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Saturday, August 22, 2015

Sabemos que temos excesso de roupa/livros/sapatos etc quando...

De casa dos horrores a casa dos armários


...estamos a ver este filme, em que um serial killer tem uma casa com dependências e recantos que nunca mais acabam, mais dois laboratórios bem grandes para estraçalhar pessoas e ainda uma cave enoooooooorme (onde vai emparedando as suas vítimas) e em vez de nos enervarmos com o thriller, só nos ocorre pensar "aquela casa é que me convinha; ali fazia um despenseiro, nos laboratórios criava um duplo walk in closet; aquela salinha secreta vinha mesmo a calhar para livraria" e assim por diante.

Resta o consolo de o espírito prático e o sangue frio estarem sempre presentes, o que pode vir a  dar jeito caso (o diabo seja surdo) nos encontremos alguma vez fechadas em casa de algum louco.

Quem é capaz de equacionar onde mandava fazer armários num cenário de terror, também é capaz de engendrar armas de auto defesa com o que estiver à mão e memorizar o covil todo para o descrever em detalhe às autoridades.

Cavalheiros, a culpa também é vossa.




"Se vós, os rapazes, com o vosso proceder mostrásseis que preferis as raparigas recatadas, elas mudariam sem dúvida. Mas como muitos preferem as desenvoltas, para poderem abusar, elas julgam que têm de ser umas cabeças no ar. E agora procurais uma rapariga digna e com dificuldade a encontrais".



Se é verdade que as mulheres são a espinha moral da sociedade, que "uma sociedade de mulheres imodestas é uma sociedade de homens sem compromisso" e que a elegância e a dignidade feminina começam em casa, também não é mentira que os homens têm uma quota parte de responsabilidade no assunto.

  Infelizmente, tem-se vindo a cair numa cultura de desresponsabilização para os dois lados: elas são tratadas como umas coitadinhas, que não têm qualquer tipo de controlo sobre as reacções que provocam (e.g: piropos desagradáveis) nem pelas consequências dos seus actos; por seu turno, aos homens são desculpadas todas as atitudes pouco varonis com o pretexto da "igualdade". Já "ninguém leva a mal" se um rapaz é pouco cortês ou se se aproveita da ingenuidade ou falta de juízo feminina, porque não é suposto um homem ser protector, cavalheiresco e racional.

O texto acima é do início dos anos 1950, mas aplica-se mais do que nunca numa época em que se incentiva as mulheres a vestir como artistas de cabaret e a serem predadoras, invertendo a ordem tradicional das coisas  (o que é muito conveniente para quem tem preguiça de assumir um papel realmente masculino, quer coleccionar conquistas fáceis ou não tem pejo de apresentar aos pais uma rapariga talvez demasiado "moderna").

 Em tempos idos, se um homem estava interessado numa rapariga que se mostrava demasiado desenvolta, era esperado dele que não se aproveitasse da sua tolice; havia uma grande separação entre o comportamento apropriado e o das raparigas que não eram "para tomar a sério". As pessoas sabiam melhor o seu papel.

Hoje as fronteiras esbateram-se tanto que são imensas as que - até sem má intenção - acham que precisam de se vestir e pintar com vulgaridade para estarem bonitas ou para chamar a atenção masculina. Em certos meios, há quase uma competição a ver quem dá mais nas vistas - porque afinal, há sempre quem não se importe de namorar com uma rapariga desse tipo.

Se o relacionamento será de qualidade, se há respeito numa relação dessas, isso já é outra história. Quando vejo um rapaz exibir por aí uma namorada em trajes pouco adequados, fico sempre na dúvida quanto à natureza desse "amor".

  Por sua vez, há homens fracos que, acostumados à lógica das relações "test drive" se sentem lisonjeados com a selfie provocante que lhe enviaram, ou com o assédio de determinada rapariga...não vendo que não há aí qualquer consideração especial pela sua pessoa: simplesmente, a jovem terá por hábito ser serigaita...agirá da mesma maneira com outro qualquer que lhe desperte o interesse.

 Recentemente foi-me dado ver um triste exemplo. Um rapaz honesto e trabalhador, mas algo ingénuo, casou com uma mulher a tender para o vulgar, que se prezava de ser muito moderna e poderosa- mas só no que lhe convinha. Ele mourejava dia e noite para lhe dar os luxos que ela não dispensava...ela durante o dia não fazia nenhum e à noite saía com as amigas, como se fosse solteira. Tiveram uma criança, mas isso não fez com que a tola acalmasse: a sua alegria era vestir como uma bailarina funk, apesar de estar algo fora de forma. Quando passeavam juntos, ela recebia piropos grosseiros...ele sorria e encolhia os ombros. "Gosta de se embonecar!" (como se não fosse possível embonecar-se sem cair no ridículo) "os outros olham, mas eu é que vou com ela para casa!". Enfim, o rapaz era um paspalho. Podem imaginar como a história acabou...mal ele se ausentou em trabalho, ela tratou de fugir com o Carlão do ginásio...

O semelhante atrai o semelhante. O que me lembra um velho conto que li há tempos: numa certa terra, era costume libertar-se um condenado à morte se alguma moça se prontificasse a casar com ele. Ora, estava para ser fuzilado um soldado e uma rapariga lá do burgo, muito produzida e atiradiça, vendo-o jovem e bonito teve pena e voluntariou-se. O rapaz olhou para ela, endireitou-se e disse: senhor carrasco, ande lá com isso! É uma descaradona, vestida de bailarina...antes a morte!

 Se um homem não é um fraco, um tolo ou um dissoluto, evitará encorajar tais comportamentos na hora de escolher um relacionamento sério.

Quanto às meninas e senhoras, cabe-nos a todas zelar para que não seja um certo tipo de "homem", o que não conhece a hombridade, a firmeza nem o cavalheirismo, a determinar as escolhas femininas. Se as mulheres se apresentarem e agirem a pensar na sua dignidade pessoal, nas atitudes que desejam convidar e nas companhias que pretendem atrair com isso, evitarão trazer para a sua vida um brutal, um grosseirão, um mulherengo...ou um paspalho. Entre os dois, não sei qual será pior!


Friday, August 21, 2015

A alegoria de Nicki Minaj no Madame Tussauds




Nicki Minaj tem uma réplica no Madame Tussauds de Las Vegas. Como é óbvio, a figura de cera foi aprovada pela própria, que até posou para as as medidas e adorou o resultado (nas suas palavras, "icónico"). 

 Como costuma acontecer, a cantora foi retratada na sua pose mais famosa. Já se sabe, espera-se que um  boneco de Freddie Mercury apareça de braço erguido e de microfone na mão, que o de Michael Jackson esboce um moonwalk, que o de Sua Majestade a Rainha Isabel II esteja numa postura de tranquila dignidade e que Nicki Minaj, enfim...esteja nos preparos de Nicki Minaj.

Se calhar o museu exagerou no mau gosto (em Las Vegas vale tudo...) pois tomou o costume ao pé da letra e colocou-a enfim, de gatas e derrièrre em evidência. E o que é que os visitantes fazem sempre no Madame Tussauds? Interagem com  as figuras para mais tarde recordar e publicar nas redes sociais. E às vezes fazem-lhes judiarias, algumas menos apropriadas. Podem por isso imaginar o tipo de brincadeiras a que a Nicki Minaj de cera se sujeita. Houve mesmo um indivíduo mais brutamontes que esqueceu que podia haver crianças por perto e se divertiu a partilhar isto no Instagram.

Face a tais cenas, os responsáveis do Madame Tussauds decidiram reforçar a segurança e colocar a instalação de forma diferente, para impedir exageros. 



 Até aí, nada de estranho. O que me parece disparatado é que a revista Marie Claire se indigne e escreva, literalmente "Que horror!As pessoas estão a ser tão malcriadas para o boneco de Nicki Minaj! Que maneira horrível de tratar uma rapper tão bem sucedida!". 

Pondo de lado que o museu devia ter antecipado as consequências (pois já se sabe que parte da humanidade tem uma propensão inata para a ordinarice e nenhum auto domínio) é muito wishful thinking dizer tal coisa. É certo que há pessoas tão mal educadas que até com a figura da Rainha abusam (tal como na vida real há loucos para tudo) mas são casos isolados. 

 Eis mais um artigo a retirar às mulheres todo o sentido de responsabilidade; a defender a ideia utópica e perigosa de que as pessoas são essencialmente boas e que, se forem doutrinadas o suficiente, nenhuma mulher será incomodada se andar por aí vestida e a mexer-se como Nicki Minaj. Ainda que isso venha a ser possível no futuro (eu não tenho tanta fé no ser humano; andamos há mais de dois mil anos a dizer "não matarás" e o resultado está à vista) há outro aspecto, este positivo, que convém sempre ter em conta: o sentido do decoro e do ridículo.

 Se a escultura de Nicki Minaj é apresentada em poses pouco decentes, está a convidar a quê? Ao beija mão? A que os rapazes se ajoelhem a fingir que a pedem em casamento?

 Lá está: as atitudes, gestos e apresentação de cada um(a) comunicam ao mundo como se deseja ser tratado (a). É a velha máxima "se quer que sejam cavalheiros consigo, 
porte-se como uma senhora". 

O exemplo é de cera, mas convém que se aplique à vida real...










Wednesday, August 19, 2015

As coisas que eu ouço: o conciliábulo das redondinhas


Numa mesa de café, três mulheres bastante novas a conversar. Podiam passar por irmãs, tão parecidas eram: todas da mesma altura, vestidas da mesma maneira, com o mesmo penteado (um rabo de cavalo feito à pressa e bastante puxado para trás). Supus no entanto que fossem amigas, já que cada uma contava em pormenor como ia a sua dieta e o que andava a comer ao almoço e ao jantar...

Dizia uma: eu já perdi três quilos, não notas? E outra: eu estou mesmo contente, já perdi quatro...

E isto bem alto, para quem queria (ou não) ouvir, todas animadas, seguido pelos detalhes do regime milagreiro...

Ora, longe de mim fazer pouco de quem quer que seja por ser gordo ou magro, já que nem sempre está na mão de cada um (a) o engordar e o emagrecer, nem a maior top model está livre de, sei lá, ver-se obrigada a tomar uma medicação que provoque um inchaço terrível. O que é mau é o desleixo: vejo por aí raparigas muito jovens, que ainda nem tiveram filhos, que não têm o menor cuidado, tratando de cultivar e exibir um barrigão como se tivessem tido três ou quatro e bebido muita cerveja toda a vida...

Não era no entanto - ou deixara de ser por enquanto - o caso destas, todas empenhadas na beleza e na saúde. O que me fez rir foi a sua indiscrição, já que sempre me ensinaram que estas coisas de dietas não são para berrar ao mundo, muito menos enquanto se come ou bebe. No mínimo, até ter dado mesmo resultado! E aquelas três, segundo ouvi e vi (e ouvi tudo, porque não podia evitar) ainda estavam muito longe do objectivo final...

 Mas o pior não era isso: com a sua avantajada figura, cada uma mais rolicinha que a  outra, rechonchudinhas que dava gosto, estavam vestidas com um à vontade que ninguém diria que se preocupavam com o seu aspecto: tank tops de cava americana, a realçar umas costas capazes de rebater toda a maledicência e uns braços de pôr em sentido a Padeira de Aljubarrota; calças de algodão justas, a revelar todas as redondezas...enfim, uma flagrante mostra de abundâncias. Com tanta roupa adequada a curvas de tamanho maior, e elas naqueles preparos.

Nem quero imaginar o que (não) vestirão caso venham mesmo a emagrecer...com o entusiasmo, são capazes de se juntar ao exército das leggings, mini vestidos e por aí.



O complexo "Senhor, faz-me bom, mas não já"



Esta conhecida frase de Santo Agostinho - que na sua juventude se debatia entre os apelos da estroinice e o desejo de se emendar - é das mais eloquentes a resumir o comportamento humano, mas sobretudo um certo tipo de atitude masculina. O desabafo do Santo continua tão actual que Robbie Williams se baseou nele para escrever uma canção, Make me pure.

Agostinho ansiava por atingir o seu máximo potencial, por ser bem comportado, por viver uma vida regrada, por deixar de dar desgostos à mãe, Santa Mónica. Sentia a atracção da Fé e sabia as obrigações que vinham com o caminho que o apaixonava e que queria abraçar. 


Nada disso o contrariava, ninguém o obrigava a mudar de comportamento, não havia pressão alguma para tal mudança a não ser a sua própria vontade. 

E no entanto, ele resistia a modificar-se com todas as forças. Preso a uma liberdade que ele não sabia bem para que servia e que em boa verdade, não lhe dava satisfação. Amarrado a um reflexo de rebeldia, de imaturidade. Agostinho não tinha coragem de agarrar aquilo que mais desejava, por isso lá ia fugindo à questão, adiando, rezando sempre o mesmo estribilho "Senhor, fazei-me bom, mas não tão cedo; dai-me castidade e continência, mas não já". E andou vários anos a rezá-lo...claro que a oração era eficaz, pois voltava sempre a cair no mesmo.

Talvez as rapaziadas, as farras, as más companhias e a irresponsabilidade já tivessem deixado de ter graça, mas custava-lhe muito abdicar da opção de voltar a elas, se quisesse. Não era pelas bebedeiras, os casos inconsequentes e a má vida em si: fazia-lhe mais confusão o acto de lhes virar as costas para sempre. 


De saber que a sua vida ia mudar por um amor verdadeiro e maior. Arrancar-se desse torpor foi algo que lhe custou imenso. Mas como tinha fé, inteligência e uma mãe extremosa a velar por ele, lá acabou por pensar  "se vives em pecado e Deus não te castiga, mau sinal é" e arrepiar caminho enquanto era tempo, deixando de desperdiçar os seus melhores anos e de magoar quem se preocupava com ele.


 Imensa gente age como o jovem Santo Agostinho. Aliás, todos somos um pouco assim às vezes: há quem queira emagrecer, deixar este ou aquele vício, libertar-se de um mau hábito qualquer, fazer aquilo que está certo, mas vai adiando. Pode até nunca rezar, ser de um ateísmo extremo, porém diz a mesma coisa: quero aperfeiçoar-me... mas mais tarde!". É normal ter medo da mudança e das maçadas que ela acarreta, mesmo quando se muda para melhor.

Porém, é entre os homens que se vê mais este estranho conflito. Muitos querem crescer, deixar para trás os disparates de rapazes para passarem a ser homens: o dever chama-os, encontram o amor, a vida obriga-os a assumir negócios de família e outras responsabilidades, despertam para a noção de que não estão neste mundo para agir como eternos estudantes, eternos meninos. Um dia olham-se ao espelho e percebem que está na hora de construírem um legado, de pensarem no futuro. Acabou-se a brincadeira.  E a ideia sensata de "vestir a toga viril", como diriam os romanos, parece-lhes tão aterradora como desejável. 


Na sua imaginação (como alguém que sonha ganhar o euromilhões, mas fica apavorado ao pensar como ia gerir uma alteração de vida tão repentina) vêem as correntes, os grilhões, o fardo sobre os ombros, a portas fechadas às criancices que em boa verdade, já perderam a vontade de fazer; imaginam que não serão mais senhores de si mesmos.

Quando na realidade, estão perto de finalmente, se tornarem senhores de si. A libertação das fraquezas e brincadeiras menos dignas da juventude é o primeiro sinal de poder.

Tradicionalmente, os estudantes de Coimbra, ao concluirem o curso, fazem o "rasganço". Despedaçam o traje que os acompanhou na vida boémia. Não vão mais precisar dele. Exorcizam o moço ingénuo e influenciável para deixar ficar o homem útil, capaz e responsável. Santo Agostinho não terá tido um "rasganço", mas fê-lo simbolicamente. Creio que imensos cavalheiros precisariam de um ritual parecido...


 

Tuesday, August 18, 2015

O que vamos calçar este Outono?


Como vimos há dias, as modas & elegâncias deste Outono-Inverno não vão trazer consigo novidades de espantar. Trata-se antes de acrescentar detalhes subtis àquilo que as mulheres se habituaram a usar em temporadas recentes. É como se, sabendo o que as consumidoras apreciam, os designers as tentassem a adicionar exemplares à sua colecção. Isto é mau? Não me parece. Quando se descobrem receitas que funcionam, é natural que se queira explorar essa fórmula, silhueta ou salto.

1- Pumps clássicos

Dolce & Gabbana

Regressaram para ficar nas últimas temporadas, as mulheres apaixonaram-se por eles porque dão um toque instantaneamente elegante ao coordenado mais simples e os designers deram ouvidos ao apelo das consumidoras. Fantásticos para saias e calças slim, skinny ou cigarrette, vamos vê-los pontiagudos (Nina Ricci, Fausto Puglisi) arredondados (Marni) e intermédios (Jimmy Choo) com saltos finos ou espessos de todas as alturas e numa variedade incrível de materiais.

A novidade: os mary janes de aspecto vintage ( (Nicholas Kirkwood, Prada, Dolce & Gabbana) de todas as cores e texturas, muito femininos ou de aspecto mais desportivo e edgy. Se tem saudades dos "sapatos de fivela" este é o momento certo para comprar uns ou reciclar os pares que possa ter guardado.


2 - Botins

Pucci

Tornaram-se um básico e rapidamente se percebeu que as mulheres não se cansam deles, com boas razões: bem escolhidos e usados adequadamente são de facto viciantes. Dos modelos simples e bicudos (Yves Saint Laurent) aos saltos espessos e fantasiosos (Cavalli) passando pelos sóbrios e elegantes (Pucci) as inspirações são tantas que não há motivo para os abandonar tão cedo.

A novidade: os saltos esculpidos com plataforma em materiais e cores extravagantes (Gucci) que lembram os anos 90 poderão agradar às mais jovens, ousadas ou que apreciem um look alternativo.


3 - Botas e Cuissardes

Dior

As botas clássicas apareceram de salto médio a alto e  pelo joelho (Dolce & Gabbana) ou de cano largo, em cores ricas e materiais luxuosos como a pele de cobra (Chloé, Lanvin).  Já as versões thigh high querem-se  realmente longas - pelas coxas, a fazer jus ao nome (Pucci, Alberta Ferretti, Christian Dior , McQueen, Aquazzura, Burberry, Calvin Klein) em camurça, veludo, verniz ou latex. A boa notícia é que modelos destes estarão mais disponíveis quer em versão luxuosa, quer nas marcas de fast fashion (vide Zara, com pelo menos três opções). Escusado será lembrar, no entanto, que estas botas exigem bom senso e um óptimo styling para favorecerem a figura e não parecerem vulgares (ver dicas aqui).

A novidade: o regresso das botas (pelo joelho ou mais longas) em tecido ou pele extra fina, que se calçam como se de meias se tratassem (Bottega Veneta): perfeitas para usar com saias! 



A paixão, instrumento do amor



"Imagino que se devia deixar de querer uma coisa que se pode ter. Mas não deixo de te desejar". 

"Era o meu companheiro. Éramos um só. Estávamos ligados um ao outro. Bastava eu tocar num dos seus ferimentos que logo sentia a dor no meu próprio corpo, pois esse era o meu ferimento. Não tínhamos segredos um para o outro. Nunca amou outra mulher que não eu e aconteça o que acontecer, nunca amarei outro homem. A primeira vez que me envolveu nos seus braços tive medo. Mas depois, uma sensação maravilhosa tomou conta de mim. Compreendi subitamente que jamais morreria. O meu amor era imortal. Nada mais me poderia ferir."

Howard Fast, Spartacus (1951)


É curioso como a maioria dos textos, filmes e imagens amorosas actuais exaltam a paixão, levando a que esta seja confundida com o próprio amor, ou com o amor verdadeiro, se quiserem. Não nos enganemos: não são a mesma coisa.

Porém, a paixão tem o seu mérito; é mesmo essencial. Um grande amor destituído de paixão, se tal coisa pudesse existir, seria uma maçada insuportável. É fraca a teoria do amor profundo, mas morno: embora uma relação assim possa sobreviver com base na admiração, no respeito, no pragmatismo e no sentido do dever, falta-lhe o combustível para que seja de facto uma coisa viva. E é suposto o amor fazer viver, embora possa ser fatal às vezes: é precisamente essa dualidade que o torna especial. Um sentimento sólido, mas que se alimenta da fragilidade. Não se ama aquilo que não se teme perder.



 A própria origem da palavra paixão (do latim pati, "sofrer") explica tudo. É o desejo intenso por algo, o recear e ansiar por alguém, inquietação, um sentimento avassalador que só encontra repouso numa posse segura. Mas essa tranquilidade, desde que a paixão seja justificada por um amor verdadeiro, é apenas momentânea; a ansiedade é sempre renovada. Quem ama não consegue saciar-se da beleza que encontra no ser amado, beleza essa que parece de tal modo rara a seus olhos que não pode ser substituída por nenhuma outra. 

 Ora, sem o sofrimento da paixão, não existe a capacidade de sofrimento e de sacrifício que o verdadeiro amor exige. Ovídio dizia que o amor é uma coisa cheia de medos ansiosos, que não convive bem com a majestade, a arrogância e o auto domínio; um condutor feroz que arrasta consigo as suas vítimas e só se acalma quando elas cedem ao seu poder. Só favorece os audazes e não é missão para cobardes.


 Essa coragem de não pensar, de mostrar mútua vulnerabilidade e entrega, é motivada pelo impulso cego da paixão. Mas a paixão em si mesma não é o amor verdadeiro; é apenas uma das suas facetas, um seu instrumento, a sua motivação e ao mesmo tempo, resultado e recompensa do amor. Não o amor em si.

Pensemos no amor verdadeiro como uma grande cidade, uma coroa de civilização: tem raízes profundas, história, antepassados, alicerces, edifícios. É sustentada por água e alimentos, defendida por forças de segurança, por leis e por estruturas. É, portanto, um organismo complexo.

 A paixão está para o amor como a electricidade está para uma grande cidade: permite-nos apreciá-la, pô-la a funcionar, iluminá-la à noite quando tudo parece escuro, protegê-la do frio e ornamentá-la com bonitas luzes festivas em ocasiões especiais. Só por si, no entanto, não define nem sustenta uma cidade. 

Um "amor" baseado somente na paixão é como um navio que possui apenas a casa das caldeiras.



No entanto, essa é a ideia redutora que nos pintam tantas vezes nas actuais "histórias de amor". Um sentimento imediatista, pouco elevado, quase simplório, egoísta, que vive da gratificação fácil. A faceta instintiva, imediata, menos racional do amor é imprescindível, mas não constrói alicerces, não cria raízes. Não dura. Se não se apoiar em algo mais profundo, desaba como um castelo de cartas. O amor tem esses vulcões, mas não pode perdurar se depender só deles, porque os vulcões, como as emoções egoístas que compõem a paixão ou a electricidade mal usada, são incontroláveis. Ovídio também lembrou que o amor alimentado depressa demais, ou à base de ciúme, acaba mal. 

Quando é real, o amor é maior do que isso: inclui a paixão, o fogo, o ciúme e a posse que permitem todos os feitos extraordinários, toda a nobreza e que ao mesmo tempo, lhe dão magia e intensidade. Mas tem muitos outros requintes e detalhes: a telepatia que só os verdadeiros apaixonados conhecem. A profunda identificação e empatia com o outro, de tal forma que parecem uma só pessoa. Um respeito e veneração que não se desvanecem. O impulso de elevar e construir. A resistência a todos os embates, separações e adversidades. A imortalidade e a constante renovação - mesmo da paixão, que pode acalmar com o tempo mas se o amor é de raiz, nunca conhece verdadeiro descanso.

Monday, August 17, 2015

Quando as revistas punham juízo no mulherio #2




Recordam-se de no mês passado termos visto uma carta num "Correio Sentimental" de 1960, em que a revista pôs uma leitora desgostosa e desmiolada no lugar, dando-lhe um chá de bom senso?

 Quanto mais exploro as publicações femininas desse tempo, mais me admiro com o sentido de responsabilidade que procuravam incutir nas mulheres. O "nada é errado se te faz feliz" não estava na moda como hoje e não se punha o "corre atrás dos teus sonhos doa a quem doer" acima de tudo. Apesar dos contos românticos, das fotonovelas, das notícias de celebridades e das dicas de moda, quando se tratava de falar em comportamento as jornalistas de então apelavam ao uma boa dose de realismo e sentido do dever.

Observemos um exemplo de Abril de 1967. Uma anónima dos seus vinte e muitos anos escreveu para a Crónica Feminina nos seguintes termos (e olhem que conheço muitas que pensam exactamente assim):

"Sou casada e tenho uma filha mas não sou feliz. O meu marido é severo comigo e trata-me mal. Outra coisa que me aflige bastante é que gostava de ser artista, de cantar, de fazer cinema e teatro. De noite só sonho com essa vida que tanto desejo; de dia só penso nela e passo muito tempo a ler revistas que falem de artistas. Estou apaixonada por essa vida, mas também gosto muito da minha filha...por favor ajude-me a resolver esse problema".




Eis como lhe responderam: 

"É inconcebível que uma mulher casada, com uma filha de quem diz gostar, centre todos os seus desejos num sonho de sentir-se em evidência e fazer parte do mundo dourado do espectáculo. Respeito extraordinariamente as vocações verdadeiras que levam alguém a dar o melhor de si mesmo à arte que escolheu. Não é no entanto o que se passa consigo. Nem sabe ao certo o que gostaria de ser; a única coisa que a fascina é a notoriedade, o olhar das multidões, o êxito, a fama. Acorde enquanto é tempo, por amor de Deus! Não é já uma garota de quinze anos para sonhar assim, esquecendo a realidade que se esconde atrás do brilho dos projectores! Ser artista não é fácil: quantos ficam pelo caminho ou marcam passo num obscurantismo que nunca conseguirão abandonar! A severidade do seu marido não será principalmente fruto de não encontrar em si a mulher que desejava para companheira mas apenas uma cabeça cheia de ilusões, que não sabe viver cada dia nem ser mulher e mãe no verdadeiro sentido do termo?".

Agora, imaginemos que conselhos dariam hoje os "consultórios" do género, ou as amigas de uma jovem mulher casada e mãe, com responsabilidades mas talvez demasiado tempo livre em mãos, que decidisse de um momento para o outro que queria ser famosa, por vaidade e escapismo (pois assumo pelo conteúdo da carta que a leitora não tivesse um percurso ou estudos nas artes do palco enquanto solteira) deixando as suas obrigações para trás e entretendo-se com folhetins todo o santo dia.

 Estou a ver o filme... seria o "consultório" a recomendar "concorra ao Ídolos! Reconsidere a sua relação porque o parceiro não tem o direito de a limitar; talvez tenha casado demasiado cedo, quando não tinha descoberto o seu verdadeiro "eu" e estado em contacto com a sua deusa interior", etc. E as amigas: "mostra o teu talento, amiga ! Vai atrás dos teus sonhos! Inscreve-te na Casa dos Segredos! Pede o divórcio porque homens há muitos e nós somos poderosas, blá blá blá".



No meio disto tudo, bem gostava de saber como a história acabou. Será que a jovem desmiolada até tinha jeito, tentou umas aulas de canto e lá convenceu o marido a apoiá-la, mas em termos de gente ajuizada?

Será que confrontada com a realidade, viu que tinha tanta voz e presença de palco como uma cenoura crua e ganhou tino? Será que nunca deixou de ser desmiolada e o marido ficou a sofrer-lhe tudo? Ou o marido terá agido como um homem do seu tempo e ido devolver a tontinha a casa dos pais? E a pobre criança, como ficou? Mistérios...



Ordinarómetro, parte II: desmascarar uma serigaita em sete passos


Conforme prometido, aqui fica a continuação do mini guia anti ordinarice. Como saber se aquela rapariga tão simpática é uma interesseira em potencial, ou uma mulher da luta capaz de transformar a vida de um pobre rapaz num pesadelo?
 E para as senhoras: a sua cara metade é um amor, de perfeita confiança, e ninguém gosta de andar a controlar o que ele faz ou não faz, mas...se uma estranha desperta aquela sensação desagradável, se calhar é o seu ordinarómetro a falar mais alto.

Never fear, o detector de serigaitae atiradicis vulgaris nunca falha e existe para servir todas as pessoas de bem. 

Vejamos então a anatomia da espécie, para a identificar em menos de um Credo:

1 - Tem cara disso e ar disso...


É triste dizê-lo (e é sempre um indicador passível de erro, que não convém levar em conta per se) mas lá dizia Oscar Wilde, "só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências". Ou como tenho visto escrito por aí, "uma doidivanas até poderá vestir-se como uma mulher discreta, mas nenhuma mulher discreta se veste como uma doidivanas". Não é a roupa que faz o carácter, é o carácter faz a roupa, etc. Em suma, uma mulher apresenta-se, inconscientemente ou não, como gostaria de ser tratada. E a serigaitae pavonis quer alguém que trate dela, ponto; nem que seja mal. Trajes muito reveladores e de aspecto duvidoso não indicam nada de bom - no mínimo mostram mau gosto, falta de noção, insegurança e attention whoring e quem sofre disso tudo é provavelmente uma pessoa pouco ética, que pode não hesitar em aproveitar-se de alguém ou interferir no relacionamento alheio. 

Depois há o que se chama "cara de serigaita", pronto. É difícil de definir, mas existe e costuma andar de mãos dadas com poses, caras e boquinhas. Um olhar vazio e "burrinho", vulgo olhos de tubarão, também é um valente sinal de alarme. 

2 - ...Ou não faz vista, mas só porque não pode


Um tipo particularmente perigoso de serigaita é a que não parece ameaçadora porque coitada, não é bonita ou mesmo do tipo "grosseirota, mas vistosa". Esta serigaita toda a vida foi o patinho feio, ou a menina sem graça, demasiado gordita/magricelas e acanhada que nunca teve muitos admiradores, por isso quando muito atreve-se a um decote monumental para sair à noite ou coisa assim. Não é vaidosa, mas só porque tem preguiça ou poucas hipóteses. No máximo, terá olhos de tubarão ou cara de serigaita, mas é preciso estar mesmo atenta (o) para reparar nisso. Faz portanto o tipo sonso, do mais sonso que há. O perigo da serigaitae sonsae é que ela muitas vezes está sossegada, insinuando-se discretamente até um ser do sexo masculino lhe dar dois dedos de atenção. Então fica histérica de felicidade, nem que essa atenção tenha sido de simples cortesia, que o rapaz seja comprometido ou esteja muito fora do seu alcance. E agarra a "oportunidade" com unhas, dentes, pés e todas as artimanhas que assistem às serigaitas veteranas (já lá vamos). Perde toda a noção da decência, torna-se uma lapa e faz justiça ao mito "as raparigas sem graça esforçam-se o triplo". Quando se dá pela serigaitae sonsae, o estrago pode ser irreparável.

3 - Viva a iniciativa, o simplex e a marcação cerrada


 Uma pobre serigaita desconhece que mais vale ser desejada do que aborrecida; nunca aprendeu a bela arte feminina de se deixar cortejar, nem que quando uma mulher se atira à cara de um homem, o mais certo é acabar aos pés dele. Cresceu, coitada, a acreditar nas séries, nas telenovelas e em certas revistas, que recomendam que o caminho para o coração masculino é mostrar-se tão disponível como um menu do McDonald´s. Se calhar esta comparação é ofensiva para os pobres cheeseburguers, que estão quietinhos na cozinha até alguém os mandar vir.
 A serigaitae atiradicis vulgaris é mais como uma pizza entregue em casa sem que ninguém a encomendasse. Sempre agiu assim e age assim com todos, por isso é uma tolice que um homem se sinta especial com tanta facilidade e solicitude. Ela não está louca pelo rapaz: está louca por arranjar um rapaz. Ou pelo dinheiro/ estatuto do rapaz. Got it?
Ela convida ou faz-se convidada. Se conhece um cavalheiro de Évora e ela é de Braga, no fim de semana seguinte monta-se no carro, numa trotinete, numa vassoura se preciso for e telefona a dizer que está nas redondezas. Se possível, vê se ele a convida para pernoitar lá em casa e se ele viver com os pais fantástico, já ficam apresentados. Bombardeia o coitado com mensagens, finge gostar de tudo o que ele gosta, declara-se antes que ele mostre interesse nela e caso haja a mínima brecha, quando ele dá por si está metido numa grande embrulhada. Nota: caso o homem em causa seja comprometido, isso é irrelevante, ou quase, para que a serigaita tente aplicar a maior parte das técnicas atrás descritas.

4 - No "Like" é que está o ganho

Facebook, twitter, instagram...vieram dar tanto jeito às serigaitas como o Blitzkrieg ao Hitler durante a II Guerra. Afinal, uma serigaita move-se como um tanque, sem ver os obstáculos, as conveniências e as tristes figuras diante do seu nariz. 
Ora, um like ou comentário casual dá-se a qualquer pessoa, se vier a propósito. Mas a reserva feminina aplica-se a todos os aspectos, e o que é demais é moléstia. 

Se uma rapariga coloca desavergonhadamente likes a TUDO, se segue cada espirro que o alvo dá, se trata de marcar território em cada canto da página do infeliz (mesmo em postagens que para ela são chinês) e caso ambos apareçam numa publicação os amigos e a família dela desatem a comentar de modo a incentivar o arranjinho (vulgo "que lindo casal!" quando nada podia estar mais longe da verdade ou "és lindíssima" a despropósito, porque ela até está mais para saco de batatas ou ficou com os olhos tortos) cuidado. 

É muito descaramento junto, e nenhuma mulher bem comportada dá tanto nas vistas. Pior ainda: serigaitas costumam recorrer a esta táctica para afrontar a legítima, se estiverem interessadas num rapaz comprometido. Ou usá-la com especial agressividade se notam que o casal brigou e estão em modo "ombro interesseiro". Muito popular também: a publicação de frases ordinárias, citações românticas e lamechas ou coisas do tipo "a sua namorada sabe que você está solteiro?"

5 - Material girl


Para adivinhar esta não é preciso ser um Einstein. Um homem que tenha estatuto, celebridade, recursos ou um uniforme é um íman para a serigaitae atiradicis vulgaris. Preguiçosa, competitiva, invejosa e sem grande noção da realidade, o seu sonho é arranjar um diabo que a carregue e fazer inveja às amigas. Mesmo que não tenha grande coisa para dar em troca- beleza, classe ou miolos, ao menos. Uma atiradiça só costuma ver as vantagens, as regalias, o protagonismo e os direitos que pode adquirir. Nunca pensa nos deveres que vêm com isso, nem se gosta do homem por trás dos louros. Se se conhecem há dois dias e ela é toda devoção e meiguices, se tenta moldar-se ao papel (ele é diplomata? adopta o "estilo princesa". É jogador da bola? Veste como a Sara Carbonero) watch your back. E já se sabe, uma esposa ou noiva que esteja ao lado de um homem assim convém que o tenha escolhido pelo bom carácter, ou passará a vida a enxotar serigaitae atiradicis vulgaris.

6 - Respeito: zero, estupidez: dez


Toda a serigaita tem um tremendo sense of entitlement. Põe na ideia que quer assentar/alguém bem colocado na vida/o namorado da outra ou simplesmente, apanha uma fixação qualquer por um homem que está para lá de Bagdad e pronto, obceca-se. Não respeita a autonomia de sentimentos nem o ritmo emocional do homem que lhe interessa, não tem respeito por si própria porque toda a vida se ofereceu de bandeja e, se for caso disso, não tem respeito pelos compromissos ou família do alvo. Em suma, não sabe o que é o respeito, a decência, a solidariedade feminina ou a hombridade e se tiver a sorte de tropeçar em quem não se dá ao respeito ou não se faz respeitar, é o fim do mundo e a barraca armada.
 Claro que isto vem sempre acompanhado de uma certa dose de imbecilidade: uma serigaitae atiradicis vulgaris empenhada em pôr o pé em seara alheia nunca pensa "que mau carácter, a dar-me conversa quando tem namorada. Se eu namorasse com ele, fazia-me a mesma coisa".  Pensam antes: "eu sou tão irresistível que ele arrisca tudo por mim". Por isso é que passa a vida a sofrer desilusões, a dizer que os homens não prestam, etc.

7- O fruto nunca cai longe da árvore

As serigaitas não nascem debaixo das pedras (se nascessem, estava o mundo perdido). É preciso uma família igual (ou uma família vagamente decente, mas pouco firme e bastante azarada) para a instruir devidamente (ou pelo menos, apoiar) nas manobras e manhas de uma desmiolada.
A serigaita teve falta de muita coisa na vida, nomeadamente orientação parental e chinelo em casa e já se sabe, "chinelo canta, moral avança". Como o chinelo não cantou, a moral estagnou e uma atiradiça pode ser o passaporte pouco escrupuloso para uma família de interesseiros, ansiosos por colocá-la bem na vida, ou simplesmente uma dor de cabeça tão grande que os pais estão desvairados para arranjar quem a ature, por isso entram em modo Kardashian. Enquanto uma família normal trata um pretendente com a devida prudência, os parentes de uma serigaitae vulgaris fazem de tudo para forçar intimidade, para cativar um rapaz que lhes convenha, mesmo que o cavalheiro nem sonhe que está a ser "pretendido".  As insinuações e familiaridades excessivas online (ver ponto 4) são uma versão moderna, mas a táctica repete-se desde a noite dos tempos: convidar o rapaz para jantar ou para uma estadia despropositada com a família, muita graxa, palmadinhas nas costas, toda uma adulação abjecta e quando o pobre dá por si, dão-lhe o golpe do baú ou outro pior. A falta de dignidade corre no sangue, por isso a serigaita pode ser um produto do meio e da genética...


Moral da história: como foi dito atrás, esta espécie não sobrevive perto de quem se dá ao respeito ou se faz respeitar. Aplicar um  ou outro, consoante o caso ou a gravidade - e manter uma distância preventiva - são as únicas garantias de jamais ser incomodado (a).



Sunday, August 16, 2015

Ordinarómetro, parte I: como desmascarar um mulherengo em sete passos.

Não se está mesmo a ver?

Seria muito triste se toda a gente andasse neste mundo constantemente a desconfiar do próximo. Pessoas livres e solteiras precisam de ter um mínimo de abertura, de acreditar que há gente séria à face da terra, ou nunca encontrarão a sua cara metade.

E quem está comprometido (a) tem de confiar no cônjuge ou namorado (a) que escolheu, porque estar numa relação não deveria significar o inferno da mútua vigilância.

No entanto, há alminhas problemáticas neste mundo, que se divertem a espalhar a destruição à sua volta, quer estragando os amores alheios quer aproveitando-se de quem está sozinho e pondera a hipótese de se apaixonar.

Como a malícia não conhece sexos (embora homens e mulheres desse género possam demonstrar a sua vulgaridade de modos distintos) nacionalidades ou mesmo backgrounds sociais,  há que acreditar desconfiando, ler bem os sinais de alarme e depender do instinto: quando o ordinarómetro dispara, por algum motivo é!

Ficam algumas dicas, com base na observação e pesquisa, para uma rapariga se poupar a um namorado péssimo (ou de modo a um cavalheiro evitar que algum desses incomode a sua mulher/namorada). 

Num próximo post, veremos as pistas para um homem identificar uma interesseira e/ou mulher da luta (ou para uma esposa/namorada cortar o mal pela raiz caso apareça uma criaturinha dessas).

Comecemos então pelo masculino: 7 traços do mulherengus ordinarius vulgaris.



1- Tem sempre o elogio fácil: dependendo do pedigree do rapazinho, a bajulação pode ser mais subtil ou do tipo adulação barata, vulgo "és liiiiinda" (ênfase no tratamento super informal) a torto e a direito, mal acabam de se conhecer. Homens desse género partem do princípio de que todas as mulheres, sem excepção, são estúpidas e vaidosas ao ponto da garridice, bastando por isso tocar nesse ponto fraco para lhe caírem nos braços. Muitos nem se dão ao trabalho de elogiar em detalhe, de modo a soar credíveis: têm uma série de "mimos standard" que dizem a tudo quanto use saias. São todas lindas e sexy, ainda que não o sejam lá muito. E claro, nas redes sociais trata de likar, comentar e bajular bastante o alvo, mesmo que o que foi postado não lhe interesse rigorosamente para nada. Não se sinta honrada por isto: o mais certo é o malandro perder um bom bocado por dia no facebook e no instagram a comentar, pôr likes e "amigar" todo o mulherio que lhe agrade (e geralmente um mulherengo não é muito exigente, por isso não desconfie só das mais vistosas ou bonitas). A sua estratégia é bastante simplista: "faz uma mulher sentir-se irresistível e ela será incapaz de te resistir"



2- Move-se depressa, estilo montanha russa: as mulheres gostam de homens decididos...mas devagar com o andor, que o santo é de barro. Um mulherengo determinado vai fazer tudo para forçar uma aproximação: dependendo da resistência que encontrar na potencial conquista, pode mostrar-se atrevido, agir com "mãos de polvo"... ou ir ao extremo de fingir que é um cavalheiro, dizendo que está interessado numa relação séria, que ela é o tipo de rapariga que ele sempre sonhou apresentar aos pais, etc. Assim como assim não tenciona cumprir nada do que promete, por isso quanto mais rápido as defesas da "oponente" caírem, melhor. Depois disso, pode dar-se ao luxo de mostrar a verdadeira face, desaparecendo do mapa (se só estava à procura de diversão) ou, caso a vítima lhe interesse para namorada, continuando as suas conquistas em série nas costas dela. Porque acha que pode, pois claro.




3 - Tem um ego ridículo (com ou sem motivo para tal): com excepção dos elogios constantes, nunca diz nada a uma rapariga que não seja para falar dele próprio. Muito menos se interessa por saber coisas acerca dela. 
Dependendo do género, pode gabar-se dos 100 kg que levantou no ginásio, do seu super carro, das suas conquistas académicas/políticas/profissionais...em suma, toda e qualquer frase começa  por "eu". 
 Esse é um sintoma do mulherengo, mas também uma das causas de ele ser tão mulherengo: como no fundo é um inseguro, o interesse de qualquer mulher, mesmo a mais desengraçada, é um troféu para ele.




4- É super liberal...e com uma queda pelo  vulgar:  não julga ninguém, muito menos as mulheres promíscuas ou que tenham, enfim, mau ar. É um defensor acérrimo de todas as vigarices, de todos os arrivismos, de todas as batotas, das modas provocantes, do amor livre, da libertação feminina (mas só para o que lhe convém, porque mulheres modernas, meio despidas e desinibidas significam mais conquistas fáceis) e pode dar-se com gente desonesta sem ver mal nenhum nisso. Ou seja, não julga porque a noção do certo e do errado não lhe assiste, porque tem fraca moral e telhados de vidro. Não porque seja uma pessoa zen e fofinha que anda para aí a salvar os pecadores.



5- Gosta de fazer de ombro, ou precisa de um ombro: um ombro interesseiro, claro. As amizades fraternais com o sexo oposto são raras, principalmente quando surgem de um momento para o outro. Se um rapazote amável está "sempre lá" para a sua namorada, se lhe ouve os desabafos, alto! Provavelmente espera o momento de a apanhar vulnerável para atacar. Por outro lado, se um homem faz uma amiga ou colega de trabalho de ombro, contando-lhe as desditas com a mulher ou namorada, o mais provável é que esteja a tentar jogar com o instinto competitivo e a vaidade feminina, levando-a a pensar "eu é que o fazia feliz!". Não respeita a legítima nem a amiga, apenas quer marcar uns pontos fora da cerca.




6 - Tem montes de amigas...e/ou anda sempre "atado com guitas": já por aqui se disse ad nauseam: homem que tem demasiadas amigas, ou é gay ou não é gente sériaPrimeiro, há que desconfiar de quem dá a qualquer conhecida o título de "amiga". Cuidado com os "Manéis dos plásticos!"

Depois,  a definição de "amigas" do homem que tem muitas é incrivelmente abrangente. No saco das amizades cabem geralmente as ex condiscípulas, vizinhas, as mulheres com quem trabalhou (não necessariamente com a devida distância profissional) a dentista ou personal trainer que por acaso é muito simpática e anda carente desde que se separou (como diabos sabe ele isso?) ex namoradas, amigas coloridas, potenciais amigas coloridas, barmaids, um festival. Para piorar, se conversarem sobre o assunto - ou se travar conhecimento com uma das centenas de amigas dele - poucas são as amizades que parecem inocentes. Ou que têm um ar respeitável.  Ou que estão à vontade com a nova namorada dele. Entre o constrangimento e o olhar matador que deitam à nova conquista, percebe-se logo. Por fim, quase sempre há uma relação mal resolvida ou caso pendente que reaparece, telefona ou volta dos mortos a torto e a direito. Em suma: fugir depressa.



7- Tem uma reputação...ou um passado: onde há fumo, há fogo. Mesmo que uma mulher não se sinta intimidada por o "livrinho negro" de um homem mais parecer uma lista telefónica, há sempre que considerar esse dado e manter o máximo de distância (quer física, quer emocional) até o conhecer melhor. Se ele é um D.Juan reformado e está muito empenhado na relação, terá muito tempo para provar que mudou. Se ele não respeitar isso (vide ponto 2) há que fugir como se estivesse o céu a cair.


E não percam o próximo episódio, onde analisaremos o lado feminino da questão: as aventureiras atiradiças! 


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