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Saturday, November 7, 2015

"See me, feel me, touch me, heal me".


Ter pais apaixonados por música e que decidiram apresentar aos filhos os filmes e discos da sua juventude o mais cedo possível, dá nisto:  a "trindade" Tommy, Jesus Christ Superstar e Hair acompanhou a minha infância quase toda, e eu e o meu irmão não tardámos a contagiar primos e amigos. Aos sete ou oito anos, Tommy, a rock opera dos The Who, a delirante versão de Ken Russel, era um dos meus filmes preferidos e continua a sê-lo hoje (a par com os outros dois da trindade...). 

Revi Tommy ontem, de fio a pavio (arreliada comigo própria por não andar a ouvir tanta música como de costume, de não saber do CD do Tommy de e ultimamente desprezar o piano, que qualquer dia embrulham-se-me os dedos). E continua a emocionar-me como sempre emocionou, com o seu simbolismo louco a levantar sempre novas questões. É um filme que nos faz pensar de forma diferente consoante o estado em que o vemos.



Para quem não conhece (recomendo que o vejam de mente, mas sobretudo, ouvidos abertos) o menino Tommy perde, após um trauma, o uso da visão, da audição e da fala. Aparentemente, pelo menos - vive fechado em si próprio, no seu mundo interior (o que desespera a sua mãe que se sente horrivelmente culpada do sucedido) até se libertar e alcançar a iluminação ou coisa que o valha (uma ideia muito em voga na época) . Com isso torna-se uma espécie de figura messiânica em versão rock & roll, cheia de paralelismos com Jesus Cristo que qualquer pessoa baptizada percebe.

 Além dos elementos dos The Who, de um figurino e cenografia icónicos, o filme está cheio de celebridades nos principais papéis, como Tina Turner, Eric Clapton, Elton John e um jovem (e muito atraente) Jack Nicholson que pasme-se, canta realmente bem!


   Ora, voltemos à realidade: já se sabe que um choque pode fazer com que se perca o uso dos sentidos ou de outras faculdades - ou simplesmente, que se desligue sentimentalmente. Mas nem sempre isso acontece de forma tão literal como sucede com o Tommy. 

É muito fácil alguém fechar-se sobre si próprio depois de um desgosto, experiência de medo intensa ou por qualquer convulsão interior, perdendo a capacidade de se expressar ou de deixar que lhe toquem, emocionalmente falando. Vemos isso em muitas mulheres que querem ser amadas, mas não conseguem libertar-se das feridas do passado e por isso congelam ou sabotam sempre tudo- é matéria que enche consultórios. Em jovens inadaptados, que acumulam depressões e desajustes aparentemente sem causa, para desespero da família. 



Vê-mo-lo em homens incapazes de se explicar e em inúmeros casais que criam autênticas cortinas de ferro que os separam. Por vezes, torna-se impossível chegar a certas pessoas- e certas pessoas nem a si mesmas conseguem chegar. De um momento para o outro há um Muro de Berlim emocional que inviabiliza o toque, a comunicação. A alma fechada vê, ouve, sente, tem boca para falar, mas é como se fosse teimosa e voluntariamente cega, surda e muda. No filme, há este apelo constante e aflitivo: see me, feel me, touch me, heal me. Sem sucesso, até se dar o clique ou um momento que inexplicavelmente varre tudo isso. No caso do Tommy, que só conseguia 
manifestar-se de alguma forma perante os espelhos, trancado consigo, essa  libertação acontece quando o espelho se estilhaça. Para muita gente, tal como ele, pode ser preciso esse empurrão, que alguém quebre o vidro em mil pedacinhos. Mas quem se calafetou a sete chaves e deseja sair da prisão interior que criou sem querer, também tem de fazer a sua parte: ouvir, deixar-se guiar, seguir. Só assim é possível sentir o outro, ver a glória reflectida nele, abandonar a cela gelada em que se entrou, encontrar calor humano, compreender, amar, situar as emoções, entender a história, partilhar a glória dos pequenos momentos que tornam a vida plena. Porque é impossível fazer música sozinho, sendo cego, surdo e mudo, ou ser livre atrás de grades.






Friday, November 6, 2015

Do gato que fugiu


A ex-deputada e consultora de comunicação Marta Rebelo tem estado nas bocas do mundo após revelar inflamadamente no seu blog que terminou o seu namoro depois de a cara-metade lhe ter deixado, sem querer, fugir o seu adorado gato amarelo. E acto contínuo, a linguagem algo incendiária do texto motivou que muitos internautas fizessem comentários do género "crazy cat lady...esperto foi o gato e sorte teve o namorado! Livra!".

(Também houve os "anjinhos" do costume, que reparando nos petiscos que ela descreveu que dava ao gato, atiraram logo com o habitual "tanta gente com fome" mas são incapazes de dar esmola a um pobre. Só que esses não interessam para o caso).

Voltemos à  menina Rebelo, ao namorado abandonado e ao gato fujão: curiosamente, o namoro tinha começado precisamente porque o ex adora animais e tinha recolhido um cãozinho abandonado que "apresentou" o casal no parque. Logo o rapaz mereceria um desconto, mas...

Ora, cada um lida com as perdas e as emoções à sua maneira. A consultora também afirmou publicamente que luta contra uma depressão crónica, o que pode de certa forma explicar que sinta tudo de forma mais intensa  (tive de ir ver isto tudo para me situar porque não conheço os intervenientes, só sei que Marta Rebelo parece escrever e dizer o que lhe passa pela alma sem grande filtro, que "não se afirma feminista, mas paritária" o que é uma ideia curiosa, e que respondeu às presentes críticas de uma forma pouco bem disposta).


Com a Imperatriz lá de casa

 Eu, que adoro animais, que entendo esse desgosto, que defendo com unhas e dentes o direito de uma mulher ficar solteira com o gato se assim o desejar (há pior na vida); que tenho quatro monstrinhos peludos e mimados (tudo adoptado e cada um com uma história mais rocambolesca do que a outra) fora os hóspedes que vão e vêm até encontrarem casa definitiva e os gatos silvestres sem mencionar outra bicharada, que até um morcego já levei ao veterinário; eu que não sou mulher de lágrimas mas chorei como uma Madalena quando o Farinelli me fugiu durante um ano e meio (veja, Marta, ainda há esperança para o Benny); eu que não sou blogger de contar a minha vida mas partilhei convosco a minha tristeza quando o Fari foi dar uma voltinha e a minha alegria quando ele finalmente voltou para casa...não concordo com a reacção de Marta Rebelo.

Nem me refiro propriamente à guia de marcha dada ao namorado, que isto quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro e se calhar o gatinho (amorosíssimo, por sinal) foi só a gota de água. Embora dizer que se mandou embora o cavalheiro à conta disso soe como soa, nem é por aí que me faz espécie. 


O meu monstrinho Maggie

O que eu não acho graça é que se escarrapachem coisas privadas tão nervosamente, tão apaixonadamente, de uma forma que soa tão exagerada. Primeiro, porque uma mulher deve, mais que tudo, ser serena; segundo, porque são esses exageros, esses sassaricos, esses fanicos, esses chiliques a parecer doidice (desculpem) ou fanatismo que fazem com que a causa dos animais, e de quem os protege, não seja muitas vezes tomada a sério.

 E conheço muitos protectores dos amores de quatro patas, super bem intencionados sem dúvida, que acabam por afastar até quem tenta ajudar precisamente por se expressarem desta maneira ou por terem posições muito radicais. Se queremos defender os animais, temos de os compreender; e se queremos sensibilizar as pessoas para os animais, é preciso perceber como muitas pensam também. 


A Tatiana Romanova, uma gatinha imprudente que me partiu o coração.

Já mil vezes tive, por exemplo, a discussão com amigos dos animais que defendem que comprar um animal é ridículo, quando se pode adoptar. O que estas almas bondosas e utópicas não compreendem é que nem toda a gente tem perfil para adoptar (provavelmente nem terá perfil para respeitar e valorizar um animal que lhe custou dinheiro e que vem todo perfeitinho, sem traumas, como manda o figurino, quanto mais!). Não podemos pretender que toda a gente seja exactamente como nós. E essa postura de "bicho é sagrado" não ajuda os bichos, não...


Os amigos dos animais, as pessoas que os protegem, que muitas vezes tomam a cargo a bicharada de rua  - ou até os animais comprados e adoptados por vizinhos que depois não querem saber - pagando do seu bolso veterinário, alimentação, esterilização,etc... não são necessariamente hippies, boémios, excêntricos, milionários sem nada para fazer, anti sociais ou velhinhas com um parafusito solto. Muitos não são vegetarianos (adoraria, mas...c´est la vie) tão pouco têm posições extremas quanto a produtos de origem animal ou questões mais sensíveis como a caça ou a festa brava. São gente normal, estruturada, com um orçamento controlado, de família, anti crueldade, pró responsabilidade, com empatia e que por acaso, gosta realmente de conviver com animais e que os respeita.


Farinelli, que andou a monte mais de um ano

Mas respeitá-los também é compreendê-los. É perceber que, por muito que alguns animais sejam mais humanos do que certas pessoas, por muito que eu prefira mil vezes um dos meus gatos a certos humanos, a verdade é que gato é gato. E às vezes aplica-se-lhes aquela frase de um amigo meu, voluntário numa associação de ajuda animal que se sacrificava horrores para salvar felinos de rua, que face a fugas e saltos do 5º andar, desabafava "gatos estúpidos- não sabem o que é bom para vocês". 

Temos de aceitar que mesmo com mil cuidados, às vezes os animais -até esterilizados, e pelo que percebi o gato da Marta ainda não estaria assim- escapam. Aqui onde moro, com um jardim bem grande e montes de floresta à volta para brincarem em segurança, por vezes os meus querem porque querem dar a sua voltinha, ir lutar com os outros, ou namorar mesmo que já estejam medicamente impedidos de o fazer, sabe-se lá - e às vezes gastam-se as sete vidas.

Não podemos ser demasiado apegados a nada neste mundo, e a um animal que tem sede de liberdade por muito que nos ame - e que às vezes não sabe mesmo o que é bom para ele - muito menos. Há que amá-los e cuidar deles e muito darwinisticamente, seja o que Deus quiser...











As três palavras mais irresistíveis que "eles" dizem


De acordo com  Bryan Reeves, ex-capitão da força aérea americana, conselheiro de relacionamentos e cronista do site Good Men Project, as palavrinhas que mais derretem o coração das mulheres não são "amo-te" (afinal, há tanto quem o diga de ânimo leve) nem "és bela!" (também há para aí tanto galanteador que convém ser sensata para distinguir o elogio sincero do postiço).

Ná, meninas e meninos.

As palavras que mais depressa atingem o coração feminino, diz Mr. Reeves e eu concordo, são *rufar de tambores* ... "EU TRATO DISSO"!


O autor  (que parece ter uma forma muito intuitiva e expressiva tanto para compreender como para descrever o que a mente feminina sente- leiam o texto original, que vale a pena) explica que estas três palavrinhas, estas doze letrinhas em português, oito em inglês, I got this, "falam às forças primordiais dentro de homens e mulheres; podem fazer de imediato a espinha dorsal de um homem endireitar-se e uma mulher desfalecer".

Veritas est; pelo menos eu acho. A mesma ideia já foi dita por aqui em diversos posts, de muitas maneiras.

 A igualdade de direitos e deveres não significa atropelar a tradição milenar entranhada, a genética, a natureza, séculos de expectativas e comportamentos que um homem espera de uma mulher e que uma mulher espera de um homem. Isso seria contraproducente, profundamente errado...e no entanto, assiste-se a um baralhar completo de papéis - o que não quer dizer que as pessoas se sintam satisfeitas nem felizes com isso, por muito que não se apercebam ou até que sustentem o contrário. 


Olhem para a natureza - o masculino procura o feminino. Procura caçar, conquistar e defender o seu território. Por sua vez, o feminino tem o mistério, a astúcia, a meiguice, a beleza. Onde já se viu uma leoa perseguir o leão? O que nos separa do reino animal, primatas que somos, é a racionalidade, a canalização do instinto e, para muita gente, a espiritualidade. 

Mas no básico, entre seres humanos não é tão diferente- as mulheres, por muito resistentes que sejam (de novo, basta olhar para a natureza) por muito capazes, por mais independentes, andam cansadas de ter o mundo às costas. Na hora de dividir a sua vida com alguém, esperam que os braços de um homem sejam fortes, que ele seja uma fortaleza, um refúgio, que tenha iniciativa, pulso, coragem. Querem render-se, ser conquistadas, arrebatadas, ajudadas e protegidas. 


Mesmo que não tenham a mínima dificuldade em desembaraçar-se sozinhas - e convém que não tenham, porque super-homens não existem e ninguém atura uma florzinha de estufa mimada toda a vida -  precisam de se sentir mulheres. Da mesma forma que um homem precisa de se sentir masculino: de ser o herói do dia, o cavaleiro andante, o salvador das grandes e pequenas causas

Seja impedindo a namorada de se esparralhar na calçada por culpa dos saltos altos, defendendo a mulher de um piropo atrevido na rua ou controlando um curto circuito em casa. 

 E isso, meus caros e minhas caras, é irresistível para uma mulher feminina, uma mulher a sério, uma boa mulher, uma mulher tão forte que não se importa de prescindir da própria força uma vez por outra.


Um homem tem, conscientemente ou não, necessidade de ouvir (ou de sentir) "eu preciso de ti". E uma mulher, "eu cuido de ti".

Quando ambos são privados disso, porque a sociedade moderna encoraja os homens a serem "bons ouvintes, solidários com os caprichos femininos e em contacto com as suas emoções" e as mulheres a serem predadoras e mandonas, gera-se um ressentimento mútuo. As mulheres procuram transformar os homens em mulheres de calças, mas quando isso acontece já não gostam deles. Nenhuma mulher, por autoritária que seja, por muito que isso lhe dê jeito, gosta de um tapete que pode dominar. Uma casa assim é sempre mal governada- conheço tantas que fazem o que querem sem consultar ninguém, põem e dispõem, mas depois olham para o marido com desprezo...


E zás, dá-se o complexo de bad boy, o velho "elas não gostam dos bons rapazes, preferem os canalhas que as tratam mal". Isso não é verdade. Só que os escroques fingem muito bem as características varonis, embora no fundo sejam mais cobardes e bananas do que os "bonzinhos".

Mas a culpa também é dos "bonzinhos", que acham que para agradar têm de ser homens beta!

E é claro que não faltaram homens beta, efeminados, armados em "feministos", a reclamar do texto: outro autor respondeu com uma crónica cheia de lamuria na qual classificou a ideia do autor de "sexismo benevolente" (no meio de tanta mariquice, só nos faltava mais esta). 


Diz o autor da resposta que tais ideias estariam bem mas era num livro machista dos anos 1950, porque ferem a obrigatória ideia de igualdade de género. Até invoca que essa pressão para ser homem é a causa de muita depressão masculina (que aqui tenho de concordar, não é totalmente falsa, mas por amor de Deus, se um homem não aguenta isso que fará no campo de batalha?). Definitivamente, ser um homem a sério, dar o peito às balas, não é para todos

Para rapazolas preguiçosos, caprichosos, egoístas, acriançados acredito que seja muito mais conveniente uma mulher mandona, pouco feminina, de uma sensualidade brutal e grosseira, que tome as iniciativas, que conduza as operações, que faça tudo por eles e a quem possam dizer mole e cobardemente, quando estão fartos "eu não tive nada a ver com isto, a responsabilidade desta relação foi tua, agora aguenta-te ao barulho".


Mas Bryan Reeves, como homem a sério, como bom militar que foi, compreende muito bem esta noção de expectativas diferentes, que em nada desmerece (pelo contrário) o respeito mútuo ou a igualdade de direitos: "eu não abraço uma mulher para me sentir seguro nos seus braços. Quando a abraço sinto-me forte, poderoso até, como se vivesse a minha missão ao  mantê-la protegida nos meus braços firmes. As mulheres, pelo contrário, dizem que é isso que apreciam no abraço: a experiência de se sentirem física e emocionalmente seguras, de que podem relaxar sabendo que ao menos naquele momento estão protegidas do caos exaustivo do mundo. É como se ambos viajássemos a partir de mundos muito diferentes para um rendez-vous secreto. Como se a convidasse a descansar e a sentir que tudo vai ficar bem porque eu tenho a força, a disciplina, a fortitude, a perseverança e a visão para nos afastar do desconforto. Há algo profundamente apelativo em estar com uma mulher que, apesar de saber perfeitamente tomar conta de si mesma, nos deixa cuidar dela mesmo assim".

Desculpem lá as cabeças mais modernas, mas se isto é "sexismo benevolente", so be it...









Thursday, November 5, 2015

Pó bronzeador para peles de porcelana? Why not?




Quem tem uma pele super clara, transparente mesmo e não tem problemas em ser, com honra, um "copinho de leite" poderá enfrentar vários desafios de beleza: primeiro, a protecção solar e hidratação adequada para salvaguardar uma cútis delicada (e provavelmente, reactiva); segundo, encontrar as bases e BB Creams certos (traduzindo: pálidos o suficiente ou pelo menos, que se fundam e de preferência, de tom neutro, nem amarelado nem rosado - ó demanda difícil!) terceiro, ter mão muito leve e olho vivo para escolher e aplicar o blush e os contornos...ou optar por passar sem eles. Depois, nem falemos nos bâtons- certos tons vivos que ficam a matar contra uma tez morena podem parecer berrantes demais (ou paradoxalmente, desmaiar de todo) num rosto de porcelana.

E quem é ruiva e sardenta, encontra ainda mais subtilezas do que as louras (que muitas vezes tendem a ter pele rosada ou dourada) ou as morenas claras (que costumam ser de um adorável e mate tom de magnólia!).

Em termos de cosméticos, o mesmo sucede com esse truquezinho que quase toda a gente adora, que está imenso na moda e que é o salva-vidas de tantas morenas que ficam macilentas no Inverno: o pó bronzeador (bronzer ou bronzing powder).


Confesso que é cosmético que até há pouco tempo, me passava ao lado - afinal, what´s the point? Raramente bronzeio alguma coisa no Verão (com sorte, ganho um lindo tom ambarino depois de muito esforço e muitas sardas) e assim como assim vai-me melhor o look à Belle Époque. 

Depois, maquilhadores profissionais com quem trabalhei sempre insistiram  que bronzer não substitui o blush, porque afinal "ninguém cora em castanho". E é verdade...

Não há então, aparentemente, grande utilidade no produto. Ou haverá?

Se calhar sim. E uma vez que alguns bronzers sem brilho podem ser usados como pó de contorno, havia uns quantos cá em casa (fora umas versões irisadas que me ofereceram, etc) pelo que acabei por ver uns tutoriais que por aí andam, e toca a fazer experiências.




Como saberão deve aplicar -se o bronzer com um pincel fofo, médio, nas zonas onde bate o sol: nas maçãs do rosto (ou ligeiramente abaixo, se quisermos adicionar blush) no queixo e, se não for um pó irisado, um poucochinho na testa, junto à raiz do cabelo.

Pessoalmente, por vezes (se tiver pressa ou preguiça de usar sombra) uma leve passagem sobre as pálpebras realça o olhar; basta acrescentar máscara e eyeliner. Isto é um pequeno truque, não uma regra...

No caso das peles muito pálidas, convém ter dois cuidados: primeiro, não escolher um tom demasiado contrastante (nem castanho muito escuro, nem cor de tijolo terroso) para que se funda naturalmente; os melhores são os translúcidos, ligeiramente dourados, como este da Kiko:




Segundo, manter o bronzer realmente nas zonas estratégicas, pois a ideia não é ficar "morena" e sim dar dimensão e luminosidade ao rosto.

As ruivas, em especial, devem ser cautelosas para que -uma vez que o tom bronzeado do pó é semelhante ao das madeixas - não se perca o belo contraste entre a palidez da pele e o alaranjado do cabelo.

Bem aplicado - a solo ou acompanhado de contorno e blush - o bronzer pode dar aquele toque de sofisticação, de maquilhagem natural mas com bom ar, composto e dispendioso...além de realçar as sardas da melhor maneira.




Wednesday, November 4, 2015

Como diria Salomão


Numa edição dos anos 1940 da revista "Ao Largo", dedicada às adolescentes, encontrei um dos mais belos textos sobre o amor que me foi dado ler nos últimos tempos: 

"Há duas espécies de amor: um amor falso, outro verdadeiro. Há o amor superficial e sensual que apenas se apoia na beleza e na sedução exteriores, o amor-egoísta, o amor-fantasia, o amor-capricho...

Este amor, como tudo o que é terreno, é inconsistente, passa, evapora-se...

 Há também o Amor-ilusão: «amar» seria entrar num mundo encantado, sem tréguas nem trevas, a felicidade perfeita, a alegria sem sombras...e tudo isto sem cuidados, sem trabalhos, nem contrariedades, nem decepções!

 Nem tanto ao Céu, nem tanto à Terra! 

És corpo e alma e no amor terás de contar com ambos. O Verdadeiro Amor é forte e sincero-mas sem ilusões. Tem de ser inseparável da Graça- porque esta aperfeiçoa e santifica o amor; ensina que nada deste mundo é perfeito e transforma o amor conjugal tornando-o fiel, misericordioso, paciente...

Este Amor para ser verdadeiro também tem de ser inseparável da estima mútua e do respeito recíproco. Só esta estima no amor torna o amor durável.

 A harmonia conjugal repousa naquele amor que é forte, compreensivo e generoso, porque tem qualquer coisa de sobrenatural. Numa época em que o mundo julga encontrar a felicidade, não no cumprimento de um dever e na aceitação dos sacrifícios que ele impõe, mas na recusa sistemática de todo o constrangimento ou esforço, na satisfação plena de um egoísmo materialista - precisas tu, que queres viver bem, de pôr o amor no seu verdadeiro terreno, sem fantasias...".


Dá que pensar, no espírito de outros posts já aqui publicados: é má receita aceitar o amor, pensar numa relação "para sempre" com o objectivo egoísta "quero ser feliz". Sem considerar que nenhum amor é um mar de rosas, que antes de se armar para o amor é preciso, como na guerra, ir preparado para enfrentar abismos, pois "a Cruz é o trono dos verdadeiros amantes". 

É preciso que cada apaixonado entre na esperança de ser feliz, mas com o objectivo de tornar feliz o outro, esquecendo-se de si mesmo. Assim nunca se desilude, nem dará, para desistir ao primeiro embate, como tantos, a desculpa egocêntrica "já não sou feliz".

Isto porque é tão fácil, ante os impulsos da paixão provocados pelos encantos do ser amado, pela atracção física, não vislumbrar senão aquilo que se quer ver. 


Um casal que se quer bem e vive o encantamento do amor - aquele amor que nem parece real, que gera uma necessidade constante e imperiosa de banhar os olhos no outro, de tocar uma centelha do divino, de absorver e compreender a beleza da cara metade - terá coragem para tudo, quererá prometer tudo, verbalizar constantes declarações, porque nesse instante até os maiores obstáculos parecem românticos. É uma vertigem deliciosa - mas que carece de racionalidade, de senso, e que uma vez acalmada - pois o amor, que se apanha como a gripe, tem, como ela, a febre - poderá não ter bases para subsistir.

O próprio Rei Salomão, tão sábio, soltou palavras de amor exaltadas: tuas carícias nos inebriarão mais que o vinho. Quanta razão há para te amar!

E assim é, principalmente se um casal é belo, jovem, feito como um conjunto de mármore grego: quanta razão há para te amar! Porém, esse "amor" não passará de paixão, de entusiasmo fátuo, se antes das juras, de um grande compromisso, de um profundo envolvimento físico, não for purificado, virado do avesso, testado nas chamas do sacrifício, provado na sua resistência - espiritualizado, em suma.

  Voltemos ao Rei, que dizia "põe-me como um selo sobre o teu coração; como um selo sobre o teu braço". Sem esse selo, esse laço definitivo, essa certeza, não pode ser amor verdadeiro.
E nada disso vem de repente, nem com promessas publicitárias de felicidade...

Get real!


Essena O'Neill é uma jovem australiana, celebridade dos social media com meio milhão de seguidores, que até há pouco tempo fazia sucesso e lucrava bastante graças aos seus posts bonitinhos.

Entretanto fartou-se da pressão para ser perfeita e decidiu dar o grito do Ipiranga: apagou tudo, mudou o nome da sua conta para "Social Media Is Not Real Life," e substituiu as suas publicações por vídeos a contar como realmente é esforçar-se como um camelo em nome da popularidade, status e aprovação alheia e por republicações das suas selfies e retratos, com legendas cómicas do género "para que a minha barriga parecesse perfeita nesta imagem, não comi o dia todo", "para que este ângulo saísse como desejado, zanguei-me com a minha irmã que estava a fazer o frete de me fotografar", "este vestido foi patrocinado" ou "não me diverti nesta festa porque estava demasiado angustiada a retratar-me para publicar". Coisas assim.


Poderá dizer-se (eu acho possível) que Essena foi esperta e substituiu uma fonte de receitas e seguidores por outra, em modo mimimi, que desgraçadinha que eu sou, ó vida dura. Mas não deixa de haver uma certa lógica nisto tudo.


Atenção, eu defendo que se é para aparecermos, que seja no nosso melhor. Que nunca ninguém veja as nossas desditas e nas redes sociais, muito menos. Mas há um limite para o maquilhar da realidade - ou para o expor da realidade que, já que aparece, convém 
que esteja compostinha, talvez demasiado.

Quantas pessoas conheço que, na ânsia de tirar a selfie perfeita antes do treino, não treinam como deveriam? É que (não sou uma artista nem vezeira na selfie apesar de gostar de fotografia, sorry) aquilo é uma canseira. Leva mais tempo e esforço a selfie do que o exercício em si. 

E de igual modo, quanta gentinha está mais ocupada a fotografar/gravar o concerto para colocar no Facebook ou no Instagram do que a apreciar a música e o momento? 

Lá está - há o registar ocasional de um bom ângulo, há um momento Kodac, e há transformar a vida em momentos Kodac...nem que seja a martelo.

Estaa imagem, da estreia de um filme com Johnny Depp, tornou-se viral - a senhora em destaque foi a única a apreciar o momento, sem se ralar em captá-lo.

E isto de viver uma vida artificial não tem só a ver com selfies, nem redes sociais. Nada contra as aparências nem contra pensar estrategicamente - as aparências têm o seu papel, comunicam quem desejamos ser, dignificam, importa salvaguardá-las. Ter bom nome, reputação, estabilidade, não queimar pontes constantemente, conservar o que se tem, sacrificar-se por um amor de longa data que não é perfeito mas tem potencial, pensar no futuro, ouvir quem nos rodeia...é determinante, mas não é tudo.

Há quem se dê com amigos desrespeitosos (ou que são péssimas companhias) só para dizer que esteve com fulano e beltrano, que têm acesso às melhores festas. Quem não tenha queijo nem fiambre em casa para vestir Chanel (sim, conheço casos e não são poucos). Quem tolere abusos, infelicidade, só para estar ao lado  da pessoa que aparentemente é perfeita para si. E essa ideia entranha-se na pele de tal forma que até se acredita ser verdade. Mas quem não se importa de tratar mal a cara metade nunca será perfeito. Sim, é perfeito...para arm candy. Perfeito para o retrato. Picture perfect para um anúncio de Ralph Lauren. Mas tudo isso - tal como os bens materiais, as honrarias mundanas ou a popularidade - pode trazer breves alegrias, pode facilitar muitas coisas, pode massajar o ego, mas não é a felicidade. Não é verdadeiro, não é real. São bonecos que se fazem. E em menor ou maior grau, toda a gente faz o "boneco" de vez em quando.

Ao final do dia - ou no fim de tudo - o que conta é aquilo que às vezes nem nos lembramos de exibir, porque estamos demasiado felizes para parar e registar o momento. 






Tuesday, November 3, 2015

5 peças realmente "adelgaçantes"


Nunca acreditei lá muito na frase da Duquesa de Windsor: "nunca se pode ser demasiado rica ou demasiado magra". (Há ainda quem acrescente "demasiado loura"). Ser demasiado rica é relativo, mas se descamba em ostentação, egoísmo e mau gosto, às tantas existe um too much. Quanto a ser demasiado magra...além das questões de saúde, há sempre um demasiado magra ou demasiado cheiinha (gorda já nem falo, pois convém não chegar a tanto) para cada mulher.  Adiante.

Em todo o caso, quase ninguém gosta de roupa que "engorda" - por muito esbelta que se seja é sempre desagradável perceber que se ganhou uns "centímetros mentirosos" por causa da roupa. É ter fama sem proveito. E na era das câmaras por toda a parte e das selfies, pior, pois as lentes acrescentam sempre alguma coisinha.

Never fear: há que combater ilusões de óptica com ilusões de óptica. Já vimos aqui em detalhe os melhores truques de styling para parecer mais esguia, mas entretanto encontrei este artigo e não concordando a 100% com todos os aspectos (uma saia linha A não favorece toda a gente, por exemplo) decidi criar uma versão que me parecesse mais...bom, à prova de erro. Aqui vai:

1- O vestidinho preto perfeito
Dolce & Gabbana F/W 2015

Este amiguinho básico parece não ter muito que saber, mas calma: embora um vestido preto seja sempre um bom começo (ou a escolha mais inofensiva), para esse famoso efeito adelgaçante universal convém encontrar o modelo que favorece todo o mulherio: imediatamente abaixo do joelho, de um tecido consistente e de qualidade, que abrace as formas sem colar, com um ligeiro decote e de preferência, com mangas a 3/4.

2 - Os jeans escuros certos
Saint Laurent

Denim escuro, sem brilho, sem costuras contrastantes, bolsos exóticos nem lavagens estranhas são a escolha mais elegante, mais versátil, intemporal e que mais emagrece, ponto. Não vale a pena sustentar o contrário. Também convém que sejam de cintura subida q.b. para acomodar a zona da bacia e das ancas sem comprimir, sem pressionar a pele (o que inventa ou realça "gordurinhas")  e de modo a realçar a zona mais esguia do corpo (que na maioria das mulheres é a cintura). Mas é claro que "comprar uns jeans subidos e pronto" não funciona para toda a gente, com vimos em detalhe aqui e aqui.

3 - As calças clássicas, pretas, ideais
Akris

Todas as mulheres precisam absolutamente de umas calças pretas clássicas e afuniladas, sejam cigarrette ou de corte estilo jodpuhr. Aquelas que se vestem sem pensar duas vezes faça frio ou calor, que caem a matar e que combinam igualmente com bailarinas, botas, botins, scarpins ou sandálias; que consoante se usam com uma t-shirt ou um top de seda dão para o dia ou para a noite e que uma vez encontradas, são elevadas ao estatuto de uniforme.
 Mas atenção- não faltam publicações que agora recomendam "calças curtas no tornozelo" como panaceia para parecer automaticamente mais longa e mais esguia. Devagar com o andor: se quer que "emagreçam", é preferível evitar pinças na  zona  das coxas; depois, certifique-se se não são excessivamente curtas; se terminam na parte mais magra do tornozelo (que costuma ser quase sobre o artelho) se o tecido é de qualidade, e se a cintura, alta q.b., está confortável.

4- O top dos tops
Top H&M
Tops escuros de algodão com um decote redondo (ou mais democrático ainda, em V) e mangas compridas ou a 3/4 funcionam para todas as mulheres, desde que escolhidos no tamanho certo. Os melhores cobrem adequadamente a zona dos rins (ou seja, não sobem pelas costas se precisar de se baixar).

5- Saltos médios, sólidos
Zara

Seja em botim, sandália, sapato ou bota- um salto largo, mas elegante, que dê estabilidade ao andar e favoreça as pernas enquanto permite caminhar confortavelmente é a pedra filosofal do calçado. Se a ideia é parecer mais esguia, não há nada pior do que saltos baixos demais (que podem dar um ar desleixado, não alongar o suficiente ou convidar à má postura) ou altos demais (que além de ficarem vulgares e serem desconfortáveis, muitas vezes distribuem mal o peso do corpo, logo obrigam a fazer força no tornozelo e nas coxas... o que dá a ilusão de extremidades mais fortes, quando deviam fazer exactamente o oposto). 

*Veja aqui em pormenor os melhores modelos de calçado para parecer mais longa e esbelta).








Não sejamos maluquinhos de nada.

Imagem via



"Certos médicos literários dedicam-se a inventar doenças
de que a humanidade papalva se presta logo a morrer".


Eça de Queiroz dixit

O esprit du temps, o status quo que se instalou, dá-me vontade de berrar "stop the madness", eu que, como diria a Mary Poppins, lá sou mulher de me alterar

É esquisito: por um lado, um relativismo desgraçado, nada é mau, um é proibido proibir, um je suis Charlie  a cada esquina, um NÃO JULGUEIS porque isso incomoda muita gente, a esquizofrénica da liberdade a todo o custo; por outro, um policiamento do politicamente correcto, um ofendedismo, um crime-pensar que dá enjoos. É tudo discriminação, tudo apropriação cultural, tudo racismo, tudo sexismo, tudo violência, tudo shaming-qualquer-coisa, tudo caso para tribunal, tudo faz mal à saúde - uma sociedade de bananas, de xoninhas, de bebés chorões, é o ideal a alcançar actualmente.

 Mas comecemos pela saúde e alimentação, que do resto já se tem tratado aqui ad nauseam.

 Há muito que estes modismos de tudo faz mal, que até impedem uma pessoa de viver, de sentir, de respirar descansada, me andam a tirar do sério. A começar por retirarem o sal a tudo: é na comida, é nas ideias, é suposto sermos todos uns sem sal incapazes de saborear umas batatas fritas à séria ou de escolher lados. Já martelei imenso essa ideia por aqui, eu que primeiro tenho costela italiana portanto não me tragam cá comida insípida porque a vida são dois dias (já lá vamos), segundo sofro de tensão baixa e preciso cá da minha dose de sódio (sorry about that) e terceiro acredito muito nisso de as pessoas de bem terem de ser o sal da Terra

A gota de água que fez transbordar o copo foi no outro dia quando, quase a ter um piripaque hipoglicémico e ansiosa por um pecadilho do McDonald´s porque se é para a desgraça é para a desgraça, me deram as batatas, as famosas, pecaminosas, apetitosas batatas, SEM SAL. Sem. Sal. Fiquei ofendida e exigi que me salpicassem aquilo tudo de sal com aquele borrifador como manda o figurino...pois sim! Deram-me com ar apologético e tristinho dois pacotinhos, para que eu, por minha conta e risco, salgasse as batatas... pois não podiam ultrapassar a dose recomendada. 

Temperei-as como pude e comi-as com ar de desafio, a sentir-me uma ganda maluca, uma verdadeira terrorista de metabolismo sobre-humano. What a feeling



E lembrei-me logo das palavras de um Padre muito sensato, mas sem papas na língua, que há uns meses a conversar comigo sobre isso do Sal da Terra, foi da metáfora ao literal e atirou com esta digna de aplauso: "é como as bestas que agora tiram o sal a tudo e depois se entopem de CENTRUNS para compensar a falta de sódio! São uns estúpidos! Anda tudo estúpido!". Voz de Deus, minha gente! 

É que em tudo, há que ter equilíbrio e bom senso. Por um lado, temos as pessoas desleixadas e preguiçosas que querem comer à vontade e não fazer nenhum, que morrem se tentarem uns abdominais e umas flexões,  mas lutam contra os "padrões de beleza". Por outro, os fanáticos, os fariseus da alimentação que não sabem o que querem e agora dizem que os bifes são o inimigo público, mas daqui a nada  condenam o tofu porque a soja também faz doenças ruins. 

E não falemos do everything in between - como uma alminha anafada que nem um texugo que há dias se dizia alérgica ao glúten (uma boa dose só lhe podia fazer bem a ver se aquele metabolismo desferrava, os médicos que me desculpem!) ou os atletas de ginásio de esquina que não comem isto, não comem aquilo, é sementes de chia e  linhaça e papas de farelo e suminhos detox e tudo super saudável, mas depois enfardam batidos cheios de hormonas e pior, só para parecerem musculados. Para não falar mencionar as meninas que acham o máximo adoptar um anti-concepcional super sónico que lhes tolhe tudo quanto é natural no organismo e cujos efeitos que nem quero imaginar ainda vamos a ver, mas depois dizem que é normalíssimo qualquer mulher ter muita celulite. Super coerente.

Há um sentimento de "holier than thou": anda tudo a querer morrer cheiinho de saúde, é o que é; porque a verdade é que façam o que fizerem, ninguém fica cá para contar a história, tipo "eu portei-me bem por isso sou imortal, ao contrário dos desvairados que bebiam coca cola, comiam sal e atacavam bifes - esses morreram e foi muito bem feito".

Como se comer fosse enfardar. Como se fosse preciso proibir, aterrorizar, porque as pessoas são demasiado burras para se moderarem!

 Más notícias, gente:  somos omnívoros, por muito indigno que isso soe a algumas pessoas (then again, vivemos numa época em que já se diz que "o género é uma construção social" por isso não me espanta que se negue tanto a natureza). Depois, para morrer basta estar vivo. E por fim, a verdade é que não há dois organismos iguais. 




Vinda de uma família com boa genética, com pais elegantes que nunca toleraram mitos de preguiçosos (nunca dissessem à frente da mãe "oh, é tão esguia mas isso muda quando tiver filhos") e sendo sempre adepta do exercício e dos mistérios da nutrição, acabei por concluir que primeiro, a avó tinha razão: quando o corpo pede, é porque lhe faz falta; a gula é que é má; e segundo, que não há uma dieta universal, nem um exercício universal, mas uma receita individual para cada um. Coisinhas "saudáveis", como a levedura de cerveja, podem fazer muito bem a certas pessoas e muito mal a outras. Uma modalidade de fitness que consegue resultados fantásticos na Maria pode ser igual ao litro para a Marta, ou fazê-la aumentar onde não dá jeito. 

A dieta à base de proteínas e vegetais, com sal e alguns doces mas poucos farináceos, que põe o metabolismo a trabalhar à velocidade da luz e dá montes de energia a certas pessoas, pode deixar outras fracas, indispostas ou mal do fígado, etc. Não é preciso ser um génio para perceber isto. 

Os fanatismos bacocos nunca são saudáveis. Como tudo o que carece de bom senso e espírito crítico. O grafitti na imagem acima é verdadeiro, passo por ele regularmente. Algum fariseu dos tofus e das linhaças garatujou, num edifício público cá para as minhas bandas: "a morte está no teu prato". E outra pessoa que pecou por sujar paredes, mas que se perdoa porque quem diz a verdade não merece castigo "come antes que arrefeça". Porque - lá volto à moral das avós- "o que faz mal é a fome, há montes de gente que não pode engordar nem apanhar doenças ruins dos bifes porque não tem comida e em última análise, um dia bate tudo as botas e nessa altura já não se prova nadinha". 

Poupem-me. Ou como diria o provérbio escocês que ficou muito na moda ter por cá naquelas tasquinhas onde se come jaquinzinhos, iscas e tudo quanto sabe bem "seja feliz enquanto é vivo- coma e beba. Porque vai passar muito tempo morto".




Sunday, November 1, 2015

Frase do dia: just because you can, doesn´t mean you should

"Because we can can-can..." lá dizia a música


Lida aqui, num texto muito bem escrito a propósito de um assunto batido à exaustão cá no boudoir.

"Só porque podes, não quer dizer que devas" - é uma grande verdade de bom senso. Até vem, com  destaque, no Bom Livro, soberbamente escrita por alguém que bem sabia o que era errar (e que tinha uma extraordinária habilidade com a pluma). "Sei que posso fazer tudo, mas nem tudo me convém". 

Todos sabemos que isto é verdade e que se aplica às mais variadas coisas: às velocidades, aos excessos, às companhias, atitudes, relacionamentos, hábitos, roupas... e no entanto, o  "mostrar que se pode", ou que também se pode, nunca esteve tanto em voga como agora, mesmo quando aquilo que se pode efectivamente fazer, no exercício da "sacrossanta" liberdade (que é um bem maior, mas exige  gestão, e que se tornou quase uma obsessão para muita gente) não favorece, nem ajuda, nem convém a quem o faz.

"Because I can" é má receita. Há quem trate mal os outros e até as pessoas de quem gosta...porque pode. Ou acha que pode. Quem se ponha feia de propósito, vestindo o que lhe cai pior, só para mostrar "as gordinhas também podem". Quem tome atitudes disparatadas para a sua idade, só para dizer a si mesma (o) " não são só os jovens que podem", quem faça coisas arriscadas ou inconvenientes em modo Carpe Diem, para desafiar a família, a sorte ou o que seja...porque pode. O "porque posso" tem as suas vantagens, mas também é responsável por muitas más figuras, muitos problemas, muitos arrependimentos grandes e pequenos. Definitivamente, "poder" não é tudo...

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