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Monday, January 18, 2016

Alminhas de meias-vaidades. Ou de preguiçosas vaidades.


Vivemos uma época em que as pessoas andam fixadas no corpo: quando não é o seu, é o dos outros. O fitness nunca esteve tanto na moda - salvo talvez na década de 1980, mas arrisco dizer que a nossa, com as redes sociais, imagens inspiradoras no Pinterest, informação sobre o assunto constantemente disponível e amplo espaço para discutir o assunto, levou a questão a um patamar nunca visto.

E é claro que há gente que exagera e/ou usa o ginásio como desculpa para adoptar comportamentos/opções questionáveis ou ridículos (em termos sociais, morais, de estética e saúde): dos taradinhos da corrida, perdão, running, que o fazem para inglês ver a levar com fumo de escape nas trombas só para aparecer, passando pelos Ricardões - bimbos bombados de ginásio  e mulheres -melancia, sem esquecer as rapariguinhas "largas de ossos" que cedem a um excesso de entusiasmo com actividades  pesadotas como o cross fit, acabando com um aspecto a meu ver menos feminino e elegante, até a quem perde a alegria de viver porque só come porcarias extremamente saudáveis and so on

Cuidar do corpo sem tratar do espírito é má receitaBut to each their own - afinal, perfeito só Deus e mal ou bem, as pessoas passaram a mexer-se mais.

No entanto, pior ainda são as outras: não só as preguiçosas e lambareiras que criticam os padrões de beleza, mas as híbridas.

 E que vêm a ser as híbridas, perguntam vocês? São as que - preguiçosas também- até caem numa modernice ou duas só para inglês ver, até fingem que se preocupam com a forma, mas só para se queixarem. Acção e disciplina que é boa, nada. São almas que gastam um balúrdio numa inscrição no ginásio (quando quem quer faz perfeitamente ginástica em casa, ou vai correr para o parque que é grátis) mas nunca lá põem os ténis, ou que até podem ter um ginásio no condomínio sem pagarem mais por isso mas mover um dedinho, está quieto. 

O que se resumiria a um o mal é delas, se não tivessem a lata de se lamuriarem- ou de que até o ar as engorda, ou de que a celulite é culpa da má raça...

 Mas algumas vão ainda mais longe: grosseironas que só visto, são capazes de se fingir muito delicadas, de aderir a dietas parvas da moda, de tirar o sal e a lactose da alimentação, mas só porque viram isso no facebook e sem considerar que isso as deixará ainda mais letárgicas do que já são e com a pele pior do que já está. E enquanto isso vão enfardando toda a sorte de lambarices (nada contra as guloseimas, desde que se saiba comer) e entupindo o organismo de hormonas que não se sabe que consequências terão...alapadas no sofá a ver novelas.

Ainda há dias reparava numa senhora dos seus sessentas que estava no café: gordíssima a beirar o risco de vida, despenteada que chegasse, com roupa justa a rebentar, mas pintada como uma galinha da Índia, perfumada como um bidé, carregada de tudo quanto era bijutaria espampanante e com umas garras de meio metro mais vistosas ainda. Nem sei como conseguia caminhar ou mexer em alguma coisa com tanto penduricalho...


Ok, certo, mas....
 Quase sempre estas pessoas são as que caem noutras meias vaidades- termo que não tem nada a ver com meias e peúgas. Ou de preguiçosas/ignorantes vaidades, se preferirem: as que não passam sem o brushing feito no cabeleireiro mas não cuidam da pele, só vestem roupa de má qualidade e calçam sapatões reles que dão cabo dos pés; as que não se cuidam minimamente mas morrem se as unhas tiverem um aspecto humano, de comprimento e cor normal; as que não fazem uma limpeza aos dentes mas tratam de os enfeitar com um piercing de brilhantes, and so on.

A sério que não percebo: cada pessoa tem as suas prioridades e está no seu direito, mas ou bem que há cuidado com a imagem, ou bem que não há. Porque fica muito estranho. É preferível cuidar um bocadinho de cada coisa e ter tudo minimamente apresentável a exagerar nuns aspectos e desleixar outros. Mas vejo tanta gente híbrida por aí que já se chega a duvidar do certo e do errado neste mundo...

2 comments:

Carla Santos Alves said...

Gosto particularmente quando vejo alguém com umas unhas postiças - na prática é esse o nome - e depois tudo o resto é tão ao natural - cabelo mal lavado, roupa demasiado justa, sapatos pouco asseados, and so on...
...ah e também gosto quando as senhoras se pintam nos transportes públicos, é lindo!Tanta vaidade para umas coisas - mas quando não se é genuíno...
Ninguém precisa de ser "it girl" não querendo, mas asseio, ao menos e algum decoro!;)

Imperatriz Sissi said...

Totalmente, Carla. O paradoxo de se juntar o look "mulher da limpeza em hora de expediente" (que até é um estereótipo injusto, pois já conheci algumas com boa apresentação) a unhas postiças e decoradas é tão comum que me confunde imenso. A minha teoria é que têm preguiça de arranjar o cabelo, vestir roupa apresentável e dar um jeito à cara, mas sentar o derrièrre numa cadeira uma hora e tal a trocar mexericos enquanto alguém lhes enche as garras de gatafunhos é o seu momento de relax. Go figure.

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