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Wednesday, January 13, 2016

Ser feminina não é ser "flausina"


Por aqui temos analisado os comportamentos tradicionalmente femininos que - a despeito de todas as modernices em voga - não se devem perder, a bem do verdadeiro poder das mulheres.

Serenidade, sensibilidade, diligência, meiguice, tacto, delicadeza, versatilidade, discrição, agilidade, resiliência, a capacidade de dar atenção a várias coisas ao mesmo tempo, de sacrifício e de verbalizar, poder de análise, inteligência emocional, diplomacia, subtileza, intuição, astúcia, o impulso de cuidar, de protecção aos mais fracos, de fazer com que os outros se sintam bem e de criar um ambiente acolhedor à volta, de agir nos bastidores fazendo com que as coisas apareçam feitas sem alarde, a atenção ao detalhe...tudo isso são características tipicamente femininas muito positivas. Mesmo a vulnerabilidade -ainda que aparente - pode ser usada a favor da mulher em todos os campos da vida.

A atitude "empoderada" da mulher "generala" (tradução terrível de "empowered" que para aí anda, mas para todos os efeitos não estou a ver outra) que agora está na moda é um híbrido horroroso entre os modos supostamente masculinos e o piorio dos esterótipos femininos. Mas se existem "generalas" muitas agirão assim, principalmente no mundo do trabalho, para fugir à "atitude tipicamente feminina" tão maldosamente caricaturada por culpa de certas mulheres. Ou - desculpem mas foi Eça de Queirós que disse, não eu - de atitudes que não são de mulher, mas de "fêmea".

Concentremo-nos então nesse outro extremo, também bastante  ridículo: as que tentam a todo o custo passar por muito femininas e fofinhas, quando na realidade são apenas flausinas (ou mesmo serigaitas...).


Eis um tipo que sempre me fez confusão, já que cresci a acreditar que, como digo tantas vezes,  uma mulher deve ser delicada mas forte como as cordas de um piano. Tradicional, mas nunca um tapete.  Deixar aos homens o seu orgulho masculino intacto
permitir-lhes ser os heróis do dia, mas saber desembaraçar-se sozinha quando necessário.

Ou seja, ter ânimo varonil - como tantas Rainhas, cientistas, intelectuais, Santas e artistas da História - mas ser uma Senhora e uma mulher séria, ou uma mulher a sério. 

No entanto, o que mais há é quem confunda ser "feminina" com ser uma histericazinha, uma tola, uma pindérica - ou como diriam os americanos, uma bimba. Lembram-se da miúda irritante que sabia a crónica toda, mas passava por santa porque corava, sorria com a ponta da língua de fora com ar mimado, saía dos testes a chorar, acompanhada de mais duas ou três tolas para a consolar (e tinha a lata de se desculpar à professora que estava muito perturbada porque o namorado tinha acabado com ela)?  Todos tivemos uma chata assim na turma. Pois bem, essa "colega" queixinhas e sonsa não cresceu. Está por aí e multiplicou-se.



São as patetas que dizem quantos palavrões há, mas acham fofo usar muito cor de rosa, muitos laçarotes, muita parafernália da Hello Kitty, em suma, fazer de Paris Hilton versão pelintra. 



A maioria das representantes da espécie teve o berço mais rude que se pode, mas acha que lhes caem os parentes na lama por lavar uns pratos, deixar a casa em ordem ou estudar para ter os neurónios no sítio e uma profissão vagamente séria - a rapariguinha do shopping, da canção de Rui Veloso, ilustra muito bem o género. 



Nos relacionamentos são capazes de todas as facilidades, casualidades e ardis para encontrarem quem as carregue, mas uma vez seguras mostram que nem para a diversão servem em primeiro lugar - são demasiado preguiçosas e egoístas para isso. Quanto ao resto, é igualmente um "venha a nós": bem se ralam se a cara metade não jantou, se precisa que lhe levem um casaco ou uma bebida quente porque está a fazer serão para sustentar a casa...



E se vai cada um para seu lado, depois de o coitado lhes sofrer os desvarios com paciência de chinês, é lamuria, vitimismo, lamentações para quem quer ouvir: ai que ele era muito mau por isso fugi com o Carlão do ginásio. E há quem acredite, porque bem dizia Napoleão que o mulherio tem duas armas: lágrimas e maquilhagem.



Loureiras, graxistas, bisbilhoteiras, letárgicas, entretêm-se com mexericos, novelas, reality shows e outros passatempos acéfalos. Gostam de animais - são capazes de se pôr aos berros, em lágrimas, se o cão aparece coxo ou o gato está constipado, em vez de lhe acudirem prontamente - mas só porque é giro comprar fatinhos e cestinhos ao bicho e tirar selfies com o desgraçado nos locais mais disparatados.



 Adoram crianças, ou fingem que adoram, mas de novo, só porque dá jeito para prender um palerma (e se ele lhes proporcionar um casório com vestidos de suspiro e outras folestrias, melhor)e porque é giro ter "o meu príncipe" ou " a minha princesa", um mini-me malcriado que no futuro vai atormentar a humanidade.



Deliram com vestidinhos, saltos altos, tatuagens (mas sempre sexy ou "fofas") brilhinhos, tigresse barata e todo o figurino do mau ar...e claro, não têm a menor noção do apropriado, aparecendo de mini saia de poliéster em casórios e enterros. Dependendo do grau de garridice, ou vão para o ginásio para se tornarem numas mulheres- melancia, ou preguiçam à espera de melhores dias (leia-se, para juntarem para a lipo-aspiração/ implantes) lamuriando-se da falta de firmeza ou dos quilinhos a mais. E se a ocasião se apresentar, não fogem a uma boa cat fight, com direito a insultos, "mimos" virtuais e puxões de cabelo.



Se vêem um insecto minúsculo, um rato, uma sombra, é gritaria de meia noite, a histeria completa, guinchos de quem está a ser estripada- acham que ficam "queridas" com isso, que parecem muito indefesas a fazer figura de desarranjadas. Um pneu que se fura, uma chave que fica dentro de casa, e eis as infelizes - varinas a posar de viscondessas - com um chilique, desorientadas de todo, a ligar a meio mundo com medo de estragar as feias garras às bolinhas ou de partir um salto de plástico.

E podia continuar, mas fica a ideia...

  Por isso há tantas mulheres que receiam ser femininas - é compreensível. Dá medo, muito medo, cair neste esterótipo. Porém, never fear. Ser feminina, doce, elegante, sedutora mesmo, nada tem a ver com ser uma flausina. Ou uma bimba. Ou uma pindérica. Nem uma serigaita. O que acontece é que há tantas que a ideia se disseminou por maioria...

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