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Saturday, September 19, 2015

Canções que me intrigam # 3: o carrapito da Dona Aurora



Acreditam que desde que publiquei este post , a cantiga d´O Carrapito da Dona Aurora não me sai da cabeça? Vou a fazer qualquer coisa e zás, lá me sai "o Carrapito da Dona Aurora/é tão bonito /fica-lhe bem". 



Sempre achei muita graça à canção, mas está a começar a entrar-me nos nervos: não só porque é aborrecido ter uma cantilena a passar-nos na mente non stop (estilo playlist irritante de rádio com os sucessos mais descartáveis do momento) mas porque O Carrapito da Dona Aurora é uma daquelas músicas que desde pequena me levanta montes de perguntas.

 Tal como a Moda das Tranças Pretas, o Lá em cima está o Tiro-liro-liro/ cá em baixo está o tiro liro ló (que nunca percebi quem ou o que eram), o Badun-badun -badero,  o Baile da Dona Ester ou o Malhão-malhão (estou para descobrir até hoje quem seria o bon vivant cuja vida era comer, beber e passear na rua) e outras. 

Na infância a Zumba na Caneca também me intrigava imenso mas enfim, mais tarde lá percebi que era alguém a beber para esquecer um amor que queria tanto e o angustiante dilema ficou resolvido.

What the hell? A nossa música parece especialista em letras estilo charada. 

Voltando ao  Carrapito da Dona Aurora, sempre me perguntei se este ode ao penteado da senhora seria o relato de uma peripécia local que aconteceu mesmo. E se é o caso, a letra é a fazer troça ou a lamentar o ocorrido? Os postiços estavam terrivelmente na moda no sec. XIX (semelhantes às extensões clip in que agora se usam) e o próprio Eça de Queiroz lamentava o seu excesso, que não só estragava a elegância como fazia pesar a cabeça e as ideias às mulheres; por isso, talvez a rima seja uma espécie de crítica social com origem nesse tempo.  

E de qualquer forma, como é que algo tão privado como as extensões de cabelo de uma mulher anda na boca do povo?

       "Ai dona Aurora/soube-se agora/que era postiço/e ninguém sabia"


 Mas a parte pior é que o episódio deu nas vistas porque o culpado do desaparecimento do precioso carrapito, que era tão bonito e tinha tanta graça, foi o próprio marido da D. Aurora


"O carrapito da Dona Aurora/quando dormia foi-lhe tirado/
foi o marido da Dona Aurora/ que o deitou fora incomodado." 


Porquê, homem, porquê uma maldade dessas? 

 É sabido que maridos e namorados, quando feridos no seu brio, no seu orgulho ou, mais comum, no seu mimo, podem ser umas criancinhas e vingar-se das maneiras mais infantis. Talvez quisesse retaliar por alguma afronta que a esposa lhe tivesse feito. Ficasse ciumento da atenção que a bela cabeleira da Aurorita provocava junto dos outros. Pensasse, como Eça, que os postiços eram ridículos. Ou andasse fartinho de que a mulher não tirasse o toutiço nem para dormir! Também não podemos pôr de parte a hipótese de a D. Aurora ter casado com um brincalhão, desses que adoram pregar partidas e não levam nada a sério. O certo é que se sentiu incomodado e nem teve hombridade de lho tirar na cara. Esperou que ela adormecesse e sorrateiramente, surripiou-lho.

 De todo o modo, fosse hoje e a D. Aurora podia fazer queixa da cara metade por violência doméstica: estragar objectos pessoais do outro conta como forma de intimidação. Havia de ter graça inventar-se outra estrofe com o marido a ser interrogado pelas autoridades na esquadra e o caso a acabar nas páginas do Correio da Manhã...


Friday, September 18, 2015

Quando um homem ama uma boneca.


É o título de um texto do Público sobre um pobre coitado que, sofrendo decerto de algumas perturbações emocionais, vive com uma boneca de borracha, daquelas muito realistas, como se humana fosse.

Fiquei sem perceber se o próprio acredita mesmo nesta fantasia de Pigmalião moderno e sinistro ou se simplesmente, como ele diz, considera esta "relação" uma terapia para os seus problemas. Voltando ao mito de Pigmalião, a própria Afrodite se comoveu ao ver o escultor a definhar de amor pela escultura maravilhosa que criara. Sempre interessada em promover todos os tipos de paixão, concedeu-lhe o impossível: Galateia, a deslumbrante mulher de mármore, ganhou vida. E criatura e criador casaram com a bênção do Olimpo.



 Ora, os milagres são cada vez mais raros e ainda que não fossem, este infeliz mortal poderia despertar a piedade divina, mas dificilmente inspiraria um nobre prodígio:  não criou a boneca que nem mármore é, é feita de silicone. Comprou-a pela internet, como tanta gente (de almas cheias de esquisitices a modistas e designers a quem dá jeito ter um manequim mais maleável com medidas personalizadas). 


Ainda por cima, veste a desgraçada da boneca com uns trapos de meter medo. "Jenny" (assim chama o dono à mulher de borracha) não poderia comparecer na presença dos deuses, se se tornasse humana. Aliás, não seria olhada com agrado em nenhum círculo de pessoas decentes. Com o seu cabelo preto-graxa esticadinho e farrapos de lycra havia de ser bem vinda numa discoteca duvidosa, e olhem lá. Depois, não me parece que os sentimentos que animam este homem sejam tão elevados como, apesar de tudo, eram os de Pigmalião. 



O escultor era um artista genial com uma noção de beleza física e espiritual tão pura que nenhuma mortal poderia preencher os seus requisitos.

Este homem é um solitário amedrontado que não conseguindo relacionar-se com uma mulher verdadeira - de carne e osso, com sentimentos humanos - escolhe ser dono de uma mulher a fingir.

 Mas em todo o caso, o complexo masculino de Pigmalião, se levado ao extremo, dá mau resultado. Mesmo que as intenções sejam as melhores  e os sentimentos, os mais elevados. George Bernard Shaw, que se inspirou no mito para criar a peça homónima (que daria origem ao musical My Fair Lady) demonstrou-o bem. 


Há muitos homens como Pigmalião e o Professor Higgins: amam a beleza, o espírito e a graça da mulher que escolheram. Ela é a sua boneca e calhar até não passam sem ela - companheira e um belo adorno para o seu orgulho. Mas não vêem mais além e querem-na nos seus termos. E ai dela, se belisca a imagem de anjo ou de ícone!

Mesmo com a mais tradicional e flexível das mulheres essa idealização excessiva, essa rigidez - e muitas vezes, a possessividade e falta de confiança que vem com isso - podem ser um desastre se estes Pigmaliões não se lembrarem que a boneca, por muito compreensiva que seja, por mais serenidade que aparente, não é de mármore. Tem coração e nervos como os deles.


 Como eles, é capaz de sentir ciúmes, insegurança ou melindre face às ofensas que sofre, sob uma aparência de tranquilidade. No limite, essa tranquilidade de pedra, esse amor escrito na pedra, pode abrir brechas. Porque ao ganhar vida, Galateia deixa de ser uma estátua, uma boneca, para se tornar real, e o que é vivo não é passível de controlo absoluto - quem ama entrega-se ao outro para estar preso por vontade, enquanto assim o desejar. Mal comparado, há quem ache os animais lindos - mas seja tão egoísta, tão irresponsável que para bem de todos, é melhor que se limite aos peluches.

 Se o amor de Pigmalião não evolui para lidar com um coração vivo e pulsante, talvez faça melhor em "amar" de facto bonecas inanimadas...



Tendência: bâton castanho (mas pouco)


O bâton castanho, revivalismo dos anos 90, tem estado na ordem do dia a par com o delineador de lábios mais ou menos evidente.

Resisti-lhe bastante porque prefiro cores que iluminem o rosto... e o castanho, se mal escolhido ou mal acompanhado, é um tanto perigoso porque  (especialmente em tons muito fechados ou cor de tijolo)  costuma dar um ar adoentado e ressaltar olhos cansados, principalmente em louras ou ruivas. Assim, enfermiço:


Neste momento porém, o bâton "castanho" pode ser muita coisa, desde que tenha algum pigmento dessa cor: de um nude profundo ou rico a um acinzentado, passando por um tom chocolate, até ao bourdeaux quase negro

A escolha vai depender do seu tom de pele. As mais morenas poderão tentar nuances profundas sem risco, já as branquinhas têm muitas opções intermédias por onde escolher.

  A vantagem do castanho é que pode parecer edgy, quase vampiresco, mas discreto e distinto ao mesmo tempo.  Ou seja, exige reflexão mas empregado adequadamente fica lindo, mesmo em looks mais clássicos do que vanguardistas.

As meninas tradicionais podem usar variantes de nude mais ricas ou inspirar-se nos anos 1940, para um ar retro, em vez de pensar em looks que remetem para o punk ou o gótico (que de qualquer modo, é tendência este Inverno).

Pode usar-se mate ou brilhante - aqui entre nós, acho que resulta melhor num mate aveludado. Nem "brilhento" como no início do milénio, nem um mate seco como nos anos 90 (lembram-se daqueles bâtons da tia, de longa duração, que pareciam cimento? Há quem esteja a ressuscitar essa textura; pessoalmente passo).

Como encontrar o "castanho" certo para si pode ser tão intrincado como descobrir o nude que lhe vai bem, recomendo uma técnica que tenho utilizado com bons resultados. Há uns meses usei-a para obter o nude e os bourdeaux que desejava:



Entretanto, esta semana decidi aplicar o truque conseguir para um castanho suave que me agradasse:



Aqui vai: escolha um bâton (neutro, cor de vinho ou se for ruiva, encarnado) que seja hidratante (pode ter algum brilho) para servir de base. Tendo os lábios delineados e pintados, pegue numa daquelas caixas de sombras com todos os tons do arco íris, que raramente utiliza (todas temos, vá la). Escolha uma cor ou mais para obter a nuance desejada. 

Pode experimentar com diferentes castanhos e grenás. Use esponjas de sombra descartáveis ou os dedos para aplicar por cima o castanho/ bourdeaux/etc que quiser, preenchendo todo o contorno até ficar satisfeita com a cor. Além de permitir ajustar o tom ao milímetro, vai durar longas horas. 

Assim escusará de investir num bâton passageiro ou de se arrepender com uma má compra, além de conseguir o mais impecável mate aveludado.




Thursday, September 17, 2015

Tirem-me deste filme: o inferno são os outros.


Há filmes que é melhor não ver à noite, e há filmes que se calhar é melhor não ver de todo. Mas fiada nos meus nervos de aço e na mania de que (fora coisas parvas tipo Saw ou Hostel ) não existe película que me incomode, em geral só evito enredos que não tenham nada a ver comigo. Para economizar tempo e paciência, apenas vejo filmes cujo tema me agrade e que tenham boa fotografia.

Apesar de o assunto não me dizer muito, a curiosidade levou-me a ver este, mas no espírito "desisto a meio de certezanão vou ter paciência para um pobre coitado fechado duas horas numa caixa enterrada no meio o deserto sem se mexer". Não porque sofra de claustrofobia ou coisa parecida - as cãibras devem ser terríveis, porém com a urgência de arranjar modo de escapar dali talvez não houvesse ocasião para aparecerem - mas porque cinematograficamente falando, é uma seca monumental. Não há mudança de cenário, nem outras personagens, nada. 

Enfim: lá pensei "o desgraçado do protagonista, com o pânico, vai começar a ver a sua vida a andar para trás e a ter flashbacks"...e cá vai disto. Só que não.

 O infeliz está realmente o tempo todo deitado no caixote e os outros intervenientes apenas são conhecidos via telefone. Mas como o guião é bem escrito, o espectador acaba por se envolver mesmo. E acontece a experiência angustiante que se espera de um filme cuja premissa é "um azarado é raptado e enterrado vivo no deserto", que ainda por cima *ALERTA SPOILERS* acaba estupidamente mal.


 Porém, o pior não é isso. Mais enterrado menos enterrado é como o outro, uma pessoa começa a imaginar que no lugar dele entrava em modo Rambo ou MacGyver e alguma coisa havia de se arranjar. Se tudo corresse mesmo mal, fazia as pazes com o Criador, rezava para se entreter e fosse o que Deus quisesse. Mas parece que o protagonista não é religioso, nem sequer uma pessoa toda new age que se sirva de mantras ou do pensamento positivo, o que torna tudo mais deprimente.

 O piorzinho do piorio é que, com um telemóvel velho como único contacto com o mundo (e meio de ser encontrado) o desinfeliz tem de depender dos outros e tentar explicar a sua situação a gente estúpida. Chamadas internacionais já são o que se sabe (um grande viva ao Skype) mas lidar com pessoinhas complicadas via telefone é obra. De burocratas que o põem em espera à família que, azar dos Távoras, naquele dia esquece o telemóvel em casa, o que me afligiu realmente foi isso.

Sabem quando temos urgência em qualquer coisa e o mundo decide não atender, estar para fora ou ficar pouco esperto e não perceber NADA do que queremos? Uma pessoa numa aflição desgraçada e tudo nas calmas, para no fim dizer "pensava que não era nada grave"? É de doidos, não é? Pois. 

É de dar o último suspiro pensando "Meu Deus, o mundo está pejadinho de idiotas".

Moral da história, fiquei tão indisposta com o diabo do filme que não caio noutra. Se a história não me atrai, mais vale estar quieta. Acho que não precisamos de nada que nos faça descrer mais ainda da Humanidade...


Wednesday, September 16, 2015

A dica de styling mais simples, mas infalível (para eles e para elas)

Sofia Vergara e Joe Manganiello: um casal que
sabe vestir para equilibrar curvas e músculos.

Acertar nas proporções é - a par com a qualidade dos cortes e tecidos - um passo essencial para garantir que qualquer trapinho cai bem.

 Porém, a questão pode ser confusa para quem não tem prática.

Conhecer bem o seu tipo de silhueta (ver dicas no masculino e no feminino) e comprar de acordo com isso é um hábito que demora um pouco a interiorizar.

No entanto, há uma regra básica, básica, que já abordámos aqui e noutros posts: nunca falha e é válida para senhoras e cavalheiros. 

 Mesmo aplicada per se, elimina à partida boa parte da vulgaridade de um coordenado ou guarda roupa.


Kate Moss e Johnny Depp: o eterno exemplo de elegância para figuras "miúdas"

 Chamo-lhe "Lei do Volume Necessário". Ou seja, basta olhar para o espelho com a maior honestidade e pensar: "preciso de mais volume?" ou pelo contrário, " tenho volume q.b." ou "a minha figura ganharia se parecesse mais delgada".

Isso não depende necessariamente de precisar de perder ou ganhar peso/centímetros, mas da sua estrutura física. 

Em concreto, uma mulher que além de ser magra, tenha uma figura mais arrapazada, estilo Kate Moss ou Alexa Chung (anca estreita, membros esguios, busto pouco acentuado) só tem a ganhar se vestir o que normalmente está vedado às outras - desde que tenha um rosto que combine com isso, claro.



 As saias bandage, decotes de governanta muito fechados, algumas peças XXL,  mini saias justas (que "engordam" quase toda a gente) os decotes profundos para a noite, sobreposições de peças, botins justos ao tornozelo, jerseys, malhas, tecidos que colem mais ao corpo e roupas ameninadas - que noutras mulheres ficam arriscadas demais, provocantes ou ridículas - caem a matar num corpo muito delgado, pois acrescentam alguns centímetros bem vindos. Numa silhueta de "sílfide" um vestido revelador parecerá sempre mais inocente. É por isso que tantas criações que parecem razoáveis na passerelle podem resultar vulgares numa Beyoncé.




Pelo contrário, quem tem curvas e alguma massa muscular (por muito magra e elegante que seja) deve procurar o equilíbrio, para que as formas não fiquem exageradas.

 A roupa deve ser (conforme a peça e a zona do corpo que pretende realçar ou disfarçar) cingida ao corpo, mas não exageradamente justa nem coleante (ex: vestidos, blusas) ou pelo contrário, folgada, mas não "flutuante" em demasia (e.g: casacos, camisas). Convém escolher tecidos consistentes, ainda que leves.



O mesmo se aplica aos cavalheiros. Quem faz o tipo esguio, seja um esguio musculado como Bruce Lee ou uma "silhueta de Narciso" estilo David Bowie, pode brincar com estilos mais alternativos - como o hipster, nerd, mod...-   ou nos fatos e roupa clássica, com uma linha mais estreita, com o dandy e o corte italiano. São "permitidas", sem exagero, as t-shirts um pouco justas, as calças skinny para homem, as inspirações rock & roll, um toque andrógino, enfim, tudo o que pareceria demasiado adolescente ou disparatado num homem muito grande.



Já quem tem uma estrutura imponente - seja encorpada, espadaúda, musculada ou cheiinha (isto independe de ser mais ou menos "elegante") deve fugir daquilo que é exageradamente justo ao corpo, porque o volume já está lá e qualquer excesso fica grosseiro (a não ser que trabalhe como bailarino e aí em horas de trabalho, vale tudo).

 Mesmo que se mate no ginásio para esculpir uns bonitos ombros em V, acredite que eles se notam sob o casaco, assim como os peitorais se adivinham por baixo de uma camisa convenientemente folgada, de uma t-shirt de bom algodão para os fins de semana, etc. Qualquer que seja o seu estilo, a roupa deve transmitir alguma solidez. 



Imagina Clark Gable de calções e t-shirt curta? Não, pois não? Não quer isto dizer que adopte um look largueirão, pelo contrário - mas tal como no caso feminino, convém encontrar a diferença entre "cingido" e "justíssimo", evitar os tecidos muito delicados e tudo o que pareça algo teenager. O mais clássico (no que concerne a fatos, de preferência corte inglês e americano) e o american sportswear são a melhor orientação. Marcas que têm atletas e desportos como o rugby por inspiração são sempre boas pistas.

Fácil, não é? Basta não acrescentar nem diminuir onde não é preciso, e está no caminho certo...





As coisas que eu ouço: até para ser um traidor barato é preciso habilidade



Sabem a fórmula Bíblica "quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes?". Há por aí rapazinhos (e rapariguinhas, calculo) que deviam tatuá-la no braço, bem visível, já que as tatuagens estão tão na moda.

Era mais original que os Carpe Diem, os ditos em chinês (que para eles são chinês) e os anjinhos nas costas ou golfinhos nos rins e ao menos servia para alguma coisa. Por norma não tenho o hábito de armar em justiceira, mas ver o mal passar e não fazer nada, em modo "não julgueis; o que importa é ser feliz" ou "vive e deixa viver" é meio pecado. Dos feios.

Depois, eu que já tenho insistido tanto por aqui, nos textos de relacionamento, que a infidelidade leve é tão grave como as outras, havia de ser bonito deixar passar esta em branco. 

É uma daquelas situações que acontecem hoje em dia a qualquer mulher com acesso à internet desde que ela não seja um estafermo de meter medo, e que cada uma devia chamar a si a missão de atalhar com uma resposta bem torta! Por uma questão de respeito próprio e solidariedade feminina.

Estava muito sossegada a trabalhar numas papeladas, com as redes sociais em modo on como costumo ter por causa dos feeds de notícias e de algumas mensagens a que era preciso responder, quando recebo uma missiva toda elogiosa, de um caramelo que não me pareceu que conhecesse.




Fui ao perfil da pessoa - com quem de resto, tinha amigos em comum - e constatei que não, nunca tinha visto aquela cara banalíssima. 

Nem responderia - porque a experiência ensina que há parvoíces que é melhor deixar sem réplica - não fosse um detalhezinho: o rapazola aparecia em grande destaque, em mais do que um retrato, abraçado a uma pobre mulher que não deve saber o estojo americano que tem ao lado.

Fiquei verde, por várias razões:

Primeiro, pelo óbvio. O que é que dá a um palerma desses o direito de dirigir galanteios a uma pessoa que não tem nada a ver com ele, eventualmente comprometida e que não conhece de parte nenhuma? É muita audácia, mas hoje em dia já nada soa estranho.


Segundo, por uma questão de empatia e decência, que algumas mulheres ainda são capazes de sentir. Uma pessoa vê estas coisas e pensa "que horror- e se eu estivesse no lugar dela? Descansadinha a confiar nele, e sua excelência a cortejar outras". 

 Terceiro e mais importante: pela imbecilidade.

É que já que *tentam* conquistar mulheres às escondidas da legítima, ao menos esforcem-se por ser vigaristas capazes! Fazê-lo assim é triplo insulto. É acharem-se muito lindos (NOT!), é chamar burra à namorada e supor que as outras são almas sem gosto nem ética que não se importam de dar conversa a um sujeito comprometido (fiados, se calhar, na vaidade e sentido de competição de certas mulherzinhas). Por fim, nem para eles são bons, ainda que alguma desesperada lhes achasse graça: "olá, sou o Manel e gosto de trair as minhas namoradas via redes sociais". Belo cartão de visita.

Ser um traidor barato é mau, mas ser traidor E estúpido como um melão é muita desgraça junta...


De modo que me subiu assim uma onda por mim acima e por mim abaixo e decidi fazer troça dele sem ser muito malcriada nem dizer claramente "ganhe vergonha". Tirei uns segundos aos meus afazeres e, como ele tivesse escrito "muito gira", respondi "obrigada, a sua mulher também".

E ele, atrapalhado, que não era casado. Retorqui: perdão, namorada
E o traste :"não tenho a certeza se ela já é minha namorada". 

Resposta pronta: "andar atrás de outras nos social media não é a melhor forma de descobrir, pois não?".

E rematando em duas palavras que não tenho, nem quero, liberdade para ouvir elogios desses, desejei-lhe um bom dia.

E não é que ele disse "tem toda a razão" ?

Não sei se serviu de alguma coisa, mas soube-me às mil maravilhas. Agora imaginemos os sarilhos e desgostos que se poupavam por este mundo fora se cada mulher que recebe palavras destas de um imbecil destes o pusesse no seu lugar. Fica a dica.








Tuesday, September 15, 2015

Frase do dia: a justiça não é só poética, é lógica


Bonnie e Clyde

"Os gatunos têm um lado de semelhança com os toureiros: por mais hábeis, por mais cautos e peritos que sejam, lá vem um dia em que são colhidos".
                   Ferraz de Macedo, criminologista do sec. XIX (via Expresso)

E quem diz gatunos diz intriguistas, bajuladores, trapaceiros, alpinistas sociais, vira casacas, desordeiros, vigaristas e toda a espécie de criatura má, falsa e desonesta.

Enfim, gente que é "artista" ou tem a mania que sim.

 Sempre me fez confusão ouvir dizer que os maus não são castigados, que só quem faz batota chega a algum lado, etc, em modo Camões; "os bons vi sempre passar/no mundo graves tormentos/e os maus vi sempre nadar/em mar de contentamentos".

 Embora pessoalmente creia que a justiça, tal como a felicidade, nem sempre fica completa nesta Terra (e que no outro mundo é que realmente se conversa) também acredito que o Céu tem um sentido de humor muito curioso ou que, como diz o povo "o diabo é de boas contas e cobra sempre a factura a tempo".  Já vi acontecer imensas vezes, e basta olhar para grandes vilões da História para comprovar que é verdade isso de "a justiça tarda mas não falha".

Era uma vez o menino Hitler que queria conquistar o mundo...

 Mas nem é necessário acreditar em nada de divino para atestar uma regra tão perfeita: é suficiente ter pensamento lógico e conhecer os rudimentos das leis da natureza. Lá dizia Confúcio: se queres conhecer o futuro, estuda o passado. A terceira Lei de Newton (acção reacção) reza que quando se aplica força sobre qualquer coisa, essa coisa reage com igual força.

Ora, alguém que se expõe constantemente a comportamentos de risco, quaisquer que eles sejam (velocidades, esquemas, andar em ruas perigosas, fazer zangar gente poderosa ou mafiosa) tem, por uma questão de probabilidades, maior possibilidade de que um dia algo corra mal. Voltemos ao espiritual: quem ama o perigo, nele perecerá (Eclo. 3, 27) . 

Há sempre uma ocasião em que se encontra um oponente mais esperto, uma vítima menos ingénua, um touro mais raivoso, uma estrada mais escorregadia, um clima desfavorável, enfim, uma combinação de factores pouco propícia à brincadeira. 

Ou simplesmente, em que a sorte se acaba e é a morte do artista...

A melhores saias lápis da estação


Karen Millen

Como no fim de semana se falou aqui na suprema utilidade de ter pelo menos uma saia lápis preta e houve quem perguntasse onde encontrar uma, aqui vai uma pequena selecção. Este Outono não faltam versões, nomeadamente em couro (ver Karen Millen) jersey de malha (SPORTMAX, Bershka e H&M, por exemplo) mas optei por dar destaque aos modelos em tecidos mais consistentes, que favorecem a maior parte das silhuetas.

Uma ressalva, porém: mesmo as melhores saias lápis (ou saias tubo, como algumas marcas preferem chamar-lhes; por norma a saia tubo não terá fecho e é feita de material mais elástico, mas por vezes usa-se o termo indistintamente para ambas ) podem precisar de algum ajuste na cintura ou de subir as bainhas. Para quem não é muito alta, o melhor comprimento é logo abaixo do joelho e não pelo meio dos gémeos. Por isso, se encontrar um modelo que lhe agrade, considere mandá-lo à costureira.

Vejamos então opções para diferentes orçamentos:

BÁSICAS


Dolce & Gabbana


De algodão, Mango
Mango
De cintura subida, com zippers e grande abertura lateral, Zara


De cintura subida e riscas de giz, H&M

                                                               
De cintura subida, Zara

                                                       
Com um toque New Look, Antonio Berardi

ESTAMPADAS E FESTIVAS


Dolce & Gabbana



Givenchy



Zara


Diogo Miranda (em saldo)
Com padrão oriental, Zara




Happy shopping!





Monday, September 14, 2015

Annette Kellerman, a "sereia" endiabrada


Este post ainda vinha a tempo de ser um texto de Verão - sabem aquela ideia "em Setembro ainda dá para ir à praia"? - se ao Outono não lhe desse para se instalar à pressa. Nunca apreciei muito praia nesta época do ano, porque Setembro já tem um ar desgraçadinho de melancolia Outonal e de regresso às aulas (ideia que continua a deprimir-me por mais anos que passem) mas por vezes apanham-se dias realmente quentes. 

Paciência: a menina de quem vamos falar não teria problemas em nadar em águas menos amenas. 

Até foi a primeira mulher que tentou atravessar o Canal da Mancha a nado  (desistiu à terceira tentativa pois segundo ela, faltava-lhe a força bruta para tanto).



Também realizava perigosas cenas aquáticas no cinema, como mergulhos de  28 metros no mar, ou de 18 metros numa piscina de crocodilos. A sua figura agradável e grande criatividade permitiram-lhe fazer sucesso em vários filmes sobre sereias, e a própria Anette criava fantasias com cauda de peixe que lhe possibilitavam nadar a sério.

 Mas o que tornou a nadadora australiana nascida em 1886 realmente famosa, foi o seu "escandaloso" fato de banho de uma só peça. Como boa atleta, ela não se limitava a "ir a banhos" da mesma forma que as senhoras da época (agarradas a uma corda e com ajuda do banheiro), logo os pesados "fatos de malha" com saiotes e calções farfalhudos atrapalhavam-na.



Decidiu então criar um modelo semelhante àqueles que os homens usavam nessa altura: um maillot justo ao corpo, até ao joelho. E assim ataviada, foi para a praia. Causou um enorme sururu, e apesar de na época (1907) estar no auge da sua popularidade, foi presa por atentado ao pudor. 

Mas Anette não se deu por achada e vingou-se, lançando uma linha dos seus reveladores fatos de banho que vendeu como pãezinhos quentes e deu o mote para o swimwear ou beachwear tal como o conhecemos...



 Porém, não ficaria por aí no que tocava a chocar o público: já que não tinha conseguido ser a primeira mulher a cruzar Canal da Mancha (proeza realizada pela americana Gertrude Ederle em 1911) tornou-se a primeira actriz célebre a aparecer em nu integral numa grande produção cinematográfica, A Daughter of the Gods (1916). Não podemos avaliar o grau da escandaleira porque o filme se perdeu, mas imagine-se...

Pelo caminho, além de teatro e cinema, escreveu vários livros, incluindo um de conselhos de beleza. Viveu até à velhice, sempre acompanhada pelo marido (com quem casara em 1912) e continuou a nadar até ao fim. Quando deixou este mundo, as suas cinzas foram espalhadas na Grande Barreira de Coral- a última morada perfeita para quem toda a vida foi sereia...



A mulher "tradicional" não é um tapete: tem coração de Leão.


Há dias chegou-me o vídeo abaixo, sobre como NADA mudou realmente entre os sexos quando se trata do jogo da conquista. Já tinha visto outros vídeos da Dra. Laura Schlessinger (conselheira super popular em talk shows e programas de rádio americanos) e acho-a uma senhora muito sensata. 

Neste caso, ela recorda como as atitudes femininas devem convidar ao respeito (pela velha regra "se quer que ajam como cavalheiros consigo, porte-se como uma senhora") e que não se deve roubar ao sexo masculino a alegria da conquista, que lhe está nos genes. Depois partilha uma história curiosa que se passou com ela aos 17 anos, quando começou a namorar: o pai deu-lhe moedas para telefonar e disse -lhe que lhe ligasse imediatamente caso o jovem com quem ia a sair não lhe abrisse a porta para ela passar e não a tratasse com a devida delicadeza. 

Tudo ideias amplamente tratadas por aqui, mas um pouco esbatidas na sociedade em geral. A ideia de igualdade de comportamento, de "tu cá tu lá" veio fazer com que muitos homens procedam de forma demasiado passiva e feminina e que em consequência, outras tantas mulheres dêem pouco valor a si mesmas.



Ora, uma questão que às vezes me colocam a propósito de textos como este (e que vejo por aí em outras páginas onde se expressam ideias semelhantes) é se ao defender a feminilidade, uma certa atitude senhoril mais de acordo com a tradição, não se estará "a andar para trás". 

Se a mulher que age discreta e subtilmente, sendo compreensiva, serena, imperturbável mas vulnerável quando é preciso, empregando a astúcia feminina quando necessário para contornar os obstáculos, vestindo com elegância e cooperando e jogando amigavelmente com o sexo oposto em vez de expor de forma pouco lisonjeira as suas intenções ou esbracejar pelos seus direitos, não será um "tapete".

Nada mais longe da verdade. A mulher tradicional é extremamente corajosa - se não fosse, dificilmente aguentaria agir de forma contrária à norma. Ser uma boa mulher, das que traçam a linha entre mulheres e rapariguinhas, tem muito que se lhe diga.


Andar no mundo sem ir cegamente atrás dele é um desafio, mas a mulher feminina está certa do que quer, não aceita menos do que isso e sabe que, por muito que as outras gritem que isto é tudo uma selva, competir é ridículo e pouco dignificante.

 Uma mulher à moda antiga não tem concorrência. Não porque se ache o máximo, mas porque sabe que é única e que, no sucesso e no amor, a lei de "a  César o que é de César" cumpre-se mais tarde ou mais cedo. 

Profissionalmente, faz por trabalhar com organizações que realmente procurem alguém como ela; e romanticamente, por não se relacionar com quem se deixa disputar por A, B e C , pois pessoas assim não merecem ser cobiçadas. Uma mulher destas só permite perto de si um homem que tenha ideias tão claras como as suas. Que deseje estar com ela sem situações dúbias. 

 Como conhece o seu valor, está sempre tranquila. E embora seja capaz de perdoar uma e outra vez, sabe quando é hora de partir com o orgulho intacto, não cedendo a provocações pueris por mais ferida ou apaixonada que se sinta. Afastar-se de uma situação tóxica requer uma coragem varonil, mas a escolha não é difícil - embora possa ser dolorosa - quando se coloca a dignidade acima de tudo.


Fala uma vez, diz o que tem a dizer e deixa as coisas seguirem o seu curso, sem se entregar à ilusão ou ao wishful thinking

Não se enganem, uma mulher assim pode não ter papas na língua. Ser feminina, calar quando isso é benéfico e deixar aos homens uma certa postura simbólica de comando não é ser pateta.  Santa Catarina de Siena, amiga e conselheira do Papa Gregório XI, não hesitou em dizer-lhe "seja homem e não tenha medo!". Mas as palavras são como a espada de um samurai, há que empregá-las certeiramente e não fazer justiça à fama de tagarelice fútil  e pouco objectiva atribuída ao mulherio.

 Não se desvia da estratégia que escolheu, não se enerva com informação que não pode utilizar a seu favor, por isso passa longe de mexericos ou dos "arautos da desgraça"- uma mulher à moda antiga foge de espiar as redes sociais em busca de boas ou más novas, por exemplo. É cega, surda e muda a esses disparates, porque uma senhora só vê e ouve aquilo que quer. Sabe que a confiança é demasiado preciosa para ser beliscada com inutilidades.


Na vida, porta-se como ao calçar saltos altos - pode doer, mas ninguém nota. Não perde a cabeça em público. Não pesca elogios nem palmadinhas nas costas. Nunca diz de si mesma "ai estou tão gorda" desejando que lhe digam "não estás nada". Faz o seu treino e escolhe o seu guarda roupa caladinha. Ser forte também passa por não revelar fraqueza.

Em vez de se queixar porque o mundo não está organizado como ela gostaria que estivesse - porque nunca se sabe, isso podia torná-lo pior do que já anda - encara a sociedade como ela é. Aprendeu a viver nela e a contornar os obstáculos com leveza e sagacidade. Não choraminga sobre os dois pesos e duas medidas em relação ao comportamento feminino e masculino. Sabe que não há nenhuma glória em copiar atitudes que até aos homens caem mal, pois o apelo de uma mulher é grandemente favorecido pela sua raridade, pelo seu mistério. Lá porque os homens se atiram a um poço, ela não vai bater-se pelo direito fazer o mesmo sem ser julgada. 

E por fim, não toma nada por garantido, pensa mais nos seus deveres do que nos seus direitos, não sofre do grande mal que é o sense of entitlement. Honra os seus compromissos e perante o verdadeiro amor, espera o melhor mas está armada e preparada para ser a companheira valorosa caso o pior bata à porta. Com todo o heroísmo e capacidade de sacrifício, mas mãos carinhosas e o sorriso pronto, porque a verdadeira força é suave.


Esta não é uma missão fácil; exige coração de leão. Mas as nossas avós conseguiram-no brilhantemente. As que levaram casamentos difíceis a bom porto, as que mantiveram o estilo e a dignidade mesmo quando fortunas ruíam, as que criaram ranchadas de filhos em tempo de guerra, as que aparentaram sempre graciosidade e força discreta quando tudo era muito mais difícil do que agora, sem se queixarem apesar de haver bastantes mais razões de queixa.

Quando dizem que a mulher tradicional é um tapete, tenho vontade de responder "Tapete é a sua avó!" mas isso seria contar uma mentira.





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