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Tuesday, January 5, 2016

Isto dos poetas desconhecidos que andam para aí...



...e que volta e meia vão parar às redes sociais misturados com toda a sorte de lamechices, às vezes intriga-me. Já partilhei convosco dois textos bastante decentes perdidos naquelas páginas da treta que é preciso "meter like" (Credo, abrenúncio, espiga rodrigo!) para poder ler e que certos amigos têm a mania de seguir vá-se lá saber porquê. E desta vez, pelo mesmo veículo mas através de dessas páginas pró-feminilidade e tradição que aprecio e recomendo, dei-me com este poema que me agradou bastante, apesar de eu ser muito niquenta quando o assunto são versos. 

A autora é desconhecida, assim o diz quem partilhou, e por voltas que desse não a encontrei, mas atrevi-me a uma tradução livre porque achei que tinha umas imagens fortes e expressivas sem cair em doses de xarope.

Amo-te...da tua alma ao teu sorriso
Do teu coração às tuas mãos; essas mãos que me acariciam só de as ver (...)
Amo-te quando escureces e também quando resplandeces.
Quando gelas e quando queimas.
Quando és tranquilidade e quando és perigo.
Quando és choro e quando és riso.
Quando és paz e quando és guerra...

...e continua por aí fora, terminando com trá-lá-lá, trá-lá-lá, a minha vida só é plena contigo, o habitual. Os poemas, mesmo o dos grandes autores, têm esta coisa de às vezes ficarem melhor incompletos. Quando algumas estrofes são perfeitas é patetice tentar rematá-las, mas isso sou eu que digo e vale o que vale...

Captou-me a atenção  a ideia das "mãos que me acariciam só de as ver", porque é verdade. Quando se começa a gostar de alguém, a ganhar alguma intimidade, as mãos dessa pessoa tornam-se importantes. Dar a mão é de repente um grande assunto, especialmente se as mãos em causa forem bonitas. No caso masculino, uma mão elegante, mas firme e forte, é uma promessa de amparo, de protecção, de "não te deixarei tropeçar".




 Depois, e deixem-me continuar a falar para as meninas e senhoras porque consigo apenas adivinhar como um homem sente isto:  uma mulher pode encantar-se com o sorriso à Clark Gable, o sentido de humor contribui muito para a conquista, mas é quando os olhos "dele" escurecem, quando uma sombra de melancolia os tolda e esse reflexo não passa despercebido mas entra directamente no coração feminino, que se percebe que é amor. Gostar da luz é fácil, mas fascinar-se pela sombra exige certa dose de atenção que se existe, quer dizer alguma coisa. 

De igual modo, em qualquer relacionamento superficial, "ama-se", salvo seja, tudo o que é resplandecente e caloroso: mas amar quando "gela", amar quando as coisas se tornam densas- não necessariamente desagradáveis, mas assumindo uma certa gravidade- apaixonar-se mais, se possível, quando um homem diz, muito calma e firmemente, "isto assim não pode ser" ou quando tem os seus acessos como todo o mundo tem, aqueles que fazem pensar "olá! não lhe conhecia este lado tão indomável"...já requer sentimentos mais profundos.

Amar quando o outro é paz e guerra, amar mesmo quando o outro não é tranquilidade, mas perigo (quanto mais não seja, porque quem tem um coração nas mãos pode sempre parti-lo) amar por um amor que não depende das circunstâncias mas abraça igualmente o bom e o mau, como a Terra aceita o sol e a chuva, o frio e o calor, isso é caso sério. E quando se chega a tal conclusão, é maravilhoso e assustador ao mesmo tempo, como todas as coisas relevantes.


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