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Wednesday, January 20, 2016

Com "migas" destas, quem precisa de inimigas?



Andam por aí montes dessas campanhas feministas e anti slut shaming a dizer que os homens deviam ser instruídos desde pequeninos a não classificar as raparigas com mimos tão lisonjeiros como"galdéria"(o que, deixando de lado os exageros e ofendedismos, é a sua obrigação de cavalheiros). 

Ou mesmo que as mulheres deviam perder o hábito "degradante" de se insultarem umas às outras em termos semelhantes, para que os homens não se sintam no direito de o fazer também, tudo no melhor espírito solidariedade feminina. O que até seria justo - e simples questão de boa educação- se não beirasse o exagero paranóico, como vimos, e se não fosse o paradoxo que vamos ver mais adiante.

Ora vamos por partes: nenhuma mulher bem educada chama a outra (na cara dela, vá) vadia, rameira, marafona, pega, meretriz, galdéria (ou o equivalente a isso tudo em palavrão geralmente começado pela letra P ou C) etc; tão pouco, se tiver bebido um bocadinho de chá em pequenina, insultará a inimiga ou serigaita com o muito queirosiano "gado" ou uma forma mais específica de animal de presépio/zoológico/quinta. Ná. Nem de viva voz, nem por escrito. 



Primeiro porque uma mulher bem criada não desce a esgatanhar-se com outra  - God forbid.  Mais facilmente dá costas o mais altiva e serenamente que puder, deixando a criatura falar para o boneco, a fazer a peixeirada para o vento, a puxar o próprio cabelo,etc. Porém, caso não consiga mesmo evitar um confronto directo (Credo!) o piorzito que dirá é um "grande ordinária", "a menina não tem dignidade nenhuma" e coisas desse género.



Mas na classificação ou descrição da criatura feita em privado, o caso é outro. E desculpem mas não há politicamente correcto nem solidariedade feminina que roube o devido desabafo contra quem não tem solidariedade feminina alguma (vulgo, destruidoras de lares; nós sabemos que a  culpa é deles mas é preciso uma desavergonhada para ajudar a dançar o tango) ou contra as traidoras da raça que se portam mal, agem como umas desesperadas e nos deixam ficar mal a todas. Portas adentro, uma senhora diz aquilo que quer e descreve os seus desafectos como achar melhor. Na guerra vale tudo, ou quase tudo.



Porém, é até ridículo estarmos com tais discussões quando o tipo de mulheres e de raparigas que costumam ser assim descritas (tanto pelo sexo oposto, como pelas contrapartes cuja imagem tratam de desclassificar por associação) fazem questão de se mimosear com "insultos carinhosos" entre si, entre amigas ou melhor, entre "migas".

Ouça-se um grupo de flausinas e serigaitas falar, ou perca-se tempo a notar os perfis dessas "meninas" em qualquer rede social, e constata-se logo o óbvio: com "migas" como elas, quem precisa de inimigas?




Do vulgar "gaja" e dos ordinaríssimos elogio-pesca-elogio "lindona, gostosa, poderosa, gata" a uma linguagem de bordel ou de casa de correcção, estilo "minha (ai Senhor, cá vai) badal****/bovina/pega/pu***/suína"... a lista é de fazer corar um carroceiro. 

Se tratam assim as "migas", que dirão às rivais supostamente invejosas com quem vivem obcecadas, em quem adorariam partir uma unha postiça e a quem mandam "beijinho no ombro"?



Em todo o caso, se se dão pelos nomes, se se apresentam verbalmente como se os actos e os trajes não falassem por si, caso arrumado: é legítimo e sem injúria classificá-las assim, de ordinárias para baixo, ainda que lá com os botões de cada um. Quem se auto-proclama animalejo, não pode ofender-se se outrem tratar a bicharada pelos nomes...



2 comments:

maria madeira said...

Foi uma delícia ler este texto. Tem sentido de humor e não é nada desprovido de bom-senso.
...
"Ora vamos por partes: nenhuma mulher bem educada chama a outra (na cara dela, vá) vadia, rameira, marafona, pega, meretriz, galdéria (ou o equivalente a isso tudo em palavrão geralmente começado pela letra P ou C) etc; tão pouco, se tiver bebido um bocadinho de chá em pequenina, insultará a inimiga ou serigaita com o muito queirosiano "gado" ou uma forma mais específica de animal de presépio/zoológico/quinta. Ná. Nem de viva voz, nem por escrito."

Ahahahah, está muito bom :))))

Imperatriz Sissi said...

Um muito obrigada tardio, que o comentário escapou-me, Maria :D

É um trabalhinho ingrato mas alguém tem de o fazer--

Beijinho

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