Recomenda-se:

Netscope

Tuesday, January 12, 2016

Quando um vestido fala por si


Num oceano de vestidos de suspiro ou minimalistas praticamente todos iguais (como tem vindo a tornar-se norma nas passadeiras encarnadas deste mundo) Lady Gaga, ex-rainha da extravagância, roubou as atenções nos Globos de Ouro com este Versace arrasador.

 Inspirado em Grace Kelly, by the waycomo lembrou e muito bem Raquel Prates no seu blog.

Referências à parte, eis a prova provada de que tanto Gaga como Versace são espampanantes quando querem, mas porque podem, e que rapidamente passam ao estilo mais depurado com  acrobática destreza. É que para fazer um vestido destes, com um corte tão preciso, perfeito sem o mínimo fru-fru, é necessário savoir faire. E já o disse por aqui, Versace escorrega para o exuberante muitas vezes mas basta usar algo feito por esta Casa para ver que quem a gere entende do ofício e sabe enaltecer as curvas femininas como ninguém. Ou não estivéssemos a falar de italianices!

Then again sou suspeita, já que sempre que um vestido deste género aparece num evento, o coração pende-me para ele. Quase todos os meus vestidos formais são algo parecidos com isto, entre a Belle Époque e os anos 50 - verdade seja dita, tenho um de veludo negro parecidíssimo em fila de espera para que a costureira o retoque. E porquê? Ora, talvez porque sou careta ou porque o gosto e os traços italianos estão geneticamente cá e não posso lutar contra isso. Tal como Gaga, aliás, a menina Germanotta, também não pode. Mas sobretudo porque o que é doce nunca amargou. 



Um modelo sheath admiravelmente executado, num bom tecido, com um belo decote (neste caso, shoulder to shoulder), mais feitio menos feitio na saia, mais manga menos manga, não só realça as formas sem desconforto - mais ergonomicamente correcto, não há-  sem cair na vulgaridade, como dispensa grandes fantasias. Funciona bem em seda, veludo, brocado, liso, estampado. 

Depende da boa estrutura e da boa caída, não de uma aplicação estapafúrdia, de uma cauda ou de cristaizinhos bordados que muitas vezes não se seguram como devem. Hoje em dia, finados os tempos da verdadeira haute couture, o que mais se vê são vestidos caríssimos mas banalíssimos ou não tão bem executados como isso. Um destes não precisa de se ater à originalidade; só de destacar a mulher que o usa, e de chamar a atenção para os seus mais belos atributos: o rosto, a pele, a decolletage, a cintura, a curva dos rins.

Melhor ainda, é quase impossível errar no styling de um vestido destes. Noutros os acessórios, as jóias, os penteados tornam-se um assunto muito relevante, já que a toilette é às vezes tão sem graça. Mas um assim fala quase por si mesmo, praticamente dispensa as jóias e a maquilhagem ou o penteado são um extra (lembram-se de Angelina Jolie em O Turista?). E por fim, é um modelo feito para a mulher, para a figura feminina, criado nos bons tempos em que as mulheres queriam e sabiam agradar e estavam cientes de que a beleza é uma arma e consumada arte. Logo, desde que ajustado à medida e usado por quem tenha o mínimo de curvas, acaba por ser democrático para a maioria das figuras, altas ou baixas, magras ou mais cheias. 

A mulher que opta por ele não está desesperada por ser "diferente", por ofuscar as demais, por dar nas vistas; preocupa-se em sentir-se bem na sua pele, em estar apropriada e em passar um bom serão. O resto vem por si mesmo, pois lá dizia Chanel "quando uma mulher está mal vestida, reparam no vestido; quando está bem vestida, reparam na mulher".



No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...