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Saturday, September 26, 2015

As frases mais egocêntricas das redes sociais.

A sério? Mesmo? Pode ser?

Já se sabe, às vezes uma citação vale mais que mil palavras. Quem nunca usou uma frase de um autor consagrado para expressar uma ideia, ou não se saiu com uma frase inspirada que merecia ser citada, que atire a primeira pedra. Até por aqui já se criaram algumas.

Mas expressar ideias - ou não resistir a um desabafo - tem limites. Há um contexto, uma dose certa e um lugar para tudo. O problema é que as redes sociais se transformaram não só num manancial inesgotável de frases feitas (muitas batidas, com erros ou de mau gosto) como no melhor lugar para as replicar ad naseaum

E como foi detalhado aqui, há quem se esqueça de que o Facebook não é o confessionário da Paróquia (o Sr. Padre espera por vós! Ele está sempre lá! Desabafam e ainda salvam a vossa alma e ninguém fica a saber!) nem o divã do psicanalista ou do psiquiatra (eles também estão disponíveis! Fica mais caro mas ao menos o alívio é certo e igualmente, ninguém fica a saber!) nem o Querido Diário (esse tinha uma chave, que era precisamente para ninguém ler os pensamentos parvos de cada um!). 


Mulheres da luta: se têm de lutar por alguém,
 façam-no lá entre vós.

Depois-  já se sabe - um ovo podre virtual não substitui dizer das boas directamente na cara ou no telefone da pessoa visada (porque quase sempre há um visado ou uma visada e às vezes, mais vale passar pelo embaraço da rejeição, receber um "vai para o diabo que te carregue" do que fazer de urso (a) a partilhar tolices em público para todo o mundo saber o bonito estado de espírito em que se anda).


Então cumpra, que nós agradecemos.

 Depois, já falámos várias vezes nas frases lascivas ou peganhentas que certas mulheres, à falta de pretendentes, publicam na tentativa de chamar a atenção deste ou daquele pretendido (o que valeu criarem-se, por sua vez, memes sensatos do estilo "deixe de partilhar frases de amor, toda a gente já percebeu que a menina é uma desavergonhada"). 


Ai que medo. MUITO medo.



Tradução: "o rapaz nem sabe que eu existo, mas a ele como San´Tiago aos mouros!"

Mas há ainda quem o faça de modo perfeitamente inocente; quem siga estas páginas de frases e as passe adiante por falta do que fazer, sem filtro, uma após outra, várias vezes por dia; talvez porque não percebe que o propósito de uma rede social é comunicar o que precisa de ser comunicado (ou vá, mostrar aos amigos algo realmente engraçado ou fora do vulgar). E como tal, tratam os social media como tamagochis, que precisam de ser alimentados todos os dias. Não, o Facebook não é como o tamagochi, não "morre" se não lhe mexerem um dia ou dois. Quem não tem nada de especial para postar, escusa de, desculpem o trocadilho que eu não gosto de trocadilhos, atirar postas.


O lado pior, porém, é o egocentrismo destas pessoas. Acham que TODOS os seus amigos virtuais têm de partilhar as suas jornadas de auto conhecimento:



Compreender os seus defeitos mirabolantes e ainda muito obrigada por cima. Como se Isso interessasse a alguém que não ao próprio! Eu isto, eu aquilo...ou seja, era mais honesto escrever "sou uma pessoa insuportável e desinteressante, rude e malcriada, mas apesar de toda a gente me apontar o facto, não mudo uma vírgula". Ou seja, estas pessoas ou não reparam no que publicam, ou procuram tudo, menos o auto-aperfeiçoamento (apesar das frases new age):


Porém, a rainha incontestável destas citações auto centradas, de auto bajulação pura, tem de ser Clarice Lispector

Ela está para as frases egocêntricas como o Pedro Chagas Freitas está para as citações debochadas a fingir de românticas.

Pobre Clarice, gastam-lhe mais o nome que o Dr. Hannibal Lecter. Conheço pouco da sua obra mas tinha-a por uma autora minimamente respeitável, por isso (esclareçam-me os entendidos) tanto eu, eu, eu só pode vir de algum diário íntimo seu publicado postumamente, não?



É que... reparem:


Há um remédio para isso: uma combinação de xanax e tento na língua. Resulta, juro.


Não percebi. Não quero perceber. Duvido que alguém perceba, mas publicam mesmo assim, em vez de consultarem um terapeuta capaz.


Newsflash, minha cara: se alguém a está a deixar ir, é porque não se rala muito se volta ou não volta. E não me surpreende, se o sujeitou a ouvir disparates como os acima.



E isto interessa a quem? A quem publicou.
 É matematicamente impossível que mais alguém queira saber.


O típico "cuidado que eu sou muito valente e badass...mas por favor não me deixe, que eu morro. Porém, antes disso mordo e furo pneus de carros. Depois morro porque sou frágil e solitária. E um bocadinho para o histérico".


Já percebemos. Por favor, não volte mesmo. Good riddance. Mas alguém fica interessado em quem se auto publicita nestes termos? A sério?


Há uns anos atrás ainda se dava o desconto, mas agora os social media começam a ficar velhos para isto. E a nossa paciência também.

Friday, September 25, 2015

A Hungria anda a ser "uma mulher muito feia e muito má"


Sempre achei graça, quando em pequena me contavam a história dos Três Pastorinhos, ouvir uma certa recordação da Irmã Lúcia... tendo-lhes sido ordenado que "orassem pela conversão da Rússia" a pequenita, que não sabia o que (ou quem) vinha a ser a Rússia, julgava que se tratava de "uma mulher muito feia e muito má".

Pois parece-me que desta feita tal título bem podia caber à Hungria, onde já se autoriza disparar sobre civis desarmados e entrar em casa das pessoas para procurar quem seja escondido por alguma alma caridosa.

Se a questão dos refugiados exige uma solução rápida - e que, digo eu que não mando nada, passa essencialmente por  acabar com os desmandos dos arruaceiros e permitir aos sírios voltar para casa - atitudes de histeria e maldade não resolvem coisa alguma de certeza. 

Em boa verdade, nas semanas que passei na Hungria, se aquele nobre país me encantou, o mesmo não pude dizer dos seus habitantes. Povo triste e sorumbático, e à parte uma simpática rapariga que falava português como se cá tivesse nascido, fiquei com a impressão de que os húngaros têm lindos nomes, fazem excelentes panquecas de chocolate (não sei se ainda as têm no Apostlok, uma antiga capela convertida em restaurante que é uma beleza, mas vale a pena perguntar) e são soberbos músicos, mas como pessoas... digamos que não fiquei com vontade de passar muito tempo com eles.

 E depois, isto de disparar sobre civis e invadir casas a procurar gente escondida lembra alguma coisa que se passou na também na Hungria há 70 e tal anos, não lembra? Que povo desmemoriado...

 Talvez os húngaros devessem lembrar-se de um herói seu, o Barão Vilmos Apor, Bispo de Gyor. Corajoso numa época bem pior do que a nossa, chegou a apelar à Gestapo para tentar libertar os judeus do ghetto local, e a negociar com os comandos militares nazis para pôr termo ao cerco da sua cidade.

 Quando os soviéticos chegaram, na Sexta -feira Santa de 1945, o Bispo, temendo os rumores terríveis de violações em massa pelos soldados comunistas, albergou numerosas mulheres e crianças na sua residência. Morreu ao salvar essas mulheres e foi beatificado por S.João Paulo II em 1997.

 É sempre bom lembrar que o bom senso, o amor ao próximo e o sentido de justiça cabem em toda a parte - mesmo quando temos medo "dos outros".

Parece treta new age, mas não é: nothing changes if nothing changes


Voltei a  ouvir esta frase hoje, e é uma daquelas que parecem um lugar comum sem grande sentido, estilo guru de social media

Até porque se trata de um raciocínio simplório de todo, que se pode fazer cada dia a propósito das coisas mais triviais. Mas olhando bem, tem muito que se lhe diga. "Nada muda se nada mudar" ou seja, se queremos modificar uma situação repetitiva ou estagnada é preciso alterar alguma coisa, já que a mesma fórmula leva inevitavelmente ao mesmo resultado.

Se uma cozinheira de gabarito quer fazer o seu famoso bolo de chocolate, vai usar a receita de sempre. Mas se quiser trazer uma novidade, dar-lhe um upgrade para surpreender a clientela do seu restaurante, vai ter de acrescentar qualquer coisa nova - criar a sua versão de bolo de chocolate ao rum, por exemplo. E se a concorrência estiver brava e ela decidir apostar forte nas sobremesas, precisará de introduzir mudanças maiores: além dos dois bolos de chocolate, pode criar um pão de ló frio com morangos e nata batida verdadeira de levantar os mortos, ou recuperar o doce de ovos da sua bisavó...e publicitar tudo isso o melhor que puder, para que os habitués da casa saibam que algo mudou.

 E já que estamos a falar de doces, uma vez entrevistei uma médica nutricionista que recomendava aos seus pacientes uma dieta super aborrecida para mandar embora aqueles quilos teimosos. Indicava comer muitas vezes, logo fome não se passava, mas nas primeiras semanas, açúcar... zero. Nem na fruta. Nem um compalzito de pêssego entre as refeições. Eu que sofro cá das minhas hipoglicémias achei aquilo algo exagerado e perguntei-lhe o porquê de tanto rigor, já que um sumo nem tem tantas calorias como isso. 

E ela respondeu-me "pois não tem, mas como o corpo se tornou preguiçoso temos de ser duros com ele, de lhe dar um choque, de lhe dizer que algo mudou. Aí ele fica aflito, vai buscar as reservas de gordura e só então se notam resultados".

Esta de "falar" com o próprio corpo nunca mais me esqueceu, mas é apenas um exemplo. Não é só o organismo que fica preguiçoso, mal habituado, preso ao rame-rame, na zona de conforto, a tomar tudo por garantido por muito mau que isso seja . Somos nós próprios, é a vida, são as carreiras, os relacionamentos, a sorte (para quem acredita nela) os projectos, os conflitos (os de cada um e os grandes, entre países) e as pessoas que fazem parte da existência de cada um.

E o remédio? O que está parado, agita-se. O que é previsível, contraria-se. O que anda muito descansado, prega-se-lhe um valente susto. Quem não está bem, muda-se. Ou muda alguma coisa. No news is good news, mas uma monotonia de lesma não costuma indicar nada de bom. Água parada fica choca, e sendo o nosso organismo composto de tanta água...façamos as contas.




Thursday, September 24, 2015

O bom e velho champô de ovo




Quando penso na minha infância, acho que tinha mesmo que dar em blogger, e até me admira não ser das piores, salvo seja - não me ter tornado numa beauty blogger dessas que cada dia que Deus deita ao mundo falam num produto diferente (nada contra, pelo contrário- as reviews destas meninas dão imenso jeito, mas os meus interesses diversificaram-se um bocadinho).

É que eu era um perigo perto dos cosméticos. Bastava passar por uma perfumaria ou pela secção de higiene e beleza do supermercado para ficar com os olhinhos a brilhar. Se me queriam ver entretida, era deixar-me ao pé da senhora "das pinturas" e já por aqui vos contei que adorava "pedir emprestados" os cosméticos da avó, herdar os bâtons da tia (os da mãe também, mas a tia comprava imensos e como tinha uma paciência de santa, dispensava-me sempre alguns) ou mesmo fazer misturas: a avó achou sempre que eu ia dar em cientista e trabalhar para a L´Oreal ou coisa assim. Uma das bonecas que mais me encantaram foi um manequim de cabeleireiro que nem parecia um brinquedo - absurdamente caro e  super realista. Foi um dos poucos brinquedos que estafei e não sobreviveu para contar a história.


 De modo que para mim, sempre ansiosa por novidades, frasquinhos e produtinhos às cores, tornou-se um desapontamento ver sempre lá em casa, para os cabelos dos pequenos pelo menos, o champô de ovo da Foz. Era uma coisa maçadora e pouco glamourosa que cheirava massa de bolos (agora adoro o cheiro) por isso passava a vida a insistir para se deixarem disso e ficarem-se pelas outras marcas, ou ao menos mudarem para o Foz de maçã ou de alperce que tinha uma cor mais bonita.

 Mas a mãe não desarmava, porque o champô de ovo, já as avós o sabiam,  tinha umas propriedades mirabolantes para fazer crescer uma bela cabeleira. E de facto, o cabelo louro platinado do meu irmão e os meus longos caracóis, que cresciam que Deus os dava,  eram para ninguém pôr defeito!

 Acabei por me emancipar do aborrecido frasco amarelo e só voltei a ele mais tarde, já no liceu, quando confirmei que afinal a mãe tem sempre razão o champô de ovo tem de facto uma série de poderes mágicos: abre a fibra capilar para permitir uma limpeza profunda, é emoliente, previne a queda, dá força e ajuda no equilíbrio hormonal. 



Lá fiz as pazes com o Foz, que realmente é óptimo para um cabelo macio, hidratado, brilhante mas também para eliminar o terrível complexo "raízes oleosas, pontas secas". Ou seja, grande aliado quando o cabelo apanha "fases" em que não se sabe o que fazer dele...ou para controlar a inevitável queda sazonal.

No entanto, continuava cá com dúvidas: champô de ovo de supermercado não podia ser a mesma coisa que champô de ovo caseiro, ou podia? Decerto a quantidade de ovo verdadeiro não seria grande. A fórmula era boa, mas não podia ter muito ovo...erro crasso! E descobri-o de uma forma pouco agradável...

Num certo Verão, comprei um frasco para evitar que o cabelo ressecasse com o sal e o calor, mas só gastei metade e no fim das férias deixei-o na casa de praia.


Estive uns três meses sem lá voltar e quando voltei...ia toda contente para lavar o cabelo...blhec!!!! Mal desenrosquei a tampa ia morrendo com o pivete a ovo podre, ou bombinhas de mau cheiro, que saía lá de dentro. Felizmente não cheguei a tocar no líquido, mas ficou explicado porque é que o Foz fazia efeito. Só é pena nunca terem colocado um aviso na embalagem "FEITO COM OVOS FRESCOS, CONSUMIR DEPRESSA".

 Lembrei-me disto porque convém ir variando de champô e a velha fórmula de ovos é óptima para esta altura do ano. Tenho de dar uma volta ao Jumbo para trazer um (se não estou em erro, o Supercor também vende). Mas se quiserem recordar ou experimentar, fica a informação: é MESMO feito de ovo, uma gemada intensiva para vitaminar as madeixas. E convém gastar a eito, rapidinho, para evitar sustos desagradáveis. A não ser que queiram reservar para pregar uma partida a alguém que esteja mesmo a pedir uma dose de ovos podres.





 

Amor: escolhas e auto disciplina




"Importa que nos saibamos disciplinar, para pormos em ordem as exigências do corpo e da alma, da carne e do espírito, do ego e do eu. A autodisciplina não é sinónimo de estoicismo, ou de destruição de paixões. Toda a troca implica uma decisiva apreciação entre dois objectos, um dos quais é indispensável e o outro não. Segundo o dizer de S. Tomás, «o coração de um homem adere tanto mais a um objecto quanto mais se afasta dos outros»". 



O amor, se é verdadeiro, fervoroso, muda as pessoas. É impossível ser-se tocado (a) tão profundamente e permanecer na mesma.

 Podíamos estar o dia todo a todo a citar exemplos de homens e mulheres que, atingidos pelo amor nas suas diversas formas, evoluem para se aproximarem da causa ou da criatura que as apaixona.  

Gente que detestava bicharada até se encantar por um animal de estimação... ou maior mudança ainda, pessoas que não ligavam a bebés até conviverem com um; aí passam a querer ter o seu.

 O aventureiro incorrigível que, conquistado por um coração mais puro acalma finalmente, deixando para trás os excessos ou as proezas perigosas. 

A mulher ferozmente independente, que jurava aos pés juntos não querer abrir mão da sua liberdade por ninguém mas uma vez apaixonada, descobre o seu lado maternal e vulnerável.

E exemplos mais transcendentes - o caso de Santos como S.Paulo ou de heróis como os conspiradores de 20 de Julho, que, arrebatados por algo maior do que eles, mudaram e/ou sacrificaram a sua vida.

Em todo o caso, se é amor a sério, muda quem ama para melhor, fazendo cumprir aquele cliché cinematográfico "ele (a) faz-me querer ser a melhor versão de mim" ou "ele (a) faz-me sentir que posso alcançar qualquer coisa". 


                         

Diz-se muito que os homens não mudam, ou que as pessoas não mudam. Mais razoavelmente, que só mudam quando querem- ou quando são vencidas por uma emoção tão forte que causa esse querer.  

Ora, em todas as formas atrás descritas o amor tem um poder estranho: é uma cura, ou pelo menos um forte analgésico, para o egoísmo. Quem se importa profundamente com o outro deixa de contar só consigo mesmo, de lutar só por si, de se preocupar só com a sua pele. A união a outra pessoa tem os efeitos secundários da coragem, do heroísmo, da capacidade de sacrifício. Coisas que seriam aborrecidas de fazer, chegam a entusiasmar quando levadas a cabo sob o efeito do amor.


Mas não se julgue que mesmo com ajuda desse "narcótico", tudo se torna fácil. A mudança, embora seja voluntária, irresistível e venha de dentro para fora, pode ser dolorosa, trazer conflitos interiores, motivar cortes com hábitos ou companhias. 

O amor  transforma para melhor, mas não transforma ninguém noutra pessoa - e isso pode significar opções, naqueles aspectos em que "é impossível servir a dois senhores". O amor faz crescer...e crescer nunca é fácil! O que vale, custa. Por isso tantos grandes amores se perdem: o sublime sentimento está lá, mas o receptáculo ainda não se tornou digno dele, nem fez por isso.


Não resulta querer as alegrias do amor, com os desvarios da irresponsabilidade; ser amado (a), mas viver como se ninguém dependesse dos seus cuidados;  exigir a exclusividade de alguém, mas desejar total liberdade para si mesmo. As duas realidades podem tanto coexistir como um veneno e o seu antídoto.

O palavrão "compromisso", que gera tanta discussão no cenário das "relações líquidas" actuais, resume-se a uma simples ideia: abrir mão de outras possibilidades para estar com aquela pessoa (que por sua vez faz outro tanto). Este raciocínio torna-se automático, ou mais fácil, sob o efeito de um sentimento forte...mas não deixa por isso de exigir uma decisão firme, apoiada numa sólida auto disciplina e coragem viril.

Não se pode ter tudo - então, há que pesar na balança o que é mais importante. Ver onde é que o coração adere e segui-lo, sabendo que como consequência natural, ele se afastará dos objectos que são incompatíveis com esse amor, com essa opção.

Eu vivo bem sem isto, mas sem aquilo não vivo: então, o que é que eu escolho? 

Simples.

Wednesday, September 23, 2015

A doença do "nada é errado se te faz feliz"





No sec. XVI escrevia Maquiavel, a quem a Humanidade nunca enganou: "julgam-se as acções dos homens pelo seu sucesso. A plebe deixa-se arrastar apenas pela aparência e pelo sucesso das coisas; e no mundo só há plebe".

Por "plebe" aqui entenda-se não uma "casta", mas a atitude volúvel e influenciável do público, sempre pronto a admirar o que reluz, a entreter-se com pão e circo, a deixar-se enganar pela voz da moda ou a mudar as suas lealdades conforme as conveniências. "No mundo só há plebe" porque os sentimentos nobres e elevados são raros, porque se confunde honrarias com honra, porque se despreza a elegância interior em prol de vencer a todo o custo - mesmo à custa da própria dignidade. E se esse comportamento "próprio de um vilão" era comum no Renascimento, que dizer no nosso tempo de extremo materialismo e relativismo?

 Basta ler jornais, prestar atenção aos comentários deste e daquele, para ver em todo o lado ideias como:

"Nada é errado se te faz feliz", "ele rouba, mas ao menos faz", "o que importa é ser feliz/ter amor no coração", "é um vigarista, mas está bem na vida", "no amor e na guerra vale tudo menos tirar olhos", "só Deus pode julgar" e assim por diante.

Todas essas máximas estão em voga porque dão jeito a quem
quer cometer os seus pecadilhos, as suas trapaçazinhas, sem grandes remorsos; adormecem o auto julgamento, calam consciências, ajudam a esquecer a ética, o dever e o altruísmo.



Nero também sorriu à brava quando atirou os Cristãos aos leões!

Mas comprar e propagar tais frases aparentemente inofensivas é como 
entupir-se de guloseimas esperando que lá porque sabem bem, não façam mal.

É claro que há coisas que até podem fazer alguém feliz, mas são profundamente erradas. Mesmo se quem as comete, levando tudo à frente, tem "amor no coração".  Hitler ficou felicíssimo quando invadiu França e o resto...por amor à Alemanha! Um ladrão fica todo contente se um assalto a um banco é bem sucedido....por amor à sua bolsa e às coisas a que se acha com direito. Uma desvairada que queira roubar o marido a outra, ou um galã que queira fugir com a mulher alheia, ficam loucos de alegria se destroem uma família...e desculpam-se "que é o amor".

E quanto ao valer tudo menos tirar olhos, é bom lembrar que a liberdade que é tão bonita termina onde começa a dos outros e que os lesados podem sentir-se no direito de aplicar a Lei de Talião - olho por olho, dente por dente, e o mundo torna-se uma selva...

Maquiavel tinha razão ao constatar que a populaça se deixa deslumbrar pela ideia de sucesso, por mais baixa origem que esse sucesso tenha. Mas nunca disse que isso era uma coisa boa. Só analisava a maneira de tirar partido dessa realidade deprimente.







Tuesday, September 22, 2015

8 coisas que derretem as mulheres (e que eles fazem sem se dar conta)


 As flores, jantares românticos, presentes e músculos super delineados até podem ter o seu lugar, mas são os hábitos e gestos mais espontâneos que conquistam. A hombridade é um grande atractivo e  o maior apelo está na masculinidade, na diferença em relação a nós; embora se tenha tornado um lugar comum dizer que as mulheres gostam de homens "sensíveis" isso toma por vezes a forma de comportamentos lamechas ou artificiais que não têm graça nenhuma. Vejamos então alguns exemplos de atitudes espontâneas deles que derretem as mulheres (mesmo que elas não se apercebam exactamente do que as atingiu, ou não queiram admitir).

1 - Ser querido com os mais frágeis




Já se sabe: olha como ele trata os outros para veres como te tratará a ti. Um rapaz que é atencioso com os mais velhos, carinhoso com as crianças, paciente com os doentes e preocupado com os animais não é só "sensível": é um homem a sério, capaz de defender uma casa. Além de revelar bondade e verdadeira educação. É nestas coisas que o genuíno cavalheirismo se demonstra. Se ele tem uma paciência de santo para os primos mais novos ou a tia idosa que anda de muletas, vale a pena. E é impossível não achar amoroso um homem grande que sabe segurar bebés ou bichinhos!


2- Arranjar coisas, carregar coisas, etc


Não é que uma mulher procure um Ambrósio para todo o serviço, mas é muito desagradável olhar para marmanjos preguiçosos e indolentes. Tenho visto homens de mãos a abanar com a esposa ao lado carregada de sacos e dá-me cá uma urticária! Se um homem se conquista pelo estômago, uma mulher fica agradada se vê que ele, por muito sofisticado ou importante que seja, não se aflige de encher um pneu (ou mudá-lo) carregar  caixas, trocar lâmpadas, subir a um escadote, etc. Mesmo que ele tenha pago aos homens das mudanças, desconfie se não tiver o impulso de agarrar em algum caixote para despachar o trabalho mais depressa. É uma coisa máscula e além de força física, prova sentido prático. Se ele disser, face a um desafio doméstico "não me caem os parentes na lama por fazer isto" atribua-lhe uns pontos extra.


3 - Fanfarronadas




Já se sabe que há conversas "de caserna" que os homens - até os mais educados - só têm, ou só deveriam ter, uns com os outros. E que ninguém está para aturar desrespeitos nem excessos de autoritarismo.  Mas a versão light que lhes escapa junto da mulher ou namorada tem muita graça, convenhamos: é que eles ficam muito queridos a tentar ser fanfarrões, ou a armar-se em rei da casa.

 Ditos abrutalhados como "homem que é homem gosta de cerveja e tremoços", "dava uma tareia naquele tipo", "o que é que eu disse sobre esse decote?" (como quem diz: "ela que mude de roupa por amor de Deus ou vou passar a noite com acessos de ciúmes") ou fazer de sultão à frente dos amigos, vulgo pedir que lhe traga isto ou aquilo só para mostrar que é muito bem tratado têm piada porque enfim, "não é rei mas é tão autoritário". E uma mulher faz-lhe a vontade, mas só porque quer (ou não resiste). 



4 - Barba de dois dias



Poucas coisas são tão atraentes como uma ocasional sombra de barba. Principalmente em quem foi abençoado com uma barba certinha. Acentua os traços, cinzela mais as feições, realça os olhos e mostra um lado descontraído, de quem andou na guerra ou na caça (tudo coisas tradicionalmente viris) ou simplesmente tem assuntos mais importantes em que pensar.

5 - Segurar uma mulher para ela não cair




Estar por perto em terreno acidentado E TER REFLEXOS RÁPIDOS é um sinal de que aquele rapaz caiu do céu. Um homem que, perante um tropeço, escorregão ou qualquer partida que os saltos altos pregam às mulheres é capaz de a agarrar, prova que é mesmo protector.Ser tão rápido e o mesmo tempo tão forte faz o coração saltar uma batida. A mulheres querem heróis mesmo que em pequenos gestos, é inato.

6 - Roupas sólidas



se falou aqui: homem forte - roupa consistente, elegante e masculina, que transmita segurança e maturidade tanto à vista como ao toque. Uma simples Oxford shirt solta, com mangas enroladas, é das peças mais apelativas- sóbria e elegante, mas à vontade. Como quem a seguir precisa de ir buscar lenha mas não deixa de parecer um senhor por causa disso. É tudo uma questão de associação de ideias!


7 - Conhecê-la muito bem



Seja nas conversas do dia a dia, nas discussões, na hora de escolher uma pequena lembrança para lhe oferecer. Isso de ser bom ouvinte é um pouco overrated (temos amigas para isso!) mas convém escutar o essencial, compreender o que é mais importante para a mulher de quem gostam (essencialmente, o que ela adora, o que a tira do sério e o que ela não perdoa mesmo ). Em suma, captar palavras chave. Já se sabe (ou convém que se saiba, para não se desiludir com ninharias) que os homens são despistados -  por isso, quando um memoriza estes básicos, é sinal de que ele é bom rapaz. Ou de que são realmente compatíveis.


8 - Ter as prioridades bem delineadas



Um homem como deve ser sabe gerir a sua vida social (guardando as devidas distâncias e hierarquias) estima os amigos, venera a família e defende a mulher que tem ao lado com unhas e dentes. Se ele evita tudo o que a faça sentir desconfortável ou insegura e toma o seu partido como um tigre em caso de necessidade, guarde-o. Se ele não o fizer, pense duas ou três vezes. Ou quatro.




O grave complexo "imitação barata"



Oscar Wilde disse certa vez, aborrecido com um concorrente que o copiava à descarada: "a imitação é a mais sincera forma de elogio que a mediocridade pode prestar"

Isso poderá ser verdade, até certo ponto - ou pelo menos, ser-se copiado é um indicador de sucesso. Ninguém copia o que é insignificante.

Basta ver que muita gente prefere uma carteira de imitação - barata, falsa como Judas, pouco fiável - a um modelo anónimo de melhor qualidade, só para fingir um bocadinho da mística de uma Chanel ou de uma Hermès.

 Mas é claro, as marcas não gostam desse "elogio". 

Não tanto porque lhes "rouba o negócio" (quem pode comprar uma verdadeira não precisa de imitações) mas porque banaliza (afastando os clientes a sério) e em última análise, porque é insultuoso ver a sua criação roubada. Pior- não só roubada, mas transformada numa versão reles, usada por pessoas de gosto e hábitos questionáveis, que não compreendem que o luxo só existe se for verdadeiro e exclusivo. E que é um conceito um bocadinho mais complicado e intangível do que copiar atrapalhadamente os traços exteriores do modelo.

Pois o que acontece com as carteiras, acontece com as pessoas; sem tirar nem pôr. Há muito quem ache que para ter o sucesso de fulano, tem que
 imitá-lo. Ou até, no mundo do trabalho, roubar-lhe as ideias, transformar-se num clone mal acabado.

Este é um complexo raro e sério, que atinge homens e mulheres com um tipo de personalidade (ou falta dela) muito particular, mas que nunca é saudável.



 Vejo muitos artigos no feminino com a queixa "a minha amiga copia tudo o que eu faço/visto/etc". Estes casos são aborrecidos, são um bocadinho irritantes, mas poucas vezes merecem preocupação (a não ser que a "amiga" em causa entre em modo psicopata, estilo Jovem procura companheira). Por norma 
trata-se de almas carentes, inseguras e sem grande identidade que idolatram as pessoas de quem gostam, mas bem intencionadas. Sendo amigas de quem imitam tão desesperadamente, só precisam de uma valente sacudidela, e se calhar numa ajuda para ir às compras. Confrontá-las com sinceridade e dar-lhes um bom ralhete costuma resolver o problema.

 Quanto a outros "copiões" sem imaginação, porém ingénuos, normalmente cansam-se, porque só se pode imitar até certo ponto.

Mas bem pior do que os "macacos de imitação" são aqueles copiões doentios e mal intencionados, movidos pela ambição e pela inveja: os "copiões cucos".

  Cucos não copiam só porque admiram aquela pessoa e o seu êxito: copiam porque QUEREM SER essa pessoa, e de preferência, gostariam de a banir da face da Terra para tomar o seu lugar. Por norma, só começam a imitar quando decidem que o alvo da imitação tem algo que eles não têm e que gostariam muito de ter: um cargo, uma posição, a cara metade, os amigos, popularidade numa determinada área...



Ou seja, não se limitam a imitar: imitam para tentar competir com o original. É uma mistura de perturbação mental e atrevimento levado ao extremo, porque espera-se que, já que se vai tentar competir com alguém (sendo que essa pessoa pode estar a anos luz e não se rebaixar a tais "desafios") que o faça, ao menos, no seu próprio estilo.

Qual quê: accionam o assustador modo Talentoso Mr. Ripley e vai de copiar a forma de estar, de agir, de vestir do alvo. 

Um rapaz que sempre foi um brutamontes pode de repente tentar fingir-se muito cavalheiro, do mais refinado, se quiser a namorada de um homem que inveja de morte: esquece-se que roupa pode comprar-se, mas às vezes o que o berço dá, a tumba leva, e que pode tirar-se o rapaz do bairro, mas não se tira o bairro do rapaz...muito menos de um momento para o outro!

E uma rapariga que queira tentar algo parecido, para satisfazer uma obsessão ambiciosa e repentina, já se sabe que faz isto: compra roupas parecidaspor muito mal que lhe assentem; começa dietas malucas para tentar remediar a má genética e anos de maus hábitos; penteia-se da mesma maneira; começa a usar saltos quando sempre andou de ténis...tenta ser o que não é, age de forma postiça, esquecendo que o barro não é o mesmo por isso a louça será sempre outra.

O material é fraco, as intenções são as piores, por isso nunca acaba bem: o único remédio é apreciar o lado cómico das tentativas e deixar o mau barro pular à vontade, rolar, fazer piruetas, até que se escangalhe pelos seus próprios meios. Do ridículo ninguém os livra.




Monday, September 21, 2015

A "Tieta do Agreste" perdeu a compostura.


Quem lê o IS regularmente está careca (bom, espero que não literalmente...) de saber como me irrita a ditadura do politicamente correcto que se instalou. De não se poder brincar com nada nem falar em nada hoje em dia que salte logo o carimbo de machista, sexista, xenófobo, homofóbico, açambarcador de culturas alheias, extremista, radical, gordófobo e por aí fora.

Mas até para o cinismo bem humorado e para a rebeldia há os limites da delicadeza. Lá dizia o Confúcio, franqueza sem delicadeza é grosseria. Há dizer o que se pensa e há ser malcriado. Há ser franco e há magoar os outros sem necessidade. 

E um bom exemplo disso é a actriz Betty Faria, que foi supermalcriada quando esta semana disse que as mulheres gordas lhe causam repulsa

Apontar as maluqueiras de quem se porta mal -  ou, concretamente em relação aos exageros do movimento "beleza real", de quem se expõe por aí em preparos  pouco dignificantes e favorecedores só para dar nas vistas, com a desculpa "as gordinhas também podem" - é uma coisa. 

Atingir gratuitamente todas as "gordinhas" com opiniões pessoais que cada um deve coser lá consigo, já é outra.

 É pisar a velha regra "se não tiver nada de construtivo para 
dizer, cale-se". Ter-se-á confundido com a Tieta, que não era propriamente uma senhora apesar de ser a heroína da história?









3 memes que descodificam as mulheres malucas.


Lembram-se de termos dissecado o comportamento das serigaitas (nomeadamente no cenário das redes sociais)? 

Para grandes males, grandes remédios: por cada flausina descaradona que anda nos social media a perder as almas, há um observador que as topa perfeitamente e cria memes de acordo, em modo #vergonhanacara . Afinal, uma imagem vale mais que mil palavras...

1- Ai que carência, ai que desespero...



aqui se disse, se alguém é nosso amigo (ou um conhecido que por acaso publica coisas que nos interessam) é natural que haja interacção. 

 Isso só fica estranho quando uma pessoa, assim do nada, adopta um comportamento perseguidor, gostando/ comentando cada passo, ou quase, que se dá - com o óbvio propósito de engraxar ou chamar desesperadamente a atenção. 

Até parece que activou as notificações para saber quando publicámos alguma coisa (e se calhar activou mesmo). Aí torna-se um bocadinho sinistro.

 Quando uma mulher é alvo de "chuvas de likes" de um homem que não é da família ou velho amigo; se beltrano gosta TUDO o que ela partilha (até status sobre maquilhagem) é simples: anda à procura de conquista fácil. 

Mas no caso masculino é pior.  Quando um homem arranja uma fã maluca, a coisa é mais preocupante.  Se não se publica um "ai" sem   que ela imponha a sua presença, desenganem-se: ela não está a pensar só numa aventura. 

Já anda a imaginar uma vida a dois, os nomes que vão dar aos filhos e se calhar, como boa maluca, até já contou às amigas e parentes, tão malucas como ela, que desencalhou.

Se além dos likes a toda a hora, o alvo começa a ser "invadido" de comentários de amigas dela a tentar fazer o arranjinho (ou as imagens da menina ficam subitamente pejadas de elogios das "migas" a despropósito, ou o mural dela se enche de memes e frases românticas e "sensuais") um homem sensato começa a correr a bom correr. Puseram-lhe a cabeça a prémio e há recompensa para quem o apanhar vivo. 

2- Serigaita amiga do alheio



É claro que nenhuma mulher segura de si (e com mais que fazer) é coca- bihinhos com o perfil da cara metade. Era o que faltava, fazer de polícia... 

Senhoras com "S" maiúsculo aplicam ao seu namoro/casamento a boa regra "se quiseres bem viver, é confiar até ver", ou seja, perfeita confiança até prova do contrário. Até porque aprenderam a ouvir o seu ordinarómetro, logo terão à partida afastado homens pouco sérios, daqueles que têm imensas amigas, dão troco a tudo e não vêem mal nenhum em nada até o caldo se entornar.

Mas se apesar de tudo isto há um ser de saias que dá nas vistas, se o festival de likes em imagens dele (mas nunca nas vossas) é de tal ordem que chama a atenção até da mulher mais tranquila, se o desconforto se instala, é porque há motivos. Não necessariamente para o acusar de alguma coisa, mas para ele, como homem a sério, pôr categoricamente termo à brincadeira, or else. Quanto mais não seja, a rapariga em causa é de uma grande má criação e está a
 faltar-lhe ao respeito descaradamente, agindo como se a namorada do "amigo", ou conhecido, não existisse. E nenhuma mulher bem intencionada faz isso, seja pessoalmente ou em território virtual.


3- E o que acontece quando um homem responde?


Ora, acontece isto, tal e qual. Não, não é exagero algum. Enough said. Estais avisados.

Sunday, September 20, 2015

Paulo Portas, o "opressor" da semana, dixit.





Esta semana caiu o Carmo e a Trindade quando Paulo Portas, num almoço com mulheres em Vagos, ousou comparar o desempenho do governo ao de uma boa dona de casa, aludindo ao papel feminino tradicional: "as mulheres sabem que têm de organizar a casa e pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos". Zás, começou o mimimi

Política à parte, que o palavrão não é para aqui chamado, ver tanta virgem ofendida parece-me quase cómico, por três razões.

 Primeiro, a hipocrisia e o wishful thinking

Até parece que o mundo mudou tanto que as mulheres, super independentes, estão totalmente afastadas do governo doméstico. A verdade é que não estão. Uns acharão isso bom, outros mau (eu acho óptimo desde que haja a devida divisão de tarefas ou o apoio de uma senhora da limpeza capaz, caso os dois elementos do casal tenham emprego) mas se quisermos ser 100% honestos,  todos sabemos que regra geral, são as mães que mais gerem esses aspectos. Basta ver que por este planeta fora, as empresas que se dedicam a proporcionar acesso ao microcrédito a famílias carenciadas estão focadas especialmente nas mulheres. Afinal, são elas que lidam mais proximamente com as necessidades básicas da casa e que por norma, mostram ser melhores gestoras - a experiência provou que atribuindo o crédito aos homens, havia mais chances de o dinheiro ser torrado em disparates.

Haja ironia para lidar com tanta hipersensibilidade...

Eu sei que adoraríamos poder dizer que somos um país europeu, super sofisticado, a anos luz da realidade da Índia ou do Bangladesh, mas vá lá, sejamos humildes.

Segundo, pelos valores invertidos disto tudo: então é suposto uma mulher descabelar-se por lhe dizerem que ela tende a ser mais intuitiva e carinhosa, a importar-se com uma gestão eficaz de recursos, com a maternidade e com cuidar dos mais fracos? Ser, entre outras coisas, o "anjo do lar" é um insulto? Não sei que geração de super mulheres frias e sem coração querem criar. Perdão, esquecia-me:o modelo, o ideal de hoje é a generala que só quer saber da carreira, de ter imensos casos amorosos, etc . Devo andar equivocada, já que me educaram para achar que ter um percurso profissional e alguma independência não implica deixar de ser feminina e preocupada com os velhinhos e as crianças da família como é minha obrigação. My mistake.

E terceiro, porque nunca deixa de me surpreender como é que as mulheres andam sempre na defensiva se já provaram que são perfeitamente capazes de pilotar aviões, fazer descobertas científicas, governar países, de fazer história, em suma. Saltam da cadeira, aflitíssimas, à mínima alusão a um papel mais tradicional (que confundem com ser um capacho) ou à disposição biológica para a sensibilidade e a maternidade, como se as quisessem fechar na cozinha em regime de escravatura. Se estão tão seguras das suas capacidades, do seu poder, da relevância do seu papel na vida pública, não precisam de provar nada a ninguém. Volto a Margaret Thatcher, que de manhã dirigia batalhas e à noite lavava a louça: "ser poderosa é como ser uma senhora: quem o é não precisa de o afirmar". E repito, uma mulher realmente poderosa não se melindra por coser um botão. Ou por ser carinhosa com o marido, os filhos e os avós.

Talvez Paulo Portas devesse ter acrescentado um "também" à frase, para não soar tão redutor às mentes mais sensíveis. Mas para quem lê nas entrelinhas e não sofre dessas inseguranças, não há aqui nada de insultuoso. Pelo contrário.





Eu não embirro com Carolina Patrocínio, porque contrariar a multidão é um dever moral.


Nunca vejo TV generalista nem faço ideia de que projectos é que Carolina Patrocínio tem em mãos, mas a julgar pelos feeds que são assim um Oráculo de Delfos do nosso tempo, ela só pode ser uma das figuras com quem os portugueses mais embirram. A pobre coitada não pode dizer/mostrar uma tonteria qualquer, daquelas que se dizem da boca para fora e há quem tenha tiradas muito piores, sem que a plateia tonta grite logo mata e esfola.

Está certo que há coisas que é melhor uma senhora guardar para si; depois, sem a conhecer, parece-me que a apresentadora peca pela ingenuidade. Quem se move nestas andanças há uns anitos convém que se lembre de que há jornalistas muito mauzinhos e que o público tolera tudo nesta vida, menos uma vidinha que lhe pareça privilegiada ou protegida. Pode ser-se uma Madre Teresa (ou simplesmente não fazer mal a uma mosca) mas a não ser que se tenha subido na vida a pulso, não se tem autorização para dizer "tenho uma governanta tão atenciosa que até me descasca a fruta". 

 O comum dos leitores não vai aos arames se Cristiano Ronaldo compra uma estátua de cera sua para colocar na sala de estar (uma coisa um pouco sinistra de se fazer, eu acho; detestaria ter uma boneca inanimada igual a mim a encarar as visitas com olhos inexpressivos, embora pudesse dar jeito para provar fatiotas e penteados; imaginem que uma pessoa se levanta a meio da noite para ir buscar qualquer coisa e trôpega de sono, se dá com aquele troço, cruzes) porque o jogador comeu o pão que o diabo amassou em pequenino, logo, aos seus olhos, é cá da malta e está desculpado.

Mas vir de uma família com alguns meios e ter sucesso (ou pelo menos aparecer na imprensa como tal, não sei) já provoca um certo ressentimento. E vir de uma família de meios, ter sucesso, estar numa boa forma incrível e AINDA POR CIMA manter essa boa forma incrível depois de ter filhos, isso já é muito pecado junto.




E a pobre da Carolina atreveu-se a dizer que adora estar de esperanças - com aqueles abdominais. Sacrílega! 

Claro que os comentários do mais baixo nível de beauty shaming não se fizeram esperar. Segundo as invejositas, preguiçozitas e lambareiras de serviço (detesto falar de inveja feminina, mas às vezes ela existe mesmo e é muito mais feia que a celulite) a Carolina, por querer estar em forma, detesta tudo o que é natural e lindo numa grávida. Claro que houve quem sensatamente lembrasse que nem todas as mulheres são iguais e que ter filhos não é sinónimo de perder a feminilidade (tenho vários exemplos excelentes na família) nem manter a beleza quer dizer ser menos mãe, pelo contrário. Mas a maioria, Deus nos livre!



 A única coisa que consegue provocar mais alergia à multidão do que o luxo alheio é a boa forma das outras, principalmente depois de ter filhos. É que reparem, a maternidade é a desculpa suprema, ou a única desculpa, para muitas mulheres. 

Algumas toda a vida foram desleixadas, nunca quiseram saber de cuidar de si próprias, mas dá imenso jeito deitar a culpa aos pobres inocentes que trouxeram ao mundo. As estrias na barriga são lindas, as gordurinhas são produto do amor e hipocrisias desse jaez. Claro que nada disso é o fim do mundo, algumas imperfeições (antes e depois de ser mãe) assistem a todas e nada disso faz de uma mulher menos mulher, mas poupem-me: ninguém compra cremes para fazer celulite, pois não? Então não é lindo. É um problema de saúde que deve ser tratado como tal e controlado como se pode.


Não caiam nesta falácia, mulheres!



Por acaso eu não conheço nada do trabalho da menina, só a vejo feed acima feed abaixo, 
mas admiro-lhe a silhueta, mais quilinho menos quilinho. Quem pratica desporto sabe a disciplina que é necessária para ficar assim, mesmo com boa genética. Se exagera, se não, é lá com ela - mas convenhamos: trabalhar, ter um marido e duas crianças não é receita para andar gorda e luzidia a não ser que se tenha mesmo tendência para ser mais cheiinha. E quem sendo mais ou menos magra, tem ossos ossos naturalmente salientes, sabe o que é ouvir "Credo, está doente?" assim que se vai abaixo depois de uma fase mais agitada.

Algumas mulheres têm mais trabalho para esculpir o corpo, outras só o stress as emagrece. Algumas são mais disciplinadas e conseguem manter uma silhueta fantástica mesmo sem investir em tratamentos e profissionais competentes, outras têm acesso a tudo isso e aproveitam. Cada mulher é diferente em termos de genética, biótipo, estilo de vida, etc; cada uma vive a maternidade à sua maneira e só tem de tirar o melhor partido daquilo que Deus lhe deu conforme puder.




Agora, o que sem dúvida não emagrece, nem esculpe uma barriguinha bonita de certeza absoluta e ainda dá cabo da pele, sei eu o que é: é estar alapada numa cadeira, a achatar o derrièrre, a fazer pança por estar mal sentada e se calhar a enfardar bolachas enquanto se gasta tempo a comentar maldosamente o corpo e a vida alheia.

 E desculpem lá, se uma mãe consegue tirar 5 minutos da sua vidinha para ler em detalhe um artigo sem jeito nenhum e escrever disparates  por baixo, também tem 5 minutos para se pôr em frente ao Youtube e fazer uma destas pequenas rotinas de exercício

Cinco minutinhos por dia podem não garantir a barriga da Carolina, mas fazem maravilhas. E imaginem se as que perdem vários intervalos do seu dia neste tipo de comentários se atirassem ao colchão para mexer os músculos em vez de mexer os dedos para escrever coisas desagradáveis! Tínhamos um país de beldades...

























































































































































































































































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