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Saturday, October 24, 2015

A caridade começa em casa




Ser generoso com o próximo na medida das posses é uma obrigação de cada um; ser muito generoso é uma grande qualidade. Mas por vezes o verdadeiro desafio está em aplicar também a caridade  no círculo mais íntimo, onde ninguém vê (logo, as recompensas, louvores e agradecimentos são menores) e a bondade é testada todos os dias.

 Embora não ficar indiferente à necessidade de estranhos tenha mérito, é relativamente fácil a qualquer pessoa bem educada e com o mínimo de empatia ser um amor com o sem abrigo que se encontra uma vez, com a idosa que se ajuda a atravessar a estrada ou dar uma quantia para obras sociais; essas generosidades tomam alguns instantes, alguns euros e aliviam a consciência. Se tais gestos dão nas vistas hoje em dia, é porque o mundo vai de mal a pior...

Mas mais complicado é ser doce e tolerante com o avô que coitado, já não está na plena posse das suas faculdades e todos os dias repete as mesmas histórias, com a mulher que anda embirrenta, com os filhos teimosos, enfim, com todo um encher de paciências adicionado às dificuldades do quotidiano que todas as famílias enfrentam, ricas ou pobres. 



Recentemente li -  já não recordo onde -  uma história do antigamente, precisamente sobre isso. Havia uma senhora da melhor sociedade que se entretinha imenso com obras solidárias, o que está muito bem. O pior é que tão entretida andava que esquecia as suas outras obrigações; não lhe sobrava tempo nem meios  para pôr ordem em casa, por isso o pessoal doméstico fazia o que queria, estava tudo desarranjado e a família ficava até altas horas sem jantar nem assistência. Além disso, ao chegar dos seus asilos, quermesses e orfanatos, vinha tão cansada, tão cheia dos problemas dos outros, que não lhe restava tolerância alguma para dar atenção à cara metade nem aos pequenos...

 Um dos "lesados", que era mais esperto e tinha a desenvoltura da inocência, vendo que ao chegar a casa, a mãe que se pretendia carinhosa só tinha refilices e ralhos, não se conteve e disse:

" Ai mãe, os seus protegidos têm muita sorte. Se eu fosse um enjeitadinho, que bem tratado seria!".

(Assim de repente, pergunto-me se os filhos de Angelina Jolie terão tiradas semelhantes).

Dois cosméticos que me surpreenderam este mês.


Como é fim-de-semana e não me apetece pensar em coisas muito sérias, eis duas descobertas que fiz recentemente e que precisava de partilhar com as meninas e senhoras cá do boudoir:





Já sabem que unhas de gel ou gel nas unhas não é comigo. Vernizes coloridos e fantasias não são comigo. Nesse campo, less is more. Cheguei a gostar da parafernália gel-em-casa da Essence (que apesar de tudo me durava mais do que a manicura feita no salão) mas mesmo assim pôr e remover era tão maçador acabei por oferecer tudo a uma amiga que essa sim, gosta e tem habilidade!
 Bom, a marca deve ter chegado a uma conclusão semelhante porque retirou essa gama do mercado e substituiu-a por vernizes de textura gel sem lâmpada, em três passos (dois facultativos). Já usei duas cores e fiquei muito satisfeita, mas entretanto reparei nesta coisa fofa, o verniz "The Jelly - Bubble Gum". É uma espécie de translúcido com cor mas como o nome indica, tem textura de gelatina, logo nota-se mais mas ao mesmo tempo parece - como alguém disse- o prolongamento da unha. Deixa uma cobertura espessa e rosada - ideal para quem, como eu, prefere bases coloridas ou transparentes com "um tonzinho" para um ar tratado et voilà. E o que dura? Dias a fio! Não largo.





A pele tem destes mistérios. Há uns meses, encantada com os  BB e CC  creams que se tornaram parte integrante da minha rotina, comprei o da Nivea, que prometia 5 benefícios, incluindo minimizar os poros e uniformizar a tez. Porém - como outras utilizadoras - concluí que seria bom para peles muito secas ou maduras. A cobertura era decente, mas o brilho...ai, o brilho! Definitivamente, too much. Prefiro as texturas mates (como o CC Cream da Bourjois ou o BB da L´Oreal) leves (Maybelline) ou se é para hidratação, o da Sleek ou o da Erborian.

Pois bem, entra o Outono e eu, que até com creme-gel me dou bem desde que use um bom hidratante de olhos, começo a sentir o rosto desconfortável, a repuxar...zás, reforço imediato de hidratação - que incluiu ir a correr buscar a fórmula mais rica da La Roche Posay, depois de dias a aplicar  tudo quanto era máscara, óleos, etc. E é claro que os BBs e CCs do costume, que uso depois do hidratante, não estavam a fazer o efeito desejado...

Lembrei-me então do Nivea que tinha deixado de parte. E não é que o maroto funcionou? A pele absorve tudinho e fica macia, airbrushed, com aquele ar de quem aplicou uma base dispendiosa. 

Lá está, nem sempre o organismo reage aos mesmos produtos de maneira igual. É preciso escutar as necessidades e ir adaptando a rotina às pequenas mudanças...por isso, fica a dica: se querem um BB Cream acessível e com cobertura razoável para o Inverno (ou para peles muito secas) este é uma excelente opção. O tom "claro" não é porcelana como eu gosto, mas espalhando bem e usando um bom pó compacto por cima fica um amor.





Friday, October 23, 2015

S.João Paulo II dixit: Mulieris Dignitatem


A propósito do Dia de S.João Paulo II, que se assinalou ontem, lembrei-me de partilhar convosco um pouco da visão deste bondoso Papa acerca da dignidade feminina, publicada na sua Carta Apostólica Mulieris Dignitatem em 1988:


« A mulher - em nome da libertação do "domínio" do homem- não pode tender à apropriação das características masculinas, contra a sua própria "originalidade" feminina.  (..).

 Por este caminho não se realizará mas poderia, pelo contrário, deformar e perder aquilo que constitui a sua [imensa]  riqueza essencial. 

Na descrição bíblica, a exclamação do primeiro homem à vista da primeira mulher criada é uma exclamação de admiração e de encanto, que atravessa toda a história do homem sobre a terra.

Os recursos pessoais da feminilidade certamente não são menores que os recursos da masculinidade, mas são diversos. A mulher deve portanto entender a sua realização como pessoa, a sua dignidade e vocação em função desses recursos, segundo a riqueza da feminilidade.

 (...) Em todos os casos em que o homem é responsável por tudo quanto ofende a dignidade pessoal da mulher, age contra a sua própria dignidade...».


Bons exemplos: as mulheres de Mr. Selfridge


Quem acompanha esta série encantadora com olhos de ver, achará interessante, do ponto de vista feminino, a época em que a acção se desenrola neste momento (após a I Grande Guerra). A Belle Époque tinha ficado definitivamente para trás com o início do conflito e as mulheres, após terem assegurado a sobrevivência das famílias juntando-se à força de trabalho, enfrentavam agora uma série de contradições: voltar ao lar ou continuar uma carreira e ter um maior papel público na sociedade? E estaria o mercado de trabalho preparado para receber de volta os homens que tinham ido à guerra, quando alguns postos até então exclusivamente masculinos eram agora ocupados por mulheres? Dá que pensar...e para estabelecer alguns paralelismos!

Os fãs (eu incluída) tiveram muita pena que a formidável Lady Mae se ausentasse nesta temporada - parece que a actriz foi mãe e se encontra na Austrália - mas enquanto se aguarda o seu regresso, há várias personagens interessantes para seguir de perto, quase todas com bons exemplos de comportamento que podem ser perfeitamente seguidos pelas meninas e senhoras de hoje.

Miss Mardle, uma mulher sensata e bondosa



Mulher de carreira competente e sempre pronta a ajudar os subaternos, a responsável dos acessórios começa por dar um mau passo - tendo, durante muitos anos, um romance secreto com um homem casado que lhe promete sempre legalizar a situação quando a sua esposa doente deixar este mundo. Só que quando o amante, o colega Mr.Grove, fica viúvo, escolhe antes casar com uma ingénua empregada da loja, pois deseja ter filhos. A pobre Josie percebe que gastou a sua juventude e ainda tem o desgosto de Mr. Grove lhe propor que continuem juntos às escondidas. É nessa altura que toma uma dose de realidade e mostra aquilo de que é feita: recusa categoricamente tal situação e refaz a sua vida, não guardando, no entanto, rancores. Consegue mesmo ser amiga do ex namorado e da esposa, que ajuda e influencia para o bem por várias vezes. A sua serenidade e bondade acabam por ser recompensadas: torna-se herdeira do património do irmão, é promovida a chefe do departamento de moda e vive a sua vida como uma mulher independente numa altura em que ser "solteirona" era mal visto, sem nunca se amargurar, dar nas vistas nem descontar nos outros.


Violette, a herdeira em conflito

Depois de perder a mãe, a jovem filha de Mr. Selfridge fica um pouco perdida e começa a fazer disparates, envolvendo-se com um antigo empregado do seu pai (que é bom rapaz, mas tem muitos problemas em mãos e não lhe pode oferecer uma vida tranquila). Violette, como menina mimada, rebela-se:  por um lado, gostava de ser como as mulheres fortes e capazes que a rodeiam, que têm uma carreira e uma vida emocionante; mas por outro não se acha capaz de ir além do seu papel de senhora de sociedade, com festas de caridade e compras. O pior é que não faz nem uma coisa nem outra! É uma queixinhas que dá dores de cabeça a toda a gente. No entanto, mostra ser prudente quando aceita o conselho da família para conhecer melhor um atraente visconde francês - aviador, aventureiro, mas homem mais velho, compreensivo e firme, que a aprecia pelo que ela é e que acaba por guiá-la no bom caminho. Junto de um homem responsável, realista e de meios, mas que tem a dose certa de aventura na sua vida, ela encontra aquilo de que precisava. Por vezes, saber deixar-se influenciar para o bem é tão sábio como ser sábia em primeiro lugar.


Rosalie, uma boa esposa

Casada com um belo príncipe russo -  de bom coração, mas falido e sonhador - a filha mais velha do dono do Selfridge´s podia facilmente sucumbir aos momentos que a cara metade se ressente de depender do sogro, prejudicando a família com as suas tolices impulsivas. Mas Rosalie, meiga e calma, age com sensatez: em vez de achar que sabe tudo, como tantas recém casadas, apoia-se na avó e na sogra para a ajudarem a governar a casa e a compreender as subtilezas do marido, Serge. Depois, vê apenas o que há de bom nele e acompanha-o, apoiando os seus sonhos enquanto o puxa subtilmente para a terra.

Agnes, uma mulher completa

Obrigada a contar apenas consigo mesma desde muito nova, Agnes teve de se defender a si mesma e ao irmão, George, contra os desvarios de um pai alcoólico. Depois de perder o emprego injustamente, ela não cruza os braços e faz todo o trabalho digno, até como criada, até alcançar uma carreira fulgurante de vitrinista com a ajuda de Mr. Selfridge. Apaixonada pelo aristocrático e charmoso colega Henri Leclair, com quem forma uma equipa incrível, acaba por casar com ele, não deixando de se dedicar ao trabalho que adora. Mas a Guerra deixa o marido profundamente perturbado e vendo isso, Agnes sabe estabelecer prioridades e largar tudo para investir na sua recuperação. 

Grace, uma rapariga digna



Jovem de classe trabalhadora, graciosa e esforçada, Grace, empregada nos acessórios, acaba por encantar o jovem patrão, Gordon. Porém, o inocente idílio acaba quando Grace percebe que vêm de mundos muito diferentes e que a família Selfridge procura um bom partido para Gordon. Apesar de gostar muito dele, a jovem toma a resolução de se afastar antes de se envolver mais, para evitar destruir a sua reputação e sofrer um desgosto. O namorado, que é genuinamente bom rapaz, percebe que não a quer perder e acaba mesmo por casar com ela (um casamento que tal como o de Violette e Rosalie, é baseado em factos reais). Grace é um bom exemplo por não ser ambiciosa e colocar a sua dignidade feminina acima de tudo, um comportamento que vê recompensado.


Kitty, uma mulher forte

Responsável da secção de beleza, a bonita Kitty pode parecer um pouco trocista e mazinha às vezes, mas as suas tolices escondem um coração de manteiga. Casa com um homem com algum estatuto, que poderia sustentá-la, mas Kitty, agora Mrs. Edwards, adora o que faz e prefere manter o posto de trabalho que lhe custou tanto a alcançar - além de incentivar a sua sonhadora irmã mais nova a seguir o mesmo caminho. 
 Atacada por ex-soldados bêbedos à porta do Selfridge´s, Kitty insiste, apesar da pressão da opinião pública para manter-se calada contra veteranos de guerra que tinham dado o sangue pelo país, levá-los à justiça para impedir que façam o mesmo a outras mulheres. 

Princesa Marie, uma mulher de palavra e de família



Obrigada a fugir da Rússia só com o filho e pouco mais do que a roupa do corpo, a astuta e divertida Princesa vê-se na difícil situação de depender da caridade de amigos - e esquemas mais ou menos inocentes - para manter as aparências e não deixar que a família se arruíne de todo. Quando a mãe de Mr. Selfridge (outra mulher interessante) descobre a real situação, Marie explica-lhe que se sente pessimamente com a sua situação de parasita, mas que aguarda apenas que a sua fiel criada lhe faça chegar o cofre com as jóias de família para corrigir todos esses erros. Isso acontece, de facto - e a Princesa, antes de mais nada, procura o compadre, Mr.Selfridge, para lhe pagar cada cêntimo em dívida. Ele recusa, porque já gosta dela como família que são, dizendo-lhe porém que aprecia muito que ela o tenha oferecido. Marie fia muito sensibilizada, porque a família é tudo para ela - algo que prova sendo uma sogra fantástica para Violette e dirigindo o filho no sentido de compreender e apreciar a sua jovem esposa (um apoio fundamental para que o casamento de ambos não naufrague).


Thursday, October 22, 2015

Senza una donna


Por norma não aprecio textos deste estilo, partilhados ao acaso no Facebook - ou são cheios de lamechice, ou de lamuria estilo "raposa que não foi às uvas". Mas este, que me chamou a atenção nem sei porquê e do qual nem conheço a autora, está muito bem apanhado: curto, incisivo, spot on. Eu não descreveria melhor o que uma mulher sente quando se cansa de vez:

Quando nós gritamos e reclamamos, vocês significam muito para nós (...) . Quando nós nos vamos começando a calar, vocês estão a deixar de significar seja o que for, estão a tornar-se num “tanto faz”. Aquele (...) dia em que finalmente nos cansámos (...) foi aquele dia como podia ter sido outro qualquer, porque todos os dias ao vosso lado se tornaram iguais.

A sensação de "já nem vale a pena gastar latim" sobre assuntos que antes tiravam uma pessoa do sério, que davam vontade de discutir e dissecar;  o tédio de saber que já não há nada de bom, nem de entusiasmante ou de novo a esperar da pessoa, só mais do mesmo; em suma, o modo "o que não tem remédio, remediado está", que é assim um sentimento anestesiante e entorpecedor, logo permite afastar-se sem grande tragédia. 



Acho que todas as mulheres já passaram, ou viram alguém próximo passar, por uma dessas relações em que a namorada ou esposa se torna um bonito brinquedo. Uma boneca que vai estar sempre ali, haja o que houver, pronta a ser ligada quando lembra e alvo de todas as judiarias infantis. E quando o "brinquedo" - fartinho de avisar que as pilhas estão a ficar gastas-  sai de cena, é uma admiração, uma estupefacção, uma afronta, e "o que é que eu fiz?" como se ninguém tivesse dito nada...







Em louvor da figura de ampulheta


A Harper´s Bazaar publicou hoje, por um motivo menos elevado (o aniversário da Kimmizinha Kardashona) um ode às mulheres que se celebrizaram pela silhueta hourglass: beldades como Liz Taylor, Sophia Loren, Marilyn Monroe, Sophia Vergara, Dita Von Teese...


John Singer Sargent, Retrato de Madame X 
 Se a estrela de reality shows é culpada de pôr na moda uma versão exagerada, caricatural, da mais clássica das silhuetas femininas - e de levar mulheres a apreciar  as suas curvas da maneira errada - a verdade é que, já foi dito por aqui, a figura de ampulheta vem em vários tamanhos: do plus size, como Christina Hendricks, às mais delgadas, como Raquel Welch ou Dorian Leigh.

(O que me leva a esclarecer, mais uma vez, o equívoco: é possível sim ser magra, bastante até, e ter curvas! Tudo depende da forma!)


Lina Cavalieri

A figura de ampulheta, considerada o ideal, o epíteto da forma feminina, a tríade serpentina sagrada, o símbolo de feminilidade, fertilidade, etc - define-se, tão somente, por cintura fina com ombros, busto e ancas mais amplos em comparação.
Pessoalmente, acho que muitas adeptas da figura "Kardashian" fazem batota- nem sempre a cintura é realmente fina, nem o busto acentuado (naturalmente, pelo menos); fazem é por aumentar os glúteos e as pernas, o que fica deselegante...


Elizabeth Taylor

 Segundo as estatísticas, só 8,4% das mulheres tem esta forma, tão cobiçada em várias épocas que levava as senhoras a espartilharem-se...um hábito que está a voltar, pelo menos no que ao fitness diz respeito, com os espartilhos de ginástica.

Jayne Mansfield

 Mas quem já nasceu assim, quem faz parte dessa excepção, pode levar algum tempo a compreender a fundo os factos essenciais de ser uma ampulheta...e a apreciar esse privilégio, salvo seja. Cada figura tem os seus mistérios e desafios. 

O primeiro é que por mais magra e esbelta, nunca se terá ancas de rapaz. E o derrièrre, maior ou menor, será sempre um ponto forte - um facto frustrante quando o que estava na moda eram as figuras de rectângulo, como Kate Moss e Cameron Diaz, ou de triângulo, como Gisele Bundchen, ambas com glúteos mais escorridos. Os jeans devem favorecer essa zona discretamente, sem nunca achatar nem comprimir. 

A cintura será sempre vincada, jamais larga e recta, e por mais desenvolvidos que os abdominais sejam, o abdómen curva para dentro - sempre feminino e dificilmente "a direito"  como o de tantas atletas. 


Sophia Loren

Depois, os decotes muito fechados, os tecidos coleantes (algo em que Kim Kardashian falha redondamente) o estilo muito desportivo, ameninado ou andrógino, os ténis, precisam de golpe de vista e prática de styling para resultar - na dúvida, às vezes é melhor prescindir deles. As saias não têm meio termo, a não ser a clássica, mas sexy, saia lápis ou saia de balão  a 3/4 . Não sendo assim, ou são realmente curtas, para baterem certo com as ancas (o que as torna muito arriscadas) ou compridas (se estiverem na moda). Comprimentos assim assim, bem como os vestidos estilo saco, são para esquecer. 


Raquel Welch

E há que valorizar a lingerie certa como um tesouro. As calças clássicas estilo anos 50, os jeans subidos na cintura (ou se descaídos, com espaço suficiente para acomodar a bacia, o que fica sempre sexy; nada que comprima os ossos!), as calças cigarrette, as camisas, os tops de camponesa que realçam os ombros, os sheath dresses, os casacos cintados, tudo o que é cingido sem exagero, torna-se imprescindível no armário.


Capa da Playboy, anos 1970

Uma "ampulheta" é sempre muito feminina-  e muitas vezes começa a parecer-se com uma mulher bastante cedo. Disfarçá-lo ou fazer por ser outra coisa é um desperdício.


Linda Carter

Por isso tem de fazer os exercícios certos para definir, manter, vincar, alongar. Treinar como uma bailarina para ter as curvas de uma modelo  dos anos 1950- seja de alta costura, como Dovima, ou pin up, como Bettie Page. Ter em mente a velha máxima "a cintura de uma mulher deve ser fina o suficiente para caber nas mãos do homem que ela ama".

E sejamos honestos - se o espartilho ficou na moda, se as mulheres se esforçavam tanto para ter esse aspecto, também era para agradar ao sexo oposto. Nada é tão apelativo para "eles" como a forma clássica de Vénus. Brigitte Bardot que o diga.





Wednesday, October 21, 2015

Guardá-lo ou "rifá-lo"? Uma pergunta basta para ficar com uma ideia.


Os homens são umas criaturas encantadoras: pelo menos ao início, quando tudo é lindo, só declarações de amor e demonstrações de devoção. Parecem capazes de beber os ares pela mulher que lhes tira o sono; eles não caminham nem guiam, eles voam e mostram-se dispostos a enfrentar dragões e matar mil homens pela sua dama. Junta-se a isso uma cara bonita e uma figura desempenada, e cada um no seu género- o cavalheiro elegante, o intelectual romântico, o aventureiro rebelde- com as suas lindas palavras ditas por uma voz grave e os olhos cintilantes de emoção, parece um herói de romance. 

Se alguém disse que não há nada mais belo do que uma mulher atingida pelas flechas do Cupido (pois a noção de se sentir amada faz-lhe brilhar os olhos e tinge-lhe as faces) talvez nunca tenha reparado na beleza varonil de um homem apaixonado. O olhar de aço, a postura determinada de quem se sente capaz de qualquer coisa...até os seus disparates e fanfarronadas soam bem a um coração sensível. E a alma feminina, mesmo a da mulher mais racional, mais prática, tem sempre algo de sonhador.



Todas sabemos, porém - até à mais ingénua jovem basta escutar as amigas que já passaram por isso - que ora pela ordem natural das coisas, que acalma as paixões mais veementes e mesmo os verdadeiros amores, ora porque alguns sabem ser falsos, como qualquer ser humano mal formado - que isso não basta. É preciso algo mais, a responsabilidade, uma impressão (ou certeza interior) de solidez futura.

Por isso importa avaliar bem isso antes que a fascinação e o entusiasmo toldem o julgamento: a hombridade, a decência, a palavra, a bondade, o altruísmo, o sentido prático ...que muitas vezes se revelam em pequenos gestos espontâneos.


O jogador de rugby Dimitri Szarzewski: um "deus" no Estádio, mas homem de família fora dele
                     
 Mas além de tudo isto, há um raciocínio muito simples que ajuda uma mulher a perceber quem tem diante de si. Independentemente de o cavalheiro em causa ser um dandy, um atleta, um estudioso, um artista, um  executivo orientado para os resultados, etc...

Basta pensar: em caso de crise, calamidade ou cenário apocalíptico, ele seria homem para a ajudar na sobrevivência? Se o acha capaz de liderar uma equipa ou pelo menos ser um elemento valioso, atribua um ponto extra. 

                                               

Como agora a série recomeçou, voltemos ao Darryl Dixon de The Walking Dead: é desde o início um membro imprescindível para o grupo de sobreviventes: forte, valente, habituado a caçar, discreto e capaz de planear estratégias e cumprir ordens. Mas apesar de ser aparentemente um homem rude, pouco refinado e de pouquíssimas falas, é sensível que chegue para para proteger um bebé indefeso, que outros considerariam um empecilho. Não basta ter coragem para dar tiros: é preciso valentia para colocar o próximo  em primeiro lugar.

Então, uma mulher pode comparar o seu pretendente, ou potencial namorado/marido ao Darryl. Não importa se ele cresceu no campo ou na cidade, que meios possui, se é mais sofisticado ou menos: ele tem coragem? Tem sentido prático? Importa-se com os outros? Sente-se segura ao lado dele? Se sim, fantástico.



Mas se sente que, pelo contrário, em qualquer fim do mundo literal ou figurado, tomar conta da ocorrência seria tarefa sua, pense duas vezes. Uma mulher a sério não precisa de um homem para se desembaraçar, mas ninguém quer carregar um trambolhozinho cheio de fanicos em situação de emergência, muito menos ter a seu lado um egoísta, um medricas que só pensa em salvar a própria pele e não quer saber dos outros. 

Pessoas assim não só são más para elas próprias em situação de guerra, catástrofe, etc- porque não sabem trabalhar em equipa e acabam por pagar o preço - como colocam em perigo todo um grupo. E na vida quotidiana, com as crises de todos os dias, o "grupo" é o casal ou a família.



E assim são estas almas na vida real, nos relacionamentos: incapazes de se comprometer (ou ainda que digam da boca para fora que estão comprometidos, na hora H não sabem escolher lados, defender a pessoa de quem gostam contra terceiros ou ser responsáveis com as contas) sempre prontos a obter mais dando o mínimo, a dar o dito por não dito, muito amigos de se defender culpando os outros, de mudar de ideias, de atraiçoar quem for necessário para o seu proveito próprio, de prejudicar os outros ou a si mesmos só para demonstrar que mandam ou têm razão, etc.

Escolha um Darryl Dixon e estará sempre bem acompanhada...ainda que não haja zombies  por perto (esperemos!).




Tuesday, October 20, 2015

A "suave" violência psicológica



Num livro/filme que não aprecio por aí além - graças às liberdades criativas tomadas com factos históricos - mas que tem umas ideias e frases que dão que pensar, há uma cena que me ficou sempre. A mãe de Ana Bolena (que era filha do Duque de Norfolk, logo conhecia os caprichos da corte) avisa o marido, Tomás, de que os favores do Rei não vão durar. Que todos aqueles privilégios desaparecerão tão depressa como surgiram. "Estes aposentos pertenciam ao Duque de Buckingham, o amigo mais íntimo do Rei, que agora tem a cabeça numa estaca". O marido, que era um self made man ambicioso, logo estava deslumbrado com tudo aquilo, responde espantado: "mas ele cometeu Alta Traição". E a sensata mulher (adoro cada cena de Kristin Scott Thomas nesse filme) replica: "E o que é isso? Alta Traição é tudo o que o Rei quiser!"

E há de facto pessoas assim, como o Rei Henrique VIII, com quem nunca se sabe como proceder para não cair no seu desagrado. Tal como nos campos de concentração, não há uma maneira de saber "se fizer assim e não fizer assado, tudo correrá bem". Isto é muito comum nas relações pautadas por qualquer tipo de violência, física ou psicológica. E claro, o Rei Henrique era exactamente assim com todas as suas mulheres. Não só era o marido - era o soberano. E era temperamental. Com um poder quase absoluto.



 Isto para chegar ao que nos traz cá hoje: por vezes tenho receio de que se confundam ideias que defendo aqui - um retomar do papel tradicional e da dignidade da mulher (cujo lugar é onde ela quiser: em casa, no mundo do trabalho ou até fora do feminismo) - com uma mulher que se deixa pisar. Não nos enganemos. 

Acreditar na igualdade de direitos e deveres perante a Lei, mas crer firmemente nas diferenças biológicas e psicológicas entre os sexos, é acreditar que o homem, como mais forte, deve defender com unhas e dentes quem tem a seu lado ou ao seu cuidado. 

Uma coisa é o homem que se faz respeitar, que não é um capacho (e se vamos por aí, há mulheres a exercer violência, principalmente emocional, e não é pouca). Outra é o cobarde, que não em outro nome, que fere, por dentro ou por fora, a mulher por quem diz, ou acha, estar apaixonado. E olhem que apesar do que se possa dizer dos meios mais antiquados, mais "machistas", alguns dos piores agressores são indivíduos muito modernos, todos feministas, todos pelos direitos das mulheres...gente cruel há-a em toda a parte.

 Nestes casos, minhas queridas amigas, recordo o que disse este fim de semana: nunca se pode tolerar a crueldade, seja ela física ou psicológica, e nisto não há excepções. E invoco o exemplo da mulher do ciumento no Decameron: "Nem te aconselharia a um tal atrevimento de me pores as mãos em cima; pela cruz de Cristo, partia-te a cara" (sou contra a violência, mas auto defesa é um dever).




Que volto a dizer, uma mulher tem de ser como as cordas do piano: delicada, mas de aço.

  Hoje vive-se um pouco o pânico, a paranóia, de ver violência na menor altercação. Um murro na mesa? Violência. O homem, para ser meigo, tem de ser um efeminado. Não creio nisso, antes pelo contrário; a tudo se aplica o bom senso e o discernimento. Mas é verdade que se o exagero se instalou, é porque a agressividade e a crueldade começam de facto aos poucos. É uma má palavra aqui, um safanão ali, ditos ácidos à frente dos amigos hoje, uma cena de ciúmes amanhã, um insulto agora outro mais tarde, um abuso mais adiante, um estalo, uma ameaça acolá e às vezes, em casos mais dramáticos, dá em sovas e tareias...ou no piorio que vem nos jornais. Nasce da falta de respeito, da desconsideração pela outra parte, e vai criando raízes. E no caso das mulheres, floresce por uma mistura de tolerância que lhes é inata e síndroma de Estocolmo

O homem que maltrata psicologicamente, o homem que não mede a força, o homem que bebe, o namorado ciumento patológico, o que não se importa de fazer chorar, o que inventa jogos de poder no firme propósito de torturar a cara metade, o que não entende que "não" não é "nim"...para todos há desculpas.

Em particular, a violência psicológica é subtil e matreira- mas não menos devastadora. Uma mulher de personalidade, forte, com boa auto estima, pode dizer "quando um homem me bate, bate-me uma vez"- e cumpri-lo. A bofetada é assim uma coisa muito eloquente, muito explícita. Não há melhor sinal de alarme para sair porta fora.


 Mas embora não haja dois dramas iguais nem seja a minha especialidade, atrevo-me a dizer que  agressões verbais ou psicológicas têm mais que se lhe diga. Porque afinal, não parece tão mau, não é? Pode ter sido uma má impressão, um dia não. Foi dos ciúmes, ele adora-me e perde a cabeça, é produto do meio/cultura dele, não é defeito é feitio,  é um querido quando não está fora de si, ele é um brincalhão, expressa-se assim e às vezes não vê os limites. E quando se vai a ver, até o amor próprio mais saudável está baralhado, abalado, de pantanas. 

Desculpa-se o indesculpável para manter...já nem se sabe o quê. À espera que tudo volte ao que era no início, do próximo pedido de desculpas, da próxima reconciliação romântica, dos projectos sonhados em comum. Mas a verdade é que uma vez o comboio descarrilado, é quase impossível- ou porque as estatísticas provam que tende a piorar, ou porque, como um dos homens mais importantes da minha vida costuma dizer "um homem assim não volta a ser como no início, porque o que ele era a princípio não passava de fachada. O que ele mostra agora é o que ele realmente é". 












Mas o mundo ganhou todo juízo, ou anda tudo a concordar comigo, ou...


Bom, não sei mas é reconfortante ver a citação acima. Não ouço esta rádio -ouço pouca rádio, por motivos que um dia conto- porém quer-me parecer que esta, que costumava ser toda modernaça, anda a educar o povo, o que é óptimo para variar.  As ceroulas do demo são não só a coisa mais reveladora fisicamente falando, mas também a mais eloquente que há. Quem as confunde com calças (volto a dizer, calças de malha não são necessariamente leggings) e gosta de as usar, ou ver na rua, está apresentado(a). In leggings veritas, minha gente.


Monday, October 19, 2015

Quando é que uma mulher tem sapatos a mais?


Ontem fizeram-me essa pergunta enquanto punha em ordem parte dos meus e respondi automaticamente: "quando não prestam". 

E é a pura verdade, pois além de  "quantos sapatos tem?" ser uma pergunta bastante atrevida para se fazer a uma rapariga e a que é difícil responder, o excesso - ou não - varia consoante o espaço disponível, as necessidades, gostos, hábitos, estilo de vida e orçamento de cada uma.
Assim, "quando não prestam" é o melhor critério. Já se sabe que há vários tipos de sapatos na vida de uma mulher, aqueles que é sensato ter sempre à mão ou comprar com mais frequência, os que permitem caminhar sem estragar bons momentos e os que são à prova de erro quando se trata de favorecer a figura. O que não nos faz felizes não deve ter lugar, nem os sapatos que cronicamente magoam. Tal como as pessoas que só causam aborrecimentos por muito elegantes que sejam, devem sair de cena para não voltar, ainda que isso cause uma certa pena...


Os sapatos ai -Jesus que já estão para além de toda a reparação, por muito bons amigos que tenham sido, também merecem reforma. E de resto, tudo o que tenha sido um mau investimento: os pares muito datados ou que sejam - e pareçam - de fraca qualidade, pois uma Senhora também se conhece pelo calçado, os sapatos dizem muito de quem os calça e se um vestido modesto passa, sapatos com mau ar arruinam imediatamente um visual.

Logo ao calçado - como a tantas áreas da vida -  pode aplicar-se esta máxima infantil, mas eficaz: não presta. E se não presta e está a ocupar um espaço que faz falta para tantas outras coisas, guardar para quê?

Dois bons rapazes: o complexo "Gannicus" e o complexo "Oenomaeus"


As características mais importantes num homem são as 3 "ades": hombridade, lealdade e responsabilidade. São realmente uma trindade que rima, pois podíamos considerá-las indissociáveis.

Nenhum homem é leal se não tiver hombridade, nem pode ser assim se não se responsabilizar pelos seus actos - ou mesmo, se não se responsabilizar pelos outros, sacrificando-se pelos que ama se for necessário. Há dias chegou-me um vídeo que, embora visto pela perspectiva de um pastor protestante, explica muito bem essa ideia: o verdadeiro homem não é o mais fanfarrão, nem o mais brutamontes, nem o mais forte fisicamente ou que tem mais "sorte" com o sexo oposto, mas o que possui a capacidade de se responsabilizar.


As mulheres são educadas, de certa forma, para se sentirem fascinadas pelos "maus rapazes" (que representam uma farsa de masculinidade) mas para ficarem com o "bom rapaz" - que é previsível e aparentemente, responsável, sendo que muitos são apenas capachos - o que também não é, de todo, ser homem.


 Mas falemos de bons rapazes, de homens honrados, bondosos, cumpridores, trabalhadores e fiéis. Uma vez que homens são seres humanos, e como tal cheios de nuances, há diversos tipos de bons rapazes: o bom rapaz que é assim porque é religioso, o rapaz que é assim porque foi educado dessa maneira, o bom rapaz que é assim porque é introvertido, o bom rapaz que é carinhoso e constante por natureza, etc, etc. É muito bom rapaz junto!


 Distingamos então dois tipos - aparentemente opostos - de homem honrado, cada um com as suas virtudes e defeitos. E perdoem-me por voltar a uma série já vista e revista, mas quando gosto de alguma coisa gosto mesmo e esta tem paradigmas para quase tudo (afinal, com tanta personagem bem escrita a morrer constantemente, tinha de haver muito por onde escolher, ou não teria durado quatro temporadas).




Para quem não viu Spartacus ou não gostava do programa, um resumo rapidinho: Gannicus e Oenomaeus eram dois escravos, gladiadores campeões e melhores amigos. Ambos tinham bom coração e um grande sentido de honra, dever e lealdade. A certa altura, porém, desentenderam-se porque, por um acidente que escapou à vontade dos envolvidos, acabaram apaixonados pela mesma mulher.

1- Oenomaeus, o bom rapaz de raiz




Oenomaeus, o doctore (treinador) representava o homem honrado por excelência: sóbrio, bem comportado, firme, digno, de poucas falas, cheio de auto domínio, um pouco austero e disciplinador até. Fiel à casa que o adoptou e que deu sentido à sua existência, tornando-o célebre e respeitado, vestia totalmente a camisola da sua equipa e levava muito a sério os homens sob o seu cuidado.

Este género encontra-se muito nos militares, nos homens de meios tradicionais ou que possuem sentimentos religiosos, entre intelectuais e assim por diante...

São pessoas de valores muito vincados, de moral bem clara. Este homem faz o tipo que se for atleta segue um regime sem prevaricar, o parceiro de absoluta confiança nos negócios, capaz de se prejudicar para não faltar ao seu dever, à palavra dada ou à sua reputação. É capaz de se deixar matar pelas pessoas de quem gosta. 

Com a mulher que escolhe - e não escolhe qualquer uma - é quase sempre o companheiro perfeito. Embora pareça frio e distante, isto deixa de acontecer quando se apaixona, mas terá sempre alguma dificuldade em exteriorizar de forma tão romântica como a cara metade gostaria. Escusado será dizer que é fiel (muito dificilmente cede ou alimenta qualquer proximidade que ponha os seus votos em causa) e que exige igual fidelidade e perfeição da pessoa ao seu lado. 


Com toda a sua nobreza de carácter, um "Oenomaeus", no entanto, pode pecar por outros lados: primeiro, pela ingenuidade. Quem não faz o mal, não vê o mal, logo este rapaz facilmente é enganado por rumores e intrigas. Sendo tão fiável, crendo na bondade de toda a gente, às vezes demora a abrir os olhos e a saber em quem confiar e perante uma suspeita alarmante, entra em pânico. E se desata a suspeitar, torna-se dificílimo fazê-lo confiar e abrir-se. Segundo, pela rigidez e frieza: não ser capaz de exteriorizar o que lhe vai na alma dificulta muito a comunicação, logo, qualquer relacionamento. Por fim, como coloca a parceira num pedestal - o que raramente é boa ideia -cria uma imagem idealizada dela, ressentindo-se se, com ou sem razão, a vê embaciada. Em suma, seria o homem ideal se não fosse a fragilidade interior e a atitude "holier than thou".



2- Gannicus, o mau rapaz que é bom




No início da série Gannicus era uma superstar, uma espécie de Cristiano Ronaldo com espadas lá do sítio, sem saber o que era o medo e capaz das proezas mais loucas. Um temerário bem disposto com mais coragem do que miolos e um certo complexo de auto-destruição, que só pensava em vitórias sangrentas na arena, copos atrás de copos e mulheres de má vida. A única coisa verdadeira para ele era a amizade, mas até isso foi posto em causa graças à sua maneira tresloucada de ser. Gannicus só mostrou o seu verdadeiro potencial quando, em nome da devoção aos amigos e para pagar uma dívida de consciência, pôs a sua coragem - e a inteligência, que  possuía mas não usava muito - ao serviço de uma causa maior do que ele. 

Isso, e ao encontrar uma boa mulher, de coração mais puro e inocente, que o fez ver no sexo oposto algo mais do que brinquedos.


 Gannicus representa o rebelde de coração de ouro; aquele que pode ser reformado. Aquele que muitas mulheres julgam - quase sempre, erradamente -  ver em cada bad boy que encontram. É o herdeiro playboy que decide assentar, o rapaz da banda que se cansa da vida de estúrdia, o artista incompreendido e boémio, o ganda maluco que escala o Evereste e salta em pára quedas, o aventureiro que não pára em lado nenhum, etc. E que quando se apaixona, zás: opera-se uma mudança radical. Torna-se um homem de família, que põe as suas qualidades ao serviço de um bem maior.

Claro que um homem-Gannicus tem muitas virtudes, ou vantagens. É corajoso, divertido, seguro de si, fascinante, envolvente, masculino, vai e faz em vez de hesitar, junto dele tudo parece seguro e simples ...e claro, sabe lidar com mulheres. Tanto disparate no passado, tanto mulherio, teve de lhe ensinar alguma coisa...incluindo que há mulheres para a diversão, e mulheres para levar a sério. 


Além disso, como no fundo é um coração de manteiga capaz de dar a camisa a um pobre, há uma candura nele que surpreende. O que noutras pessoas pareceria vicioso, nele é natural e até tem graça.


 Mas o mau -rapaz-que -é - bom tem dois problemas. O primeiro é que é um espécime raríssimo. Quase sempre um homem farrista, bebedolas, mulherengo, indomável, brutamontes, que pensa só em si mesmo (e nem para si é bom, pois anda constantemente envolvido em sarilhos ou actividades perigosas) tem dificuldade em mudar. 


As pessoas são como são, e a sua essência não se altera facilmente a não ser que elas o queiram de todo o coração. E mesmo assim não é simples. Old habits die hard.  Apliquemos aqui a metáfora da barraca: podemos tirar o rapaz da rebeldia, mas não a rebeldia do rapaz. Quem nunca ouviu casos de mulherengos que prometiam modificar-se, só para conquistar a mulher que desejavam? E muitos até eram sinceros- naquele momento, claro. 


O rebelde honrado e de palavra, capaz de se responsabilizar, não é uma aberração - não faltam casos felizes por aí. Porém, ao conhecer um em potencial é preciso ter muita serenidade, muita objectividade, muita cabeça fria e dar tempo ao tempo para perceber se é verdadeiro.


O segundo problema é a bagagem: ainda que ele seja um homem sério e de palavra apesar das doidices do percurso, para muitas mulheres (principalmente se forem mais ingénuas ou conservadoras) não é fácil lidar com um passado cheio de aventuras, de esqueletos no armário, e confiar.  Não só os ciúmes-fantasma se podem instalar (o que é injusto pois o que lá vai, lá vai) como há o receio legítimo - mas que não pode existir numa relação - de que o passado se repita.



Moral da história: mesmo entre os homens bons, não existe homem perfeito. Mas onde há bom coração, amor genuíno, sabedoria feminina para distinguir o trigo do joio e , da parte deles,  as 3 "ades", nada é irremediável.














Sunday, October 18, 2015

"Não és homem para mim!" - Conselhos de um Padre para evitar o marido errado.


Costumo dizer que quando se trata de pedir conselhos - nomeadamente sobre algo tão delicado como o aspecto amoroso - algumas das fontes mais fiáveis são a avó (porque é mãe duas vezes mas tem o distanciamento da experiência, além de ser mais tolerante, logo menos emocional) o irmão (pelos motivos já enunciados aqui) ou um Sacerdote. Isto para quem tem Fé, embora eu ache cá comigo que os Padres são bons conselheiros para qualquer pessoa. Afinal, orientar as almas é o seu trabalho.

Juntei à minha biblioteca este livrinho engraçadíssimo, e tendo passado os olhos por ele senti que tinha de partilhar convosco algumas ideias escritas pelo Padre Pat Connor,que admite sem reservas "os padres, como é bem sabido, nunca hesitam em meter o bedelho em assuntos sobre os quais aparentam saber muito pouco"



Cá por mim sempre acreditei que um cardiologista não precisa de ter sofrido um enfarte para saber como o tratar e que com os Padres passa-se o mesmo quando se trata de amores, mas que sei eu...

Ficam então algumas directrizes do autor, o Padre Pat Connor, acerca do homem errado. Do homem com quem nenhuma rapariga deve pensar em perder o seu tempo, quanto mais considerar o até que a morte nos separe. Sejam as minhas amigas desse lado Católicas, Protestantes, Judias, Muçulmanas, Budistas, etc... ou abertamente descrentes, isto é ouro puro (e bom senso).

- O amor pode ser cego, mas o casamento funciona como uma ida ao optometrista.

- Nunca case com um homem que não a apresenta como sua noiva. Se ele está relutante em usar a expressão "nós" ou a apresenta como uma simples "amiga" não está preparado para casar.

Nunca case com um homem que a faz sentir mal consigo mesma.

Nunca case com um homem que a permite espezinhá-lo. É bom ter um capacho em casa, mas não se ele for o seu marido.

- Se o ama, mas sabe que no fundo ele não presta, corra- até não conseguir mais- para longe dele.

- Nunca case com um homem que é rude com os empregados.

- Nunca case com um homem que grita consigo à frente dos amigos.

- Nunca case com um homem que é mais carinhoso em público do que em privado.

Nunca case com um homem que não trata bem o cão dele.

Nunca case com um homem que não consegue dizer "amo-te".´

Nunca case com um homem que manda postais de aniversário às ex-namoradas.

- NUNCA case com um homem que a trata com crueldade- quer esta crueldade seja física, quer emocional. (E nesta não há excepções).

AMEN!









Diz que vem chuva - agarrem-se às botas!




Tommy Hilfiger
E não o afirmo só por hoje - que parece que me andam a virar mangueiras dos bombeiros por cima do telhado e a chuva lá fora lembra uma cortina de água. Ouvi há dias que este Inverno vai ser particularmente chuvoso... e já se sabe que contra isso, nada como botas impermeáveis.

Mas já aqui vimos o paradoxo - o que tem acontecido todos os anos é haver muitos botins (que são lindos, recomendáveis e até impermeáveis, alguns, mas não resolvem tudo quando chove cães e gatos) e montes de botas giras, porém...em camurça. Ainda estou para perceber essa.

 Como quem avisa vossa amiga é e eu sou muitíssimo vossa amiga por isso não quero que ninguém se constipe, fui procurar alguns dos melhores modelos dentro das tendências do momento  para todas as bolsas, de modo a não falhar no quesito botas perfeitas: longas, neutras, elegantes e impermeáveis!

Modelos clássicos em couro ou wellington boots, o que importa é que favoreçam as pernas, sejam confortáveis, protejam da chuva e tenham uma altura estável que permita caminhar à vontade. 

Eis os melhores "todo o terreno" da estação:



Galochas


Botas de montar em borracha pelo joelho, Decathlon

Galochas, Zara

Wellington boots, Aigle

Em pele

 Marc Jacobs
Veronique Branquinho (também disponível em castanho escuro)
MICHAEL Michael Kors

Com pé em couro e sobre o joelho, Zara




Stuart Weitzman

Botas de estilo hípico, Zara

                                               
                                                                Overknee, Stuart Weitzman



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