Recomenda-se:

Netscope

Thursday, January 28, 2016

Gigi? Oui, c´est moi




Gigi Hadid é a modelo du jour. Um produto do momento e da geração de manequins que - via redes sociais e por seu próprio punho- veio devolver o mediatismo (e o rosto) às modelos, depois de longos anos em que a indústria, a ressacar da era das top models, optou por dar protagonismo aos designers fazendo marchar fileiras e fileiras de meninas de Leste anónimas, pálidas, esquálidas e praticamente clonadas, com uma ou outra vivaça rapariga brasileira a roubar ocasionalmente os holofotes.



 É quase escusado falar no que tem feito Gigi - seria mais rápido detalhar o que não tem feito - basta ver como liderou o desfile da Versace na Semana de Alta Costura de Paris e a sua presença na "casa de bonecas" da Chanel... e isto só nos últimos dias. 



Ora, haverá que apontar a Gigi Hadid. Nomeadamente a overdose de partilhas nos social media e a sua proximidade ao clã Kardashian, em especial à sua best friend forever Kendall (por muito que se desculpe a Kendall Jenner o pecado de ser Kardashian) com quem até partilha a personal stylist, Monica Rose. Nada que cause admiração, já que a mãe de Gigi, Yolanda Foster, de quem a menina herdou a beleza, foi uma modelo famosa nos anos 80 e mais recentemente, uma bem sucedida reality star daquelas do Canal E!


 Algumas vozes mais vanguardistas também apontam que o seu estilo não é nada de especial; que se esperava mais de uma modelo com o seu ainda recente, mas vasto currículo; que o que veste nada acrescenta ao que usam milhares de raparigas da mesma idade por este mundo de Deus e que só escapa com alguns desastres porque
 é ela a vesti-los.

Talvez. Mas posto tudo isso (e sabem como embirro com reality shows e celebridades postiças - nem ligo ao Instagram, imaginem) eu gosto de Gigi Hadid, e não será só por um certo je ne sais quoi que lhe atribuem. Tão pouco por ser uma rapariga atlética e com curvas que, não fazendo por se transformar noutra coisa, também não advoga bandeiras lamechas de beleza real, embora a sua atitude de california girl que se está nas tintas tenha um certo apelo.

Se torço por Gigi, se gosto de a ver (quem disser que não estava extraordinária no desfile de Max Mara em Fevereiro do ano passado carece de sentido estético) é, antes de mais, pela sua beleza. Cara de bebé à parte (e isso contribui para o seu encanto) Gigi é realmente bela. Não é uma dessas celebridades razoavelmente aceitáveis que com uns retoques e montes de maquilhagem nos tentam fazer engolir como beldades. Nem, como Kendall ou Karlie Kloss, uma rapariga altíssima, com perfil de modelo e uma cara bonitinha, que nos vendem como "linda". 

Por muito relativo que isto pareça, há uma diferença entre ser gira e ser bela, entre ter porte de modelo ou mesmo ser uma manequim extremamente talentosa, carismática ou exótica e ser bela. Cara Delevingne é carismática e exótica, por exemplo. Mas Gigi é bela. Tem os traços correctos, na medida exacta entre o harmonioso e o diferente para se tornar notada.

 Nem demasiado sexy como Kate Upton, que está ali no limite e apesar de linda de rosto uma pessoa se questiona se o corpo dela será mesmo bem feito ou não, nem uma beleza relativa como Alessandra Ambrosio. Eu diria que está no topo com outra verdadeira beleza do momento, Emily Ratajkowski. Mas mais vestida, vá.



Gigi tem um tipo de formosura que é intemporal. Como outras belezas famosas, possui um condão raro: levaria cartão verde em várias épocas. Consigo imaginar Gigi a ser elogiada na Roma Antiga, no Renascimento, na Belle Époque, nos anos 50, 60 e até mesmo nos 70, 80 e 90. Haverá mais belas do que ela? É possível. Mas ela passava no filtro e isso é o suficiente.




Depois, é cheia de vida e isso sente-se. Quanto ao seu estilo, haverá decerto melhor e mais espontâneo - Rosie Huntington Whiteley, por exemplo; igualmente uma beldade que veste do mais casual ao formal com uma classe incrível. 



 Nem sempre Gigi  acerta; tem dias. Falta-lhe provavelmente o berço e a experiência de Rosie. No entanto, dois pontos positivos aqui: ela veste (quase sempre) para as curvas que Deus lhe deu. E com a sua mistura (ou a mistura que a stylist faz para ela) de golas altas, ténis brancos, caxemiras, boyfriend jeans, tons  neutros, skinny jeans, botins, statement coats, peças desportivas, cuissardes e inspirações dos anos 1990 com um ou outro vestido clássico pelo meio, consegue três coisas: usar o que a favorece, inspirar raparigas da sua idade e ao mesmo tempo, ser uma boa referência para mulheres dos 30 em diante. É simples? É. E eu à originalidade prefiro peças de qualidade. Funciona? Sem dúvida. Acima de tudo, resulta nela. A roupa pode até não ser aquelas coisas, mas a forma como cai vai muitíssimo de quem usa, e isso é mérito de Gigi. 



E por fim, o nome- Gigi! É um petit-nom nome queridinho, à starlet da era de ouro de Hollywood, à moda antiga. Sou suspeita porque isto de Gigis, Lilis, Sissis, CZs, Zazás e Mimis é tudo parecido, mas imaginam-na a ficar famosa com o seu nome de baptismo, Jelena? Parece nome de uma princesa guerreira de Conan, o Bárbaro. Sempre gostei de uma mulher capaz de se impor sem usar sequer o primeiro nome todo. Uma mulher que o faz não se preocupa sequer se a vão levar a sério ou não. 



Tem tanta confiança em si mesma que se está perfeitamente marimbando. É um bocado " sou a Gigi, tenho uma cara de bebé fofinha, gosto de comer como gente normal mas não me acho nem mais real nem mais glamourosa do que as outras lá por causa disso e visto o que me apetece- deal with it."

1 comment:

Rita Machado said...

Concordo imenso com todo o que disse - ando viciada nela - adoro o estilo dela, uma inspiração para mim! E também a acho bela nesse conceito que explicou.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...