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Sunday, January 10, 2016

Visto ontem (e deu-me vontade de rir a tarde inteira)


Uma pessoa vai parar a um centro comercial ao fim de semana, em dia de chuva, em época de saldos - má receita, não é? Ainda por cima ao mais popularucho da cidade, onde cai meio mundo e *literalmente* arredores.  Mas foi mesmo necessário ir  trocar uma engenhoca à FNAC, logo eu que embirro com engenhocas e com shoppings pejados de gente...

Podem imaginar o fim da picada para encontrar estacionamento. Um longo e precioso bocado que ninguém me devolve queimado piso-acima-piso-abaixo, a jogar ao "encontre as leggings espampanantes" (brincadeira estilo "Onde está o Wally?" que consiste em detectar quem anda de ceroulas em público) para passar o tempo. Claro que dada a assistência, rapidamente o jogo se tornou em "encontrar quem não está com as ditas...".

Estávamos nisto, já a perder a paciência, quando no apinhado estacionamento ao ar livre do piso superior nos deparámos com a cena acima, a que a câmara não pôde fazer justiça...

Ora imaginem: um pobre jipe que não fez mal a ninguém com a bagageira atafulhada até às bordas de sacos da Primark e um mulherão nutrido de leggings tigresse a bater furiosamente nos ditos para lá enfiar mais alguns, com (como diria a avó, Deus me perdoe que isto não é a fazer troça mas foi mesmo engraçado) o barrigão de gelatina a abanar sob o tecido às bolinhas enquanto PAF!PAF! amachucava os sacos. (Mais tarde enchi-me de coragem para espreitar o que estaria assim com um desconto tão grande na Primark que justificasse abastacer-se daquela maneira, mas não vi nada; suponho que não tenham lá ficado umas ceroulas para amostra...).

Depois, sempre a barafustar e a mandar vir, atirou-se para dentro do todo-o-terreno, que -palavra de honra, não é exagero- tremeu e abanou como um barco empurrado por um vendaval. 

E lá saiu sempre a ralhar com o desgraçado do marido, que tinha estado a sofrer-lhe tudo com paciência de Job, sem erguer a cabeça, como quem diz "ó mulher, eu não te conheço"...ainda pararam duas vezes para compor melhor a carga, que decerto estaria a cair para cima da velhota e do pequeno que viajavam no banco de trás...e de todas as vezes, a megera barafustava mais!

Fiquei sem saber o motivo da discórdia - provavelmente achou que o marido não era paciente que chegasse (quantos há que se recusam a pôr os pés numa loja, quanto mais!) ou que depois de tudo aquilo ainda lhe faltava alguma coisa, ou que teria sido melhor ideia trazer uma carrinha comercial, daquelas dos feirantes, para acomodar melhor toda aquela tralha...mas o homem, nem piu. O que me fez pensar que há maridos muito bananas neste mundo, ou que casam mal enganados.

Às tantas - isto já é a minha imaginação a trabalhar - o desinfeliz namorou-se dela nos anos 80, quando as leggings ficaram inicialmente na moda e se calhar a gorducha refilona parecia apenas uma rapariga cheiinha cheia de personalidade, que lavava cabeças no simpático salão do bairro e fazia covinhas na cara quando sorria com ar de serigaita. Apanhou-se casada, continuou cheiinha mas acrescentou mais uns valentes quilos, a cintura foi-se e como todas as loureiras do género vai de se revelar má como as cobras e azeda como um limão. Dos ilusórios primeiros tempos, só restaram as leggings tigresse para contar a história...

Já que não podia "des-ver" o que vi, ao menos entretive-me, que querem...

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