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Wednesday, February 24, 2016

A Nobre Arte de saber estar sozinha, parte II: quando elas acham que sabem, mas não é bem assim.


Cá para as minhas bandas há feministas malucas que se entretêm a sujar as paredes. Com dizeres que vão do cómico "aqui vem a caravana feminista" ( era de acrescentar, se não fosse pela parede que não fez mal a ninguém, "então fujamos") ao blasfemo (vi uma a apelar ao aborto que envolvia o nome da Virgem Maria, que chamar-lhes um Torquemada para cima ainda era pouco) a disparates como "não há nada tão sexy como um homem feminista" (eu acho que não há nada tão interesseiro, tão falso e maior turn off, mas isso são opiniões). Entre o "aborto livre e para todas" (sem considerar que nem todas estarão de acordo com isso) a "nem capitalismo, nem machismo" (sem capitalismo também não se vende tinta  na loja da esquina para estragar prédios, é uma verdade) e "vamos todas tornar-nos lésbicas" (de novo, onde fica a liberdade de cada uma?) é um festival de vandalismo próprio de quem anda fora de si e com muito tempo livre nas mãos.

E depois há outros deste género, em modo "não preciso de um homem para nada". 

Vi esse garatujo ontem e não resisti a captar e passar adiante nas redes sociais com a legenda "depois não se queixem", porque obviamente quem dedica o seu tempo a ser amarga e a descarregar isso na propriedade alheia ou em edifícios públicos não pode ter muitos pretendentes. Houve quem percebesse o sarcasmo, houve quem não percebesse e achasse uma frase muito linda (óptima para mandar a algum parvalhão) e houve quem apontasse, com justiça, que estar sozinha não é problema nenhum. E de facto não é.

Aliás, poucas coisas são tão importantes, se uma mulher quer bem viver, como exercer a nobre arte de saber estar sozinha. É um erro aceitar um relacionamento por solidão, pressão social ou pior, por desespero. Só quem está bem sozinha pode seleccionar com critério e construir, quando encontrar alguém que valha a pena, um relacionamento saudável. Toda a rapariga sensata que tenha lido o seu bocado de Jane Austen sabe disso.


Mas há saber estar sozinha, estar bem solteira, e há fingir que sim mas andar pior que um urso, toda ressabiada à conta disso. Há ter uma vida tão preenchida e interessante que o Príncipe Encantado, quando aparece, tem de se desunhar para caber nela, e há comportar-se como uma solteirona amarga que gatafunha em paredes coisas do estilo "raposa que não foi às uvas". Quem escreveu isto parece-me mais zangada e revoltada, vulgo "não tens tempo para mim, então vai para o inferno; os homens são todos umas bestas, mesmo" do que contente e satisfeita, cheia de candidatos mas sem tempo para dar atenção a nenhum deles. Quem esborrata coisas destas não está sozinha por opção, podem crer.

 Olhando bem para a frase, não é que seja uma mentira completa: qualquer mulher ocupada e realizada é a mulher da própria vida. Ou senhora da sua vida. Mas ser isso tudo não implica não saber partilhar, antes pelo contrário. Quem está feliz, quer contagiar tudo à sua volta e acaba inevitavelmente por atrair, se o desejar, o complemento masculino para ocupar o trono que tem ao lado do seu. E quem quer MESMO estar sozinha - muitas grandes mulheres optaram por ficar solteríssimas e foram felizes assim; é uma escolha livre como qualquer outra - nem pensa nisso. Não procura convencer as outras a fazer o mesmo, ao estilo sofrimento adora companhia. Acima de tudo, deixa as paredes em paz...




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