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Monday, January 25, 2016

Fugir da Matrix. Literalmente.


Há dias passava The Matrix na televisão e o senhor mano - que me arrastou ao cinema para ver essa pérola quando saiu - sentou-se a rever. Imitei-o e fui catapultada para a mistura entre "mmm, isto tem alguns momentos interessantes" e "tirem-me deste filme que isto não faz sentidozinho nenhum" que senti no mágico ano de 1999. Aquela estranha combinação entre seca monumental, imagens bonitas e instantes "isto dá que pensar" que me ficou, misturada com o aroma das pipocas naquela sala já extinta.

E de facto, o filme inaugurou um género. Não foi só marcante para os nerds de serviço. Para os meus olhos que já então eram atentos ao figurino (no caso, cortesia de Kym Barrett) havia todo um festival de estilo minimalista de finais dos anos 90 com muito cabedal, napa e silhuetas longas à mistura.

Só embirrava com aqueles óculos à pintas quando não havia sol algum, que nunca me pareceram naturais de usar e davam aos actores um ar mesmo parvo por mais cool que eles se esforçassem por parecer.



Porém, a ideia de "nada é real, tudo é permitido" era de facto interessante, levanta inúmeras metáforas, mais programação informática menos programação informática. Máquinas apocalípticas à parte, a teoria de haver realidades paralelas ou de o nosso mundo não existir realmente mas ser um de muitos hologramas não era nova na altura e continua a não ter nada de tão invulgar assim. Não faltam *supostos?* cientistas e filosofias esotéricas que a defendem. Depois, pode aplicar-se o conceito de "matrix" a qualquer carneirada em que toda a gente acredita sem fazer perguntas...o politicamente correcto actual é uma "matrix" de todo o tamanho!

E vejamos - até não me importava de nada ser real mas eu ter domínio sobre isso tudo e com um simples download, poder escolher a realidade à minha volta, descarregar a roupa que me apetecesse vestir ou programar-me para saber, em horas, qualquer idioma, arte marcial ou o que me desse jeito. Nada mal!



O que não tirava ao filme, a meu ver, uma certa idiotice de toda a gente estar cheia de medo de um papão que ninguém sabia muito bem o que era. Os argumentistas bem tentaram convencer-me de que a Matrix era uma coisa profunda, simbólica e muito má, mas pareceu-me sempre que andavam à volta de uma coisa que anda de noite. Um bocadinho como a Aparição, livro que toda a gente aplaude mas que para mim nunca passou de uma maluqueira pegada sem grande sentido.

De modo que eu, habitualmente toda pela honra, o heroísmo e a justiça, fiquei sempre convencida de que, se me visse em tais assados, faria como o tripulante da nave que se vendeu à Matrix: quero acordar na minha realidade perfeita, podre de rica, poderosa e sem me lembrar de nada desta porcaria.

É que entre alinhar com o "inimigo" e passar a vida a ser ligada a fios, a comer papas horrorosas, embrulhada nuns camisolões sem jeito nenhum e a morar numa nave  poeirenta, desconfortável e a tresandar a óleo de motor...irra, prefiro ser o judas da história...

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