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Saturday, December 5, 2015

Onde diabos terei posto as minhas botas de neve?


Onde diabos terei posto as minhas botas de neve? Perguntei a mim mesma, depois de ver aqui que Jimmy Choo convidou algumas bloggers conhecidas (sortudas, estou com um pouco de "inveja branca" como a neve, passe o trocadilho) para conhecer e retratar, na Suiça, a sua colecção de botas-de- enfrentar- nevões.

Apesar de ter raízes e ligações familiares na Serra da Estrela e de gostar de lá ir uma vez por ano, no mínimo, neve não é muito comigo. Gosto de neve, claro (é preciso ser insensível ou uma alma muito mal disposta para embirrar com neve) e dos confortos a ela associados (lareiras, queijo da Serra, banhos muito quentes, ar puro). 

Porém, confesso que não me vejo a penar para estar, por exemplo, numa exclusivíssima festa em Aspen ou St. Moritz- daquelas em que elegantes personagens se reúnem para mostrar os vestidos de noite depois de um dia inteiro a fingir que esquiaram embrulhadas em fatiotas de ski desenhadas por Karl Lagerfeld. Não tenho paciência para desportos de Inverno. É só branco e ar frio até onde a vista alcança, rampa acima-rampa abaixo, com o gelo a crestar a pele mais do que o sol de Julho. 




Não digo que passear num belo trenó à moda antiga algures na Rússia, embrulhada numa esplêndida peliça a caminho de um baile qualquer, não tenha todo o glamour de um conto de fadas; só que  geralmente a minha abordagem à neve é pôr uns carapuços e agasalhos fofinhos e "wheeeeee, estou na neve": dar umas escorregadelas montanha abaixo, umas voltinhas no gelo e já está, vi, está visto.

Mas tinha eu uns 11 anos e numa viagem à Suiça, uma amiga ofereceu-me umas botas de neve brancas não sei de que marca - tinham vindo de um daqueles grand magasins que têm outra piada na terra dos chocolates e do Música no Coração - e foi amor à primeira vista. Estreei-as com umas quaisquer skinny pretas e um sobretudo com grande capuz e não as larguei até as espatifar de todo. 




Devo ter por aí um retrato de um desses passeios alpinos, com o meu longo cabelo a tomar tons de fogo ao sol de Inverno e uma infantil cara de sofrimento pois tinha chovido, a neve era mais gelo que outra coisa e aterrara em cheio no derrièrre, mas a sentir-me toda pimpona mesmo assim. 

Logo aí, ganhei um respeitinho às moon boots e aprendi uma regra basilar de styling que as bloggers em causa referem: não há nada como botas volumosas para equilibrar e alongar a figura até ao infinito e mais além.

Depois, apesar de a utilidade das moon boots ser limitada, não quer dizer que as usemos só na neve. 



Calçá-las pura e simplesmente num dia de muito frio e muita geada (daqueles em que as outras botas e botins, ainda que forrados a pele, parecem uma anedota) pode ficar um pouco extravagante, estilo protagonista do Dragon Ball ou coisa que o valha, mas não é impossível de ser feito com o styling certo. 

Isto para dizer que há um ano ou dois passou-me pela cabeça comprar umas moon boots escuras e giras, se bem pensei melhor o fiz que eu cá sou de raios, mas...pouca sorte, arrumei-as tão bem que agora não sei onde estão. Nem parecem coisas minhas.

 De todo o modo, estes modelos desenhados por Jimmy Choo, o homem simpático capaz de fazer um stiletto devastador ser *quase* tão confortável como uma pantufa, são um espanto. Uma verdadeira tentação do capeta, embora uma versão invernosa do capeta, estilo abominável homem das neves. Algumas podiam perfeitamente ser usadas na rua, apesar de quase nunca nevar para as minhas bandas. Geada e granizo contam, não? Onde há vontade de calçar umas botas, as desculpas aparecem...


Friday, December 4, 2015

Quando as lamechices de Facebook falam verdade (parte II): o "amor da sua vida" x "o homem da sua vida"




Bem prego eu contra as partilhas de conteúdos piegas no Facebook, mas às vezes lá aparece um que fala como um livro aberto. Já aqui mencionei recentemente um texto desse género, de autora (?) desconhecida sobre aquele momentinho em que uma mulher tomada como garantida acorda e decide que não está garantida coisíssima nenhuma. Eu não o descreveria melhor.

E hoje uma amiga passou adiante mais este, a explicar na mouche a diferença entre "o amor da sua vida" e "o homem da sua vida". Que vai ao encontro da distinção que aqui se fez no Imperatrix entre "o amor da sua vida" e o "atraso da sua vida". 

Por vezes parecem a mesma coisa, mas não são. O amor/atraso da sua vida é basicamente aquela paixão tempestuosa, byroniana, o bad romance que consome tempo e energia mas faz mais mal do que bem e que muitas vezes, não dá em nada. 

Já o homem da sua vida (ou mulher, vá, mas neste caso está escrito no masculino) é igualmente um grande amor - ou antes, é um amor maior, um amor verdadeiro porque tem uma base de altruísmo, de querer o bem do outro. O amor verdadeiro, o amor do homem da sua vida, tem a capacidade de sacrifício que se exige a qualquer grande amor. Mas para ser usada só em caso de necessidade, não gratuitamente, em probleminhas inventados.  O que não quer dizer que seja um "amor de papelão" morno, lamechas, sem graça, sem intensidade, sem paixão, que se conserva só porque é seguro e fofinho (nunca comprem essa ideia deprimente, peço-vos pelas alminhas). 

Passo então a citar, mais coisa menos coisa: "sempre ouvi dizer que o amor da tua vida NÃO é o homem da tua vida e ainda bem que assim é."

 O amor da tua vida vai levar-te à loucura (no mau sentido);
O homem da tua vida vai querer que a tua vida seja uma loucura pegada de paixão e alegria.
O amor da tua vida vai deixar-te de nariz colado à janela, à espera que o carro dele ronde a tua casa;
 O homem da tua vida nunca sairá do teu lado.
 O amor da tua vida vai fazer com que exijas explicações;
 O homem da tua vida não dá um passo sem tu saberes.
 O amor da tua vida vai fazer-te acender velinhas, fazer orações e queimar incensos (como vimos aqui, há dias);
 O amor da tua vida vai fazer-te dar graças por estares viva todos os dias. O amor da tua vida vai fazer-te viajar muito e procurar várias pessoas para encontrar as respostas;

 Já "o homem da tua vida vai mudar as tuas perguntas e mostrar-te o quão simples a vida é"...e assim por diante

Não sei quem foi a grande filósofa, mas vale a pena ler e partilhar com alguma amiga que ande ceguinha...

No entanto, eu resumiria toda a ideia a duas premissas: o amor/atraso da sua vida complica; o homem da sua vida simplifica. O amor/atraso da sua vida é um rapazola assustadiço; o homem da sua vida é um homem a sério. E mais nada...







Duas doutas considerações: temperos e peúgos


1- Lembram-se do anúncio "com Savora, toda a comida melhora"? Pois descobri recentemente que há certos petiscos básicos, quase tudo porcarias mas pronto que sabem bem não tanto por si, mas porque levam mostarda, ketchup ou massa de tomate. Palavra que nunca me tinha lembrado de tal.  Eu que nem sou de comezainas nem gosto de estragar a comida com molhos, como tanta gente...mas há de facto coisas que se não fosse isso, não teriam metade da graça. É curioso como algo tão simples faz uma diferença tão grande. Devo ser uma pessoa muito fácil de contentar, palavrinha de honra. 




2- Ninguém gosta mais do Inverno do que eu (then again, todas as estações têm algo que me agrada, o que se calhar faz de mim uma pateta alegre que anda sempre contente ou  a woman for all seasons...). Não me incomoda o frio, porque nos dá oportunidade de usar soberbos casacos, peliças, luvas, carapuços e cachecóis; nem a chuva, porque é a desculpa perfeita para andar de botas e gabardine. Sem o Inverno, vai-se metade da piada de ter um belo guarda roupa.  Depois, tem o Natal, tem as lareiras, as pessoas andam mais agasalhadas por isso não se vêem tantos calções, leggings e outras desgraças na rua e ainda podemos beber chocolate quente com natas. 

What´s not to love? Eu digo-vos: o raio das meias.

 Não me entendam mal, com esta temperatura é agradável calçar meias fofinhas e quentinhas... o que aborrece é a horrível e imperiosa necessidade de ter, para todos os dias, um stock abundante e sempre a rodar de peúgos, soquetes, collants, meias compridas, meias polares (para os dias em que queremos porque queremos usar saias mas está um gelo de rasgar mortalhas) meias de lã fofas estilo Serra da Estrela para estar em casa, meias de vidro/mousse/lycra de vários géneros e, para quem é tão coca bichinhos como eu, em perfeito estado. Uma malha que cai, um risquinho, uma sugestão de borboto e já não gosto delas. Deviam ser todas descartáveis. E uma pessoa decidir à última da hora calçar sapatos quando já tinha posto peúgas espessas, boas para usar com botas, e ter de ir a correr buscar outras?  E quando se perde uma? E ter os devidos cuidados para não se perder nenhuma? E juntá-las, dobrá-las ou enrolá-las bem enroladinhas para pôr nas gavetinhas? Trabalho de paciência, que é uma seca fazer ou mandar fazer. A minha prima M., em pequena, detestava tanto calçar meias que lhes chamava um nome muiiiito feio (ouvira-o dizer na escola e trouxe-o para casa; escandalizou toda a gente, mas nunca mais nos esquecemos dessa). Agora percebo-a. *Piiiiiii* das meias.


Thursday, December 3, 2015

As coisas que eu ouço: a linguagem universal das lágrimas


O meu grande amigo Paulo Ilharco, poeta a sério (que nisto de poesia eu sou um pouco embirrenta) e um formosíssimo talento daqueles que não nascem nas árvores, teve esta semana o emocionante lançamento do seu livro, "Raio X à Alma", num dos espaços mais emblemáticos de Coimbra, com luzida assistência e melhor música.

E, comovidíssimo, desculpou-se citando uma frase que eu já tinha ouvido, mas não recordava onde, nem o autor: "só os corações de pedra não entendem a linguagem das lágrimas". Cá me ficou, porque falámos nisso recentemente, a propósito daqueles instantes em que se descobre que há pessoas que se podem amar, até se descobrir, ipsis verbis, que não são boas pessoas.

Fui ver e as bonitas palavras são do autor espanhol Severo Catalina: a linguagem das lágrimas não pode ser entendida pelos corações de pedra. 




Veritas est...nas relações pode haver diferentes formas de comunicar e de sentir; uns são mais emocionais e expressivos, outros menos; cada pessoa é um universo e às vezes, mesmo a cara metade com quem se partilha tudo pode não entender o que o outro sente, ou reagir com naturalidade a coisas que deixam o outro em parafuso. Até as almas gémeas (se é que existem, que eu acho o conceito um pouco piegas, com pouco de romântico e nada desafiante) têm os seus diferendos.

Mas lágrimas? Poupem-me.Transcendem diferenças, nuances, línguas e culturas. E olhem que eu não defendo a lagriminha fácil. Mas quem chora é porque sente. É porque está dorido. Quem não entende isso, quem não se comove ao ver o outro que parece um chafariz, destroçado, é um coração de pedra sim senhor, indiscutivelmente. 


Daqueles que não merecem que se fungue por eles, quanto mais choraminguices, soluços e desperdiçar de lenços de papel (perfumados e extra fofinhos, ainda por cima). Ná.

Wednesday, December 2, 2015

Ven. Fulton Sheen dixit (2): How deep is your love?


Uma mulher poderá dizer ao homem que a corteja: "dizes que me amas, mas como saberei se é verdade, quando há outras 458.623 jovens nesta cidade para escolher?"


Se ele souber responder, dirá:

"Pelo simples fato de te amar, eu rejeito-as. O mesmo amor que me fez escolher-te, faz-me desprezá-las".

                         
                                       Ven. Fulton Sheen



Recomendo muito as obras - ou pelo menos, as citações- do Venerável Fulton Sheen (1895-1979) aos que procuram injectar uma dose de bom senso na sua interacção com os outros.

Bispo, Arcebispo, professor universitário, autor mas também uma popular personalidade de rádio e televisão, o muito reverendo Fulton Sheen (que está a caminho da Beatificação) era um homem da Igreja que sabia estar e comunicar no mundo, com um acentuado sentido de humor e a capacidade de  falar directamente aos problemas dos homens e mulheres comuns. É  conhecida uma peripécia que contava, com grande humildade e fazendo pouco caso de si mesmo: certa vez, indo dar uma conferência em Filadélfia, perguntou a uns rapazitos que andavam a brincar na rua se lhe podiam indicar o caminho para a Câmara Municipal.

Um mais atrevido aproximou-se e perguntou o que ia lá fazer.

- "Vou dar uma conferência sobre como ir para o Céu. Queres assistir?"

E o pequenito, sem cerimónia, respondeu:

- "Se não sabe o caminho para a Câmara Municipal, como pode saber como se vai para o Céu?".

Mas a sua sabedoria estendia-se a um bom número de ideias válidas sobre o amor conjugal, o namoro e o casamento. É certo que muita gente acha que homens de batina não têm voto em tal matéria, mas volto a dizer: os médicos também usam bata, e nunca se ouviu dizer que, por exemplo, um médico não possa ser obstetra só porque sendo homem, não compreende os sintomas das senhoras. Acredito que com os médicos da alma acontece exactamente a mesma coisa.

 E o texto acima citado é mais uma das pérolas deste bem-amado autor.



"Pelo simples fato de te amar, eu rejeito-as. O mesmo amor que me fez escolher-te, faz-me desprezá-las".

 Muitas mulheres toleram, às vezes meses e anos a fio, disparates a homens que não sabem o que querem. A homens que têm muitas "amizades" femininas, ou simplesmente amizades que os levam pelo mau caminho, a homens que não sabem escolher, que não crescem, que não têm prioridades ou que - embora não façam nada de "grave", não as fazem sentir como um bom namorado ou noivo deveria.

 Não as colocam em primeiro lugar, como é suposto. Não as tratam com a devida consideração. Não as defendem, como cabe à cara metade fazer. Não eliminam coisas insignificantes que as incomodam nem dão a devida distância a pessoas metediças que tentam causar estragos. Não concedem à mulher de quem dizem gostar o lugar que merece. Em menor ou maior grau, dizem que gostam delas, até o demonstram lá a seu modo, mas fazem-nas interrogar-se a toda a hora, andar angustiadas por causa deles, esforçar-se por causa de coisas mesquinhas, sofrer por causas desnecessárias.


São, em suma, o tipo de homem que leva uma mulher a desabafar constantemente com as amigas a seu respeito, com as famosas frases do género "sei que ele me ama, mas..." e "se ao menos ele...". 


Ora, Fulton Sheen sabia o óbvio - como qualquer pessoa sensata sabe, desde que não tenha as talas do amor à frente dos olhos.

Se um homem dá demasiado trabalho, se é motivo para lágrimas a a torto e a direito, se obriga uma mulher a analisá-lo muito, a tomar chás de camomila e pior por sua causa, a rezar demasiado para que ele "tome juízo" (se é religiosa)  ou (se é dada a misticismos) a consultar uma cartomante ou o facebook (se gosta de armar em detective) para ver o que se passa, enfim, se essa pessoa provoca ralações cada dia que Deus deita ao mundo, não é a pessoa certa. E muito dificilmente mudará para se transformar em tal.

Um homem a sério, um homem sério que ama a sério (e convém ter esses três requisitos de seriedade para valer a pena) não hesita em desprezar tudo o resto, todas as outras, tudo aquilo que possa ser um impeditivo para estar com a pessoa que ama. Isso é pura e simplesmente automático. Se não é, não ama o suficiente. Ou até pode amar, porque há almas com formas de gostar e amar muito esquisitas e distorcidas, em modo "com amigos destes, quem precisa de inimigos?". Mas às vezes o "amor" não basta. 

 E se é "amor" desse, aplica-se a velha frase que dizia o outro: "o teu amor não presta. Não preciso dele".



Tuesday, December 1, 2015

Emma Roberts: um look *quase perfeito*





Acho a jovem actriz Emma Roberts (sobrinha da famosa Julia) uma das caras mais bonitas que por aí andam nas telas. Adorei vê-la em American Horror Story e a sua presença em algum filme chama-me sempre a atenção. Não é que haja algo de extraordinariamente marcante nela, mas é graciosa e tem um daqueles rostos de feições tão correctas, com lábios bem desenhados e uma pele tão luminosa, que algo nos impele a olhar mais que uma vez. Depois, anda sempre bem penteada e composta. É uma beleza clássica e discreta, do tipo que qualquer senhora gostaria que o seu irmão/sobrinho/filho trouxesse para casa.

Ora, este seu look  é uma das minhas combinações preferidas: saia midi em pele (rodada, mas em lápis também funciona) um top discreto (neste caso, uma gola alta preta) e uns pumps simples. Fiz coordenados semelhantes para várias ocasiões e resulta- com saias lápis, estreitas e até em balão, com tops, camisas e camisolas- é uma daquelas receitas para estar elegante sem pensar muito. 

E funciona bem para o dia ou para uma saída, como Emma fez- embora eu prefira deixar as golas altas para os dias frios, e usar uma camisa branca, oxford, de seda ou blusa mais delicada para ocasiões sociais.


 Porém, em relação à toilette de Emma, duas coisas a apontar: primeiro, sou a maior fã das cinturas subidas e bem justas, mas quando se trata de usar peças por dentro, uma camisa,blusa ou top folgado é uma opção mais segura do que algo muito colado ao corpo. Outra possibilidade é um crop top que fique rés-vés à saia, ou uma camisa com um nó. É que por mais magra que se seja e por melhores abdominais que se tenham (e Emma é bem magrinha, como vêem) há sempre o risco de aparecerem aquelas pelezinhas de nada, ou aquele "redondinho" que se vê na imagem. Afinal, o estômago está a ser comprimido. Nada de preocupante, mas fica a fórmula para quem quer o look totalmente perfeitinho e não deseja surpresas ou "gordurinhas fingidas" a aparecer no retrato.  

(Também gosto muito da combinação saia de pele + camisola de gola alta preta, mas acho preferível usar para isso uma saia de cintura menos alta, ou simplesmente uma camisola mais curta).

  Segundo, atenção às malhas muito elásticas: é que podem ficar transparentes sob certas luzes, como notarão. Aqui pode ter sido intencional, mas é preferível uma blusa rendada a um tricot que não sendo suposto deixar ver nada, dá a aparência de malha "barata". Pessoalmente não gosto do efeito soutien à vista, muito menos notando-se que "não é de propósito", mas isso cai um pouco na preferência individual...

Monday, November 30, 2015

Ch-ch-chaaaanges, lá dizia o David Bowie.


O mundo pula e avança e é feito de mudança, etc, lá diziam as cantigas. Quem não muda, fica mono. Não evolui, não cresce, vive preso aos sonhos do passado, aos objectivos que já caducaram, e não há nada mais deprimente. É certo que nem toda a mudança é boa. Digo-o de todo o coração, eu que sou careta e avessa tanto à surpresa como à mudança. O mundo vai mal muito por culpa de quem acha que para corrigir o que está errado, basta agir de maneira exactamente oposta e deitar abaixo tudo o que sempre lá esteve para trocar por muito pior. Há muita tradição, costume, valor e hábito que importa conservar. Não raro, convém que a mudança seja subtil; que tudo mude para que tudo fique igual, como cantava Sérgio Godinho.

Depois, há as mudanças realmente estúpidas- é o caso das mulheres que tanto quiseram que os homens fossem como elas (sensíveis, fofinhos e a pôr tudo em causa) que agora dizem que não há homens como Deus manda. Ou o caso daqueles homens que se apaixonam por uma mulher forte, vibrante, cheia de garra, que os desafiava...mas depois, na sua possessividade e insegurança, não descansam enquanto não a transformam num ser frágil, inseguro, que podem manipular a bel-talante. E nessa altura deixam de lhe achar tanta graça, ou de a tomar a sério.

 Mas muitas mudanças são simplesmente inevitáveis. Não se decide fazê-las porque estava na hora, por capricho, porque se quis mudar, porque se proporcionou ou foi preciso fazer esse esforço. Mesmo quando parecem súbitas, radicais, inesperadas ou totalmente fora do estilo de quem as sofre ou as leva a cabo, algumas dessas alterações que têm o efeito de um terramoto, que parecem impossíveis, deram-se porque não houve outro remédio. O destino depois lá trata de conjugar outros factores, a que qualquer pessoa sensata responde em modo Virtú e Fortuna. E em casos assim, não se escolhem os dados. É mesmo alea jacta est e tratar de seguir a corrente. O mundo não entrou em guerra por apetite, mas porque Hitler não deixou escolha. Não havia que reclamar com os Aliados.

E no entanto, muita gente, face à mudança alheia, reclama com os "Aliados"...em vez de se queixar do "Hitler". Em modo "pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira". A amiga que decide separar-se do marido abusivo, o filho que mudou de curso porque se sentia infeliz, a prima que decide ir fazer voluntariado para África... aos olhos de quem não aguenta que nada mude, todos perderam o juízo ou estão a  desperdiçar a sua vida.

Quem é assim deseja tanto viver no mundo perfeito que criou lá na sua imaginação que ataca quem mudou, em vez de deitar as culpas aos factores que convidaram à mudança. Faz birrinha contra o que mudou e que não está na sua mão fazer voltar ao que era. Esquecendo que qualquer mudança, para ser levada a cabo com bom senso e dar resultados benéficos, precisa de tempo, de calma, de espaço, de respirar, como os bons vinhos.

Há que sair da frente e deixar a vida passar. Nem que seja sob protesto, mas protesto silencioso. Até o Velho do Restelo falou uma vez mas lá se calou para deixar andar as caravelas...



O momento que se segue pode destruir a vossa infância. Não me responsabilizo.


É escusado perguntar "lembram-se da Heidi?" porque TODA a gente sabe quem era a bonequinha de faces rosadas e cabelo preto que cantava à moda tirolesa, sem cerimónia, "avozinho diz-me tu..." (o velhote não devia ser tão ranzinza como isso, se permitia familiaridades dessas aos mais novos...).


Nunca cheguei a ver a série porque passou em Portugal ainda eu não era nada, mas a febre da Heidi e do Marco contagiou de tal maneira miúdos e graúdos que na minha infância ainda se falava em ambas - existia merchandising da Heidi em casa dos meus primos mais velhos e até em casa dos meus bisavós havia umas canecas da Heidi, que invariavelmente me calhavam quando me queriam obrigar a beber café com leite (daquele que potencialmente tinha nata, um drama que a pequenada de hoje desconhece pois os fervedores de leite estão praticamente extintos). 

Além disso, nos anos 1960, muito antes de existir o anime, a mãe adorara o livro e insistiu que eu havia de ler esse tesouro da sua infância. Heidi, a menina dos Alpes, de Johanna Spyri, foi (a par com Pinocchio) um dos primeiros livros "à séria" que li. No romance ela não tinha o cabelo tão curto e liso, mas apesar de tudo a imagem que me ficou foi a dos desenhos animados.

Pois bem, agora pensem lá na "vossa" Heidi, que era assim....


E nas bonecas da Heidi, que eram assim, tiradas a papel químico da série (havia uma ainda mais fofa em casa da madrinha, hei-de perguntar-lhe se lá continua)...


Pronto, acabaram-se os paninhos quentes. É que um iluminado, desses que acham que as crianças de hoje não têm imaginação e que tudo - o Noddi, os filmes da Disney e até o Avô Cantigas - tem de ser feito a 3D,  estilo jogo manhoso de computador, entendeu que havia de trazer a pobre Heidi para o digital. E o resultado foi este...


Nem se canta o tirolês, nem avozinho diga lá, e na versão brinquedo a "nova" Heidi, a Heidi para a geração milénio, tem cabelo castanho, um carão comprido, um ar inexpressivo e parece que abusou dos bons petiscos dos Alpes - ou que continuou a apreciá-los mas senta-se a trocar likes com o Pedro e a Clarinha no facebook em vez de andar aos pulinhos pelos montes- pois engordou. Ora vejam:



Se calhar é mais um esforço para tornar as bonecas "reais" (que é um eufemismo para feiinhas) . Já não bastava a Anita agora ser Martine e a sem vergonhice que por aí vai no maravilhoso mundo dos brinquedos, nem a Heidi nos deixam....


Sunday, November 29, 2015

Para os meninos Eça e Bruce, uma salva de palmas...




Esta semana comemoraram-se os aniversários de dois dos meus gurus (salvo seja) e duas pessoas amplamente citadas por aqui: Eça de Queiroz (25 de Novembro) e Bruce Lee (dia 27).

A sabedoria - e estilo, assinale-se - de ambos é uma eterna inspiração para mim, e uma constante referência. 

De Eça (além de apreciar uma prosa inigualável, cheia de detalhes, na qual se descobre sempre algo de novo e imune ao tempo) pode aprender-se que o humor, uma pitada de cinismo e colocar elegância em tudo o que se faz e se passa, até nos aborrecimentos da vida, é meio caminho para fazer a travessia por este mundo com um mínimo de sanidade.


 Quando (nos "Contos" e A Cidade e as Serras) o Jacinto extenuado, desgostoso de perder a bagagem onde levava todo um estilo de vida, apavorado ante a perspectiva de uma longa estadia no meio de nenhures, descobre os rústicos prazeres do campo, se maravilha ante o caldo de galinha com fígado e moela, que "enternecia e rescendia", o simples arroz de favas a acompanhar um frango louro no espeto e "o vinho caindo de alto, da grossa caneca verde, um vinho gostoso, penetrante, vivo, quente, que tinha em si mais alma que muito poema ou livro santo!" isso encerra a lição de sentir a vida, de apreciá-la, de colocar civilização até no cenário mais desanimador. 

Os pais de Eça de Queiroz

E o que dizer das suas respostas certeiras, que encerram uma contenda com mais destreza que qualquer bofetada de luva branca, das suas opiniões sobre as mulheres, algumas infelizmente ainda válidas, do seu gosto apuradíssimo, dos seus conselhos e filosofias de toilette , até no vestir feminino? É um nunca mais acabar de máximas para bem viver. E se me quero rir, basta recordar algumas passagens das Minas de Salomão, do Crime do Padre Amaro ("qual Cristo, qual cabaça!") de A Relíquia, d´O primo Basílio ou do Damasozinho...

O grande romancista (que curiosamente nasceu e morreu em duas paragens associadas à elegância do seu tempo: Póvoa de Varzim e Paris) deixou-nos com apenas 54 primaveras, há 170 anos. Mas se fosse imortal, que não diria dos usos e manias do nosso tempo!


Já com o Pequeno Dragão - artista marcial, filósofo, actor, professor e argumentista - há mais do que pasmar para a sua destreza nas artes de combate, embora muita gente concorde comigo que nunca houve outro como Bruce Lee, nem haverá. Muito jovem - morreu com 32 anos, faria 75 se estivesse entre nós - bem parecido, carismático, não se limitava a ser uma estrela de cinema. 

Pegava nas técnicas que considerava mais eficazes, espremia-lhes o sumo e combinava-as para seu proveito. Excluía tudo o que era supérfluo ou acessório. Acreditava no velho princípio oriental que reza que nenhum homem está derrotado até a sua confiança cair por terra. Em sentir, em vez de pensar demasiado, e agir de acordo com o adversário ou a circunstância. No esforço posto em cada objectivo e em rezar para ultrapassar os obstáculos, em vez de esperar uma vida fácil. Em ser como a água, fluindo e adaptando-se ao invés de choramingar quando as coisas não são como gostaríamos que fossem.

Partiram cedo porque ensinaram muitíssimo em pouquíssimo tempo. Obrigada, cavalheiros. Sem vós, nada seria o mesmo.




Leandra Medine dá um conselho *arriscado* de styling






“If it feels wrong, it probably looks right".


A famosa blogger disse em entrevista que, se algo parece "não bater certo" com uma toilette, é melhor não ir a correr mudar de roupa. Provavelmente, haverá algo de fresco, inesperado e original no look escolhido, logo convém aproveitar esse toque "edgy", a sair da zona de conforto...

Discordo e concordo ao mesmo tempo. Um conselho de Leandra Medine deve ser tomado com humor e um grão de sal, já que a auto-intitulada "repelente de homens" (que por acaso casou muito bem) é conhecida por fazer escolhas que não são aconselháveis à comum das mortais, por vezes mais "interessantes" do que bonitas ou correctas. Faz parte do seu encanto, mas não é para todas!


Se um outfit dá a sensação de que algo está "errado" por parecer que engorda/dá um ar desleixado/desengonçado/vulgar, é porque provavelmente está. Quem já tem um sentido treinado dos materiais, do fitting e das proporções deve confiar nele.

Porém, se essa desconfiança advém de usar cores/formatos/padrões cujo único "defeito"é fugirem à sua norma ou serem um nadinha mais chamativos, desde que dentro do bom senso, porque não? Mesmo o estilo mais intemporal ganha com pequenas inovações, mas às vezes a timidez ou a preguiça levam a melhor. Nesse caso, as ideias impulsivas podem ajudar a descobrir novas avenidas de estilo. 

Encaremos as modas & elegâncias com um sorriso, sem levar tudo super a sério!



Se não resultar, é apenas roupa...basta não repetir a combinação e pronto. Certa vez arrisquei usar uma camisola num azul forte, de mangas amplas, e detestei. A cor não me ia bem e provocava-me mesmo dores de cabeça (além de eu, conhecendo-me, saber que devo evitar malhas com formatos "exóticos" porque não se seguram impecavelmente no lugar). Tive de parar para comprar a primeira camisola de caxemira justa, preta  e de gola alta que me apareceu e aquele monstro das bolachas azulão foi no saco de doações seguinte.

Felizmente, isto acontece pouco!

  Mas há dias apeteceu-me usar os meus botins encarnados com uma camisola de breton stripes (e mais algum detalhe que não me ocorre agora) e senti-me lindamente. Até porque nem sempre temos a mesma disposição...há dias em que estamos mais receptivas a coisas diferentes, noutros queremos sentir-nos seguras. Há que ouvir o instinto.

Apenas uma ressalva: NUNCA, por nunca ser, inventar "novidades" num dia em que é imperativo estar segura de si, como uma festa importante, encontro decisivo, apresentação stressante, etc. Vi isso acontecer demasiadas vezes, vezes suficientes para saber que não é boa ideia...

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