Recomenda-se:

Netscope

Saturday, December 12, 2015

O complexo Siegfried: porque "ela" vale a pena


Estava a ver Django Unchained (shame on me- é de Tarantino, passa-se no belo Sul, tem um enredo que me interessa...não sei como diabos ainda não me tinha debruçado sobre o filme) e reparei na cena em que o bom doutor/caçador de recompensas conta muito resumidamente ao seu novo companheiro de aventuras/escravo temporário a história de Brunilde e Siegfried.

E ainda bem que limitou o conto a duas ou três linhas,  porque isto da Mitologia Nórdica/Germânica não é certinha como a grega...tem tantas versões, (porque cada bardo a contava lá à sua maneira) todas interessantes mas com tal quantidade de detalhes, que é pior do que quando a avó desatava a tentar deslindar a parentela, e a explicar que fulano de tal ainda era nosso primo porque a tetravó dele era prima direita da minha, que casara com não sei quem no tempo da outra senhora, uffffff.

 Ora vamos ao que nos trouxe aqui. O Dr. Schultz sumariza então a história de amor de proporções literalmente Wagnerianas mais ou menos assim: a Brunilde é uma princesa prisioneira numa montanha, guardada por um dragão que cospe fogo. E Siegfried, o herói, decide salvá-la. Escala a montanha, porque não tem medo dela. Mata o dragão, porque não tem medo dele. E porque é que nada disso lhe mete medo? Porque Brunilde valia a pena.


Ora aí temos o clássico dos clássicos, o mito que resume o anseio feminino e muito natural de ser salva, de ser conquistada, e o desejo masculino de salvar o dia, arrebatar a donzela e ser recompensado por isso. Noutra versão igualmente interessante, mais ao gosto actual por mulheres "poderosas" (e não menos simbólica, pois vai dar exactamente ao mesmo) a valquíria Brunilde é uma guerreira indomável, que secretamente deseja ser vencida por um herói mais valoroso do que ela, a quem obviamente entregará o seu amor - porque uma mulher forte precisa sempre de um companheiro a condizer.


 Mas não divaguemos: o que importa aqui é a atitude de Siegfried. Que mais dragão menos dragão, com ou sem espada, com árias de Wagner como banda sonora ou não, é basicamente o arquétipo do homem verdadeiramente enamorado, mas também capaz de valorizar e apreciar  a mulher que deseja para si (porque as duas coisas às vezes não parecem andar juntas). Em alguma altura da sua vida, todas já terão visto um pretendente seu, ou de uma amiga, em modo Siegfried: é aquela história "quando se trata de amores, os rapazes perdem a vontade de comer, de dormir e são capazes de mil façanhas". 

Um homem realmente apaixonado, realmente interessado, mas sobretudo realmente homem, não se deixa abalar por nada. Manifesta o seu amor, mesmo que não seja de imediato ou (só) por palavras. Eles não são tão ardilosos nem tão tímidos como as mulheres: têm muito mais dificuldade em disfarçar o que sentem. Querem saber se um rapaz gosta de vocês ou não? Basta ver se ele vos trata como se vocês valessem a pena.

 Como se fossem dignas de pequenos ou grandes ajustes, esforços e sacrifícios. 


Quando ele não desanima à primeira, insiste dentro do razoável, se deixa entusiasmar pelo jogo da conquista em vez de se acobardar (ou seja, é másculo e cavalheiro que chegue para compreender quando uma mulher não faz logo uma festa ante os aos seus convites e declarações), se procura ser em tudo agradável e útil (tem uma dificuldade? Ele oferece ajuda. Houve uma má impressão? Ele esclarece o assunto sem mais aquelas) se mostra desejar a sua companhia acima de qualquer outra e faz tudo para que se sinta bem, então é porque se importa e tem boas intenções . 

Caso contrário, se há "mixed signals", se ele alimenta mal entendidos, se vive de indirectas...deixe-se de lado o wishful thinking ou o "ele adora-me, mas...".

Há que ser realista e objectiva: ou não está assim tão interessado, ou até está mas toma a mulher em causa por garantida, ou é um xoninhas que está longe de alguma vez vir a ser um homem a sério. Em qualquer dos casos, quem procede assim não interessa. Nenhuma mulher com sentido de dignidade pessoal deve aceitar menos do que ser tratada como "a rapariga dos sonhos dele". É claro que ninguém é perfeito e todas as relações têm esquisitices e "fases"; mas um homem que ama, e que é realmente masculino, tentará ser um Siegfried sempre que puder, nas grandes e pequenas coisas.

Se "ele" não age como Siegfried, se qualquer montanhazinha ou dragãozinho lhe mete medo...então, não.





Track pants: ora aí está algo que pode valer a pena experimentar



Por ossos do ofício, andanças inerentes e mero coleccionismo, sucede-me o que imagino que aconteça a muitos profissionais de moda, bloggers e fashionistas empedernidos: ter no acervo algumas peças que se compraram por oportunidade ou curiosidade e que eventualmente se usarão mais adiante.  Foi o caso, por exemplo, deste casaco de que vos falei em tempos.

  Ou pela marca, ou pelo material, ou pelo valor histórico, há coisas que vêm para casa aguardando ser adaptadas na costureira, darem jeito para uma produção qualquer ou...ficarem na moda. Como as tendências são cíclicas, basta estar atenta para não ser surpreendida por elas e já sei que mais tarde ou mais cedo, haverá ocasião de ir à "Arca das Trapalhadas" para as estrear, em vez de correr para a Zara no momento em que certo formato/cor/padrão entra em voga. 

Daí que é raro aparecer uma tendência que eu não tenha forma de experimentar se vai bem ou não - óptima forma de passear novidades passageiras sem grande compromisso ou de testar actualizações que se possam tornar mais permanentes.

 Mas as novas track pants - basicamente, a versão chic das calças de fato de treino que tem andado por aí de há uns meses ou um ano a esta parte, cortesia de griffes como Isabel Marant e Phillip Lim - têm estado a escapar-me. 



Tive peças semelhantes no início do milénio (quem não teve?) e que me lembre, espatifei as últimas em Erasmus; mas se estão recordadas, as versões dessa altura eram mais  informais, embora se usassem com calçado alto e pontiagudo. E entretanto, nunca mais comprei nada parecido. Roupa de inspiração desportiva não é geralmente a minha escolha imediata.

A versão actual das track pants (com um toque smart casual e numa variedade de materiais, do tweed à ganga, passando pelo couro ou napa) chamou-me a atenção; mas confesso, achei que iam ficar datadas num ápice e não pensei mais nisso. 

A verdade é que as opções no que toca a calças de eleição são tão variadas actualmente - flares, calças cigarrette e slim, culottes, breeches e modelos jodhpur, boyfriend, skinny, cropped de vários feitios - que dificilmente há espaço para mais umas. Até porque continuo firmemente apaixonada pelas cinturas subidas, que têm outro aprumo.



 E no entanto...as track pants são capazes de ter as suas vantagens. 

 Se forem pelo tornozelo, menos largas, na versão "skinny jogger", num bom tecido e em tons escuros, inclino-me a concordar com a Harper´s Bazaar, que predisse que este modelo, por ser simultaneamente confortável e sofisticado, poderia muito bem vir a tornar-se indispensável nos próximos tempos. 



Primeiro, porque são relativamente democráticas para mulheres de todas as figuras e tamanhos. Segundo, pela versatilidade: numa cor neutra combinam com quase tudo. Basta juntar-lhes qualquer top, blazer e uns pumps simples para um look compostinho, mas funcionam igualmente bem com ténis ou alpergatas, num registo totalmente descontraído.

De modo que estou tentada e aconselharia uma experimentação moderada a quem se sentir da mesma maneira. Evitem-se apenas as muito soltas, largas e curtas, com faixas berrantes e tudo o que lembre os anos 90 ou as calças saruel de há uns anos.

Talvez - façamos figas - sendo tão maleáveis, sem fechos, fáceis de usar de olhos fechados, substituam para muita gente as malfadadas leggings a fingir de calças. Mal por mal, antes andar na rua com umas calças de fato de treino promovidas do que em ceroulas transparentes e coladas ao corpo, a revelar este mundo e outro...







Friday, December 11, 2015

In analgesicus veritas (porque já nada me admira)


Bem se diz que isto da saúde é de levantar as mãos para os céus e dar muitas graças todas as manhãs. Até no que se refere a achaques sem importância, mas capazes de deixar uma pessoa prostrada de todo por um dia ou dois. É que num momento está-se contente, feliz e saltitante, a transbordar de energia, sem sequer se lembrar que se tem costas, apenas para se baixar no seguinte a apanhar qualquer coisa e erguer-se...com uma pontada que mais parece uma espadeirada à traição. 

Ou que alguém arranjou uma boneca voodoo à imagem e semelhança do alvo, onde se diverte a espetar agulhas e alfinetes, lagarto-lagarto. E aí repara-se "ai, tenho costas". E dá-se o valor a andar sem dores, com uma postura impecável e desempenada, algo que se toma por garantido. 



Foi mau jeito a fazer ginástica, é do frio, é ar e vento que entrou no corpo (as velhinhas das aldeias tinham uma benzedura qualquer contra isso, "ar amaldiçoado, ar excomungado, qualquer coisa qualquer coisa sai deste corpo baptizado", etc, se não estou em erro)  é de velhas maleitas de coluna mercê de um aparatoso acidente há muitos anos (porque se é para uma pessoa ser atropelada, ao menos que seja em grande estilo e com pormenores cómicos, mas isso é assunto para outro post), o certo é que dói que se farta e fica-se ali a parecer o pobre Quasimodo. Com vontade de lamentar, como dizem as pessoas no campo "ai a minha espinha!" (há quem diga que é o termo técnico, mas a mim soa-me sempre a conversa de peixe, não de gente). 

 Endireitar-se, isso é que era bom. Subir escadas, não querias mais nada? Rodar a cintura quando alguém chama, que anedota. Pegar no gato ou nos sacos das compras? Nem pensar! E treinar, como previsto? Forget it!

De modo que, para evitar entupir o hospital, consultório ou centro de saúde, que já não têm mãos a medir com gente realmente aflita, fora os hipoconcríacos e as idosas que lá se juntam na emocionante competição "eu sou a mais doente da freguesia!", há que atacar com carvão vegetal, anti inflamatórios e analgésicos daqueles mais fortezinhos até perceber se é caso para chamar o tinoni



Mas embora por cá os nossos medicamentos não tenham o efeito dos americanos (não é só nos filmes; alguns nativos dos E.U.A. têm-me contado que tanto nas anestesias do dentista como nos pain killers, os marotos colocam substâncias que fazem rir e deixam quem os toma a flutuar, totalmente grogue - eta, povo divertido) algum side-effect hão-de ter. 

De forma que depois de uma dose de Brufens, outra de um daqueles comprimidos à Dr. House e outra de sono reparador, quando alguém diz "isto assim não pode continuar, amanhã vamos às urgências" é muito natural que se tente responder "está bem, se não passar liga-se de manhã para o centro de saúde". Mas com a cabeça a andar à roda e em modo trocado, o que sai é "se não passar, liga-se para o Correio da Manhã!".

And yet...se calhar, in analgesicus veritas. Como se não bastassem as pessoas que quando adoecem,  nem que seja com uma simples constipação, tratam de relatar o caso em pormenor nas redes sociais ("unha encravada outra vez...descanso forçado", ou "já gastei três caixas de lenços, sou o mais ranhoso da freguesia!" coisa sempre glamourosa de se ver, quando não é a falar de problemas mais repugnantes e mais íntimos; as velhinhas que adoram queixar-se ainda não descobriram o potencial do facebook, tremam se chegarem a descobrir) os jornais vão pelo mesmo caminho.


Doi-me tudo, agora quero likes de simpatia senão morro!

 O que não faltam são notícias perfeitamente insignificantes: que aquela sub-celebridade tem dor de dentes (o que os "jornalistas" traduzem por ter sido "hospitalizada de urgência") ou que, como vi há dias, dois irmãos andaram à facada na Brandoa. Palavra que fiquei parva como é que isso é notícia: se fosse noutro sítio, admirava-me. Se tivesse havido feridos ou mortos, vá. Se fosse "dois irmãos andaram à facada em pacífico templo budista", valia pelo invulgar. Agora, como os irmãos brigam sempre, é natural que numa zona toda radical o façam de forma um bocadinho mais extrema, isto sem defender cá violências. E porque não me ocorrem outras não notícias para exemplificar.

O que interessa é que não tarda, quem está adoentado sente-se no direito a ser notícia de primeira página, com centenas de likes e comentários no face do Correio da Manhã e do JN, do estilo "doente, tu, ó vigarista de...? Eu é que sei como estou e ninguém me dá protagonismo! Corja de ladrões".

Thursday, December 10, 2015

A superioridade de usar bâton encarnado




Já há tempos que andava para comentar este texto que encontrei por aí- um interessante estudo antropológico amador, salvo seja, que dá 8 razões para as mulheres que usam bâton encarnado ( e quem diz encarnado diz laranja, camélia, cereja ou outro tom clássico) serem consideradas melhor girlfriend /wife material

Tais associações de ideias à Sherlock Holmes valem o que valem, mas sendo eu uma grande adepta não só do bold lip (foi uma alegria quando finalmente o gloss saiu de cena) mas principalmente do profiling e de dar atenção às pistas aparentemente insignificantes, achei que havia ali uns pontos de vista que não eram de desprezar.

Diz então o artigo que uma mulher segura de si o suficiente para usar bâton verdadeiro (numa cor descomplexadamente visível, desde que adequada à hora do dia) em vez de um balsamozinho, brilhinho ou nada (estas últimas são almas que nunca hei-de entender) é mais confiante e conhece melhor o seu valor. 

Primeiro, porque não está desesperada por encontrar o homem dos seus sonhos: supostamente as meninas que se apresentam muito bem arranjadas, semi vestidas para dar nas vistas, mas com lábios "naturais" têm muito medo de afastar os cavalheiros que não queiram ficar esborratados. Paradoxalmente, uma mulher que usa bâton é mais misteriosa e inatingível; não está à procura do seu príncipe encantado (ele que faça por isso, afinal para que servem os cavalos brancos?) e mesmo que dê de caras com ele, não conta dar-lhe logo tais intimidades, por isso, prescindir de uma corzinha para quê? Bem visto.

Segundo, porque está consciente do seu sex-appeal e não receia lidar com isso. Ou tem demasiada vivacidade (e um nadinha de rebeldia) para se apagar completamente, para, por mais feminina e tradicional que seja, deixar de expressar a sua opinião. 


Uma cor viva chama a atenção para o rosto, "acende" os olhos, realça o cabelo...é inegável que tem impacto. Um impacto discreto (afinal, é só bâton) mas mesmo assim exige alguma segurança.

Terceiro, porque uma mulher que o usa é uma beleza clássica, que remete para inúmeras referências da elegância de outros tempos: de pin ups como Marilyn e Rita à Rainha Isabel II, o bâton encarnado presta-se a muitas interpretações, do sexy ao mais bon chic bon genre, mas é sempre de uma elegância de outros tempos. Uma cor rica e aveludada recorda o luxo, as coisas boas e requintadas da vida. Quanto mais não seja, exige cuidado para não manchar roupas nem guardanapos - o que prova que a rapariga que o usa não é uma maria rapaz nem uma trapalhona.

E por fim - este foi o argumento que arrumou tudo -a mulher que pinta os lábios à séria não tem medo de se comprometer num mundo que cada vez é menos amiguinho de compromissos. Usar bâton é o supremo compromisso cosmético, porque não se retira facilmente. Deixa marca. É preciso removê-lo com cuidado. Numa época em que as relações "líquidas" e a promiscuidade são a norma, em que a palavra de honra já não existe ou vale muito pouco, não admira que tantas mulheres, cada vez mais mais masculinizadas ou com receio da sua feminilidade, se abstenham do encarnado.Quem se atreve a usá-lo, sabe que não há volta a dar: terá de o suportar durante todo o dia. É uma rapariga decidida e de palavra, consciente da sua vontade e capaz de dar o peito às balas.

Junto os meus two cents aos da autora, não sei o que pensais vós...






9 peças que vale a pena comprar em quantidade


Há as compras exageradas, por impulso, que são maus investimentos e geram tralha inútil no armário. Depois há as compras sensatas - que representam gastos e ocupam espaço, mas facilitam a vida a longo prazo.

O site Who What Wear publicou uma pequena lista que encerra uma grande verdade: há certas peças que mais vale comprar em quantidade quando se apanham à venda (e nos saldos). Ou como eu digo sempre, "compre quando há e pode, nunca em cima da hora...porque nessas alturas nunca há nada de jeito à venda".

Determinados artigos - como casacos, vestidos de noite, fatos, peças em pele, saias ou mesmo camisas -   exigem bastante ponderação e não se renovam com tanta frequência.

 Depois, existem os outros que é boa ideia comprar "por atacado".

É que apesar de quase todos caírem na categoria dos básicos (ou seja, peças que se podem usar e usar, que dão com tudo o que se tem no armário, sem as quais não se passa, são a "cola" que liga o resto do guarda roupa e feitas de bons materiais, de modo a durarem muito tempo) nem sempre estão disponíveis.

 Primeiro, o modelo pode ser descontinuado (algumas marcas de confiança repetem moldes que adoramos de estação para estação, apenas para deixarem de os fazer inexplicavelmente quando já nos habituámos a eles) segundo, os bons básicos às vezes faltam nas colecções sem qualquer motivo razoável; e terceiro, lá porque todas as lojas vendem "vestidinhos pretos" ou "t-shirts brancas" não quer dizer que os façam com o design e tecido que nos cai melhor

É aborrecido ver que o top preferido, aquele que procuramos sempre, está a ficar bom para limpar o pó...e não ter substituto à altura.

Para evitar tal maçada, aqui fica uma versão alargada da lista de "ai-Jesus" do guarda roupa a comprar em quantidade sempre que possível e mal o modelo perfeito apareça: 


1- As t-shirts ideais
T-shirts em pack, H&M
Parece favas contadas, mas achar a t-shirt perfeita não é assim tão simples.

 A melhores são 100% algodão consistente mas macio, longas o suficiente para não encolherem (o que também as torna mais versáteis para diferentes alturas de cintura, podendo ser usadas por dentro ou por fora sem nunca exporem os rins quando uma pessoa se baixa), com mangas realmente curtinhas e largas (nada de costuras a oprimir o braço) e com algum decote, redondo ou em V (evitem-se as muito fechadas, que lembram os modelos de criança e "engordam"). 

Isto em branco, preto e azul escuro (também poderá gostar de uma cinzenta). Um bom sortido delas poupa muitas correrias. Sou uma grande fã das da H&M, vendidas em packs - até ver continuam à venda e esperemos que isso não mude.

Nota: o mesmo vale para os tank tops pretos de alças.


2- Tops de manga comprida ou 3/4


Top H&M

Em preto e um ou outro branco, com ou sem botões, mais uns quantos às riscas. Estes últimos podem ficar bonitos com um pouco menos de decote, bem à francesa. Para escolher os melhores, aplica-se rigorosamente tudo o que foi dito acerca das t-shirts. Zara (sobretudo para os modelos de breton stripes) Pull & Bear, H&M e Stradivarius são boas pistas para encher o cestinho deste básico que salva mil toilettes. Quem gosta de bodies, pode inclui-los nesta categoria. Muitas vezes somem-se das lojas e depois o que é que uma pessoa faz para usar um top sem desfraldar?


3- Sua Majestade, o "Top de sair" por excelência (com mangas e um decote amplo) 


Top com decote Bardot, na ASOS

Idem, mas na versão noite. Em simples algodão preto, seda ou num tecido mais elaborado. Se escolher um liso, combina com saias de fantasia, calças de pele, statement trousers, saias lápis em materiais luxuosos, saias e calças de veludo...

Basicamente, um "top maravilhástico" permite inventar mil outfits sem pensar muito, quando se quer dar protagonismo à parte de baixo e ainda mostrar um bonito colo, um look sempre favorecedor para qualquer mulher. Se encontrar o seu "top maravilhástico", traga uns quantos consigo, porque podem ser como o amor da sua vida: uma vez sumido, não há outro à altura.


4- "Aqueles" jeans
Jeans de cintura alta, Zara
Os jeans são peças sui generis actualmente: as marcas especializadas, bem como as de luxo, fazem denim- investimento que molda inacreditavelmente a figura e dura imenso, mas as lojas acessíveis evoluíram muito: quem tem olho e paciência de Job para experimentar encontra facilmente na Zara, H&M ou Primark pares extra macios em modelos actuais (mas não necessariamente efémeros) e favorecedores, com lavagens lindas. 

Logo, os seus jeans perfeitos podem estar em qualquer parte. Se vê que comprou uns que não consegue largar, de um modelo clássico, que a fazem sentir-se fabulosa não importa o coordenado que faça, a solução é reservar alguns recursos para os saldos e trazer mais exemplares consigo. Poderá não lhes dar logo uso, mas quando os primeiros começarem a dar de si vai saber-lhe muito bem ter outros no armário, em vez de os substituir a correr pagando a totalidade do preço. Ou pior, pagar o preço de mercado por umas calças que não chegam aos calcanhares das outras.


5- Calças estreitas, clássicas, pretas


Modelo Givenchy, na Farfetch

Aviso de amiga: se encontrou o modelo cigarrette, slim ou skinny ideal (seja Zara, Mango, Escada,Trussardi, Givenchy ou something in between) faça o sacrifício de comprar os exemplares a que puder deitar as mãos. Depois de ter usado as calças certas para si, todas as outras vão parecer-lhe pálidas imitações. Ou acabará a levar as velhas a uma modista, implorando-lhe que faça umas novas, iguais, por um preço pouco simpático.

6- Collants (e afins) fiáveis


Collants modeladores, Calzedonia

É deprimente e stressante andar a correr de manhã, em busca de umas meias em condições. Os outlets são óptimos para se abastecer por uma fracção do preço - afinal, acabam inevitavelmente por danificar-se, pelo que mais vale trazê-las "à baciada", como dizia uma amiga minha...


6- Sheath (ou pencil) dresses


Vestido lápis, Karen Millen

Todos os outros vestidos podem ser comprados de acordo com as tendências (embora nem sempre os haja abaixo do joelho, o que é estranho). Mas deste modelo clássico, que favorece a maior parte das mulheres, há muito poucos a cada estação. A boa notícia é que as marcas e lojas que os têm (ASOS, Dorothy Perkins, Karen Millen, Zara, Primark, Mango, Dolce & Gabbana) costumam repetir os moldes e por vezes, lançam o vestido-lápis em mais do que uma cor e tecido a cada estação. Onde houver, agarre, pois duram uma vida e resolvem dezenas de situações em que precisa de estar fantástica sem esforço.

7- O soutien ideal


Soutien ideal para t-shirts, Oysho

Encontrar o suporte perfeito, à medida de cada uma, é uma tarefa delicada. Se der com um - e cada vez há mais por onde escolher, com qualidade bem razoável, nas próprias marcas de fast fashion- compre o mesmo modelo em diferentes versões e cores. Não é raro descontinuarem os melhores sem aviso.

8 - Os 4 calçados do Apocalipse


Modelos Stuart Weitzman, Ferragamo e Jimmy Choo


por aqui vimos que as botas compridas em pele (pelo joelho ou um pouco acima), os botins perfeitos, as sandálias que favorecem sem magoar e os pumps básicos (em preto e nude) são do mais versátil e confortável que há, facilitando inúmeras toilettes. Mas por vezes surge "aquele" modelo irrepreensível e embora o calçado represente um investimento maior, pode valer a pena trazer mais do que um par para casa. Antes isso do que andar desesperada em busca de um substituto, ou de uma alternativa para não espatifar os seus preferidos antes do tempo.



9 - A camisola de gola alta perfeita


Camisola de caxemira, Neiman Marcus

Além do "camisolão de pescador" esta é das poucas malhas que nunca passa de moda e à se mantém à prova de erro, além de combinar virtualmente com qualquer coisa. Em caxemira ou misturas aceitáveis (algodão + seda+ caxemira, ou lã + algodão, por exemplo). Convém que seja suave mas consistente, que não pique, que não borbote, que seja justa sem marcar e comprida q.b, pois estas peças tendem a encolher com o tempo por mais que se faça. Pretas e brancas (ou cru) bastam, mas uma vez encontrando um modelo bonito há que multiplicá-lo. Não faltam versões de fraca qualidade por aí e encontrar uma boa a preço simpático é caso para abrir os cordões à bolsa.




Wednesday, December 9, 2015

Parem lá de dizer que isto nos representa (manifesto anti mulheres histéricas, parte não sei quê)


A mulher é complexa. A mulher pode ser temperamental, como a Lua. Pode ter várias facetas. A vaidade faz parte da sua natureza. É frágil às vezes e isso contribui para o seu encanto. É mais emocional do que o homem, ou pelo menos demonstra-o mais abertamente/com maior frequência - também era o que faltava que eles fossem tão mariquinhas como nós, onde estava a graça? Mesmo a mulher mais linda tem dores, incómodos físicos e funções orgânicas tal como os homens- certo. Não é sempre perfeita. Com os diabos, toda a gente sabe disto. Mas a todas essas realidades perfeitamente naturais e razoáveis contrapõe-se algo que as avós ensinavam, que era o domínio sobre as coisas menos bonitas. Ou seja, a arte de ser uma Senhora. Tal como os excessos dos homens eram atenuados e controlados pela nobre arte de ser um Cavalheiro.

Porém, os média actuais parecem comprazer-se numa certa auto-depreciação feminina.




 Não faltam filmes, memes, crónicas, livros e outros formatos que adoram representar as mulheres (ou todas as mulheres, ainda por cima) como Bridget Jones da vida: neuróticas, desleixadas  com a sua aparência, preguiçosas, financeiramente descontroladas, incapazes de resistir a comprar e comer porcarias, nervosinhas, promíscuas (se estão solteiras) ou frias e pouco cumpridoras dos deveres conjugais, if you know what I mean (se estão num relacionamento) invejosas, paranóicas, inseguras, farristas, malcriadas e bebedolas - isto quando não as mostram sempre ansiosas por estar no seu pior (pijama todo o dia, cabelo despenteado e nada de soutiens) ou a fazer piadinhas com coisas que acontecem a qualquer ser humano, mas são desagradáveis (graçolas de casa de banho e cenas repugnantes do género que não me apetece reproduzir aqui, mas podem seguir o link para contemplar o disparate em toda a sua glória). 




Cartoons como estes são uma desgraça para as mulheres.



Pergunto-me se estas autoras (pois muitas são mulheres) tiveram pais e avós em casa que as ensinassem que não se brinca com tais assuntos e que quebrar esse tabu não é uma vitória feminina: é só ser mais bruta do que os homens e serve apenas para chocar ou provocar nojo, perdão, impressão às pessoas mais sensíveis. 




Mais grave ainda: isto leva-me a pensar se realmente há assim tantas tantas mulheres batoteiras: desesperadas por agradar, dispostas a relacionar-se intimamente com tudo o que aparece sem o mínimo pudor, e nem sequer é por serem de sangue vigoroso, umas Afrodites muito  modernas e independentes... mas apenas com o objectivo de arranjarem um diabo incauto que as carregue, depois de uma relação casual que vai ficando. Depois, apanhando-se seguras com quem as ature, é a desgraça e não servem rigorosamente para nada, nem como diversão. Tornam-se na vergonhaça que se vê. 

Bem podem dizer "estes cartoons não representam as mulheres o tempo todo, só momentos que todas têm" mas poupem-me. A boca (neste caso, o lápis) fala daquilo de que o coração está cheio. De certeza que há momentos trapalhões, mas mais edificantes a realçar. E certos pecadilhos ou fracassos são para esconder, que os outros (e os homens) nunca os sonhem sequer. Às vezes apetece-me apanhar um autocarro para os anos 1950 e ficar por lá, alegre e feliz, a fazer tartes em modo "honey, I´m home".


 Ai acham exagero? Vejam em detalhe e pensem com os vossos botões. I rest my case.



Florbela: mulher, demasiado mulher.




"É pensando nos homens que eu perdoo
 aos tigres as garras que dilaceram".


Ontem foi dia de Florbela Espanca, que entrou e saiu deste mundo num 8 de Dezembro.

Embora com o passar dos anos o meu fascínio pela poesia declinasse bastante, foi uma das autoras que adorava na adolescência. Admirava-lhe o rasgo e o facto de, enquanto mulher sem grandes meios no início do sec. XX, ter procurado um percurso académico. Além disso, foi jornalista numa das melhores publicações portuguesas de sempre voltadas para o público feminino- a revista/suplemento Modas & Bordados, de que temos falado aqui.

Porém, à medida que fui crescendo, comecei a ver Florbela com olhos diferentes. Não necessariamente com desencanto - alguns dos seus sonetos são de facto sublimes, de grande intensidade, como soluços que rasgam a alma - mas sob um prisma um bocadinho mais analítico.

A meu ver, Florbela tinha o melhor da Mulher em muitas coisas....e o pior da Mulher em tantas outras. Era uma jovem talentosa, sensível, com uma intrincada vida familiar (para usar um eufemismo) vitimada por uma série de tragédias pessoais, desgostos amorosos e problemas de saúde, nomeadamente no que concernia à possibilidade de ser mãe - um sofrimento a que nenhuma mulher fica insensível- e com a cabeça cheia de romances de Balzac e Dumas. 


E o que faz uma mulher de alma artística, bafejada pelas musas, dotada de grande imaginação, face aos pequenos e grandes dramas da vida? Tende a romanceá-los, a exagerá-los, a ver-se como a trágica heroína de uma novela. Creio que todas as mulheres são um pouco romanescas de vez em quando. É um dom que nos assiste e que atire a primeira pedra a que nunca usou esta forma de escapismo para não acabar maluquinha nem se entediar de morte. 


"E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!"


 Graças à exaltada sensibilidade feminina, o namorado parvalhão (a que qualquer pessoa isenta aplicaria um eficaz pontapé no traseiro sem pensar duas vezes... e problema resolvido) torna-se num anti-herói byroniano de uma saga que se arrasta anos a fio; o facto de não se ter encontrado o Mr. Right deixa de ser visto como uma pouca sorte, coisas da vida, mas uma maldição dos deuses de qualquer tragédia grega; as arrelias diárias ganham a dimensão do drama de Medeia...; a mais singela história de amor toma os ares dramáticos de uma produção de Romeu e Julieta....



"E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando..."


Nada disto é mau per se: mascarar a vulnerabilidade feminina, condená-la, fazer pouco da fragilidade que nos assiste, negar o desejo que todas as mulheres têm (de forma mais ou menos evidente) de serem amadas, conquistadas e protegidas, de ter a seu lado um homem forte o suficiente para as arrebatar e defender, de gerar vida, de cuidar e nutrir, é a causa de muitas neuroses e conflitos ainda hoje. Nunca poderemos sentir e agir exactamente como os homens, nem convém. Mas esse fogo interior, esse excesso das labaredas feminis, convém que seja, como o lume doméstico, mantido sob o nosso controlo, não vá cair-se num bovarismo que deita tudo a perder.

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada...".


A autora possuía o potencial das grandes mulheres: a capacidade de amar ardorosa e sinceramente, a inteligência, o génio, a graça, a ternura maternal...mas também era, como diria Eça de Queiroz "mulher! muito mulher!"...ou seja, em demasia. Ser "muito mulher" nem sempre quer dizer ser uma mulher a sério. Ou uma mulher forte no bom sentido da palavra. 

Florbela Espanca tinha alguns dos maiores dotes femininos, mas faltavam-lhe outros dos mais importantes: a temperança, a serenidade, o auto domínio, a coragem, o espírito de altruísmo que permite não pensar nos próprios problemas para tomar o fardo dos outros, a capacidade de lidar com o sacrifício e o sofrimento sem entrar em parafuso, o sangue frio. Tudo isto também são dons da mulher, sem os quais a sensibilidade só serve para incendiar descontroladamente tudo o resto. 


Faltou-lhe também, talvez (e isso já sou eu a especular, mas os anseios das mulheres, todos se parecem em muita coisa) encontrar o amor certo; a própria dizia que "um homem sem coragem, sem energia, sem vontade, nunca pode ser verdadeiramente amado". E os homens fracos, já se sabe, vingam-se sendo cruéis...a sua comparação aos tigres que dilaceram era bem acertada.

Florbela nunca terá encontrado o seu "Prince Charmant", um marialva no bom sentido, homem paciente mas firme que chegasse para lidar com tanto requinte de sensibilidade, com uma alma tão apaixonada e complexa.  E permitam-me voltar a Eça de Queiroz, "um ente meio príncipe meio facínora que possuísse, acima de tudo, a força". Talvez esse amor fosse a sua salvação, se tivesse existido.


                                   "E nunca O encontrei!... Prince Charmant
Como audaz cavaleiro em velhas lendas 
Virá, talvez, nas névoas da manhã!" 


Para uma poetisa (desculpem, mas não compro a ideia de Sophia de Mello Breyner de chamar "poeta" a uma mulher), para uma poetisa o destino de Florbela Espanca foi excelente. Para Florbela Espanca, a autora, veio a calhar ter uma vida trágica, uma alma em ferida e morrer cedo. É assim que os mitos são feitos e para uma grande artista não há final melhor. Mas para Florbela, a mulher...já não foi tão conveniente.

Miremo-nos no exemplo, que fala uma linguagem bem diferente dos poemas...

Tuesday, December 8, 2015

Brilhante conclusão de ontem: contra pestes, nem viajando no tempo




Estava-se ontem ao serão a cozinhar com a TV ligada a pasmar só porque sim para Sleepy Hollow (sinceramente, acho que a história - aliás baseada numa verdadeira lenda local, contou-me uma pessoa que era dessas bandas- é fantástica mas é daquelas que funcionam em filme, faz-se uma vez e está feito; em série não resulta) e as personagens, por culpa de um feitiço, vão parar ao século XVIII.

E eu, que sempre fui fascinada por viagens no tempo (por mim ia passar férias a outras épocas, como já vos contei) lembrei-me de dizer: "não seria bom poder pegar nas pessoas aborrecidas e mandá-las para o passado, onde não maçassem ninguém?".

Pois sim, cortaram-me logo o  brilhante raciocínio com um "irra, não! Haviam de arranjar maneira de dar cabo do futuro!".

E é verdade. Pensem na pessoa mais incómoda e malvada que conhecem. Agora imaginem que a enviavam para uma época mais recuada, achando que longe da vista, longe do coração e que a alminha penada (sem telemóveis, sem facebooks, sem meios para regressar ou contactar) nunca mais causaria distúrbios.



 Erro crasso. A não ser que a criatura fosse totalmente burrinha e desmemoriada (e mesmo assim não juro, que para o mal dá o diabo habilidade) havia de estar na posse de algumas informações sobre o futuro, perdão, o presente. 

Claro que sendo má rês, arranjaria maneira de as utilizar a seu favor, associando-se às piores personagens do tempo, quanto mais não fosse para subir na vida e atormentar os pobres coitados com quem se cruzasse. Muito provavelmente, mudaria o curso da História e ainda que o fizesse de forma que não tivesse directamente a ver connosco, de certezinha absoluta que ia dar asneira na mesma e acabaríamos por pagar as favas.

Moral da história: há que lidar com os problemas aqui e agora, porque  a ruindade é resistente como as baratas e conserva-se como o vinho do Porto...

O que tem a Imaculada Conceição a ver connosco (para além de ser feriado?)

Hoje, a Santa Madre Igreja celebra o dogma da Imaculada Conceição (proclamado a 8 de Dezembro de 1854 por Pio IX, na bula Ineffabilis Deus, pouco antes das aparições em Lourdes)- o que faz deste mais do que um "feriado qualquer", mas um dia de preceito ou de guarda, a ser observado por todos os Católicos (ou seja, nada de passeatas sem cumprir as obrigações primeiro!).

Porém, a festa da Imaculada Conceição (reconhecendo que a mãe de Jesus não era uma donzela qualquer, mas, conforme as profecias, seria uma jovem perfeita, escolhida desde o início dos tempos, preservada por privilégio especial da mancha do pecado original ainda no ventre da sua mãe, Santa Ana, e pela sua sensatez e obediência, a antítese de Eva) já fora incluída no Calendário Romano em 1476 e tornada obrigatória a toda a Cristandade pelo papa Clemente XI em 1708.

O lindíssimo verso "Tu és toda formosa, meu amor, não há mancha em ti" ( "Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te" ), do Cântico dos Cânticos (4,7) foi um dos argumentos bíblicos utilizados na defesa da Imaculada Conceição.


Os portugueses, em particular, devem-lhe especial devoção por ser Nossa Senhora da Imaculada Conceição a Padroeira de Portugal, uma vez que o Reino e todos os seus domínios de aquém e além mar lhe foi consagrado por El-Rei D.João IV em Março de 1646, com grande entusiasmo do povo. Em Junho desse ano, a Universidade de Coimbra fez o juramento da Imaculada Conceição, que obrigaria todos os admitidos a graus académicos a declarar "defender sempre e em toda a parte que a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem a mancha do pecado original". Esse juramento só foi abolido por desnecessário depois de estabelecido o dogma, pois estava implícito a partir daí.

El-Rei D.João IV
Por ser Nossa Senhora "a verdadeira Rainha de Portugal", desde o senhor D.João IV que a Coroa deixou de ser usada na cabeça pelos nossos Reis, mas delicadamente pousada a seu lado na cerimónia de aclamação, uma particularidade única na Europa.

Pessoalmente, tenho particular carinho por esta devoção, já que do lado materno todas as mulheres recebiam "da Conceição" como segundo nome de baptismo - havia uma embirraçãozita com chamar Maria às filhas, vá-se lá saber porquê, e assim ficava a tradição salva.
Estas curiosidades para contextualizar, já que desde ontem à noite vi muita gente em modo "iupi, amanhã é feriado" sem a mínima referência ao motivo do dia santo...paradoxos de quem se diz "ateu, graças a Deus!" ou pelo menos de um país que procede como tal, que isto um dia santo muito grande em que não se pode trabalhar, como dizia o conto, dá sempre jeito.

 Mas pensemos fora do contexto puramente religioso para encarar a questão sob o ângulo cultural e sobretudo, numa perspectiva feminina.


A Virgem Maria, a rapariga bem comportada mais famosa de sempre, prova provada de que nem só as mulheres rebeldes fazem História, significa muito para as Católicas praticantes. É venerada como a mãe de Deus, Dei Genitrix, co-redentora da Humanidade, Rainha dos Anjos, inimiga - e terror- dos demónios, que fogem dela a bom fugir (arquétipo da mulher poderosa por excelência!) entre muitos outros títulos. Tem a posição mas elevada, abaixo só de Deus e acima dos próprios anjos. 


Provavelmente, significará bastante também para outras mulheres cristãs e mesmo para as devotas de demais religiões que respeitam Cristo como profeta, bem como para as adeptas de uma espiritualidade mais universalista centrada nas figuras femininas.

 Mas culturalmente, por herança, como modelo de comportamento feminino, a sua influência é imensa, especialmente num país como o nosso. Até para as mulheres que não querem nada com a espiritualidade ou que se afastaram da fé dos seus antepassados.

 O modelo mariano de comportamento - pureza, modéstia, temperança, prudência, sobriedade, obediência, graciosidade, feminilidade, doçura, força discreta- pode parecer desactualizado ou contra a norma nos dias de hoje, em que as mulheres têm um protagonismo cada vez maior na vida pública, logo espera-se (de uma forma algo equivocada) que sejam muito assertivas, ruidosas e declaradamente "poderosas".

Mas esse tipo de "poder" não nos convém necessariamente, nem é forçosamente mais eficaz para a "causa" feminina. Há poder no silêncio, na cooperação, na aceitação, na maternidade. 

Senão, pensemos: Maria podia ter dito "não, obrigada!" ao Arcanjo Gabriel. Se calhar de uma forma mais cerimoniosa, mas um "não" mesmo assim. A honra de ser a mãe do filho de Deus era imensa, mas os perigos e inconvenientes de ser mãe solteira em tal época eram suficientes para aterrorizar qualquer uma, quanto mais uma jovem sem experiência da vida e com um noivo a quem dar explicações. 


S.José era um homem verdadeiro em todos os sentidos, um perfeito cavalheiro, mas gostemos ou não, nessa altura Nossa Senhora não podia ter a certeza absoluta de que ele era santo. No entanto, a donzela foi sábia o suficiente para se deixar guiar por um poder maior, para não achar que ela é que sabia tudo.

 Às vezes, em diferentes aspectos da existência, temos de saber dizer "sim", ser receptivas. E a natureza feminina é em si mesma receptiva e cooperante, mas aceitar e deixar-se ir requer coragem. Maria foi corajosa não só nesse momento, mas ao longo de toda a sua vida: um parto arriscadíssimo, a fuga para o Egipto, a vida de um filho que para todos os efeitos era diferente dos outros jovens da sua idade (que mãe não teria um colapso se o filho andasse sumido três dias para conversar com os doutores do Templo?) e finalmente, o pavoroso suplício de Jesus, nada disto podia ser enfrentado com serenidade por uma mulher que não tivesse um coração de leão. Perante aquela tortura atroz ela não fugiu, não desmaiou, não soltou brados: sofreu com dignidade, dando aos seus inimigos a imagem da força magnânima e ao filho, um apoio inestimável. 


Depois, Maria era doce e subtil, conseguindo tudo do filho não com ordens, mas com meiguice. Não é por acaso que lhe chamam "medianeira" e "intercessora". Nas bodas de Canaã, Maria sabia que o filho lhe era obediente. Tendo ficado com pena dos noivos e sabendo aquilo de que Jesus era capaz, bastaria dizer "filho, resolva o problema do vinho por favor" que ordens de mãe não se discutem. 

Qualquer alma que soubesse fazer habilidades em pequeno sabe que muito provavelmente, a mãe insistia para as demonstrar quando havia visitas no melhor modo macaquinho do circo, certo? 

Mas Maria disse só algo do tipo "eles não têm vinho, coitados, que embaraçoso" e Jesus, apesar de responder "que tenho eu com isso?" lá transformou a água em vinho para salvar a festa. Uma mulher sensata não precisa de ser mandona, basta-lhe usar discretamente a sua influência para conseguir o mesmo resultado ou melhor.

E de resto, toda a sua passagem por este mundo foi cheia de paciência, cheia de classe na adversidade, cheia de serenidade...cheia de Graça e dessa graça feminil que todas, cristãs ou não, podem empregar porque é inata na mulher. Hoje é o dia perfeito para recordar e invocar esse dom tão feminino, tão desprezado...mas surpreendentemente actual e útil,se pensarmos bem.




Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...