Vivemos uma época em que as pessoas andam fixadas no corpo: quando não é o seu, é o dos outros. O fitness nunca esteve tanto na moda - salvo talvez na década de 1980, mas arrisco dizer que a nossa, com as redes sociais, imagens inspiradoras no Pinterest, informação sobre o assunto constantemente disponível e amplo espaço para discutir o assunto, levou a questão a um patamar nunca visto.
E é claro que há gente que exagera e/ou usa o ginásio como desculpa para adoptar comportamentos/opções questionáveis ou ridículos (em termos sociais, morais, de estética e saúde): dos taradinhos da corrida, perdão, running, que o fazem para inglês ver a levar com fumo de escape nas trombas só para aparecer, passando pelos Ricardões - bimbos bombados de ginásio e mulheres -melancia, sem esquecer as rapariguinhas "largas de ossos" que cedem a um excesso de entusiasmo com actividades pesadotas como o cross fit, acabando com um aspecto a meu ver menos feminino e elegante, até a quem perde a alegria de viver porque só come porcarias extremamente saudáveis and so on.
Cuidar do corpo sem tratar do espírito é má receita. But to each their own - afinal, perfeito só Deus e mal ou bem, as pessoas passaram a mexer-se mais.
No entanto, pior ainda são as outras: não só as preguiçosas e lambareiras que criticam os padrões de beleza, mas as híbridas.
E que vêm a ser as híbridas, perguntam vocês? São as que - preguiçosas também- até caem numa modernice ou duas só para inglês ver, até fingem que se preocupam com a forma, mas só para se queixarem. Acção e disciplina que é boa, nada. São almas que gastam um balúrdio numa inscrição no ginásio (quando quem quer faz perfeitamente ginástica em casa, ou vai correr para o parque que é grátis) mas nunca lá põem os ténis, ou que até podem ter um ginásio no condomínio sem pagarem mais por isso mas mover um dedinho, está quieto.
O que se resumiria a um o mal é delas, se não tivessem a lata de se lamuriarem- ou de que até o ar as engorda, ou de que a celulite é culpa da má raça...
Mas algumas vão ainda mais longe: grosseironas que só visto, são capazes de se fingir muito delicadas, de aderir a dietas parvas da moda, de tirar o sal e a lactose da alimentação, mas só porque viram isso no facebook e sem considerar que isso as deixará ainda mais letárgicas do que já são e com a pele pior do que já está. E enquanto isso vão enfardando toda a sorte de lambarices (nada contra as guloseimas, desde que se saiba comer) e entupindo o organismo de hormonas que não se sabe que consequências terão...alapadas no sofá a ver novelas.
Ainda há dias reparava numa senhora dos seus sessentas que estava no café: gordíssima a beirar o risco de vida, despenteada que chegasse, com roupa justa a rebentar, mas pintada como uma galinha da Índia, perfumada como um bidé, carregada de tudo quanto era bijutaria espampanante e com umas garras de meio metro mais vistosas ainda. Nem sei como conseguia caminhar ou mexer em alguma coisa com tanto penduricalho...
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| Ok, certo, mas.... |
A sério que não percebo: cada pessoa tem as suas prioridades e está no seu direito, mas ou bem que há cuidado com a imagem, ou bem que não há. Porque fica muito estranho. É preferível cuidar um bocadinho de cada coisa e ter tudo minimamente apresentável a exagerar nuns aspectos e desleixar outros. Mas vejo tanta gente híbrida por aí que já se chega a duvidar do certo e do errado neste mundo...

