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Saturday, November 21, 2015

Oh Adele, que desilusão. E pimenta na língua?


Não é que eu seja uma grande fã de Adele, musicalmente falando: reconheço-lhe a boa voz e gosto de algumas canções suas (embora me arreliasse imenso o Someone like you sempre a passar, mas isso é culpa das playlists e não dela). 

Acima de tudo, sempre a achei muito bonita, com uns olhos incríveis e muito bom gosto para vestir de acordo com a sua silhueta. Ela nunca escondeu que gostava de si tal como era, mais quilo menos quilo - e que assim como assim tanto lhe fazia porque é uma artista séria, logo o seu sucesso não depende de andar por aí em trapinhos a tender para o vulgar, a expor sem necessidade aquilo que Deus deu. Nisso, à semelhança de Lana Del Rey (e essa bem mais magrinha, logo ser modesta e elegante é coisa que independe do tamanho) Adele marcava a diferença. Era uma excepção com alguma classe num star system que cada vez dá piores exemplos.

Mas eis que no melhor pano cai a nódoa e a cantora, a propósito do seu novo trabalho e de algo que até tem todo o sentido (explicar aos fãs que às vezes está contente como todo o mundo, logo não pode só escrever cantigas de fazer chorar as pedras) se sai com a palavra F*** a torto e a direito, de forma absolutamente gratuita, conta a Harper´s Bazaar

Assim, estilo Keira Knightley (outra que eu admirava até se sair com tiradas semelhantes). Sinceramente - já aqui o disse por estes dias, uma Senhora até pode usar uma palavra mais forte uma vez por outra, mas tudo tem o seu contexto e medida. E decerto, não em entrevistas. Nem naquela quantidade, que até parecia uma metralhadora de palavrões.



Depois, zás- embora de forma muito moderada, toda pela simples igualdade de direitos (creio eu) declara-se feminista. É por isso que embirro com a palavra: além de se ter tornado "obrigatória", estraga sempre tudo. Na cabeça destas meninas (bonitas, bem sucedidas e inteligentes, ou não teriam chegado onde chegaram) a igualdade de direitos impõe copiar os homens, agir como os homens, principalmente naquilo que eles fazem de pior... em vez do dever de, na sua condição de mulheres de bom senso, serem um bom exemplo para eles. Lá dizia o ditado africano, a civilização de uma sociedade depende muito da moral das suas mulheres.

Se eles nos vêem a agir assim, sentem-se o direito de se dirigir a nós nesses termos, de falar à nossa frente nesses termos, de atirar com a palavra F*** ou coisas piores caso estejam irritados, contrariados, ou por simples carolice/mau hábito. Perdem todo o respeito que deviam ter ao sexo oposto, todas são tratadas pela mesma péssima medida... e quem poderá censurá-los?

De uma Nicki Minaj ainda se espera essa sem noção, mas não de uma Adele. O que vem reforçar uma ideia: não basta vestir com elegância e aparentar ser uma Senhora. É necessário pôr isso em prática todos os dias, nas mais pequenas coisas e na medida do possível, agir como se todo o mundo estivesse a ver. O que no caso de Adele, nem é difícil. 

O que esta menina precisava era do método da avozinha: pimenta na língua, daquela bem picante, para não tornar a fazer outra. Que desgosto!

Friday, November 20, 2015

O sorriso de Clark Gable


De todas as características masculinas que agradam ao sexo oposto (falo das físicas, porque depois há aquelas menos tangíveis que também fazem parte do sex appeal) há uma que transcende louros e morenos, fortes e esbeltos, rebeldes e dandies, artistas e atletas, intelectuais e homens de acção, tímidos e descarados, bad boys e bons rapazes, aventureiros e homens de família: é o sorriso à Clark Gable. 


Sabem, aquela expressão malandra que faz os olhos brilhantes e umas covinhas ou ruguinhas de expressão junto à boca, por vezes acompanhado de um ligeiro erguer de sobrancelhas. 


Quando um homem bem parecido sorri dessa maneira (seja sorriso aberto, meio sorriso, careta seguida de ligeiro "beicinho") uma rapariga sabe que precisa de chamar a si toda a serenidade do mundo, para não denunciar a forte impressão que isso lhe causa. 


Principalmente se houver na equação uma ligeira barba de dois dias e uma franja que teima em tombar para a testa.


É que tal esgar meio infantil, meio patifório, pode ter várias nuances e significados: ironia carinhosa, provocação, fanfarronice, admiração, meiguice, vitória, paixão, entusiasmo...ou piadas privadas que só um casal entende, estilo Rhett e Scarlett. Quando eles sorriem dessa maneira isso pode querer dizer desde "desculpa, não consegui evitar", a "eu bem a avisei", passando por "juro que não torno a fazer isto" ou "tenho sempre razão" a "ela é deslumbrante!".


Mas seja qual for a intenção ou grau desse sorriso incorrigível, é sempre o cabo dos trabalhos para lhe resistir - pior ainda, para se manter zangada diante dele, por muito grande que seja o disparate dito ou feito por Suas Excelências.

Napoleão disse que as mulheres têm duas grandes armas: lágrimas e maquilhagem (eu acrescentaria mais umas quantas, mas não vem agora ao caso). Mas olhem que os homens também têm os seus truques na manga. E este é bem capaz de ser o que mais "estragos" causa. Batoteiros.


Thursday, November 19, 2015

"Quando se é amada (o), até a simples água fria tem um doce sabor"


Aqui há tempos, uma conhecida minha ficou muito zangada com um velho amigo que, tendo um fraquinho por ela, lhe disse "ao lado desse homem serás sempre uma mulher troféu...farias bem melhor em encontrar um tipo normal que te amasse verdadeiramente e te tratasse bem". Isto porque a menina em causa era *mal* amada por um cavalheiro sofisticado, bem colocado, elegante, mas que enfim...a tratava de facto como uma boneca, e com a possessividade que se emprega numa boneca.

Ela zangou-se com certa razão: primeiro, a opinião dele- embora não faltasse à verdade - não era desinteressada; já se sabe como são muitos "amiguinhos" homens. Segundo, porque as pessoas acham sempre que dizer, sem grande respeito pelas dores dos outros; e terceiro porque ser uma "mulher troféu" não é necessariamente uma coisa *100%* má.

 Tudo na vida tem nuances. Para ser encarada como um troféu é preciso ter certas qualidades, ser admirada, vista com orgulho, posta num pedestal pelo homem que se tem ao lado. E que mulher apaixonada não se sente envaidecida por isso?

 Essa dinâmica das pessoas bonitas e bafejadas pela sorte que têm tudo, até o amor... só se torna negativa se as ruins paixões transbordarem, se levarem tudo à frente, substituindo os bons sentimentos, como a estima, a confiança, o respeito....tudo o que é a base de um relacionamento saudável e feliz.

 Quando isso acontece, então dou razão ao nosso amigo metediço: não há elegância, conforto, estatuto, sofisticação ou requinte que paguem os alicerces do amor.

 Porque ter tudo isso, mas carecer de um olhar de meiguice, das palavras doces, do amparo, das borboletas no estômago, dos momentos apaixonados, da confiança cega, da verdadeira união entre um casal... é a mais fria miséria. É viver num túmulo, e isto na melhor (e mais sossegada) das hipóteses, pois não faltam casas confortáveis que são um inferno de Dante lá por dentro. Nem senhoras elegantes a morrer aos bocadinhos, lutando para conservar - quando não é para fugir de -  uma vida de pesadelo.

O que me lembra o sábio provérbio chinês "quando se é amada (o), até a simples água fria tem um doce sabor".



 De nada serve ser a mulher mais bela e bem vestida da sala, se o homem para quem se fez esse esforço não tem uma palavra de apreço, nem tenciona esboçar o mínimo gesto romântico a respeito disso ou pior, se ainda por cima se enraivece de ciúmes: bem dizia Yves Saint Laurent "a roupa mais bela para uma mulher são os braços do homem que ela ama; para as que não têm essa felicidade, estou cá eu". 

É inútil uma linda mesa, regada com o melhor champagne, que ninguém aprecia porque há um permanente nó na garganta. Olhar para paisagens de conto, cada um para seu lado; deitar-se em lençóis de algodão egípcio apenas para os puxar por cima da cabeça e pensar nas mágoas, rezando que o dia seguinte seja menos cinzento ou pelo menos, que não traga mais nenhum desgosto; ser -se alvo de inveja e admiração, mas estar, na realidade, a solo.

Se o mal-amar consegue destruir todas as alegrias, ver defeitos em tudo, tornar um ambiente maravilhoso num suplício, fazer dos momentos juntos, que deviam ser felizes, um esforço, uma prova ou (a longo prazo) uma obrigação... o amor bom é capaz do inverso: de tornar possível o impensável, de vencer as dificuldades com um sorriso no rosto, de transformar os desafios mais angustiantes numa aventura empolgante, de trazer à superfície o melhor de cada um, de tonar cada instante belo, ou mesmo luxuoso. Afinal, não há nada tão raro como um amor puro, e luxo é raridade...o resto vem por acréscimo, ou é vaidade fátua...



Wednesday, November 18, 2015

Bataclan (das coisas reais e do amor verdadeiro, porque o resto...acaba num segundo).



A carta que o jornalista Antoine Leiris dedicou nas redes sociais aos assassinos da mulher, Hélène (morta no Bataclan durante os ataques da passada Sexta Feira 13) tornou-se viral e está a comover o mundo.

"Na noite de sexta-feira vocês roubaram a vida de um ser excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho, mas vocês não terão o meu ódio. (...) Eu vi-a esta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Estava ainda tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira, tão bela como quando me apaixonei perdidamente há mais de 12 anos. Claro que estou devastado pela dor, concedo-vos essa pequena vitória, mas será de curta duração. Sei que ela nos acompanhará todos os dias e que nos vamos reencontrar nesse paraíso ...".


Hélène e Antoine eram um bonito casal, tinham um filho bebé e obviamente, amavam-se. 

Segundo ele, "perdidamente" como nos primeiros tempos. Escolheram-se entre milhares de pessoas possíveis para terem uma vida em comum. Decerto terão tido os seus problemas ainda durante o namoro e já no matrimónio, como todos os casais. Birras. Dias maus, daqueles que todo o mundo tem. Ressentimentos. Crises de ciúmes. Questões financeiras, profissionais, sociais, familiares, que lhes dariam que pensar. Porque a vida é feita desses desafios todos e o amor - sobretudo o casamento para a vida- também. Mas superavam-nos dia a dia, porque isso é pequeno perante um projecto mais importante -  o mais importante dos projectos.

Se se amavam perdidamente, o mais certo era todas essas contrariedades desaparecerem, ou atenuarem-se muito, quando olhavam um para o outro, ou quando se estreitavam nos braços. O amor dá forças para tudo. Quem ama, carrega a Cruz pois como dizia Santa Teresa D´Ávila, mais vale carregá-la que arrastá-la.


E Hélène ainda lhe parecia tão bela como no primeiro dia; decerto ela sentia o mesmo.

                                           

Mas eis que na passada Sexta-feira, acabou tudo. Até ao dia em que se reunirem eternamente no Céu, já que Antoine tem a felicidade de ter fé e acreditar no paraíso. Foram terroristas sem alma, há alguém a quem apontar o dedo, a quem deitar as culpas, com ou sem ódio. Podia ter sido outra causa qualquer, nenhuma seria boa nem justa porque nunca é; mas foi esta, provavelmente a mais cruel e mais estúpida de todas as causas possíveis.

E o que fica disto? Fica um marido destroçado, a cuidar valentemente de um filho pequeno, ensinando-o a manter-se livre e corajoso e a não deixar que o ódio o torne numa pessoa amarga. Fica a recordação da mulher que amou perdidamente, que lhe parecia tão deslumbrante como da primeira vez.

Essas são as coisas reais, palpáveis, genuínas mas imorredouras, as que permanecem contra bombas, sangue e granadas. As que a morte neutra, indiferente, que ao fazer o seu lúgubre trabalho nivela todas as vaidades e deita por terra o vão orgulho, o egoísmo, as futilidades mundanas, não leva consigo.

Em segundos, vai-se tudo: Antoine não se lembrará das vezes que teve ciúmes de Hélène, das ocasiões em que se zangaram ou que pensou que se calhar estava melhor com a Amélie ou a Marianne, que eram melhores partidos. Tão pouco Hélène, para quem crê no céu, pensará lá de cima nas ocasiões em que Antoine foi egoísta, em que podia ter tomado melhores decisões profissionais, em que, estava o namoro no início, saiu com a Marianne para a arreliar porque achava que ela gostava mais do Gustave, ou que podia antes ter casado com o Pierre, que tinha uma linda posição e todos os anos oferecia diamantes à mulher.

Diante da eternidade... as ruins paixões, os maus momentos, as vaidades, são ridicularias. Quando se trata do amor, de uma vida inteira, memento mori.

Porque não somos nada - pó e cinza, fumos e espelhos. Mas às vezes esquecemos isso.



Querem ver que já não se pode brincar com nada?



Definitivamente, a doença do politicamente correcto continua a galopar por aí, sem que ninguém faça nada, a pôr bolor nas mentes, a lançar o terror de dizer alguma coisa que ofenda.

Desta feita, a indignação é com dois livros para crianças ,"Piadas sobre Meninos" e "Piadas sobre Meninas" com insultos patetas para os pequenos dirigirem às pequenas e vice versa. Do género de boca que nos livros do Calvin & Hobbes o Calvin dizia à Suzy, quando ainda se podia brincar saudavelmente com as coisas, vulgo: como se chama uma menina com meio cérebro? Sobredotada! ou "o que é que os rapazes e o muco têm em comum? Ambos incomodam e são pegajosos".



Os livrinhos podem pecar por serem um pouco parvos ou no limite, sem interesse. Há de facto coisas mais construtivas, edificantes e com mais sentido de humor para as crianças lerem. Mas mal por mal, antes dizerem piadas destas no recreio uns aos outros do que palavrões (e toda a gente sabe que há crianças que os dizem, dos feios).

Mas não- aqui d´El Rei que é machista e perpetua os estereótipos de género - sempre a porcaria do género, senhores! - e os livritos foram retirados pela editora com mil pedidos de desculpas, como se fossem uma mistura do Mein Kampf com a Bíblia Satânica e o Necronomicon, o verdadeiro.



Não sei se isto me aborrece mais pela utopia de tais idealismos (todos sabemos que homens e mulheres embirram uns com os outros desde a infância, que os rapazes puxam o cabelo às raparigas e elas se vingam correndo atrás deles a ameaçar tareias de criar bicho sem medo de levar o troco porque numa menina não se bate nem com uma flor e depois lá se entendem a pesar das eternas guerras de alecrim e manjerona; sem isso nem tinha graça) se pela futilidade e bacoquice da coisa, se por causa da obsessão com uma igualdade de comportamento irrelevante e ridícula. 

Porque o que agora é considerado lindo são livros para crianças em que se trata a mãe sem cerimónia e se sopra a sopa, ou livros sobre como usar a retrete com a dita cuja incorporada e coisas mais gráficas, ou sobre um casal ser tão equalitário que anuncia "estamos grávidos" e um homem ser tão mariquinhas que se sente "grávido". 

 E isso sim, dá desgosto a uma mãe.

 Que um filho chegue a casa a dizer "o que são doze meninas em fila? um túnel de vento!" anda é como o outro. É sinal que é um rapaz saudável e que começa a reparar no sexo oposto. Mas ele que pergunte "quando é que a mãe e o pai ficam grávidos para eu ter um irmãozinho?" e é caso para a mulher mais serena ter o primeiro fanico de uma vida até hoje isenta disso e para o atrevido marchar, não; girar dali para o colégio interno mais rigoroso que houver nas redondezas. Vade retro, satana.



Tuesday, November 17, 2015

"Vê se pões a gargantilha..."


Há algum tempo que as gargantilhas, ou chokers, andavam a dar um ar da sua graça em modelos mais ou menos discretos, num puro revivalismo dos anos 90 -até aquelas horrorosas de elástico estilo tatuagem, remember?

Era uma questão de tempo até versões mais declaradas começarem a ver-se nas ruas.



 Pessoalmente fico contente com a ideia porque - adepta do less is more e pouco amiguinha de berloques e bijutarias como sou - a gargantilha, talvez por ser uma peça de inspiração vitoriana, foi das poucas que (em tecido ou materiais mais nobres, como as pérolas) sempre teve free pass no meu guarda jóias.

 Usa-se com um simples vestido que realce o colo, et voilà: uma mulher 
sente-se  num romance de Oscar Wilde ou num café-concerto da Belle Époque, vendo de perto as primeiras elegantes e as mais famosas demi-mondaines do tempo. 


A "Bela Otero" com uma gargantilha preciosa

Ainda guardo algumas das preferidas que usei em tempos - e de resto, a maioria dos colares de que mais gosto segue mais ou menos esse desenho.



 Afinal, a gargantilha é uma jóia forte, que dispensa outras. Mas apesar disso transmite vulnerabilidade e feminilidade, presta-se a uma série de associações de ideias - o nome em inglês diz tudo.



 Depois, fica bonita num pescoço elegante e também é versátil: casa lindamente com decotes profundos para ocasiões formais (mais vitoriano, impossível) e igualmente com camisas ou tops para o dia, num look entre o gótico e o grunge.



 Seja em versões preciosas ou semi; uma simples fita de veludo (que pode ou não levar rendas, brilhantes, uma medalha ou um camaféu); ou para as mais jovens e arrojadas, versões punk, um choker encanta pela simplicidade. Recomenda-se integrar esta peça rapidamente na lista de acessórios, observando apenas uma regra: quem não tiver um "pescoço de cisne" deve evitar os modelos muito elaborados, optando pelas versões finas e menos justas à pele. 

5 Coisas que as mulheres fazem que tiram os homens do sério

Aqui há tempos vimos 5 atitudes masculinas que tiram as mulheres do sério. Como cá no Imperatrix, mais tradição menos tradição, ou há moralidade ou sobra para toda a gente (ou seja, temos igualdade de direitos e deveres) aqui fica a versão no feminino:


1-  Dizer "não é nada" ou simplesmente "naaaaaada", com ar obviamente amuado, quando de facto algo se passa.



Ele sabe, ela sabe, ambos sabem que que alguma coisinha caiu mal e que mais vale desabafar, colocar o assunto cá para fora, matar o dragão de uma vez. Às vezes o "naaaada" nem é dito por mal.

 Uma coisa é estar em público/ demasiado perturbada/  zangada para se explicar sem cenas; se é assim, há que reconhecer "aqui não dánão estou bem disposta, quando me acalmar falamos". 
Ou ter receio de abordar - se calhar pela milésima vez- uma questão delicada para o casal, que voltou a surgir/lembrou e que magoa ou incomoda (se assim é, elaborar ou não dependerá da dinâmica habitual dos dois, sendo que não ter segredos nem guardar mágoas é sempre boa política).

 Mas um "naaada" irónico, ou obviamente fingido, é muito irritante. É uma forma infantil e passivo-agressiva de lidar com as coisas e que a eles, supostamente mais directos, menos emocionais, mais "pão-pão-queijo-queijo", lhes soa sem sentido nenhum. Meninas caprichosas amuam; mulheres agarram os problemas de frente, com serenidade, e resolvem-nos para que não voltem a assombrar as almas.

2- Na mesma linha, perguntar "este vestido faz-me gorda?".



E se por acaso faz mesmo e o rapaz não é bom a mentir (que os pobres coitados às vezes não sabem o que é bom para eles)? De qualquer modo, um homem posto perante essa questão é preso por ter cão e preso por não ter, e assim como assim essa é uma pergunta parva que não se faz, como já analisámos. Se não tem a certeza de estar no seu melhor é porque se calhar não está; mais vale morder a língua e ir mudar de roupa. Entre ficar mais um pouco à espera (pouco como quem diz, vá)  e passar o tormento de uma birra que se vai prolongar noite fora, acompanhada de mil perguntas recheadas de inseguranças tolas, ele decerto prefere o menor dos males.

3- Ladainhas ad nauseam



Como vimos aqui. É certo que há homens que têm uma mania semelhante (e é igualmente arreliadora neles) mas as mulheres são tradicionalmente mais verbais e algumas quando se zangam parecem engolir agulhas de grafonola, além de irem buscar este mundo e o outro no melhor modo freudiano (até coisas mortas e enterradas) para exemplificar porque é que corre sempre tudo mal. Ou seja, parecem umas bruxas. 

Resmungos de horas, amuos prolongados acompanhados de ditos ácidos e acusações constantes fazem qualquer alma querer saltar de uma ponte (tudo, menos ouvir tal ladainha). Especialmente se a alma massacrada já estiver nervosa ou com problemas para começar. Mas dizem os entendidos que para "eles" é pior. Isto porque os homens não percebem metade das palavras gratuitas que se dizem, indo directos ao essencial. Ou seja, respondem melhor a acções, imagens, mudanças de atitude, exemplos claros e sucintos ou consequências que demonstrem o seu ponto de vista, do que a muito palavreado. Se já falou, se já deu argumentos lógicos e directos, basta: a bom entendedor...

4- Críticas escusadas...e pouco tacto.



Já se sabe que o ego masculino é inversamente proporcional à força física. Apesar de "eles" se fazerem durões e serem aparentemente menos sentimentais, certas palavras - ou a forma como são ditas- podem melindrar, magoar, ofender, diminui-los ou simplesmente, irritar o cavalheiro mais pachorrento. Principalmente se ele tiver uma personalidade forte ou uma forma mais tradicional de estar, não gostará de se ver atacado, desrespeitado ou alvo de troça. Criticar a forma como agem/vestem/procedem perante pessoas; pôr e dispor à frente dos amigos deles; dizer-lhes na cara que estão a ganhar barriga ou a perder cabelo, sem mais...já sabemos que a mulher é quem de facto governa muita coisa, mas não custa nada deixar intacto o seu poder simbólico e fazer críticas construtivas, de forma delicada. No fundo, é só não dizer aos outros o que não gostaríamos de ouvir e agir com subtileza. Trocar o "porque não faz assim ou assado?" por um "talvez fosse boa ideia..." dito com meiguice; substituir um "que fato horroroso, tem mesmo mau gosto; se não for eu..." por "a tua cintura é tão bonita, o casaco ficaria melhor um bocadinho mais cingido, que te parece?"
É melhor deixá-los a pensar e chegar às próprias conclusões do que impor como uma tirana ou uma maria-sabichona. As nossas avós eram exímias nesta arte da diplomacia feminina e o certo é que os casamentos duravam...

5- Obrigá-los a assistir aos nossos caprichos...e a sofrer as consequências.

Está certo que quem ama gosta dos defeitos e das qualidades do par, está para o bom e para o mau e que ninguém espera só rosas. Mas há coisas que uma mulher faz de facto melhor sozinha (compras, por exemplo) e outras que não podiam interessar menos aos homens (como as tricas das amigas...). Fazê-los aborrecer-se como uma ostra enquanto esperam que uma mulher mude de roupa pela enésima vez, ou termine a maquilhagem, também não os faz pular de alegria: quem precisa de uma hora para se arranjar, é melhor contar com uma hora e meia, e dizer-lhes. Eles agradecem. 

 E já que falamos de visuais...convém ter presente que há mudanças e looks que eles não compreendem nem acham bonito. Aquelas coisinhas men repeller que só mulheres e profissionais de moda apreciam, mas que o sentido estético deles não atinge, nem quer! Arriscar uma nova cor de cabelo, um vestido demasiado  revelador (ou pelo contrário, estilo saco de batatas) e depois passar o tempo a queixar-se de que não gosta de se ver, tira-os do sério. Especialmente se eles avisaram antes que não era boa ideia, que não apoiavam, que não gostavam, se repetiram "vai correr mal e eu lavo daí as minhas mãos" etc. Quem levou a sua avante tem de assumir as consequências sozinha, remediar como puder, e cara alegre. Own it!




Monday, November 16, 2015

E a capacidade feminina de ralhar por hooooooras a fio?



"As velhas, umas dão para rezar, 
outras para ralhar desde a manhã até à noite...."

Bernardo Guimarães, in a Escrava Isaura


Más notícias, minha gente: não é preciso ser velha - o que quer que "velha" signifique actualmente- para ter a mania de ralhar de manhã à noite. Esse vício feminino está para as mulheres como a capacidade de embirrar e amuar por hooooras (um só "o" não serve; é mesmo "hooooras") está para os homens.

Ralhar, repisar, enumerar "fizeste isto, fizeste aquilo" e bater na mesma tecla é um hábito nervoso associado ao pecado da murmuração (outro que o mulherio comete bastante) e que é capaz de transformar a jovem mais encantadora, ou a senhora mais elegante, numa velha rabugenta

Uma mulher contrariada tende a refilar, é verdade; especialmente se sente que não a ouvem, que fala para o vento. Quem tem mãe, esposa, sogra, namorada e por aí fora saberá isto muito bem. Porém, combatamos o feio hábito de martelar o que já foi dito e repetido: até para a neura há regras de cortesia!


Diz o povo - e bem dito- casa que não é ralhada não é casa bem governada. Mas tudo se quer na medida certa. Refilar constantemente, até o "adversário" gritar por misericórdia ou fugir para as trincheiras (isto se não perder a cabeça por sua vez) é colocar-se numa posição demasiado emocional e parcial (ou sem eufemismos, um bocadinho histérica) para que alguém leve os sermões a sério.  

Além de dar com os outros em doidos, de lhes tirar o foco e a serenidade para enfrentar aquilo que é de facto relevante e de não resolver coisa nenhuma, por muito justificado que seja o ralhete. As coisas para serem bem ditas, precisam de o ser uma vez ou duas, com calma e serenidade.

Ralhos constantes, embirração, recriminações, ditos ácidos, sarcasmos, concentrar-se em pormenorzinhos que não são o mais importante deixando o que realmente importa para segundo plano, pôr a vontade de desabafar acima de tudo o resto, ainda que de modo passivo agressivo, é fazer muito barulho por nada.


Torna a casa um inferno, quando a mulher deve - sempre que possível- essencialmente transmitir serenidade e confiança a quem a rodeia. Ninguém dá ouvidos a uma pata choca que faz birra e aflige toda a gente com os seus modos de alma aflita. 

É como na história do rapaz que gritava "lobo!": se respingam, fazem nha nha nha non stop e se descompensam por pouca coisa, quando houver realmente caso para alarme, então que não se dirá?

Contra a murmuração feminina, é preciso temperança...ou não ser destemperada! Ter a humildade de reconhecer que não se controla o universo,  que nem sempre as coisas (e as opções dos outros) tomam o rumo de que gostaríamos, o que não quer dizer que não corram bem na mesma. E se os outros pensarem pela sua cabeça e errarem, o mal é só deles. 

Antes rezar, de facto - ou para quem não gosta de rosários nem coroas, fazer meditação, tomar uns chás de camomila, ter umas aulas de zumba para descarregar a adrenalina, fazer tricot, jardinagem, krav maga... qualquer coisa, menos ralhar de manhã à noite!

Sunday, November 15, 2015

Madame du Barry dixit: "Vês, França? Se não tens cuidado..."

                    


                "Vês, França? Se não tens cuidado, um dia cortam-te a cabeça"


Dizem que a estouvada Madame du Barry dirigiu estas palavras ao amante, Luis XV - tratando-o sem cerimónia por "França"- ao contemplar já não sei que obra de arte numa sala de Versailles. Supostamente, nesse momento entraram a Delfina Maria Antonieta e o Delfim, perguntando alegremente "quem fala aqui em cabeças cortadas?".

- É esta doida - retorquiu o Rei, bem humorado- que disparate! Hoje em dia já não se cortam cabeças de Reis!

- E no entanto...- atalhou Maria Antonieta, subitamente tomada de sinistro pressentimento que a arrepiou dos pés à cabeça. E lá se foi o ambiente descontraído do serão...

A conversa acima, relatada em vários livros, não passa provavelmente de uma fábula- é sabido que Maria Antonieta não podia ver a du Barry nem com molho de tomate, logo dificilmente lhe falaria com tal ligeireza. Aliás, é pouco de crer que lhe tenha tornado a dirigir a palavra além da célebre frase que foi obrigada a dizer por mera diplomacia (que essa sim, é tida como facto). Tudo vaidades que acabaram na guilhotina, a que só o velho Rei escapou porque morreu antes...


 Mas verdade ou ficção, o episódio que pensar: a Revolução Francesa não se desenhou de um momento para o outro. Algo andava no ar há muito tempo e foi por imprudência que os acontecimentos tomaram o sangrento rumo que sabemos.

A tragédia desta Sexta Feira 13 (tal como o ataque ao "Charlie") mostram a quem quer ver um facto importante: não é olhando para o lado, mudando a nossa forma de estar para não ofender as visitas,  pedindo desculpa pela nossa existência com o laicismo fofinho e obrigatório,  com o retirar de Cruzes, com a negação e desprezo pela nossa cultura europeia, Cristã, Católica e Ocidental e com um descaso de avestruz pelo risco (?) de  islamização da Europa que seremos respeitados.


 As Cruzadas não aconteceram sem provocação nem motivo, ao sabor da ganância e do capricho, por mais que certos historiadores tenham vendido essa versão Mea Culpa dos factos nas escolas. 

Os fanáticos e os loucos só respeitam quem lhes mete medo, quem é capaz de ser tão duro como eles. O que- digo e repito- salvo as devidas medidas de precaução nada tem a ver com apontar o dedo aos refugiados, gente normal que foge precisamente desses desordeiros... bullies cobardes a precisar que lhes falem na única linguagem que entendem. 

Estão à espera de quê - e até quando- para agir virilmente em nossa defesa, para perceber que aqui não há relativismo cultural algum, que é o Bem contra o Mal puro e duro, que a nossa causa é justa e sagrada, que o inimigo passou os portões com a maior desfaçatez?

França - e toda a orgulhosa Europa, de resto, muito certa da sua superioridade e antropocentrismo - não chama nem deixa chamar por Santa Joana d´Arc, nem pelo Sacre Coeur, nem por San´Tiago...enquanto o inimigo clama por Alá e está disposto a morrer e a matar pela sua crença. E se não temos cuidado, um dia...


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