; devia ser notada imediatamente numa sala entre duzentas mulheres. Supostamente isto é fácil num mundo onde reina o mau gosto, a ostentação e a banalidade, mas aparentemente não...

S: Quais são os básicos intemporais de guarda roupa para uma mulher elegante?
A.M: Um par de galochas para o campo. E também roupa quente - mesmo tricotada em casa- porque a maioria das casas senhoriais são muito mal aquecidas.


S: Um exemplo de elegância e bom snobismo feminino?


A.M: Karen von Blixen [autora de África Minha].

 S: O que pensa das tendências da "beleza real" e "“ugly is the new pretty”, que invadiram a imprensa ultimamente?


A.M: Não inventaram nada de novo. Os kitsch-snobs existem desde os anos 1960. E em relação à "beleza real", vamos ser francos; quem acredita em "beleza real"? Eu próprio tenho alguns amigos que são "snobs new age" mas nunca passaria mais de um breve fim-de-semana com eles. A sua ingenuidade deixa-me demasiado nervoso. A vaidade governa o mundo há eras: porque é que isso havia de mudar subitamente? A "beleza real" simplesmente não é credível para mim. Acho que é o "real" que me maça mais...

S: Por mera curiosidade, qual é a sua opinião sobre as leggings? Essas coisas estão a dominar o mundo. Alguma teoria?

Não oferecem nenhum apelo snob, de todo. Deviam ser proibidas e queimadas. Providencialmente, haviam de arder com facilidade por causa dos tecidos de que são feitas. Consegue imaginar Isabel II de leggings? Claro que não. Então porque haveria alguém de querer usá-las? Deviam ser permitidas apenas como roupa de desporto ou streetwear mas só em certas ruas e certos desportos, para que pessoas delicadas como eu as pudessem evitar. São tão anos 80, uma década que é conhecida pelas suas explosões de mau gosto humano. Demonstram ou a ignorância, ou a memória breve da Humanidade. A ignorância é o pior, não é?

Easy comes, easy goes.


Recentemente ouvi uma frase cuja veracidade posso atestar "a vida é como o pilates; se parece demasiado fácil, estás a fazer alguma coisa mal"

É que apesar de ser uma modalidade tranquila, sem saltos e pulos, que dá atenção ao centro do corpo, à postura, aos músculos mais pequenos de modo a alongar e tonificar todos e que acelera o metabolismo sem que se dê por ela - enfim, um exercício que trabalha discretamente o corpo como um todo- exige rigorosa disciplina, ou não fosse inicialmente pensada para bailarinos. E às vezes, sinto dizer isto, dói que se farta... embora de uma maneira boa.

Ora, a vida é bastante assim. Pensos rápidos e remedeios servem apenas para "quebrar um galho", não para sarar problemas de fundo ou fazer grandes alterações. É como as pessoas que recorrem a  uma dolorosa lipo aspiração porque têm preguiça de fazer dieta e exercício, mas não tencionam mudar os seus hábitos: dali a nada , estão na mesma.

Também o vemos nas artes: a pintura abstracta não tem valor se o artista não tiver tido anos a fio de desenho rigoroso. Picasso sabia desenhar lindamente. A dança contemporânea, goste-se ou não, nada é sem uma formação em dança clássica. Isso de uma pessoa se expressar, de agir conforme os apetites, é lindo...mas sem alicerces sólidos, é puro facilitismo e deita por terra o valor da criatividade. Primeiro, rigor, disciplina, valores de base; depois as alegrias.

Assim é, ou devia ser, nos negócios, nas atitudes, nos amores...é bem verdadeira a máxima "o caminho fácil conduz ao Inferno, o caminho espinhoso leva ao céu".

E no entanto, vê-se actualmente um grande apreço pela facilidade, pelo instantâneo, pelo fluido, pelo transitório. 

Há quem prefira ter muita coisa, ainda que de fraca qualidade, porque o apelo da novidade é maior; depois dá-se o dilema "tenho o armário a abarrotar e nada para vestir". É tão simples, face a uma separação dolorosa, substituir um grande amor que dá muito trabalho, por uma ligação  gratuita, de bandeja, que provavelmente será fugaz, mas aparentemente simples ( nunca é simples; quase sempre atrai complicações piores). E o que dizer dos esquemas para enriquecer depressa, que nunca funcionam? Ou das almas que têm uma enorme resistência à religião fundamentada dos seus antepassados, acham maçador cumprir os mais elementares deveres espirituais, mas estão dispostos a fazer workshops de filosofias mais recentes que o seu whisky, a gastar dinheiro para limpar retretes num remoto ashram qualquer, em busca de respostas imediatas, milagres on demand?

É tão simples voltar as costas a tudo o que é familiar e procurar asilo noutras paragens. Mas o "fácil" é quase sempre vazio, quando não se traduz em embrulhadas maiores ainda...

Tuesday, July 28, 2015

Frase do dia: fia-te no destino, mas...


'O destino guia quem consente 
e arrasta quem recusa'. 

                                            (Ditado estóico)


Muitos grandes pensadores se debruçaram sobre a ideia de destino. Podemos crer nele, e/ou na Divina Providência; aceitar mesmo a ideia de amor fati, de não resistência para não sermos arrastados. 

 Outra hipótese plausível no meio destas é acreditar como Maquiavel em usar a Virtude, a capacidade de se antecipar e reagir aos acontecimentos que está na nossa mão, para tirar o melhor partido da Fortuna - a versão feminina e caprichosa do destino - que ninguém pode prever nem controlar; apenas conservá-la amiga usando o instinto, a ousadia, dominando-a e raptando-a de vez em quando.

Não há mal em sentir que algo nos é destinado, em ter uma certeza interior que nos permite observar os acontecimentos com calma e fazer o que é preciso ser feito all in peace, all in time. Há acontecimentos e ligações que parecem de facto fadados, escritos na pedra e quanto mais tentamos afastar-nos deles, com maior força nos perseguem e atingem. 

Mas isto não é desculpa para deixar a virtude de lado ou seja, não fazer nenhum, zombar do destino achando que mesmo assim ele nos dará de bandeja o que é nosso e pior - virar-lhe a bandeja, bater-lhe e mandá-lo passear porque está tudo garantido, porque se acha que a oportunidade há-de voltar quantas vezes nos apetecer. Não fazer nadinha, ou estragar tudo, e ainda reclamar com o destino ou a fortuna que se limitaram a fazer o seu trabalho, a abrir janelas de oportunidade, é muita lata. E abuso. 




As coisas que eu ouço: prova provada de que há homens com tino.


De vez em quando lá calha saber de uma que nos devolve a esperança na sociedade. Homens modernos mas capazes de pensar como gente civilizada, ou mesmo de dar um sermão às mulheres a quem isso faltou em casa.

 Há dias veio-me ter aos ouvidos outro bom exemplo disso, e a melhor parte é que não se passou num qualquer country club , na Igreja ou numa tertúlia selecta de cavalheiros sofisticados. Foi mesmo entre rapazes normalíssimos, boys-will-be-boys todos fanfarrões, que só gostam de bola, carros e patuscadas. 

Vendo que a ex namorada de um amigo deles se tornou mucho loca nas redes sociais (com selfies desfavorecedoras a torto e a  direito, poses provocantes, publicações disparatadas a toda a hora, enfim, um desespero completo) vieram em romaria dizer-lhe:

"Mas que raio é que se passa com ela? Que é que tu lhe fazias quando estavam juntos, que ela não se portava assim? Eu já deixei de seguir a página dela, que aquilo até mete nojo!".

Moral da história: só os "rebarbados" de corpo e alma aprovam essas coisas. Depois há os que olham e comentam para rir um bocado, mas Deus os livre de contar mulheres dessas nas suas proximidades. E às vezes há homens decentes entre os que menos tentam aparentar poses, modos e fatiotas de cavalheiro. Por outro lado, já tenho visto muitos selvagens de casaca a aplaudir esses comportamentos, e pior...


Monday, July 27, 2015

Cuidado com as peças-tentação-do-capeta (ou não)


Por estes dias falámos nos ai Jesus do guarda roupa. Mas há uma subcategoria dentro disso que nos dá muita alegria...embora cause complicações.

São as peças-tentação-do-capeta . Ou seja, as que encaixam na categoria de ai-Jesus e que por isso não resistimos a experimentar na loja, rezando para que não fiquem tão bem como isso ( porque afinal, já temos uma série de coisas parecidas) mas depois nos caem tão a matar, mas tão a matar, que têm de vir para casa connosco. E depois de virem, são fortes candidatas a tornar-se oficialmente ai Jesus.

Esta síndrome surge muito quando uma mulher já se conhece, logo sabe o que favorece a sua silhueta (tudo na vida tem os seus senãos) e resistir-lhe exige bastante auto domínio, bem como olho clínico para distinguir algo que realmente é bom de "mais um vestido do tipo que costumo usar". Há que separar a regra de smart shopping "compre quando há e pode" das ilusões passageiras.

 Mas custa, convenhamos; e quanto mais conhecimento do assunto se tem mais fácil é vislumbrar, lá no fundinho dos expositores, aquela peça ideal a luzir para nós. Clique instantâneo, nem que se vá apenas acompanhar uma amiga às compras e nem se tencione abrir a carteira. 

 Digo isto em modo bem prega Frei Tomás, porque tenho sérias dificuldades em resistir a um sheath dress, a uma saia lápis bem cortada, a calças cigarrette ou skinny que cingem a figura como um passe de mágica, a um casaco cintado, a uns scarpins clássicos que dão a qualquer mulher uma passada de gazela ou a botas compridas que alongam até ao infinito.


Pior ainda? Há roupas que é melhor não levar vestidas quando se vai às compras, porque combinadas com as peças que inevitavelmente acabamos por experimentar, o efeito é devastador. Tudo parece lindo, como certos bolos que são apelativos, nem que não gostemos de bolos, só porque o glacé é colorido...

Por exemplo, livrem-se de ir comprar casacos ou vestidos acima do joelho com umas cuissardes calçadas - a não ser que os queiram só para vestir com cuissardes, claro. O pior saco de batatas, acompanhado pelo raio das botas, faz qualquer pessoa minimamente esbelta parecer uma supermodelo.

Também não vão comprar t-shirts com as vossas calças ai Jesus ; sabem, as calças que vos elevam a auto estima a níveis insuportáveis. Vão favorecer qualquer farrapo, já se sabe.

E qual é a salvaguarda no meio disto tudo? É que felizmente ou infelizmente, as peças perfeitas são raras. É muito mais comum ir às lojas e não encontrar nada que agrade- valha-nos isso!

Cavalheiros: é favor não complicar, que as mulheres são umas criaturas muito simples.


Uma coisa curiosa quando se trata de homens e mulheres: em artigos sobre o sexo oposto ambos filosofam, acessorizam e geralmente complicam. Talvez cada artigo sobre "como entender as mulheres" em revistas masculinas devesse ser revisto por um painel de mulheres, e vice versa.

Por vezes leio certos artigos desse estilo em revistas femininas, ponho-me no lugar dos homens...e só penso que adoraria que viesse um grupo de marmanjos refutar tudo aquilo, porque dificilmente algum homem pensa com tanto floreado.

Mas constato que ao analisar as mulheres, os homens também floreiam

É como se para as revistas femininas, os homens fossem umas mulheres de barba e calças, cheios de romantiquices (quando em geral, eles romanceiam mais tarde; a início, até conhecerem bem uma mulher, os seus pensamentos são bastante mais básicos, directos e bastante menos idealistas do que os delas). E para as revistas masculinas, as mulheres são umas criaturas sonhadoras e hipersensíveis que é preciso tratar com pinças, que querem acima de tudo ser compreendidas, cujas necessidades é preciso estudar em laboratório...quando na realidade até somos uns seres bem simples de entender.



É claro que há emoções que ambos sentem de forma igual: a insegurança, a paixão, o entusiasmo, o arrebatamento, a dor, a sensação de identificação e pertença (que vem da partilha profunda entre duas almas muito semelhantes e que se conhecem muito bem) a preocupação com o outro, o aguilhão do ciúme, são sensações que transcendem sexos.

 Por exemplo, alguns homens mais à moda antiga, quando estão armados em parvos, relativizam os ciúmes femininos (falo apenas dos ciúmes com razão de ser, claro) porque estatística, histórica e socialmente, cai menos mal um homem ser namoradeiro e os devaneios masculinos (os menos graves, pelo menos) devem ser descartados como simples rapaziadas. Já se uma mulher faz o mesmo, é o fim do mundo.

É a velha história: um homem sente-se mais ofendido se a traição for física, uma mulher se a sua posição estiver realmente ameaçada. Ora, tretas.

Quando se trata da dor provocada pela deslealdade, seja de muita ou pouca monta, não há cá tradição, nem género, nem padrões de comportamento, nem análises "será que ele gosta mesmo daquela pindérica?" ou "ela até podia estar apaixonadíssima pelo outro, mas se foi platónico está tudo bem".



 As pessoas ficam possuídas de raiva e pronto. Já vi mulheres a sofrer horrores perante aqueles casos "foi só uma one-night-stand, ela não significa nada para mim" e homens fora de si, a dizer "o pior é que ela parecia gostar mesmo daquele anormal". O veneno do ciúme poderá lá ter algumas diferenças no feminino e no masculino quando analisado a frio, mas provoca sintomas iguais. Dor no peito e taquicardia? Check. Faces a arder? Check. Vontade de desfazer o (a) rival em pó? Check. Tonturas e desejo de trancafiar o (a) infiel numa masmorra, deitar fora a chave e nunca mais lhe olhar para a cara? Percebem a ideia...

 Isto a propósito de um desses artigos que complicam bastante as mulheres. De 10 maneiras de afastar uma mulher, só dois ou três dos erros masculinos enunciados pelo autor são realmente preocupantes- essencialmente, ser inconsistente (ou não saber o que quer) e tratar o relacionamento como um part time que não se leva muito a sério. Tudo o resto é  irrelevante, já que se resolve aplicando as velhas fórmulas "seja você mesmo" e "seja honesto". 



 Com aquela hombridade e verdadeiro cavalheirismo que ou se tem ou não se tem e que traça a fronteira entre os homens e os rapazes, portanto. A sério, uma mulher não se podia ralar menos se um homem lhe dá "elogios errados". Acham mesmo que o mulherio não tem mais nada em que pensar? É claro que qualquer uma que tenha dois dedos de testa distingue um elogio sincero de conversa para adormecer meninos (ou meninas, neste caso), mas percebe que um homem que não a conheça bem vai elogiar a sua beleza primeiro. Ele não vai falar de coisas que ainda não viu como a sensibilidade, a bondade ou mesmo a cultura dela.  

 De toda a crónica, houve apenas uma informação que se aproveitou, e que qualquer homem decente deve guardar ou recordar para seu governo: a gentleman will never allow a woman to fall if he does not intend on catching her.



Ou seja, o que todas as mulheres querem é uma atitude e intenção recta. Força, honradez, palavra e coragem. Firmeza de sentimentos e de gestos, em todos os momentos. Não há nada mais feio do que prometer mundos e fundos, elaborar todo um crime perfeito de sedução (lá dizia Bob Marley, o maior cobarde de todos é o homem que se faz amar por uma mulher sem intenções de a amar de volta) quando não se tem certezas, ou há certezas mas falta integridade para agir de acordo.

Ou seja, quem age como um homem a sério está sempre a salvo. Porque nenhuma mulher a sério se rala com tanto fru fru. E isso de flores, elogios constantes e compreensão no sentido científico do termo vem por acréscimo, se vier, como um extra. Palavra de honra.

Sunday, July 26, 2015

Ven. Fulton Sheen dixit: o mal da auto-adoração


«A autodeificação é o mais triste de todos os erros. Aquele que se adora a si mesmo não tardará que não exclame " Bem quereria eu escapar de mim próprio!"».

Ven. Fulton Sheen

                      
É certo e sabido que quem não tem apreço por si mesmo não está em condições de amar outra pessoa. O amor próprio é preciso para que se cumpra o mandamento "ama o próximo como a ti mesmo". Incentiva cada um a crescer como indivíduo (e só quem tem vida própria, pode incluir outrem nela) a tornar-se melhor por influência da pessoa que ama, a cuidar de si para agradar ao espelho, mas também à cara metade. 

É ele que garante uma relação equilibrada com os outros: quem não se tem em grande conta perde a dignidade, torna-se uma esponja de afecto em vez de se doar, compara-se constantemente com os demais, permite eventuais abusos de poder e por mais beleza que possua, perde o poder de atracção. Ninguém gosta de inseguranças, nem de "pessoas tapete".

 No entanto, o amor próprio mal guiado pode cegar, como todas as obsessões. É danoso para quem ama o narcisista, mas mais ainda para o próprio. Recordemos o mito: a ninfa Eco amava Narciso, um rapaz belíssimo que era incapaz de sentir empatia fosse com quem fosse. Era um pateta que não se ralava com ninguém, mas a pobre ninfa foi pelos lindos olhos e apaixonou-se mesmo por ele. Certo dia os deuses, exasperados por vê-lo cada vez mais insensível e teimoso, rogaram-lhe uma praga: "que quem não se preocupa com os outros se apaixone por si próprio". 



O infeliz Narciso ficou possuído por uma paixão devoradora pelo seu reflexo e ficava dias inteiros deitado a olhar para ele, sem comer nem beber, incapaz de tocar a imagem amada...até que se afogou. Foi mau para a Eco, que ficou sem namorado, mas pior para o Narciso.

 Na cultura popular, o mito de Narciso reduziu-se um bocadinho, estando actualmente associado a alguém muito vaidoso. Mas para aproveitar a lição, é necessário compreendê-lo num sentido mais amplo e subtil: não é preciso ser superficial ou cheio de si para se auto adorar a ponto de complicar o relacionamento com os outros. Basta estar voltado apenas para si mesmo, querer tudo à sua maneira, pretender jogar um jogo de dois com as regras de um só. 

Amar implica sacrifício e doação...sair de si mesmo, deixar o espelho,  pôr-se no lugar do outro e devolver os esforços. Muitas vezes, nas pequenas coisas. Quem não sabe jogar em equipa, é melhor que brinque sozinho. Quem ama, tem de fazer um raciocínio simples, mas que às vezes escapa: "eu sempre procedi assim; estou bem assim;  não vejo mal nisto, mas se gosto de alguém tenho de considerar o que é importante para essa pessoa; aquilo que a magoa e aquilo que a faz feliz". Quem não for capaz disto, arrisca não ser compreendido, por melhores intenções que tenha. Comete sempre os mesmos erros. Fere sem querer e acaba por ser ferido de volta. Por soberba, deixa que a felicidade lhe escape e sofre constantemente, porque vê em tudo afrontas ao seu orgulho. O amor tem a vantagem de nos dar férias de nós mesmos. De nos entregar a outra pessoa, de nos tirar da frente do lago. Desejar isto mas não se levantar do sítio, vendo apenas o próprio reflexo, é uma maldição que priva quem se ama muito, quem se vê como uma divindade, da maior alegria para uma divindade: ser adorado.












4 dicas à prova de erro para escolher jeans de Verão



Jeggings H&M

Há dias falávamos de conselhos para não abafar nem perder o bom ar nos dias de muito calor.

No entanto, embora haja opções mais frescas - como saias, vestidos ou calças de algodão - é complicado dispensar os jeans. Estes básicos eternos não só permitem inventar um outfit rapidíssimo, como estão na ordem do dia- com modelos como os flare jeans a dar cartas! E os skinny? Tornaram-se um uniforme tão simples para a maioria das mulheres que é uma crueldade pô-los de parte.

A má notícia? É que apesar de os lookbooks das marcas estarem cheios de opções muito bonitas à vista, quando vamos às lojas a história é outra. Ainda não compreendi o porquê do fenómeno... mas de há algumas colecções a esta parte, as gangas finas, "de Verão" que surgiam todos os anos certinhas como os gelados da Olá, deixaram de estar garantidas. A maioria das marcas limita-se a alterar os modelos e as cores, fazendo-os em materiais espessos (óptimos para o Inverno) e até ásperos (o que é de evitar como a peste em qualquer altura do ano).

Mom jeans, H&M


 Antes de correr em busca de umas "calças de ganga fresquinhas", vamos ver umas dicas para não comprar gato por lebre (o que pode acontecer ao fim de uma busca extensa, com os pés a doer e em modo "levo qualquer coisa para não voltar de mãos vazias"). Procurar e experimentar jeans é um dos processos mais desgastantes na arte de ir às compras e nos dias de calor, mais penoso se torna.

1- Defina o (s) modelo (s) que procura antes de sair de casa

 O que é que lhe está a fazer mesmo falta? Os jeans tendência ( como os flare jeans de cintura subida ou uns mom jeans)?  Calças casuais e confortáveis ( boyfriend, girlfriend jeans ou relaxed skinnies?) Ou um modelo slim ou skinny em versão leve, com cintura regular ou alta, para substituir os seus inseparáveis skinny escuros? Qual é a cor e lavagem que deseja? Dê uma olhadela aos lookbooks das lojas onde pensa ir. Se não tiverem, salte essas marcas: poupará passos e compras por impulso.

Flare jeans de cintura subida, J Brand


2- Seja EXTRA exigente

Se foi comprando em colecções passadas (e o seu tamanho se mantém) terá no seu armário a maior parte dos modelos vigentes, mais coisa menos coisa. Por isso, se o que lhe falta são versões leves do mesmo, ponha isso como prioridade. Não se contente com menos, por mais apelativo que o design seja. Lembre-se, você não ficará parada dentro de uma montra com ar condicionado, como o manequim: vai precisar de se mover sob um calor das Arábias. Tenha isto em mente o tempo todo!

3 - Toque antes de experimentar...e depois experimente!

Nada mais cansativo do que vestir e despir quinze calças diferentes (embora às vezes seja preciso). Logo, se puder limitar, melhor. 
 Peça ajuda ao pessoal da loja para ter a certeza de cobrir todas as opções, já que algumas distribuem os jeans por vários locais e expositores diferentes (truques de marketing para nos obrigar a olhar para as outras peças à venda!). Seja específica: modelo e cintura alta, média ou baixa.  Depois, dentro desses escolha as gangas mais finas e/ou stretch nas cores que deseja. O denim mais fino servirá só para a estação quente; ganga stretch um pouco mais espessa usa-se quase o ano todo. Já se sabe que os tons escuros são mais adelgaçantes, intemporais e  versáteis e ficam bem mesmo no Verão, por isso pode ir por aí se quiser comprar um par apenas. 

O mais importante, porém, é evitar costuras rígidas (certifique-se de que as linhas têm um toque aveludado) e a ganga "dura" ou pior, que parece "picar" ou "largar pêlo". Materiais ásperos, além de insuportáveis,  são péssimos para a pele e  podem mesmo romper vasos capilares se tiver problemas de circulação. Uma nota: poderá escolher um tecido mais elástico - desde que, ao experimentar, seja firme o suficiente para moldar as curvas sem as arredondar demasiado, e sem brilho. No entanto, a ganga muito extensível costuma durar menos, por isso não se recomenda um investimento grande.


4 - Tamanhos

Se no Inverno é ideal comprar jeans skinny (ou outro modelo cingido ao corpo) exactamente no seu número para garantir que não vão alargar na cintura e nos joelhos, no Verão as calças tendem a ficar mais apertadas ao longo do dia (o que é insuportável) e a não "subir" como devem. Considere a hipótese de as trazer num tamanho acima do costume, desde que lhe assentem bem (isto é mais fácil nas marcas que trabalham com numeração em polegadas).


Boas compras!



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