Recomenda-se:

Netscope

Friday, January 15, 2016

23 pinderiquices de marca maior (Parte II)

E continuamos a nossa lista. Segurem-se que vai custar um bocadinho:

15- O guarda roupa do mau-mau, e o look "afavelado"


Tudo o que tem sido dito ad nauseam: cultivar o tipo físico "mulher melancia" ou o look "bombado" do Carlão vulgo bimbo de ginásio com direito a esteróides (ou papas que fazem músculo, vá). Depois, o mau ar obrigatóriotoneladas de gel a espetar o cabelo para eles, cabelo esticadinho preto-graxa ou louro-queimado-com-chama para elas, garras multicoloridas, grandes brincos, ceroulas do demo, tigresse barata, tramp stamps, mini vestidos de lycra, calções-cueca,  sapatões sintéticos com aplicações douradas, já sabemos de cor a lista.

16- "Sobrepartilhar" as intimidades nas redes sociais



Mais uma que goes without saying, mas pronto. Uma coisa é não esconder aos amigos que se está numa relação ou que se foi mãe ou pai e partilhar alguns momentos chave ou retratos que ficaram mesmo engraçados.
 Outra é escarrapachar online cada beijinho, selfizinha, comidinha, fraldinha, comprinha, ceninha de ciúmes, probleminha...seja por auto-afirmação ("tenho o melhor namorado do mundo!") para "esfregar na cara de alguém" isto ou aquilo (que coisa feia!) ou por simples inconsciência, nunca é boa ideia. Para não falar nas frases de engate que além de ordinárias, gritam ao mundo "estou em desespero" e que deixam de aparecer misteriosamente quando a alminha encontra, por milagre, companhia. E no caso de namoros, nem falemos no aborrecimento que é, caso dêem para o torto, limpar toda a tralha da página e justificar a toda a gente o que é que correu mal, quando ainda há dias andavam em cenas melosas para todo o mundo ver. A moderação cabe em todo o lado, até nos facebooks da vida, e o que é demais é moléstia. Ou pinderiquice.

17- Pôr "nomes da moda" aos filhos

Tudo bem que mal por mal, antes Pombal: mais vale Martins, Constanças e Tomases em barda do que os nomes estrangeirados em moda há vinte anos atrás postos por quem nem tinha costela estrangeira, invariavelmente seguidos de um segundo nome em português mais ou menos normal mas que não batia certo, vulgo Priscila Patrícia ou coisa que o valha. 

Mas se querem um nome tradicional, neutro, pronunciável, basta fazer uma coisa simplicíssima que é dar ao pequeno ou à pequena o nome do avô/bisavó/tia. Ou fazer como os romanos e se o pai for António, chamar Antónia à rapariga, por exemplo. 


Existe uma engenhoca chamada árvore genealógica que é uma excelente fonte de inspiração e não faz sentido desprezar os antepassados, chamando Afonso ao crianço quando nunca ninguém na família foi Afonso, ou Beatriz à pequenota quando o pai é Pedro/Eduardo/Luís, a mãe Filipa, o avô Francisco e a bisavó até era Maria dos Anjos, da Graça, da Conceição, das Dores ou do Amparo, que é igualmente giro e não dá a ideia de ter vindo ao mundo em fornada com uma data de crianças de nome igual. Pior um pouco, a mania de pôr um segundo nome que não combina não se perdeu, por isso vêem-se híbridos estilo Martim Gabriel ou Constança Rafaela.

 E sabem o que é mais irritante? É que as pessoas cujos avoengos realmente eram Salvadores, Santiagos ou Leonores e os querem homenagear dando esse nome à descendência passam por parolas que aderiram aos nomes da modinha. Conheço uns quantos casos bem de perto, ó injustiça. Se os nomes de família forem todos péssimos ou muito complicados, pode sempre recorrer-se a outra tradição: dar o nome do santo do dia ou, se por acaso calha ser dia de Santo Eleutério ou Santa Prisciliana, escolher o nome de um Santo de devoção da família ou do orago da paróquia, e.g Sebastião, Bárbara e por aí fora.


18- Maluquices de casório


Fazer de bridezilla, querer emagrecer por força para o grande dia quando sempre se foi rechonchudinha (má ideia, mais vale escolher um vestido que favoreça porque assim como assim o noivo sabe o que está a comprar, salvo seja), mudar radicalmente de visual (e.g, fazer um penteado que deixe a noiva irreconhecível) levar vestidos cai cai para a igreja, encomendar sessões fotográficas encenadas pós casório (juro! como se não bastassem as sessões medonhas durante a cerimónia e copo de água) incluindo retratos dos noivos a fingir que voam, do noivo de calças arregaçadas e em mangas de camisa no lago dos patos, da noiva a abrir a camisa ao noivo em plena praia, do noivo a subir a saia à noiva (não sei para quê: alguns vestidos são tão reveladores que até os santinhos do altar já viram tudo); casamentos temáticos com direito a bolos igualmente temáticos (em forma de mota ou de saquinhos de compras, garanto que é verídico); exigir que os convidados usem todos certa cor (ouvi falar de uma noiva que exigiu que TODOS, homens e mulheres, levassem determinado tom de rosa) ou impor um dress code ridículo e inadequado, cansar os convidados de morte com mil actividades que mais parece uma festa cultural do município ou um circo, and so on.

19- Maluquices maternais


Além da overdose de partilhas nas redes sociais acima citada, a falar de cocó verde e assim- e de fazerem questão de dizer que os filhos são índigo, sobredotados ou os mais lindos do mundo a cada ocasião- há quem caia no extremo de culpar "a sua princesa" ou o "seu príncipe" pelo próprio desleixo. 
E pior, publicar frases motivacionais a dizer que as estrias/celulite/banhas são lindas e o maior dom da maternidade, que as mães que cuidam da forma são umas fúteis e umas tristes,etc. Isso e adoptar sem necessidade um corte de cabelo horrível, porque é tradição perder a feminilidade quando se põe um ser no mundo. Tudo com o apoio tácito do companheiro deprimente, se ele existe. Pinderiquicis deprimentis maximus é o nome que devia dar-se a isso.


20- Correr para as promoções/saldos/lançamentos/filas de autógrafos


Virar o Pingo Doce de patas ao ar e andar à pancada por um pack de detergente, ficar à porta da H&M à espera de uma fatiota assinada por um designer mas que não é luxo nem é fast fashion ao preço de um anel de brilhantes (não muito impressionante, mas já se compra alguma coisa por esse preço) trocar puxões de cabelo e rasteiras por qualquer bugiganga nos saldos, fazer fila no shopping para comprar um livro/disco autógrafo do cantor ou figurão de TV do momento mas achar que tudo o resto está muito caro, dormir à porta do estádio com um frio de rachar para ver uma banda que dali a meses desaparece do mapa, etc. Mas onde está a individualidade/sentido prático e do decoro/espírito crítico destas pessoas?


21- Mulheres a esgatanharem-se 


Seja a bulha pública, que é pior, ou em privado, que é quase tão mau. Virtualmente ou à estalada. Por causa de um homem ou por causa de outra coisa qualquer. E ainda dizerem que essa é a única forma válida de partir uma unha, lá vem a nail art à baila de novo. E pratos para lavar, não?

22- Usar a frase "o que é bom/bonito" é para se ver


Não é só indecente, nojentinho e inconsciente: é parolérrimo. É uma excelente desculpa para a falta de recato e para as figuras tristes. É um atestado imediato de boçalidade. É...you get the point.

23 - Dizer "fostes", "o comer"...




...usar o verbo "meter" para substituir dezenas de outros e escrever "ligas-te?" em vez de "ligaste?"...e demais sopapos no idioma, gírias adolescentes fora de época e relaxarias com o vocabulário. Volta palmatória, estás perdoada.



E haverá mais, mas 23 já é muita desgraça junta....







6 comments:

Maria Francisca said...

subscrevo tudo outra vez ahah

Imperatriz Sissi said...

ehehheheheh

Carla Santos Alves said...

É muito útil tudo o que escreve, mas, de certo que o publico alvo não a lê - não lê.
De tudo o que escreveu e a juntar ao " comer " podemos acrescentar o "prontos".
No entanto discordo de um dos pontos da parte I, não acho pinderico chamar " amor" ao meu marido, ou miga às minhas duas melhores amigas. ;)

Pati said...

Adorei!!!!! Subscrevo tudo!! :)

Imperatriz Sissi said...

@Pati, obrigada :)

@Carla, "amor" não é pindérico. Só "môr" . Mas não vá alguém ouvir mal, acho "meu amor" mais seguro. Já o "miga" disseminou-se tanto entre certa fauna que se aconselha o uso só em privado, não vá o demo tece-las..

Cathy said...

Adorei!!!

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...